18 outubro 2004

Folow the money

Hoje, no “Público”, surgiu uma notícia curiosa. O PSD resolveu pedir 33 mil contos de indemnização para sair de um andar em Lisboa que lhe tinha sido emprestado a título gratuito nos tempos revolucionários do PREC. Segundo o jornal, alguém descontou o cheque, levantou o dinheiro e colocou-o numa mala. Não se sabe se o cheque entrou nas contas do PSD.
O inefável José Luís Arnaut diz que não é nada com ele. O seu ex-braço direito na secretaria-geral laranja contradiz-se, Miguel Relvas não esclarece e António Capucho diz que esta situação "não é normal".
Boa! Onde estão os 33 mil contos?

Força de bloqueio

O prémio para a fotografia mais ridícula da semana vai para o “Público” e a imagem, publicada na pág. 17 da edição do último sábado, do almoço “secreto” entre Fernando Lima, director do “Diário de Notícias”, e João Gabriel, adjunto do Presidente da República.
A citada refeição serviu para Lima “sentir” o apoio do chefe de Estado.
É pena que Jorge Sampaio não se tenha preocupado com a "renacionalização" do "DN" e do "JN" levada a cabo pela PT por ordem expressa do Governo socialista de António Guterres.
O Presidente está calado mas os seus adjuntos não. É a táctica das forças de bloqueio. A foto é que era dispensável.

Exclusivo: a primeira versão da carta de Ana Costa Almeida ao Expresso

Por mero acaso do destino, o Insubmisso teve acesso à primeira versão da carta que Ana Costa Almeida, chefe de gabinete do Primeiro Ministro, mandou ao Expresso, protestando porque Santana Lopes não dormiu uma sesta antes de ir para o Moda Lisboa. Seguem-se essas breves linhas:

"Sr. Director,

na falta de mais qualquer coisa útil para fazer em s. Bento, resolvi escrever-lhe para deixar bem claro que o Sr. Primeiro-Ministro não dormiu uma sesta entre o debate parlamentar de quinta-feira e a sua deslocação à Moda Lisboa, ao contrário do que dizia o jornal de Vexa.
Garanto-lhe: o Sr. Primeiro-Ministro saiu da Assembleia da República às 18h30, e não às 17h como dizia o Expresso, tendo estado no meu gabinete comigo todo o tempo antes de se deslocar à dita festa da moda - onde ele se sente à-vontade. Mais lhe garanto: durante esse tempo que estivémos no mesmo gabinete, o Sr. Primeiro-Ministro não dormiu: falou mesmo ao telefone com o Presidente Fidel (de quem ouviu um monólogo de 2 horas) e com o Presidente João Jardim (de quem ouviu um sermão contra a República das Bananas de 45 minutos). Fique sabendo que o Primeiro-Ministro ainda tentou falar com o ex-líder Mao Tse-Tung, mas não conseguiu contacto.
O que o Expresso escreveu, aliás, é sinal de qualquer coisa de estranho se passa com esse jornal que Vexa dirige. Tome atenção.

Ao seu dispôr, e sem mais assunto - não me ocorre nenhum neste momento -

Ana Costa Almeida
Chefe de Gabinete do Sr. Primeiro Ministro"


P.S. Tanto quanto o Insubmisso conseguiu apurar, a dra. Ana Costa Almeida já está a trabalhar numa nova carta, agora dirigida a um jornal norte-americano que identificava o Dr. Santana Lopes como "homem desconhecido, ao lado do primeiro-ministro da Colômbia". Aguardamos com ansiedade.


Nota do Editor: a versão anterior deste texto foi censurada, por respeito aos leitores e princípios orientadores deste blog. Que seja tão claro quanto isto - com o mea culpa necessário e respectivo pedido de desculpas.

17 outubro 2004

A contra-reforma das metalidades

Meu caro LR,

acabei de ler o teu texto e quero acrescentar-te umas questões.

Dizes tu que precisamos de uma reforma das mentalidades. Muito bem, concordamos. É um passo decisivo para tornar Portugal um país democrático - que não é.
Mas acrescentas que vês sinais positivos, com o aparecimento de casos judiciais que entram em sectores difíceis, como a política e o futebol. Dois pontos sobre o assunto:

1. Quando a política reage como reagiu a «case-studies» como Felgueiras, Apito Dourado ou Casa Pia, que tipo de sinais são esses? Que me recorde, casos polémicos não faltaram no nosso país nas últimas décadas. Mas quais desses casos tiveram um final claro? Qual destes casos - os supracitados - chegarão ao fim?

2. Mesmo partindo do pressuposto que tens razão, será que o nosso sistema (diria Dias da Cunha) está a salvo de novas orientações? Ou seja, será que estamos a salvo que um qualquer novo poder consiga inverter um suposto caminho que estava a ser traçado?

Dirás, estou certo, qualquer coisa assim: "Lá estás tu, Ulisses, com o teu pessimismo". Talvez. Mas não estou certo que num país onde se excluem militantes de um congresso, ou onde se empurra uma televisão privada contra um comentador incómodo, não se possa igualmente fazer uma Justiça à imagem de Berlusconi. Com a diferença que, por cá, nada é tão transparente. É que este país é pequeno, mas os poderes são muito grandes. É tudo.

Um abraço,
e até sempre nestas páginas.
U.

A reforma das mentalidades

Do Portugal salazarista para o Portugal democrático muitas foram as transformações, mas o nível de corrupção pouco ou nada se alterou. Mudaram as caras, verificou-se uma mutação de processos criminosos mas o Estado continua a ter um número significativo de agentes que se deixam corromper ou que promovem a corrupção, inviabilizando a competitividade económica saudável e a justiça social e fiscal.
Se antes era necessário pagar 20 ou 30 contos – quando este valor era o salário mínimo – para acelerar uma escritura de compra e venda ou “comprar” um chefe de uma repartição de finanças para rasgar um processo de dívida ao fisco, hoje as necessidades são outras.
Mas concordo com o RCP que o maior dos problemas não é a pequena corrupção, mas sim os processos criminosos que estão invariavelmente ligados ao financiamento ilícito dos partidos políticos portugueses. Só não acho que a solução legislativa chegue. É necessário uma forte acção dissuasora por parte do poder judicial.
O fenómeno não é exclusivo de Portugal – basta olhar para os casos do ex-maire Chirac, do ex-primeiro-ministro Kohl ou dos vereadores do PSOE de Madrid e as suas relações com empreiteiros locais – apenas a ineficácia, inexistência, receio ou desinteresse do poder judicial. Isto sim é único na Europa desenvolvida.
O aparecimento de casos como o de Felgueiras, Amadora, Apito Dourado ou de António Preto revelam que algo está a mudar em Portugal. O facto de uma magistrada judicial de 30 e poucos anos ter coragem para impôr a detenção preventiva durante 48 horas do presidente do Metro do Porto, da Câmara de Gondomar e da Liga Portuguesa de Futebol Profissional numa prisão por este estreada, representa um corte epistemológico. Assim como o trabalho de juiz Carlos Teixeira do Ministério Público na investigação do caso Apito Dourado também deve ser tomado como exemplar.
Uma nova geração de magistrados judiciais e do Ministério Público com um nova mentalidade capaz de exercer os poderes fiscalizadores dos Tribunais é essencial para combater o cancro da democracia portuguesa: a corrupção ligada ao financiamento ilícito partidário.
Por alguma razão, o Bloco Central reage. Não só PSD e PS querem mudar o regime de escutas em vigor, como nos bastidores as pressões não cessam. Homens como Isaltino Morais, Valentim Loureiro e Joaquim Raposo sabem muitos segredos da República. Os pés de barro do regime podem não aguentar certas revelações.
As relações de promiscuidade entre futebol, política e obras públicas (caso Apito Dourado), entre poder autárquico e promotores imobiliários (caso Amadora) e um que pode ser a mistura de todos estes (caso Isaltino) são um teste ao Ministério Público e à sua hierarquia.
Nada pode ficar no “congelador” outrora inventado por Cunha Rodrigues. Essa seria a reforma das reformas.

Para os mais distraídos...

...temos no canto superior esquerdo do Insubmisso uma nova assinatura. LRosa "stands for" Luís Rosa, jornalista da nossa praça, de alma e coração. O Luís é um grande amigo mas, acima de tudo (no que vos dirá respeito) um homem de convicções: afirma, como nós, a liberdade responsável; é um português de sangue; e um cidadão de carácter.
A partir de hoje (dentro em breve) é um dos Insubmissos. Só podia. Seja bem-vindo.

Os Deuses Devem Estar Loucos

Sporting venceu Estoril, por 4-1.

15 outubro 2004

Pedrocas, Janeiro de 2005

3 de Janeiro de 2005.
Caro Major,

acabei de saber, pelo nosso companheiro Joaquim Camilo, que já tens em tua posse o Apito.

Queria, como é tradição e bom costume, mandar-te um grande abraço de solidariedade.
Sabes que o Zé Pedro é um tipo chato: já lhe pedi o telefone do tipo da PJ, mas ele insiste que não tem nada a ver com a PJ, só com advogados. Mas não te preocupes. Tou a pensar em nomear o Alberto João para o lugar dele muito em breve.
O teu caso está em boas mãos.

Aquele abraço do
Pedro Miguel

S. Bento, Lisboa


P.S. Se voltares àquele sítio, quando saíres, faz-me o favor de não me agradecer. É que senão ainda levo com o professor, o baixinho e o de Boliqueime outra vez. E isso não me apetece nada.


Partidos à beira de um ataque de nervos

Mandou-me um amigo meu. Aqui está:

Do Jornal de Notícias de hoje:
«Vários militantes sociais-democratas de Lamego estão a contestar a eleição de Amândio da Fonseca para a liderança da Concelhia. Alegam que o dirigente ainda é militante do CDS-PP e exigem a «nulidade do acto eleitoral e aplicação da respectiva sanção disciplina»: O CDS-PP confirmou que Amândio Fonseca é filiado no partido, desde 31 de Dezembro de 1993, com o número 180500245. »

A Quinta que nos anima, mesmo!

à notícia de mais uma família famosa (ver em baixo), juntou-se ontem mais uma manchete, que aconselho vivamente ao 24 Horas:

ontem à noite vi, com os meus próprios olhos, o ministro da Agricultura a comentar (melhor, a elogiar) a Quinta das Celebridades no espaço da TVI reservado ao programa. Percebi logo: "Foi por isto que o Governo quis correr com o Marcelo: duas estrelas a comentar os animais não podia ser. Ganhou o que fala das vaquinhas, perdeu o que falava do Governo".

Divirtam-se, que o país está para isso.
Ulisses


A Quinta que nos anima!

Leiam na Sábado:

O José Castelo Branco, vulgo "O Conde", é primo do António Costa, excelso socialista da nossa praça!

Não sei se é verdade, mas a minha mulher fartou-se de rir. É, aliás, a primeira vez que o António Costa dá um motivo de risota cá à malta. Viva a Quinta!

Será que Portugal sobrevive a mais quatro dias de comentários de Miguel Sousa Tavares???

?????
Depois do artigo de hoje no Público, tenho dúvidas.
Parece, caro MST, que o mundo terá que sobreviver. E eu, para mal dos meus pecados, também.
É a vida

14 outubro 2004

Debates e o bom Governo

Ligo a televisão de manhã e vejo que John Kerry ganhou a George W. Bush no terceiro (e talvez decisivo) debate televisivo. Ouço até Nuno Rogeiro concordar com esta análise.

Esta tarde, ouço partes do debate mensal na AR. Percebo que Santana Lopes se mostrou melhor do que previsto - no seu registo preferido, aliás: o dos duelos em directo.

Penso uns minutos no assunto, leio Pacheco Pereira, no Abrupto, e só depois me lembro que os debates não passam disso mesmo: debates. São uma peça importante numa democracia, mas nunca fizeram um bom governante. Ponto final.

P.S. Vi em alguns blogs amigos que não gostaram muito de ver o José Raúl dos Santos falar da espuma da cerveja. Acho mal. Será que um homem já não pode falar do seu dia-a-dia?

13 outubro 2004

Uma pérola de coligação III

Ando para aqui a escrever posts e a minha filha, que precisa de atenção, não me deixa mais.
Ficam só duas perguntinhas:

1. O dr. Jorge Sampaio não escreveu, há três semanas no Expresso, que isso das receitas extraordinárias tinha que acabar?
2. O dr. Jorge Sampaio, para dar posse a este Governo, não tinha exigido que as Finanças tinham que continuar no caminho da consolidação?; E que a política externa não podia sofrer alterações?

