20 março 2005
A lealdade orgânica já tem blogue
O Zé resolveu criar um blogue. Chama-se "O Estado das Coisas" e ainda está a ser afinado, o que não impediu o camarada de dar a conhecer esta autêntica pérola. Seja bem-vindo e que venham as polémicas! LR
19 março 2005
Recomendação de leitura
O Pedro Caeiro do Mar Salgado escreveu uma bela posta que deve ser lida por todos os que se interessam pelo tema da refundação ou, segundo Vasco Pulido Valente, da fundação da direita portuguesa. LR
Bem prega Frei Tomás - parte 2
Caro Paulo Gorjão
Começo por dizer que aprecio as suas críticas ao jornalismo que se pratica em Portugal. De uma forma geral, os seus posts sobre a prática jornalística são equilibrados. Por isso mesmo, aceito continuar discutir consigo.
1 – Não sou nada corporativo, muito menos no direito à crítica. Muito mau é o jornalista que não sabe lidar com as apreciações dos seus leitores. A blogosfera, aliás, desempenha um papel fundamental na crítica e na detecção de erros no trabalho dos jornalistas. Os profissionais só têm a ganhar com a análise crítica dos blogger’s.
2 – Desde sempre que o Paulo crítica a utilização generalizada do “off” no jornalismo político. Chegou mesmo a escrever que “as fontes não identificadas são um obstáculo à transparência”. A sua contradição, meu caro, é óbvia: se defende o principio de que o “off” deveria ser uma excepção, então não pode dar relevância a notícias feitas sem declarações oficiais ou assumidas.
3 – Mas a discussão é muito interessante. Já li no seu blog que o “off” deveria ser circunscrito a “casos de denúncia de situações de ilegalidade e pouco mais”.
Não concordo consigo. A função original do “off” passa pela contextualização ou o enquadramento da notícia em causa. Em vez de utilizar as suas palavras, o jornalista cita palavras ou descreve ideias de pessoas com quem falou.
Em segundo lugar, o “off” pode ser o veículo ideal, para as fontes e para os jornalistas, para dar um exclusivo. Se a fonte que dá o “off” for oficial, a informação tem outra credibilidade. Se a fonte não for oficial, o jornalista tem que cruzar a informação com outras fontes. Não é pelo simples facto de a informação ser dada em “off” que a mesma não tem, à partida, crebilidade. Depende dos casos e da avaliação do jornalista.
Se não fosse o “off”, o Paulo Gorjão e outros leitores não poderiam saber o que se passa nas reuniões partidárias – ou noutros encontros similares que tenham igualmente interesse público – que têm o sigilo ou a reserva como característica principal.
O “off” permite ainda chegar ao conhecimento de informações que, de outra forma, o jornalista não conseguiria. Através do “off” podemos chegar à documentação necessária para escrevemos a notícia ou a pistas verificáveis.
O principal problema do “off” tem haver com a manipulação de que o jornalista pode ser vítima por parte das fontes. É um risco que se corre. Mas só quem escreve notícias é que pode decidir se vale a pena, ou não.
Mas, como em tudo na vida, o bom senso pode evitar erros primários, como aquele de Mário Soares ter protagonizado uma candidatura presidencial consensual em 1986...
As regras do bom jornalismo são simples. Os jornalistas é que complicam. Nenhum jornalista – a começar por mim – pode dizer que não cometeu erros.
4 – Para concluir, deixo a Paulo Gorjão uma sugestão para uma nova... ou melhor, uma sugestão para uma discussão clássica sobre o jornalismo português. Porque razão os jornais portugueses não assumem nos seus estatutos editoriais o seu posicionamento ideológico ou não assumem editorialmente a defesa ou oposição a temas fundamentais para a vida da comunidade? Porque razão em Portugal a capa da falsa e inexistente objectividade jornalística serve para praticar um aguerrido e dependente jornalismo ideológico? Porque razão jornais com linhas editoriais de esquerda como, por exemplo, o “Público”, não assumem a sua tendência ideológica dominante, “vendendo” ao leitor uma objectividade que, manifestamente, não existe nalgumas notícias publicadas? E, finalmente, porque razão os 4 anos do primeiro Governo de António Guterres tiveram um escrutínio completamente diferente daquele a que os Governos de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes foram sujeitos?
