16 setembro 2004
Visão de Annan II
Mas numa coisa o homem-forte das Nações Unidas pode ter razão: na necessidade de adiar as eleições no Iraque. Antes do mais o que os iraquianos precisam de criar instituições e infra-estruturas, arrasadas por anos de ditadura. Sem que estas estejam prontas antes de actos eleitorais, é difícil que qualquer acto democrático seja bem sucedido. Há, no entanto, um pequeno senão: depois da expectativa criada, nomeadamente pelas próprias N.U. será que os mesmos iraquianos aceitariam esse adiamento? Sinceramente, acho que não.
Visão de Annan I
Com a visão de um lince ibérico, o secretário-geral da ONU viu numa entrevista à BBC a oportunidade certa para dizer qualquer coisa com verdadeira actualidade: que os EUA deviam, há ano e meio, ter esperado por uma segunda resolução na ONU para atacar o Iraque. Foi há ano e meio, sim senhor, o que prova que a crise da organização não tirou a memória a Annan. Melhor dizendo, não tirou toda a memória a Annan: é que o secretário-geral só se esqueceu de dizer que, para além da "teimosia" norte-amaricana, já quatro meses antes os alemães e franceses diziam, na mesma ONU, que embora os iraquianos tivessem (isso mesmo) armas de destruição em massa, nunca autorizariam a mesma intervenção.
15 setembro 2004
Eterna esperança
O meu Sporting joga amanhã. Perdemos no domingo, porque merecemos. Mesmo assim quero ver o jogo. A esperança só se perde à segunda tristeza.
Pactos de oportunidade
O PS elege um novo líder daqui a poucos dias. Hoje, o também novo ministro da Justiça afirmou a intenção de chegar a um acordo com o novo líder socialista sobre a reforma do sector, dando três meses para o efeito. Parece-me lógico, mas também me parece uma ilusão acreditar que o novo PS será diferente do velho PS quanto aos ditos «pactos».
E não é um problema específico do PS – quem está na oposição normalmente não olha para as vantagens que um consenso político ao centro dá ao país (não mudar tudo quando muda o Governo, p.e), mas antes às vantagens que a falta desse consenso lhe dá para ascender ao poder. Para já, fica uma oportunidade, ao Governo e ao próximo líder da oposição.
Quanto aos pactos, já lá voltamos.
E não é um problema específico do PS – quem está na oposição normalmente não olha para as vantagens que um consenso político ao centro dá ao país (não mudar tudo quando muda o Governo, p.e), mas antes às vantagens que a falta desse consenso lhe dá para ascender ao poder. Para já, fica uma oportunidade, ao Governo e ao próximo líder da oposição.
Quanto aos pactos, já lá voltamos.
14 setembro 2004
Boas notícias, dúvidas&inquietações – por JCC
[Um parêntesis para anunciar a estreia de um novo insubmisso. Este texto é o primeiro, ainda independente, de Jorge Campos da Costa. Obrigado, meu caro!]
Do discurso do ministro das Finanças sobre o futuro orçamental sobram boas notícias e... dúvidas... verdadeiramente inquietantes.
Boas notícias:• O legado sinistro das SCUT, uma invenção do “generoso” engenheiro Cravinho, tem os dias contados;
• Parece que se vai atacar a balbúrdia dos benefícios fiscais no IRS;
• Os off-shores estão na mira do Governo;
• O Estado vai continuar a emagrecer, garante o ministro.
Dúvidas:
• Mas como vai o ministro garantir um défice abaixo dos 3% do PIB, a “pugnar por umas contas públicas que sejam uma ajuda ao crescimento”, e sem receitas extraordinárias – um expediente “ilusório”, “analgésico”, a que recorreu o Governo anterior, ao qual o actual titular das Finanças “teve a honra de pertencer”?
• O actual ministro sabe perfeitamente que isso não é possível. Como ele próprio diz, está de posse de “uma aritmética financeira incompatível com delírios demagógicos”.
