24 janeiro 2005

Cristo desceu à terra

Disse António Guterres que Portugal precisa de uma maioria absoluta como do pão para a boca. Mais, disse António Guterres que, de tal maneira elaé necessária, que mais valia uma maioria absoluta do PSD que uma maioria relativa do PS.

Para vos ser sincero, nunca tinha ouvido António Guterres dizer alguma coisa tão acertada. Foram seis anos, mais três de espera. Nove. Mas ao menos tirou a lição.

Fica uma única - pequenina - dúvida: há alguém que a mereça?



P.S. O L.R. voltou com um tiro em cheio. O M.S. vai ter que voltar aos elogios.

Chico Patanisca

Francisco Louçã continua a espalhar a sua superioridade moral pelas câmaras de televisão que o acompanham na sua pré-campanha. Depois do atestado de inimputabilidade política passado a Paulo Portas por causa da questão do aborto, eis que o camarada Louçã considera Bagão Félix sem "qualificação" para debater a temática do fascismo.
Ao contrário de muitos outros, não vou criticar o líder cooptado do Bloco de Esquerda. Elogio-lhe a franqueza e a honestidade intelectual em assumir o que Pedro Oliveira do Barnabé designou de "moralismo jacobino", ou seja, o "elemento intrínseco à cultura política do BE".

Também Mário Soares, no principio dos anos 80, deixou que o PS patrocinasse uma campanha nojenta que atacava politicamente Francisco Sá Carneiro pelo facto de viver em união de facto com Snu Abecassis quando ainda não se tinha divorciado da sua primeira mulher. Essa campanha foi tão nojenta como aquela que Pedro Santana Lopes, verdadeiro autista do poder, permite que dirigentes do PSD espalhem por telemóveis pagos pelo Estado visando o líder socialista José Sócrates. Tal como em 1980, Sá Carneiro ganhou a primeira maioria absoluta à frente da AD, também Sócrates poderá ter o mesmo resultado. Esse será o prémio para os palermas social-democratas que pensam que boatos acerca da vida intima das pessoas rendem votos.

Da mesma forma, Francisco Louçã arrisca-se a ficar bem atrás da CDU de Jerónimo de Sousa. Primeiro, porque exclui boa parte da sua base social de apoio, como os casais e os estudantes sem filhos, os homossexuais e os transexuais, da discussão sobre o aborto. E, finalmente, porque muitos poucos têm verdadeiramente "qualificação" para discutir com Louçã e os seus camaradas bloquistas. A verdade absoluta que representa o programa do BE só está ao alcance da compreensão dos iluminados. Aqueles que viram a luz como o Chico Patanisca. LR

Post avulso

1. Regresso.
Só agora vi que o M.S. se meteu comigo. Ele gosta de intrigas, mas ao caso não tem razão. Ele, que lê o insubmisso, sabe que eu voltei porque quis. E que desapareci porque quis. E que o mesmo se passa com qualquer um de nós. É isso a blogosfera: um espaço de escrita para quando queremos. Agora, M.S., apetece-me. Gosto de saber que gostas de ver.

2. Bola.
Não posso deixar de manifestar interesse na vitória do Sporting. O que incomoda é que seja com dois golos (bons) do Sá Pinto. Algo me diz que, agora, ninguém o vai tirar da equipa.

3. O J.P.H. anda entretido com o que mais vale na vida. Acho que essas tarefas, meu caro, fazem falta ao dr. Louçã. Olhar pelos filhos dá, seguramente, outra serenidade para discutir os assuntoss sérios da vida.

4. As mulheres das redacções não páram de falar no Jude Law, num filme qualquer com a Julia Roberts. Acho que o país feminino não quer saber da política para nada.