Desisto. Vou ver Portugal. Mal por mal, venha a bola.

Uma pérola de coligação II

Depois do ministro das Finanças ter dito, sic, que «serão escassas as possibilidades de recorrer, com racionalidade, a receitas extraordinárias que, aliás, nunca seriam a cura do mal»...

...o ministro das Finanças veio dizer hoje (ouvi na RTP) que vai recorrer a medidas extraordinárias no Orçamento de Estado de 2005.

Que raio! Esta de ministros contrariarem os seus colegas de Governo está mal! Não acha sr. ministro das Finanças? Perdão, sr. ministro das Finanças?


Um pérola de coligação

Depois do MNE, António Monteiro, ter anunciado o apoio português, o CDS pronunciou-se hoje sobre a adesão turca à UE.

Para ler, sem mais comentários:

«
UE: CDS manifesta dúvidas sobre adesão da Turquia e propõe debate nacional

O CDS-PP manifestou hoje dúvidas quanto à adesão da Turquia à União Europeia, mas só tomará uma posição definitiva após um amplo debate sobre este assunto. Até ao final de Novembro, o CDS pretende organizar quatro grandes debates sobre a adesão da Turquia à União Europeia, o primeiro a ser realizado pelo grupo parlamentar, outro organizado em conjunto com a Juventude Popular e mais dois, em Lisboa e no Porto. "É verdadeiramente estranho que, no nosso país político, se discutam tantas irrelevâncias e tantos factos virtuais e não se debata, como deve ser, um facto de extraordinário alcance como este",afirmou o vice-presidente do CDS-PP, António Pires de Lima, em conferência de imprensa na Assembleia da República. Sublinhando que o partido "ainda não estabeleceu uma posição definitiva", Pires de Lima admitiu que "é certo que o CDS-PP tem dúvidas" sobre a entrada da Turquia na UE, à semelhança do que acontece com outros partidos democrata-cristãos europeus, alguns dos quais já se manifestaram contrários a esta adesão.
»

Resposta tardia ao meu amigo João Pedro

Antes tarde que nunca, meu caro. Sobre o teu post acerca do Sporting, seguem dois curtos comentários:

1. O irracional, ao contrário do que pensas, está sempre presente na nossa vida e nas nossas decisões. Um irracional não é um homem anormal, é um ser humano, com tudo de bom que isso implica. Basta leres Hayek, Popper, Oakeshott para perceberes como funciona. Se for muito chato, recomendo o António Damásio – não, não o ex-presidente do Benfica, mas aquele cientista português que ensina nos EUA e escreve uns livros hitóricos. ao caso, recomendo o "Erro de Decartes". Verás que é suficiente.

2. Quanto à provocação final - e passando ao de leve sobre o lápis azul que me impede de ir mais longe -, gostaria muito, mesmo muito, que o Presidente Sampaio invocasse seja o que for que lhe passe pela cabeça para demitir o dr. Dias da Cunha. Ele que dê lá as voltas que der, mas que o faça esta legislatura. Perdão, esta época futebolística, bem entendido.

Aquele abraço,
com amizade quase irracional.
David

Descubra as diferenças

Notícias frequinhas sobre o país que temos:

1. Audiências: "Quinta das Celebridades" lidera tabela de terça-feira.

2. Segurança Social poderá vir a inspeccionar clubes da I Liga - Ministro.

3. Ourives assaltado por dois jovens fica sem ouro avaliado em 25 mil euros.

Pergunta final: quem engana mais quem? Resposta amanhã, na Rua de S. Bento, às 15h, num edifício perto de si (mesmo que não queira mesmo nada).

Já agora, uma notícia bónus, também de hoje:
Fátima: Peregrinos do Santuário rezam pelos governantes.



12 outubro 2004

E vão mais 3,75 votos para o Pedrocas

Meus amigos,

O nosso Pedrocas entrou-nos ontem casa dentro para nos dar umas palavrinhas.
Agora, na impossibilidade de lhe retribuir a simpatia, resolvi entrar-lhe pelo computador – salvo seja! – para lhe explicar a minha emoção ao vê-lo e ouvi-lo. Foi uma coisa que me bateu forte, tão forte que me ia dando uma coisinha má.

Antes do mais, caro Pedrocas, gostei muito do enquadramento. Muito mesmo. Achei a auréula à volta da sua cabeça muito chique (naquele quadro modernaço, percebe?), especialmente tendo como enquadramento a sua foto beijando a mão de Sua Santidade (à sua esquerda, tá a ver?). Deu um sinal muito angélico à intervenção e acho que conseguiu convencer dois portugueses e meio: o seu pai, católico praticante, e o embaixador de Portugal no Vaticano, que o levou lá – a que podemos juntar o cão dele que, com a boa vontade da mesa de voto, também pode ter direito a um papelinho, não acha?

Depois, meu caro, achei uma enorme piada à maneira como falou directamente com o dr. Sampaio e o prof. Marcelo: aquele estilo-confessionário, a lembrar os tempos do Big Brother e da Quinta das Celebridades, foi lindo de morrer, sabe?
Cá para nós, que ninguém nos ouve, os dois primeiros só se calam assim: com um votinho em confessionário para saírem da casa. Aposto que foi a Cinha quem se lembrou, não foi Pedrocas? Vá lá! Confesse! Ainda ontem a vi na Quinta a falar ao telemóvel consigo...
Seja como for, com isso meu caro, estão certinhos mais um voto e um quarto nas próximas legislativas: o primeiro do Zé Castelo Branco, que vale um porque é Conde; e outro do cão do Conde, que valia meio mas a que tem que subtrair 0,25 votos porque também leva o voto do José Peseiro, que tem de ser descontado.

Feitas as contas, meu caro Pedrocas, são 3,75 votos conseguidos. O que, em apenas 14 minutinhos, é obra.
Aconselho que siga os mesmos passos nos próximos 170 dias, talvez em permanência, através de um contrato com a TV Cabo – que pertence àquele grupo do Delgado, aquele seu amigo para as ocasiões. Mas que seja ainda antes do dr. Sampaio dissolver a Assembleia. Com sorte, Pedrocas, saem-lhe mais votos nas urnas do que lugares no táxi do CDS.

Abraços a si e aos restantes leitores,
com a amizade do
Ulisses.

O que um Lampião passa!?

Toda a gente sabe que eu detesto o Sporting Clube de Portugal. Mas, meus caros David e Ulisses, imaginem o que eu penso sobre o Lopes a Primeiro Ministro para não desejar aos meus piores inimigos que o tenham como Presidente!!!???


Tudo de bom
...e vejam lá "ò lagartagem" se desta vez conseguem ganhar à Naval...
é uma equipa difícil é certo, mas o Santana Lopes é sócio deles,
pelo que é meio caminho para eles fazerem grandes asneiras durante o jogo
e vos darem a passagem à eliminatória seguinte de mão beijada...AH AH AH

A minha opinião sobre a "tentativa de manipulação do povo que não surtiu efeito nenhum e a que o Lopes chamou de discurso ao país"

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Tudo de bom
...cuidado que eles os 3 andem aí aos pares e voem baixinho para nos tentarem apanhar desprevenidos...
Ó orwell anda cá!!!!
Olha se eu era comentador...chiça

"O Rei vai nú"

É muito triste para um país quando um homem que sempre se considerou de direita e anticomunista (como eu) é forçado a concordar com Carlos Carvalhas sobre o Primeiro Ministro.

Será que sou só eu (e mais os 8 que o queriam colocar na Quinta das Celebridades) que vejo que no caso de Santana Lopes e da corja de incompetentes que o acompanham, "O Rei vai nú"

11 outubro 2004

Nota de decepção

O país está triste. Muito triste.

O nosso primeiro desiludiu a Grande Nação Leonina ao não anunciar, como se esperava, a sua candidatura à presidência do Sporting Clube de Portugal.

Ouvimos falar de impostos, pensões e salários. Sobre o que realmente importa, nem uma palavra.

Berlusconi continua, assim, sem companhia à altura nesta Europa sem comandante e naquele clube sem líder à altura.

Resta-nos suspirar, à espera da resposta do dr. Sampaio.

Que Deus nos ajude.




Resumo do que disse o sr primeiro-ministro

O sr. primeiro-ministro falou, sem teleponto.
O sr. primeiro-ministro falou, às 20h, durante 15 minutos, na abertura dos telejornais.
O sr. primeiro-ministro falou, sem contraditório.
O sr. primeiro-ministro falou, e deu-me sono.
Vou dormir.
Ámen.

Silêncio, por favor...

...que vai falar o sr. Primeiro Ministro.

Exactamente às 21h10, é favor desligar os telemóveis e dar Graças ao Senhor:
O dr. Santana Lopes fala na RTP e Antena 1, numa intervenção gravada, que se saiba sem teleponto, mas também sem contraditório.

O espectáculo está prestes a começar.

Obrigado

U.

07 outubro 2004

SMS (Santana, Marcelo, Sampaio)

Acabei de ouvir o primeiro-ministro à saída de Belém. Não sei se ouvi bem, mas pareceu-me que o dr. Santana Lopes desafiou o Presidente da República a convocar eleições, caso considere que existiu uma pressão do Governo sobre a TVI para acalmar Marcelo Rebelo de Sousa.

Se é verdade que ouvi mesmo aquilo que julgo ter ouvido, fica-me uma dúvida: que raio terá o primeiro-ministro ouvido do Presidente da República para responder desta maneira?

Em bom rigor, concordo – por uma vez – com o dr. Santana Lopes: ou o Governo exerceu pressão sobre a TVI, e aí está em causa um pilar democrático do país; ou não, e aí está em causa uma estratégia de oposição ao Governo. E esta verdade, creio, nunca iremos conhecer.

Mas sejamos claros: mesmo nesta última hipótese, o mínimo que se pode dizer é que o Governo foi como Romano Prodi definiu o Pacto de Estabilidade: estúpido. Apenas porque entrou num "lose-lose game".
Até posso perceber que o dr. Santana Lopes, através de Gomes da Silva, tenha pretendido convocar um adversário para o Congresso, seguindo a estratégia secular de Maquiavel. Mas na política há uma regra de ouro: nunca faças teu inimigo alguém que tem mais armas do que tu. Menos ainda quando se tem acima um Presidente vigilante, como o próprio prometeu desde o minuto zero.
É o mínimo que se pode dizer. O resto fica para o prof. Cavaco, o dr. Marques Mendes, o dr. Miguel Veiga, o prof. Graça Moura e até para o prof. Marcelo – talvez no próximo sábado, na edição do Expresso.

Até tu, Brutus?

Imaginem só o que consegue este Governo:
até a dra. Ana Gomes consegue passar por séria e equilibrada. É ver no Causa Nossa.

Últimos dias de Pompeia

Síntese da matéria dada, para quem acabou de acordar:

1. Marques Mendes, Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura e Miguel Veiga já acusam directamente o Governo de pressionar a TVI para silenciar MRS. O primeiro é deputado, foi ministro dos Assuntos Parlamentares e tem influência reconhecida na bancada do PSD.
2. O CDS remeteu-se ao silêncio, a mando do próprio Paulo Portas. Nuno Melo, líder parlamentar, justifica o silêncio com bom-senso, numa crítica mais que directa ao ministro que o tutela.
3. O Presidente da República achou que a matéria era muito sensível, tanto que chamou Marcelo a Belém – o que foi de imediato transmitido aos média.
4. Passados três meses, sobra o quê, exactamente?

Conclusão: A única manchete de hoje que pode ter acertado quase em cheio foi esta. Vamos ver: se se confirma; em caso de resposta positiva, para quando.


Até mais logo.

TVI, Marcelo e o PR

Disseram-me fontes bem informadas do Palácio de Belem que a mostarda já chegou ao nariz de Jorge Sampaio e que o Presidente desta vez se passou por completo. Disse-me esta fonte, igualmente, que o período de nojo pós-Barroso acabou e que o prazo de validade de Lopes também acabou. Esta mesma fonte aconselhou-me a , enquanto consultor político, posicionar-me junto dos partidos, porque as eleições antecipadas estavam para breve.

A ver o que isto dá

Tudo de bom.

Marcelo, PT e TVI

Dizem as más línguas que o despedimento de Marcelo Rebelo de Sousa teve a ver com a mais que provável aquisição da TVI pela PT. Será verdade que o Sarmento teve coragem para fazer isto com o Horta e Costa?????

