11 fevereiro 2005

Santana Lopes e a aversão ao "pobão"

Eu "gripei" esta semana. Em solidariedade com largas fatias da população cedi ao vírus da influenza. Passei 3 dias a pão e água. No Hospital disseram-me para não ir para à rua durante 5 dias para melhorar e não passar o dito cujo a ninguém.

Atendendo a estes conselhos médicos, passei a compreender a razão pela qual Santana Lopes não quer o contacto com o "pobão": na sequência da sua pública gripe, este afigura-se um caso claro de altruístisco sentido de saúde pública....

O "pobão" agradece e espera que o Vírus da Gripe seja feliz na sua estada em tão primo-ministerial figura, desejando-lhe na sua morte, a tranquilidade que, publicamente, produziu em vida.

Jerónimo Sousa e Alpiarça

Jerónimo de Sousa foi a uma sessão do partido em Alpiarça. Na assistência, 50 pessoas que perfaziam a bonita idade de 502 anos.

Da assistência levantou-se Luís António, que chorou, dizendo que tinha dormido naquela azinheira há 40 anos atrás por causa da PIDE e que por isso era necessário não esquecer o que se tinha passado. Jerónimo, portanto, emocionou-se e, extraordinariamente, portanto, hoje não deu, portanto, o seu pé de dança.

No alinhamento do telejornal seguiu-se notícia sobre Cuba e sobre um encontro de cidadãos com mais de 100 anos.

Felizmente Fidel não disse que "portanto, foi um bonito momento"... senão começaria a concordar com Margarida Rebelo Pinto

Sócrates e o financiamento do PS

É impressão minha ou é a 2ª vez que o Ministério do Ambiente liderado por Sócrates é envolvido em investigações ainda em curso (uma sobre um empreendimento urbanístico no Algarve propriedade de um "mais-que-barão-do-PS", e outra, agora, sobre o Freeport) sobre corrupção que conduz a financiamento partidário?

08 fevereiro 2005

Do you trust him?

1.O Público noticia o desejo de Cavaco Silva por uma maioria absoluta do PS. Sem fontes.
2. José Sócrates aproveita uma notícia sem fontes - o que o próprio Sócrates criticou no mesmo jornal quando noticiou uma aproximação do PS ao BE. Aproveita-a para rentabilizar em nome dessa maioria. Fez mal.
3. Cavaco Silva manda desmentir a notícia para as rádios e Lusa.
3. Santana Lopes chama os jornalistas, mostra a piscina da Residência Oficial e os seus filhos. Agradece o desmentido de Cavaco.

Ou seja,

1. Santana ganha mais um dia de campanha. O estilo é o que sabemos, mas como o ontem não existiu, uma vitória é sempre uma vitória.
2. O País fica a saber que Sócrates tem mais sorte que juizo.
3. O país fica a saber que Cavaco mandou desmentir uma notícia que muitos acreditam ser verdadeira. Porquê? Alguém imagina o prof. Cavaco a chamar jornalistas à piscina de S. Bento, onde está com os filhos, num dia de campanha eleitoral?

Desenganem-se os optimistas: para a elite do país, o que está em causa a 20 de Fevereiro são dois homens. Só e apenas. Os estilos, as personalidades, o sentido de estado e de responsabilidade contam.

Essas elites vão passar os próximos dias a lembrar a pergunta da Newsweek sobre as últimas legislativas alemãs? "Would you buy a second hand car from this man?".
A pergunta, a que conta, é saber se o eleitor pensa o mesmo.


07 fevereiro 2005

La vie en rose, the orange killer

A guerra começou na estrada e a campanha vai animando. Santana e Sócrates mediram ontem forças, depois de um debate que foi decisivo, sim, para manter tudo como estava. Ninguém ganhou, pelo que o PS está mais longe de uma maioria e o PSD de uma vitória. Ontem, a conclusão foi mais ou menos a mesma - embora se registe que o nível discursivo melhorou bastante.

Nesse caso, o que é de esperar dos próximos dias?
1. Que Santana Lopes tenha um bom carnaval, fazendo um comício na Residência Oficial.
2. Que José Sócrates se divirta na companhia de um Pina Moura bem real.
3. Que Paulo Portas atinja os 10% de estrada realizados em 2002.
4. Que Jerónimo de Sousa volte a ouvir os Peste&Siga, como ontem, na companhia dos seus.
5. Que Francisco Louçã volte a ver o sorriso do seu filho, na santa paz do Senhor.

Estes são os meus sinceros votos. Já que o país está, de novo, à beira de um pântano - sim, aquele em que falou o eng. regressado - ao menos que consigamos dar umas boas gargalhadas entretanto.

03 fevereiro 2005

Tabela de Avaliação: Veja Você Mesmo quem Ganhou!!

Analise o debate seguindo a nossa escala de avaliação (cotar cada item de 1-5):

  1. candidato vestido convenientemente
  2. roupa escolhida contrasta com o fundo
  3. candidato barbeado convenientemente

  1. candidato maquilhado convenientemente
  2. candidato apresenta boas cores e tez cuidada
  3. candidato apresenta-se bem disposto e divertido

  1. candidato não tem papos debaixo dos olhos fruto de noitadas ou afins
  2. candidato apresenta dossiers de informação em cima da mesa
  3. dossiers de informação organizados por cores e tamanhos

  1. candidato gesticula com dedos para cima
  2. candidato gesticula com dedos para baixo
  3. candidato senta-se convenientemente na cadeira

  1. candidato regula adequadamente a altura da cadeira
  2. candidato dobra vigorosamente o pescoço para um dos lados
  3. candidato demonstra impaciência para com o moderador

  1. candidato demonstra impaciência para com o outro candidato
  2. candidato bebe o copo de água de forma sôfrega
  3. candidato utiliza pasta de napa a imitar pele donde tira provas do que afirma

  1. candidato apresenta curtas sequências de raciocínio
  2. candidato apresenta seqências médias de reciocínio
  3. candidato elabora pensamentos complexos

  1. candidato utiliza a língua portuguesa sob forma gutural
  2. candidato utiliza medianamente a nossa língua
  3. candidato utiliza vocábulos complexos e palavras compostas

  1. o candidato sabe o que está ali a fazer
  2. o candidato perde-se frequentemente no discurso e pergunta "como é que se vai para MarquÊs"
  3. o candidato julga que Santos Costa ainda é um senhor da política e António Ferro está a organizar a exposição universal

  1. o candidato conseguiu decorar os textos que os assessores lhe escreveram
  2. o candidato confunde frequentemente os textos dos assessores com a lista de compras do Pino Doce
  3. o candidato demonstra ão saber o que é um texto

  1. o candidato sabe o que é um governo e as áreas de governação
  2. o candidato sabe o que é o governo mas não as áreas de governação
  3. o candidato sabe vagamente que o governo se reune na casa branca da rua ao cimo à direita (depois do XL) quem sai da Kapital

  1. o canidato sabe o que são politicas publicas
  2. o candidato não sabe o que são politicas publicas
  3. o candidato sabe o que sao politicas públicas e apresenta os seus nomes: Manuela, Helena, Zita, Teresa etc.


Olhe que não...

Para variar um bocado o discurso, confesso-me mais curioso que a maioria sobre o que vai sair do debate de hoje. Acho mesmo que pode ser decisivo para avaliar da hipótese de uma maioria absoluta para o PS. Mais que nunca, os olhos vão estar postos em José Sócrates. É tudo ou nada. De hoje dependem quatro anos de estabilidade ou de negociações. E nós já sabemos o que é um PS dependente de negociações...

Mais, não sei também quem ganhou a guerra suja desta semana. Quem anda de táxi, normalmente, tem uma vantagem: percebe do que se fala. E Portugal não é um paraíso de iluminados. O Luís que me desculpe, mas a situação é bem pior do que imaginamos.

Mais logo volto.
Abraços para todos.

O cartonete do Lopes

O tema já foi tratado em diversos OCS's, mas não posso deixar de "mandar" a minha bicada: o cartaz do PSD intitulado "Este sabe quem é".

Questão para debate filosófico: a que "agente" se refere aquele cartonete?

Temos duas alternativas: ou se refere ao eleitor/votante ou ao próprio Lopes.

Analisemos, então.

Quem é que sabe??

1-Será o eleitor, transeunte que se confronta com aquela "gema" do publicitismo (sim, que por ser tão mau aquilo não é, por certo, publicidade) político? Não pode ser porque é impossível que todos os eleitores saibam quem Lopes é. Os eleitores de "Rossio ao Sul do Tejo", povoação que Lopes nunca visitou, não o conhecem fisicamente (ainda bem digo eu! porque aquilo, nas palavras da minha Aurora, não tem ponta por onde se lhe pegue), muito menos conheceram as meninges do Lopes e suas apófises para-intelectuais, ou mesmo os seus bravos e heróicos feitos: tentem perguntar a Celeste Cambota (habitante e eleitora de Rossio ao Sul do Tejo) se conhece os buracos que "O Lopes" deixou na Figueira e no Marquês?

2-Será o próprio Lopes? Será que ele sabe quem é? E o que é que ele é? Dirigentis desportivus, advogadus, jurisconsul, comentadoris politicus e desportivus, dirigentis politicus , "autarcus interruptus". Pai, multiplo pai, marido, plurimarido, relacionado cinhico, relacionado florico????? O homem não faz a mínima ideia do que anda aqui a fazer. O homem não é um líder, é um busca-pólos...é uma bússola numa siderurgia!! Nada se lhe conhece , porque de muitos "nadas" ou de muitos "poucos" é feito o seu passado. Nem os livros que saíram sobre a sua alegada "obra" foram escritos por ele. Nem é ele que escreve os seus discursos. Será que ele está convencido que é um entendido em alguma coisa? Acho que não, e tal facto nota-se na insegurança e auto-desconfiança que o Lopes tem apresentado nos últimos tempos e nas suas últimas intervenções.

Daqui se extrai que o cartonete (que esteticamente é um dejecto!) tem um conteúdo balofo e seco, ou seja, não o tem, concorrendo, por isso, com a paisagem pelo preenchimento do campo visual dos cidadãos. Mas, como em comparação com a paisagem o cartonete fica sempre a perder, menos razões existem para a sua existência e permanência.

A conclusão que apresentamos para esta nossa incursão pelo campo da filosofia do "egocentrismo cartonitico" é:

"abatam-se os cartonetes do Lopes".

P.S. Abraços para o Luís e para o David e para a "boa alma" de Viana do Castelo. Como diriam os Da Weasel : "Santa Luzia power"!!

A Marinha Grande de Sócrates

José Sócrates decidiu falar acerca dos boatos de que é vítima. Agiu, desmentindo-os e classificando-os de "rídiculos", após Pedro Santana Lopes ter "ultrapassado todos os limites". Ao falar no momento certo, Sócrates conseguiu converter a seu favor a onda de rumores e que seres intelectual e politicamente diminuidos pensavam que poderia atingir a imagem do secretário-geral do PS.
Também em 1986 outros igualmente inteligentes sonharam que umas chapadas na cara de Mário Soares poderia arrasar com o líder histórico socialista. A vitória nas presidenciais veio a provar o contrário.
Pedro Santana Lopes já provou de que é capaz de tudo. Mas ao dar o dito por não dito, mandando dizer que afinal se referia aos "colo dos poderosos" que estarão alegadamente a levar Sócrates ao poder, conseguiu ser ainda mais estúpido do que quando insinuou acerca da vida privada de uma pessoa.
Nunca a maioria absoluta do PS esteve tão perto. Tal como a Marinha Grande foi o clik que "virou" a campanha a favor de Soares, também agora um incidente de campanha provocado pelo adversário pode ser representar para os socialistas o passo definitivo para a vitória absoluta. A concretizar-se um resultado histórico do PS, o culpado é só um: Pedro Santana Lopes. Nem o debate de hoje o deverá salvar.