Centenas de páginas de programas

OK meus amigos. Já li os programas do PS e PSD - eu e mais dois ou três loucos deste país, que não gostam de mais nada na vida. Ficam algumas - breves - conclusões:

1. Os partidos ainda não perceberam o que é um programa eleitoral. As análises exaustivas não são lidas por ninguém, por exemplo. Mais: 130 ou 160 páginas é quase um Ulisses. E, confesso, bem menos interessante.
2. Pelos vistos ainda ninguém percebeu que estamos numas eleições diferentes. Se olharmos bem, há mil e uma propostas para cada área. Um disparate. O país não precisa de tantas ideias. Precisa de funcionar melhor. Só isso.
3. No seguimento disto: cada vez que se avança com uma nova ideia, devia ser-se obrigado a apresentar os seus custos. Garanto que havia menos ideias.
4. Claramente, no que dz respeito a linhas programáticas, o que mais distingue PS e PSD é a perspectiva de poder. Os socialistas são mais cautelosos porque o aguardam; os social-democratas mais aventureiros porque dão tudo para o manter. Neste ponto, os socialistas são, obviamente, mais prudentes. O que é bom.
5. O que me parece interessante é que, excepção feita aos capítulos da redução do Estado, PS e PSD voltam ao centro, piscando o olho à esquerda. É natural. Mas não é bom. Ao contrário do que os discursos parecem dizer, Portugal ainda não está em tempo de apostar no social. Ou é impressão minha, ou o José Sócrates sabe-o melhor do que Santana Lopes.





23 janeiro 2005

Uns e outros

Ontem foi a vez de José Sócrates. Ouvi o discurso do líder socialista, sem novidades, bem tratado do ponto de vista mediático. Pensei que fosse bom pronúncio.

Comecei a ler o programa e percebi que sim e que não. Por partes:
o programa socialista é vago q.b.. O que pode ser bom - ser vago é sinal de consciência das dificuldades. E pode ser mau - dificuldade em assumir que a governação que se segue implica dificuldades.

À primeira vista, o programa socialista parece-me o mais "centrão" de sempre. Mais até do que nos tempos de António Guterres. Mas as suas cautelas mostram precisamente o que Marcelo dizia ontem: é de centro, mas também de esquerda. Ou seja, nem uma coisa nem outra.

Vou terminar a leitura, para tirar conclusões paralelas.
Daqui a nada, prometo.

22 janeiro 2005

Responsabilidade

Devo dizer que o meu comentário ao programa do PSD vai ser mais demorado do que eu esperava. Ontem consegui ler metade dele. Pelo que vejo, há despesa a mais para meu gosto. Como disse no post em baixo, é o que dá ter muitas "ideias": custa dinheiro e soa a falta de seriedade. Mesmo que algumas sejam bem intencionadas.

Enfim, prometo uma análise mais detalhada para breve. Agora é a vez do PS.
Uma coisa garanto: desta vez ganha as eleições quem for mais responsável. Acho que há alguns anos que os portugueses que votam já perceberam a regra da democracia: as ilusões pagam-se caro.

Até já.


P.S. Ontem vi Santana Lopes duas vezes na SIC. No Expresso da Meia Noite esteve no seu melhor. Tudo o que de bom foi feito, foi ele, garante; o que de mau aconteceu, nada sabe; quanto aos que dizem mal dele, só queriam o seu lugar. É inveja, pois claro. "Em Portugal, a inveja não é um sentimento, é um sistema", dizia José Gil, na Pública da última semana.

21 janeiro 2005

Promessas custam caro

Por falar em falsos puritanos, temos meio país a chatear a cabeça ao líder do PS, alegadamente por não apresentar grandes ideias ao eleitorado. É outra crítica que me faz rir.Como sempre, neste país, o eng. Sócrates é preso por ter cão e preso por não ter.
Percebo bem o dilema e, se me permitir, deixo-lhe um conselho: o melhor mesmo é não falar mais do que o indispensável. É que as promessas, senhor engenheiro, custam muito dinheiro ao país. E quem só teve três meses para apresentar um projecto não pode saber o que é preciso fazer para dar “um rumo” ao país. Garanto-lhe, é muito mais do que imagina. E também muito mais difícil.
Por isso, fique caladinho, bem discreto, sempre que isso for possível. Mostre apenas que não quer destruir tudo, porque muito do que foi feito vai dar-lhe muito jeito no futuro. Seja um líder responsável, que é isso, e só isso, que este país precisa, que este povo quer.

O nível da imprensa

Algures no final do ano passado, muitos amigos (e não só) resolveram atacar o Insubmisso pela publicação de um post em que se fazia referência a assuntos privados.
Na altura, mesmo tendo em conta o exagero das respostas e o que foi publicado na imprensa sobre o assunto, resolvemos recuar. O Insubmisso, blogue que se assume na defesa da liberdade responsável, assumiu também a postura mais responsável, católica até: corrigir o caminho e seguir em frente.

