Algumas constatações sobre a polémica que dividiu o Insubmisso nos últimos dias:
1. O próximo referendo sobre a integração europeia vai ser bem mais discutido do que se previa. Às vozes dos meus companheiros de blog (os outros estão, ainda, estranhamente escondidos) junta-se António Barreto, p.e., nas páginas do Público de hoje. O não vai crescendo, lentamente, e entre as elites nacionais. Ainda teremos algumas surpresas.
A todos eles, com o respeito que me merecem, deixo apenas uma pergunta: nas próximas legislativas, consideram votar no dr. Monteiro ou no dr. Louçã? É uma provocação, bem sei, mas como sabem são as duas únicas vozes cépticas, quanto ao assunto em análise, que o nosso espectro político comporta.
2. O JCC levanta uma questão séria: a utopia do desígnio de procurar o bem-estar. Diz ele, e bem, que é o mesmo fim do comunismo. Acrescento eu que o liberalismo tem uma pequena diferença: deseja o mesmo, mas através da liberdade de cada um, não através da sujeição desse sujeito a uma vontade centralizadora do Estado.
Ainda para o JCC, sublinho que não quero o fim de Portugal. Quero, isso sim, que as funções que já não desempenha (ou que desempenha sem que conte para nada) transitem - de forma firme, mas transparente - para uma entidade superior, eleita directamente. Falo da política externa (a nossa não conta, tida isoladamente) ou de finanças públicas, entendida em termos macro. Aqui, como sabes, Portugal estaria já bem lá no fundo se essas competências ainda estivessem nas nossas mãos.
Se as coisas, em campos como estes, são são efectivas ou são melhores nas mãos da UE, porque conservá-las de forma fictícia nas mãos de sabe-se lá quem?
3. Quanto ao AM, respondo o mesmo que ao JCC: tens ideia do que seria deste país se não tivesse tido a coragem de passar parte da sua soberania para uma entidade como a UE? Sabes o que vale a posição portuguesa, p.e., em política externa, se não fizer parte da UE? Sabes o que valeria hoje a economia portuguesa se parte dos seus instrumentos não estivesse nas mãos do BCE? Sabes o que vale a nossa política de Defesa, considerada isoladamente? A resposta é igual para todas as perguntas: nada. Eu prefiro um país que conte 1/25 de uma decisão importante a um país que conte 1/1 de uma decisão-zero. É uma questão de contas.
O meu ponto é este: o que vale Portugal fora da UE? E o que vale a UE tal como está? Queremos ou não, para bem de todos, uma UE mais forte, mais competitiva? Se não, qual a alternativa?
Mais: queremos ou não que a UE evolua para uma entidade responsável, onde a palavra de cada país conte realmente, uma UE com regras claras e democráticas? É isso que pergunto.
Abraços para todos,
DD.
P.S. Quando falo numa UE mais democrática não falo, obviamente, de processos como os da última semana. Gostava de saber em que país democrático do mundo um chefe de estado, depois de votado, aceita também levar a votos uma equipa que escolheu. Mais ainda, que chefe de estado aceitaria mudar um membro da sua equipa porque as opiniões pessoais dele não são aceites pelo pensamento único que afecta, cada vez mais, a política internacional do Ocidente. Essa não é a Europa democrática que quero. Porque essa não é uma Europa democrática, mas referendária e intolerante.
01 novembro 2004
Do JCC, contra o federalismo
Com a devida vénia democrática, aqui fica uma resposta do Jorge Campos da Costa ao meu post sobre federalismo. A minha contra-resposta a TODOS os insubmissos fica prometida para muito breve.
1. "Para mim, a Nação portuguesa está acima do bem comum europeu. Ou seja, os representantes do Estado português nunca podem deixar que o bem comum dos restantes 24 Estados-Membros se sobreponha ao bem comum da comunidade portuguesa".
Ok. Se todos os 25 países da UE pensarem assim, não há UE.
Comentário: Todos os países da UE pensam assim. Se não, não eram países. E há UE. Não sei se haverá sempre. Está a passar um mau bocado. Mas os países da UE, esses, entendem-se a si próprios como sendo para sempre. Não sabemos bem o que é a UE. Mas sabemos, seguramente, o que ela nunca será: nunca será uma réplica, em grande, dos comparativamente pequenos Estados-nação que a compõem, uma espécie de mega-Estado. A construção da UE pressupõe, precisamente, em cada uma das suas etapas, que os interesses vitais, sublinho: vitais, não circunstanciais, de cada um dos seus participantes sejam atendidos nesse processo. Esse processo é, por isso, reversível. Os Estados-nação que nele estão envolvidos não são.
2 . "Ideal político não existe, meu caro. O que existe é um ideal económico que, realmente, como mercado único se revelou fundamental para o desenvolvimento do económico e social do continente."
Contradição em termos, meu caro. Não conheço melhor ideal político do que procurar garantir melhores condições de vida a cada cidadão. Ou seja, garantir que eles tenham todas as condições para o usufruir.
Comentário: No dia em que as melhores condições de vida para cada um for o alfa e ómega do ideário político possível, deixa de haver política. Há administração, economia, etc. Mas não política. Sei que esse é o sonho liberal. Tal como foi o sonho do comunismo. O fim do Estado, o fim da política, o fim da história. Mas parece que chega de “fins de...”. Sim, é claro que, para além da economia e do catálogo das liberdades, direitos e garantias próprio da cartilha constitucional liberal, não há, de facto, mais espaço para ideal político na Europa. Mas isso é precisamente, no fundo, a explicação do seu impasse. Falta de política...
Fico por aqui, David.
JCC
1. "Para mim, a Nação portuguesa está acima do bem comum europeu. Ou seja, os representantes do Estado português nunca podem deixar que o bem comum dos restantes 24 Estados-Membros se sobreponha ao bem comum da comunidade portuguesa".
Ok. Se todos os 25 países da UE pensarem assim, não há UE.
Comentário: Todos os países da UE pensam assim. Se não, não eram países. E há UE. Não sei se haverá sempre. Está a passar um mau bocado. Mas os países da UE, esses, entendem-se a si próprios como sendo para sempre. Não sabemos bem o que é a UE. Mas sabemos, seguramente, o que ela nunca será: nunca será uma réplica, em grande, dos comparativamente pequenos Estados-nação que a compõem, uma espécie de mega-Estado. A construção da UE pressupõe, precisamente, em cada uma das suas etapas, que os interesses vitais, sublinho: vitais, não circunstanciais, de cada um dos seus participantes sejam atendidos nesse processo. Esse processo é, por isso, reversível. Os Estados-nação que nele estão envolvidos não são.
2 . "Ideal político não existe, meu caro. O que existe é um ideal económico que, realmente, como mercado único se revelou fundamental para o desenvolvimento do económico e social do continente."
Contradição em termos, meu caro. Não conheço melhor ideal político do que procurar garantir melhores condições de vida a cada cidadão. Ou seja, garantir que eles tenham todas as condições para o usufruir.
Comentário: No dia em que as melhores condições de vida para cada um for o alfa e ómega do ideário político possível, deixa de haver política. Há administração, economia, etc. Mas não política. Sei que esse é o sonho liberal. Tal como foi o sonho do comunismo. O fim do Estado, o fim da política, o fim da história. Mas parece que chega de “fins de...”. Sim, é claro que, para além da economia e do catálogo das liberdades, direitos e garantias próprio da cartilha constitucional liberal, não há, de facto, mais espaço para ideal político na Europa. Mas isso é precisamente, no fundo, a explicação do seu impasse. Falta de política...