Inquietações
• Vai o limite dos 3% do PIB para o défice ser posto de lado, em nome do fim das “ilusões” e dos “analgésicos”?
• O défice programado para o próximo ano vai para quanto? E para quanto vai pular a dívida pública?
• Atrás da porta aberta para um défice excessivo, em nome do fim ao recurso a receitas extraordinárias, virá o quê?
• Quanto vai crescer a despesa? Mantêm-se os tectos para o seu crescimento inscritos no Programa de Reforma da Despesa Pública, aprovado pelo Governo anterior e apoiado pela actual maioria parlamentar em 25 de Maio deste ano?
• Mantém-se a regra do endividamento zero para as autarquias?
Todas estas dúvidas terão resposta em 15 de Outubro próximo. As respostas serão um teste. Ficará então claro se a linha de rigor, que foi a marca do primeiro Governo, apoiado por esta maioria se mantém ou não. Se não, resta saber o que fará o Presidente da República.
Do discurso do ministro das Finanças sobre o futuro orçamental sobram boas notícias e... dúvidas... verdadeiramente inquietantes.
Boas notícias:• O legado sinistro das SCUT, uma invenção do “generoso” engenheiro Cravinho, tem os dias contados;
• Parece que se vai atacar a balbúrdia dos benefícios fiscais no IRS;
• Os off-shores estão na mira do Governo;
• O Estado vai continuar a emagrecer, garante o ministro.
Dúvidas:
• Mas como vai o ministro garantir um défice abaixo dos 3% do PIB, a “pugnar por umas contas públicas que sejam uma ajuda ao crescimento”, e sem receitas extraordinárias – um expediente “ilusório”, “analgésico”, a que recorreu o Governo anterior, ao qual o actual titular das Finanças “teve a honra de pertencer”?
• O actual ministro sabe perfeitamente que isso não é possível. Como ele próprio diz, está de posse de “uma aritmética financeira incompatível com delírios demagógicos”.
Inquietações
• Vai o limite dos 3% do PIB para o défice ser posto de lado, em nome do fim das “ilusões” e dos “analgésicos”?
• O défice programado para o próximo ano vai para quanto? E para quanto vai pular a dívida pública?
• Atrás da porta aberta para um défice excessivo, em nome do fim ao recurso a receitas extraordinárias, virá o quê?
• Quanto vai crescer a despesa? Mantêm-se os tectos para o seu crescimento inscritos no Programa de Reforma da Despesa Pública, aprovado pelo Governo anterior e apoiado pela actual maioria parlamentar em 25 de Maio deste ano?
• Mantém-se a regra do endividamento zero para as autarquias?
Todas estas dúvidas terão resposta em 15 de Outubro próximo. As respostas serão um teste. Ficará então claro se a linha de rigor, que foi a marca do primeiro Governo, apoiado por esta maioria se mantém ou não. Se não, resta saber o que fará o Presidente da República.
Só para esclarecer
Um ex-colega ligou-me com uma dúvida pertinente. Questionou-me se eu seria o David Dinis que assina o blog. Sou mesmo.
Já agora, obrigado pela visita. Espero que vás aparecendo.
Já agora, obrigado pela visita. Espero que vás aparecendo.