Marcelo, telenovelas e o burro da Júlia Pinheiro

A TVI apostou forte na rentrée. Estava decidida a ganhar a batalha das audiências

Estou profundamente convencido que nesta agitada semana de Outubro esteve a mão maquiavélica de José Eduardo Moniz.

Estou a ver o filme...numa noite do passsado mês de Junho ZéDu chega a casa e diz:

"Manelita, môr ?! Onde tás, chega-te aqui à minha beira. Estive a pensar...o que tu achas de arranjarmos um programa qualquer em que entre a Júlia Pinheiro, aquela coisa das jóias que foi parada na Portela, e uma atracção mundial como por exemplo o Pavarotti".

Manuela Boca-de-incêndio-da-CML-Guedes responde-lhe com voz grossa
"Olha ZeDu, isso era giro mas acho que as audiências só melhoram se tu encontrares um "número" verdadeiramente dramático, tipo guerra à Murdoch ou se fizeres uma grande injustiça a uma pessoa que o público verdadeiramente adore, como aquilo que eu fiz ao Miguel Sousa Tavares no outro dia. Lembras-te ZéDu como eu fui malcriada e ordinária...ai..fiquei tão excitada...e as audiências subiram e tudo."

Moniz virou-se para a Boca-de-Incêndio e disse-lhe
"Boa, boa...grande malha...vou já falar com o Paes do Amaral a ver se ele alinha...estava a pensar??? que tal se despedíssemos o Marcelo???"

Manelita não resistiu, saltou-lhe ao regaço e disse-lhe
"Ai ZéDu tu és tão esperto que vais ficar para a história dos media em Portugal".

E assim surgiu a Quinta das Celebridades e o despedimento do Marcelo

Tudo de bom para vós

06 outubro 2004

Aceitam-se apostas

O que vai fazer o professor Marcelo?
Hipóteses a considerar:
1. Candidato à Presidência da República.
2. Número um numa lista ao Conselho Nacional do PSD, no Congresso de Novembro, em desafio à liderança.
3. Comentador na SIC-Radical, sob patrocínio de Rui Unas.
4. Treinador do Sporting Clube de Portugal, substituindo José Peseiro.

Votações para este email ou, por telefone, para S. Bento.


Abraços para todos

Não há almoços grátis, professor Marcelo

Mandaram-me isto da Agência Lusa. Leiam com atenção. Releiam se necessário.

«
Marcelo Rebelo de Sousa sai da TVI após conversa com Paes do Amaral
Lisboa, 06 Out (Lusa) - O ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa anunciou hoje à agência Lusa a sua saída imediata da TVI, na sequência de uma conversa com o presidente da Media Capital, ocorrida a pedido de Miguel Paes do Amaral. "Na sequência de conversa da iniciativa do presidente da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, decidi cessar, de imediato, a colaboração na TVI, a qual sempre pude livremente conceber e executar durante quatro anos e meio", declarou Marcelo Rebelo de Sousa à agência Lusa. Marcelo Rebelo de Sousa fazia comentários políticos ao domingo no telejornal da TVI desde 13 de Maio de 2000.
»

Alguém julgava que os jogos de futebol na TVI não tinham um preço?

Informação desportiva útil

[L.R. vezes dois. Nada mau]

Eis um bom exemplo do "óptimo" jornalismo desportivo português:

«O Record sabe que a paciência dos dirigentes do Sporting não vai durar eternamente».

Deve-se acrescentar que foram necessárias as técnicas de investigação mais apuradas e mais vanguardistas para chegar a esta "informação" preciosa, útil e nada, mas mesmo nada, redudante. LR

A viragem está ai

[aqui fica uma nova contribuição do nosso caro L.R.]

É dos livros, chama-se "viragem" ou "turn-over" e define o momento político específico em que o líder da maioria bem pode arrumar as malas e preparar-se para ser substituído. Na passada segunda-feira, a notícia de abertura dos telejornais da SIC e da TVI foi a mesma: feriado custa ao país 50 milhões de euros. É certo que em vésperas de feriado nacional, ainda por cima a meio de "uma ponte de improdutividade" não havia muitos "scoops", mas abrir os noticiários das 8 com uma notícia que visa mexer com a boa consciência de quem está de folga durante quatro dias, é obra! A partir do momento em que as televisões se atiram ao Governo por decretar tolerância de ponto à segunda-feira, é melhor Santana Lopes, habitual espectador dos noticiários da CNN Internacional, BBC World e Sky News, começar a preocupar-se menos com os seus seguranças e as críticas do professor Marcelo e dar atenção ao trabalho para que é pago: governar. Mas governar mesmo e não jogar ao pé-coxinho do anuncia-desanuncia-volta-a-anunciar-desmente-o-segundo-anúncio-e-finalmente-inve
nta-outro-anúncio-para-fazer-esquecer-o-primeiro-anúncio.
Ah!, e só mais uma coisinha. O PS voltou a ter uma liderança, depois de um interregno de dois anos e meio. Como o comentador já avisou, "cuidadinho!". Ou muito me engano ou a equipa José Sócrates/António Costa/Jaime Gama/Pina Moura com a ajuda de Jorge Coelho vai dar uma cabazada nos quatro tristes tigres: Pedro Santana Lopes/Henrique Chaves/ Nuno Morais Sarmento e Rui Gomes da Silva. Paulo Portas é a excepção porque já lhe cheirou que "isto" não vai durar muito. LR

As sobrancelhas do Lopes

Meus amigos,

será que algum de vocês reparou?

Estava eu à frente da televisão, naqueles minutos de tranquilidade que sublinham a importância do descanso, quando a minha mulher - com uma capacidade de observação que em muito me ultrapassa - lança um grito: «Ele pintou as sobrancelhas!».

Ainda pensei que ela estivesse a falar do tal Castelo Branco, ou mesmo do Avelino Ferreira Torres - vulgo, Bebé, nas palavras da Júlia Pinheiro - numa manobra táctica para distrair as vacas na altura da ordenha.

Não. Nada disso. Era o Santana Lopes quem ali estava, a falar com as televisões num sítio qualquer, com aquele ar muito concentrado nos seus sapatos que adoptou desde que a vida se tornou difícil. E a minha mulher repetiu:

«Já viste? Ele pintou as sobrancelhas de ruivo!. Está cheio de cabelos brancos e agora pintou aquilo!»

Confesso que desde então ando à procura de uma confirmação, naquelas fotos de arquivo das revistas. Mas ainda não consegui. Daí que procure a vossa ajuda, para acabar com esta angústia que me afecta:
Será que alguém viu? Será que a Central de Comunicação já está a funcionar? Será que as vacas vão sobreviver aos famosos na Quinta das Celebridades?

Agradeço qualquer colaboração,

ao vosso dispôr,
U.

Braga da Cruz ou Braga da Foice ???!!!

Porque que é que o Reitor da grande UCP (Universidade Católica Portuguesa e não Unidade Cooperativa de Produção…senão o Magnifico Reitor chamar-se-ia Braga da Foice e não Braga da Cruz: uma pitada de humor britânico para mentes requintadas como as de V. Exas., coisa que me ficou do tempo vivido para lá do canal mas que não é muito apreciado em Portugal) tem que “palpitar” sobre a vida nocturna das cidades universitárias?

Mesmo que fosse politicamente correcto, será que um sociólogo dotado e reputado comete a leviandade de atribuir a um só factor a força de “causation” de um fenómeno complexo como este: será que a recta de regressão explicativa desta variável dependente (insucesso escolar) tem um contributo assim tão grande da variável saídas nocturnas? Qual a variância explicada Senhor Professor? Então e outros factores como a envolvente familiar, o envolvimento social, grupos de pertença e referência, estímulos para-laborais e motivações profissionais, a progressiva degradação da qualidade dos corpos docentes, a diminuição de financiamento disponível (quer público como privado) e por consequência de investimento? E será que o Senhor Reitor terá reparado que enquanto isso acontece ao nivel das licenciaturas, o “mercado (feia palavra para este sector)” de Pós-Graduações, Mestrados e Doutoramentos disparou e que nestes os niveis de aproveitamento e a qualidade da formação e dos formandos é bastante confortável? Terá o Magnífico Reitor reparado que curiosamente estamos a assistir a um fenómeno de maturidade tardia que se projecta sobre as licenciaturas e só se resolve por alturas dos 25 e das Pós-Graduações e Mestrados? Será que não estamos a querer que um sistema de ensino superior deficiente dê respostas suficientes quando não está preparado para isso? Em 1973 o sistema era um, passados 30 anos o sistema é outro completamente diferente…se calhar hoje em dia em termos relativos, temos niveis de excelência no ensino superior superiores àquilo que existia nos anos 70?

Senhor Reitor, isto são só suposições, porque enquanto cientista social exijo a mim próprio a corroboração ou refutação (sim,sim, à la Popper) das minhas hipóteses depois de um amplo debate de qualificação das mais válidas a serem testadas! Cientificamente recuso aceitar que V. Exa tenha proferida a afirmação que eu lhe ouvi sem ter provas irrefutáveis da veracidade da mesma…

…a menos que a afirmação tenha um sentido moral e, nessa circunstância não me cabe a mim criticar o Magnifico Reitor da UCP, apenas lamentar que ele se chame mesmo Braga da Foice ao contrário do que eu pensava e desejava; foice não por causa da “cooperativa de produção” mas porque pretende cortar rentinho os costumes e atitudes impróprios àquilo que acha o Reitor dever ser a monástica vida de universitário.

Mas o mais grave deste fait divers é que o Reitor está convencido do que disse, e na Reitoria da UCP centenas de pessoas lhe deram os “parabéns pela excelente entrevista e pela oportunidade, sabedoria e superioridade da análise apresentada”.

Senhor Reitor só para estragar a sua teoria deixe-me confessar-lhe que terminei a minha licenciatura com média de 16 valores, o meu mestrado com 18, e a parte lectiva do programa doutoral com 17 valores….durante este período de formação tive uma vida dissoluta saindo, bebendo, namorando, escrevendo, etc.. Só para estragar um pouco mais a sua teoria…parte da minha formação foi feita numa UCP deste nosso triste país. Como eu, posso contar pelo menos mais 5 a 8 colegas nas mesmas circunstâncias.

Tudo de Bom

Mas porque é que o deixam mexer no que quer que seja ?!

O Mexia foi a uma reunião ao Algarve anunciar que as SCUTS vão mesmo para a frente, incluindo a da Via do Infante de Sagres. Saiu da mesma reunião anunciando que o caso vai ser estudado mais 6 meses para apurar o verdadeiro impacto da portagem na Via do Infante.

MAS ENTÃO SE O MEXIA NÃO TINHA A CERTEZA DO QUE FOI LÁ FAZER PORQUE É QUE FOI??? SE NÃO TEM CERTEZA PORQUE ANUNCIA? VAI FAZER O MESMO PARA TODAS AS OUTRAS SCUTS? FICA TUDO EM BANHO MARIA MAIS 6 MESES?? E O QUE É QUE O BAGÃO DIZ DESTAS MEDIDAS “LESA RECEITA”??? VÃO-SE CURAR, TÁ TUDO GROSSO!!!!


Tudo de bom

Ó Gomes da Silva vai aos búzios!!!!

O que é que os comentários de Rui Gomes da Silva sobre o Professor Marcelo Rebelo de Sousa nos dizem sobre o Ministro dos Assuntos Parlamentares?

Que o Ministro dos Assuntos Parlamentares é muito burro, politicamente míope, estruturalmente bruto e que pensa como o treinador do Sporting, ou seja com os pés (desculpa David).

Já tínhamos visto o miúdo Silva na AR a falar com Louçã da única forma que não se pode falar com Louçã, isto é menosprezando-o (se há coisa que não se pode desprezar é o ego do Xiquinho, a propósito, “Ó Francisco gostei muito do seu pullover pelos ombros à saida do Saldanha, very bourgeois), agora mete-se com o Professor. A isto eu chamo um "animal com forte sentido de oportunidade no exercício do contraditório politico”.

Será que o Lopes ainda não percebeu que as bocas que o Sampaio mandou lhe são dirigidas e não porque o Lopes “tenha uma vida negra feita pela oposição” mas antes porque o Lopes teve o mesmo jeito a escolher a sua equipa, que o Pinto da Costa a escolher o Del Neri?

Ó Lopes o problema está DENTRO de ti e não é um Alien (bem, mas o Lopes também não é a Sigourney Weaver).

Com Ministros destes não é necessário oposição…basta a RTP cobrir o Conselho de Ministros.