PS - Saúdo o regresso do desaparecido em combate António Mira. Força, António! LR

02 fevereiro 2005

Notas de Campanha

No Marquês de Pombal estão afixados uns cartazes a defender o voto em branco. Não percebo a intenção, já que até Freitas do Amaral indicou que vai votar no PS.

Em Entrecampos foi afixado o único cartaz da Nova Democracia. A pomba ficou bem.

Na Pç. de Espanha, todos os fins de tarde, encontramos sempre as mesmas bandeiras defraldadas ao vento. São do Millenium BCP a anunciar, esse sim, um acontecimento importante: a mini-maratona de Lisboa. Conclusão: Paulo Teixeira Pinto mentiu quando disse que ia abandonar a política...não perde uma ocasião para abanar a bandeirinha.

Jerónimo de Sousa não cumpriu, na sua última intervenção na SIC Notícias, o número mínimo de enunciação de "portantos" definidos pelo Comité Central na sua última reunião na Soeiro Pereira Gomes. Vai ter que ouvir novamente "Preparação para enfrentar os media" o curso em cassete que é vendido na papelaria do Hotel Vitória, e que tanto sucesso teve no passado.

Francisco "Patanisca-Batanete" Louçã à medida que os comícios descem, geograficamente, o país, vai perdendo a espuma ao canto da boca ("uma bolinha em cada canto") que tanto furor criou nos revolucionários acrónicos (revivalistas do gonçalvismo, figura profundamente admirada pela sua vivacidade e loucura pelo Batanete) da cintura industrial de Viana do Castelo.
Na ausência de excrecências salivares em suficiência, aconselha-se ao aderecista a contemplação das hipóteses "Maionese Calvet" e "Chantilly Mimosa".

Paulo Portas mudou de laca e o "toldo" já não fixa como antigamente... para quando a política de verdade capilar assumida pelo irmão Miguel, que como sabeis é o único português que pode, presentemente, reclamar ser um exilado político...em Bruxelas.

Santana Lopes queixa-se das sondagens, da gripe, de Sócrates, de Portas, dos media, do Sporting, da JSD...nem a medalha ao FCPorto resultou! O rapaz tem que ir ao bruxo (não pode ser bruxa porque senão ele ainda diz que ela está a contribuir para a diminuição da qualidade do debate político).

Sobre Sócrates não tenho notas...Tenho pena que o Vitorino tenha tido que ficar até tão tarde na Comissão.

DEBATER 2

Os debates norte-americanos têm regras. E há entidades que discutem e criticam essa regras. Mas as regras são pensadas em função dos eleitores e de quem vai votar, e não de quem pretende a preferência dos eleitores (i.e., os partidos e os candidatos).

Veja-se o que se passou em 2004


"First Presidential Debate
George W. Bush (R), President and John F. Kerry (D), United States Senator (MA)
Date: September 30, 2004
Location: University of Miami
City: Coral Gables, FL
Time: 9:00 - 10:30 p.m. Eastern
Sponsor: Commission on Presidential Debates
Moderator: Jim Lehrer, PBS
Topic: Foreign Policy and Homeland Security
Viewership: 62.4 million (Data provided by Nielsen Media Research)
Format: 90-minute debate with candidates standing at podiums. Candidates questioned in turn with two-minute responses, 90-second rebuttals and, at moderatorÕs discretion, discussion extensions of one minute."

Interesse público não é o interesse socialista democrático ou o social democrático...é o público.

Mas, claro, isto é os EUA, país que, como diria Francisco "Trauliteiro-Patanisca-Batanete" Louçã, está corroído pelo demónio conservador-autoritarista-defensor-da-lei-e-da-ordem do bush (sim com letra minúscula). Um país que nas ultimas eleições, devido estas degenerações democráticas e à influência do "demónio bush" até viu a taxa de abstenção diminuir, algo que obviamente é mal compreendido pelos "albaneses radicados em Lisboa" que acham correcta a manipulação dos media e a propaganda negra (Alexandre Pizarroso Quintero, sic) emanada dos comités centrais dos partidos de esquerda, desde que isso coloque precisamente a esquerda no poder.




DEBATER

Nos EUA existe uma realidade chamada CPD que rege os debates eleitorais.

Não depende do enviesamento dos media ou dos humores dos candidatos.

Não depende do clima emocional subjacente ou implícito.

Não depende da mediocridade e da menoridade intelectual dos elementos que constituem o staff de cada candidato.

A missão da "Comission on Presidential Debates" é : "The Commission on Presidential Debates (CPD) was established in 1987 to ensure that debates, as a permanent part of every general election, provide the best possible information to viewers and listeners. Its primary purpose is to sponsor and produce debates for the United States presidential and vice presidential candidates and to undertake research and educational activities relating to the debates".

Cá em Portugal quem é que se interessa por dar a melhor informação possível a espectadores e votantes?

Quem é que se interessa numa campanha em dar informação?

Quem, numa eleição portuguesa, é que respeita a razão de ser do sistema, que são os cidadãos?


01 fevereiro 2005

Responsabilidade

O Público e o DN de hoje dão, de mão beijada, a primeira vitória de Santana Lopes na corrente campanha. Podia dizer que o crime compensa, mas é pior que isso. o conceito de responsabilidade social da imprensa desapareceu de vez. É pena. Por mim, só falo de insinuações quando o seu autor as assumir. Aí, faço-o com aspas. É tudo.

31 janeiro 2005

El Rei D. Sebastião

Li nos jornais que o mestre Manuel de Oliveira voltou no seu melhor. Fala, desta vez, do mito de El Rei D. Sebastião. Elogiam-se os actores, o argumento, tudo mas tudo. E tem-se esquecido o timming do filme.

É certo que Oliveira o rodou há um ano - e que já passou em Veneza. É certo, portanto, que ninguém podia prever a altura em que apareceria nos ecrãs portugueses - nem mesmo o Zandinga o poderia fazer, tal a sequência de imprevisíveis que se verificam de há um ano para cá.

Mas, visto à luz de hoje, não há altura melhor para o país olhar para o seu íntimo. O mito de D. Sebastião perdura nos portugueses como um vazio no seu estômago. E isso mostra-se em tudo, do futebol à política, alimentando a depressão natural de quem precisa de um rumo e de um líder.

Outros países há que cedo aprenderam a sobreviver sem o estadista que se segue, até mesmo sem o Estado que querem ver diminuído ao mínimo. Por cá, continuamos a olhar à volta, à espera que alguém nos tire do beco sem saída.

É por isso, julgo, que se houve uma e só uma pergunta nos dias de hoje: "mas eu voto em quem?"
À falta de melhor resposta, o melhor é ver o mestre Oliveira. Não resolve o problema, mas descansa a alma.

Democracia

Houve votos no Iraque, pela primeira vez.
Não é preciso muitas linhas. Basta dizer que é bom. Bom para o Iraque e bom para o mundo. Bom, também, que os votos não fossem adiados, assim como não foram em Timor.

Gostava de ouvir a velha Europa dizer isso mesmo, só por uma questão de coerência. Acrescentando que o mais difícil começa agora. A comemoração da democracia só deve ser feita quando esta é estável e não reversível. Que seja o caso.

29 janeiro 2005

Campanha alegre III

O PPD/PSD acabou de colocar uns cartazes novos pelo país.
Rezam assim, com a cara de Santana Lopes:
"este sim, você já conhece".
Pois. Mas era mais directo assim:
"Este sim, você já conhece. Já comeu e não gostou".

Será que o senhor acha mesmo que o que as pessoas conhecem dele o beneficia?!
Será que ele não percebe que é exactamente o contrário?!

P.S. Já há uns meses que disse isto, mas o DN de hoje ajuda à tese: a única maneira do PSD conseguir ganhar votos nesta campanha é colocando em causa a decisão do Presidente da República. Para se votar em quem não se gosta, só se esse voto for contra quem ainda se gosta menos. É da psicologia, mas também da política.
O pior é quando se passa mês e meio a dar razão ao PR. Mas isso é outra história.

28 janeiro 2005

Campanha alegre II

Santana Lopes admitiu hoje que teve dívidas às Finanças relativas a juros e justificou que isso pode acontecer a qualquer cidadão que vive do seu salário.

Bagão Félix acredita absolutamnete que o primeiro-ministro tem a sua situação fiscal regularizada e diz que a notícia aparaceu para prejudicar Santana na campanha.

Sampaio chamou o presidente da Autoridade da Concorrência para discutir a venda da Lusomundo, temendo concentração nos media.

José Sócrates teme que aos ataques de Bagão a Freitas do Amaral sejam retaliação pelo seu apoio ao PS.

PSI20 ganhou 0,9% na última semana.


Conclusão: A campanha corre bem e segue o seu caminho.


Campanha alegre I

1. Freitas do Amaral apoia o PS. Não surpreende ninguém. É a evolução natural das coisas. Mais, Freitas do Amaral defende uma maioria absoluta, como forma de responsabilizar o PS. Não surpreende ninguém. Não foi ele candidato presidencial apoiado por uma? Não foi ele nomeado presidente da assembleia-geral da ONU por uma? Então estamos conversados. É um sinal dos tempos, não é notícia (e com isto nem sequer digo se concordo ou não).

2. Ontem ouvi Francisco Louçã conversar com um trabalhador de uma empresa de transportes públicos marítimos. Dizia o senhor que os trabalhadores fazem horas extra e que isso é que é bom, para a empresa e para os trabalhadores - que assim recebem mais. Louçã, incomodado, dizia que o problema é que os trabalhadores não eram pagos por isso. O homem respondia que ao caso eram pagos, sim senhor. Conclusão: o candidato do Bloco não anda com sorte nenhuma.

3. Sondagens: Todas colocam o PSD abaixo dos 30%. Santana Lopes diz que é um complot. Portanto vai processar as empresas de sondagens depois das eleições. Suponho, portanto, que vai processar o próprio PSD por usar dados de sondagens do Expresso para a própria campanha. Sim, aquelas em que junta PSD e CDS para mostrar uma curva ascendente. Essas mesmas.

4. José Sócrates anda caladinho, muito caladinho, a recolher os apoios públicos esperados. Não surpreende. Mas já disse e repito - acabando como começei - que para uma maioria absoluta é preciso ser mais arrojado. É preciso mostrar a um país que sabe merecer a sua confiança. Sem explicar a maioria absoluta, sem a exigir, ela não vai cair do céu.

26 janeiro 2005

Campanha incendiária II

Governo atribui Medalha de Mérito Turístico ao FC Porto

O FC Porto vai ser agraciado quinta-feira com a Medalha de Mérito Turístico, "pelo seu contributo para a promoção da imagem e notoriedade de Portugal, através dos seus
extraordinários resultados desportivos internacionais", informou hoje o Ministério do Turismo.

25 janeiro 2005

Campanha incendiária

"Um incêndio deflagrou hoje à tarde na sede do PCP de Coimbra, devido a um curto-circuito na instalação eléctrica, mas não se alastrou ao resto do edifício, disse à Agência Lusa fonte do partido."