A gravata rosa de Bagão Félix
A comunicação ao país à hora de jantar prenunciava um momento verdadeiramente importante. Por momentos pensei que o Dr. Félix(Ministro Finanças-MF) ia anunciar a descoberta de 100 toneladas de ouro numa ala não utilizada das sub-caves do edifício do Banco de Portugal à Almirante Reis, perdidas durante as obras de Fevereiro de 1971 e sem rasto desde então. Mas não. Aquele momento tão precioso, que geralmente está reservado ao PR ou a Cardeal Patriarca, era simplesmente para nos anunciar, num discurso pouco complexo e bem organizado, aquilo que outros Ministros, entre os quais o Primeiro deles, já haviam anunciado ao longo da semana. Atendendo à reacção do marreta Barreto relativamente à divulgação "precipitada" do relatório Galp por parte de Nobre Guedes, apreciei a elevação de Félix em não se ter indisposto com todos eles por todos eles terem divulgado as medidas antes do momento cósmico-kármico da comunicação ao país do MF. O discurso de Dr. Félix foi o inevitável. Atendendo ao estado do país e das finanças públicas, temos que poupar, ser mais produtivos, vamos ter que aumentar a justiça social através da adequação de impostos directos e indirectos e taxas afins. O mais polémico foi a metáfora da família que Félix utilizou. PC,PS e o grupúsculo de esquerda trauliteira do Dr. Louçã saltaram-lhe em cima por causa da dita. Eu até compreendo. A metáfora recorre a um conceito pequeno-burguês, caro às ideologias conservadora e liberal , mas destrutiva da libertação proporcionada pela entrega do individuo ao colectivo preconizada pela esquerda, esquerda que abomina a existência destas realidades intermédias alienantes, como é o caso da família. Pois é Dr. Félix, V. Exa não se pode esquecer que para mentes simples têm que ser utilizados discursos simples. Se a metáfora da família não deu então utilizemos a do cobertor. "DR.LOUÇÃ PARA O CORPO QUE NÓS TEMOS O COBERTOR É CURTO. TEMOS QUE ARRANJAR UM MAIOR"
Voltando ao que interessa. Já que o discurso não trouxe nada de novo, falemos daquilo que mais importante houve na comunicação ao país do MF: a gravata de Bagão Félix. Num rosa bonito contrastante com o azul marinho do terno em corte paletó do fato, era de tecido que, devido à mediação televisiva, nos pareceu seda em textura inglesa, daquela que faz nós fartos; o nó Oxford era bem dimensionado ao colarinho de que desfruta o alto funcionário do Estado Português. A gravata estava adequada à postura alegadamente de ruptura da política que alegadamente o Ministro quer ver implementada. A gravata adequou-se, ainda, num registo "confrontation", ao cenário escolhido para sua apresentação, ressaltando e sobressaindo face à decoração propositadamente "retro" do edificio escolhido para a "intervenção estilista" em análise.
Tudo de bom para vós.
Voltando ao que interessa. Já que o discurso não trouxe nada de novo, falemos daquilo que mais importante houve na comunicação ao país do MF: a gravata de Bagão Félix. Num rosa bonito contrastante com o azul marinho do terno em corte paletó do fato, era de tecido que, devido à mediação televisiva, nos pareceu seda em textura inglesa, daquela que faz nós fartos; o nó Oxford era bem dimensionado ao colarinho de que desfruta o alto funcionário do Estado Português. A gravata estava adequada à postura alegadamente de ruptura da política que alegadamente o Ministro quer ver implementada. A gravata adequou-se, ainda, num registo "confrontation", ao cenário escolhido para sua apresentação, ressaltando e sobressaindo face à decoração propositadamente "retro" do edificio escolhido para a "intervenção estilista" em análise.
Tudo de bom para vós.
A velha dama ofendida a quem tiraram o protagonismo.
Diz o DN na sua edição de hoje que Álvaro Barreto teve que ter uma conversa com Nobre Guedes, já que, alegadamente, este último o terá colocado, bem como a António Mexia e a Ferreira do Amaral, numa posição incómoda. Alegadamente Nobre Guedes terá prejudicado o Governo com a sua actuação no "Dossier Galp".
Deixem-me deixar para a posteridade uma pequena nota: quando as únicas vozes discordantes da actuação de Nobre Guedes vêm de dentro do PSD e tudo o que é comentador e articulista elogia a actuação do ministro Guedes, quando alguns chegam a chamar Guedes de Pimenta do século XXI, quando o Dr. Louçã não manda nenhuma farpa directa ao Dr. Guedes, fica provado que não foi o Governo o prejudicado mas sim o PSD. Os interesses desse partido é que foram afectados. E esta é, valha a verdade, a única razão pela qual houve tanto barulho em torno deste caso. Infelizmente este caso não tem a ver com política (no seu sentido clássico, canónico e nobre do termo); este caso tem a ver com dinheiro. Muito provavelmente o Ministério do Dr. Guedes é um dos que mexe mais dinheiro em todo o executivo e os lobbies do PSD (são vários: uns de carácter económico e outros financeiros) ainda não digeriram o facto de não terem lá colocado ninguém relevante e de não estarem a conseguir lá deitar a unha.
