19 novembro 2004

Um elogio merecido ao referendo

Eu sei que ninguém gosta, sei que ninguém percebe, sei até que todos acham ridícula. Eu, por mim, estou feliz com a aprovação de uma pergunta para que se possa votar, em referendo, a Constituição Europeia. Mais, para que eu possa votar "sim" nesse referendo.

Vejam bem que até fiquei feliz com a aparente boa vontade dos partidos políticos neste processo. PSD, PS e CDS concordaram numa pergunta; procuraram que esta não fosse (pelo menos claramente) inconstitucional; e ainda - desculpem lá os eurocépticos - deram um sinal de que se empenharão na luta pelo "sim". Quando vejo uma pergunta que começa com a carta dos direitos fundamentais, só posso pensar que a pergunta foi feita para um "sim" - mesmo que um "sim" politicamente correcto (o que me agrada menos, como calculam).

Dito isto, e para ser honesto, uma referência ao que me desagrada neste assunto: desagrada-me a democracia referendária - ainda que esta seja importante, admito, para que os velhos do restelo deixem de incomodar o país com questões polémicas;
desagrada-me que a pergunta não se perceba, sendo que a culpa é apenas, e só, de quem faz revisões constitucionais sem sentido, ignorando o que o tem;
desagrada-me também que todos digam que a pergunta é importantíssima, quando todos sabem que é a nossa integração europeia que vai a votos e que terá se ser legitimada. Andam há anos a queixar-se disso, agora nada a fazer.

A polémica, esta e não as inúteis, é bem recebida no Insubmisso.



Resposta à arrogância

Os esquerdistas portugueses costumam ter um problema comum: a arrogância. Pensam também que ao nascerem lhes foi revelado o único caminho possível para a verdade absoluta. Por isso mesmo é que têm problemas com quem pensa de forma diferente. A democracia, muitas vezes, é um conceito que lhes é estranho.

O António Mira é um amigo e um académico respeitado, que tem todo o nosso apoio numa altura em que foi insultado por escrever a sua opinião com base em informação válida que foi publicada noutros órgãos de comunicação social.

O JPH irritou-se. Costuma acontecer com frequência. É bom que isso aconteça. É sinal que está vivo e participativo na vida da nossa comunidade.
O problema é que resolveu partir para o insulto fácil e extemporâneo, sem pensar antes de escrever.
No teu jornal tens uma secção chamada "Pessoas" - salvo erro - em que é abordada quase em exclusivo a vida privada de gente mais e menos célebre. Isso sim é mais um sucedâneo do "Dantas". Uma só pergunta: será que o João Pedro alguma vez escreveu ou contribuiu algumas linhas nessa secção?

Desiludam-se, portanto, aqueles que pensam que o David Dinis - é com "s" não com "z" - e o Luís Rosa praticam ou pactuam com actos de censura. Esses actos ficam com quem os pratica.

Luís Rosa, David Dinis e Bruno Proença

O Alentejo tem coisas muito boas

Há uma coisa em Oeiras chamada "Oeiras Parque".

Não conhecia, mas passei a ter uma razão para lá ir...encher o bandulho.

Há um restaurante alentejano por aquelas paragens.

Lá come-se:
"salada de favinhas"
"paio de estremoz"
"medalhões de porco preto com bacon e castanhas".
"sericaia"

É preferível ir lá jantar porque ao almoço transborda.

Não é o "Fialho" mas a cozinheira é de lá...de Évora.

Procurem a dita casa e peçam o menu de degustação e vão pensar que não estão num centro comercial.

Tudo de bom

Os federalistas acordaram hoje bem dispostos

Resposta a um tal de JPH de um blog chamado "gloria facil"

Queira considerar V. Exa. o seguinte.