Obviamente o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa não respondeu ao miúdo Silva e esperamos que a Alta Autoridade para a Comunicação Social tenha desta vez o bom senso de não nos brindar com deliberações Dickensianas e Salomónicas


Tudo de bom

Carvalhazzzs, Cunhal e o 3º Segredo de Fátima

Agora tenho a certeza que o 3º segredo de Fátima, preservado pela irmã Lucia e pelo seu silêncio, tem a ver com Portugal e com o Comunismo (e não com aquilo que o Vaticano anunciou como oficial).

Em primeiro lugar, porque um dos homens políticos (no sentido aristotélico do termo) mais inteligentes (mente brilhante mas preversa) que Portugal conheceu no século XX, já está incapacitado e, felizmente, nunca conseguiu impôr as suas ideias no nosso país: refiro-me, claro está, a Álvaro Cunhal e queira Sta. Clementina que se mantenha em tranquilidade no lar de idosos que escolheu para sua última casa na clandestinidade (para mais informações consultar o Pacheco Pereira que parece que sabe tudo sobre a criatura).

Em segundo lugar, as grandes esperanças do Comunismo português, outras duas cabeças iluminadas e homens corajosos, morreram prematuramente: Luís Sá e João Amaral não cumpriram os desígnios que a sibila augurava (acho que foi Maria João Avillez que chamou a Amaral o Príncipe Vermelho…se não foi poderia ter sido, já que o cognome é bom e aplica-se, e a Senhora é inteligente e sensível em suficiência para dizer tais coisas bonitas).

Em terceiro lugar porque Cunhal e a troika dirigente da Soeiro Pereira Gomes (para os mais distraídos é nome de rua e é onde está a Bolsa Euronext Lisboa: grande crueldade esta do destino: ter o supremo símbolo do capitalismo português em frente ao último reduto do marxismo-leninismo nacional: será que os PC’s já abandonaram o estalinismo, ou continuam a acreditar que o velho José da Geórgia aquilo que de facto fazia era, graciosamente, enviar para férias em locais exóticos os seus concidadãos?) na dúvida entre o marketing e a coerência ideológica, optaram por este última e escolheram o sibilante Carvalhazzzs para gerir os destinos do Partido sem brilho e sem chama.

Em quarto lugar porque quando Carvalhazzzs decide (ou por ele decidiram!!) sair, em quem pensam os arejados membros do Comité Central para o substituir??? Nessa pérola da boçalidade chamada Jerónimo de Sousa: o deputado-operário.

Por este conjunto de razões acredito seriamente que Deus existe, que tem um plano para Portugal, que este plano não contempla passar 75 anos sob domínio vermelho, e que a irmã Lúcia, grande marota, já sabia disto há muito tempo.

O terceiro segredo era este: o PC nunca será nada no nosso país.

Tudo de Bom

O país ideal não é...

1. um território onde o PC tenha Jerónimo de Sousa como secretário-geral.
2. um território onde um ministro, só depois de ser ministro, se lembre de mandar calar um comentador.
3. um território onde seja o líder da CGTP a dizer que o Governo é populista por conceder uma tolerância de ponto inédita.
4. um território onde um Governo concede tolerância de ponto à função pública porque «muitos feriados têm coincidido com fins-de-semana», proclamando por outro lado a improdutividade do país.
5. um território onde o Presidente da República diz coisas por dizer, sem sentido aparente ou, pelo menos, ser claro para todos.
6. um território onde o chefe-mor das autarquias exige dinheiro ao Governo porque «senão somos nós (PSD) a apertar o cinto e depois vêm os socialistas e gastam».

Bem hajam.
U.

04 outubro 2004

O João Pedro e o Sporting

Caro JPH,

duas observações sobre o teu post leonino:

1. Os benfiquistas não são autorizados a falar sobre o clube mais sério do país. Faz parte dos estatutos não oficiais do S.C.P. Aliás, os mesmos estatutos diziam o seguinte no início do século passado: que só os aristocratas podiam pertencer ao clube. A razão é a mesma; o objecto também.

2. Eu que não acredito em revoluções não abdico de as ver ao vivo, se possível, ou em directo na tv, se não for. É uma questão de história, que não se deve perder. O fim de um regime, mesmo que deposto por métodos que não partilho, deve ser observada de perto.

P.S. Esta última observação só vale para questões futebolísticas. É, aliás, a razão de ser do próprio futebol – vale tudo.


Considerações ao Glória Fácil,
D.D.

03 outubro 2004

Pedido pouco católico

E ainda dizem que a Universidade Católica não tem sentido de humor...
Alguém viu o Reitor, Manuel Braga da Cruz, desafiar o dr. Santana Lopes (hoje, na manchete do Público) para impôr regras aos bares nocturnos do país? Logo ao dr. Lopes, senhor Reitor?

01 outubro 2004

Carta aberta ao meu caro António Mira

António,

passei todo o dia a matutar sobre as razões da fraca afluência dos nossos leitores ao mail do Insubmisso, perante o desafio tão actual que lançaste ontem.
Refiro-me, é claro, ao manifesto «Lopes para a Casa dos Famosos». Até esta hora, o desafio teve apenas sete respostas, pese embora o acréscimo de visitas que a iniciativa trouxe à nossa humilde página.

Estive horas nisto, até que me ocorreu esta pergunta: com que empresa é que falaste para colocar as respostas dos nossos leitores online? Não terá sido a mesma que a Dra. Carmo Seabra deixou a fazer a lista informática dos professores?

Deixo-te uma proposta: o melhor é falar com o outro rapaz, aquele dos algoritmos. Não há nada como uma fórmula matemática para fazer um milagre. Se tivermos sorte, passadas 12 horas já temos o Lopes na TVI, com o Marcelo a comentar o desempenho nos serões de domingo. Para isso até me disponibilizo para colocar as respostas à mão!

Pensa no assunto, ok?
Abraços para ti e bom fim-de-semana.



O ozono e o porquê do murro na mesa do Sr. Lopes

Há pouco ouvi na TSF que o buraco de ozono diminuiu.
Isto é um perigo, meus amigos. Primeiro, o Sr. Lopes vai ter menos uma justificação para as loucuras que se vão acentuando no Governo; Segundo, o Sr. Guedes vai ter grandes problemas para fazer do Ambiente um ministério de acção política, como prometeu há uma semana no Público; Terceiro, os senhores dos passarinhos estão em risco de perder o emprego, o que é um grande problema para o Sr. Félix – que anda há que tempos a falar na retoma e no crescimento e fica em risco de ver a taxa de desemprego subir. Bom, bom, só mesmo para o Sr. Neves, aquele do ministério da Agricultura, que pode conseguir um reforço orçamental, com mais peixinhos nas águas para pescar e mais passarinhos no ar para caçar. O problema é que o Sr. Neves é do PSD e, portanto, não deve durar muito no Governo.

No meio de todos estes problemas acrescidos para o Sr. Lopes, soube-se hoje que o Sr. Silva, mais conhecido por "rapaz-lá-de-baixo-de-Boliqueime" já se reformou do Banco de Portugal e que o seu ex-assessor, Sr. Lima, está de malas aviadas do Diário de Notícias.

Francamente! Era o que mais faltava ao Sr. Lopes! Se o ozono acaba e o Sr. Silva vai para Belém, daqui a nada é o povo que acorda e o tira de S. Bento. «O melhor», pensou o Sr. Lopes ontem à noite, «é dar um murro na mesa. Vou já ligar para o Independente!».


A varina do CDS fez chorar S. Bento


A R. de S. Bento chorou.

Milhares de portugueses alinharam-se, de luto vestidos, pelos passeios daquela a que o povo chamou de R. Amália.

Mulheres em turbilhão de emoções saltaram para a escadaria da Assembleia em pranto convulsivo.

Nas janelas do edifício novo da Assembleia da República viam-se colchas de Castelo Branco e os assesores de todos os grupos parlamentares abriram lenços e vibraram bandeiras nacionais.

Mota Amaral lembrou os bons momentos passados, invocou o saber de experiência erguido da sua Tia Maria do Carmo, pediu a ajuda do beato Escribá e de todos os outros santos da Obra, para dizer as palavras de despedida.

Almeida Santos lembrou-se, com um sorriso discreto, de 1975 e dos escritórios da Lisnave onde ela começou a sua caminhada política.

Era a despedida de Celeste Cardona da Assembleia da República e Francisco Louçã emocionado até vestiu um fato do seu tio Hermínio num discreto azul mar. E disse com lágrimas

"ADEUS CELESTE, ADEUS PRINCESA ATÉ SEMPRE COMPANHEIRA"

Notícia DN 1-10-2004
"Hoje, no mesmo dia em que Celeste Cardona renuncia ao seu mandato de deputada à Assembleia da República (AR) pelo CDS, para ocupar um lugar na administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), o BE deve apresentar um projecto de lei que visa acabar com as chamadas «reformas douradas», depois dos casos recentemente vindos a lume envolvendo precisamente aquele banco público."

Lopes zanga-se com a Barbie e contribui para o crescimento do sector da marcenaria e restauro de móveis


O independente escreve na sua edição de hoje que
"Governo esteve à beira de uma remodelação Santana dá murro na mesa".e mais "Santana Lopes decidiu esclarecer de uma vez por todas que é ele quem manda no Governo e controla a informação. Depois de falar com Paulo Portas, o primeiro-ministro chamou Morais Sarmento e Nobre Guedes, a quem advertiu sobre o excesso de protagonismo e descoordenação"

Pergunta a minha ingenuidade:
Porque é que o Lopes não remodelou? Porque é que o Lopes não se auto-remodelou? Afinal já não pode alegar que isso iria causar instabilidade...já que afinal de contas ele é a instabilidade! Será que ele ainda não percebeu que "isto" não é um governo...é uma hipótese de...que teria sido chumbada em qualquer Parlamento sério de qualquer democracia séria de um país sério??

Porque não fez ele algo de construtivo, para variar, em vez de andar a estragar a mobília dando murros na mesa?

Será que já não chega o que os "ENERGÚMENOS" do Ministério da Agricultura fizeram ao salão nobre do Ministério, onde deram cabo de mobiliário e antiguidades, sob o pretexto de levarem "material de gabinete" para aquele posto avançado do déficit público na Golegã a que deram o nome de Secretaria de Estado?

Ó Pedro embora você conheça o Port...perdão, a Barbie, há muito tempo não se deve zangar com ela dessa maneira...afinal de contas ela é uma boneca cara e sensível, e para lhe mostrar quem manda basta só fazer voz grossa, cara de mau, dizer MIAUUU e no final levá-la a jantar.

Dar murros na mesa só ajuda Paços de Ferreira que é a capital do móvel

Tudo de bom para vós


30 setembro 2004

Santana, a ponte e porque o meu amigo António Mira percebeu mal a história

Meu caro António Mira,

desculpa lá, mas acho que desta vez não compreendeste a boa intenção do nosso querido primeiro-ministro.
O rapaz resolveu dar-nos uma ponte só porque não conseguiu dar-nos um túnel. Só isso.

Abraços, com a consideração e amizade de sempre,
António

O Lopes deve pensar que estamos no Luxemburgo ou em qualquer país rico

"O Governo vai dar tolerância de ponto na próxima segunda-feira antes do feriado do 5 de Outubro, anunciou o ministro de Estado e da Presidência, Nuno Morais Sarmento, na conferência de imprensa da reunião do Conselho de Ministros que decorre em Coimbra" Agência Financeira, 30-09-2004

Esta vem engrossar o recorde de tiros no pé de Santana Lopes e coloca-o no Guiness World Book of Records 2005 relativamente à categoria "tiros no pé dados pelos próprios" que estava até agora na posse de um soldado tailandês que num acto tresloucado durante um controle fronteiriço da agência local contra a toxicodependência "arrimou" 114 tiros de AK47 no pé esquerdo tendo esfacelado com o acto 3 dedos.

Tudo de bom para vós

Santana Lopes na Quinta das Celebridades

Solicita-se a colaboração de todos os portugueses:

Aqueles que no e-world gostariam de ver Pedro Miguel Santana Lopes substituir Avelino Ferreira Torres na Quinta das Celebridades, devem efectuar um comment anónimo neste post...a gerência agradece e compromete-se no final do dia ou amanhã publicar o resultado desta sondagem informal "à la Público".

Tudo de bom para vós

Consultório Político-Sentimental da Drª Ruth

A Srª Maria Amélia pergunta, em mail identificado, se este “Senhor Pedro Miguel que agora está como Primeiro-Ministro é o mesmo Pedro Miguel do “Amo-te Meco” e do “Amo-te Chiado””.

