04 março 2005

Resposta a PAS

Caro Pedro Adão e Silva

As questões que colocas no teu comentário ao post "O Relativismo das Analogias" são muito interessantes.
1 - Para avançarmos na discussão, não está em causa, volto a repetir, a legitimidade das ironias ou dos sarcasmos sobre o Papa ou sobre a Igreja. A liberdade de expressão aplica-se também aos temas religiosos. O que eu critico é a ironia ou o sarcasmo sobre a situação clínica de uma pessoa que está a morrer. Tu concordas com o PM, já que não consegues separar o "Papa" do "Karol Wojtyla". Tu lá sabes. Ponto final parágrafo.

2 - Afirmas existirem "muitas razões para este Papa ser alvo de combate político". Isto vale a pena discutirmos. Desde logo, porque consideras que um líder religioso deva ser alvo de "combate político". É certo que o Vaticano é um Estado soberano - reconhecido enquanto tal, de forma ininterrupta, desde 11 Fevereiro de 1929 depois do Tratado de Latrão assinado entre Mussolini e o Papa Pio XI ter reconhecido a soberania da Santa Sé sobre o Vaticano -, mas com características muito especiais. O chefe de Estado do Vaticano é o líder da Igreja Católica Apostólica Romana, é o líder espiritual de uma Igreja, não é um líder político, não é um representante do povo.
"Combater politicamente" os dogmas da Igreja Católica significa, caro Pedro, regressar aos tempos da I República e do PREC, onde o "ópio religioso" foi alvo de perseguição fanática.
As orientações da Igreja actual são de ordem moral e não de ordem política. A Igreja, por exemplo, defende que a melhor forma de combater a SIDA é praticar a castidade, condenando, ao mesmo tempo, a utilização de métodos contraceptivos. Estes dois dogmas da Igreja Católica são orientações morais e estão interligados a valores como a virgindade até ao casamento, a fidelidade entre marido e mulher e a defesa do valor da vida.
A adesão à Igreja Católica é livre. Ninguém está obrigado a seguir os seus dogmas. Muito menos os que não são católicos.
Responsabilizar a Igreja Católica pela propagação sexual da SIDA, como é a opinião de PAS, é a mesma coisa que dizer que o Estado português é responsável por todos os mortos que se verificaram nas estradas portuguesas. A Igreja não impõe o seu estilo de vida a ninguém. Os católicos seguem as regras da Igreja por sua livre e espontânea vontade.
A polémica com o padre Serras Pereira é disso mesmo exemplo. Este padre tomou uma decisão com base numa determinada leitura do direito canónico. Essa leitura é legítima. O católico que não concordar com ele, como eu, tem uma solução simples: vai comungar a outra paróquia. Quem não é católico tem uma solução ainda mais simples: continua não católico.

3 - Deixas implícito que defender a castidade como melhor forma de combater a transmissão sexual do vírus da SIDA, e não a defesa da utilização do preservativo, é uma forma de violência comparável às "omissões" de Arafat sobre os atentados bombistas de facções da OLP. Lamento, meu caro, mas permitir que terroristas pertençam a uma organização por si liderada, faz com que Arafat tenha sido cúmplice do terrorismo palestiniano. Pôr bombas é diferente de defender valores morais como a castidade. A castidade não mata ninguém.

4 - A Igreja Católica é uma instituição conservadora. Não modifica os seus valores morais ao sabor dos ventos. Pessoalmente, defendo uma actualização de certos valores, como por exemplo a entrada das mulheres para o sacerdósio ou a possibilidade de utilização do preservativo em defesa da própria vida. Mas compreendo que a Igreja Católica, enquanto instituição secular, pense bem antes de actualizar seja o que for.

5 - A questão do aborto é diferente. Em Portugal, o aborto é proibido, com excepções devidamente definidas por lei da República. A sua alteração implica realmente um combate político. Mas entre as forças partidárias e cívicas. A Igreja Católica não é protagonista desse combate, mas sim os cidadãos, que professam ou não a religião católica. LR

Nem escudo, nem moeda boa

Manuela Ferreira Leite anunciou hoje que não será candidata à liderança do PSD.
Já tínhamos perdido o escudo, agora lá se foi a moeda boa.
Acho que a melhor reacção, no primeiro e segundo caso, é esta: moedas passadas não movem moínhos. O país fica entregue, assim, a quem realmente o merece.

Pensamento profundo da semana

"Nós estamos a escrever 'o Santana Lopes e tal...', mas, lá está, só estamos a pensar em mamas".
José Diogo Quintela.
GQ

03 março 2005

Não sei porquê...

...tenho a ideia que muitos e bons jacobinos acham boa notícia a manchete de hoje do Público. Ou será impressão minha?

02 março 2005

O relativismo das analogias

1 - O Pedro Machado (PM) caíu num equívoco comum a todos os esquerdistas: ser de direita é ser fascista. Ou melhor, criticar o humor esquerdista e jacobino é defender a "polícia" dos bons "costumes".
Trinta anos depois do 25 Abril ainda muitos esquerdistas consideram que ser democrata é...ser...de...esquerda... Coitados. Necessitam de mais 30 anos para apreenderem os conceitos básicos da democracia representativa.
PM diz ainda que apelei à insurreição alheia. Errado, mais uma vez. Limitei-me a perguntar - colocando a interrogação a uma pessoa que conheço e considero no País Relativo - se concordava com o sentido de humor de PM. Constato que até hoje Pedro Adão e Silva permanece em silêncio. Se bem o conheço, deve estar incomodado com o humor jacobino do seu colega de blogue.
PM aconselha-me, porém, a olhar para dentro de casa, remetendo-me para um post do António Mira. Fico contente por PM ter ficado 60 minuto no Insubmisso a pesquisar. Fez bem. Pode ser , embora não acredite muito, que tenha aprendido alguma coisa.
António Mira tem um estilo. Eu tenho outro. São diferentes, graças a Deus. Se fossem iguais, o Insubmisso seria uma grande chatice. Aqui defendemos e promovemos a pluralidade. Lamento, mas não somos a favor a igualdade de pensamento.
Por muito que isso custe a PM, o Papa João Paulo II nunca defendeu a violência, como Yasser Arafat fez. O Papa não defendeu nem praticou a guerra contra os seus adversários. A Igreja não considera o terrorismo como uma solução para os problemas políticos, ao contrário da OLP liderada por Arafat.
Lamento que o ateísmo e o jacobinismo sejam tão cegos. Comparar o Papa a Arafat não lembra ao diabo! Quem defende a violência não pode esperar compaixão dos restantes seres humanos.

2 - PM resolveu gozar, de forma idiota, volto a repetir, com a doença de um homem que está a morrer. Teve a boa companhia do Nuno Sousa e do Rui Tavares do Barnabé. (Já agora, aconselho a PM uma pequena visita aos comentários que os leitores do Barnabé fizeram aos posts do NS e do RT. Constatará que os "polícias dos costumes" invadiram a esquerda)
O homem idoso em questão, por acaso, é Papa. Mas não é isso que está em questão. Sou católico, mas não me choca que crentes e não crentes brinquem e provoquem a Igreja. That´s not the point.
O humanismo mais básico, o respeito pela vida mais elementar, assenta, por exemplo, no respeito que uma pessoa moribunda deve merecer de todos os seres humanos razoáveis. Só os cobardes infringem esta regra da vida em sociedade. PM, tal como Nuno Sousa e Rui Tavares, parece ser um deles. LR

“Coçadores de Tomates” (ou “O Lastro que Afunda o Barco”)

Existem por todo o lado. Das micro às macro estruturas eles estão sempre lá. Tomando como exemplo conceptual a ideia do nosso velho amigo de que podíamos ser uma jangada de pedra, seria o lastro que mais cedo ou mais tarde nos levaria ao fundo do mar, arrastando com ele toda a tripulação que se esforça para manter a mesma jangada à tona de água.

Já tive contacto com alguns e ouvi histórias de outros tantos. Sim, falo deles, de vós ó miseráveis coçadores de tomates que povoam as empresas, os governos as câmaras municipais ou qualquer outra estrutura (des)oraginazada em Portugal. São pessoas (estou a ser simpático em não classificá-los meramente como filhos da puta) que algures no tempo asseguraram um lugar ao sol, digo um farto ordenado muito acima da média e que a dada altura das suas vidas resolveram não fazer mais a ponta de um corno.

Assisti recentemente a um caso numa empresa onde trabalhei em que foram despedidos cinco funcionários numa estratégia de contenção de despesas. Cada um desses miseráveis (no entanto honrados, pois faziam render mais do dobro de cada cêntimo que lhe era pago) ganhava pouco mais de quinhentos euros por mês. No entanto três outros elementos foram poupados, sendo que cada um ganha à volta de três mil (!!!) euros por mês, desempenhando funções tecnicamente extintas pela mesma empresa há mais de um ano. No fundo o seu trabalho consistia em roçar o cu numas cadeiras com umas folhas A4 numa mão e uma caneta bic na outra. No fim do dia parece que quanto mais cadeiras tivessem sido aquecidas pelos seus cus e mais folhas A4 fossem passeadas pelos corredores, mais justificavam os brilhantes ordenados.

Exímios na arte da graxa, provavelmente alguns na do broche, têm como grande vantagem inata a fabulosa capacidade de dissimular o seu dolce fare niente, tornando-o facilmente invisível devido à grande incompetência com que são dirigidas as estruturas ou “barcos” que refiro desde o início. É-lhes muito fácil perceber quem são os otários que os rodeiam e manipulá-los directa ou indirectamente a seu favor. São uns queridos para a chefia (embora muita da chefia faça parte do clube, o que facilita as coisas) e normalmente uns cabrões inqualificáveis para aqueles que lhes ficam por baixo. Mais tarde ou mais cedo, adquirem uma postura de arrogantes donos do mundo, que é evidente quer na estrada, onde conduzem ferozmente os seus bólides com combustível financiado pela empresa, quer num restaurante, onde descem pelo lado boçal das atitudes noveau riche ou ainda nas discotecas, onde partem do principio que as mulheres são todas umas putas e conseguem sentir o cheiro das suas gordas contas bancárias.

É a todos eles (e elas, mas torna-se muito complicado classificá-las porque não têm tomates e isso deixa-me louco de raiva porque não sei o que lhes hei-de chamar) que dedico este texto, sendo que para mim, o que se devia fazer era cortar-lhes os tomates em cima de uns palanques na Praça do Comércio e vende-los aos espanhóis ou quaisquer outros grandes exportadores de carne do porco pelo preço que os mesmos custaram ao nosso país.

E atenção, isto sou eu só a aquecer!

Anarcatólico.

Acabou-se a festança?

Diz hoje o Jornal de Negócios que, afinal, a Dona Constança acabou com a festança. Exacto: que António Vitorino não quer ir para o Governo, trocando-o por uma firma de advogados, e até já o decidiu “há muito tempo”.

A ser verdade - repito, a ser verdade - o dr. Vitorino merece desde logo um primeiro trabalho, no seu novo emprego: defender a Dona Constança de um processo público por publicidade enganosa.

É que a mesma Dona Constança andou pelo país, durante dois meses inteirinhos a dizer que era coordenadora do programa eleitoral do PS, a dizer que a sua entrada no Governo dependia do secretário-geral do partido, a receber, sem sinais de recusa, apelos veementes de Mário Soares para aceitar o desafio, até a encabeçar uma lista do PS, em Setúbal. Para mais, a Dona Constança, avisada e conselheira que é, até explicou que o Governo não seria feito na comunicação social. “Habituem-se”, disse.

Então, dois meses depois de deixar os portugueses na expectativa do seu regresso, a Dona Constança abandona a festança? Aguardemos, então, pelas decisões. É que, até aqui, o silêncio de Sócrates está a revelar-se sábio. Esperemos que não seja por uma má razão.