24 janeiro 2005

Cristo desceu à terra

Disse António Guterres que Portugal precisa de uma maioria absoluta como do pão para a boca. Mais, disse António Guterres que, de tal maneira elaé necessária, que mais valia uma maioria absoluta do PSD que uma maioria relativa do PS.

Para vos ser sincero, nunca tinha ouvido António Guterres dizer alguma coisa tão acertada. Foram seis anos, mais três de espera. Nove. Mas ao menos tirou a lição.

Fica uma única - pequenina - dúvida: há alguém que a mereça?



P.S. O L.R. voltou com um tiro em cheio. O M.S. vai ter que voltar aos elogios.

Chico Patanisca

Francisco Louçã continua a espalhar a sua superioridade moral pelas câmaras de televisão que o acompanham na sua pré-campanha. Depois do atestado de inimputabilidade política passado a Paulo Portas por causa da questão do aborto, eis que o camarada Louçã considera Bagão Félix sem "qualificação" para debater a temática do fascismo.
Ao contrário de muitos outros, não vou criticar o líder cooptado do Bloco de Esquerda. Elogio-lhe a franqueza e a honestidade intelectual em assumir o que Pedro Oliveira do Barnabé designou de "moralismo jacobino", ou seja, o "elemento intrínseco à cultura política do BE".

Também Mário Soares, no principio dos anos 80, deixou que o PS patrocinasse uma campanha nojenta que atacava politicamente Francisco Sá Carneiro pelo facto de viver em união de facto com Snu Abecassis quando ainda não se tinha divorciado da sua primeira mulher. Essa campanha foi tão nojenta como aquela que Pedro Santana Lopes, verdadeiro autista do poder, permite que dirigentes do PSD espalhem por telemóveis pagos pelo Estado visando o líder socialista José Sócrates. Tal como em 1980, Sá Carneiro ganhou a primeira maioria absoluta à frente da AD, também Sócrates poderá ter o mesmo resultado. Esse será o prémio para os palermas social-democratas que pensam que boatos acerca da vida intima das pessoas rendem votos.

Da mesma forma, Francisco Louçã arrisca-se a ficar bem atrás da CDU de Jerónimo de Sousa. Primeiro, porque exclui boa parte da sua base social de apoio, como os casais e os estudantes sem filhos, os homossexuais e os transexuais, da discussão sobre o aborto. E, finalmente, porque muitos poucos têm verdadeiramente "qualificação" para discutir com Louçã e os seus camaradas bloquistas. A verdade absoluta que representa o programa do BE só está ao alcance da compreensão dos iluminados. Aqueles que viram a luz como o Chico Patanisca. LR

Post avulso

1. Regresso.
Só agora vi que o M.S. se meteu comigo. Ele gosta de intrigas, mas ao caso não tem razão. Ele, que lê o insubmisso, sabe que eu voltei porque quis. E que desapareci porque quis. E que o mesmo se passa com qualquer um de nós. É isso a blogosfera: um espaço de escrita para quando queremos. Agora, M.S., apetece-me. Gosto de saber que gostas de ver.

2. Bola.
Não posso deixar de manifestar interesse na vitória do Sporting. O que incomoda é que seja com dois golos (bons) do Sá Pinto. Algo me diz que, agora, ninguém o vai tirar da equipa.

3. O J.P.H. anda entretido com o que mais vale na vida. Acho que essas tarefas, meu caro, fazem falta ao dr. Louçã. Olhar pelos filhos dá, seguramente, outra serenidade para discutir os assuntoss sérios da vida.

4. As mulheres das redacções não páram de falar no Jude Law, num filme qualquer com a Julia Roberts. Acho que o país feminino não quer saber da política para nada.

Centenas de páginas de programas

OK meus amigos. Já li os programas do PS e PSD - eu e mais dois ou três loucos deste país, que não gostam de mais nada na vida. Ficam algumas - breves - conclusões:

1. Os partidos ainda não perceberam o que é um programa eleitoral. As análises exaustivas não são lidas por ninguém, por exemplo. Mais: 130 ou 160 páginas é quase um Ulisses. E, confesso, bem menos interessante.
2. Pelos vistos ainda ninguém percebeu que estamos numas eleições diferentes. Se olharmos bem, há mil e uma propostas para cada área. Um disparate. O país não precisa de tantas ideias. Precisa de funcionar melhor. Só isso.
3. No seguimento disto: cada vez que se avança com uma nova ideia, devia ser-se obrigado a apresentar os seus custos. Garanto que havia menos ideias.
4. Claramente, no que dz respeito a linhas programáticas, o que mais distingue PS e PSD é a perspectiva de poder. Os socialistas são mais cautelosos porque o aguardam; os social-democratas mais aventureiros porque dão tudo para o manter. Neste ponto, os socialistas são, obviamente, mais prudentes. O que é bom.
5. O que me parece interessante é que, excepção feita aos capítulos da redução do Estado, PS e PSD voltam ao centro, piscando o olho à esquerda. É natural. Mas não é bom. Ao contrário do que os discursos parecem dizer, Portugal ainda não está em tempo de apostar no social. Ou é impressão minha, ou o José Sócrates sabe-o melhor do que Santana Lopes.





23 janeiro 2005

Uns e outros

Ontem foi a vez de José Sócrates. Ouvi o discurso do líder socialista, sem novidades, bem tratado do ponto de vista mediático. Pensei que fosse bom pronúncio.

Comecei a ler o programa e percebi que sim e que não. Por partes:
o programa socialista é vago q.b.. O que pode ser bom - ser vago é sinal de consciência das dificuldades. E pode ser mau - dificuldade em assumir que a governação que se segue implica dificuldades.

À primeira vista, o programa socialista parece-me o mais "centrão" de sempre. Mais até do que nos tempos de António Guterres. Mas as suas cautelas mostram precisamente o que Marcelo dizia ontem: é de centro, mas também de esquerda. Ou seja, nem uma coisa nem outra.

Vou terminar a leitura, para tirar conclusões paralelas.
Daqui a nada, prometo.

22 janeiro 2005

Responsabilidade

Devo dizer que o meu comentário ao programa do PSD vai ser mais demorado do que eu esperava. Ontem consegui ler metade dele. Pelo que vejo, há despesa a mais para meu gosto. Como disse no post em baixo, é o que dá ter muitas "ideias": custa dinheiro e soa a falta de seriedade. Mesmo que algumas sejam bem intencionadas.

Enfim, prometo uma análise mais detalhada para breve. Agora é a vez do PS.
Uma coisa garanto: desta vez ganha as eleições quem for mais responsável. Acho que há alguns anos que os portugueses que votam já perceberam a regra da democracia: as ilusões pagam-se caro.

Até já.


P.S. Ontem vi Santana Lopes duas vezes na SIC. No Expresso da Meia Noite esteve no seu melhor. Tudo o que de bom foi feito, foi ele, garante; o que de mau aconteceu, nada sabe; quanto aos que dizem mal dele, só queriam o seu lugar. É inveja, pois claro. "Em Portugal, a inveja não é um sentimento, é um sistema", dizia José Gil, na Pública da última semana.

21 janeiro 2005

Promessas custam caro

Por falar em falsos puritanos, temos meio país a chatear a cabeça ao líder do PS, alegadamente por não apresentar grandes ideias ao eleitorado. É outra crítica que me faz rir.Como sempre, neste país, o eng. Sócrates é preso por ter cão e preso por não ter.
Percebo bem o dilema e, se me permitir, deixo-lhe um conselho: o melhor mesmo é não falar mais do que o indispensável. É que as promessas, senhor engenheiro, custam muito dinheiro ao país. E quem só teve três meses para apresentar um projecto não pode saber o que é preciso fazer para dar “um rumo” ao país. Garanto-lhe, é muito mais do que imagina. E também muito mais difícil.
Por isso, fique caladinho, bem discreto, sempre que isso for possível. Mostre apenas que não quer destruir tudo, porque muito do que foi feito vai dar-lhe muito jeito no futuro. Seja um líder responsável, que é isso, e só isso, que este país precisa, que este povo quer.

O nível da imprensa

Algures no final do ano passado, muitos amigos (e não só) resolveram atacar o Insubmisso pela publicação de um post em que se fazia referência a assuntos privados.
Na altura, mesmo tendo em conta o exagero das respostas e o que foi publicado na imprensa sobre o assunto, resolvemos recuar. O Insubmisso, blogue que se assume na defesa da liberdade responsável, assumiu também a postura mais responsável, católica até: corrigir o caminho e seguir em frente.

Pois bem, chegados a esta campanha, gostaria de desafiar os que nos criticaram a fazer o mesmo com alguns órgãos de comunicação social. Sou directo: vejam a Visão desta semana e respondam se gostaram de ver o trabalho sobre os boatos. Vejam, mas com atenção: as insinuações, as ligações entre caras e boatos, entre líderes e o resto. Vejam, mas vejam mesmo. E depois cá estaremos para comentar.

Se querem que vos diga, meus amigos (e não só), estou farto de falsos puritanos. Estou cá para assumir as minhas responsabilidades. Espero que todos, mas todos, os que me criticaram estejam cá para asssumir as suas.

Abraços e até já

Regresso

A minha mulher disse-me ontem:
"Tens que pôr qualquer coisa no blogue. Nem que seja como o JPH, que fez um post a dizer que as mulheres mandam nele e que escreveu umas linhas a mando da ASL".
Por isso, cá está.

04 janeiro 2005

Ter medo político

O que é ter medo político?
-É convidar o Pôncio Monteiro para as listas de um partido para contrabalançar a acção do Pinto da Costa pelo outro partido
-É um açoriano encabeçar uma lista partidária...no Alentejo, para não ser nº 3 nos Açores (lugar duvidosamente elegível)
-É falar sobre as cerimónias de graduação do 12ºano (de "atirar o chapelinho ao ar"), quando as coisas verdadeiramente importantes e polémicas continuam a não ser alvo de debate político
-É não tomar posições de fundo e de longo prazo porque o tacho de curto prazo pode estar comprometido, nomeadamente o lugar de deputado ou de assessorzinho

Há quem chame a isto calculismo. Eu chamo-lhe cobardia. É este o primeiro e mais importante princípio para ter sucesso na vida política portuguesa.

"Calai-vos e comei esta é a carne de que é feita a V. carreira e a dos V. protegidos"

Este é um país de medrosos e fracos


País suspenso ou país falhado?

A este canto à beira mar chamou-lhe D.D. "país suspenso".

Discordo.

Suspenso chama-se a algo que tinha concretização marcada mas que por impossibilidade súbita se vê obrigado a ser concretizado mais tarde.

Mas isso pressupõe que "o algo" que se adia e se suspende seja substante e que essa substância seja relevante.

Ora aquilo que temos não é substante nem relevante, antes inconsequente.

E cá continuamos nós, mais uma vez, à espera de D. Sebastião.

Bom ano aos valorosos portugueses que se mantém aqui no burgo

Tudo de bom

29 dezembro 2004

A lista

A política portuguesa adora destas coisas. Fazer listas, apresentar nomes, chamar os "independentes". Não importa que ninguém se importe. Para a política portuguesa, a lista é tudo. Dá para reforçar compadrios, mostrar "trunfos", disputar títulos nos jornais.

Depois, é o que se vê. As "surpresas", quando aparecem, são zero - ou pouco mais. Os nomes não passam disso mesmo. Valem o mesmo que o nosso, qualquer um, pela blogosfera.