Querida amiga,
Compreendo a sua confusão mas o facto de serem dois cidadãos ligados à noite de Lisboa, sempre ligados a mulheres bonitas e com o mesmo nome, não quer dizer rigorosamente nada. O dos bares “Amo-te Meco” e “Amo-te Chiado é aquele que é bem parecido, que sabe escolher equipas e pô-las a funcionar, que sabe gerir empresas e que consegue fazê-las abrir todos os dias a horas certas e é aquele que casou com a Fernanda Serrano...o outro NÃO!

Tudo de bom para vós

Desculpa lá ó Ulisses mas a Carminho foi mal educada

Até agora mantive-me calado relativamente à irmã do Pe. João Seabra.

A Drª Carmo Seabra apesar de muito mimada é boa senhora, embora sofra daquele problema das gentes-inteligentes-que-para-nada-precisam-daquilo-que-estão-a-fazer: irrita-se facilmente com a abundante medriocridade e alargada estupidez da fauna rasteira que a circunda.

Atendendo a que a fauna que grassa pela 5 de Outubro e pelos parceiros sociais do sector ainda há pouco se tornou bípede, vai ser complicado para a Ministra gerir tanta insatisfação pessoal com o mundo que a rodeia.

Se assim fôr então vamos ter que aceitar que este é o primeiro erro de casting verdadeiro de Pedro Miguel Lopes (sendo que o primeiro erro efectivo terá sido quando o próprio Pedro Miguel Lopes se auto-convenceu, através de sugestão auto-hipnótica que poderia vir a ser um razoável Primeiro Ministro). A soberba com que a Drª tem vindo a tratar todos aqueles que a questionam sobre o seu rotundo falhanço, prenuncia não só um feitio insuportável (mas eu como, felizmente, não sou marido, filho ou irmão da criatura não tenho que me preocupar com estas miudezas femininas) como denuncia também a necessidade de visitas frequentes da senhora ao confessionário do irmão no sentido de buscar pacificação interior e angariação de coragem para ultrapassar as provações que N.S. Jesus Cristo lhe colocou no caminho.

A situação que agora se vive ali para os lados da 5 de Outubro e que afectou a vida de milhões de Portugueses, só pode ser classificada em duas categorias: incompetência ou ingenuidade. Das duas uma:
1) a ministra sabia o que se estava a passar e em dois meses não conseguiu resolver a situação, e nessa circunstância é incompetente;
2) a ministra foi enganada em toda a linha por diversos funcionários e anteriores responsáveis politicos e acreditou na boa fé e na bondade do seus “coleguinhas de trabalho e de partido” e aí a ministra pode ser chamada de ingénua.

Estamos por isso reduzidos a uma situação em que a mais alta dignatária do sector da educação ou é incompetente ou ingénuo ou um erro de selecção porque snob e mal-educada.

Valha-nos S. Cristovão caso eu esteja enganado: imaginem lá que em vez da “disjuntiva se aplica a conjuntiva” e ela é simultaneamente incompetente, ingénua, snob e mal-educada.

Tudo de bom para vós.

«Lose-lose game» ou o milagre segundo Bagão

Meus amigos,

hoje fiquei com pena do ministro das Finanças. A sério que fiquei. Vejam lá que o coitado do rapaz (Sr. Rapaz, peço desculpa) fez ontem um comunicado – uma trabalheira! Diz ele nesse comunicado que para 2005 tem um «objectivo categórico»: um défice abaixo de 3%. E tudo porque o dr. Constâncio veio chatear a malta, num acto de pouca fé, dizendo que o défice do próximo ano tem mesmo de cumprir o PEC.
O problema – coisa pouca, para gente de fé superior – é que apenas há um mês o mesmo Sr. Rapaz tinha garantido que receitas extraordinárias não eram com ele, que gosta mesmo é das ordinárias.

Ora tudo isto levam-nos onde? Como diria o meu caro David (num post abaixo sobre a Turquia), leva-nos a uma expressão de um amigo meu, em bom inglês: «A lose-lose game». Ou seja, um jogo onde os dois caminhos possíveis são derrotas garantidas: em 2005, ou o Sr. Rapaz não usa receitas extraordinárias (apostando nas ordinárias), e aí nunca conseguirá um défice de 3%; ou o mesmo Sr. Rapaz consegue o défice de 3%, mas só mesmo com as tais receitas extra.

Agora perguntam vocês: isto não é uma chatice? Não. Sabem porquê? Porque o Sr. Rapaz ainda pode falar com o outro Sr. Rapaz e conseguir um milagre (fenómenos, esses sim, da sua preferência). O sujeito chama-se Pina Moura e está lá para a Iberdrola-Portugal (é ver o número nas páginas amarelas ou consultar o dr. Tavares).
O milagre é, afinal, bastante simples: conseguir um défice simpático, que não incomode muito, e mostrar umas contas mais ou menos fiáveis ao Eurostat sem que seja preciso qualquer receita não prevista.
Afinal, é só seguir o exemplo de Fátima: a Nossa Senhora não apareceu aos pastorinhos mais do que uma vez?

P.S. Pior, pior, é se, passado tanto tempo sobre as aparições, o Vaticano vem aí tirar-nos o Santuário. Aí é que não há milagre que chegue.


Formas de encarar Ancara

O Público faz manchete com uma notícia verdadeiramente importante:
«Comissão Europeia abre a porta à adesão da Turquia». Fala no relatório da Comissão, que aponta 2015 como data provável de entrada.
Duas considerações breves sobre o tema:
1. A Turquia entrou com o primeiro pedido de adesão em 1970, sete anos depois da aproximação menos formal. Em 2015 serão, pelo menos, 35 anos de espera. A isto chama-se, em linguagem técnica, o «médio prazo». Um amigo meu costuma dizer que a médio prazo estamos todos mortos.
2. A França, grande opositora da guerra no Iraque, tem dito e redito que aquela intervenção é a pior forma de combater o terrorismo. A tese é que é mais eficiente uma aproximação de culturas, "and so on". Ao mesmo tempo, a mesma França tem estado à frente do grupo dos que preferem travar a entrada da Turquia na UE. Uma outra amiga minha usa muitas vezes esta expressão: «É como lá em França: tu queres, tu podes».

Assim não dá para resistir...

Eu sei. Acusem-me do que quiserem, mas com esta frase quem pode resistir?
«Vamos ganhar a Taça UEFA», José Peseiro, ontem em Viena.
Agora digam lá: não é de gargalhada?

29 setembro 2004

Prémio "Trabalhadora da Semana"

Só para não dizerem que a contra-informação anda sempre a dizer mal, vou lançar um elogio.
Ontem vi na televisão a ministra da Educação. A coitada da rapariga a fazer um esforço enorme para não dizer "percebe" uma só vez e os jornalistas, esses diabos em pele humana, a chatear com a velha história da responsabilidade política para trás, e a responsabilidade política para a frente. Uma chatice.
Às tantas, a Carminho - farta de tanta pergunta com a responsabilidade política e sobre que consequências retiraria dos problemas com os profs, remata assim: "Retiro que ser ministra da Educação dá muito trabalho. Chega-lhe assim?"
Caramba! Diria eu que quem fala assim não é gago! É Carmo! Os jornalistas acabaram com as perguntas e a rapariga segue em frente, com os profs nas escolas, sem 'percebes' a meio das frases e com muito trabalhinho em cima. A Carminho já sabe o que é ser ministra e o Insubmisso orgulha-se dela.

Beijos à Carminho e abraços para todos.

P.S. Não foi o Santana Lopes a dizer à Visão que ser PM não é fácil? Que Governo trabalhador, senhores!

Contra-informação, versão Penim

Já leram o título? OK. Não tem nada a ver.
A história que se conta aqui não é dos bonequinhos simpáticos cuja veleidade que o dr. Sarmento ainda permite ao dr. Almerindo. Não. Aqui é mais o Cabaret da Côxa.
Ora contou-me uma fonte amiga (não daquelas que mete água, mas próxima daqueles que metem água) que o programa da SIC-Radical estreou com um novo cenário. No dia da estreia, que foi em directo, alguns jornais traziam a notícia, explicando que a nova estrela do 'decor' seria uma fotografia do primeiro-ministro. Uma coisa em grande, para subir as audiências, claro está.
Ora aquela fonte contou-me o que aconteceu no directo. Terá sido mais ou menos assim:

Entra o Rui Unas (grande abraço para o rapaz) e começa com aquelas piadinhas divertidas para a malta jovem. A meio do discurso, vira-se para trás e diz: "Sabem que ali, naquela parede, devia estar uma foto do nosso primeiro-ministro. Mas ele ligou para o Penim e mandou tirar. Já ali ao lado, como podem ver, está uma fotografia de Jesus Cristo. até agora estou à espera que ele ligue ao Penim...".
P.S. Admito que não vi o programa, pelo que pode bem ser contra-informação. Mas lá que é divertido é.

Abraços para todos

28 setembro 2004

Tudo o que queria saber sobre Sócrates e nunca teve coragem de perguntar

Para saber tudo sobre Sócrates consultem, por favor, a obra de Cornford, ilustre académico britânico falecido em 1943 mas que em 1932 escreveu o relevantíssimo Before and after Socrates onde se explicam as grandes diferenças entre dois momentos da filosofia clássica e, em especial, o impacto de Socrates (obviamente de Platão também, esse grande propagandista avant la lettre).

Talvez depois de lerem Cornford (algumas das obras estão publicadas pela Fundação Calouste Gulbenkian...hellas com erros de tradução)compreendam a razão pela qual foi inevitável que a Grécia Antiga tenha tido o seu Socrates e o Portugal moderno tenha o Socrates que tem.


Tudo de bom para vós

P.S. Há muito tempo que não mando uma piadita ao Xiquinho (como lhe chama o Ulisses)

O Action man ainda não percebeu que a Barbie o anda a trair com o Ken

A primeira lição que eu aprendi quando iniciei as minhas actividades de gestor de campanhas políticas é que primeiro faz-se e depois é que se anuncia.

Será que o Action Man do governo ainda não percebeu a razão pela qual o CDS ainda não falhou uma em termos de planeamento e marketing político desde que o José Barroso foi a banhos para Bruxelas?...Será que não é óbvio que até a pretensa falsa partida de Nobre Guedes caíu bem no impacto político do partido?

Sarmento, sorry...Action Man!!! Daah!!! ACORDA!!!! O Port...perdão, a Barbie anda a fazer-te a cama!!!


Tudo de bom para vós


Notícia do DN de hoje
"Imagem e comunicação do partido, representação institucional e dinamização do Conselho Económico e Social: estas são as áreas que o líder do CDS/PP, Paulo Portas, se prepara para delegar no vice-presidente. O nome de António Pires de Lima e as competências afectas ao novo cargo serão hoje apresentados à Comissão Política dos populares, que definirá também a estratégia de comunicação do partido.

Nesse sentido, e de acordo com fontes centristas, o CDS deverá definir um núcleo de trabalho, sob a coordenação do vice-presidente, que terá como principal função dar voz ao partido. Teresa Caeiro, secretária de Estado das Artes e Espectáculos, e Guilherme Magalhães, gestor e membro da Comissão Política do CDS, serão a face mais visível dessa estratégia - são os dois nomes escolhidos por Paulo Portas para a função de porta-voz"

Santana Lopes e Zapatero: um casal cosmopolita

Retirei a seguinte notícia do DN de hoje

"Lisboa e Madrid discutem acção na UE

A análise das consequências que o regresso de Espanha à zona de influência do eixo franco-alemão exerce sobre a definição de acções concertadas de ambos os países, na União Europeia, é um dos temas da agenda da Cimeira Luso-Espanhola, prevista para o próximo dia 1 em Santiago de Compustela, revelou ao DN fonte diplomática em Lisboa.

Nesta cimeira, em que participam pela primeira vez os novos primeiros-ministros de Portugal e Espanha, Pedro Santana Lopes e José Luis Zapatero deverão debater também, entre outros temas, as relações comerciais e económicas bilaterais, o pagamento de indemnizações reclamadas por cidadãos espanhóis cujos interesses terão sido afectados em Portugal no período imediatamente subsequente ao 25 de Abril, a cooperação transfronteiriça e o posicionamento de ambos os países face ao conflito no Iraque.

Esta XX Cimeira Luso-Espanhola contará com a participação de diversos ministros e secretários de Estado dos dois países."