P.S. Eu, que nada tenho de simpatizante de Santana Lopes, estranho a diferença de tratamento entre o ainda líder do PSD e o próximo primeiro-ministro. Não é que, esta manhã, as rádios ignoraram esta notícia? Até mesmo a Sic-Notícias, que ontem à meia-noite adiantava a notícia em primeira mão? Fosse com Santana Lopes e o arraso seria generalizado. Isso é certo.

01 março 2005

Outro jacobino idiota

Hoje é o dia do jacobinismo. Depois do PM - M é de "Machado" e não de "Martins", como erradamente escrevi - do País Relativo, seguiu-se Nuno Sousa do Barnabé. Esta é a piada: "O Papa já bebe sozinho por uma palhinha. Os médicos estão em crer que, a partir de amanhã, poderá começar a gatinhar sem amparo alheio. Aguardamos ansiosos". Uau!!! Palmas, muitas palmas para o sucessor do Jerry Seinfield! Onde estão os produtores da SIC Radical para descobrirem este novo talento do humor português?
Ao menos, o rapazinho Sousa é intelectualmente mais honesto. Diz ele que não gosta da personagem do Papa. Porquê? Porque "a sua acção não tem sido de molde a facilitar a vida a milhares de miseráveis por esse mundo fora, em países sub-desenvolvidos onde a Sida e outras misérias, desde logo a económica, não se podem combater com doutrinas que rejeitam e condenam o uso do preservativo, por exemplo." Boa!
Sabem que mais? Acho que a Durex e a Control deviam encher África de fábricas de latex. O desenvolvimento económico africano agradece.
Mas o Sousa não deseja mal ao Papa. Pelo contrário. Apesar de ser o principal responsável pela propagação da SIDA, até deseja que o senhor melhore. Ainda bem! Já tem entrada directa no reino do Céu! Os seus pais suspiraram de alivio pela sua alma!
A debilidade física do Papa, conclui o barnabé de serviço, não deve ser explorada. Isso é que repugna o nosso rapazinho...
Para compor o ramalhete, o Tavares respondeu assim aos ínumeros protestos dos leitores do Barnabé: "Calma, pessoal! Não há nada para ver – são só os nossos talibãs. Gostam de apedrejar, como os pagãos a São Barnabé". Viva o Barnabé! Programa de televisão, já! LR

Um jacobino idiota

Um palerma chamado Pedro Martins (PM) resolveu "abrir" a sua inexistente veia humoristica para gozar com a situação clínica do Papa João Paulo II: "Ainda há esperança para a reprodução""O Vaticano já defende a respiração assistida". Gostaria de saber se PM aprovaria alarvidades sobre a doença de algum familiar seu?
Como PM pertence a um blogue habitado por pessoas intelectualmente respeitáveis como Pedro Adão e Silva ou Mark Kirby, interrogo-me sobre o silêncio dos restantes bloguer's do pais relativo. Porque razão a esquerda ética, deontologicamente perfeita e herdeira directa do homem idealizado por Rosseau fica calada? Porquê?
O humanismo não é classificável ideologicamente. É uma obrigação do ser humano, mesmo jacobinos, em determinadas situações. Como esta. LR

O Insurgente

Bom blogue este. (o problema com o link já foi corrigido). LR

28 fevereiro 2005

O prémio da masturbação

Poucos repararam, mas este camarada foi a semana passada citado na revista "Visão". Com todo o mérito, diga-se de passagem. O "Canil" está a transformar-se num bogue de referência. Mas não chato. Optou pela masturbação e está recolher os louros. LR

Como o prometido é devido, aqui está a fotografia do iberista ideal: posse de senhor do condado, meia branca, jerico e determinista puro e duro. Que os meus caros amigos acreditem mais na nossa comunidade e façam tudo - como eu sei que fazem - para melhorá-la é o meu desejo. LR

O Iberista está a dormir II

Bruno, importas-te de (re)escrever o teu último post na tua lingua materna: o castelhano?
Infelizmente, não consigo publicar a foto do iberista ideal. Fica para mais tarde. LR

Os iberistas não dormem II

Também eu fiquei contente pela vitória do Mourinho. Aliás, sou um fã do Mourinho desde os tempos do FCP. Mas sou um fã do Mourinho porque ele é um dos melhores do mundo na sua profissão, tal como Capelo ou Luxemburgo, e não por ser português.

Quanto à vitória sobre o treinador espanhol do Liverpool, não lhe dou especial relevância, nem acho que o espírito nacional deva ficar mais "inchado" por isso. Afinal, não foi só Mourinho, Tiago, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira que ganharam ao Liverpool. Foram eles, mais os muitos milhões do russo Abramovic, o francês Makelele, o inglês Lampard, o guarda-redes checo, o Kezman... Ou seja, foi o resto do mundo contra o coitado do Benitez. Que rica vitória para Portugal...

P.S. - Quanto à temática do iberismo, do ponto de vista político, voltarei mais tarde.

Moedas passadas não movem moínhos

Lê-se e não se acredita. Diz Guilherme Silva, na Capital de ontem, para atestar da competência de Santana Lopes à frente do Governo cessante: “Álvaro Barreto várias vezes me disse: «Estou absolutamente espantado, porque ele vai para os conselhos de ministros muito bem preparado»”.

Absolutamente espantado?! Afinal, o que foi Álvaro Barreto fazer para o Governo? Quando aceitou o convite de Santana Lopes, o que esperava dos conselhos de ministros?
O espanto do ainda ministro deixa-nos de boca aberta. A moeda má está aí, para quem não queria acreditar. Bem dizia Pacheco Pereira: quem nasceu para lagartixa, nunca chega a Jacaré.

Resta ao PSD um cenário inteiramente novo. Serão quatro anos na oposição, perante uma maioria absoluta que não poderá travar. Quatro anos são, no fundo, uma oportunidade para uma nova moeda.
Primeiro, dão a tranquilidade necessária para uma mudança total. Parte daí a sua credibilização. Segundo, permite olhar para a governação de Sócrates com a calma de quem não quer governar já amanhã – o que é ponto de partida para a afirmação de um projecto sério. Terceiro, dá tempo à moeda boa para aparecer, não tanto na liderança, mas entre os que a irão seguir.

Se olharmos atentamente para o passado, foi assim que a direita criou os seus projectos mais sólidos das últimas décadas na Europa: em Inglaterra, com Margaret Thatcher; e em Espanha, com José Maria Aznar. É tempo de Portugal seguir os melhores. E de se esquecer a moeda má. É que moedas passadas não movem moínhos.

O iberista não dorme

O Luís anda em provocações. Vou espantá-lo ao dizer que senti exactamente o mesmo que ele quando Mourinho venceu ontem o seu primeiro título em Inglaterra.

É português, sim senhor. Tenho orgulho, pois claro. Mas não porque Mourinho é um treinador português. Só e apenas porque é português e profissional. Gosto de nos ver ganhar, mas o orgulho só vem quando é merecido. É o caso.

P.S. Giro giro, para o nosso orgulho luso, é ver que o Benfica e o Sporting, nossos clubes, deixaram fugir o melhor do mundo para o Porto e, depois, para Inglaterra. Não há nada, infelizmente, mais português. Que Mourinho sirva de exemplo.

O iberista está a dormir

17 horas após a publicação do post "Inspirations", o Insubmisso castelhano ainda não respondeu. Deve estar a consultar o dicionário português-espanhol. Ou então, como é habitual, já se arrependeu de mais uma precipitação.
Bruno, se te sentires sozinho no Mundo, liga a este teu camarada. LR

27 fevereiro 2005

Inspiration

José Mourinho, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho e Tiago ganharam a Taça da Liga Inglesa a Rafael Benitez, Luís Garcia e Munoz. O Chelsea ganhou ao Liverpool por 3-2. Uma equipa inglesa dirigida por um português ganhou a outra equipa inglesa dirigida por um espanhol. O país do lado não tem o exclusivo do sucesso, ao contrário do que o nosso pessimismo cultural impõe como pensamento dominante.
Em tempos de crise, os bons exemplos, mesmo que desportivos, devem servir de inspiração para a recuperação da auto-estima e para fazer mais e melhor. LR

Um pequeno conselho

No seu programa eleitoral, os socialistas comprometeram-se a triplicar o esforço privado em Investigação & Desenvolvimento empresarial, a triplicar o número de patentes registadas e a criarem uma “via verde” na Administração Pública para este tipo de firmas, ao mesmo tempo que querem agilizar a legislação que regula a criação de empresas. Tudo muito bem.
Deixo um pequeno conselho: começem pelo Instituto de
Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A pedido de um familiar informei-me acerca da documentação necessária para o registo de uma marca. Visitei o site do INPI e constatei um facto curioso. Sabem quanto tempo demora aquele órgão do Estado a responder a um pedido de registo? 1 ANO! Ou seja, para responder se aceita ou recusa determinado pedido de registo, o INPI necessita de 12 MESES! Ao fim de 365 DIAS (?!) o INPI pode constatar que a marca que o requerente quer registar, afinal, já existe. Fantástico!
É certo que alguns departamentos tradicionais da Administração Pública melhoraram muito nos últimos anos – em Lisboa, por exemplo, o Registo Cívil unificado no mesmo edificio na Av. Fontes Pereira de Melo é um excelente exemplo de atendimento rápido e eficaz –, mas a maioria necessita de uma autêntica revolução. De mentalidade, de profissionalismo e de métodos de trabalho. Essa é das maiores ajudas que o Estado pode dar no aumento da competitividade e da produtividade da economia. Essa é que é a reforma das reformas.
Veremos se os socialistas serão capazes de cumprir a promessa de apenas admitir um funcionário por cada dois que se reformem.
Se ao fim de 4 anos, a reforma da Administração Pública ficar apenas pela criação de um cartão único e de alguns balcões em Lisboa e no Porto para empresas – como no tempo de Guterres se ficou só pela criação de uma loja do cidadão em Lisboa e outra no Porto – o PS terá falhado numa área em que é quase tão conservador como o PCP e o Bloco. LR

O Tuga está à espera de mais quatro anos socialistas cheios de subsidios, de crescimento artificial do emprego, de congelamento dos preços dos combustiveis, de endividamento a 100 por cento e, claro, de felicidade, de muita felicidade...

Reforço de peso

Hoje é dia de estreia de mais um Insubmisso. É um homem da imagem que também domina as letras. Tem como missão profissional demonstrar que a cultura não deve e não pode ter a subsidiodependência como sistema. É uma das melhores cabeças que conheço na minha geração. É um reforço de peso e uma lufada de ar fresco para o nosso grupo excessivamente politizado. Seja bem-vindo. LR

Falam falam, falam falam, falam falam pá, e eu não os vejo a fazer nada!

Tem sido a frase motriz do riso nacional nos últimos tempos. E porquê? Não, não é porque o R.A.P. é muito engraçado e faz aquilo (o sketch) muito bem. Nem é porque o original foi dito pelo igualmente cómico Marco do Big Brother, porque disso ninguém se lembrava até há umas semanas atrás. Nada disso. O grande impacto desta frase junto das massas, reside no facto de se tratar do resumo mais eficaz e conciso do espírito nacional e que nos toca a todos. No nosso subconsciente é como uma descarga, uma espécie de catarse. Cada vez que a dizemos no fundo estamos a dizer é: Também eu falo falo, falo falo, falo falo e não faço um cacete! É o retrato do país em formato de crachá, em estampa de t-shirt. Indo um pouco mais longe será uma reminiscência Gil Vicentina do belo gozar de nós próprios para nos analisarmos melhor, sem medo. Sim, porque qualquer pessoa honesta o suficiente consigo própria sabe que encarar a verdade produz em todos nós um inegável, congelante e monstruoso medo. Não sei se as gerações vivas irão a tempo de beneficiar dos efeitos desta catarse nacional em que conseguimos (pelo menos no nosso inconsciente) assumir aquilo que somos e perceber que assim não vamos a lado nenhum. Mas pode ser que no futuro os nossos descendentes olhem para este princípio de milénio e já não percebam porque é que se achava tanta graça ao marasmo e à inépcia neste país!