Fico por aqui, David.
JCC
29 outubro 2004
não II !!!
Como se nota pela minha posição, estou-me a borrifar para o contraditório, quando em causa está Portugal e o seu futuro como Estado Soberano.
Ouçam por favor o Professor Jorge Miranda que também já se pronunciou sobre esta matéria.
Tudo de bom
Ouçam por favor o Professor Jorge Miranda que também já se pronunciou sobre esta matéria.
Tudo de bom
não I !!!
Sou Português.
Sou liberal clássico de orientação conservadora.
Sou anti-federalista.
Sou contra a Constituição que acriticamente Pedro Lopes e António Monteiro hoje assinaram na "Sala Orazi i pimpinazzi i spinafri i stratciatella com molho de nati" em Roma, onde foram acolhidos pelo Pirata do Laço Branco (julgo que se chama Bertolucci, Zeffirelli, Briscotucci...enfim qualquer coisa que parece nome de pasta)
Farei campanha pelo Não no próximo referendo.
Encontrarei mil e um argumentos racionais e emocionais para impressionar letrados e iletrados.
Sairei à rua e colocarei autocolantes nos sítios mais incríveis à semelhança do que o Bloco de Esquerda costuma fazer (exemplo: parte de baixo dos lavatórios das casas de banho públicas da estação de comboios do Pragal).
Para já e como resposta ao DD fica a seguinte respeitosa indignação institucional:
É minha profunda convicção que uma comunidade política soberana, politicamente coerente e consistente há mais de 855 anos, decide melhor sobre os seus assuntos políticos (quaisquer que eles sejam), do que alguém que não é dessa comunidade. Na pior das hipóteses institucionais, os responsáveis políticos legitimamente mandatados pelos membros dessa comunidade política para os representar, poderão, sob delegação, negociar tratados de partilha de responsabilidade sobre as decisões de certas áreas dos seus interesses soberanos, em matérias específicas e por prazo definido e determinado. Esses delegados dos membros da comunidade política nunca poderão, em qualquer circunstância, ceder elemntos da soberania dessa nação, sob pena de prejudicarem a vida boa das futuras gerações com as quais qualquer membro actual tem um dever de continuidade.
A minha posição é irredutível e inegociável e decorre directa e linearmente do princípio da liberdade individual responsável que é princípio fundador deste espaço de discussão digital.
Ponto final.
Tenho dito.
Tudo de bom.
Vivam as Quinas.
Sou liberal clássico de orientação conservadora.
Sou anti-federalista.
Sou contra a Constituição que acriticamente Pedro Lopes e António Monteiro hoje assinaram na "Sala Orazi i pimpinazzi i spinafri i stratciatella com molho de nati" em Roma, onde foram acolhidos pelo Pirata do Laço Branco (julgo que se chama Bertolucci, Zeffirelli, Briscotucci...enfim qualquer coisa que parece nome de pasta)
Farei campanha pelo Não no próximo referendo.
Encontrarei mil e um argumentos racionais e emocionais para impressionar letrados e iletrados.
Sairei à rua e colocarei autocolantes nos sítios mais incríveis à semelhança do que o Bloco de Esquerda costuma fazer (exemplo: parte de baixo dos lavatórios das casas de banho públicas da estação de comboios do Pragal).
Para já e como resposta ao DD fica a seguinte respeitosa indignação institucional:
É minha profunda convicção que uma comunidade política soberana, politicamente coerente e consistente há mais de 855 anos, decide melhor sobre os seus assuntos políticos (quaisquer que eles sejam), do que alguém que não é dessa comunidade. Na pior das hipóteses institucionais, os responsáveis políticos legitimamente mandatados pelos membros dessa comunidade política para os representar, poderão, sob delegação, negociar tratados de partilha de responsabilidade sobre as decisões de certas áreas dos seus interesses soberanos, em matérias específicas e por prazo definido e determinado. Esses delegados dos membros da comunidade política nunca poderão, em qualquer circunstância, ceder elemntos da soberania dessa nação, sob pena de prejudicarem a vida boa das futuras gerações com as quais qualquer membro actual tem um dever de continuidade.
A minha posição é irredutível e inegociável e decorre directa e linearmente do princípio da liberdade individual responsável que é princípio fundador deste espaço de discussão digital.
Ponto final.
Tenho dito.
Tudo de bom.
Vivam as Quinas.
Não - parte 3
Por falta de tempo não consegui responder ao contraditório do federalista DD. A resposta desenvolvida seguirá mais tarde. Para já, em relação ao mesmo assunto, excertos da excelente entrevista do ministro dos Negócios Estrangeiros, António Monteiro, ao "Público":
"Não gostei da declaração de Monti. A teoria da exclusão é má. Não estamos a fazer alargamentos para depois admitir que vamos cortar partes da Europa, a não ser que alguém queira mesmo sair. Dizer «não» pode não indicar isso. Se os ingleses disserem «não», significa isso que não querem a Europa? Quer apenas dizer que não querem uma certa forma de Europa".
"[se um ou mais países chumbarem o Tratado Constitucional de Roma] Os governos têm de regressar a formas de consultas. E é preciso ver se essa rejeição é de um texto específico ou de uma ideia de Europa".
"[se um ou mais países chumbarem o Tratado Constitucional de Roma] Haverá um Conselho Europeu para ver o que se faz. Vamos decidir nessa altura".
Ou seja, o Tratado Constitucional hoje assinado em Roma não prevê a recusa de ratificação. Não hã opção.
Dos 25 Estados-Membros apenas 9 anunciaram a intenção de ratificar o texto de Roma através de consulta popular.
Esta, meus caro DD e MS, é a democraticidade do federalismo europeu - escrevi "EUROPEU", David.
Porque razão os federalistas têm medo dos referendos? Porque razão as instituições europeias não propoem um referendo único em todos os Estados-Membros? LR
"Não gostei da declaração de Monti. A teoria da exclusão é má. Não estamos a fazer alargamentos para depois admitir que vamos cortar partes da Europa, a não ser que alguém queira mesmo sair. Dizer «não» pode não indicar isso. Se os ingleses disserem «não», significa isso que não querem a Europa? Quer apenas dizer que não querem uma certa forma de Europa".
"[se um ou mais países chumbarem o Tratado Constitucional de Roma] Os governos têm de regressar a formas de consultas. E é preciso ver se essa rejeição é de um texto específico ou de uma ideia de Europa".
"[se um ou mais países chumbarem o Tratado Constitucional de Roma] Haverá um Conselho Europeu para ver o que se faz. Vamos decidir nessa altura".
Ou seja, o Tratado Constitucional hoje assinado em Roma não prevê a recusa de ratificação. Não hã opção.
Dos 25 Estados-Membros apenas 9 anunciaram a intenção de ratificar o texto de Roma através de consulta popular.
Esta, meus caro DD e MS, é a democraticidade do federalismo europeu - escrevi "EUROPEU", David.
Porque razão os federalistas têm medo dos referendos? Porque razão as instituições europeias não propoem um referendo único em todos os Estados-Membros? LR
28 outubro 2004
Resposta à letra a um companheiro insubmisso
Eu estava a guardar silêncio sobre matérias europeias - porque o silêncio, às vezes, é uma maneira de falar. Mas depois de uma provocação em casa própria não posso evitar umas linhas sobre o assunto.