Aquilo que está a prejudicar o Governo é que o marreta Barreto esteja a ter a reacção que está a ter: "Ó Pedro ele não me disse nada...Ó Pedro dá tautau ao Luís ou eu não brinco mais".
Tenham juízo...tudo de bom!
Deixem-me deixar para a posteridade uma pequena nota: quando as únicas vozes discordantes da actuação de Nobre Guedes vêm de dentro do PSD e tudo o que é comentador e articulista elogia a actuação do ministro Guedes, quando alguns chegam a chamar Guedes de Pimenta do século XXI, quando o Dr. Louçã não manda nenhuma farpa directa ao Dr. Guedes, fica provado que não foi o Governo o prejudicado mas sim o PSD. Os interesses desse partido é que foram afectados. E esta é, valha a verdade, a única razão pela qual houve tanto barulho em torno deste caso. Infelizmente este caso não tem a ver com política (no seu sentido clássico, canónico e nobre do termo); este caso tem a ver com dinheiro. Muito provavelmente o Ministério do Dr. Guedes é um dos que mexe mais dinheiro em todo o executivo e os lobbies do PSD (são vários: uns de carácter económico e outros financeiros) ainda não digeriram o facto de não terem lá colocado ninguém relevante e de não estarem a conseguir lá deitar a unha.
Aquilo que está a prejudicar o Governo é que o marreta Barreto esteja a ter a reacção que está a ter: "Ó Pedro ele não me disse nada...Ó Pedro dá tautau ao Luís ou eu não brinco mais".
Tenham juízo...tudo de bom!
Pequena nota ao Sr. Ministro das Finanças.
Decidiu o sr Ministro das Finanças mudar de estratégia. Acentua a necessidade de crescimento ainda que garantindo a manutenção do rigor orçamental. À partida tudo parece bem, mas gostaria de o alertar para dois riscos que corre a partir de ontem.
1. Ao falar de crescimento económico, o ministro arrisca-se a que os lobbies voltem rapidamente à mesa do orçamento. Não há nada mais apelativo para estas forças do que um ministro das Finanças a dizer que a economia vai voltar ao crescimento rápido. Se há dinheiro...
2. Ao perder de vista um objectivo imperioso, abre campo a que os seus colegas de Governo, assim como à própria administração pública, para que gastem com poucas cautelas. Como não há uma restrição fixa, todos acham que podem gastar mais um bocadinho. E é grão a grão que o monstro vai crescendo.
Ficam os avisos.
Aquele abraço
1. Ao falar de crescimento económico, o ministro arrisca-se a que os lobbies voltem rapidamente à mesa do orçamento. Não há nada mais apelativo para estas forças do que um ministro das Finanças a dizer que a economia vai voltar ao crescimento rápido. Se há dinheiro...
2. Ao perder de vista um objectivo imperioso, abre campo a que os seus colegas de Governo, assim como à própria administração pública, para que gastem com poucas cautelas. Como não há uma restrição fixa, todos acham que podem gastar mais um bocadinho. E é grão a grão que o monstro vai crescendo.
Ficam os avisos.
Aquele abraço
13 setembro 2004
Falou o Sr. Ministro
Confesso que gostava muito da antecessora.
Mas se está dito, está dito. O resto fica para amanhã.
Mas se está dito, está dito. O resto fica para amanhã.