Anarcatólico

25 fevereiro 2005

Marques Mendes

...deu ontem uma entrevista coerente e bem estruturada.
A bem da verdade, Mendes não anda aos zig-zags e faz tudo de forma expectável.
Isso é bom.

P.S. Gostava sinceramente que quem não gosta de ler estes posts que simplesmente não viesse ao Insubmisso. É que aqui gostamos de ser sinceros, honestos e educados. Obrigado

24 fevereiro 2005

À direita, recomeçar do zero

. Acho notável o número de agradecimentos que se vê na blogosfera a Santana Lopes por ter ido embora do PSD. É um disparate, se me permitem. Porque tudo o que Santana fez em sete meses foi destruir o pouco que estava feito em mais de dois anos. Não há maneira de dizer isto de forma mais clara.

Lembro-me de Ferreira Leite dizer que há duas maneiras de perder: com dignidade e sem ela. A primeira serviria o país, mesmo que não beneficiasse o seu partido; a segunda prejudicaria todos. Agora que é tarde, já todos perceberam a escolha que foi feita.

Passado o que passou, toda a direita precisa de começar do zero.

O PSD nunca voltará ao que era se estiver dependente dos mesmos esquemas, das mesmas pessoas, do mesmo modo de fazer política. Há poucos, mas alguns, militantes que o percebem. E hoje isso é mais fácil de transformar. Ontem mesmo, Marques Mendes explicou que a sua linha de oposição seria denunciar vias facilitistas do Governo PS. Disse isso, e bem, porque percebeu o que está em causa. Mas disse-o perante uma plateia que provoca 'flashbacks' pouco desejáveis.

Ao mesmo tempo, e se calhar por isso, muitos esperam ainda por um D. Sebastião - seja homem ou mulher, como dizia ontem João Jardim. O que me parece é que vão passar umas duas ou três semanas sem saber tudo: dos candidatos e dos putativos candidatos. Só depois podemos ver que oposição terá.

. Uma nota final para Paulo Portas: acabou uma campanha onde fez de líder do PSD. Fez isso melhor que Santana Lopes. Só teve azar numa coisa: não o era. Fez bem em sair. Mas provou nessa saída que o país ainda terá que contar com ele.

Nota tardia

Como sou insuspeito de ser amigo, protegido ou o que seja do actual líder do PS, permito-me a dizer que José Sócrates mereceu a maioria absoluta.

Para quem acompanhe estas crónicas, disse logo no início da longa campanha eleitoral que Sócrates deveria ter a coragem de não fazer promessas - porque essas custam sempre muito caro ao país. Assim foi e, garanto, é preciso determinação para o conseguir. Resistir a lóbis, pressões partidárias e afins durante dois meses é tarefa quase impossível em Portugal. Mais ainda quando a maioria absoluta era inédita na história do PS.

Assim, fica o elogio. José Sócrates fez questão de justificar a sua maioria pela responsabilização do PS. Serão quatro anos com faca e queijo na mão. O PS tem uma maioria, Sócrates tem o PS na sua mão. Ontem mesmo, deu outro bom sinal, alertando o partido para tempos difíceis e dizendo esperar que o PS esteja tão unido dentro de quatro meses como agora.

Até aqui, tudo aponta para um líder consciente. E isso é o primeiro passo para um bom Governo. Que seja, para bem de um país que voltou, em pouco tempo, ao mesmo cenário de há três anos atrás.

23 fevereiro 2005

O condenado regressará

"Nunca a maioria absoluta do PS esteve tão perto. Tal como a Marinha Grande foi o clik que "virou" a campanha a favor de Soares, também agora um incidente de campanha provocado pelo adversário pode representar para os socialistas o passo definitivo para a vitória absoluta. A concretizar-se um resultado histórico do PS, o culpado é só um: Pedro Santana Lopes. Nem o debate de hoje o deverá salvar".

1 - Escrevi estas linhas no dia do debate entre José Sócrates e Santana Lopes, a propósito das insinuações de Lopes sobre os "colos" do secretário-geral do PS. Espero, sinceramente, que o ainda primeiro-ministro tenha aprendido uma grande lição dada pelo povo português: não vale tudo para manter o lugar.

José Sócrates conseguiu, de facto, um resultado histórico. A principal causa da maioria absoluta do PS tem um nome: Pedro Santana Lopes. Se a política portuguesa tivesse lógica, Lopes teria morrido politicamente no passado domingo. O péssimo desempenho como primeiro-ministro, a campanha de baixarias por si promovida e a falta de vergonha na cara para dizer que não abandona a vida política são elementos suficientes para uma reforma política compulsiva.
Mas, não. Depois de uma travessia no deserto, como ontem o "amigo-comentador" Luís Delgado afirmou na SIC-Notícias, regressará daqui a uns tempos. Talvez para se recandidatar à Câmara da Figueira da Foz...

2 - José Sócrates não fez por merecer a maioria absoluta. Fez uma campanha morna, programada ao mílimetro, com apenas três propostas concretas: o cartão único, os 300 euros de complemento de reforma e a introdução do inglês no ensino básico. Muito pouco para a maioria absoluta. Ao contrário do que Pedro Silva Pereira começou a contestar logo na noite das eleições - Marcelo Rebelo de Sousa dixit - os portugueses votaram no PS para afastar Santana Lopes e seus cúmplices no PSD do Governo durante 4 anos.
"Não me quero comprometer" foi a a frase mais vezes repetida por José Sòcrates. Ainda ontem voltou a fazé-lo em Belém, a propósito da proposta de referendo sobre o aborto para Junho do Bloco. A partir da sua indigitação como primeiro-ministro, Sócrates vai ter que se comprometer.
Primeiro, com o seu Governo. Veremos como vai pagar as "divídas" próprias destas situações. Teve o partido unido em seu redor e agora os cobradores de fraque das diferentes "capelinhas" já estão a bater à sua porta.
E depois com o programa de Governo. Sendo o líder do PS mais à direita da história do partido, de Sócrates não espero um programa em que o Bloco e o PCP se revejam. Bem pelo contrário. A conflitualidade entre o PS e os partidos à sua esquerda deverá aumentar nos próximos 4 anos. Disso depende a sobrevivência dos comunistas e dos bloquistas.
Mas também não espero que a reforma da Administração Pública - a reforma das reformas -seja levada até às últimas consequências. O conservadorismo da velha esquerda republicana e sindicalista não deixará que isso aconteça.
José Sócrates tem todas as condições para ser um bom primeiro-ministro. Veremos se conseguirá sé-lo. Melhor que Santana Lopes será, concerteza. LR

Menezes pela mão do "Público"

Diz o "Público" na sua edição de hoje que:

"Luís Filipe Menezes foi o cabeça de lista dos sociais-democratas pelo círculo de Braga, um distrito onde o PSD sofreu uma expressiva derrota, tendo passado dos 44,5 por cento nas legislativas de 2002, para 32,8. Esta quebra de 26 por cento traduziu-se na perda de dois deputados, um para o PS e outro para a CDU, mas o BE ficou ainda a 400 votos de retirar mais um deputado ao PSD. "

Independentemente da justeza da exposição das fraquezas de Menezes, é preciso notar que as contas estão mal feitas e que a quebra não foi de 26%.

Pergunta: será que Guterres está a fazer uma perninha na redacção do jornal?????

Público

Saúda-se o novo layout do público online. Como dizia a canção "é bonito e apresenta-se bem"
Vale a pena visitar http://www.publico.clix.pt/

Marques Mendes e Menezes

Marques Mendes e Menezes anunciaram estar disponíveis para concorrer ao lugar deixado vago por Lopes.

Marques Mendes vai recolhendo apoios.

Menezes ainda não.

Menezes acusa Marques Mendes de só ter apoios, sem ter apresentado uma única ideia.

Menezes também ainda não apresentou nenhuma ideia. Mas acusa.

No afastamento da minha total e absoluta indiferença pela disputa que se avizinha, parece-me que Menezes começou mal. O grave é que é uma situação recorrente.

Se é esta a forma de Menezes estar na política:

"sou muito amigo do Dr. Marques Mendes, mas ele não tem uma única ideia. Mais, ele esteve com Dr. Durão Barroso e portanto a única pessoa no PSD que não tem nada a ver com os últimos 3 anos, sou eu!" (disse mais ou menos isto no anúncio da sua disponibilidade num dos momentos televisivos de ontem à noite)

julgo que Menezes não é a pessoa mais indicada para dignificar o PSD e a direita portuguesa.

Menezes não esteve com Durão Barroso (por razões que eu apelidaria de "nortistas, basistas e socializantes") mas esteve com essa "pérola de gel" chamada Pedro Santana Lopes. Ou será que o arrivista Menezes se esquece que foi cabeça de lista em Braga por convite expresso de PSL, ou que participou activamente na campanha de braço dado em várias ocasiões com PSL e que PSL foi ao Dragão por causa de Menezes.

Com efeito Menezes não esteve nos últimos 3 difíceis anos da vida do PSD...esteve simplesmente nos 6 meses mais negros da história do PSD.

A saída de Pedro Santana Lopes




Obrigado!!!!


Comments ao "Notas soltas..."

Esta é a resposta possível aos desafiantes e simpáticos comentários que o post "notas..." teve.Num primeiro momento esta resposta esteve como comment, mas julgo que poderá suscitar novos desafios se este "contraditório" aqui estiver. Aqui vai

1-Em primeiro lugar agradeço todos estes simpáticos e "challenging comments". Com efeito há uma imprecisão relativamente ao processo espanhol e dou desde já a mão à palmatória no que se refere à AP. O CDS já não existe e a UCD fundiu-se de facto com a AP para dar origem ao PP.

2-E embora estes elementos necessitem sempre de precisão, aquilo que pretendi salientar com aquela nota foi a necessidade de credibilizar a direita portuguesa mediante um reposicionamento das suas propostas políticas ...algo que pode passar por um abandono dos actuais projectos partidários.

3- Relativamente à referência à intromissão do Estado na vida privada, começa desde logo pela descrença profunda da Esquerda nas iniciativas individuais e da necessidade da sua regulação pedagógica ou centralista a pretexto do bem comum. Ora eu não sei o que é o bem comum! E julgo que Rousseau, o inventor da designação, também não o sabia; para mim existem decisões que são tomadas pelos individuos sob o pano de undo de regras e normas de um certo modelo institucional que necessariamente tem de ser cumprido (já que é resultante da sua-modelo- adequação à resolução dos problemas enfrentados por aquela comunidade política).

Apresentemos o caso da Educação , área que ne é sensível: porque razão é que o Estado pensa melhor que a família? Acreditando que a educação das novas gerações é um bem público que tem externalidades boas e positivas para o funcionamento global da comunidade e que por essa razão todos devem ter as mesmas oportunidades no respeito por uma situação de equidade, porque razão é que tem de ser o Estado a decidir que tipo de organização as escolas devem ter, que professores devem lá estar, que projecto educativo as escolas devem ter, para que escolas as crianças devem ir? Porque não pode o Estado cingir-se a definir objectivos gerais e a verificar o cumprimento deses objectivos?