Seguem-se curtas respontas ao meu caro Luís Rosa - Primeiro as frases dele, depois o que tenho a dizer.
1. "Para mim, a Nação portuguesa está acima do bem comum europeu. Ou seja, os representantes do Estado português nunca podem deixar que o bem comum dos restantes 24 Estados-Membros se sobreponha ao bem comum da comunidade portuguesa".
Ok. Se todos os 25 países da UE pensarem assim, não há UE. É uma opção. Deve ser assumida por cada páis, individualmente. É para isso que vai haver, por cá, um referendo.
2. "Ideal político não existe, meu caro.O que existe é um ideal económico que, realmente, como mercado único se revelou fundamental para o desenvolvimento do económico e social do continente."
Contradição em termos, meu caro. Não conheço melhor ideal político do que procurar garantir melhores condições de vida a cada cidadão. Ou seja, garantir que eles tenham todas as condições para o usufruir.
3. "No que diz respeito a Portugal, a história demonstra que poucas foram as vezes, desde 1986, que os políticos portugueses bateram o pé a Bruxelas."Perdão pela ignorância: não sabia que valia mais bater o pé do que negociar sem barulho. Fiquei a saber agora. É uma opção. Acho até que já a li numa entrevista de Santana Lopes ao Expresso, dois meses antes de ser PM.
4. "O federalismo europeu é tudo menos democrático".
Não é verdade. É ver na internet - podes encontrar tudo sobre o conceito de federação. Mas começa por ler o próprio conceito de federação, num dicionário. A saber: "Estado formado por outros estados; forma de organização política em que estados se unem, mantendo cada um o controlo de algumas actividades sectoriais, mas entregando a um Governo central a diplomacia, a moeda, a defesa nacional, etc; união, associação". Está na Porto Editora.
5."Porque razão os federalistas repetem referendo atrás de referendo até o "sim" ganhar?
Não sei. É perguntar em cada país. E, já agora, perguntar aos respectivos povos porque acabaram por votar sim de forma maioritária. Chama-se democracia. E pode ser invertida: se houver contestação suficiente, pode haver sucessivos referendos para pedir o contrário. Pode até decidir-se que se quer sair. Vê lá tu!
Abraços insubmissos,
DD
Seguem-se curtas respontas ao meu caro Luís Rosa - Primeiro as frases dele, depois o que tenho a dizer.
1. "Para mim, a Nação portuguesa está acima do bem comum europeu. Ou seja, os representantes do Estado português nunca podem deixar que o bem comum dos restantes 24 Estados-Membros se sobreponha ao bem comum da comunidade portuguesa".
Ok. Se todos os 25 países da UE pensarem assim, não há UE. É uma opção. Deve ser assumida por cada páis, individualmente. É para isso que vai haver, por cá, um referendo.
2. "Ideal político não existe, meu caro.O que existe é um ideal económico que, realmente, como mercado único se revelou fundamental para o desenvolvimento do económico e social do continente."
Contradição em termos, meu caro. Não conheço melhor ideal político do que procurar garantir melhores condições de vida a cada cidadão. Ou seja, garantir que eles tenham todas as condições para o usufruir.
3. "No que diz respeito a Portugal, a história demonstra que poucas foram as vezes, desde 1986, que os políticos portugueses bateram o pé a Bruxelas."Perdão pela ignorância: não sabia que valia mais bater o pé do que negociar sem barulho. Fiquei a saber agora. É uma opção. Acho até que já a li numa entrevista de Santana Lopes ao Expresso, dois meses antes de ser PM.
4. "O federalismo europeu é tudo menos democrático".
Não é verdade. É ver na internet - podes encontrar tudo sobre o conceito de federação. Mas começa por ler o próprio conceito de federação, num dicionário. A saber: "Estado formado por outros estados; forma de organização política em que estados se unem, mantendo cada um o controlo de algumas actividades sectoriais, mas entregando a um Governo central a diplomacia, a moeda, a defesa nacional, etc; união, associação". Está na Porto Editora.
5."Porque razão os federalistas repetem referendo atrás de referendo até o "sim" ganhar?
Não sei. É perguntar em cada país. E, já agora, perguntar aos respectivos povos porque acabaram por votar sim de forma maioritária. Chama-se democracia. E pode ser invertida: se houver contestação suficiente, pode haver sucessivos referendos para pedir o contrário. Pode até decidir-se que se quer sair. Vê lá tu!
Abraços insubmissos,
DD
Não
Escreve o MS, com razão, que a União Europeia voltou a demonstrar uma total e absoluta falta de democraticidade formal com o facto de o Tratado de Nice não prever um "não" do Parlamento Europeu à equipa "escolhida" pelo líder da Comissão, como esteve prestes a acontecer hoje em Bruxelas.
Meu caro, já sabes o que poderá acontecer caso um - e basta um - Estado-Membro não ratifique o futuro Tratado de Roma? O que acontecerá se os cidadãos de um Estado-Membro responderem "não" a mais uma evolução federal do ideal comunitário europeu?
Na semana passada, o comissário europeu de nacionalidade italiana Mário Monti afirmou que ao membro da União Europeia que não ratifique o futuro texto principal da União Europeia só resta uma saída: a porta da rua.
Em Portugal, onde o unanimismo europeu do Bloco Central impera, a abstenção ganhará - verdadeira prova do interesse do povo português noutra coisa que não os fundos comunitários -, mas o "sim" ficará com a maioria dos votos expressos. Isto, claro, se houver referendo. As primeiras tricas entre o PS e o PSD acerca da data já cheiram mal. E ainda não discutimos a pergunta que vai ser feita aos portugueses...
O "problema" não se coloca no nosso país. Mas sim no Reino Unido, em França - onde no referendo ao Tratado de Maastricht, o "sim" ganhou por 3 pontos - ou nos paises nórdicos - recordemos o "não" dinamarquês a Maastricht.
Com o aproximar da hora dos referendos europeus a chantagem de senhores como Mário Monti vai subir de tom. "Ou votas como eu quero ou vais para o olho da rua!".
Federalistas, como o senhor Barroso, pensam assim. Para estes só existe uma resposta possível: "sim". Para os federalistas só é possível uma Europa Federalista, uma Europa onde Bruxelas ordena seguindo as indicações de Berlim, Paris, Londres, Roma e Madrid. Esta Europa interessa a Portugal? A minha resposta é "não". LR
Meu caro, já sabes o que poderá acontecer caso um - e basta um - Estado-Membro não ratifique o futuro Tratado de Roma? O que acontecerá se os cidadãos de um Estado-Membro responderem "não" a mais uma evolução federal do ideal comunitário europeu?
Na semana passada, o comissário europeu de nacionalidade italiana Mário Monti afirmou que ao membro da União Europeia que não ratifique o futuro texto principal da União Europeia só resta uma saída: a porta da rua.
Em Portugal, onde o unanimismo europeu do Bloco Central impera, a abstenção ganhará - verdadeira prova do interesse do povo português noutra coisa que não os fundos comunitários -, mas o "sim" ficará com a maioria dos votos expressos. Isto, claro, se houver referendo. As primeiras tricas entre o PS e o PSD acerca da data já cheiram mal. E ainda não discutimos a pergunta que vai ser feita aos portugueses...
O "problema" não se coloca no nosso país. Mas sim no Reino Unido, em França - onde no referendo ao Tratado de Maastricht, o "sim" ganhou por 3 pontos - ou nos paises nórdicos - recordemos o "não" dinamarquês a Maastricht.