1. O blog "o insubmisso" também é deste energúmeno que lança boatos chamado António Mira
2. Canalha e mentiroso não são palavras redundantes
3. A jornalista a quem acusam de ter tido um affair com alguém de poder chama-se Rosa Veloso e parte da informação vem num pasquim chamado "Público" e num periódico de cordel chamado "Visão", e o resto da informação foi-me fornecida por uma jornalista da RTP afastada desde há um tempo dos grandes programas e que passa fins-de-semana fora de Lisboa perto de mim.
4. Quanto às sondagens para os cargos de Direcção de Informação da RTP foram efectuadas por pessoas ligadas a Nuno Morais Sarmento e a Almerindo Marques e por outras ligadas ao jovem administrador vindo da Missão Portugal, da Altamira e da EuroRSCG chamado Gonçalo qualquer coisa. As sondagens foram efectuadas junto de pessoas minhas conhecidas nas agências Unimagem, JLM e Associados e LPM. Se quiser os dias e as horas também lhe forneço. Todas as pessoas recusaram e tiveram, os responsáveis da RTP, que recorrer a pessoas da casa para não provocar convulsões no conturbado ambiente da comunicação social poruguesa
5. V. Exa. é ignorante e mal informado como o Scolari
6. Quando V. Exa se quiser irritar, não se irrite com o Luís e com o David que são excelentes pessoas e jornalistas e irrite-se directamente comigo.
7. Para terminar, e parafraseando Natália Correia e Pinheiro de Azevedo, ..."Vá badamerda!!"

Tudo de bom

17 novembro 2004

O orçamento e as surpresas do PS

O debate sobre o orçamento começou com um PS surpreendente.
Surpreendente?! Sim, por duas razões:

José Sócrates resolveu assumir uma posição politicamente incorrecta e afirmar-se contra descidas de impostos numa altura em que a situação orçamental não é estável.
É uma posição pouco natural, vinda de quem, ainda em 2000, aprovou em conselho de ministros uma redução de IRS precisamente quando o ciclo económico entrou em baixa;
É uma posição pouco natural, num PS que andou dois anos a protestar contra um Governo que reduzia o IRC, quando - dizia esse PS - devia dar prioridade às pessoas e não às empresas;
É uma posição pouco natural num líder partidário que procura o seu espaço de afirmação política num contexto que o pode, a breve prazo, levar ao poder.

Por tudo isto, a posição de Sócrates, apesar de pouco natural, é salutar. Mesmo que não seja mais do que uma opção conjuntural (ser contra este Governo), esta decisão do líder socialista produzirá efeitos no futuro. Responsabiliza-o. E isso é bom.

2º. Mas a posição do PS é também surpreendente por outra razão: é que, nos anos que passaram, este mesmo PS resolveu votar contra dois orçamentos por serem, precisamente, expansionistas. Tem mais investimento, é menos centrado no estímulo às exportações e mais no consumo, é, afinal, o orçamento que marca o fim da austeridade. Por tudo isto, o natural seria que o PS não votasse contra - se na política existisse alguma coisa natural. Não existe.

3., e concluindo:
Com dois sinais difusos, este PS resolve votar contra o OE.
Não sabemos ainda se o faz porque mudou, ou simplesmente porque nunca mudará.



The Gift e A Naifa

Durante algum tempo a região do Oeste viveu com o pesadelo de ter como única figura notada na Comunicação Social essa pérola do Bombarral chamada "Feliciano Duarte Barreiras".

Felizmente há os The Gift (Alcobaça Power!!!)... e estão de regresso.

Vão lançar novo disco com o título "AM/FM".

Para aqueles que vibraram com "The Gift" e se desiludiram com o "The Film", como eu, aqui fica o "coming back"!!!.

Senti-me invadido por uma alegria de adolescente ao ouvir ontem o disco em pré-audição (só sai a 29). "Wallpaper" e "77" sairam muito bem. Boa produção e boas misturas (Note-se que no lado FM são exageradas as colagens ao electronismo revivalista que os aproximam dos New Order...pena). A Sónia tem provavelmente a voz mais sensual do país...uma voz que faz cócegas no ouvido interno.

Os The Gift vão apresentar o disco no dia 20 em......Londres.

A Naifa é um projecto e peca por isso mesmo...está ainda minado pelo espírito . Tem, no entanto, potencial para se tornar algo mais. Para os mais desatentos este é a nova banda de Varatojo (ex-Peste&Sida e ex-Despe& Siga) e Aguardela (ex-Sitiados e "Mais qualquer coisa profundamente insolvente").