Pergunto eu: será que o Estado, essa pessoa de bem, deve substituir-se à família neste tipo de escolhas? Será que as famílias e seus indivíduos constituintes são piores decisores sobre o futuro das suas crianças que o "Estado"? Hoje em dia, como todos aqueles que têm crianças a estudar no sistema público sabem , o futuro das crianças é uma das peças que menos conta na organização da estrutura educativa...antes delas estão os interesses dos professores (defesa de feudo e manutenção de situações de favor e de incompetência), das DRE, dos sindicatos, das câmaras etc., e só depois os das famílias e seus membros. Isto só é possível porque a situação actual gerida pelo Estado o permite. E é estranho que em Lisboa e no Porto as Escolas Primárias e Secundárias que melhor funcionam são aquelas em que as associações de pais estão mais activas e travam batalhas brutais para defender os interesses dos seus filhos e um modelo educativo preenchido por valores seguros e de respeito.

Estas mesmas considerações podem passar para outros sectores como sejam a saúde, os transportes, a segurança social, as infraestruturas etc..

Ora aquilo que nós sabemos é que a Esquerda discorda desta visão...mas a visão que a Esquerda professa retira capacidade de decisão (por diminuição do leque de escolhas) aos cidadãos, obrigando-os a seguir, na maioria das vezes, aquilo que outros, na pacatez do assento nos ministérios, acreditam ser a melhor solução para conjuntos de pessoas que nunca viram ou sentiram de perto.

Nesta perspectiva, directa ou indirectamente, a Esquerda interfere na liberdade individual responsável e intromete-se por essa razão no campo privado diminuindo a capacidade individual de tomada de decisão.

4- Distingo 3 esferas de interesses e acção na vida do individuo em sociedade: pública, privada e íntima. No ponto anterior julgo que distingui as 2 primeiras; a esfera intima tem a ver com a campo da vida do individuo cujo exercício e acção não respeita a bens públicos e que na sua execução não interefere ou colide com a esfera intima de outros cidadãos.

5- Devo notar, todavia, que há cores de carros que me chocam e deveriam ser proibidas...esta é a única concessão que faço à interferÊncia do Estado na vida intima.

Melhores cumprimentos e muito obrigado

21 fevereiro 2005

Notas soltas sobre a renovação de direita

I-Atendendo aos resultados das eleições de ontem é preciso considerar a necessidade de:
1-renovar e
2-revigorar e
3-rejuvenescer e
4-resubstanciar a direita portuguesa.

Os 4 R's são para mim uma essencialidade moral

II- Cada vez olho com mais interesse aquilo que se passou há uns anos na nossa vizinha Espanha, na qual o CDS, UCD e a AP se fundiram para dar origem ao PP.

III- A persistência aveztrunina de Santana Lopes em ficar à frente do PSD demonstra o egoísmo elevado à última potência. Qualquer análise, nem é necessário que ela seja racional, permite algumas conclusões: o PSD perdeu, com o 2º pior resultado de sempre; o PS ganhou com o melhor resultado de sempre; isso deve-se a um homem que tem nome e se chama Lopes.

IV- Santana Lopes fez mais pelo PS do que qualquer líder dos socialistas em 31 anos de democracia

V- Santana Lopes conseguiu destruir as possibilidades de nos próximos 4 anos Portugal poder ter um governo que acredita na livre iniciativa, na dignidade humana, e numa visão libertadora sobre o Estado e na sua não interferência em matérias que são do estrito desígnio e decisão do cidadão livre e responsável. Por causa da sua parolice política vamos ficar 4 anos sob afirmação socialista, em que vamos assitir ao paradigma centralista e colectivista assentar novamente arraiais no nosso país. Por causa de Santana Lopes vamos ver novamente o Estado a insinuar-se em todos os campos da vida pública e mesmo em alguns da vida privada. Vamos assistir ao retorno do fútil e inócuo diálogo e do mito da eterna negociação.

VI- Será que Santana Lopes não percebeu que o povo não gosta dele? Será que não percebe que ele não vai ter hipótese de ser eleito para mais nada neste país, porque o povo aprendeu o que é que ele de facto é e faz? Se a ambição é chegar à Presidência, será que o Lopes, se se vier a candidatar, não percebe que está a oferecer de mão beijada a Presidência ao Guterres ou ao Freitas ou a qualquer outro homem de esquerda? Será que ele não percebe que está a atrasar, se calhar irremediavelmente, a recuperação da direita portuguesa?

VII- Os estadistas preocupam-se com o futuro da sua comunidade política, numa visão que ultrapassa a sua geração, são institucionalistas e defendem isso mesmo. Santana Lopes não o é...é mesquinho, pequenino, interesseiro, sujo, rasteiro, egoísta e egocêntrico. A situação exigia dignidade e nobreza e desapego ao poder por "amor a Portugal" Em vez disso temos um ex-primeiro-ministro agarrado à corda, como um rato num navio a afundar-se em alto mar.

VIII- E a direita continua à espera do seu embuçado enquanto o montrengo voa 3 vezes à volta do leme.

Que Deus nos ajude

MPT e PPM

Mal vai Portugal quando as vitórias da direita são celebradas por um reles fadista e pelo ecologista.

Eu estava a brincar, don't go!

Paulo, amigo, eu estava a brincar.

Não tenho nada emprego para ti no Eleven!!! Muito menos no Colombo!!

Fica lá à frente do CDS! Dos dois derrotados tu és o que tem menos razão para sair. A sério que estava a brincar.

Se tu sais, vais entregar o partido a quem? Ao Pires de Lima?! Tem tanto jeito para a coisa como o Santana Lopes!! Ao Telmo Correia!? Ok é muito bom homem e então???

Deixa-te lá ficar com o Luís, com o António, com a Zezinha, com o Zé e o Narana.

Agora é que tens condições para refundar a direita portuguesa.

A tua posição foi muito nobre e digna, mas há alternativas sérias? O Luís, que estava muito abatido ontem, disse que não queria suceder-te...como é? Vais deixar a situação assim?

18 fevereiro 2005

Adios...

Caros amigos (e inimigos),

regressei hoje a este cantinho e nem vou desfazer as malas. Aí vou eu outra vez para outras bandas bem mais acolhedoras.

Qual extraterrestre, aterrei hoje na Pátria e descubro que o povão está prestes a entregá-la à esquerda mais conservadora. Note-se que não há aqui a qualquer complexo anti-esquerda. Mas sim, anti-esquerda reaccionária. BE e PCP representam hoje as forças mais conservadoras da nossa sociedade; as mas avessas à mudança. E, fazendo fé nas sondagens, serão estes os partidos que mais saírão reforçados das eleições do próximo domingo, fazendo refém o pobre do Sócrates e o seu PS.

Cada povo tem aquilo que merece. E Portugal, mais uma vez, vai ter aquilo que deseja. Não culpem depois a Europa, o buraco do ozono, o Bush, a seca, a ovelha Dolly e o Mickey mouse quando os dados estatísticos continuarem a atestar o atraso nacional.

Deixo apenas uma questão: para além da liberalização das drogas e do aborto e do reforço do Estado, estes partidos têm um projecto para desenvolver o país?

Eu cá vou vender o meu peixe para o vizinho ao lado, que tem uma princesa bem gira. Portanto, passarei a escrever em castelhano – afinal a língua é a nossa Pátria.

Hasta la vista...

Hora agá I

Está na hora.

1.
Hoje ouvi João Lobo Antunes, esse perigoso direitista, a falar pela primeira vez de política. Confesso admirador do homem e do escritor, ouvi com atenção.

Lobo Antunes dizia só isto. Nunca votou e vai votar. Pedia que todos votassem. E justificava mais ou menos assim: "Tirem esse senhor dali. Portugal merece melhor. O PSD merece melhor".

Duas reacções instantâneas: Lobo Antunes nunca votou?!; Desconfio que muita gente pensa o mesmo.
Ou seja, talvez Santana tenha razão. Desta vez a abstenção pode mesmo baixar.


2.
Ontem, por outro lado, vi e ouvi Medina Carreira, na Sic-Notícias. Foi a única voz consciente que ouvi durante toda a campanha.

Nestas eleições pode travar-se a catástrofe, mas não evitá-la. Portugal não tem capacidade de produção, está à beira de uma invasão chinesa para que não se soube preparar, o duelo euro/dólar não ajuda, está à beira de um precipício face ao envelhecimento da população.

O que dizem os partidos sobre o assunto: nada. Nem uma palavra. Alguém diz nos jornais de hoje que os portugueses estão, pela primeira vez, preparados para a verdade. Os partidos não. Sobra uma esperança: é que a campanha acabe de vez e o próximo Governo perceba o quadro quando pegar nos dossiers. Pode ser. Não sou crente.

Emprego pós-eleições 2

Vejo com potencial sucesso a passagem de Santana Lopes ao papel de "carpideira vitimista" da paróquia de Sto. Ildefonso

Emprego pós-eleições

Dando continuação a uma tradição de "sugestões" sobre a acção e o comportamento dos agentes políticos, abre-se hoje, aqui no Insubmisso, um espaço às sugestões de todos sobre o futuro possível dos mais que prováveis derrotados das eleições de 20 de Fevereiro.

Pedimos encarecidamente que, sob a forma de comment, nos ajudem a enriquecer o imaginário colectivo relativamente ao futuro de:

Santana Lopes
Paulo Portas

Por nós aqui ficam desde já as primeiras sugestões sobre futuros possíveis

Santana Lopes: cobrador do fraque

Paulo Portas: porteiro do restaurante Eleven e
(nas folgas) operador de 1ªclasse do
Mr. Parking do C.C. Colombo
alvitro também a possibilidade deste último
ser bem sucedido como vendedor de velas na
Sacristia da Basílica dos Mártires...ao Chiado

O SLB

Jogámos mal. Não percebi. Que raio de cereais deram às criaturas ao pequeno almoço lá nos Urais para que eles aparecessem sem força , sem estamina e sem atitude (como se diz em futebolês)?

Eu sei que o SLB não tem banco...mas mesmo que se sentem no chão, há lares de 3ªidade com mais animação e movimentação do que os elementos do plantel que ontem se passearam para lá da Ucrânia. Pelo menos o SCP correu "pacaraças" e o Sá Pinto parecia o elevador da Bica...para cima e para baixo... e fez 3 posições durante o jogo. Os do SLB parece que são alimentados a pilhas das lojas dos 300..rai's parta os sujeitos.

Definitivamente este não é o meu ano...SLB em baixo, BE em ascensão...o que é que Deus me terá guardado mais como sacrifício e provação?

17 fevereiro 2005

Sondagem UCP, Publico,Antena 1

UCP avançou também a sua sondagem

PS 46%
PSD 31%
PCP 7%
BE 7%
CDS 6%

CONCLUSÃO
é óbvio que os resultados são diferentes dos meus...


Seguindo a tradição política portuguesa neste momento devo dizer 3 coisas:

1- "a culpa desta diferença de resultados é dos alunos da EB14 que
enviesaram propositadamene alguns dos resultados"
2-"uma sondagem vale o que vale
e o que conta é o que acontece no próximo dia 20"
3- "são 90 mintos, a bola é redonda e há 11 jogadores em cada lado"

Notas de Campanha e Sondagem

NOTAS DE CAMPANHA

1-Parece que é consensual por esta altura que o PS vai ganhar as eleições.

2-Parece que é consensual que o PSD vai perder.

3-Parece que ninguém começa a ter dúvidas que Paulo Portas sairá bem da trapalhada em que esteve metido nos últimos 5 meses.

4-Parece, também, que Jerónimo de Sousa sofrerá a bom sofrer para justificar o porquê da perda de votos junto do C.C., nomeadamente ser-lhe-á difícil justificar o porquê de uma força radical como o BE se equivaler hoje em dia, às votações do PCP.

5-Continuo sem entender a razão pela qual o charme vulgar de Francisco Anacleto Louçã continua a impressionar e porque é que ele está à beira de dirigir a 4ª força política do país.