Pergunta: será que o Sr. Lopes vai ser "corrido" (sim,sim! É mesmo o termo tauromáquico a que me refiro) por este toureiro espanhol, como todos os outros primeiro-ministros da nossa ganadaria? será que o Sr. Lopes vai continuar com aquele ar pretensamente cosmopolita de quem acabou de ler a "Wallpaper" e a "Vogue Uomo" num qualquer lounge bar de Barcelona? Será que o Pedro Miguel (que não Ramos) tem a ilusão que pode ser amigo e que pode confiar no seu vizinho? Será que o Sr. Lopes acha que o Zé Luis é bom rapaz? ou irá começar, finalmente, o Sr. Lopes a defender os interesses Portugueses na UE e no mundo?

Ser cosmopolita é uma questão de espírito, inteligência, cultura, e, neste caso, visão política, e não das gravatas Dunhil que se usam ou do número de lambidelas de vaca (desculpa Cornélia)necessárias para puxar a trunfa capilar mal semeada para trás!!

E enquanto o PM se passeia, a máquina política e económica espanhola continua a funcionar de uma forma surpreendente!!! Só tenho pena que eles não façam cursos de formação para que o PM e os seus meninos e santanetes possam aprender qualquer coisita...pensando melhor, se calhar o défice não permitiria tal investimento.

Tudo de bom para vós

27 setembro 2004

Proposta para democratizar a evasão fiscal

[O insubmisso vai crescendo. Aqui segue um texto do meu bom amigo Luís Rosa, de quem espero apenas que seja o primeiro de muitos. Porque da qualidade só se pode dizer que é como a amizade: está sempre bem e nunca é demais].

Factos:
A notícia está na pág. 7 do suplemento de Economia do "Independente" e tem por base um relatório de uma auditoria feita à Rede Ferroviária Nacional, EP, (Refer) pela Inspecção Geral de Finanças (IGF). A Refer decidiu pedir 500 milhões de euros (cerca de 100 milhões de contos) emprestados a uma sociedade chamada Logo Securities Limited, sedeada nas ilhas de Jersey e constituída especialmente para este efeito. Os bancos UBS e BES Investimento são os bancos responsáveis pela montagem desta operação financeira. Esta foi autorizada a 29 de Janeiro de 2003 pelo agora deputado Miguel Frasquilho, em nome da então ministra das Finanças, e pelo ministro dos Transportes, Valente de Oliveira. Alegadamente, esta operação de financiamento junto de um off-shore só foi autorizada porque o plafond anual do Orçamento de Estado para o feito já estava totalmente comprometido. A IGF não põe em causa a legalidade da operação, mas constata que os custos com a operação foram superiores em cerca de 2,3 milhões de euros face a um empréstimo do mesmo volume feito com aval do Estado.

Perguntas:
Uma Empresa Pública (EP) não é uma sociedade de direito privado em que o Estado tem uma participação dominante. Uma EP é uma sociedade que tem como único accionista o Estado e representa o mesmo em determinado mercado. No caso da Refer, esta empresa representa o Estado como gestora de toda a infra-estrutura ferroviária nacional. Ora, será normal a Refer financiar-se num paraiso fiscal? Ou seja, será normal o Estado contrair empréstimos de 500 milhões de euros ou 100 ou 20 - não é o montante que está em causa, mas sim o principio - a uma empresa que vai declarar os lucros com o serviço prestado à Refer num paraiso fiscal? Será normal o Estado português ser conivente com a evasão fiscal quando pede aos seus contribuintes para não fugirem aos impostos?

Resposta:

Não, não é normal. Se o Estado quer ser respeitado, não pode permitir que existam regras especiais para as suas empresas. Porque senão tem que ser feita uma lei que permita aos trabalhadores por conta de outrém - aqueles que não podem fugir aos fiscais das Finanças - pedir empréstimos "em condições mais vantajosas" num off-shore qualquer. Melhor: porque não constituir um off-shore nas Berlengas, para democratizar a evasão fiscal? Eis uma boa bandeira política para o dr. Isaltino Morais, cliente da UBS de Geneva, frequentador assíduo dos balcões da UBS no aeroporto da mesma cidade suiça e político conhecido por lançar candidaturas a autarquias nas páginas do "Jornal do Imobiliário". Por falar nisso, o dr. Isaltino já foi ilibado no inquérito-crime contra ele aberto no Departamento Central de Investigação e Acção Penal?

LR

"Conselho Ansiolítico sobre o Sporting" ou "Carta do Tio António ao seu sobrinho David Diniz "

Meu querido sobrinho,

Como o menino sabe o tio é do Benfica. Foi coisa que me ficou do convívio na caça às rolas (rolas "pássaro", note bem!!!), com o seu tio bisavô, o Marquês de Valpaços.

Também nunca lhe escondi que o tio ficou muito desagradado por esta sua opção por aquele clube da Alameda das Linhas de Torres...mas, enfim, a contragosto, aceito que em qualquer família ocorram estas coisas.

Deixe-me confessar-lhe que já me sinto angustiado com estes seus desabafos sobre a colectividade a que pertence. E, por consequência, sinto a necessidade de algo fazer para atenuar a sua ansiedade e este seu momento entrópico.

Permita-me que, embora não perceba nada desse jogo da bola, lhe dê uma sugestão: você que até é bem relacionado, aconselhe aquele senhor que, pelo que percebi da Telvisão, está Entre postos,e que dirige o seu clube recreativo, a prescindir da ajuda do senhor que ministra os treinos.

Eu explico...é que me parece ser má política que, enquanto todos os outros clubes contratam treinadores que treinam por inteiro o corpo dos jogadores, o seu clube tenha prescindido de treinar a inteligência e o raciocínio e tenha optado exclusivamente por alguém que se dedica exclusivamente aos pés: os chamados "Peseiros".

Se não estou equivocado aquele clube castelhano que tem muito sucesso por esse mundo fora, despediu um desses treinadores peseiros ano passado.

Se tiver dificuldade em encontrar o senhor que está entre postos, diga-me que eu falo para Estremoz para o José, que acho que o conhece.

Caro sobrinho fica um grande abraço de compreensão e amizade

Um grande abraço


Tudo de bom

Desgosto e consequência

São as últimas linhas que escrevo sobre o meu clube até que José Peseiro ou Dias da Cunha sejam corridos ou que provem que estou errado:
Ao final da quarta jornada, o Sporting está lá para a 13ª posição; ganhou quatro pontos, perdeu oito; tem mais golos sofridos que marcados; não marca um golo há quatro jornadas; muda de equipa todos os jogos; o treinador diz todas as semanas que agora é que é; o presidente já chegou ao ponto de dizer que um empate em Vila do Conde até não é mau, dando como exemplo dos imprevistos do futebol a vitória do Penafiel em Leiria.
Acho que não é preciso acrescentar mais nada.
Até p'ró ano.

23 setembro 2004

A prova

No meu último post debitei o que o dicionário diz sobre a palavra prudência.
Agora, soube que o ministro Álvaro Barreto se juntou a Ferreira do Amaral para dizer que a refinaria de Matosinhos não deve fechar. Eles leram o dicionário. Mas já o primeiro-ministro ainda não o deve ter tirado do fundo do baú que levou para S. Bento. Às vezes é útil, sabe dr. Lopes?

Elogio à prudência

Antes de mais, um esclarecimento: a prudência não é uma senhora que conheci, mas uma palavra esquecida que, nestes tempos, só se encontra num dicionário daqueles bem velhinhos, metidos no fundo de um baú perdido de um político mais...prudente. Diz o dicionário que prudência é "aquela das quatro virtudes cardeais (com a justiça, fortaleza e temperança) que dispõe a inteligência a escolher o que normalmente convém na conduta da vida.

Dito isto, vamos ao elogio: Com o meu filho mais novo às voltas pedindo atenção, dei o máximo para ouvir a entrevista de José Sócrates, ontem, na RTP. Só consegui uns minutinhos à conta de um brinquedo novo, mas ainda deu para chegar a algumas conclusões politicamente incorrectas. Cá vão:
1. O dr. Sócrates nunca se compromete. Critica o Governo (este e o anterior) no plano retórico, sem nunca dizer que, se for primeiro-ministro, mudaria tudo outra vez.
2. O dr. Sócrates não diz nada que não queira dizer, salvo raras excepções politicamente correctas (que hoje é moda e também está no dicionário).
3. Por fim, o dr. Sócrates trata o jornalista do Público por João.

Por tudo isto, à excepção do último ponto, fiquei bem impressionado.
Porque não se comprometendo, o dr. Sócrates deixa espaço para não ter que desfazer o que a direita já fez – pode melhorar, mas não anula. E isso é bom, pelo menos no plano da estabilidade legislativa e organizativa do país.
Depois porque, ao não dizer nada do que não quer dizer, o dr. Sócrates abre uma sombra de esperança na nova política à portuguesa: afinal, há quem saiba estar calado quando deve estar calado. Em bom português, o dr. Sócrates leu o dicionário – e está a ser prudente, seja no Iraque, no aborto ou na administração pública.

Passado o minuto de sossego não deu para ver mais nada – o meu filho não deixou. Acabei a pensar se, nos próximos dois anos, nos vai sair um socrático ou um socrista. Podem ver no dicionário.

Abraços a todos.

Bola quadrada

O Porto empatou, pela quarta vez consecutiva. O Sporting já leva duas derrotas também seguidas. O Real Madrid nem com as estrelas do costume consegue segurar um treinador ao fim de três jornadas de campeonato. O PSG, em França, não ganha e (como em Alvalade) até o presidente do clube já é assobiado pelos sócios.
Tudo isto prova duas coisas: um dos desportos mais rentáveis do mundo não consegue encontrar um modelo de competitividade minimamente estável; o futebol é o único desporto democrático (no melhor e no pior) da Europa.

Pluralismo em directo

Alguém que não quis identificar-se respondeu de forma interessante a um post meu sobre as contas públicas espanholas. Dois comentários:
1. Como gosto muito de uma boa discussão, mostro-me desde já disponível para trocar ideias sobre o assunto. Deixo o desafio - é só entrar em contacto e combinamos.
2. Lembro apenas que comentei a situação espanhola. Especificamente essa, nada mais.
Dito isto, obrigado pelo comentário. É sempre bem vindo num espaço de pluralismo. Até breve ou até sempre.

22 setembro 2004

Recomendo: Martin Wolf

Muito a sério, para quem gosta de pensar no mundo e os seus problemas actuais. Leiam o artigo de Martin Wolf, numa resposta a William Kristol sobre o terrorismo islâmico, a chechénia, e porque os dois casos não estão ligados. Está no FT de hoje.
Porque uma boa discussão não tem limites de fronteiras.

Quem se lembra?

Pedro Santana Lopes, Presidente do Sporting Clube de Portugal, algures nos anos 90, era Carlos Queirós treinador da equipa: «Não está em causa a saída de Carlos Queirós».
Não sei se a citação é exacta, mas tenho a certeza que disse isto semanas antes do treinador ser despedido do Sporting.
Achei que devia partilhar isto convosco, depois de ter lido no Público uma citação igual do mesmo sujeito, acerca da actual ministra da Educação.

Abraços para todos

Zapatada nas contas

Gostava que vissem uma notícia curtinha também no Público, secção de economia: «Défice espanhol estimado em 1,8% do PIB». Fala de números previstos para este ano, corrigindo os números anteriores, de 0,4% do PIB. Passaram apenas 5 meses desde a posse de Zapatero. Cinco meses.

Bush, o terrível

Lê-se no Público de hoje: «Bush defende a guerra, Annan pede respeito pela lei internacional». O vilão e o herói, no típico exemplo de como até o bom jornalismo está rendido às ideias pré-concebidas e simplistas. Lamento que assim o seja.

Reconhecimento de falha tecnológica

Temos que reconhecer que é verdade o que andam a dizer por aí: os computadores até podem ter colocado o Homem no Espaço, mas nunca conseguirão colocar nenhum homem nas escolas. Nisso já perdi as esperanças.

Bom dia ao nosso "fórum" e até já.

21 setembro 2004

Momento de publicidade

Diz-nos o Público que o primeiro-ministro aparecia ontem numa publicidade a um evento de promoção do sector imobiliário em Barcelona, sendo-lhe atribuída a seguinte frase: "O eixo Lisboa-Madrid-Barcelona transforma Barcelona no ex-libris da imobiliária da Europa".
De repente, lembrei-me de sugerir um novo cartaz para a Câmara de Lisboa: "Já viu do que a cidade se livrou?".