O M.S., meu amigo, atira-se hoje a um deles. Faz mal, outra vez. E faz mal pela razão (por menos tinha muitos mais a criticar) mas, essencialmente, pela importância a que atribui à lista. Francamente, não tem nenhuma.

Pobre país o nosso, diria Pacheco Pereira.
País suspenso o nosso, na espera eterna de um nome que o salve.

Lá vem ano

Estamos a dois dias de um ano novo. Se este acabou assim, o mais que vos posso dizer é que se preparem para o que lá vem.

A saber: um Governo despedido em campanha; uma coligação suspensa à procura de votos em separado; um PS ansioso pelo regresso ao poder, à espera da primeira maioria absoluta; uma esquerda desejosa da primeira oportunidade de poder em 30 anos; a direita à procura de uma maioria que sozinha não terá; um PSD a afiar as facas; presidenciais a caminho; autárquicas nas sobras.

A vida política portuguesa, enfim, estará particularmente animada. Pena é que o país continue adiado. Mas sobre isso temos tempo para conversar. Aqui, no Insubmisso, sim senhor.

De resto, bom ano para todos. Que sejam felizes. É o que importa.

24 dezembro 2004

Mistura explosiva

Não satisfeito com a derrota de 16 de Dezembro de 2001, Jorge Nuno Pinto da Costa quer tirar a prova dos nove e arriscar a sua última cartada política, apoiando ou protagonizando uma candidatura à Câmara do Porto. A ambição e o gosto pelo risco é de salutar. A manifesta intenção de pressionar o sistema judicial pela via política é que não.

Rui Rio devia ter ficado calado perante, segundo o Público, a pequena provocação de Rui Moreira - outro protocandidato - para comentar "a alegada contradição entre a aposta na marca Porto e a desqualificação do fenómeno do futebol", mas Rio não se conteve e comparou Pinto da Costa a Bernard Tapie e Gil y Gil. Uma pequena provocação infantil e desnecessária.

A concretizar-se um eventual apoio do PS a uma candidatura de Pinto da Costa ou um aproveitamento político do apoio público de Pinto da Costa ao candidato do PS, a liderança de José Sócrates utilizará não só uma mistura explosiva - futebol vs política - como pactuará com uma situação incompatível: a acção política de cidadãos que foram constituídos arguidos por um juíz de direito devido à suspeição da prática de crimes de corrupção.

Foi precisamente esta a regra estabecida por António Guterres para determinar o afastamento (temporário ou não) de dirigentes do PS que tivessem problemas com a Justiça. Foi também esta a regra esquecida aquando do espoletar do caso de Fátima Felgueiras, mas que Ferro Rodrigues, posteriormente, repôs. Esperemos que também José Sócrates tenha memória. Tanto mais que, convém não esqueçer, as relações entre a Câmara do Porto e o Futebol Clube do Porto e o Boavista também estão a ser investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Judiciária.

23 dezembro 2004

Ensaio sobre a lucidez

Em época de festa, ou melhor, desejavelmente de festa, o melhor que posso fazer é desejar a todos um santo Natal.

Bem hajam.

Nobre Guedes II

Diz o Público que:

"
Santana Lopes manifesta "total confiança" a Nobre Guedes
O primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, recebeu esta noite o ministro do Ambiente, Luís Nobre Guedes, manifestando-lhe "total confiança" relativamente ao anúncio da solução para os resíduos sólidos urbanos, segundo o gabinete do primeiro-ministro"


É politicamente correcto afirmar que a inversa não é verdadeira

Tudo de bom e um Santo Natal

A MEDIDA II

Será que vão lançar uma taxa de circulação aos pombos??? 25 cêntimos o km de voadela?!

Mas que raio é a medida???

A MEDIDA

Mas que raio será a medida????


Nobre Guedes I

Tenho uma sincera admiração por Luís Nobre Guedes. Acho que faz parte de uma classe à parte de portugueses...poderia viver aqui, em Londres, Paris , Milão, Nova Iorque, Berlim ou Bruxelas...tenho a certeza que estaria bem em qualquer lugar.

Uma das particularidades de Luís Nobre Guedes é que neste mundo de selvagens é um gentleman. Um dos poucos que existe em Portugal. Aconteça o que acontecer, Nobre Guedes não faz publicamente comentários. Dirá em privado o que lhe apetecer, mas em público não.

Esta educação de Luís Nobre Guedes faz com que aconteçam estas coisas macabras: toda a gente sabe que Nobre Guedes tem mais legitimidade, autoridade e razões para dizer mal e revelar coisas sobre Santana Lopes do que Henrique Chaves, só que o Luís não o faz.

Ainda por cima quando lhe apetece ir embora (porque a paciência e a educação de um homem têm limites!!!!), ainda consegue arranjar coragem para dar o exemplo de humildade continuando no cargo (aceitando e ilustrando a máxima "do partido disciplinado" defendida por Portas: o chefe manda, o chefe tem)

Tudo de bom

A "MEDIDA" e o trânsito em Lisboa

Só agora percebi porque é que não há trânsito nos acessos a Lisboa.

Não, não é por ser vésperas de Natal e ninguém trabalhar!

É que está toda a gente grudadaà RTP N e à SIC N à espera que o "Deseducador do Povo"(que recebeu o poder incontestadamente do "herdeiro português do verdadeiro, e da Bayer, educador do povo: Arnaldo de Matos") e o seu "acólito tremoceiro das finanças" anunciem a MEDIDA.

Tudo de bom

A Tecnologia e eu, mais uma vez, e a conferência do Santana e do Bagão

As malfadadas máquinas que nos conduzirão ao Apocalipse, tal qual S. João descreveu, voltaram a deixar-me entrar neste mundo virtual e de aventura (esta soou bem e é a minha homenagem ao Dr. João Loureiro e à sua banda BAN de quem o Luís Rosa tanto gosta).

Devido aos momentos críticos em que esta permissão de entrada acontece, sou levado a acreditar que, definitivamente, Deus tem qualquer coisa a ver (e não a "haver"!!!...pelo menos a Edite Estrela diz que é assim que se escreve em bom português) com a blogosfera e que tem um plano, por definição divino, para o mundo que passa pelo universo dos bits e bytes.

Será que esse plano já se concretizou e o sucesso dos Gato Fedorento e da parafernália que se grudou a eles não é a prova disso? Será que os seus 42000 exemplares de DVD (o único no mundo com "bidé na capa") não são prova dos insondáveis caminhos do Senhor?

Será que o insucesso do livro do Barnabé e o sucesso do "meu pipi" não serão também parte essencial desse "blueprint"?

Será que as catacumbas e sub-caves do Vaticano estarão carregadas de serenos seminaristas hackers que decidem o que vai ter ou não vai ter sucesso na internet???


É melhor parar por aqui , porque com tanta ficção e irrealidade já pareço o Santana e o Bagão em conferência de imprensa

A ceia de Natal

Depois da Missa do Galo, rigorosamente às 24H00:

Barca Velha 1995 à temperatura ambiente (18-20 ºC) (tenho uma garrafinha de Pêra Manca de 1998 "just in case")
Míscaros salteados
Patê de Canard au Port
Carpaccio de vitelinha finamente condimentado
Salmão Fumado com mistura de 5 pimentas e Limão das Beiras
Queijinho de Serpa
Queijinho de Azeitão
Torradinhas caseiras de pão saloio
Pão de ló ensopadinho com recheio de ovos moles
Doce Caseiro de Xila com bolachinha
Chá verde com óleo de bergamota e aroma de manga que acompanha com bolacha shortbread inglesa/escocesa
3 Kompensans
1 Guronsan


19 dezembro 2004

O recheio da Ford Transit

Para manter a sanidade nada melhor do que (re)ver "The Meaning of Life" dos sempre disponíveis Monty Phyton. Esta é a melhor inspiração para "picar" os Insubmissos e provocar a multiplicação dos post's.

Depois de muita insistência, particularmente do Manuel do Queijo, aqui se expõem as hipóteses para o recheio da Ford Transit:

a) as fotografias das cerimónias de entrega das malas no PS, PSD e CDS, assim como cópias do inventário completo dos terrenos do PCP
b) as transcrições integrais das escutas do processo Apito Dourado (este, sim, era o presente de Natal ideal), com o "Vende-se" a ter como principal destínatário o "24 Horas"
c) o programa eleitoral de José Sócrates devidamente entrosado com os "10 Mandamentos" do manifesto Bloco
d) os próximos artigos de Cavaco Silva antes de anunciar a sua candidatura a Belém com o seguinte mote: "os portugueses não põem os ovos no mesmo cesto"
e) o mapa de todas as cicratizes das costas de Pedro Santana Lopes
f) todos os artigos de opinião e notícias acerca do consulado de Santana Lopes para comparar no futuro com os artigos de opinião e notícias acerca do consulado de José Sócrates
g) as cópias do processo da Amadora para fazer face a um eventual encobrimento do mesmo
h)o futuro sofá do Mira


17 dezembro 2004

Pobre país

o nosso.

Portas, os partidos disciplinados e o pé no chinelo

Portas defendeu em entrevista à RTP 1 que quer partidos disciplinados. Não disse, mas pensou, que também gosta de partidos musculados, agressivos, com resposta na ponta da língua, atrevidos, arrogantes e ligeiramente autoritários.

Se Portas fosse director de um colégio concerteza que seria de um inglês onde os alunos andariam fardados: com a mesma camisa, mesmo fato, mesma gravata...sendo que, como é sabido, nestas escolas o que distingue os alunos acaba sempre por ser o "sapatinho".

E ao raciocinarmos assim tão brilhantemente (desculpem a imodéstia), se percebe a razão pela qual os dirigentes do PP se vestem todos da mesma maneira: a farda de risca.

É pena é que seja tão notório que a alguns continue a fugir o pé para o chinelo e para a mão na anca- algo nada britânico. Cá está...o que os diferencia continua a ser o "sapatinho".

Tudo de bom

Pinto da Costa concorre contra Rui Rio

Diz o Público de hoje que Pinto da Costa, na sua habitual estratégia de "fuga para a frente" (que, como sabeis, alterna - não, não é piada brejeira - com a de "avestruz" ou com a de "sarrafada-indiscriminada-à-Jorge-Costa") afirma estar disponível para concorrer à CM Porto.

Esclareçam-me por favor: o facto de uma pessoa estar presa impede-a de ser presidente da câmara? e o facto de estar com uma pena suspensa?

Esperemos que a justiça do apito dourado seja rápida e que por uma só vez "O FCP num seija uma naçoonnn-e"

Tudo de bom

14 dezembro 2004

Sport Lisboa e Saudade


É lógico que não vou brincar com a situação do meu Benfica. Ontem, tratei de responder com elevação (aquela que me faltou quando cedi à indignação pelo ataque de JPH) aos meus amigos que me foram telefonando a perguntar se eu precisava de canela e açúcar, ou se precisava de um Pepsamar para ajudar à digestão dos quatro pastelitos.

Eu gostaria de recordar, citando o marido de Judite de Sousa, que aquele clube do Campo Grande que não é o Jockey Club, foi campeão no ano de 2001, tendo nessa época "aziado" com 3 pastelitos do mesmo estabelecimento ali aos Jerónimos e, tendo, além disso, ido buscar a Paços Ferreira 4 prateleirazitas em pinheiro de solho inglês para a sala de troféus do clube.