Vale a pena ouvir.

E depois de dito isto é bom saber que esta região tem mais para oferecer à música do que essa anedota chamada "Gomo" (Gomo, Toranja...a moda foi dos citrinos no Verão passado...citrinos estes que não eram mais do que a versão musical da Margarida Rebelo PInto!!!).


Tudo de bom e aproveitem estas dicas no dia do meu aniversário



16 novembro 2004

Já não há coligação

"Não durou dois dias. O Congresso acabou domingo a meio da tarde e hoje, terça-feira, está completamente desfeito qualquer efeito positivo que pudesse ter saído do encontro para Santana e sua gente.«Verdade» e «Confiança», nem a brincar, foram os slogans dos três dias barcelenses. Como se vê, muito apropriados. O que PSL quer é que confiemos nele, mas como se nem eles confiam uns nos outros. Sarmento desconfia dos santanistas, que por sua vez não confiam de todo no ministro da Presidência. Os santanistas (Gomes da Silva, H. Chaves, o tal Almeida, Pedro Pinto) não são personagens particularmente qualificados e no partido ninguém os grama verdadeiramente.Nesta altura, Santana e Portas bem podem almoçar juntos rodelinhas de laranja. Bem podem ir de mão dada a bordo de uma lancha para a Sagres. Bem podem consumar o enlace como Santanek e Fiona no Contra-Informação. Bem podem tudo isso e muito mais, mas a coligação está morta, condenada e enterrada. Minada por uma desconfiança crescente e que não tem retorno. Nem se trata da relação pessoal entre PSL e PP. É dos partidos (militantes e generalidade dos dirigentes) que falamos.Para o PSD isto até dava jeito se, simplesmente, estivesse a governar bem. Iamos para eleições e era confiar na «inteligência emocional» e no «carisma» do homem-do-gel. Mas com o desastre diário absoluto que é este XVI Governo (já não fazem uma asneira por semana. Agora são várias e, às vezes, até mais que uma no mesmo dia) levam uma banhada nas urnas.E, para nosso contínuo desastre, quem aí vem são figuras altíssimas como o sr. Vara, a dra. Edite ou o autarca Raposo. Liderados por um «animal feroz». MS in "Mau Tempo"

RTP censura Contra-Informação - parte 4

Afirma-se categoricamente que a razão profunda para a demissão de Rodrigues dos Santos terá sido uma questão de lençóis ou saias...não relacionada com Rodrigues dos Santos, mas com alguém com e de poder. Será mesmo????

Se assim é, revela coragem, desprendimento e ética do Director de Informação da RTP (agora percebo porque é que ele fez o cursinho de edição electrónica há uns meses atrás...já 'tava a ver a vida a andar para trás!!!) .

Aquilo que eu questiono é: porque é que a mesma coragem e ética demonstradas por Rodrigues dos Santos são tão difíceis de encontrar em centenas de:
Universidades e Politécnicos Públicos
Repartições e Serviços Centrais da Administração Pública
Orgãos de Administração local...

(só para citar 3 exemplos) que envolvem centenas de pessoas que estão lá, não por mérito próprio, mas porque estão disponíveis a certa altura para fazer um jeito a alguém que conjunturalmente está no poder e tem poder.

Tentarei concretizar em breve com vários exemplos, mas para já fica aquilo que de chocante se está a passar no Ministério de Agricultura onde os casos de colocação de profissionais em estruturas de missão para os mais variados fins chegou ao cúmulo de serem colocadas gestoras de empresas recém-licenciadas para estruturas de missão no campo da veterinária??????!!!!!

Tudo de bom

Escrito nas estrelas

Ouvi o primeiro-ministro dizer que os jornais, jornalistas e jornaleiros do país persistem em inventar notícias e colocar em causa a coligação.
Atendendo à crítica, resolvi escrever um texto baseado essencialmente em citações do próprio Santana Lopes.