Com o aproximar da hora dos referendos europeus a chantagem de senhores como Mário Monti vai subir de tom. "Ou votas como eu quero ou vais para o olho da rua!".
Federalistas, como o senhor Barroso, pensam assim. Para estes só existe uma resposta possível: "sim". Para os federalistas só é possível uma Europa Federalista, uma Europa onde Bruxelas ordena seguindo as indicações de Berlim, Paris, Londres, Roma e Madrid. Esta Europa interessa a Portugal? A minha resposta é "não". LR
Não - parte 2
O meu caro MS, fruto do mau tempo que assola o nosso canil, picou-se. O que é bom.
Ele não gosta de misturas. Ele é federalista e eu sou reaccionário. É uma divisão simples e compreensível por todos.
O problema é que eu também desejo, como ele, mais democracia, mais paz e mais desenvolvimento económico para o continente europeu. Mas os caminhos escolhidos são praticamente opostos.
Eis as razões do meu pessimismo:
1 - Para mim, a Nação portuguesa está acima do bem comum europeu. Ou seja, os representantes do Estado português nunca podem deixar que o bem comum dos restantes 24 Estados-Membros se sobreponha ao bem comum da comunidade portuguesa.
A "Europa", sob o ponto de vista político, como entidade colectiva não existe. O que existe são os interesses dos cinco grandes que prevalecem sempre sobre os restantes. Os próprios cinco também têm interesses próprios historicamente conflituosos que propriciam mais desacordos do que acordos nas mais diversas matérias de que a política externa é o principal. Ideal político não existe, meu caro.
O que existe é um ideal económico que, realmente, como mercado único se revelou fundamental para o desenvolvimento do económico e social do continente.
2 - No que diz respeito a Portugal, a história demonstra que poucas foram as vezes, desde 1986, que os políticos portugueses bateram o pé a Bruxelas. Que me recorde, António Guterres foi o único primeiro-ministro que ameaçou vetar em Nice um Tratado caso os interesses de Portugal não fossem acautelados. Foi também a única vez que Portugal liderou alguma discussãodurante um Conselho Europeu em que tenha um interesse directo. Antes andou sempre atrás da Espanha, qual menino coqueiro à espera de um ressalto para marcar um golo à boca da baliza.
Antes tinha sido também Guterres, durante a presidência portuguesa, a levar a Europa a discutir uma nova estratégia para o desenvolvimento económico do continente na cimeira de Lisboa.
3 - Hoje temos Durão Barroso à frente da Comissão Europeia. Federalista convicto, mas não assumido, Barroso tentará tudo por tudo para levar longe o ideal federalista.
O problema, meu caro MS, é que o federalismo europeu é tudo menos democrático. Só agora, com um Tratado que assumirá carácter constitucional, é que todos os povos europeus serão chamados a pronunciar-se sobre a União Europeia. Antes ninguém se lembrou de legitimar democraticamente todos os avanços de integração económica e política que levaram à passagem da Comunidade Económica Europeia para uma União Europeia.
Não sei se te recordas, mas em todos os referendos que foram feitos em toda a União, nunca o "sim" ganhou claramente. A propósito de Maastricht, em França, o berço do europeísmo, o "sim" ganhou por três pontos; na Dinamarca o "não" ganhou no primeiro, ganhando o "sim" de no segundo, depois de todos os primeiros-ministros europeus terem ameaçado a Dinamarca com a expulsão- se não fosse o facto de a Dinamarca pagar para estar na Mercado Único ainda prometiam uma invasão. Na Irlanda, único país a ratificar Nice por referendo, o "não" ganhou em 2001. Lembras-te, MS? Um país, da nossa dimensão, que lucrou imenso com os fundos europeus, teve receio de ser relegado para segundo plano em termos políticos. Um ano depois, repetindo-se o drama normal nas chancelarias europeias - "como pode isto acontecer?!" - o referendo lá foi repetido e o "sim" ganhou.
Eu, que sou reaccionário, não percebo uma coisa. Porque razão os federalistas se contentam em ganhar por um por cento referendos que devem ratificar tratados que impõem mudanças radicais nas relações de soberania dos Estados-Membros com um poder executivo central sedeado em Bruxelas que não é eleito? Porque razão não defendem maiorias de dois terços?
Pior: Porque razão os federalistas repetem referendo atrás de referendo até o "sim" ganhar? Porque razão não se contentam com o primeiro resultado?
Em conclusão: o que achas que deve ser feito caso um Estado-Membro diga "não" em referendo. Repete-se o mesmo, não é? Isso é democracia? Parece-me mais vanguardismo democrático. LR
Ele não gosta de misturas. Ele é federalista e eu sou reaccionário. É uma divisão simples e compreensível por todos.
O problema é que eu também desejo, como ele, mais democracia, mais paz e mais desenvolvimento económico para o continente europeu. Mas os caminhos escolhidos são praticamente opostos.
Eis as razões do meu pessimismo:
1 - Para mim, a Nação portuguesa está acima do bem comum europeu. Ou seja, os representantes do Estado português nunca podem deixar que o bem comum dos restantes 24 Estados-Membros se sobreponha ao bem comum da comunidade portuguesa.
A "Europa", sob o ponto de vista político, como entidade colectiva não existe. O que existe são os interesses dos cinco grandes que prevalecem sempre sobre os restantes. Os próprios cinco também têm interesses próprios historicamente conflituosos que propriciam mais desacordos do que acordos nas mais diversas matérias de que a política externa é o principal. Ideal político não existe, meu caro.
O que existe é um ideal económico que, realmente, como mercado único se revelou fundamental para o desenvolvimento do económico e social do continente.
2 - No que diz respeito a Portugal, a história demonstra que poucas foram as vezes, desde 1986, que os políticos portugueses bateram o pé a Bruxelas. Que me recorde, António Guterres foi o único primeiro-ministro que ameaçou vetar em Nice um Tratado caso os interesses de Portugal não fossem acautelados. Foi também a única vez que Portugal liderou alguma discussãodurante um Conselho Europeu em que tenha um interesse directo. Antes andou sempre atrás da Espanha, qual menino coqueiro à espera de um ressalto para marcar um golo à boca da baliza.
Antes tinha sido também Guterres, durante a presidência portuguesa, a levar a Europa a discutir uma nova estratégia para o desenvolvimento económico do continente na cimeira de Lisboa.
3 - Hoje temos Durão Barroso à frente da Comissão Europeia. Federalista convicto, mas não assumido, Barroso tentará tudo por tudo para levar longe o ideal federalista.
O problema, meu caro MS, é que o federalismo europeu é tudo menos democrático. Só agora, com um Tratado que assumirá carácter constitucional, é que todos os povos europeus serão chamados a pronunciar-se sobre a União Europeia. Antes ninguém se lembrou de legitimar democraticamente todos os avanços de integração económica e política que levaram à passagem da Comunidade Económica Europeia para uma União Europeia.
Não sei se te recordas, mas em todos os referendos que foram feitos em toda a União, nunca o "sim" ganhou claramente. A propósito de Maastricht, em França, o berço do europeísmo, o "sim" ganhou por três pontos; na Dinamarca o "não" ganhou no primeiro, ganhando o "sim" de no segundo, depois de todos os primeiros-ministros europeus terem ameaçado a Dinamarca com a expulsão- se não fosse o facto de a Dinamarca pagar para estar na Mercado Único ainda prometiam uma invasão. Na Irlanda, único país a ratificar Nice por referendo, o "não" ganhou em 2001. Lembras-te, MS? Um país, da nossa dimensão, que lucrou imenso com os fundos europeus, teve receio de ser relegado para segundo plano em termos políticos. Um ano depois, repetindo-se o drama normal nas chancelarias europeias - "como pode isto acontecer?!" - o referendo lá foi repetido e o "sim" ganhou.