Se isto aconteceu, ainda há esperança para o dono da Catedral

Tudo de bom

PS. Adeus até quando a www. me deixar novamente ver a luz do blog

Circo Chen em Belém?

Não tive a oportunidade de, em tempo oportuno, expressar e publicar o meu texto sobre S.Exa. o Senhor Presidente da República. Aquilo que tinha escrito perdeu entretanto vigor.

Não posso, no entanto, deixar de fazer um pequeno comentário, para que para a história fique, que na blogosfera portuguesa (perdoem-me a presunção) alguém apontou o dedo e o negou três vezes.

Qualquer pessoa com dois dedos de bom senso reconhece que Santana Lopes foi provavelmente o pior que poderia ter acontecido ao PSD e ao país desde 1974, quando o PPD- PSD foi fundado por herdeiros da Ala Liberal (obscena a forma como é utilizada a expressão PPD e o nome de Francisco Sá Carneiro por este trauliteiro mimado chamado Santana). No pior que o PPD viveu não se vislumbra nada semelhante ao descalabro que agora nesse partido se enfrenta. Qualquer pessoa de bom senso conseguia antecipar que o resultado seria este devido à fraca qualidade dos actores convidados e do processo em si.

Agora, aquilo que não podemos deixar de dizer também é que Sampaio tratou o caso com os pés e ensombrou de forma irreparável o exercício da Chefia de Estado como mais nenhum o tinha feito desde 1974. Joaquim Aguiar recordou ontem na SIC Notícias (e se ele tem autoridade para o fazer!! Ó se tem!!!) que as 4 anteriores dissoluções da AR tinham subjacentes a elas factos determinantes que colocavam em causa o regime político.

Ao olharmos "in retrospect" o que se passou vemos que a actuação do Presidente Sampaio foi uma palhaçada de todo o tamanho...com gaffes, falhas, inconsistências, falta de conteúdo de de explicações...um verdadeiro Circo Chen (que como sabem é provavelmente o pior circo que esté em Lisboa actualmente) que desceu a Belém.

Dirão os mais reaccionários defensores do Dr. Sampaio..."Ah e tal e coiso, porque coiso e assim tá mal".

Ok, tudo bem e eu sou forçado a aceitar. MAs outros dirão:
"Se todos asneiram (palavra que, recordo, vem de ASNO) no nosso sistema político porque é o PR não o pode fazer?'"

Ao que eu respondo: por isso mesmo...porque é o mais alto magistrado da nação, porque ele deveria ser a última salvaguarda do nosso sistema político, porque deveria pairar sobre o sistema como termostato, não se envolvendo e actuando como autoridade moral com uma legitimidade inexpugnável, porque deveria ser o símbolo constitucional por excelência e porque deveria ser o alpha e omega do nosso sistema..

O Jorge (sim porque agora ele é igual a qualquer outro e portanto lá vai o S. Exa. para o galheiro) não foi nada disto...foi atacado por uma partidarite como o Dr. Mário Soares não foi (e eu não gosto do octagenário) e se formos ver bem as coisas, é mais grave (porque desprovido de ética) o que se passou, do que aquilo que Eanes fez com o PRD.

E ainda há pessoas que não percebem porque é que há cada vez mais monárquicos (e atenção que eu digo monárquicos e não duartepiistas!!!)

Tudo de bom

Socrates, Xico Louça e o Queijo Rabaçal


José Sócrates, o verdadeiro "Manual de Citações Rápidas Socialmente Correctas" (obra que poderia lançar novamente Bobone na rota do sucesso), já veio desmentir que alguma vez tenha dito que admitia fazer coligação com o Bloco de Esquerda caso não tivesse a maioria.

É lógico que Zé Socrates venha negar este seu pensamento...faz parte das regras do marketing político. Um sujeito que ambiciona ser PM (em tempos isso foi uma ambição séria...hoje em dia não sei!!!) não pode admitir que tem dúvidas que o consiga ser.

Agora que isto já deve ter sido equacionado...não tenho dúvida alguma.

A questão que se coloca é de quem é que foi a iniciativa de retirar da agenda mediática esta óbvia movimentação de bastidores: será que foi do para-filósofo grego ou do Xiquinho Trotskista?.

É que tal anúncio, que, reafirmo, deve resultar de aproximações que já devem ter existido entre as cúpulas dos respectivos comités centrais (embora o PS tenha nomes diferentes para esse orgão) julgo que prejudica mais o BEEEEEEEEEEEE (não é uma onomatopeia de uma ovelha negra a balir...foi o dedo que "se me" escorregou ao escrever BE EEEE...pronto lá foi outra vez!!) do que o PS, visto que com a subida ao topo do colectivo comunista do Fred Astaire de Corroios, o BE tem a oportunidade histórica de entrar em territórios que até agora não tinha entrado e de, por essa razão, aproximar-se, senão ultrapassar, o PC na AR.

Atendendo a que Sócrates ainda não está muito à vontade com estas coisas dos media (nota-se isso no facto de ele ainda não ter conseguido controlar a mãozinha marota...garantiu-me um assessor dele que ele anda a tentar corrigir isso em casa!!!)julgo que a manobra de diversão terá sido efectuada pelo BE...(mais uma vez é uma técnica de marketing político...neste caso de inspiração albanesa)..."Vamos lá anunciar a ver se pega...se não houver reacção a gente desmente e guardamos esta para as negociações pós-eleitorais".

O queijo rabaçal era só para dar mais cor ao título.

Tudo de bom

A Ford Transit do Luís

Julgo que estará esclarecida neste momento a razão pela qual me ausentei. Deve, todavia, haver um plano divino, para que eu só tenha podido entrar depois da provocação do Luís.

Se assim fôr tem de haver uma razão, com futuras consequências positivas para o rebanho dos filhos de Deus, para que o anúncio de venda da Ford Transit do Luís tenha conseguido ver a luz do dia. Será que Deus (na sua eterna sabedoria e complacência) quer ajudar o Luís a vender a sua carrinha Ford Transit, abandonada ali "aos Prazeres" para que ele tenha um complemento de reforma condigno visto que, já se sabe, a Seg. Social impede-nos de ter ilusões? Será que os posts de Luis Rosa passaram a ser patrocinados, qual Liga dos Campeões, pela Ford Europa? Será que o Luis quer mostrar ao mundo onde transporta os seus sofás???

Aguardo serenamente que as ditas razões para esta súbita abertura da gruta de Ali Babá, "o nosso blog", me sejam transmitidas. Só espero que a carrinha não seja peça de investigação fotográfica relacionada com apitos, taxistas suiços ou afins,de algum jornal semanário.

Tenho de concordar com um dos nossos comentaristas....temos de esclarecer o que é que está dentro da carrinha do Luís

Tudo de bom

Eu e a Tecnologia

Durante quase 2 semanas tentei entrar neste antro de vício para colocar os meus posts. O maldito bicho branco com quem entabulava conversações por via mecânica, e a que alguns chamam "computadores" e os mais entendidos "máquinas", numa negação dos meus direitos constitucionais, impediu-me de o fazer.

O meu amigo David Dinis (sim, com "S"!) fez questão de me explicar, na sua incomensurável paciência e bondade, que esta coisa dos blogs por vezes parece o IC-19...não porque tenha o Seara à beira da estrada a prometer o IC-16 , mas porque o excesso de frequência e produção fazem com que o acesso seja atravancado por escolhos de diversa dimensão que, em termos práticos, se traduz por simplesmente não conseguirmos entrar.

Quando já tinha utilizado quase todas as expressões que Gil Vicente legou à literatura portuguesa para me dirigir à máquina, eis que, nesta minha última tentativa, qual gruta de Ali Babá, ele, leia-se "o nosso blog", se abriu.

A tristeza desta situação é que não sei exactamente a que palavrão é que a máquina reagiu, pelo que, perdoa-me caro Luis Rosa, não sei quando voltarei a escrever, já que os caminhos do digital são insondáveis (perdoai-me o sacrilégio da utilização de tão mística expressão).

Tudo de bom


13 dezembro 2004

Um sismo

Parece que Lisboa sentiu hoje um pequeno sismo.
Vi isto na televisão, num rodapé que dizia "última hora", com imagens do primeiro-ministro a falar em Belém.
Confesso que não liguei nenhuma. Só depois percebi não era uma metáfora. É a força do hábito.



Meus amigos...

Eu, numa atitude de total honestidade e humildade, devo uma justificação ao país.
Passaram 11 dias, praticamente sem dizer palavra. E hoje, que a digo, não sei bem como me justificar.

Digo-vos apenas isto: face à instabilidade reinante, à falta de credibilidade e à sucessão de acontecimentos (que me dispenso de enumerar, pois o país bem sabe a que me refiro), só posso defender a demissão imediata do treinador do Sporting Clube de Portugal.

Tenho dito, meus amigos.

Aquele abraço e até já.

12 dezembro 2004


Depois de quase uma semana sem post's, o Insubmisso não vale mais do que esta velha Ford Transit

07 dezembro 2004

Então e não estávamos?

A minha mulher lembrou-me do seguinte - que resolvi partilhar convosco:


Constituição da República Portuguesa
Artigo 172.º
(Dissolução)
1. A Assembleia da República não pode ser dissolvida nos seis meses posteriores à sua eleição, no último semestre do mandato do Presidente da República ou durante a vigência do estado de sítio ou do estado de emergência.

Então e não estávamos em estado de sítio?


06 dezembro 2004

Depressão à vista

Quanto mais fala, mais demonstra o seu autismo. Depois das eleições, Pedro Santana Lopes arrisca-se a passar uns tempos na clínica onde Elsa Raposo curou a sua última depressão. LR

05 dezembro 2004

Latin’ América

Lá pelo início dos idos anos 80, apareceu uma música com este nome. Foi um verdadeiro hit, o Latin’ America. E fazia sentido: Portugal vivia na ressaca de uma revolução, ainda sob variados comandos militares. A música, essa música, apontava precisamente o espírito que se vivia na época. Era a América Latina, no seu melhor. E muito, muito mesmo, o triste país ainda teve que passar.

Tudo isto, porém, era tido como normal. Daí para cá, Portugal cresceu, normalizou a sua vida. Manteve muitos defeitos, é certo, mas juntou-se à Europa no espaço e no espírito. Até aqui.

Hoje, o país recupera, tristemente, o que de pior a música nos recorda. Ouvimos, décadas depois, o mesmo Latin’ América. E, surpresa das surpresas, parecemos de volta ao mesmo espaço, ao mesmo tempo. Numa frase apenas: quem olhe para Portugal de fora não percebe. Acho mesmo que quem olhe Portugal de dentro também não. Eu não.

Raison d’état

Há pouco mais de quatro meses, o Sr. Presidente da República tomou a decisão mais difícil da sua vida. Demorou a fazê-lo, pensou antes de o fazer. Mas tomou a decisão e fundamentou-a devidamente.

Mesmo para quem não gostou da decisão, e muitos não gostaram, o Sr. Presidente foi um homem de Estado. Teve a autoridade de quem fez o que a lei dizia. Assim deve ser.

Depois disso, uma sucessão de acontecimentos. Todos sabemos quais, mas nenhum de nós sabe verdadeiramente quais. Eu, por mim, gostava de saber. Gostava que o Sr. Presidente, homem de Estado há quatro meses, voltasse a mostrar que fez o que a lei dizia. A lei, digo eu. Porque a razão de Estado é isso mesmo: aplicar a lei, de forma fundamentada, desagrade a quem desagradar.