Sol na eira, chuva no nabal
Um amigo meu ligou-me hoje para me pedir dinheiro emprestado. Coitado. Ainda há uns meses me dizia que ia mudar de vida: «Vou ter cuidado com o que gasto, mas a minha prioridade, agora, é aumentar a minha produtividade para ganhar mais». Deu-me pena mas não lhe emprestei o dinheiro. Só tive coragem de lhe perguntar isto: «Sabes o que é o défice»?
Carta do Tio António ao sobrinho Luís N. Guedes
Ó Luís, estou zangado consigo. Quando o menino veio cá cima pedir o meu conselho sobre se deveria aceitar o cargo de Ministro daquilo que o menino é ministro, eu disse-lhe, e S. Bartolomeu é minha testemunha, "Olhe, só se fôr para fazer carreira séria, para ser bom político, e para ganhar algo mais, já que alimentar essas cinco bocas, como o menino tem que fazer, não é fácil e precisa de estabilidade".
Eu disse-lhe! Ai pois disse! Mas o menino não me ouviu! Senão me acredita veja: ainda agora foi empossado mas já começou a trabalhar, anunciou que ia fazer coisas e está mesmo a fazê-las, as suas comissões de inquérito começam logo a chegar a conclusões e a resultados, o menino apresenta com prontidão ao povo todos os resultados dos inquéritos, não sabe relacionar-se com os media e gagueja nas conferências de imprensa, os ambientalistas (aquelas coisas verdes por fora e vermelhas por dentro, de que tanto lhe falei) gostam de si, não entra nos jogos e nas brincadeiras dos outros meninos ministros.
ASSIM NÃO LUÍS!! Qualquer dia vai começar a recusar receber os empresários que lhe querem oferecer uns rebuçados para as suas crianças e para o partido. ASSIM NÃO PODE SER LUÍS!!
Se eu fosse seu chefe também ficaria incomodado com esta sua entrada de leão. O que vale é que o seu chefe gosta desse bicho, e acho, mas isto sou eu a pensar, acho que o menino ainda vai a tempo de salvar a face e manter este seu empregozito por mais algum tempo, já que nem é mau, e até fica próximo de casa e a Sofia gosta que o menino vá almoçar com os meninos a casa.
Sugiro-lhe, no entanto, que até à minha próxima carta, em que lhe tentarei dar alguns conselhos mais, não faça muita coisa. Encarecidamente lhe peço que seja discreto e que fale pouco em público nos próximos tempos...se tiver de o fazer, seja como os outros e não dê muito nas vistas, diga muito que sim, não se comprometa, dê uns quantos erros de português em todas as suas intervenções públicas, diga mal dos árbitros daquele desporto da bola, ah! e diga umas larachas sobre senhoras (ouvi dizer que o seu chefe gosta muito deste tema).
Falaremos muito em breve. Até lá fica um forte abraço deste seu tio muito amigo que o adora, António
Tudo de bom para si
Eu disse-lhe! Ai pois disse! Mas o menino não me ouviu! Senão me acredita veja: ainda agora foi empossado mas já começou a trabalhar, anunciou que ia fazer coisas e está mesmo a fazê-las, as suas comissões de inquérito começam logo a chegar a conclusões e a resultados, o menino apresenta com prontidão ao povo todos os resultados dos inquéritos, não sabe relacionar-se com os media e gagueja nas conferências de imprensa, os ambientalistas (aquelas coisas verdes por fora e vermelhas por dentro, de que tanto lhe falei) gostam de si, não entra nos jogos e nas brincadeiras dos outros meninos ministros.
ASSIM NÃO LUÍS!! Qualquer dia vai começar a recusar receber os empresários que lhe querem oferecer uns rebuçados para as suas crianças e para o partido. ASSIM NÃO PODE SER LUÍS!!
Se eu fosse seu chefe também ficaria incomodado com esta sua entrada de leão. O que vale é que o seu chefe gosta desse bicho, e acho, mas isto sou eu a pensar, acho que o menino ainda vai a tempo de salvar a face e manter este seu empregozito por mais algum tempo, já que nem é mau, e até fica próximo de casa e a Sofia gosta que o menino vá almoçar com os meninos a casa.