Retiro a primeira de uma entrevista ao Expresso, a 14 de Fevereiro de 2004 - antes de ser PM, sendo número dois do PSD e presidente da Câmara de Lisboa. Aqui ficam:
"Como responsável da maioria não posso apoiar um candidato [presidencial] que não una as forças que são essenciais ao Governo do país. Isso levaria à dissolução da coligação no curto prazo". O título da entrevista, se bem se lembram, e entre aspas, dizia: "Cavaco levaria à dissolução da coligação com o CDS/PP".

Segunda citação, ainda de Santana Lopes, retirada do DN de sábado passado:
"Faremos tudo para criar condições a quem está melhor colocado para ganhar as eleições presidenciais. Para que Aníbal Cavaco Silva possa ser o nosso candidato".

Por fim, uma citação de um responsável do CDS/PP, reagindo ao apoio de Santana Lopes ao próprio Cavaco Silva. Lê-se assim, no DE de hoje, o porta-voz do segundo partido da coligação:
"Vamos ter de ver como é que a candidatura surge. A seu tempo se verá".

Não é o próprio Santana Lopes que se queixa de ter razão antes do tempo?

RTP censura Contra-Informação - parte 3

Será que se confirma a informação ,que ontem à noite circulava, que será um antigo jornalista, agora muito ligado a uma das agências de comunicação próximas do PSD, a assumir a Direcção de Informação da RTP????


Tudo de bom

15 novembro 2004

RTP censura Contra-Informação - parte 2

O primeiro exclusivo d'O Insubmisso confirma-se. José Rodrigues dos Santos demitiu-se esta tarde da direcção de informação, segundo a TSF. A razão? Oficialmente, não há.
A censura do programa "Contra-Informação", ontem abruptamente substituído pela telenovela luso-brasileira "Segredo", é uma das causas apontadas.
Esperamos que amanhã todos os diários de referência do nosso quintal citem O Insubmisso.
Esperamos também que Nuno Morais Sarmento, o homem que se diz farto das "brincadeiras e das mentiras dos jornais", ordene à Polícia Judiciária o encerramento deste sítio. LR

Um congresso, duas verdades

Atrás do púlpito, em letras garrafais, uma só palavra: "Verdade". No mesmo púlpito, porém, a palavra tinha significados diferentes consoante quem o usava. Foi assim o congresso do PSD, este fim-de-semana. Quem o seguiu disse que acabou sem novidades. Quem o visse com um pouco mais de atenção, talvez tirasse outras conclusões: o congresso discutiu caminhos para o país e até estratégias de poder. É quanto baste para quem vota perceber quem é quem e para onde nos leva.

Não teria sido assim se Marques Mendes estivesse ausente. O ex-ministro subiu ao palco e disse o que pensava - e o que pensava que o partido pensava sobre o assunto. Marques Mendes disse duas coisas:
1. Para o país, que o fim decretado da austeridade é um erro, o mesmo que levou o país para o fundo dos fundos, sob o signo do guterrismo;
2. Para o partido, que a coligação não está para durar, que já ninguém a quer e que isso devia ser assumido desde já.

Seguiu-se Nuno Morais Sarmento, que disse duas coisas também:
1. Para o país, que o anterior Governo já tinha decretado o fim da austeridade para esta fase da legislatura, pelo que não há mudanças que justifiquem uma oposição de Marques Mendes;
2. Para o partido, que a coligação tem que durar, para bem de uma continuidade no poder e do próprio projecto, pelo que não há razões que justifiquem o desafio de Marques Mendes.

As conclusões podem ficar para segundas núpcias - até porque só o tempo dirá quem tem razão. Ou seja: se o PSD voltará a ganhar as legislativas e, mais importante, se o país fica a ganhar com as opções tomadas.
Mas o que podemos concluir, desde já, é que a verdade escrita neste congresso só valeu para quem a disse. Porque o país, esse, viu um congresso com duas verdades bem diferentes.

Fim-de-semana em grande para o Sporting

Inicio hoje uma rubrica, que pretendo que tenha a estabilidade possível, sobre o fim-de-semana futebolístico.
E este último, teve um único protagonista: o Sporting. Senão, vejamos.