Ao Sr. Presidente, seja ele qual for, cabe apenas uma tarefa: ficar nas páginas da história pelas melhores razões. E não abrir precedentes perigosos para uma democracia que ainda é nova demais para arriscar a vida. Para já, aguardamos serenamente a explicação que é devida. Sem pressões, mas com justificada expectativa.



Raison de vivre

O centro desta equação, no entanto, está em S. Bento. Está por justificar como se consegue perder tanto tempo - quatro meses - com tantos erros. É que quatro meses num país como Portugal é tempo demasiado.

Hoje, na AR, o mesmo primeiro-ministro resolveu iniciar a sua campanha eleitoral. Procurou explicar porque o Presidente está errado, lançou as primeiras críticas ao seu verdadeiro adversário. Não seria o local certo, nem o melhor timming, mas o discurso foi indiscutivelmente o melhor que se viu neste tempo.

O difícil será, para este primeiro-ministro, convencer o país que não foi ele a governar. Foi o outro, o dos quatro meses perdidos. O difícil será convencer o país que ele, o novo, terá a autoridade que não teve e dará a estabilidade que não soube dar.

Serão dois meses, pouco mais. Muito pouco, mesmo para quem volta finalmente ao seu campo. Pouco tempo, especialmente para quem faz da carreira política a sua 'raison de vivre'.

02 dezembro 2004

Foi só um pesadelo

Eis um take da Lusa de hoje, às 13h14m:

"Santana reúne-se com Sampaio esta tarde
Lisboa, 02 Dez (Lusa) - O primeiro-ministro, Santana Lopes, reúne-se hoje com o Presidente da República, no Palácio de Belém, no habitual encontro semanal de trabalho, disse fonte oficial.
A reunião ocorrerá depois da cerimónia de posse dos secretários de Estado da Juventude e do Desporto, marcada para as 13:00".

O surrealismo assentou arraiais na política portuguesa. LR

30 novembro 2004

Dois meses de festa

Jorge Sampaio decidiu - tentando fazer as pazes com o seu eleitorado sociológico - está decidido.
Nunca o Partido Socialista teve condições tão favoráveis para obter uma maioria absoluta. Uma vitória igual à de António Guterres em 1999 não será uma vitória para José Sócrates.
Veremos se PSD e CDS vão a eleições coligados.
Nos próximos dois meses, Portugal vai assistir a uma das campanhas eleitorais mais violentas de sempre da III República. LR

Esclarecimento

Alguns amigos meus d' "O Acidental" ficaram chateados por eu ter classificado, de forma genérica, o seu blogue de "direita radical".
As minhas desculpas.
Radical é o post "Depois queixem-se" de Paulo Pinto Mascarenhas. Procurar outros culpados pelos erros do Governo, que não o próprio primeiro-ministro ou os restantes governantes, é sintoma de radicalismo. Queixas da agressividade da comunicação social são sintomas de autismo. A argumentação utilizada por PPM tem alguma semelhança com "O Barnabé".
Responsabilizar outros, que não o próprio primeiro-ministro ou os restantes governantes, pela queda do Governo é a mesma coisa que dizer que Paulo Portas ajudou António Guterres a chegar a primeiro-ministro. LR

29 novembro 2004

Uma novela dispensável

A esquerda radical já se conscencializou que Jorge Sampaio não lhes vai fazer a vontade e dissolver a Assembleia da República. A direita radical, deixando-se contagiar pelo histerismo demissionário do BE e do PCP, já começa à procura de culpados.

Mas o que raio aconteceu para tanto barulho? O ministro do Desporto demitiu-se alegando falta de lealdade de Santana Lopes e acusando o primeiro-ministro de ter faltado à verdade. Porquê?
Em primeiro lugar, Lopes nunca chamou Chaves para nenhuma tarefa de coordenação política. Mas se é assim, porque razão Henrique Chaves não saíu na remodelação? Porque lhe garantiram que a sua saída "poderia redundar numa instabilidade interpretável como um irregular funcionamento das instituições", além de que a remodelação só teria sido decidida por Santana Lopes em virtude da pressão de Sampaio para demitir Gomes da Silva. Ora, descobriu Chaves quatro dias depois de ter tomado posse, estas duas explicações eram falsas. Daí a falta de lealdade.

Ou seja, Henrique Chaves foi enganado.

Isso é motivo para que o Presidente da República dissolva a Assembleia da República? Estará em causa o "normal funcionamento das instituições democráticas" que levou Jorge Sampaio a dar posse ao actual Governo? Não.

É certo que este já é o "quinquagésimo sétimo caso" do Executivo de Lopes. É certo que a instabilidade governativa deve-se, em grande medida, à actuação do próprio primeiro-ministro. É certo que Henrique Chaves é (era) próximo de Santana e as suas acusações são graves e produzem um dano político significativo a Lopes. Mas isso significa que Santana Lopes não tem condições para governar? Não. Até ver.

A resposta seria outra caso a coligação governamental estivesse em causa. Nesse cenário, náo haveria outra solução senão a dissolução.

António Guterres foi alvo de duras críticas de Manuel Maria Carrilho quando este se demitiu de ministro da Cultura. Carrilho, como diz o povo, chamou todos os nomes a Guterres. Numa célebre entrevista ao "Público", Carrilho, essa personagem extravagante da política portuguesa, afirmou taxativamente que Guterres não tinha condições para ser primeiro-ministro.

Poder-se-á dizer que os dois casos não são comparáveis, porque Guterres tinha a legitimidade do voto popular. Mas o governo de Santana tem a legitmidade constitucional que lhe foi transmitida quando Jorge Sampaio convidou o PSD a formar o XVI Governo Constitucional em coligação com o CDS.

O Presidente da República é que deveria evitar mais 48 horas de telenovela. Ao não deixar clara a sua posição, de forma a deixar Santana Lopes sob pressão, Sampaio agrava ainda mais o clima de instabilidade. Será que vamos assistir a um remake de Julho? Esperemos que não. LR

Ninguém disse nada ao Zé Luís?

Enquanto em Portugal Henrique Chaves já tinha enviado à Agência Lusa um comunicado em que chamava mentiroso e traidor a Santana Lopes e anunciava que um ministro esteve para ser demitido por Santana Lopes, José Luís Arnaut - "o outro ministro" - estava concentrado na política internacional.
Representando o PSD, Arnaut assistiu ontem à consagração de Nicolas Sarkozy como líder do União para um Movimento Popular e afirmou: "Venho dar-lhe um abraço a ele (Sarkozy) e à mulher Cécile", a quem, segundo a Lusa, reconhece grande papel na assistência ao marido, de quem é assessora de gabinete. O ainda ministro das Cidades elogiou o "voluntarismo" e a "persistência política invulgar", conjungada com um "grande sentido de responsabilidade", do arqui-inimigo de Jacques Chirac, Presidente da República francesa. Arnaut vê como "natural" a ascensão de Sarkozy, considerando "bom para a França e para a Europa que haja partidos fortes, pró-europeus".
Dito de outra forma, Arnaut vê como "natural" a guerra entre o Presidente da República (PR)(Chirac) e o presidente do partido (Sarkozy) que apoia o PR. O facto de tal situação "natural" provocar um aumento da instabilidade governativa da República francesa não o preocupa minimamente.
Em nome da coerência, Pedro Santana Lopes não deveria demitir Arnaut, mas sim nomeá-lo ministro dos Negócios Estrangeiros. Se Bush exporta a democracia, Lopes podia exportar a instabilidade com o seguinte lema: "Como dar cabo de um Governo em menos de 4 meses". LR



A alternativa ainda não chegou

O Governo está em pleno processo de implosão. A demissão de Henrique Chaves limitou-se a acelerar o desmoronamento do Executivo lopista. Santana Lopes bem pode queixar-se da comunicação social e de Cavaco Silva – a quem chamou ontem de “traidor” – que o seu maior inimigo é ele próprio. O seu “political killer instinct” pouco espaço deixa à oposição para inovar na crítica.
E aqui reside a segunda parte da questão. O que o País necessita é de um Governo socialista governado por José Sócrates? O PS está preparado para governar?
Sinceramente, não sei.
Com pouco mais de dois meses como líder, José Sócrates tem feito uma oposição discreta, suave e na qual o próprio secretário-geral do PS aparece pouco. A táctica de resguardo e a recusa em cavalgar as diferentes ondas mediáticas perante os sucessivos casos da governação santanista é, de forma geral, correcta. Ontem, Sócrates voltou a estar bem ao não ir atrás do histerismo demissionário do BE e do PCP.
Contudo, nalguns casos particulares, o comportamento do PS só é compreensível à luz dos compromissos com o Bloco Central dos interesses que nos governa.
Com a situação política a degradar-se de dia para dia, José Sócrates não pode demorar muito mais tempo a apresentar políticas alternativas que sejam sustentadas por caras novas.
A mudança só faz sentido se tiver em conta o futuro e não o passado. Defender uma espécie de guterrismo reciclado não chega para chegar ao poder. É preciso muito mais do que os “Estados Gerais – parte II” ou “Recordar John Kennedy em Lisboa”. LR

"Mas porque é que o Zé Manel se foi embora, Senhor?"

28 novembro 2004

Um Governo no divã

O ministro do Desporto, ex-ministro-adjunto, resolveu sair do Governo acusando um amigo seu de tudo: mentiras, deslealdades, descoordenações na liderança da equipa.

As acusações são graves. Tão graves que deviam ter sido mais detalhadas. Ou guardadas para sempre no silêncio que é próprio da verdadeira amizade.

Hoje mesmo, o primeiro-ministro disse ao país que o seu Governo nasceu numa incumbadora. Hoje, apenas quatro meses depois, o mesmo Governo saiu da incubadora para se remeter ao divâ. Porque só mesmo no psiquiatra se podem atingir as verdadeiras razões de tanto desgoverno.

Da democracia partidária

Escreve o meu amigo M.S., no seu corajoso Mau Tempo, que o PCP não tolera a democracia interna.

Errado, por defeito. Tu sabes, eu sei, tu sabes que eu sei, que nenhum partido político, como nenhum clube de futebol (por cá, mas não só) é verdadeiramente democrático. Isso é assim, como também é verdade que sem eles (sem os partidos) não haveria democracia. Por cá, mas não só.

É um paradoxo, neste caso absulutamente central no sistema que foi tão bem classificado por Churchill. Lembras-te?

Abraços.
É bom estar de volta.

27 novembro 2004

Aos meus amigos...

...uma boa nova:
após uma semana difícil consegui, finalmente, instalar internet em casa.

Hoje, a esta hora, começa uma nova era. Profissional e bloguítica (há um espaço com este nome, não há?). Novas responsabilidades, mais empenhamento, maior atenção e ponderação.

Abraços para todos (mesmo para os críticos). Contactamos amanhã.



26 novembro 2004

O Natal chegou mais cedo para Sócrates

O Natal, para além da dimensão religiosa, tem uma dimensão materialista. Caracteriza-se pelo facto de recebermos presentes sem nada termos feito para os merecer.

O DN de hoje anuncia a primeira projecção de maioria absoluta do PS.

Para Sócrates isto é o Natal em Novembro.

Os Portugueses estão a dar-lhe um presente sem ele ter feito nada, ainda, para o receber.

Esperemos que os Portugueses não sejam o Pai Natal ou o menino Jesus e necessitem de mais algumas justificações do que a bondade da época, para pôr presentes no sapatinho esquerdo do país.