Pois bem, chegados a esta campanha, gostaria de desafiar os que nos criticaram a fazer o mesmo com alguns órgãos de comunicação social. Sou directo: vejam a Visão desta semana e respondam se gostaram de ver o trabalho sobre os boatos. Vejam, mas com atenção: as insinuações, as ligações entre caras e boatos, entre líderes e o resto. Vejam, mas vejam mesmo. E depois cá estaremos para comentar.

Se querem que vos diga, meus amigos (e não só), estou farto de falsos puritanos. Estou cá para assumir as minhas responsabilidades. Espero que todos, mas todos, os que me criticaram estejam cá para asssumir as suas.

Abraços e até já

Regresso

A minha mulher disse-me ontem:
"Tens que pôr qualquer coisa no blogue. Nem que seja como o JPH, que fez um post a dizer que as mulheres mandam nele e que escreveu umas linhas a mando da ASL".
Por isso, cá está.

04 janeiro 2005

Ter medo político

O que é ter medo político?
-É convidar o Pôncio Monteiro para as listas de um partido para contrabalançar a acção do Pinto da Costa pelo outro partido
-É um açoriano encabeçar uma lista partidária...no Alentejo, para não ser nº 3 nos Açores (lugar duvidosamente elegível)
-É falar sobre as cerimónias de graduação do 12ºano (de "atirar o chapelinho ao ar"), quando as coisas verdadeiramente importantes e polémicas continuam a não ser alvo de debate político
-É não tomar posições de fundo e de longo prazo porque o tacho de curto prazo pode estar comprometido, nomeadamente o lugar de deputado ou de assessorzinho

Há quem chame a isto calculismo. Eu chamo-lhe cobardia. É este o primeiro e mais importante princípio para ter sucesso na vida política portuguesa.

"Calai-vos e comei esta é a carne de que é feita a V. carreira e a dos V. protegidos"

Este é um país de medrosos e fracos


País suspenso ou país falhado?

A este canto à beira mar chamou-lhe D.D. "país suspenso".

Discordo.

Suspenso chama-se a algo que tinha concretização marcada mas que por impossibilidade súbita se vê obrigado a ser concretizado mais tarde.

Mas isso pressupõe que "o algo" que se adia e se suspende seja substante e que essa substância seja relevante.

Ora aquilo que temos não é substante nem relevante, antes inconsequente.

E cá continuamos nós, mais uma vez, à espera de D. Sebastião.

Bom ano aos valorosos portugueses que se mantém aqui no burgo

Tudo de bom

29 dezembro 2004

A lista

A política portuguesa adora destas coisas. Fazer listas, apresentar nomes, chamar os "independentes". Não importa que ninguém se importe. Para a política portuguesa, a lista é tudo. Dá para reforçar compadrios, mostrar "trunfos", disputar títulos nos jornais.

Depois, é o que se vê. As "surpresas", quando aparecem, são zero - ou pouco mais. Os nomes não passam disso mesmo. Valem o mesmo que o nosso, qualquer um, pela blogosfera.

O M.S., meu amigo, atira-se hoje a um deles. Faz mal, outra vez. E faz mal pela razão (por menos tinha muitos mais a criticar) mas, essencialmente, pela importância a que atribui à lista. Francamente, não tem nenhuma.

Pobre país o nosso, diria Pacheco Pereira.
País suspenso o nosso, na espera eterna de um nome que o salve.

Lá vem ano

Estamos a dois dias de um ano novo. Se este acabou assim, o mais que vos posso dizer é que se preparem para o que lá vem.

A saber: um Governo despedido em campanha; uma coligação suspensa à procura de votos em separado; um PS ansioso pelo regresso ao poder, à espera da primeira maioria absoluta; uma esquerda desejosa da primeira oportunidade de poder em 30 anos; a direita à procura de uma maioria que sozinha não terá; um PSD a afiar as facas; presidenciais a caminho; autárquicas nas sobras.

A vida política portuguesa, enfim, estará particularmente animada. Pena é que o país continue adiado. Mas sobre isso temos tempo para conversar. Aqui, no Insubmisso, sim senhor.

De resto, bom ano para todos. Que sejam felizes. É o que importa.