SONDAGEM

Estive a efectuar uma sondagem com simulação de urna, aqui na minha freguesia. Juntando esses elementos a um modelo matemático-estatístico de minha autoria e com a ajuda cientifica dos miúdos da EB 14 conseguimos apurar as seguintes estimativas de voto:

PS 44%,

PSD 31%,

PP 8%,

BE 7%,

PCP 7%

Os indecisos e a capitalização de abstencionistas determinarão nos próximos 2 dias quem governará o país.

nota final: nesta ultima semana todos os cartazes dos maiores partidos apelam ao voto directo. curiosamente nenhum deles consegue colocar a cruz no quadradinho...todos esborratam a coisa!!!. Será que os designers gráficos ainda não perceberam que assim nao estão a apelar ao voto mas sim ao voto nulo...ORA BOLAS, MEUS SENHORES, PARA O VOSSO SENTIDO CÍVICO.

15 fevereiro 2005

Eduardo Prado Coelho e a Direita Portuguesa

Gosto da pessoa "Eduardo Prado Coelho" (EPC). Julgo que é inteligente e boa pessoa. Não gosto das suas ideias.

Há vários méritos que devem ser reconhecidos a EPC. Um deles é o de provocar reacções epidérmicas a muita gente. Acho que as pessoas devem ser assim. Devem marcar, i.e., criar marcas.

Para o bem e para o mal (sim, porque eles existem), as pessoas devem partilhar os seus pontos de vista e devem assumir as suas posições.

Assim o fiz há dias a propósito de Jerónimo de Sousa. Não sou comunista. Nunca o fui ou serei.

E à semelhança de Luís António, o militante do PC de Alpiarça que dizia que não se podia esquecer (pessoa com quem eu brinquei) também eu digo que é preciso não esquecer o que se passou em Portugal em 1974 e 1975.

Nesse tempo, se houve muito justiça que foi reposta...também me lembro de muitas injustiças e maldade gratuitas efectuadas pelos comunistas e pela extrema esquerda (e eu, como alguns dos que me conhecem sabem, tenho legitimidade moral para falar destas questões...legitimidade essa que resiste até aos elegantes testes morais do Sr. Louçã) .

É por isso que não nos podemos esquecer que a extrema esquerda e a esquerda radical já estiveram no poder e deram cabo de muitas vidas (para não falar do país).

Mas voltando a EPC. Um dos méritos que lhe deve ser reconhecido é ter contribuido para alguns dos melhores textos sobre o que é a vida boa (numa concepção de direita: rótulo que, note-se, surgiu pela primeira vez pela mão dos jacobinos francesses aquando a revolução).

Obviamente os textos não foram escritos por EPC mas por diversos autores...em resposta a EPC!!! Concluo, recordando, por exemplo, as palavras de D. José Policarpo ou as do incógnito Carlos do Carmo Carapinha (gestor financeiro de Évora) que nos deram algumas das mais profundas reflexões sobre o que é ser de direita (respectivamente nas págins do DN e do Público).

E lendo estas pessoas sabemos que há rumos pelos quais vale a pena lutar.

A orfandade da direita portuguesa

Num dia em que iremos assistir a mais um exercício de inconsciente autoritarismo dos representantes da comunicação social sobre os para-políticos portugueses num espartilhante e não esclarecedor debate (formatado num preverso e despropositado modelo estrutural que de tanto tentar imitar o sistema norte-americano, se esquece que o modelo de debate norte-americano se adequa ao modelo político institucional dos EUA- federal), fica aqui expressa a minha mágoa por não ter ouvido ou lido até ao momento uma única linha programática que se aproxime, conceptualmente, do conceito da "vida boa"que defendo e que me foi sugerido pela leitura das obras de Oakeshott, Strauss, Hayek, Von Mises, Schumpeter, Aron, Popper.

Sou de direita e sinto-me politicamente orfão nesta nação.

11 fevereiro 2005

Louçã e a deslocalização de empresas

Louçã disse que o Estado tem de intervir para impedir a deslocalização de empresas. Falava frente a trabalhadores de uma fábrica de calçado no distrito de Aveiro.

Esclareçam-me lá uma coisa: o Xico Patanisca é Professor de Economia ou não? De uma escola séria chamada ISEG, certo? De um país da UE chamado Portugal, uhn?

Se as respostas são afirmativas então a criatura Patanisca já ouviu falar de uma coisa chamada OMC a que até a reaccionária (pelo menos para os trotskistas) China aderiu, devido ao reconhecimento da inevitabilidade e irreversibilidade de um fenómeno chamado globalização. Se assim é, então a acção de Louçã é de uma hipocrisia brutal...do mesmo calibre daquela que Xico Patanisca atribui aos outros partidos. E lá se vai a pureza moral do albanista.

Mas sigamos outra via de raciocínio! Ao impedir a deslocalização, Xico Patanisca está a prejudicar a formação de capital de português, factor essencial para a criação de mais postos de trabalhos no futuro em sectores mais competitivos. Mas mesmo que assim não fosse, ao impedir a deslocalização para países em vias de desenvolvimento com recursos humanos mais baratos, Louçã estaria a contribuir para que as assimetrias regionais se acentuassem e para o aumento dos niveis de pobreza de populações mais necessitadas do que as nossas (já que não há mecanismos de protecção social desenvolvidos nesses países). Mas desta maneira Xico Patanisca está a entrar em contradição com o próprio programa do bloco de esquerda (coisa que , valha a verdade também não é novidade!!)

Concluindo:
Louçã ou é ignorante ou é hipócrita.

Either way com estas suas tiradas demagógicas em Aveiro cheguei à conclusão que ele é uma fraude intelectual e pensa que os outros não notam.

Santana Lopes e a aversão ao "pobão"

Eu "gripei" esta semana. Em solidariedade com largas fatias da população cedi ao vírus da influenza. Passei 3 dias a pão e água. No Hospital disseram-me para não ir para à rua durante 5 dias para melhorar e não passar o dito cujo a ninguém.

Atendendo a estes conselhos médicos, passei a compreender a razão pela qual Santana Lopes não quer o contacto com o "pobão": na sequência da sua pública gripe, este afigura-se um caso claro de altruístisco sentido de saúde pública....

O "pobão" agradece e espera que o Vírus da Gripe seja feliz na sua estada em tão primo-ministerial figura, desejando-lhe na sua morte, a tranquilidade que, publicamente, produziu em vida.

Jerónimo Sousa e Alpiarça

Jerónimo de Sousa foi a uma sessão do partido em Alpiarça. Na assistência, 50 pessoas que perfaziam a bonita idade de 502 anos.

Da assistência levantou-se Luís António, que chorou, dizendo que tinha dormido naquela azinheira há 40 anos atrás por causa da PIDE e que por isso era necessário não esquecer o que se tinha passado. Jerónimo, portanto, emocionou-se e, extraordinariamente, portanto, hoje não deu, portanto, o seu pé de dança.

No alinhamento do telejornal seguiu-se notícia sobre Cuba e sobre um encontro de cidadãos com mais de 100 anos.

Felizmente Fidel não disse que "portanto, foi um bonito momento"... senão começaria a concordar com Margarida Rebelo Pinto

Sócrates e o financiamento do PS

É impressão minha ou é a 2ª vez que o Ministério do Ambiente liderado por Sócrates é envolvido em investigações ainda em curso (uma sobre um empreendimento urbanístico no Algarve propriedade de um "mais-que-barão-do-PS", e outra, agora, sobre o Freeport) sobre corrupção que conduz a financiamento partidário?

08 fevereiro 2005

Do you trust him?

1.O Público noticia o desejo de Cavaco Silva por uma maioria absoluta do PS. Sem fontes.
2. José Sócrates aproveita uma notícia sem fontes - o que o próprio Sócrates criticou no mesmo jornal quando noticiou uma aproximação do PS ao BE. Aproveita-a para rentabilizar em nome dessa maioria. Fez mal.
3. Cavaco Silva manda desmentir a notícia para as rádios e Lusa.
3. Santana Lopes chama os jornalistas, mostra a piscina da Residência Oficial e os seus filhos. Agradece o desmentido de Cavaco.

Ou seja,

1. Santana ganha mais um dia de campanha. O estilo é o que sabemos, mas como o ontem não existiu, uma vitória é sempre uma vitória.
2. O País fica a saber que Sócrates tem mais sorte que juizo.
3. O país fica a saber que Cavaco mandou desmentir uma notícia que muitos acreditam ser verdadeira. Porquê? Alguém imagina o prof. Cavaco a chamar jornalistas à piscina de S. Bento, onde está com os filhos, num dia de campanha eleitoral?

Desenganem-se os optimistas: para a elite do país, o que está em causa a 20 de Fevereiro são dois homens. Só e apenas. Os estilos, as personalidades, o sentido de estado e de responsabilidade contam.

Essas elites vão passar os próximos dias a lembrar a pergunta da Newsweek sobre as últimas legislativas alemãs? "Would you buy a second hand car from this man?".
A pergunta, a que conta, é saber se o eleitor pensa o mesmo.


07 fevereiro 2005

La vie en rose, the orange killer

A guerra começou na estrada e a campanha vai animando. Santana e Sócrates mediram ontem forças, depois de um debate que foi decisivo, sim, para manter tudo como estava. Ninguém ganhou, pelo que o PS está mais longe de uma maioria e o PSD de uma vitória. Ontem, a conclusão foi mais ou menos a mesma - embora se registe que o nível discursivo melhorou bastante.

Nesse caso, o que é de esperar dos próximos dias?
1. Que Santana Lopes tenha um bom carnaval, fazendo um comício na Residência Oficial.
2. Que José Sócrates se divirta na companhia de um Pina Moura bem real.
3. Que Paulo Portas atinja os 10% de estrada realizados em 2002.
4. Que Jerónimo de Sousa volte a ouvir os Peste&Siga, como ontem, na companhia dos seus.
5. Que Francisco Louçã volte a ver o sorriso do seu filho, na santa paz do Senhor.

Estes são os meus sinceros votos. Já que o país está, de novo, à beira de um pântano - sim, aquele em que falou o eng. regressado - ao menos que consigamos dar umas boas gargalhadas entretanto.

03 fevereiro 2005

Tabela de Avaliação: Veja Você Mesmo quem Ganhou!!

Analise o debate seguindo a nossa escala de avaliação (cotar cada item de 1-5):

  1. candidato vestido convenientemente
  2. roupa escolhida contrasta com o fundo
  3. candidato barbeado convenientemente

  1. candidato maquilhado convenientemente
  2. candidato apresenta boas cores e tez cuidada
  3. candidato apresenta-se bem disposto e divertido

  1. candidato não tem papos debaixo dos olhos fruto de noitadas ou afins
  2. candidato apresenta dossiers de informação em cima da mesa
  3. dossiers de informação organizados por cores e tamanhos

  1. candidato gesticula com dedos para cima
  2. candidato gesticula com dedos para baixo
  3. candidato senta-se convenientemente na cadeira

  1. candidato regula adequadamente a altura da cadeira
  2. candidato dobra vigorosamente o pescoço para um dos lados
  3. candidato demonstra impaciência para com o moderador

  1. candidato demonstra impaciência para com o outro candidato
  2. candidato bebe o copo de água de forma sôfrega
  3. candidato utiliza pasta de napa a imitar pele donde tira provas do que afirma

  1. candidato apresenta curtas sequências de raciocínio
  2. candidato apresenta seqências médias de reciocínio
  3. candidato elabora pensamentos complexos

  1. candidato utiliza a língua portuguesa sob forma gutural
  2. candidato utiliza medianamente a nossa língua
  3. candidato utiliza vocábulos complexos e palavras compostas

  1. o candidato sabe o que está ali a fazer
  2. o candidato perde-se frequentemente no discurso e pergunta "como é que se vai para MarquÊs"
  3. o candidato julga que Santos Costa ainda é um senhor da política e António Ferro está a organizar a exposição universal

  1. o candidato conseguiu decorar os textos que os assessores lhe escreveram
  2. o candidato confunde frequentemente os textos dos assessores com a lista de compras do Pino Doce
  3. o candidato demonstra ão saber o que é um texto

  1. o candidato sabe o que é um governo e as áreas de governação
  2. o candidato sabe o que é o governo mas não as áreas de governação
  3. o candidato sabe vagamente que o governo se reune na casa branca da rua ao cimo à direita (depois do XL) quem sai da Kapital

  1. o canidato sabe o que são politicas publicas
  2. o candidato não sabe o que são politicas publicas
  3. o candidato sabe o que sao politicas públicas e apresenta os seus nomes: Manuela, Helena, Zita, Teresa etc.