Sugiro-lhe, no entanto, que até à minha próxima carta, em que lhe tentarei dar alguns conselhos mais, não faça muita coisa. Encarecidamente lhe peço que seja discreto e que fale pouco em público nos próximos tempos...se tiver de o fazer, seja como os outros e não dê muito nas vistas, diga muito que sim, não se comprometa, dê uns quantos erros de português em todas as suas intervenções públicas, diga mal dos árbitros daquele desporto da bola, ah! e diga umas larachas sobre senhoras (ouvi dizer que o seu chefe gosta muito deste tema).
Falaremos muito em breve. Até lá fica um forte abraço deste seu tio muito amigo que o adora, António
Tudo de bom para si
Um homem, um estilo, quatro reformas
Em dois dias o Primeiro Ministro lançou a discussão sobre duas «reformas»: Saúde (taxas moderadoras) e Obras Públicas (scut). Se juntarmos a isto o arrendamento e a redefinição das funções do Estado, já vão quatro. Diz o Luís Delgado, no DN, que isso é bom sinal e que muitos vão ter que engolir o que disseram sobre Santana. Eu só prefiro outro estilo: falar pouco do que se pensa fazer, até se fazer realmente. Fora isso...
Breve nota sobre taxas moderadoras
Confesso que tenho alguma aversão à discussão sobre a Saúde, mas apenas porque o meu ponto de partida é diferente – mas isso fica para depois. Mas hoje as taxas moderadoras são o tema do dia, depois de Santana Lopes ter prometido introduzir as taxas moderadoras que estão no Programa de Governo há dois anos. Para ser rápido, ficam três notas:
1. Não gosto do conceito de taxas moderadoras, apenas porque me incomoda que uns tenham mais direitos que outros numa sociedade livre e aberta.
2. Para ser rigoroso, tenho que admitir que o SNS precisa de um novo modelo. Sabemos que assim não tem dinheiro, não só porque a sociedade envelheceu e a nova tecnologia de saúde é cada vez mais cara, mas também porque o desperdício é mais que muito. Assim, admito a discussão do assunto. Quem não concorda que proponha algo de diferente.
3. Assim sendo, uma ideia: já que o Governo quer fazer cartões diferentes consoante os escalões de rendimento (o que me parece, desde logo estranho por várias razões), então que impeça os que não apresentaram declarações de impostos de ter acesso a cuidados de Saúde. Pode ser que assim alguns metam na cabeça que têm de o fazer.
P.S. Só para acabar, ficam as dúvidas sobre o conceito: se querem taxas moderadoras na Saúde, então o que fazer na Educação, transportes, ou mesmo na segurança, etc?
1. Não gosto do conceito de taxas moderadoras, apenas porque me incomoda que uns tenham mais direitos que outros numa sociedade livre e aberta.
2. Para ser rigoroso, tenho que admitir que o SNS precisa de um novo modelo. Sabemos que assim não tem dinheiro, não só porque a sociedade envelheceu e a nova tecnologia de saúde é cada vez mais cara, mas também porque o desperdício é mais que muito. Assim, admito a discussão do assunto. Quem não concorda que proponha algo de diferente.
3. Assim sendo, uma ideia: já que o Governo quer fazer cartões diferentes consoante os escalões de rendimento (o que me parece, desde logo estranho por várias razões), então que impeça os que não apresentaram declarações de impostos de ter acesso a cuidados de Saúde. Pode ser que assim alguns metam na cabeça que têm de o fazer.
P.S. Só para acabar, ficam as dúvidas sobre o conceito: se querem taxas moderadoras na Saúde, então o que fazer na Educação, transportes, ou mesmo na segurança, etc?
Cenas dos próximos capítulos
O Ministro das Finanças promete esclarecer o país sobre qual será a estratégia do novo Governo face às contas públicas. Ou seja, vai dizer-nos o que quer fazer dos nossos impostos. A seguir atentamente, hoje, às 20h15. Promete reacção.