Eu, que sou reaccionário, não percebo uma coisa. Porque razão os federalistas se contentam em ganhar por um por cento referendos que devem ratificar tratados que impõem mudanças radicais nas relações de soberania dos Estados-Membros com um poder executivo central sedeado em Bruxelas que não é eleito? Porque razão não defendem maiorias de dois terços?
Pior: Porque razão os federalistas repetem referendo atrás de referendo até o "sim" ganhar? Porque razão não se contentam com o primeiro resultado?
Em conclusão: o que achas que deve ser feito caso um Estado-Membro diga "não" em referendo. Repete-se o mesmo, não é? Isso é democracia? Parece-me mais vanguardismo democrático. LR
Prioridade Total
Marcelo Rebelo de Sousa disse finalmente porque razão saiu da TVI. Com algum dramatismo à mistura acusou Miguel Paes de Amaral de o ter pressionado a mudar o seu tom crítico face ao Governo de Pedro Santana Lopes. Tudo por causa de necessidades económicas da Media Capital face a uma entrada hostil dos alemães da RTL.
Fernando Lima negou ontem ao princípio da noite à Lusa que tenha apresentado a sua demissão de director do "Diário de Notícias", depois de ter constatado que Luís Delgado e Mário Betencourt Resendes lhe tinham mentido nos desmentidos que lhe fizeram quanto aos convites a Clara Ferreira Alves. Mas Miguel Horta Costa, CEO da Portugal Telecom, afirmou que mantém a confiança em Lima "até ser encontrada uma nova solução directiva no quadro da avaliação que vem sendo feita". Lima está de saída.
No meio destas duas tempestades a Portugal Telecom: proprietária do "DN", "Jornal de Notícias". "TSF", "24 Horas", entre outros títulos.
Ponto um: o "DN" e o "JN" foram privatizados pelo segundo Governo de Cavaco Silva em 1992 e vendidos à empresa Lusomundo.
Ponto dois: em Novembro de 2000 o Governo do Partido Socialista liderado por António Guterres autorizou a compra de 58 por cento da Lusomundo por parte da PT Multimédia, depois de oito meses antes ter dado o "OK" à aquisição dos primeiros 42 por cento do capital da empresa do coronel Luís Silva através da mesma sucursal da PT.
Ponto três: o Estado mantém uma golden-share na PT que lhe permite nomear o presidente do Conselho de Administração e interferir na gestão da maior empresa portuguesa.
Ponto quatro: o Governo de António Guterres autorizou uma reprivatização do "Diário de Notícias" e do "Jornal de Notícias", passando o Governo a ter uma palavra a dizer também na TSF - comprada pela Lusomundo no final dos anos 90.
Pergunta 1: Se o Governo de Santana Lopes garante que não houve qualquer pressão sobre a TVI; se garante que não está a tentar controlar os órgãos de comunicação social dominados pela PT, por que razão não autoriza a PT a vender os títulos e a rádio que possui?
Pergunta 2: Se o PS de José Sócrates, ex-ministro de Guterres com a tutela da comunicação socal, está tão preocupado com o condicionamento dos media por parte do Executivo, porque razão não defende publicamente a venda dos órgãos de comunicação social dominados pela PT?
Resposta: O Estado não precisa de controlar mais do que um canal de televisão e uma rádio. Mas o PSD e o PS necessitam de controlar órgãos de comunicação social, necessitam de pressionar os media. Faz parte do seu ADN. A diferença é que uns são mais inteligentes do que outros a fazé-lo. LR
Fernando Lima negou ontem ao princípio da noite à Lusa que tenha apresentado a sua demissão de director do "Diário de Notícias", depois de ter constatado que Luís Delgado e Mário Betencourt Resendes lhe tinham mentido nos desmentidos que lhe fizeram quanto aos convites a Clara Ferreira Alves. Mas Miguel Horta Costa, CEO da Portugal Telecom, afirmou que mantém a confiança em Lima "até ser encontrada uma nova solução directiva no quadro da avaliação que vem sendo feita". Lima está de saída.
No meio destas duas tempestades a Portugal Telecom: proprietária do "DN", "Jornal de Notícias". "TSF", "24 Horas", entre outros títulos.
Ponto um: o "DN" e o "JN" foram privatizados pelo segundo Governo de Cavaco Silva em 1992 e vendidos à empresa Lusomundo.
Ponto dois: em Novembro de 2000 o Governo do Partido Socialista liderado por António Guterres autorizou a compra de 58 por cento da Lusomundo por parte da PT Multimédia, depois de oito meses antes ter dado o "OK" à aquisição dos primeiros 42 por cento do capital da empresa do coronel Luís Silva através da mesma sucursal da PT.
Ponto três: o Estado mantém uma golden-share na PT que lhe permite nomear o presidente do Conselho de Administração e interferir na gestão da maior empresa portuguesa.
Ponto quatro: o Governo de António Guterres autorizou uma reprivatização do "Diário de Notícias" e do "Jornal de Notícias", passando o Governo a ter uma palavra a dizer também na TSF - comprada pela Lusomundo no final dos anos 90.
Pergunta 1: Se o Governo de Santana Lopes garante que não houve qualquer pressão sobre a TVI; se garante que não está a tentar controlar os órgãos de comunicação social dominados pela PT, por que razão não autoriza a PT a vender os títulos e a rádio que possui?
Pergunta 2: Se o PS de José Sócrates, ex-ministro de Guterres com a tutela da comunicação socal, está tão preocupado com o condicionamento dos media por parte do Executivo, porque razão não defende publicamente a venda dos órgãos de comunicação social dominados pela PT?
Resposta: O Estado não precisa de controlar mais do que um canal de televisão e uma rádio. Mas o PSD e o PS necessitam de controlar órgãos de comunicação social, necessitam de pressionar os media. Faz parte do seu ADN. A diferença é que uns são mais inteligentes do que outros a fazé-lo. LR
27 outubro 2004
A Reacção
José Rodrigues dos Santos e Nuno Santos reagem e dão ordens para a exibição na RTP 1 do "Manobras na Casa Branca". A fita com Dustin Hofman e Robert de Niro relata uma guerra fictícia dos Estados Unidos contra a Albânia promovida pela presidência para desviar as atenções da opinião pública de um escândalo sexual que envolve o chefe de Estado norte-americano.
Ninguém avisou o Morais Sarmento. O que é que aconteceu ao controle da programação? LR
Ninguém avisou o Morais Sarmento. O que é que aconteceu ao controle da programação? LR
26 outubro 2004
Suspirar por John Ford
Acabei de comprar "Os Dominadores" - "She Wore a Yellow Ribbon", no original -, que o Público tem a gentileza de nos oferecer, numa notável colecção de clássicos do cinema norte-americano em DVD.
Comprei-o porque me deu uma saudade enorme de John Ford, mas também porque me situa, na História, num tempo em que não há Governos, nem Justiça. Apenas alguns bons e outros tantos maus, que não prestam contas a ninguém.
Não sei porquê esta "lei da selva" fez-me lembrar os tempos que correm. Com uma diferença: faz-nos falta um John Wayne que nos livre de quem não queremos, nem precisamos.