1. Venceu o Boavista por 6-1. A maior goleada de todo o campeonato, até ao momento. Um jogo totalmente controlado pelo Sporting, com boas exibições de Custódio, Carlos Martins e Roca no meio campo. E que deu para tudo: um golo do Pinilla e as brincadeiras de Liedson. Espero que o Jaime Pacheco tenha aprendido a lição: só se pode ser fanfarrão quando se tem uma grande equipa, como o Mourinho. Nos outros casos, é melhor estar calado para não passar vergonhas.
Aliás, até o golo do Boavista nasce no demérito do Sporting. Ou melhor, de mais um frango do Ricardo. Só o Scolari e a Juve é que conseguem gostar dele.

2. O Benfica empatou fora pela segunda vez consecutiva. E, mais uma vez, graças ao “abono de família” chamado Simão Saborosa, um produto da grande escola do Sporting.

3. Raciocínio semelhante se aplica ao FCP. O caminho para a vitória foi aberto por uma jogada mágica de Quaresma, outro grande jogador com origens em Alvalade. Mais uma vez, o Sporting em grande.

4. Porém, tudo isto serve apenas para fazer subir o ego dos sportinguistas, como eu. De resto, nada de novo. O Sporting está em quinto lugar, a cinco pontos do FCP, que já vai à frente do campeonato. E o Peseiro continua a ser o treinador e o Dias da Cunha o presidente. Ou seja, em termos estruturais, tudo na mesma miséria.

O melhor é saborear este resultado histórico durante a semana, porque temo que para a semana volte o sabor amargo, tipo derrota com o FCP.

Abraços

OS RECORDES DO INSUBMISSO...E OS LEÕES QUE SE NOS JUNTAM

O INSUBMISSO, esta perigosa "bolsa de resistência cognisciente", continua a crescer.

Esta semana batemos o recorde de entradas e visionamentos.

Batemos o recorde de textos publicados.

Batemos o recorde de citações em outros sites e blogs.

A par da Sagres Preta conseguimos aumentar a nossa penetração e taxa de mercado.

Apesar das tentativas de Morais Sarmento e seus apaniguados...continuamos a resistir a todos os subornos e censuras.

Uma marca de equipamento desportivo quer patrocinar o nosso guarda-roupa.

Editores atiram-se para o chão quando passamos, na vã tentativa de nos seduzir para a escrita nos seus domínios.

Uma conhecida marca de lingerie oferece-nos a fabulosa protagonista da sua última campanha (Deus...não me deixes pecar por pensamentos, palavras, actos e omissões) se nós ,"insubmissos", em bloco, posarmos para a campanha de Natal da marca em questão.
E...aumentámos também o nosso elenco...a partir de hoje contamos com a intervenção actual, racional, argumentativa e verde (???!!!) do Bruno Proença.

Que sejas bem aparecido e que o farol do Bugio ilumine teus passos nesta empreitada.

É pena seres leão...

Tudo de bom

RTP censura Contra-Informação

Ontem, às 21h33m, a RTP voltou aos tempos da censura.
O primeiro-ministro Lopes garantiu várias vezes ao longo do fim-de-semana que a liberdade de informação e de expressão em Portugal não estavam em causa. Bastaram algumas horas para constatar que não é bem assim.
Estava no ar o programa satírico “Contra-Informação” – ultimamente arredado do prime-time da RTP – com uma rábula protagonizada por um ogre verde, Santanashrek de seu nome, e pelo seu companheiro, um burro chamado Bronco da Silva. Os dois tinham acabado de chegar à terra dos contos de fadas quando Santanashrek conhece uma ogra ligeiramente parecida a Paulo Portas, propondo-lhe uma aliança para governar aquela terra, eis senão quando… o programa é interrompido, sendo substituído pela telenovela luso-brasileira “Segredo”. Isto tudo sem uma explicação obrigatória da RTP.
Liberdade de expressão? Certo…
Ou muito me engano ou José Rodrigues dos Santos está a caminho da demissão. LR

"Dahhhhh!!!!" É a reacção da Geração Portugal aos três discursos do primeiro-ministro Lopes