Tudo de bom

25 novembro 2004

E tudo o vento levou…

A democracia não é um sistema perfeito. Até as pessoas mais bem intencionadas ficam deslumbradas com o poder. É o caso de Paulo Pinto Mascarenhas (PPM) e de José Bourbon Ribeiro (JBR).
A propósito de uma crítica moderada de Pedro Mexia ao CDS/PP de Paulo Portas, PPM e JBR, respectivamente assessor do ministro de Estado e chefe de gabinete do ministro de Estado, resolveram importar hábitos de outras paragens: atacar o crítico e não os argumentos de quem critica. Um comportamento estalinista, portanto.
PPM considera que Paulo Portas não fez nada de mal. Que ingénuo!
JBR não usa paninhos quentes e classifica Mexia como um velho rabugento que não tem lealdade orgânica. “Lealdade orgânica?!!!!!! Nem o Barnabé Daniel Oliveira se lembraria de melhor…
PPM foi jornalista do Independente durante, salvo erro, mais de 10 anos. JBR trabalhou na mesma redacção durante muito menos tempo. Ambos defenderam e praticaram um jornalismo agressivo de contra-poder. Hoje queixam-se do mesmo tipo de jornalismo – porquê, Senhor!!!!!! - que Paulo Portas lhes incutiu no sangue. Surprise, suprise, surprise! Só um comentário: Deus é justo.

Mas Pedro Mexia tem razão. O Paulo Portas político não tem nada a ver com o Paulo Portas jornalista. Mudou a cenografia e substituiu as convicções de outrora.
Portas jornalista era conservador nos valores e liberal no juízo de comportamentos sociais. Paulo Portas político é dogmático nos valores e moralista no juízo de comportamentos sociais. Por isso tem a bandeira da criminalização do aborto junto ao seu coração de actor.
Portas jornalista era profundamente anti-federalista. Portas político fez uma pirueta para entrar para o “arco governativo”, dando de seguida uma cambalhota para se manter no poder. Na semana passada chegou ao desplante de afirmar que o Tratado Constitucional não traz nada de novo. É “Constitucional”, não é? Sobrepõe-se à Constituição, não é? Ora aí está uma novidade. Mas há mais. É só ler o texto.

No actual Governo, dos ministros nomeados pelo CDS/PP, apenas Paulo Portas se destaca com o bom trabalho que tem vindo a fazer no Ministério da Defesa. Dos outros, pouco resta. Até Bagão Félix está em risco de perder a credibilidade que acumulou como ministro do Trabalho. Luís Nobre Guedes começou bem com o caso GALP/Matosinhos, mas ainda é cedo para avaliações, tantos são os interesses poderosos instalados no seu sector. Telmo Correia está desaparecido e só retive uma vaga aposta em campos de golfe para combater a sazonalidade do Algarve…
Em 2006 ou mais cedo, será o CDS/PP que estará em causa. Porque Portas político terá sempre safa. LR

23 novembro 2004

Um elogio ao P(aulo) P(ortas)

A personagem Paulo Portas é deveras intrigante. Não é que eu goste particularmente dele – num votei no sujeito e acredito nunca o fazer –, mas a figura tem méritos e qualidades que se situam acima da mediania da distinta classe política nacional.

Vem isto a propósito da entrevista do actual ministro à revista Sábado – um abraço para o Nuno Saraiva, um grande sportinguista, e outro para o Vítor Matos –, em que revelou mais uma vez toda a dimensão da personagem que criou. Paulo Portas não é Paulo Portas, é a criação de uma figura paradoxal. Um homem que se diz monárquico e conservador, com uma indumentária polida e pensada ao pormenor, mas solteiro e bom rapaz.

Ele próprio reconhece esta “dupla personalidade”, quando concorda com a análise do seu amigo Miguel Esteves Cardoso sobre a dissonância entre a figura no privado e a imagem pública da mesma.

Desta forma, não posso fazer uma avaliação do verdadeiro Paulo Portas porque não o conheço. Mas o julgamento do político é possível pelos seus resultados. Afinal é o que interessa e o resto é paisagem.

Portas fundou O Independente que foi uma pedrada no charco do politicamente correcto da altura e que marcou uma geração. Além disto, foi um projecto político de sucesso no combate ao cavaquismo – o notável professor que o diga.

Depois construiu e destruiu um figurante político denominado Manuel Monteiro. De seguida, pegou no CDS e aniquilou-o para fundar o “seu” PP. E o PP é mesmo dele e só existe por ele e para ele e, provavelmente, acabará sem ele. PP não significa Partido Popular, mas sim Paulo Portas.

A personagem já foi dada como morta e enterrada várias vezes –, por exemplo, no âmbito do caso Moderna ou após as últimas autárquicas – e, qual Fénix, renasceu sempre para dar dores de cabeça a muita gente. Afirmou que chegaria ao poder e muitos riram-se. Agora aturam-no na pasta da Defesa.

E a seguir? Não sei porque não tenho os poderes do oráculo. Contudo, há um erro que não cometo: subestimar a personagem política Paulo Portas.

Abraços

P.S. – Num país em que, infelizmente, não há o hábito de fazer biografias políticas, eu gostaria de fazer a do PP, particular e político.

22 novembro 2004

Com uma pergunta destas como é que os Federalistas não hão-de andar exultantes

Se o Presidente da República nada tiver a dizer nos próximos 8 dias a primeira batalha da Guerra da Constituição será ganha pelos partidários do "Sim à Constituição".

O
texto da pergunta a efectuar no referendo, resultante do acordo entre PS e PSD, é perfeitamente incompreensível e parece mais um título do jornal "A Capital" nesta sua fase "Osoriana"(A página inteira de hoje é de morte...e não é humor negro) do que uma questão simples, directa, concisa e objectiva, como se impõe!!!!

Das 2, uma:
1. Acolhem a proposta de Jorge Miranda (RTP, Telejornal, 6ªfeira passada) da existência de uma única pergunta no texto com uma formulação canónica, ou
2. Aproveitam para colocar na mesma pergunta todas aquelas questões que andam há séculos para ser aprovadas e ninguém tem coragem para aprovar

Por nós, e para o debate, sugerimos que a formulação a constar seja a seguinte:

"Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa, com a criação do Concelho de Canas de Senhorim, com o Perdão Fiscal das Dívidas de todos os Clubes de Futebol, com a concessão incondicional e definitiva dos hospitais-empresa a entidades privadas, com a aclamação e entronização de D. Afonso como Rei de Portugal, com a expulsão do José Peseiro do Sporting, com a inclusão nos menus escolares de todas as escolas do primeiro ciclo a norte do Guadiana de um prato semanal de morcela de arroz com Ananás dos Açores?"

NB.: O tamanho do corpo de letra da pergunta é federalista e é, obviamente, propositado!!!


Tudo de Bom



Soares

Eu gosto de Mário Soares. Não só por ter lutado em 75 contra os comunistas e os barnabés como também pelo simples facto de ser um bom burguês português. O facto de ter liderado o PS até 1986 impediu que os esquerdistas do Verão Quente tenham alcançado mais cedo o poder interno socialista. Com Soares, o PS foi um rival, mas nunca um inimigo do centro-direita sociológico.
Mas como bom burguês, Mário Soares também tem direito ao disparate. Afirmar que se não fosse a entrada para a União Europeia, já teriamos tido um golpe militar, é uma patetice. Este tipo de argumentação para defender o “sim” no referendo não passa de demagogia barata.
Mas demonstra que os federalistas já começam a ter receio do referendo. Por esta blogosfera fora, federalistas assumidos já pensam em votar “não” depois de conhecerem a enigmática pergunta acordada pelo Bloco Central. A chuva de críticas à questão que o Tribunal Constitcional terá que apreciar solidificou as minhas dúvidas quanto à realização de um referendo. Não acredito que o Bloco Central aceite uma consulta popular, se a vitória garantida do “sim” português correr o risco de se transformar numa vitória tangencial. Vamos ver, David. LR

O primeiro dia de Barroso

Para a posteridade, o dia de hoje vai ficar marcado nas agendas da história como o primeiro de Durão Barroso à frente dos destinos da Comissão Europeia. A sua agenda está longe de ser fácil: tem a reforma da Agenda de Lisboa, na qual se inclui a reformulação do Pacto de Estabilidade e Crescimento; o processo negocial no novo Quadro Comunitário de Apoio; as relações com os Estados Unidos e o combate ao terrorismo e, por último mas não menos importante, o processo da Constituição Europeia.

Eu pretendo dar a minha ajuda para dificultar a vida de Durão Barroso votando no “não” no próximo referendo sobre a Constituição Europeia.

A Mafalda deu cabo do nosso primeiro exclusivo

Pronto. A Mafalda Mendes de Almeida prometeu e cumpriu. O sketch de Santanek e Fiona Portas foi para o ar ontem à noite na íntegra e sem interrupções técnicas pelo meio. E o nosso primeiro exclusivo lá foi à vida.
Será que alguém avisa o dr. Nuno que já não é necessário chamar a PJ para fechar as portas d'O Insubmisso?
A recuperação da credibilidade do "Telejornal" já é uma tarefa que lhe dá muito trabalho. LR

Fim-de-semana de empatas II

Benfica e Sporting vivem situações bem mais complicadas. Os encarnados continuam com problemas financeiros e têm um plantel desequilibrado, particularmente no meio campo, mas tem um grande treinador. Giovanni Trapattoni é um grande senhor do futebol europeu, com um currículo que fala por si. Tem apenas a infelicidade de treinar um clube que não está à sua altura.
Deixei para último o meu Sporting porque é o caso mais complicado. Um passivo de mais de 400 milhões de euros, uma equipa com graves lacunas – faltam laterais, extremos, um guarda-redes de nível europeu e um “matador” – e um treinador próprio do Nacional da Madeira. José Peseiro já provou que não tem unhas para tocar aquela guitarra, particularmente ao nível psicológico. Quem ouviu as declarações de Peseiro e Cajuda no final do jogo em Aveiro, não notou diferenças entre os dois. Esse é o problema. José Peseiro tem a atitude própria de um clube que joga para não descer de divisão e falta-lhe dimensão para levar uma equipa ao título.

Por tudo isto, o Porto, mesmo uns furos abaixo do que é habitual, vai, muito provavelmente, limpar o campeonato. Qual é a lição? O futebol é muito mais do que refilar com o sistema. Há muito a aprender ao nível da gestão, sobretudo dos recursos humanos. E ninguém se lembrou disto para os lados de Alvalade.

Duas notas finais. Uma positiva para Carlos Brito, técnico do Rio Ave. Tem uma carreira muito promissora pela frente. Uma negativa para a arbitragem no estádio do Dragão, mais uma a prejudicar o espectáculo. Mas voltarei a este assunto em outra ocasião.