Para já é só.
Abraços para todos.
U.
Comprei-o porque me deu uma saudade enorme de John Ford, mas também porque me situa, na História, num tempo em que não há Governos, nem Justiça. Apenas alguns bons e outros tantos maus, que não prestam contas a ninguém.
Não sei porquê esta "lei da selva" fez-me lembrar os tempos que correm. Com uma diferença: faz-nos falta um John Wayne que nos livre de quem não queremos, nem precisamos.
Para já é só.
Abraços para todos.
U.
22 outubro 2004
Um repto falhado
"(...) Toda a redacção da TVI, o seu director de informação e eu próprio denunciamos no ecrã da própria estação o acto objectivo de saneamento político de Marcelo Rebelo de Sousa e a vontade de resistir e não entregar de mão beijada ao Governo os célebres "conteúdos" que somos nós próprios. (...) Infelizmente, não vi nenhum jornalista do "Diário de Notícias", e designadamente, António Ribeiro Ferreira, ousar sequer um suspiro público de protesto quando o administrador Henrique Granadeiro, foi convenientemente substituído pelo mais adequado Luís Delgado". Miguel Sousa Tavares, hoje no "Público".
Ó MS e NS, o Sousa Tavares quer que a redacção do DN promova um levantamento de rancho! Às canetas! O lápis azul tratará do resto.
Ó MS e NS, o Sousa Tavares quer que a redacção do DN promova um levantamento de rancho! Às canetas! O lápis azul tratará do resto.
Professores para os Tribunais e...Porcos fora das Pocilgas
Não nos contentamos com a brilhante sugestão de Pedro Santana Lopes sobre a gestão integrada de Recursos Humanos do Estado. Queremos ir mais além e avançamos de imediato com 5 sugestões adicionais de gestão criativa do pessoal excedentário:
-assessores de ministros (excesso de 1237) passam a arquivistas da biblioteca municipal de Celorico de Basto, cujo património aumentou em + de 50.000 volumes desde que Marcelo Rebelo de Sousa resolveu libertar 2 assoalhadas da sua casa de Cascais
-contínuos do Ministério da Agricultura (excesso de 1500)passam a serralheiros de 1ª classe das oficinas gerais de artilharia do Estado Maior General das Forças Armadas
-funcionários da Divisão de Transportes da C.M.Lisboa (excesso de 536 devido à falta de dinheiro para manutenção de material circulante da referida autarquia) passam a motoristas de 2ªclasse do Ministério das Cidades
-Ministro da Presidência e seus adjuntos (excesso 325 onde se inclui o pessoal altamente qualificado da C.P.I.G."António Ferro"...OK! eu explico: "central de propaganda e informação geral"..."António Ferro" em homenagem À figura do Antigo Regime) passam a integrar o Corpo de Guardas Prisionais com colocação imediata na Ala Psiquiátrica do Hospital-Prisão de Caxias
-Porcos da Pocilga Experimental da Faculdade de Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa (excesso de 27, após o parto de CliCLi, uma porca alentejana de fina cepa) integram de imediato os lugares deixados vagos pelo Ministro da Presidência e seus adjuntos
Ficamos à espera de sugestões dos nossos amigos e parceiros. A gerência deste estabelecimento compromete-se a dar um cabaz de natal à sugestão de "gestão criativa", mais criativa
Tudo de Bom
-assessores de ministros (excesso de 1237) passam a arquivistas da biblioteca municipal de Celorico de Basto, cujo património aumentou em + de 50.000 volumes desde que Marcelo Rebelo de Sousa resolveu libertar 2 assoalhadas da sua casa de Cascais
-contínuos do Ministério da Agricultura (excesso de 1500)passam a serralheiros de 1ª classe das oficinas gerais de artilharia do Estado Maior General das Forças Armadas
-funcionários da Divisão de Transportes da C.M.Lisboa (excesso de 536 devido à falta de dinheiro para manutenção de material circulante da referida autarquia) passam a motoristas de 2ªclasse do Ministério das Cidades
-Ministro da Presidência e seus adjuntos (excesso 325 onde se inclui o pessoal altamente qualificado da C.P.I.G."António Ferro"...OK! eu explico: "central de propaganda e informação geral"..."António Ferro" em homenagem À figura do Antigo Regime) passam a integrar o Corpo de Guardas Prisionais com colocação imediata na Ala Psiquiátrica do Hospital-Prisão de Caxias
-Porcos da Pocilga Experimental da Faculdade de Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa (excesso de 27, após o parto de CliCLi, uma porca alentejana de fina cepa) integram de imediato os lugares deixados vagos pelo Ministro da Presidência e seus adjuntos
Ficamos à espera de sugestões dos nossos amigos e parceiros. A gerência deste estabelecimento compromete-se a dar um cabaz de natal à sugestão de "gestão criativa", mais criativa
Tudo de Bom
21 outubro 2004
Lisboa Gás, o escândalo público
Os leitores que me desculpem o desabafo que se segue, mas os blogs, pessoais como são, também se fazem disto. Neste caso, o desabafo é ainda mais justificado, quando se trata de um problema de políticas públicas. Eis o que vos quero dizer:
Os factos:
1)Compra-se uma casa;
2)Muda-se o titular do contrato com a Lisboa Gás, empresa pública;
3)A Lisboa Gás faz uma inspecção, que é paga à cabeça. Nessa inspecção é detectada uma fuga de gás e, obrigatoriamente, é "fechada" a torneira. Ou seja, não há gás para ninguém, mesmo que não exista perigo imediato.
4)O cliente, desesperado, chama uma empresa (através de contactos da própria Lisboa Gás) para que resolva o problema. Até que isto seja feito passam dias... a frio.
5)Depois disso, passam não se sabe quantos dias até que a Lisboa Gás volte a fazer uma inspecção - ou, em alternativa, uma empresa privada, também ela com "autorização do Estado", seguramente paga ao mesmo. Essa inspecção, por sua vez, também tem despesas a sobrar ao consumidor - que continua sem gás em casa.
6)Três semanas depois, numa perspectiva optimista, a empresa pública tem a gentileza de voltar a abrir a torneira de gás, que volta a entrar em casa do cliente. Com sorte, muita sorte, este ainda não estará com uma pneumonia.
A análise segue-se nestas linhas:
Tudo isto só acontece por uma razão: a Lisboa Gás tem o monopólio do sector. Faz como bem entende, saca dinheiro do contribinte a cada fase de um processo, sem atender a uma simples necessidade do consumidor que é hoje básica: ter gás em casa.
Alternativas? Nenhuma. Formas de protesto? Nem uma - à excepção de uma cartinha que se pode enviar para lá, cujo destino está mais que visto.
Meus amigos, que venha o capitalismo selvagem - por selvagem que seja, sempre nos dá uma alternativa e alguém que culpar que não seja uma entidade abstracta e inimputável como o Estado.
Sem mais assunto,
D.D.
Os factos:
1)Compra-se uma casa;
2)Muda-se o titular do contrato com a Lisboa Gás, empresa pública;
3)A Lisboa Gás faz uma inspecção, que é paga à cabeça. Nessa inspecção é detectada uma fuga de gás e, obrigatoriamente, é "fechada" a torneira. Ou seja, não há gás para ninguém, mesmo que não exista perigo imediato.
4)O cliente, desesperado, chama uma empresa (através de contactos da própria Lisboa Gás) para que resolva o problema. Até que isto seja feito passam dias... a frio.