Dedução sim, dedução não

Estou a ler os jornais de hoje e descubro, sem querer, o método de decisão deste Governo. É só seguir os próximos passos:
1. Nos jornais económicos: Governo acaba com benefícios fiscais dos PPR.
2. No Público e Jornal de Negócios: Governo introduz benefícios fiscais para passes sociais.
3. Agora, como nas receitas, é só juntar água, mexer com colher de pau, e temos a receita feita para um método de decisão: pega-se num malmequer e, uma a uma, tiram-se as folhinhas: dedução sim, dedução não....

Estou a pensar em fazer o mesmo aqui na empresa. Acho que fico com hipóteses de subir de posto, com prémio pela coerência.

Até já

Titanic de verde e branco

O Sporting perdeu, em casa, com uma equipa de uma região autónoma que só serve para turismo e comícios do dr. Alberto João.
Ainda não ouvi o dr. Dias da Cunha, venerável comandante de um Titanic em vias de afundar, a dizer que não admite que os sócios assobiem a equipa.
Pelo que ouvi ontem, estes já lhe fizeram a vontade. Agora é a sua vez, senhor Cunha. O sistema está à vista, dentro do novo Alvalade XXI.
Um abraço de despedida do sócio 12503.

A senhora ministra "percebe"?

Não sei bem se já acordei ou não, mas tenho a impressão que ouvi na rádio que ainda não há listas de professores.
Acho até que a ministra foi ontem à televisão dizer "percebe" dez vezes, acrescentando só que nem pensava na hipótese de as listas não saírem até hoje. Depois, as mesmas saíram às 3h da manhã (estava eu no terceiro sono) e que depois (!) foram retiradas por se terem identificados erros não previstos (!). Caramba, amigos!
É que ainda não acabou: ouvi o porta-voz da ministra dizer que ela hoje faz uma comunicação, com um jornalista a dizer que a senhora se pode demitir – o que ela própria deixou em aberto ontem à noite.
Sinceramente, acho que estou a dormir. Demitir-se hoje, antes de resolvido o problema, é um crime e devia dar prisão; demitir-se quando as listas estiverem disponíveis parece-me menos grave: é só uma parvoíce total, que não merece mais do que a extradição da senhora para uma terra bem afastada desta pátria.
Mas, afinal, o que é que a senhora ministra esperava encontrar num ministério? Uma festinha de vez em quando, senhora ministra? É que isto de governar exige prudência (que não teve, mas já passou) e responsabilidade, "percebe?". E responsabilidade não é demitir-se à primeira, "percebe?". Senão não há ministério que aguente, "percebe?".
Enfim, se calhar estou só a dormir. Pode ser que quando acordar o senhor da pulseirinha apareça a comentar o caso na SIC.

Abraços e bom dia para todos.

20 setembro 2004

Putin e a oportunidade da extrema-esquerda

Uma informação de última hora para os meus amigos de extrema-esquerda:
Ouvi numa rádio, a caminho de casa, que o Presidente russo, Vladimir Putin, vem a Lisboa no final de Novembro (desculpem os barnabés, mas não decorei a data). Lembrei-me logo do nosso amigo dr. Louçã e restante camaradagem emprumada do Bloco de Esquerda. Será que não querem aproveitar a oportunidade e protestar contra a ditadura instalada na terra da original democracia de Estaline?
Achei a ideia tão bom que comecei logo a imaginar a cena: O Xiquinho, com a nova camisa engomadinha, com um livro de citações de Estaline na mão, a gritar contra o reforço dos poderes centrais. Só por si, já dá uma gargalhada. Quem sabe, o dr. Louçã estará com a sua empregadinha chechena ao lado, para provar que aquele povo, sim, aquele povo é que sabe o que é sofrer. E ela, a seu lado, confirmaria, com um ar triste e resignado: "O dr. Louçã não me deixa ser independente..."
Resta-me a esperança que o dr. Louçã saiba disto, nem que seja no meio de uma aula do ISEG, sobre a influência do marxismo na história do século XV.

Abraços para todos, com desejos de sonhos tão divertidos como este.

Democracia, para que te quero

As regiões alemãs voltaram a ir a votos – o que acontece a uma cadência quase mensal, aliás.
Ontem, nas duas regiões onde 'houve' democracia, a extrema-esquerda e a extrema-direita renasceram das cinzas. A primeira, no Leste (seu antigo berço) conseguiu mesmo um resultado notável, como segundo partido mais votado. Já ao Centro, o desastre esteve perto do histórico.
Este é um mau sinal da maior democracia da Europa. Em primeiro lugar porque sim. Depois, porque a derrota do chamado Centro aparece porque alguém se revolveu a fazer alguma coisa que tem que ser feita a respeito do sistema de segurança social alemão.
Hoje, as pessoas não percebem nada que coloque em causa os seus 'direitos', mesmo que isso seja absolutamente necessário para o futuro.
Amanhã, veremos que governos resistem às vontades gerais como as de Rousseau. E veremos que países resistem a esses governos.

Os passarinhos e papéis trocados

Começo por onde? Ah!
Meus amigos,
jantava eu descansado, no último sábado, quando o meu filho mais novo reparou num senhor que apareceu na televisão. "Pai, é o senhor dos passarinhos!". Eu, que jantava mesmo descansado, lá olhei para a televisão: era um rapaz da Quercus, que o meu filho reconhece por causa de um almoço com amigos comuns. Na altura, esse ecologista verde, verdinho, irritou-se comigo porque eu lhe disse que ele só falava de passarinhos e cegonhas, e que as cegonhas e os passarinhos não me interessam para nada se eu não conseguir viver no mesmo país que eles.
Tudo isto para vos explicar o meu espanto quando, ao olhar para a tv, percebo que ele (desculpem lá, mas não me lembro do nome) dizia o seguinte sobre o anunciado pré-encerramento da refinaria de Matosinhos: "Levanta-me algumas preocupações, porque o Estado está a investir muito dinheiro lá e esse dinheiro não pode ser desperdiçado". Confesso que abri a boca de espanto.
Ainda bem que, logo a seguir, vi aquele comentador conhecido das tvs (mas qual é o nome dele, aquele rapaz da gravata e pulseira...?) a dizer que a refinaria vai mesmo encerrar, porque as pessoas, coitadinhas, estão muito ameaçadas e a poluição é um perigo enorme. Fiquei mais tranquilo, porque percebi que o novo rapaz da Quercus é aquele e não o outro (que agora será, sei lá, primeiro ministro).
No meio de tudo só não percebo uma coisa: porque é que o novo rapaz não falou dos passarinhos e perdeu tanto tempo a falar de professores, ministros e coisas afins? Se alguém puder ajudar, agradeço imenso.

Abraços a todos,
A. Ulisses

P.S. Obrigado ao David, António e Jorge por me levarem nesta Odisseia de liberdade. Perdão pela escrita e pela cabeça, que está meio baralhada nestes dias. Falta o hábito. Estou certo que vai melhorar.

Mais um insubmisso

O aparecimento do Insubmisso não foi mais do que um compromisso de dois amigos: os dois queriam trocar ideias, até mesmo com outros amigos - que não vêem todos os dias. Mas como isto de escrever acaba por se tornar um vício, um bom vício, o grupo de amigos acabou por convencer alguns outros a juntarem-se à aventura. Hoje surge mais um, tão incógnito como o António, tão livre como qualquer outro. O António Ulisses junta-se hoje ao grupo, que já vai em quatro, numa Odisseia em que será mais livre que eu próprio. Não pensamos o mesmo sobre tudo, partilhamos apenas a frase que fica acima de todos os nossos posts. Seja bem-vindo.

O dilema de Gervásio: militante 1335 do PS

O Gervásio tem olhado com cuidado a guerra de galos Socrático-Alegrina (sim, porque Soares é um Perot ou um Nader nesta disputa eleitoral).

Sabendo que Gervásio quer que o seu PS volte ao poder e que tudo fará para contribuir para esse fim, em quem deverá votar nas próximas directas (um perverso mecanismo, alegadamente democrático, que os pais da Constituição Americana, a tal que ainda não foi alterada desde a sua elaboração, sabiamente conseguiram evitar)?

No Alegre, que é fiel ao Bernstein, ao Saint Simon e ao Marx q.b., e que respeita o património anti-fascista e republicano do PS e que por isso até está disposto a vender a alma ao diabo, ou seja, ao Louçã e ao Carvalhas?

No Sócrates, que ataca o eleitorado com a cinzentude do centrão, e que tem um discurso "light" que não assusta aquele milhão de votos que sistematicamente desde 1987 dá a vitória a uns ou a outros, mas que colocou o socialismo na gaveta (na esteira de outros grandes vultos do socialismo Português como Soares e Guterres)?

O dilema para Gervásio é que se vota no Alegre as eleições estão perdidas e se vota no Sócrates o PS está perdido.

Mas como o que Gervásio quer é tacho (como qualquer militante que se preze), o melhor é votar no Sócrates, que pelo menos tem alguma capacidade de ultrapassar o resultado natural do PS, resultado que o povo Português conhece graças à ajuda que a seu tempo foi dada pelo "camarada Almeida Santos".

Tudo de bom para vós...

17 setembro 2004

O Glória Fácil voltou!

Uma semana depois de anunciar o Insubmisso, o Glória Fácil saiu de coma.
Mais ainda: viu a entrevista do ministro das Finanças e até sabe que o Sporting jogou! Só uma pergunta: será que sabe o resultado?
Welcome back

Coisas sérias, para entediar

Discute-se muito no nosso país, o que é bom. Mas nem por isso se discute os desafios que enfrentamos. Um exemplo: No domingo, na Alemanha, o Governo volta a ser avaliado pelas reformas sérias que tenta levar a cabo na Seg. Social. Tem milhares na rua a contestá-la, tem outros milhares nos jornais a tentar colocá-la em causa. A razão de Schroeder é simples: ele até nem gosta de perder eleições. Mas também já percebeu que dificilmente poderá ganhar as próximas, pelo que (à segunda legislatura) decidiu fazer o que tem que ser feito, para que os filhos desta geração de cidadãos votantes ainda possa eleger, nessa altura um Governo democrático e independente. Ou seja, para que os seus filhos possam ainda ter uma Alemanha mais ou menos como a entendemos hoje.
Como vos digo, por cá, não há entrevista onde isto se discuta – e isto não implica uma crítica, senão genérica. Mas o problema também é nosso. É ver o que diz a OCDE, hoje no Público, sobre o assunto.
Talvez se possa começar por aqui, na blogosfera. Deixo o desafio.

No Reino da TV o limite para o défice é o céu

[Fiquei encarregue de vos entregar o segundo texto do nosso, ainda «independente», JCC. Aqui vai, com abraços meus a todos]

Gostaria de fazer um texto cómico, do género: o ministro das Finanças deu ontem as boas vindas aos portugueses ao Reino da Transparência e da Verdade, vulgo Reino da TV. No Reino da TV, o limite de tolerância para o défice é o céu. O défice pode ser qualquer. Enorme, se for necessário. Mas é verdadeiro, que é que o conta.

Além de indefinidamente tolerante, o Reino da TV é tranquilo. É mesmo zen. Lá não há obsessões. Há objectivos. Se os objectivos não são possíveis, paciência, pá! Vai-se a Bruxelas e conta-se a verdade. As restrições auto-impostas que vão para o Inferno.

Diáfano, tolerante, tranquilo e paciente, o Reino da TV é ainda povoado por gentes de forte pendor gregário: muitos, está bem. Sós, nem pensar. Segundo o Dr. Bagão, o problema de 2001 – o défice de 4,4% (“se a memória não me falha”, dizia ontem o ministro em entrevista) – era o de estarmos sós. Hoje, não! Está tudo assim. A Alemanha, a França, a Holanda... – a Grécia está acima dos 5%!, explicou o ministro, contando a boa nova aos incréus. Que mal há em estarmos nós, desde que com eles, em défice excessivo?

Eu queria dizer umas coisas cómicas. Mas isto é deprimente. Ou não?

Se Portugal regressar à lista negra dos países em défice excessivo, podemos dizer que terminaremos a legislatura no ponto em que começámos. No ponto em que começámos?! Não, muito pior. Com um verdadeiro Pacto de Regime sobre a dispensabilidade de quaisquer limites objectivos, quantitativos, para o défice. E literalmente com todo o capital de credibilidade ganho com o esforço de começar a pôr ordem em casa desperdiçado. A menos que não terminemos a legislatura.

JCC

Sultanas, bifes da vazia e o achómetro do Dr. Bagão Félix

Não sei se repararam ontem naquele programa de continuidade da RTP a seguir ao futebol, apresentado pela mulher do Dr. Seara (não o comentador da bola da SIC Noticias, antes o Presidente da C.M.de Sintra...sim que isto de ser primeira dama aumenta o estatuto).