10 setembro 2004
O Rato Mickey e o Lobo Mau
Quero eu ir de fim-de-semana e o Baldaia não me deixa.
Caríssimo: o problema não é «mandar no mundo» (na tua versão), ou ter influência sobre o mundo hoje e amanhã (na minha). O problema da tese que defendes é que o pressuposto em que assenta é diferente: é que, para ti, o Bush não é o Rato Mickey. É o lobo mau. Eu, mesmo com um W. Bush que não venero, garanto que não me sinto um capuchinho vermelho.
Caríssimo: o problema não é «mandar no mundo» (na tua versão), ou ter influência sobre o mundo hoje e amanhã (na minha). O problema da tese que defendes é que o pressuposto em que assenta é diferente: é que, para ti, o Bush não é o Rato Mickey. É o lobo mau. Eu, mesmo com um W. Bush que não venero, garanto que não me sinto um capuchinho vermelho.
A França e o PEC
Cito a Lusa: «O ministro francês das Finanças, Nicolas Sarkozy, afirmou hoje que os défices orçamentais da França corresponderão a 3,6 por cento do produto interno bruto (PIB) em 2004 e "três por cento, talvez menos", em 2005.»
Para os economistas deste país, um conselho: o que disse Chirac em 2003 sobre o défice de 2004? E o que disse Chirac sobre o défice de 2003? A resposta: exactamente o mesmo que hoje disse o seu ministro das Finanças. É só mudar o ano.
Para os economistas deste país, um conselho: o que disse Chirac em 2003 sobre o défice de 2004? E o que disse Chirac sobre o défice de 2003? A resposta: exactamente o mesmo que hoje disse o seu ministro das Finanças. É só mudar o ano.
Votar em quem?
Começa bem. O Baldaia diz no seu palpites que vamos ter que o aturar porque não o deixam votar no presidente dos EUA. É uma ideia em progressão, mas pouco sincera. Gostava muito de saber qual dos seus defensores acha bem que um norte-americano, lá por NY, vote nas legislativas portuguesas. Em Santana Lopes, José Sócrates, quem quiserem.
Poupo-vos trabalho: vão responder que os EUA mandam no mundo, coisa e tal. Arrisco que eles mandam no mundo porque fizeram mais por isso que a Europa (e, portanto, que nós portugueses). E que enquanto a mesma Europa não perceber isso nunca será contra-poder, como muitos querem – e EU NÃO. Nem será, tão pouco, equilíbrio de poder. Mais depressa que nós chega lá a China.
Poupo-vos trabalho: vão responder que os EUA mandam no mundo, coisa e tal. Arrisco que eles mandam no mundo porque fizeram mais por isso que a Europa (e, portanto, que nós portugueses). E que enquanto a mesma Europa não perceber isso nunca será contra-poder, como muitos querem – e EU NÃO. Nem será, tão pouco, equilíbrio de poder. Mais depressa que nós chega lá a China.
Um Baldaia na Blogosfera
O João Pedro Henriques teve a amizade de me apresentar à blogosfera. Hoje é a minha vez de dar as boas vindas ao Paulo Baldaia, no www.mandapalpites.blogspot.com
Diz o rapaz que vai debitar, ou palpitar (não sei como prefere), sobre figuras políticas da nossa praça. Não sei porquê, acho que vamos entrar em discussão uma série de vezes. Porém, como diria o JPH, uma voz inteligente da esquerda racional é sempre bem acolhida aqui no insubmisso. E que seja para ficar.
Diz o rapaz que vai debitar, ou palpitar (não sei como prefere), sobre figuras políticas da nossa praça. Não sei porquê, acho que vamos entrar em discussão uma série de vezes. Porém, como diria o JPH, uma voz inteligente da esquerda racional é sempre bem acolhida aqui no insubmisso. E que seja para ficar.