5)Depois disso, passam não se sabe quantos dias até que a Lisboa Gás volte a fazer uma inspecção - ou, em alternativa, uma empresa privada, também ela com "autorização do Estado", seguramente paga ao mesmo. Essa inspecção, por sua vez, também tem despesas a sobrar ao consumidor - que continua sem gás em casa.
6)Três semanas depois, numa perspectiva optimista, a empresa pública tem a gentileza de voltar a abrir a torneira de gás, que volta a entrar em casa do cliente. Com sorte, muita sorte, este ainda não estará com uma pneumonia.
A análise segue-se nestas linhas:
Tudo isto só acontece por uma razão: a Lisboa Gás tem o monopólio do sector. Faz como bem entende, saca dinheiro do contribinte a cada fase de um processo, sem atender a uma simples necessidade do consumidor que é hoje básica: ter gás em casa.
Alternativas? Nenhuma. Formas de protesto? Nem uma - à excepção de uma cartinha que se pode enviar para lá, cujo destino está mais que visto.
Meus amigos, que venha o capitalismo selvagem - por selvagem que seja, sempre nos dá uma alternativa e alguém que culpar que não seja uma entidade abstracta e inimputável como o Estado.
Sem mais assunto,
D.D.
20 outubro 2004
Ler a aprender II
...Sobre a censura, para Santana Lopes, Morais Sarmento e Gomes da Silva, com carinho.
"In France, an institution as arbitrary as censorship would be at once ineffective and intolerable. In the present conditions of society, morals are formed by subtle, fluctuating, elusive nuances, which would be distorted in a thousand ways if one attempted to define them more precisely. Public opinion alone can reach them; public opinion alone can judge them, because it is of the same nature. It would rebel against any positive authority which wanted to give it greater precision. If a government of a modern people wanted, like the censors in Rome, to censure a citizen arbitrarily, the entire nation would protest against this arrest by refusing to retify the decisions of the authority".
Benjamin Constant, 1819,
in "The Liberty of the Ancients Compared with that of the Moderns".
"In France, an institution as arbitrary as censorship would be at once ineffective and intolerable. In the present conditions of society, morals are formed by subtle, fluctuating, elusive nuances, which would be distorted in a thousand ways if one attempted to define them more precisely. Public opinion alone can reach them; public opinion alone can judge them, because it is of the same nature. It would rebel against any positive authority which wanted to give it greater precision. If a government of a modern people wanted, like the censors in Rome, to censure a citizen arbitrarily, the entire nation would protest against this arrest by refusing to retify the decisions of the authority".
Benjamin Constant, 1819,
in "The Liberty of the Ancients Compared with that of the Moderns".
Ler e aprender
"Comprometer-se quer simplesmente dizer: que os ministros nos demitam dos nossos empregos, que os centros políticos nos expulsem, que os partidos nos reneguem, que os frequentadores do Grémio ou do Martinho deixem de cumprimentar-nos e que alguns dos nossos conterrâneos discutam nos periódicos a nossa vida pública e a nossa vida particular, ou que meramente nos espanquem à esquina das nossas ruas. "
Marcelo Rebelo de Sousa, hoje, citando Eça de Queiroz, na apresentação do novo livro de Maria Filomena Mónica sobre o escritor português.
Marcelo Rebelo de Sousa, hoje, citando Eça de Queiroz, na apresentação do novo livro de Maria Filomena Mónica sobre o escritor português.
Boxeur não é nome de raça canina? Então qual é a surpresa!
Meu caro Luís Rosa
Este singelo post é para te agradecer teres formalizado tão bem aquelas que são também as minhas ideias sobre esse cão de fila do PSD. Não há muito a esperar da criatura.
A ligação directa que Morais Sarmento tem entre o intestino grosso e o que resta de massa cinzenta dentro da sua (dele) caixa craniana, vai inevitavelmente continuar a produzir estas elegâncias.
O Senhor é uma besta, ignorante, de tendências autoritárias e prosecutórias. Na minha modesta opinião, até ele "sair do armário", vamos continuar a assistir a este triste espectáculo...Freud explicaria estas atitudes.
Cada vez que Morais Sarmento, Santana Lopes, Gomes da Silva ou qualquer outro governante vem a terreiro com estas brilhantes tiradas, eu lembro-me de Popper, da sua "Open Society" e daquilo que ele afirmou sobre o problema da democracia: "o problema da democracia não é como eleger os melhores, antes como nos vermos livres dos piores".
De facto a democracia portuguesa é muito infantil e recente e tem muito que crescer e evoluir.
Um abraço
Tudo de bom
Este singelo post é para te agradecer teres formalizado tão bem aquelas que são também as minhas ideias sobre esse cão de fila do PSD. Não há muito a esperar da criatura.
A ligação directa que Morais Sarmento tem entre o intestino grosso e o que resta de massa cinzenta dentro da sua (dele) caixa craniana, vai inevitavelmente continuar a produzir estas elegâncias.
O Senhor é uma besta, ignorante, de tendências autoritárias e prosecutórias. Na minha modesta opinião, até ele "sair do armário", vamos continuar a assistir a este triste espectáculo...Freud explicaria estas atitudes.
Cada vez que Morais Sarmento, Santana Lopes, Gomes da Silva ou qualquer outro governante vem a terreiro com estas brilhantes tiradas, eu lembro-me de Popper, da sua "Open Society" e daquilo que ele afirmou sobre o problema da democracia: "o problema da democracia não é como eleger os melhores, antes como nos vermos livres dos piores".
De facto a democracia portuguesa é muito infantil e recente e tem muito que crescer e evoluir.
Um abraço
Tudo de bom
Gomes da Silva insiste na cabala...2 milhões de portugueses concordam com ele
O futuro ex-ministro G. Silva defendeu em sede de inquirição da Alta Autoridade para a Comunicação Social (essa instituição cripto-maoísta-estalinista-reconstrucionista) que existe uma cabala contra o Governo.
Gomes da Silva ainda não compreendeu que toda a gente já percebeu isso e concorda com ele.
O que Gomes da Silva também ainda não comprendeu é que a cabala está a ser organizada e quotidianamente alimentada por 2 milhões de portugueses que se sentem defraudados pela governação PSD-CDS e que se sentem violentados por terem votado num partido com uma certa liderança e com uma certa orientação que já não existe(por mais que o Sr. Lopes argumente que está legitimado pelos estatutos do seu partido, a verdade e os factos são que ele não foi escolhido pelos Portugueses)
Gomes da Silva ainda não compreendeu que toda a gente já percebeu isso e concorda com ele.
O que Gomes da Silva também ainda não comprendeu é que a cabala está a ser organizada e quotidianamente alimentada por 2 milhões de portugueses que se sentem defraudados pela governação PSD-CDS e que se sentem violentados por terem votado num partido com uma certa liderança e com uma certa orientação que já não existe(por mais que o Sr. Lopes argumente que está legitimado pelos estatutos do seu partido, a verdade e os factos são que ele não foi escolhido pelos Portugueses)
Devaneios de um ex-boxeur
“Um jornal pode ser muito mais que um jornal. Pode ser, sobretudo, um organizador colectivo” Lenine.
Desconheço se Nuno Morais Sarmento, como o seu antigo chefe, leu Marx, Engels e o seu discípulo Lenine. Ignoro também se Estaline ou Goebels foram uma referência do ministro responsável pela pasta da comunicação social.