Olhe que não...

Para variar um bocado o discurso, confesso-me mais curioso que a maioria sobre o que vai sair do debate de hoje. Acho mesmo que pode ser decisivo para avaliar da hipótese de uma maioria absoluta para o PS. Mais que nunca, os olhos vão estar postos em José Sócrates. É tudo ou nada. De hoje dependem quatro anos de estabilidade ou de negociações. E nós já sabemos o que é um PS dependente de negociações...

Mais, não sei também quem ganhou a guerra suja desta semana. Quem anda de táxi, normalmente, tem uma vantagem: percebe do que se fala. E Portugal não é um paraíso de iluminados. O Luís que me desculpe, mas a situação é bem pior do que imaginamos.

Mais logo volto.
Abraços para todos.

O cartonete do Lopes

O tema já foi tratado em diversos OCS's, mas não posso deixar de "mandar" a minha bicada: o cartaz do PSD intitulado "Este sabe quem é".

Questão para debate filosófico: a que "agente" se refere aquele cartonete?

Temos duas alternativas: ou se refere ao eleitor/votante ou ao próprio Lopes.

Analisemos, então.

Quem é que sabe??

1-Será o eleitor, transeunte que se confronta com aquela "gema" do publicitismo (sim, que por ser tão mau aquilo não é, por certo, publicidade) político? Não pode ser porque é impossível que todos os eleitores saibam quem Lopes é. Os eleitores de "Rossio ao Sul do Tejo", povoação que Lopes nunca visitou, não o conhecem fisicamente (ainda bem digo eu! porque aquilo, nas palavras da minha Aurora, não tem ponta por onde se lhe pegue), muito menos conheceram as meninges do Lopes e suas apófises para-intelectuais, ou mesmo os seus bravos e heróicos feitos: tentem perguntar a Celeste Cambota (habitante e eleitora de Rossio ao Sul do Tejo) se conhece os buracos que "O Lopes" deixou na Figueira e no Marquês?

2-Será o próprio Lopes? Será que ele sabe quem é? E o que é que ele é? Dirigentis desportivus, advogadus, jurisconsul, comentadoris politicus e desportivus, dirigentis politicus , "autarcus interruptus". Pai, multiplo pai, marido, plurimarido, relacionado cinhico, relacionado florico????? O homem não faz a mínima ideia do que anda aqui a fazer. O homem não é um líder, é um busca-pólos...é uma bússola numa siderurgia!! Nada se lhe conhece , porque de muitos "nadas" ou de muitos "poucos" é feito o seu passado. Nem os livros que saíram sobre a sua alegada "obra" foram escritos por ele. Nem é ele que escreve os seus discursos. Será que ele está convencido que é um entendido em alguma coisa? Acho que não, e tal facto nota-se na insegurança e auto-desconfiança que o Lopes tem apresentado nos últimos tempos e nas suas últimas intervenções.

Daqui se extrai que o cartonete (que esteticamente é um dejecto!) tem um conteúdo balofo e seco, ou seja, não o tem, concorrendo, por isso, com a paisagem pelo preenchimento do campo visual dos cidadãos. Mas, como em comparação com a paisagem o cartonete fica sempre a perder, menos razões existem para a sua existência e permanência.

A conclusão que apresentamos para esta nossa incursão pelo campo da filosofia do "egocentrismo cartonitico" é:

"abatam-se os cartonetes do Lopes".

P.S. Abraços para o Luís e para o David e para a "boa alma" de Viana do Castelo. Como diriam os Da Weasel : "Santa Luzia power"!!

A Marinha Grande de Sócrates

José Sócrates decidiu falar acerca dos boatos de que é vítima. Agiu, desmentindo-os e classificando-os de "rídiculos", após Pedro Santana Lopes ter "ultrapassado todos os limites". Ao falar no momento certo, Sócrates conseguiu converter a seu favor a onda de rumores e que seres intelectual e politicamente diminuidos pensavam que poderia atingir a imagem do secretário-geral do PS.
Também em 1986 outros igualmente inteligentes sonharam que umas chapadas na cara de Mário Soares poderia arrasar com o líder histórico socialista. A vitória nas presidenciais veio a provar o contrário.
Pedro Santana Lopes já provou de que é capaz de tudo. Mas ao dar o dito por não dito, mandando dizer que afinal se referia aos "colo dos poderosos" que estarão alegadamente a levar Sócrates ao poder, conseguiu ser ainda mais estúpido do que quando insinuou acerca da vida privada de uma pessoa.
Nunca a maioria absoluta do PS esteve tão perto. Tal como a Marinha Grande foi o clik que "virou" a campanha a favor de Soares, também agora um incidente de campanha provocado pelo adversário pode ser representar para os socialistas o passo definitivo para a vitória absoluta. A concretizar-se um resultado histórico do PS, o culpado é só um: Pedro Santana Lopes. Nem o debate de hoje o deverá salvar.

PS - Saúdo o regresso do desaparecido em combate António Mira. Força, António! LR

02 fevereiro 2005

Notas de Campanha

No Marquês de Pombal estão afixados uns cartazes a defender o voto em branco. Não percebo a intenção, já que até Freitas do Amaral indicou que vai votar no PS.

Em Entrecampos foi afixado o único cartaz da Nova Democracia. A pomba ficou bem.

Na Pç. de Espanha, todos os fins de tarde, encontramos sempre as mesmas bandeiras defraldadas ao vento. São do Millenium BCP a anunciar, esse sim, um acontecimento importante: a mini-maratona de Lisboa. Conclusão: Paulo Teixeira Pinto mentiu quando disse que ia abandonar a política...não perde uma ocasião para abanar a bandeirinha.

Jerónimo de Sousa não cumpriu, na sua última intervenção na SIC Notícias, o número mínimo de enunciação de "portantos" definidos pelo Comité Central na sua última reunião na Soeiro Pereira Gomes. Vai ter que ouvir novamente "Preparação para enfrentar os media" o curso em cassete que é vendido na papelaria do Hotel Vitória, e que tanto sucesso teve no passado.

Francisco "Patanisca-Batanete" Louçã à medida que os comícios descem, geograficamente, o país, vai perdendo a espuma ao canto da boca ("uma bolinha em cada canto") que tanto furor criou nos revolucionários acrónicos (revivalistas do gonçalvismo, figura profundamente admirada pela sua vivacidade e loucura pelo Batanete) da cintura industrial de Viana do Castelo.
Na ausência de excrecências salivares em suficiência, aconselha-se ao aderecista a contemplação das hipóteses "Maionese Calvet" e "Chantilly Mimosa".

Paulo Portas mudou de laca e o "toldo" já não fixa como antigamente... para quando a política de verdade capilar assumida pelo irmão Miguel, que como sabeis é o único português que pode, presentemente, reclamar ser um exilado político...em Bruxelas.

Santana Lopes queixa-se das sondagens, da gripe, de Sócrates, de Portas, dos media, do Sporting, da JSD...nem a medalha ao FCPorto resultou! O rapaz tem que ir ao bruxo (não pode ser bruxa porque senão ele ainda diz que ela está a contribuir para a diminuição da qualidade do debate político).

Sobre Sócrates não tenho notas...Tenho pena que o Vitorino tenha tido que ficar até tão tarde na Comissão.

DEBATER 2

Os debates norte-americanos têm regras. E há entidades que discutem e criticam essa regras. Mas as regras são pensadas em função dos eleitores e de quem vai votar, e não de quem pretende a preferência dos eleitores (i.e., os partidos e os candidatos).

Veja-se o que se passou em 2004


"First Presidential Debate
George W. Bush (R), President and John F. Kerry (D), United States Senator (MA)
Date: September 30, 2004
Location: University of Miami
City: Coral Gables, FL
Time: 9:00 - 10:30 p.m. Eastern
Sponsor: Commission on Presidential Debates
Moderator: Jim Lehrer, PBS
Topic: Foreign Policy and Homeland Security
Viewership: 62.4 million (Data provided by Nielsen Media Research)
Format: 90-minute debate with candidates standing at podiums. Candidates questioned in turn with two-minute responses, 90-second rebuttals and, at moderatorÕs discretion, discussion extensions of one minute."

Interesse público não é o interesse socialista democrático ou o social democrático...é o público.

Mas, claro, isto é os EUA, país que, como diria Francisco "Trauliteiro-Patanisca-Batanete" Louçã, está corroído pelo demónio conservador-autoritarista-defensor-da-lei-e-da-ordem do bush (sim com letra minúscula). Um país que nas ultimas eleições, devido estas degenerações democráticas e à influência do "demónio bush" até viu a taxa de abstenção diminuir, algo que obviamente é mal compreendido pelos "albaneses radicados em Lisboa" que acham correcta a manipulação dos media e a propaganda negra (Alexandre Pizarroso Quintero, sic) emanada dos comités centrais dos partidos de esquerda, desde que isso coloque precisamente a esquerda no poder.




DEBATER

Nos EUA existe uma realidade chamada CPD que rege os debates eleitorais.

Não depende do enviesamento dos media ou dos humores dos candidatos.

Não depende do clima emocional subjacente ou implícito.

Não depende da mediocridade e da menoridade intelectual dos elementos que constituem o staff de cada candidato.

A missão da "Comission on Presidential Debates" é : "The Commission on Presidential Debates (CPD) was established in 1987 to ensure that debates, as a permanent part of every general election, provide the best possible information to viewers and listeners. Its primary purpose is to sponsor and produce debates for the United States presidential and vice presidential candidates and to undertake research and educational activities relating to the debates".

Cá em Portugal quem é que se interessa por dar a melhor informação possível a espectadores e votantes?

Quem é que se interessa numa campanha em dar informação?

Quem, numa eleição portuguesa, é que respeita a razão de ser do sistema, que são os cidadãos?


01 fevereiro 2005

Responsabilidade

O Público e o DN de hoje dão, de mão beijada, a primeira vitória de Santana Lopes na corrente campanha. Podia dizer que o crime compensa, mas é pior que isso. o conceito de responsabilidade social da imprensa desapareceu de vez. É pena. Por mim, só falo de insinuações quando o seu autor as assumir. Aí, faço-o com aspas. É tudo.

31 janeiro 2005

El Rei D. Sebastião

Li nos jornais que o mestre Manuel de Oliveira voltou no seu melhor. Fala, desta vez, do mito de El Rei D. Sebastião. Elogiam-se os actores, o argumento, tudo mas tudo. E tem-se esquecido o timming do filme.

É certo que Oliveira o rodou há um ano - e que já passou em Veneza. É certo, portanto, que ninguém podia prever a altura em que apareceria nos ecrãs portugueses - nem mesmo o Zandinga o poderia fazer, tal a sequência de imprevisíveis que se verificam de há um ano para cá.

Mas, visto à luz de hoje, não há altura melhor para o país olhar para o seu íntimo. O mito de D. Sebastião perdura nos portugueses como um vazio no seu estômago. E isso mostra-se em tudo, do futebol à política, alimentando a depressão natural de quem precisa de um rumo e de um líder.

Outros países há que cedo aprenderam a sobreviver sem o estadista que se segue, até mesmo sem o Estado que querem ver diminuído ao mínimo. Por cá, continuamos a olhar à volta, à espera que alguém nos tire do beco sem saída.