24 dezembro 2004

Mistura explosiva

Não satisfeito com a derrota de 16 de Dezembro de 2001, Jorge Nuno Pinto da Costa quer tirar a prova dos nove e arriscar a sua última cartada política, apoiando ou protagonizando uma candidatura à Câmara do Porto. A ambição e o gosto pelo risco é de salutar. A manifesta intenção de pressionar o sistema judicial pela via política é que não.

Rui Rio devia ter ficado calado perante, segundo o Público, a pequena provocação de Rui Moreira - outro protocandidato - para comentar "a alegada contradição entre a aposta na marca Porto e a desqualificação do fenómeno do futebol", mas Rio não se conteve e comparou Pinto da Costa a Bernard Tapie e Gil y Gil. Uma pequena provocação infantil e desnecessária.

A concretizar-se um eventual apoio do PS a uma candidatura de Pinto da Costa ou um aproveitamento político do apoio público de Pinto da Costa ao candidato do PS, a liderança de José Sócrates utilizará não só uma mistura explosiva - futebol vs política - como pactuará com uma situação incompatível: a acção política de cidadãos que foram constituídos arguidos por um juíz de direito devido à suspeição da prática de crimes de corrupção.

Foi precisamente esta a regra estabecida por António Guterres para determinar o afastamento (temporário ou não) de dirigentes do PS que tivessem problemas com a Justiça. Foi também esta a regra esquecida aquando do espoletar do caso de Fátima Felgueiras, mas que Ferro Rodrigues, posteriormente, repôs. Esperemos que também José Sócrates tenha memória. Tanto mais que, convém não esqueçer, as relações entre a Câmara do Porto e o Futebol Clube do Porto e o Boavista também estão a ser investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Judiciária.

23 dezembro 2004

Ensaio sobre a lucidez

Em época de festa, ou melhor, desejavelmente de festa, o melhor que posso fazer é desejar a todos um santo Natal.

Bem hajam.

Nobre Guedes II

Diz o Público que:

"
Santana Lopes manifesta "total confiança" a Nobre Guedes
O primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, recebeu esta noite o ministro do Ambiente, Luís Nobre Guedes, manifestando-lhe "total confiança" relativamente ao anúncio da solução para os resíduos sólidos urbanos, segundo o gabinete do primeiro-ministro"


É politicamente correcto afirmar que a inversa não é verdadeira

Tudo de bom e um Santo Natal

A MEDIDA II

Será que vão lançar uma taxa de circulação aos pombos??? 25 cêntimos o km de voadela?!

Mas que raio é a medida???

A MEDIDA

Mas que raio será a medida????


Nobre Guedes I

Tenho uma sincera admiração por Luís Nobre Guedes. Acho que faz parte de uma classe à parte de portugueses...poderia viver aqui, em Londres, Paris , Milão, Nova Iorque, Berlim ou Bruxelas...tenho a certeza que estaria bem em qualquer lugar.

Uma das particularidades de Luís Nobre Guedes é que neste mundo de selvagens é um gentleman. Um dos poucos que existe em Portugal. Aconteça o que acontecer, Nobre Guedes não faz publicamente comentários. Dirá em privado o que lhe apetecer, mas em público não.

Esta educação de Luís Nobre Guedes faz com que aconteçam estas coisas macabras: toda a gente sabe que Nobre Guedes tem mais legitimidade, autoridade e razões para dizer mal e revelar coisas sobre Santana Lopes do que Henrique Chaves, só que o Luís não o faz.

Ainda por cima quando lhe apetece ir embora (porque a paciência e a educação de um homem têm limites!!!!), ainda consegue arranjar coragem para dar o exemplo de humildade continuando no cargo (aceitando e ilustrando a máxima "do partido disciplinado" defendida por Portas: o chefe manda, o chefe tem)

Tudo de bom

A "MEDIDA" e o trânsito em Lisboa

Só agora percebi porque é que não há trânsito nos acessos a Lisboa.

Não, não é por ser vésperas de Natal e ninguém trabalhar!

É que está toda a gente grudadaà RTP N e à SIC N à espera que o "Deseducador do Povo"(que recebeu o poder incontestadamente do "herdeiro português do verdadeiro, e da Bayer, educador do povo: Arnaldo de Matos") e o seu "acólito tremoceiro das finanças" anunciem a MEDIDA.

Tudo de bom