Abraços

Fim-de-semana de empatas I

  1. O Sporting e o Benfica perderam este fim-de-semana a oportunidade de devolverem maior emotividade à Liga, aproveitando a derrota do FCP, no Dragão, perante o Boavista, em mais um jogo do campeonato com os senhores do apito em grande evidência.
    Os empates de Sporting e Benfica – pior este último, uma vez que jogou em casa – dão uma falsa ideia de maior competitividade no futebol português. Ao contrário do que poderá parecer, não há uma aproximação do nível médio das várias equipas, mas, pura e simplesmente, crises nos ditos grandes. Benfica, Sporting e Porto já viveram melhores dias e o futebol que praticam está aí para o provar.
  2. Ainda assim, estas crises não são homogéneas, têm graus e abrangências diferentes. E o Porto, mais uma vez graças ao trabalho do seu Presidente, tem a posição menos má. As contas estão equilibradas com a venda de Ricardo Carvalho, Deco e companhia, jogadores fundamentais nos últimos sucessos do clube, mas que foram substituídos por outros com nível suficiente para garantirem vitórias no campeonato nacional, casos de Pepe, Diego ou Luís Fabiano.
    Desta forma, os problemas dos azuis e brancos residem apenas no treinador e em expectativas demasiado elevadas. Ou seja, o clube continua órfão de José Mourinho e vai continuar assim por muito tempo, porque o actual treinador do Chelsea é de outra galáxia. E Fernandez não tem metade das qualidades de Mourinho. Por outro lado, os adeptos habituaram-se a um patamar de vitórias insustentável para qualquer clube português. Nenhuma equipa portuguesa tem possibilidades financeiras e organizativas para lutar pela vitória nas provas da UEFA. O que aconteceu ao FCP nos últimos dois anos foi um grande feito, que dificilmente se repetirá nas próximas décadas.

19 novembro 2004

Um elogio merecido ao referendo

Eu sei que ninguém gosta, sei que ninguém percebe, sei até que todos acham ridícula. Eu, por mim, estou feliz com a aprovação de uma pergunta para que se possa votar, em referendo, a Constituição Europeia. Mais, para que eu possa votar "sim" nesse referendo.

Vejam bem que até fiquei feliz com a aparente boa vontade dos partidos políticos neste processo. PSD, PS e CDS concordaram numa pergunta; procuraram que esta não fosse (pelo menos claramente) inconstitucional; e ainda - desculpem lá os eurocépticos - deram um sinal de que se empenharão na luta pelo "sim". Quando vejo uma pergunta que começa com a carta dos direitos fundamentais, só posso pensar que a pergunta foi feita para um "sim" - mesmo que um "sim" politicamente correcto (o que me agrada menos, como calculam).

Dito isto, e para ser honesto, uma referência ao que me desagrada neste assunto: desagrada-me a democracia referendária - ainda que esta seja importante, admito, para que os velhos do restelo deixem de incomodar o país com questões polémicas;
desagrada-me que a pergunta não se perceba, sendo que a culpa é apenas, e só, de quem faz revisões constitucionais sem sentido, ignorando o que o tem;
desagrada-me também que todos digam que a pergunta é importantíssima, quando todos sabem que é a nossa integração europeia que vai a votos e que terá se ser legitimada. Andam há anos a queixar-se disso, agora nada a fazer.

A polémica, esta e não as inúteis, é bem recebida no Insubmisso.



Resposta à arrogância

Os esquerdistas portugueses costumam ter um problema comum: a arrogância. Pensam também que ao nascerem lhes foi revelado o único caminho possível para a verdade absoluta. Por isso mesmo é que têm problemas com quem pensa de forma diferente. A democracia, muitas vezes, é um conceito que lhes é estranho.

O António Mira é um amigo e um académico respeitado, que tem todo o nosso apoio numa altura em que foi insultado por escrever a sua opinião com base em informação válida que foi publicada noutros órgãos de comunicação social.

O JPH irritou-se. Costuma acontecer com frequência. É bom que isso aconteça. É sinal que está vivo e participativo na vida da nossa comunidade.
O problema é que resolveu partir para o insulto fácil e extemporâneo, sem pensar antes de escrever.
No teu jornal tens uma secção chamada "Pessoas" - salvo erro - em que é abordada quase em exclusivo a vida privada de gente mais e menos célebre. Isso sim é mais um sucedâneo do "Dantas". Uma só pergunta: será que o João Pedro alguma vez escreveu ou contribuiu algumas linhas nessa secção?

Desiludam-se, portanto, aqueles que pensam que o David Dinis - é com "s" não com "z" - e o Luís Rosa praticam ou pactuam com actos de censura. Esses actos ficam com quem os pratica.

Luís Rosa, David Dinis e Bruno Proença

O Alentejo tem coisas muito boas

Há uma coisa em Oeiras chamada "Oeiras Parque".

Não conhecia, mas passei a ter uma razão para lá ir...encher o bandulho.

Há um restaurante alentejano por aquelas paragens.

Lá come-se:
"salada de favinhas"
"paio de estremoz"
"medalhões de porco preto com bacon e castanhas".
"sericaia"

É preferível ir lá jantar porque ao almoço transborda.

Não é o "Fialho" mas a cozinheira é de lá...de Évora.

Procurem a dita casa e peçam o menu de degustação e vão pensar que não estão num centro comercial.

Tudo de bom

Os federalistas acordaram hoje bem dispostos

Resposta a um tal de JPH de um blog chamado "gloria facil"

Queira considerar V. Exa. o seguinte.

1. O blog "o insubmisso" também é deste energúmeno que lança boatos chamado António Mira
2. Canalha e mentiroso não são palavras redundantes
3. A jornalista a quem acusam de ter tido um affair com alguém de poder chama-se Rosa Veloso e parte da informação vem num pasquim chamado "Público" e num periódico de cordel chamado "Visão", e o resto da informação foi-me fornecida por uma jornalista da RTP afastada desde há um tempo dos grandes programas e que passa fins-de-semana fora de Lisboa perto de mim.
4. Quanto às sondagens para os cargos de Direcção de Informação da RTP foram efectuadas por pessoas ligadas a Nuno Morais Sarmento e a Almerindo Marques e por outras ligadas ao jovem administrador vindo da Missão Portugal, da Altamira e da EuroRSCG chamado Gonçalo qualquer coisa. As sondagens foram efectuadas junto de pessoas minhas conhecidas nas agências Unimagem, JLM e Associados e LPM. Se quiser os dias e as horas também lhe forneço. Todas as pessoas recusaram e tiveram, os responsáveis da RTP, que recorrer a pessoas da casa para não provocar convulsões no conturbado ambiente da comunicação social poruguesa
5. V. Exa. é ignorante e mal informado como o Scolari
6. Quando V. Exa se quiser irritar, não se irrite com o Luís e com o David que são excelentes pessoas e jornalistas e irrite-se directamente comigo.
7. Para terminar, e parafraseando Natália Correia e Pinheiro de Azevedo, ..."Vá badamerda!!"

Tudo de bom

17 novembro 2004

O orçamento e as surpresas do PS

O debate sobre o orçamento começou com um PS surpreendente.
Surpreendente?! Sim, por duas razões:

José Sócrates resolveu assumir uma posição politicamente incorrecta e afirmar-se contra descidas de impostos numa altura em que a situação orçamental não é estável.
É uma posição pouco natural, vinda de quem, ainda em 2000, aprovou em conselho de ministros uma redução de IRS precisamente quando o ciclo económico entrou em baixa;
É uma posição pouco natural, num PS que andou dois anos a protestar contra um Governo que reduzia o IRC, quando - dizia esse PS - devia dar prioridade às pessoas e não às empresas;
É uma posição pouco natural num líder partidário que procura o seu espaço de afirmação política num contexto que o pode, a breve prazo, levar ao poder.

Por tudo isto, a posição de Sócrates, apesar de pouco natural, é salutar. Mesmo que não seja mais do que uma opção conjuntural (ser contra este Governo), esta decisão do líder socialista produzirá efeitos no futuro. Responsabiliza-o. E isso é bom.

2º. Mas a posição do PS é também surpreendente por outra razão: é que, nos anos que passaram, este mesmo PS resolveu votar contra dois orçamentos por serem, precisamente, expansionistas. Tem mais investimento, é menos centrado no estímulo às exportações e mais no consumo, é, afinal, o orçamento que marca o fim da austeridade. Por tudo isto, o natural seria que o PS não votasse contra - se na política existisse alguma coisa natural. Não existe.

3., e concluindo:
Com dois sinais difusos, este PS resolve votar contra o OE.
Não sabemos ainda se o faz porque mudou, ou simplesmente porque nunca mudará.



The Gift e A Naifa

Durante algum tempo a região do Oeste viveu com o pesadelo de ter como única figura notada na Comunicação Social essa pérola do Bombarral chamada "Feliciano Duarte Barreiras".

Felizmente há os The Gift (Alcobaça Power!!!)... e estão de regresso.

Vão lançar novo disco com o título "AM/FM".

Para aqueles que vibraram com "The Gift" e se desiludiram com o "The Film", como eu, aqui fica o "coming back"!!!.

Senti-me invadido por uma alegria de adolescente ao ouvir ontem o disco em pré-audição (só sai a 29). "Wallpaper" e "77" sairam muito bem. Boa produção e boas misturas (Note-se que no lado FM são exageradas as colagens ao electronismo revivalista que os aproximam dos New Order...pena). A Sónia tem provavelmente a voz mais sensual do país...uma voz que faz cócegas no ouvido interno.

Os The Gift vão apresentar o disco no dia 20 em......Londres.

A Naifa é um projecto e peca por isso mesmo...está ainda minado pelo espírito . Tem, no entanto, potencial para se tornar algo mais. Para os mais desatentos este é a nova banda de Varatojo (ex-Peste&Sida e ex-Despe& Siga) e Aguardela (ex-Sitiados e "Mais qualquer coisa profundamente insolvente").

Vale a pena ouvir.

E depois de dito isto é bom saber que esta região tem mais para oferecer à música do que essa anedota chamada "Gomo" (Gomo, Toranja...a moda foi dos citrinos no Verão passado...citrinos estes que não eram mais do que a versão musical da Margarida Rebelo PInto!!!).


Tudo de bom e aproveitem estas dicas no dia do meu aniversário



16 novembro 2004

Já não há coligação

"Não durou dois dias. O Congresso acabou domingo a meio da tarde e hoje, terça-feira, está completamente desfeito qualquer efeito positivo que pudesse ter saído do encontro para Santana e sua gente.«Verdade» e «Confiança», nem a brincar, foram os slogans dos três dias barcelenses. Como se vê, muito apropriados. O que PSL quer é que confiemos nele, mas como se nem eles confiam uns nos outros. Sarmento desconfia dos santanistas, que por sua vez não confiam de todo no ministro da Presidência. Os santanistas (Gomes da Silva, H. Chaves, o tal Almeida, Pedro Pinto) não são personagens particularmente qualificados e no partido ninguém os grama verdadeiramente.Nesta altura, Santana e Portas bem podem almoçar juntos rodelinhas de laranja. Bem podem ir de mão dada a bordo de uma lancha para a Sagres. Bem podem consumar o enlace como Santanek e Fiona no Contra-Informação. Bem podem tudo isso e muito mais, mas a coligação está morta, condenada e enterrada. Minada por uma desconfiança crescente e que não tem retorno. Nem se trata da relação pessoal entre PSL e PP. É dos partidos (militantes e generalidade dos dirigentes) que falamos.Para o PSD isto até dava jeito se, simplesmente, estivesse a governar bem. Iamos para eleições e era confiar na «inteligência emocional» e no «carisma» do homem-do-gel. Mas com o desastre diário absoluto que é este XVI Governo (já não fazem uma asneira por semana. Agora são várias e, às vezes, até mais que uma no mesmo dia) levam uma banhada nas urnas.E, para nosso contínuo desastre, quem aí vem são figuras altíssimas como o sr. Vara, a dra. Edite ou o autarca Raposo. Liderados por um «animal feroz». MS in "Mau Tempo"