14 novembro 2004

A opinião de um nosso associado

"Sentado sobre a «Verdade» no alto da tribuna, Santana Lopes recorreu a Cavaco Silva. Depois de uma dezena de congressos como outsider, o líder do PSD enfrenta o fantasma de si próprio. Já não é o challenger que dá luta e procura ser motor de um projecto.Na intervenção inicial, Santana perdeu uma oportunidade. A voz ia-lhe fugindo, mas o que faltou mesmo foi uma mensagem. Algo que se assemelhe vagamente a um rumo. Sobraram vitimização e justificação atrás de justificação, na defensiva. A «ficção» em vez da «verdade».O que tinha para oferecer era o apoio à corrida presidencial de Cavaco Silva. Recorreu agora ao antigo líder como o fizera há seis meses. A diferença é que nessa altura via a candidatura como uma ameaça à coligação com o PP.Onde está então a verdade? Será que é o fim da aliança que realmente se quer? Santana louva dois anos e meio de «lealdade a toda a prova» de Portas. Mas no pavilhão o que se ouve é o «ruído» de uma espinha encravada na garganta. A verdade, pois. E o que se vê é um partido acossado, agastado pelas críticas e que escolhe voltar-se para dentro, fechar-se num núcleo de fiéis, ao mesmo tempo que para o exterior faz promessas de abertura e construção de plataformas. A Verdade não é bandeira ou flor na lapela. Santana sai de Barcelos com os 80 ou 90 por cento da praxe. Mas mais longe de poder ganhar o País em 2006. A verdade em que acredita pode não ser mais que uma ficção."
Martim Silva in "Diário de Notícias"

O pós-moderno Lopes

Com um primeiro-ministro pop que "fala, fala, fala mas não diz nada", não é má ideia recordar as palavras do cronista social Rui Reininho:

"Ser mãe era a aspiração natural de todo o homem moderno
Ser o melhor é normal para os novos pobres deste colégio interno
Ter medo é a pulsão fundamental do criador & artista
Estar sóbrio é continuar a permanecer positivista

...E dantes as máquinas estavam sempre a avariar...

Mas com uns pós-modernos nada complicados
Sentimo-nos realizados
Ah! Os pós-modernos agarram na angústia
E fazem dela uma outra indústria
Com os pós-modernos nunca ganhamos
Mas também nada investimos"

A angústia é a indústria de Lopes. Esperemos que não enriqueça à nossa custa. LR

12 novembro 2004

A oportunidade única dos socialistas

António Guterres deu ontem o primeiro sinal claro de que quer candidatar-se à Presidência da República. No cenário ideal - 1º Congresso sobre a Democracia Portuguesa organizado pela Associação 25 de Abril -, rodeado pelas diversas esquerdas portuguesas e pelas diferentes facções socialistas, Guterres defendeu a construção de uma "alternativa" que terá como objectivo reconciliar os portugueses com a vida política democrática. Uma refundação, portanto. Esse será o lema do candidato presidencial da esquerda: António Guterres.
Mas a "alternativa" não se fica por aqui. A solução é global e passa por reconquistar o poder quase absoluto que já foi dos socialistas: um Presidente, uma maioria e as autarquias das 18 capitais distritais.
O lema é de Sá Carneiro, mas a conjuntura é propícia ao alcance do objectivo. Nem só a maioria PSD/CDS de Lopes e Portas não dá sinais de regeneração, como nunca até hoje a liderança do PS esteve tão identificada com o principal presidenciável da esquerda. Recordemo-nos dos conflitos entre Ramalho Eanes e Mário Soares, de Vitor Constâncio com o Presidente Soares e de Jorge Sampaio com o seu ex-rival Guterres para constatar que a união ideológica entre José Sócrates e António Guterres poderá levar a uma coesão política entre Belém e São Bento nunca antes vista em Portugal.
Os socialistas não brincam em serviço e já estão a trabalhar para isso.
A direita, cega, continua a apostar em Valentims, Isaltinos, Marcos Antónios e Antónios Pretos e não compreende que estes serão os principais responsáveis pela queda da maioria. Por muitos Albuquerques que tirem da cartola. LR