É por isso, julgo, que se houve uma e só uma pergunta nos dias de hoje: "mas eu voto em quem?"
À falta de melhor resposta, o melhor é ver o mestre Oliveira. Não resolve o problema, mas descansa a alma.

Democracia

Houve votos no Iraque, pela primeira vez.
Não é preciso muitas linhas. Basta dizer que é bom. Bom para o Iraque e bom para o mundo. Bom, também, que os votos não fossem adiados, assim como não foram em Timor.

Gostava de ouvir a velha Europa dizer isso mesmo, só por uma questão de coerência. Acrescentando que o mais difícil começa agora. A comemoração da democracia só deve ser feita quando esta é estável e não reversível. Que seja o caso.

29 janeiro 2005

Campanha alegre III

O PPD/PSD acabou de colocar uns cartazes novos pelo país.
Rezam assim, com a cara de Santana Lopes:
"este sim, você já conhece".
Pois. Mas era mais directo assim:
"Este sim, você já conhece. Já comeu e não gostou".

Será que o senhor acha mesmo que o que as pessoas conhecem dele o beneficia?!
Será que ele não percebe que é exactamente o contrário?!

P.S. Já há uns meses que disse isto, mas o DN de hoje ajuda à tese: a única maneira do PSD conseguir ganhar votos nesta campanha é colocando em causa a decisão do Presidente da República. Para se votar em quem não se gosta, só se esse voto for contra quem ainda se gosta menos. É da psicologia, mas também da política.
O pior é quando se passa mês e meio a dar razão ao PR. Mas isso é outra história.

28 janeiro 2005

Campanha alegre II

Santana Lopes admitiu hoje que teve dívidas às Finanças relativas a juros e justificou que isso pode acontecer a qualquer cidadão que vive do seu salário.

Bagão Félix acredita absolutamnete que o primeiro-ministro tem a sua situação fiscal regularizada e diz que a notícia aparaceu para prejudicar Santana na campanha.

Sampaio chamou o presidente da Autoridade da Concorrência para discutir a venda da Lusomundo, temendo concentração nos media.

José Sócrates teme que aos ataques de Bagão a Freitas do Amaral sejam retaliação pelo seu apoio ao PS.

PSI20 ganhou 0,9% na última semana.


Conclusão: A campanha corre bem e segue o seu caminho.


Campanha alegre I

1. Freitas do Amaral apoia o PS. Não surpreende ninguém. É a evolução natural das coisas. Mais, Freitas do Amaral defende uma maioria absoluta, como forma de responsabilizar o PS. Não surpreende ninguém. Não foi ele candidato presidencial apoiado por uma? Não foi ele nomeado presidente da assembleia-geral da ONU por uma? Então estamos conversados. É um sinal dos tempos, não é notícia (e com isto nem sequer digo se concordo ou não).

2. Ontem ouvi Francisco Louçã conversar com um trabalhador de uma empresa de transportes públicos marítimos. Dizia o senhor que os trabalhadores fazem horas extra e que isso é que é bom, para a empresa e para os trabalhadores - que assim recebem mais. Louçã, incomodado, dizia que o problema é que os trabalhadores não eram pagos por isso. O homem respondia que ao caso eram pagos, sim senhor. Conclusão: o candidato do Bloco não anda com sorte nenhuma.

3. Sondagens: Todas colocam o PSD abaixo dos 30%. Santana Lopes diz que é um complot. Portanto vai processar as empresas de sondagens depois das eleições. Suponho, portanto, que vai processar o próprio PSD por usar dados de sondagens do Expresso para a própria campanha. Sim, aquelas em que junta PSD e CDS para mostrar uma curva ascendente. Essas mesmas.

4. José Sócrates anda caladinho, muito caladinho, a recolher os apoios públicos esperados. Não surpreende. Mas já disse e repito - acabando como começei - que para uma maioria absoluta é preciso ser mais arrojado. É preciso mostrar a um país que sabe merecer a sua confiança. Sem explicar a maioria absoluta, sem a exigir, ela não vai cair do céu.

26 janeiro 2005

Campanha incendiária II

Governo atribui Medalha de Mérito Turístico ao FC Porto

O FC Porto vai ser agraciado quinta-feira com a Medalha de Mérito Turístico, "pelo seu contributo para a promoção da imagem e notoriedade de Portugal, através dos seus
extraordinários resultados desportivos internacionais", informou hoje o Ministério do Turismo.

25 janeiro 2005

Campanha incendiária

"Um incêndio deflagrou hoje à tarde na sede do PCP de Coimbra, devido a um curto-circuito na instalação eléctrica, mas não se alastrou ao resto do edifício, disse à Agência Lusa fonte do partido."

24 janeiro 2005

Cristo desceu à terra

Disse António Guterres que Portugal precisa de uma maioria absoluta como do pão para a boca. Mais, disse António Guterres que, de tal maneira elaé necessária, que mais valia uma maioria absoluta do PSD que uma maioria relativa do PS.

Para vos ser sincero, nunca tinha ouvido António Guterres dizer alguma coisa tão acertada. Foram seis anos, mais três de espera. Nove. Mas ao menos tirou a lição.

Fica uma única - pequenina - dúvida: há alguém que a mereça?



P.S. O L.R. voltou com um tiro em cheio. O M.S. vai ter que voltar aos elogios.

Chico Patanisca

Francisco Louçã continua a espalhar a sua superioridade moral pelas câmaras de televisão que o acompanham na sua pré-campanha. Depois do atestado de inimputabilidade política passado a Paulo Portas por causa da questão do aborto, eis que o camarada Louçã considera Bagão Félix sem "qualificação" para debater a temática do fascismo.
Ao contrário de muitos outros, não vou criticar o líder cooptado do Bloco de Esquerda. Elogio-lhe a franqueza e a honestidade intelectual em assumir o que Pedro Oliveira do Barnabé designou de "moralismo jacobino", ou seja, o "elemento intrínseco à cultura política do BE".

Também Mário Soares, no principio dos anos 80, deixou que o PS patrocinasse uma campanha nojenta que atacava politicamente Francisco Sá Carneiro pelo facto de viver em união de facto com Snu Abecassis quando ainda não se tinha divorciado da sua primeira mulher. Essa campanha foi tão nojenta como aquela que Pedro Santana Lopes, verdadeiro autista do poder, permite que dirigentes do PSD espalhem por telemóveis pagos pelo Estado visando o líder socialista José Sócrates. Tal como em 1980, Sá Carneiro ganhou a primeira maioria absoluta à frente da AD, também Sócrates poderá ter o mesmo resultado. Esse será o prémio para os palermas social-democratas que pensam que boatos acerca da vida intima das pessoas rendem votos.

Da mesma forma, Francisco Louçã arrisca-se a ficar bem atrás da CDU de Jerónimo de Sousa. Primeiro, porque exclui boa parte da sua base social de apoio, como os casais e os estudantes sem filhos, os homossexuais e os transexuais, da discussão sobre o aborto. E, finalmente, porque muitos poucos têm verdadeiramente "qualificação" para discutir com Louçã e os seus camaradas bloquistas. A verdade absoluta que representa o programa do BE só está ao alcance da compreensão dos iluminados. Aqueles que viram a luz como o Chico Patanisca. LR

Post avulso

1. Regresso.
Só agora vi que o M.S. se meteu comigo. Ele gosta de intrigas, mas ao caso não tem razão. Ele, que lê o insubmisso, sabe que eu voltei porque quis. E que desapareci porque quis. E que o mesmo se passa com qualquer um de nós. É isso a blogosfera: um espaço de escrita para quando queremos. Agora, M.S., apetece-me. Gosto de saber que gostas de ver.

2. Bola.
Não posso deixar de manifestar interesse na vitória do Sporting. O que incomoda é que seja com dois golos (bons) do Sá Pinto. Algo me diz que, agora, ninguém o vai tirar da equipa.

3. O J.P.H. anda entretido com o que mais vale na vida. Acho que essas tarefas, meu caro, fazem falta ao dr. Louçã. Olhar pelos filhos dá, seguramente, outra serenidade para discutir os assuntoss sérios da vida.

4. As mulheres das redacções não páram de falar no Jude Law, num filme qualquer com a Julia Roberts. Acho que o país feminino não quer saber da política para nada.

Centenas de páginas de programas

OK meus amigos. Já li os programas do PS e PSD - eu e mais dois ou três loucos deste país, que não gostam de mais nada na vida. Ficam algumas - breves - conclusões:

1. Os partidos ainda não perceberam o que é um programa eleitoral. As análises exaustivas não são lidas por ninguém, por exemplo. Mais: 130 ou 160 páginas é quase um Ulisses. E, confesso, bem menos interessante.
2. Pelos vistos ainda ninguém percebeu que estamos numas eleições diferentes. Se olharmos bem, há mil e uma propostas para cada área. Um disparate. O país não precisa de tantas ideias. Precisa de funcionar melhor. Só isso.
3. No seguimento disto: cada vez que se avança com uma nova ideia, devia ser-se obrigado a apresentar os seus custos. Garanto que havia menos ideias.
4. Claramente, no que dz respeito a linhas programáticas, o que mais distingue PS e PSD é a perspectiva de poder. Os socialistas são mais cautelosos porque o aguardam; os social-democratas mais aventureiros porque dão tudo para o manter. Neste ponto, os socialistas são, obviamente, mais prudentes. O que é bom.
5. O que me parece interessante é que, excepção feita aos capítulos da redução do Estado, PS e PSD voltam ao centro, piscando o olho à esquerda. É natural. Mas não é bom. Ao contrário do que os discursos parecem dizer, Portugal ainda não está em tempo de apostar no social. Ou é impressão minha, ou o José Sócrates sabe-o melhor do que Santana Lopes.





23 janeiro 2005

Uns e outros

Ontem foi a vez de José Sócrates. Ouvi o discurso do líder socialista, sem novidades, bem tratado do ponto de vista mediático. Pensei que fosse bom pronúncio.

Comecei a ler o programa e percebi que sim e que não. Por partes:
o programa socialista é vago q.b.. O que pode ser bom - ser vago é sinal de consciência das dificuldades. E pode ser mau - dificuldade em assumir que a governação que se segue implica dificuldades.

À primeira vista, o programa socialista parece-me o mais "centrão" de sempre. Mais até do que nos tempos de António Guterres. Mas as suas cautelas mostram precisamente o que Marcelo dizia ontem: é de centro, mas também de esquerda. Ou seja, nem uma coisa nem outra.

Vou terminar a leitura, para tirar conclusões paralelas.
Daqui a nada, prometo.

22 janeiro 2005

Responsabilidade

Devo dizer que o meu comentário ao programa do PSD vai ser mais demorado do que eu esperava. Ontem consegui ler metade dele. Pelo que vejo, há despesa a mais para meu gosto. Como disse no post em baixo, é o que dá ter muitas "ideias": custa dinheiro e soa a falta de seriedade. Mesmo que algumas sejam bem intencionadas.

Enfim, prometo uma análise mais detalhada para breve. Agora é a vez do PS.
Uma coisa garanto: desta vez ganha as eleições quem for mais responsável. Acho que há alguns anos que os portugueses que votam já perceberam a regra da democracia: as ilusões pagam-se caro.

Até já.


P.S. Ontem vi Santana Lopes duas vezes na SIC. No Expresso da Meia Noite esteve no seu melhor. Tudo o que de bom foi feito, foi ele, garante; o que de mau aconteceu, nada sabe; quanto aos que dizem mal dele, só queriam o seu lugar. É inveja, pois claro. "Em Portugal, a inveja não é um sentimento, é um sistema", dizia José Gil, na Pública da última semana.