Nesse programa assistimos à apresentação pelo Dr. Félix do POGE e do PGOP (explico, Pré-Orçamento e Pré-Grandes Opções). Confrangedor...não há uma linha de conteúdo que se aproveite(e fala ele de produtividade e de competitividade). De qualquer das maneiras não é tanto isso que me interessa. O que me chamou a atenção na exposição do Dr. Félix foi a quantidade de vezes que o personagem, na ânsia de legitimar o seu afastamento da linha traçada por Ferreira Leite, utilizou as expressões "eu acho" ou ainda o "é minha opinião".

Duas notas:
1º A economia embora seja uma ciência mais ou menos oculta (como diz muito bem o homem que anunciou "urbi et orbi"que não há almoços grátis) não é, todavia, uma matéria de opinião... por isso é que é uma CIÊNCIA e quem é nela formada até tem direito a inscrição na Ordem Profissional respectiva e tudo. Como diria Pedro Tochas "ou é ou não é". Pelo que afirmar que "é minha opinião" ou que "acho que é preferível isto ou aquilo" não serve como justificação para opções que marcam a vida dos portugueses e das empresas.

O Dr. Félix não se pode esquecer que não está a dar a opinião sobre o novo vestido (provavelmente ROSA- inside joke) da mulher!!! (que ficámos a saber ontem, que é funcionária pública...a propósito, o que terá a Sra. Félix dito ao seu marido quando soube que depois de dois anos sem aumento, este ano só ia ter um aumento de 2,2%? Espero que ela lhe corte no bife e em vez de lombo lhe dê vazia ou pá!)

2º Começamos a verificar que o Dr. Félix para além de opiniões a mais, tem umas quantas diferentes da antecessora (o que já deu confusão com o Ministro da Saúde, das Obras Públicas e dos Assuntos Económicos). Mas se assim é, onde está a continuidade que Durão Barroso e Santana Lopes prometeram a Sampaio?

Nota final:

Com excepção de Pina Moura, os últimos Governos Constitucionais (either PS or PSD/CDS) habituaram-nos a Ministros das Finanças com uma certa dimensão, craveira intelectual e com um sentido de Estado e uma postura que inspirava algum respeito. Ainda no outro dia vi a Drª Manuela Ferreira Leite a guiar o seu BMW verde de 1999 e pensei "Ora ali vai uma mulher séria e sabedora...que pena ter um irmão daqueles".

Ora o Dr. Félix desiludiu-me. Montado no seu achómetro, esse instrumento do demónio que permite a legitimação de qualquer bacorada, ficou ontem bastantes furos abaixo da clareza e da clarividência e, porque não, da presença (serenidade, confiança, certeza, saber...estes são algumas das qualidades pessoais exigidas) que se exigem a um Ministro das Finanças (mesmo neste período pós-PEC que ainda assim é bem melhor que o PREC).

Espero que Bagão não se torne com o passar dos dias ( e com a amostra dada ontem teme-se o pior) num bago, num baguinho ou, pior ainda, numa sultana...mirradinha, mirradinha!

Tudo de bom para vós...

Kofi ai não

Ao fim de ano e meio, George W. Bush disse, finalmente, o que nunca devia ter deixado de dizer. "As Nações Unidas examinaram as mesmas informações que eu próprio possuia e concluíram que Saddam Hussein representava uma ameaça. O Conselho de Segurança votou por 15 contra zero para que Saddam se desarmasse, sob pena de enfrentar séria consequências. Penso que, quando as organizações dizem qualquer coisa, será melhor que depois sejam consequentes". Yes, mr. Bush. Vindo do Texas, parece-me lúcido.

Dias sem razão

O Benfica ganhou, o Sporting cumpriu. Seriam razões suficientes para o Insubmisso acordar com um sorriso. Não fosse o dr. Dias da Cunha, digno frequentador dos jogos de Alvalade, dizer hoje nos jornais que não admite que os sportingistas assobiem a equipa. Era só o que nos faltava: mais um lutador anti-fascista em pleno exercício de ideologia. Os meninos que joguem, sr. presidente. É tudo o que queremos.

16 setembro 2004

Com o pé que está mais à mão

Dia de Uefa, para fãs de futebol. O Benfica vence ao intervalo uma equipa da terceira divisão da Europa. Segue-se o Sporting, contra uma outra, da segunda e meia. Para bem do estado de espírito da capital, e do Insubmisso, é bom que ambos vençam. Porque o racionalismo crítico tem limites.

Notícias curiosas

Para vistas curtas, do Diário Digital: Um grupo de médicos japoneses da Universidade de Osaka retirou pedaços de tecido das bochechas de quatro pacientes para restaurar a sua visão, implantando-os nas suas córneas, que tinham ficado danificadas devido a uma grave e rara doença.

Tá tudo grosso

Lê-se no "Público" de hoje que "O PS Acusa Valentim Loureiro de Favorecer Negócio Imobiliário. O líder do PS-Gondomar, Ricardo Bexiga, acusou ontem o presidente da Câmara de Gondomar, Valentim Loureiro, de pretender favorecer uma empresa imobiliária à qual esteve ligado o actual ministro-adjunto do primeiro-ministro, Henrique Chaves. O ministro esclareceu que as suas ligações à Imobarcelona decorriam da sua actividade profissional de advogado e Valentim Loureiro refutou as acusações do PS"

É indecente fazerem isto a um homem tão sério quanto V.Loureiro.

Qualquer dia os dirigentes do PS ainda vão começar a dizer que o Isaltino Morais tem dinheiro na Suiça e empresas de transportes em Cabo Verde ou mesmo que , e vejam o grau herético do que vamos afirmar, Arnaut trata do financiamento do PSD e das devidas contrapartidas para os contribuintes. Como disse em tempos o único dirigente sério do PSD "isto tá tudo gruosso".

Tudo de bom...

Justiça salomónica?!

Vi isto no site da TSF: O «Exército Islâmico no Iraque» promete julgar «nos próximos dias» os dois jornalistas franceses que mantém como reféns e dará a conhecer «um veredicto». Falta saber quem é o juiz.

Ali Babá, a imigrante Moldava e o ferro de engomar Tefal de Francisco Louçã

Abriu o ano parlamentar. Repararam nos aprumados vincos burgueses envergados pela camisa azul fil-a-fil do Dr.Louçã na sua intervenção nesta tradicional cerimónia, quando falava sobre qualquer coisa importante para ele e para os “quarenta ladrões” que o seguem, mas pouco relevante para o resto do povo português que não vive com os milhares de euros por mês de professor daquela escola do Quelhas?

Eram uns vincos que claramente denunciavam a presença da mão suada da trabalhadora imigrante da Moldávia (onde me constou ensinam a fazer bons vincos), ou, e apresento agora a inevitavel pergunta cínica (inspirada pela escola de pensamento grega com o mesmo nome) terá sido a mão do próprio dirigente da esquerda trauliteira a envergar o proletário ferro de engomar de marca TEFAL modelo Aquaspeed 110? Ou terá sido a companheira (“mulher” é burguês, “esposa” é pequeno-burguês, donde tem de ser “companheira”) do dirigente da esquerda trauliteira que num ataque de ternura lhe disse “Ó Francisco deixa que eu faço isso, que já tou farta das piadas da Ermelinda aqui do R/C esquerdo sobre tu andares sempre todo enxovalhado e porco”?

Qualquer das situações levanta questões que podem ser bastante embaraçosas, do ponto de vista ideológico para Louçã. A imigrante Moldava receberá um salário justo e estará incrita na S.S. ou estará Louçã a aproveitar-se da situação ilegal da criatura pagando-lhe em vales de compras do Lidl, o equivalente ao salário mínimo nacional? Na hipótese de ser Louçã a passar a ferro, será que ele está inscrito no sindicato das empregadas domésticas , ali à Duque d’Ávila, e tem as quotas em dia? Verificando-se esta hipótese, receberá Louçã um ordenado do seu agregado familiar para desempenhar essas tarefas (assim como assim, um trabalhador tem que receber sempre o seu salário), e se sim, declara Louçã esta realidade às Finanças e ao Tribunal Constitucional ou estar-se–á a comportar como uma “Ferreira Leite esquecidiça”? Caso seja a companheira a ter estas tarefas em casa, mesmo que o pretexto seja “calar a Ermelinda”, não estará Louçã a ser seduzido por um paradigma sexista que deturpa a beleza do relativismo assexuado dominante nas hostes bloquistas? Será que Louçã alguma vez pediu a Ana Drago para ela limpar os cinzeiros do hemiciclo? E Joana Amaral Dias terá alguma vez ido às compras ao Minipreço da R. S. Bento para comprar os lenços “Renova com aroma Alfazema” que o Francisco usa? E será que só Luis Fazenda é que pode pendurar os quadros de naturezas mortas albanesas (não, não é uma piada à vivacidade da democracia dessas paragens) nas salas do Grupo Parlamentar?

A verificarem-se, estas situações põem em risco a força ideológica da muralha de aço bloquista, e teriam, na minha humilde perspectiva, muito mais impacto do que o Eduardo Prado Coelho dizer que o BE afinal é niilista.

Tudo isto me perturba imenso.

Tudo de bom para vós

Glória árdua?

Uma dúvida que assombra a blogosfera: onde anda a Glória Fácil? O dia-a-dia não é fácil, certo?

Kerry flops

Eu juro que tentei. Li o artigo de John Kerry, todinho, que a Visão hoje publica. Não tem uma única ideia sobre os EUA ou o mundo. E garanto que li nas entrelinhas. Temos até Novembro para encontrar a agulha no palheiro.

1851

Acabo de ver na Lusa que neste mesmo dia, no ano de 1851, nasceu o New York Times. Celebro, com o orgulho de leitor, os 153 anos da melhor imprensa do mundo.

O pé esquerdo

O ano escolar devia começar hoje, mas entrou com o pé esquerdo. Ao que dizem os jornais de hoje, há mais de 40 mil professores ainda sem colocação – que deverá ser definitiva apenas na segunda-feira. Esta manhã os professores passaram por todos os fóruns do país. Uma canseira, para ser honesto. E se em vez de dar tanta atenção aos professores tirássemos uns minutinhos para saber o que os pais vão fazer aos mais novos, enquanto vão trabalhar? OK. Foi só uma ideia.

Visão de Annan II

Mas numa coisa o homem-forte das Nações Unidas pode ter razão: na necessidade de adiar as eleições no Iraque. Antes do mais o que os iraquianos precisam de criar instituições e infra-estruturas, arrasadas por anos de ditadura. Sem que estas estejam prontas antes de actos eleitorais, é difícil que qualquer acto democrático seja bem sucedido. Há, no entanto, um pequeno senão: depois da expectativa criada, nomeadamente pelas próprias N.U. será que os mesmos iraquianos aceitariam esse adiamento? Sinceramente, acho que não.

Visão de Annan I

Com a visão de um lince ibérico, o secretário-geral da ONU viu numa entrevista à BBC a oportunidade certa para dizer qualquer coisa com verdadeira actualidade: que os EUA deviam, há ano e meio, ter esperado por uma segunda resolução na ONU para atacar o Iraque. Foi há ano e meio, sim senhor, o que prova que a crise da organização não tirou a memória a Annan. Melhor dizendo, não tirou toda a memória a Annan: é que o secretário-geral só se esqueceu de dizer que, para além da "teimosia" norte-amaricana, já quatro meses antes os alemães e franceses diziam, na mesma ONU, que embora os iraquianos tivessem (isso mesmo) armas de destruição em massa, nunca autorizariam a mesma intervenção.

15 setembro 2004

Eterna esperança

O meu Sporting joga amanhã. Perdemos no domingo, porque merecemos. Mesmo assim quero ver o jogo. A esperança só se perde à segunda tristeza.

Pactos de oportunidade

O PS elege um novo líder daqui a poucos dias. Hoje, o também novo ministro da Justiça afirmou a intenção de chegar a um acordo com o novo líder socialista sobre a reforma do sector, dando três meses para o efeito. Parece-me lógico, mas também me parece uma ilusão acreditar que o novo PS será diferente do velho PS quanto aos ditos «pactos».
E não é um problema específico do PS – quem está na oposição normalmente não olha para as vantagens que um consenso político ao centro dá ao país (não mudar tudo quando muda o Governo, p.e), mas antes às vantagens que a falta desse consenso lhe dá para ascender ao poder. Para já, fica uma oportunidade, ao Governo e ao próximo líder da oposição.
Quanto aos pactos, já lá voltamos.