Ao Glória Fácil
O meu caro JPH diz que sou «reacionário». Acho que tá enganado, mas a discussão fica para depois. Prometo polémicas com o Glória Fácil, até porque não gosto do nome.
Quanto à amizade, é recíproca – não se agradece, retribui-se.
Ah! Abraços ao Simas e à Ana.
Quanto à amizade, é recíproca – não se agradece, retribui-se.
Ah! Abraços ao Simas e à Ana.
Fishler, a Turquia e o 09/11
«Numa carta que dirigiu aos seus colegas do Executivo comunitário, Fishler [comissário europeu, alemão] afirmou que a Turquia é culturalmente oriental e geograficamente asiática, o que abriria uma "caixa de Pandora".. Insisto neste ponto, hoje mais importante que nunca: amanhã é 11 de Setembro. Um dia antes um influente político alemão vem a público dizer que considera errada a entrada da Turquia na UE (país que aguarda pela entrada no clube dos europeus há mais de uma década, com várias promessas em sentido contrário). Qual é a relação? Perguntem em Istambul.
Abraço do pluralismo ao Barnabé
Leio pela blogosfera que o Barnabé faz um ano. Vou ao fundo, mesmo ao fundo, do meu pluralismo e tolerância para dar os parabéns ao Daniel e seus colegas. Pela persistência, pela graça e até por algumas discussões lançadas. Também pelo tom crítico e pela amizade ao Daniel. Aquele abraço e bom segundo ano. Entretanto, vamos falando.
Mensagem a uma amiga competente
Querida Teresa Dias Mendes,
tentei ouvir o debate que moderaste hoje, na TSF, com os candidatos à liderança do PS. E queria deixar-te uma mensagem: a culpa não é tua. A sério.
Já agora, ainda para a Teresa (o resto não dá, sinceramente, para comentar): boa sorte no novo cargo.
tentei ouvir o debate que moderaste hoje, na TSF, com os candidatos à liderança do PS. E queria deixar-te uma mensagem: a culpa não é tua. A sério.
Já agora, ainda para a Teresa (o resto não dá, sinceramente, para comentar): boa sorte no novo cargo.
09/11: Um dia para os três anos
A SIC/Notícias passou há pouco uma série de novas imagens sobre o 11 de Setembro. Numa delas podemos ver o senador John Kerry, com um ar aluado, a descer as escadas do Congresso, após uma ordem para evacuar (em plenos minutos de ataque a solo norte-americano). Noutras tantas, várias imagens do mais perfeito acto terrorista de sempre.
Estamos a um dia dos três anos do 09/11. Um estudo patrocinado pela FLAD, que tem sido publicado nos jornais nestes dias (Público, DN, DE), conclui que os europeus temem o terrorismo, mas não aceitam investir em Defesa. Mais, conclui que os portugueses são os menos preocupados com esta ameaça. São dados para pensar. Para pensar muito, apenas seis meses depois do mesmo tipo de terrorismo ter chegado à Europa, entrando por Madrid.
Estamos a um dia dos três anos do 09/11. Um estudo patrocinado pela FLAD, que tem sido publicado nos jornais nestes dias (Público, DN, DE), conclui que os europeus temem o terrorismo, mas não aceitam investir em Defesa. Mais, conclui que os portugueses são os menos preocupados com esta ameaça. São dados para pensar. Para pensar muito, apenas seis meses depois do mesmo tipo de terrorismo ter chegado à Europa, entrando por Madrid.
Jóias e hipotecas: onde é que eu já ouvi isto?
«Eu quero acabar com este modelo. Temos vendido os anéis, temos que ficar com os dedos. Este é um filão que acaba e não queremos hipotecar o futuro, por isso temos que fazer orçamentos com razoabilidade e consolidar as contas públicas». Dei por mim a pensar onde já ouvi isto. Jacques Chirac, Gerard Schroeder, Ferro Rodrigues, António Guterres, W. Bush? quem disse que a Europa e o mundo estão divididos?
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