21 janeiro 2005

Promessas custam caro

Por falar em falsos puritanos, temos meio país a chatear a cabeça ao líder do PS, alegadamente por não apresentar grandes ideias ao eleitorado. É outra crítica que me faz rir.Como sempre, neste país, o eng. Sócrates é preso por ter cão e preso por não ter.
Percebo bem o dilema e, se me permitir, deixo-lhe um conselho: o melhor mesmo é não falar mais do que o indispensável. É que as promessas, senhor engenheiro, custam muito dinheiro ao país. E quem só teve três meses para apresentar um projecto não pode saber o que é preciso fazer para dar “um rumo” ao país. Garanto-lhe, é muito mais do que imagina. E também muito mais difícil.
Por isso, fique caladinho, bem discreto, sempre que isso for possível. Mostre apenas que não quer destruir tudo, porque muito do que foi feito vai dar-lhe muito jeito no futuro. Seja um líder responsável, que é isso, e só isso, que este país precisa, que este povo quer.

O nível da imprensa

Algures no final do ano passado, muitos amigos (e não só) resolveram atacar o Insubmisso pela publicação de um post em que se fazia referência a assuntos privados.
Na altura, mesmo tendo em conta o exagero das respostas e o que foi publicado na imprensa sobre o assunto, resolvemos recuar. O Insubmisso, blogue que se assume na defesa da liberdade responsável, assumiu também a postura mais responsável, católica até: corrigir o caminho e seguir em frente.

Pois bem, chegados a esta campanha, gostaria de desafiar os que nos criticaram a fazer o mesmo com alguns órgãos de comunicação social. Sou directo: vejam a Visão desta semana e respondam se gostaram de ver o trabalho sobre os boatos. Vejam, mas com atenção: as insinuações, as ligações entre caras e boatos, entre líderes e o resto. Vejam, mas vejam mesmo. E depois cá estaremos para comentar.

Se querem que vos diga, meus amigos (e não só), estou farto de falsos puritanos. Estou cá para assumir as minhas responsabilidades. Espero que todos, mas todos, os que me criticaram estejam cá para asssumir as suas.

Abraços e até já

Regresso

A minha mulher disse-me ontem:
"Tens que pôr qualquer coisa no blogue. Nem que seja como o JPH, que fez um post a dizer que as mulheres mandam nele e que escreveu umas linhas a mando da ASL".
Por isso, cá está.

04 janeiro 2005

Ter medo político

O que é ter medo político?
-É convidar o Pôncio Monteiro para as listas de um partido para contrabalançar a acção do Pinto da Costa pelo outro partido
-É um açoriano encabeçar uma lista partidária...no Alentejo, para não ser nº 3 nos Açores (lugar duvidosamente elegível)
-É falar sobre as cerimónias de graduação do 12ºano (de "atirar o chapelinho ao ar"), quando as coisas verdadeiramente importantes e polémicas continuam a não ser alvo de debate político
-É não tomar posições de fundo e de longo prazo porque o tacho de curto prazo pode estar comprometido, nomeadamente o lugar de deputado ou de assessorzinho

Há quem chame a isto calculismo. Eu chamo-lhe cobardia. É este o primeiro e mais importante princípio para ter sucesso na vida política portuguesa.

"Calai-vos e comei esta é a carne de que é feita a V. carreira e a dos V. protegidos"

Este é um país de medrosos e fracos


País suspenso ou país falhado?

A este canto à beira mar chamou-lhe D.D. "país suspenso".

Discordo.

Suspenso chama-se a algo que tinha concretização marcada mas que por impossibilidade súbita se vê obrigado a ser concretizado mais tarde.

Mas isso pressupõe que "o algo" que se adia e se suspende seja substante e que essa substância seja relevante.

Ora aquilo que temos não é substante nem relevante, antes inconsequente.

E cá continuamos nós, mais uma vez, à espera de D. Sebastião.

Bom ano aos valorosos portugueses que se mantém aqui no burgo

Tudo de bom

29 dezembro 2004

A lista

A política portuguesa adora destas coisas. Fazer listas, apresentar nomes, chamar os "independentes". Não importa que ninguém se importe. Para a política portuguesa, a lista é tudo. Dá para reforçar compadrios, mostrar "trunfos", disputar títulos nos jornais.

Depois, é o que se vê. As "surpresas", quando aparecem, são zero - ou pouco mais. Os nomes não passam disso mesmo. Valem o mesmo que o nosso, qualquer um, pela blogosfera.

O M.S., meu amigo, atira-se hoje a um deles. Faz mal, outra vez. E faz mal pela razão (por menos tinha muitos mais a criticar) mas, essencialmente, pela importância a que atribui à lista. Francamente, não tem nenhuma.

Pobre país o nosso, diria Pacheco Pereira.
País suspenso o nosso, na espera eterna de um nome que o salve.

Lá vem ano

Estamos a dois dias de um ano novo. Se este acabou assim, o mais que vos posso dizer é que se preparem para o que lá vem.

A saber: um Governo despedido em campanha; uma coligação suspensa à procura de votos em separado; um PS ansioso pelo regresso ao poder, à espera da primeira maioria absoluta; uma esquerda desejosa da primeira oportunidade de poder em 30 anos; a direita à procura de uma maioria que sozinha não terá; um PSD a afiar as facas; presidenciais a caminho; autárquicas nas sobras.

A vida política portuguesa, enfim, estará particularmente animada. Pena é que o país continue adiado. Mas sobre isso temos tempo para conversar. Aqui, no Insubmisso, sim senhor.

De resto, bom ano para todos. Que sejam felizes. É o que importa.

24 dezembro 2004

Mistura explosiva

Não satisfeito com a derrota de 16 de Dezembro de 2001, Jorge Nuno Pinto da Costa quer tirar a prova dos nove e arriscar a sua última cartada política, apoiando ou protagonizando uma candidatura à Câmara do Porto. A ambição e o gosto pelo risco é de salutar. A manifesta intenção de pressionar o sistema judicial pela via política é que não.

Rui Rio devia ter ficado calado perante, segundo o Público, a pequena provocação de Rui Moreira - outro protocandidato - para comentar "a alegada contradição entre a aposta na marca Porto e a desqualificação do fenómeno do futebol", mas Rio não se conteve e comparou Pinto da Costa a Bernard Tapie e Gil y Gil. Uma pequena provocação infantil e desnecessária.

A concretizar-se um eventual apoio do PS a uma candidatura de Pinto da Costa ou um aproveitamento político do apoio público de Pinto da Costa ao candidato do PS, a liderança de José Sócrates utilizará não só uma mistura explosiva - futebol vs política - como pactuará com uma situação incompatível: a acção política de cidadãos que foram constituídos arguidos por um juíz de direito devido à suspeição da prática de crimes de corrupção.

Foi precisamente esta a regra estabecida por António Guterres para determinar o afastamento (temporário ou não) de dirigentes do PS que tivessem problemas com a Justiça. Foi também esta a regra esquecida aquando do espoletar do caso de Fátima Felgueiras, mas que Ferro Rodrigues, posteriormente, repôs. Esperemos que também José Sócrates tenha memória. Tanto mais que, convém não esqueçer, as relações entre a Câmara do Porto e o Futebol Clube do Porto e o Boavista também estão a ser investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Judiciária.

23 dezembro 2004

Ensaio sobre a lucidez

Em época de festa, ou melhor, desejavelmente de festa, o melhor que posso fazer é desejar a todos um santo Natal.

Bem hajam.

Nobre Guedes II

Diz o Público que:

"
Santana Lopes manifesta "total confiança" a Nobre Guedes
O primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, recebeu esta noite o ministro do Ambiente, Luís Nobre Guedes, manifestando-lhe "total confiança" relativamente ao anúncio da solução para os resíduos sólidos urbanos, segundo o gabinete do primeiro-ministro"


É politicamente correcto afirmar que a inversa não é verdadeira

Tudo de bom e um Santo Natal

A MEDIDA II

Será que vão lançar uma taxa de circulação aos pombos??? 25 cêntimos o km de voadela?!

Mas que raio é a medida???

A MEDIDA

Mas que raio será a medida????


Nobre Guedes I

Tenho uma sincera admiração por Luís Nobre Guedes. Acho que faz parte de uma classe à parte de portugueses...poderia viver aqui, em Londres, Paris , Milão, Nova Iorque, Berlim ou Bruxelas...tenho a certeza que estaria bem em qualquer lugar.

Uma das particularidades de Luís Nobre Guedes é que neste mundo de selvagens é um gentleman. Um dos poucos que existe em Portugal. Aconteça o que acontecer, Nobre Guedes não faz publicamente comentários. Dirá em privado o que lhe apetecer, mas em público não.

Esta educação de Luís Nobre Guedes faz com que aconteçam estas coisas macabras: toda a gente sabe que Nobre Guedes tem mais legitimidade, autoridade e razões para dizer mal e revelar coisas sobre Santana Lopes do que Henrique Chaves, só que o Luís não o faz.

Ainda por cima quando lhe apetece ir embora (porque a paciência e a educação de um homem têm limites!!!!), ainda consegue arranjar coragem para dar o exemplo de humildade continuando no cargo (aceitando e ilustrando a máxima "do partido disciplinado" defendida por Portas: o chefe manda, o chefe tem)

Tudo de bom

A "MEDIDA" e o trânsito em Lisboa

Só agora percebi porque é que não há trânsito nos acessos a Lisboa.

Não, não é por ser vésperas de Natal e ninguém trabalhar!

É que está toda a gente grudadaà RTP N e à SIC N à espera que o "Deseducador do Povo"(que recebeu o poder incontestadamente do "herdeiro português do verdadeiro, e da Bayer, educador do povo: Arnaldo de Matos") e o seu "acólito tremoceiro das finanças" anunciem a MEDIDA.

Tudo de bom

A Tecnologia e eu, mais uma vez, e a conferência do Santana e do Bagão

As malfadadas máquinas que nos conduzirão ao Apocalipse, tal qual S. João descreveu, voltaram a deixar-me entrar neste mundo virtual e de aventura (esta soou bem e é a minha homenagem ao Dr. João Loureiro e à sua banda BAN de quem o Luís Rosa tanto gosta).

Devido aos momentos críticos em que esta permissão de entrada acontece, sou levado a acreditar que, definitivamente, Deus tem qualquer coisa a ver (e não a "haver"!!!...pelo menos a Edite Estrela diz que é assim que se escreve em bom português) com a blogosfera e que tem um plano, por definição divino, para o mundo que passa pelo universo dos bits e bytes.

Será que esse plano já se concretizou e o sucesso dos Gato Fedorento e da parafernália que se grudou a eles não é a prova disso? Será que os seus 42000 exemplares de DVD (o único no mundo com "bidé na capa") não são prova dos insondáveis caminhos do Senhor?

Será que o insucesso do livro do Barnabé e o sucesso do "meu pipi" não serão também parte essencial desse "blueprint"?

Será que as catacumbas e sub-caves do Vaticano estarão carregadas de serenos seminaristas hackers que decidem o que vai ter ou não vai ter sucesso na internet???


É melhor parar por aqui , porque com tanta ficção e irrealidade já pareço o Santana e o Bagão em conferência de imprensa

A ceia de Natal

Depois da Missa do Galo, rigorosamente às 24H00:

Barca Velha 1995 à temperatura ambiente (18-20 ºC) (tenho uma garrafinha de Pêra Manca de 1998 "just in case")
Míscaros salteados
Patê de Canard au Port
Carpaccio de vitelinha finamente condimentado
Salmão Fumado com mistura de 5 pimentas e Limão das Beiras
Queijinho de Serpa
Queijinho de Azeitão
Torradinhas caseiras de pão saloio
Pão de ló ensopadinho com recheio de ovos moles
Doce Caseiro de Xila com bolachinha
Chá verde com óleo de bergamota e aroma de manga que acompanha com bolacha shortbread inglesa/escocesa
3 Kompensans
1 Guronsan