Certo é que o Governo liderado por Pedro Santana Lopes continua a aplicar a velha máxima leninista acima reproduzida. Basta adaptar a citação ao tempo presente e substituir “jornal” por “televisão” para constatar que a suposta direita a ocupar neste momento o Governo leu demasiados pensadores totalitários na adolescência.
Segundo o ex-boxeur, o órgão executivo da República não pode escolher responsáveis pelas áreas de programa e de informação, mas pode escolher a administração que decide essas matérias. Tudo bem. Mas “não são os jornalistas nem as administrações que vão responder perante os eleitores". Daí os “limites à independência" dos operadores públicos sob pena de ser adoptado "um modelo perverso" que exige responsabilidades a quem não toma as decisões."Não tenho direito a mandar, mas tenho direito a ter opinião", concluiu o responsável pela Central de Informação governamental que custará, no mínimo, 2 milhões de euros no ano de 2005.
Um conselho para Nuno Morais Sarmento: leia a Constituição da República Portuguesa aprovada em 1975 e actualizada em 2004 e verifique se não está escrito na lei máxima da República o seguinte:
“Art 2º: A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa”
(…)
Art. 38º: “Artigo 38.º(Liberdade de imprensa e meios de comunicação social)
1. É garantida a liberdade de imprensa.
(…)
6. A estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos, bem como assegurar a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião.
7. As estações emissoras de radiodifusão e de radiotelevisão só podem funcionar mediante licença, a conferir por concurso público, nos termos da lei.”
Mas se o senhor ministro não concorda com a actual Constituição, não há problema nenhum. Pega numa caneta, escreve uma proposta de alteração, aprova em Conselho de Ministros, chega a acordo com o PS e submete ao Parlamento.
Caso algo falhe, só tem uma solução: demite-se e emigra para Angola onde o José Eduardo, amigo do José Manuel, o receberá de braços abertos.
Desconheço se Nuno Morais Sarmento, como o seu antigo chefe, leu Marx, Engels e o seu discípulo Lenine. Ignoro também se Estaline ou Goebels foram uma referência do ministro responsável pela pasta da comunicação social.
Certo é que o Governo liderado por Pedro Santana Lopes continua a aplicar a velha máxima leninista acima reproduzida. Basta adaptar a citação ao tempo presente e substituir “jornal” por “televisão” para constatar que a suposta direita a ocupar neste momento o Governo leu demasiados pensadores totalitários na adolescência.
Segundo o ex-boxeur, o órgão executivo da República não pode escolher responsáveis pelas áreas de programa e de informação, mas pode escolher a administração que decide essas matérias. Tudo bem. Mas “não são os jornalistas nem as administrações que vão responder perante os eleitores". Daí os “limites à independência" dos operadores públicos sob pena de ser adoptado "um modelo perverso" que exige responsabilidades a quem não toma as decisões."Não tenho direito a mandar, mas tenho direito a ter opinião", concluiu o responsável pela Central de Informação governamental que custará, no mínimo, 2 milhões de euros no ano de 2005.
Um conselho para Nuno Morais Sarmento: leia a Constituição da República Portuguesa aprovada em 1975 e actualizada em 2004 e verifique se não está escrito na lei máxima da República o seguinte:
“Art 2º: A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa”
(…)
Art. 38º: “Artigo 38.º(Liberdade de imprensa e meios de comunicação social)
1. É garantida a liberdade de imprensa.
(…)
6. A estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos, bem como assegurar a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião.
7. As estações emissoras de radiodifusão e de radiotelevisão só podem funcionar mediante licença, a conferir por concurso público, nos termos da lei.”
Mas se o senhor ministro não concorda com a actual Constituição, não há problema nenhum. Pega numa caneta, escreve uma proposta de alteração, aprova em Conselho de Ministros, chega a acordo com o PS e submete ao Parlamento.
Caso algo falhe, só tem uma solução: demite-se e emigra para Angola onde o José Eduardo, amigo do José Manuel, o receberá de braços abertos.
19 outubro 2004
Gostava muito de vos dizer isto, porque acho que vem a propósito
Saiu agora na Lusa. Agradecimentos ao meu amigo Jorge.
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RTP: Morais Sarmento defende definição do modelo da estação pelo Governo
Lisboa, 19 Out (Lusa) - O ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, defendeu hoje que deve ser o Governo a definir o modelo de programação da RTP, porque é o Executivo que responde pelas decisões praticadas na televisão pública.
"Deve haver uma definição por parte do poder político acerca do modelo de programação do operador de serviço público", afirmou Morais Sarmento, durante o primeiro colóquio da Rádio e Televisão dePortugal, que hoje decorreu em Lisboa.
O ministro reagia ao deputado socialista e ex-secretário deEstado da Comunicação Social, Alberto Arons de Carvalho, que, segunda-feira, pediu a Morais Sarmento para se pronunciar acerca da notícia do semanário Expresso intitulada "Governo admite mexer na direcção daRTP" e que anunciava a substituição para breve do actual director de Informação da RTP, José Rodrigues dos Santos.
Apesar de sublinhar que o papel do Governo "não pode envolver o que são as competências da administração, como seja a escolha dos responsáveis" pelas áreas de programas ou de informação, o ministro que tutela a pasta da Comunicação Social lembrou serem "os responsáveis políticos que respondem perante o povo". "Não são os jornalistas nem as administrações que vão responder perante os eleitores" pela informação ou pela programação da estação pública, sublinhou o ministro.
Por isso, defendeu, é necessário "haver limites à independência" dos operadores públicos sob pena de ser adoptado "um modelo perverso" que exige responsabilidades a quem não toma as decisões.
"Não tenho direito a mandar, mas tenho direito a ter opinião", sublinhou Morais Sarmento, defendendo que "a RTP ainda tem um longo percurso [a percorrer] a nível dos conteúdos" que transmite.
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RTP: Morais Sarmento defende definição do modelo da estação pelo Governo
Lisboa, 19 Out (Lusa) - O ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, defendeu hoje que deve ser o Governo a definir o modelo de programação da RTP, porque é o Executivo que responde pelas decisões praticadas na televisão pública.
"Deve haver uma definição por parte do poder político acerca do modelo de programação do operador de serviço público", afirmou Morais Sarmento, durante o primeiro colóquio da Rádio e Televisão dePortugal, que hoje decorreu em Lisboa.
O ministro reagia ao deputado socialista e ex-secretário deEstado da Comunicação Social, Alberto Arons de Carvalho, que, segunda-feira, pediu a Morais Sarmento para se pronunciar acerca da notícia do semanário Expresso intitulada "Governo admite mexer na direcção daRTP" e que anunciava a substituição para breve do actual director de Informação da RTP, José Rodrigues dos Santos.
Apesar de sublinhar que o papel do Governo "não pode envolver o que são as competências da administração, como seja a escolha dos responsáveis" pelas áreas de programas ou de informação, o ministro que tutela a pasta da Comunicação Social lembrou serem "os responsáveis políticos que respondem perante o povo". "Não são os jornalistas nem as administrações que vão responder perante os eleitores" pela informação ou pela programação da estação pública, sublinhou o ministro.
Por isso, defendeu, é necessário "haver limites à independência" dos operadores públicos sob pena de ser adoptado "um modelo perverso" que exige responsabilidades a quem não toma as decisões.
"Não tenho direito a mandar, mas tenho direito a ter opinião", sublinhou Morais Sarmento, defendendo que "a RTP ainda tem um longo percurso [a percorrer] a nível dos conteúdos" que transmite.
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