Tenho respostas para estas perguntas, mas, porque o post já vai longo, gostava de saber primeiro o que pensa Paulo Gorjão. LR
Começo por dizer que aprecio as suas críticas ao jornalismo que se pratica em Portugal. De uma forma geral, os seus posts sobre a prática jornalística são equilibrados. Por isso mesmo, aceito continuar discutir consigo.
1 – Não sou nada corporativo, muito menos no direito à crítica. Muito mau é o jornalista que não sabe lidar com as apreciações dos seus leitores. A blogosfera, aliás, desempenha um papel fundamental na crítica e na detecção de erros no trabalho dos jornalistas. Os profissionais só têm a ganhar com a análise crítica dos blogger’s.
2 – Desde sempre que o Paulo crítica a utilização generalizada do “off” no jornalismo político. Chegou mesmo a escrever que “as fontes não identificadas são um obstáculo à transparência”. A sua contradição, meu caro, é óbvia: se defende o principio de que o “off” deveria ser uma excepção, então não pode dar relevância a notícias feitas sem declarações oficiais ou assumidas.
3 – Mas a discussão é muito interessante. Já li no seu blog que o “off” deveria ser circunscrito a “casos de denúncia de situações de ilegalidade e pouco mais”.
Não concordo consigo. A função original do “off” passa pela contextualização ou o enquadramento da notícia em causa. Em vez de utilizar as suas palavras, o jornalista cita palavras ou descreve ideias de pessoas com quem falou.
Em segundo lugar, o “off” pode ser o veículo ideal, para as fontes e para os jornalistas, para dar um exclusivo. Se a fonte que dá o “off” for oficial, a informação tem outra credibilidade. Se a fonte não for oficial, o jornalista tem que cruzar a informação com outras fontes. Não é pelo simples facto de a informação ser dada em “off” que a mesma não tem, à partida, crebilidade. Depende dos casos e da avaliação do jornalista.
Se não fosse o “off”, o Paulo Gorjão e outros leitores não poderiam saber o que se passa nas reuniões partidárias – ou noutros encontros similares que tenham igualmente interesse público – que têm o sigilo ou a reserva como característica principal.
O “off” permite ainda chegar ao conhecimento de informações que, de outra forma, o jornalista não conseguiria. Através do “off” podemos chegar à documentação necessária para escrevemos a notícia ou a pistas verificáveis.
O principal problema do “off” tem haver com a manipulação de que o jornalista pode ser vítima por parte das fontes. É um risco que se corre. Mas só quem escreve notícias é que pode decidir se vale a pena, ou não.
Mas, como em tudo na vida, o bom senso pode evitar erros primários, como aquele de Mário Soares ter protagonizado uma candidatura presidencial consensual em 1986...
As regras do bom jornalismo são simples. Os jornalistas é que complicam. Nenhum jornalista – a começar por mim – pode dizer que não cometeu erros.
4 – Para concluir, deixo a Paulo Gorjão uma sugestão para uma nova... ou melhor, uma sugestão para uma discussão clássica sobre o jornalismo português. Porque razão os jornais portugueses não assumem nos seus estatutos editoriais o seu posicionamento ideológico ou não assumem editorialmente a defesa ou oposição a temas fundamentais para a vida da comunidade? Porque razão em Portugal a capa da falsa e inexistente objectividade jornalística serve para praticar um aguerrido e dependente jornalismo ideológico? Porque razão jornais com linhas editoriais de esquerda como, por exemplo, o “Público”, não assumem a sua tendência ideológica dominante, “vendendo” ao leitor uma objectividade que, manifestamente, não existe nalgumas notícias publicadas? E, finalmente, porque razão os 4 anos do primeiro Governo de António Guterres tiveram um escrutínio completamente diferente daquele a que os Governos de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes foram sujeitos?
Tenho respostas para estas perguntas, mas, porque o post já vai longo, gostava de saber primeiro o que pensa Paulo Gorjão. LR
18 março 2005
Tiro de precisão
"O Choque Tecnológico
Ele aí está, triunfante e imparável...Ontem, o Governo do PS marcou para as 6 e meia da tarde a entrega do Programa de Governo no Parlamento. O documento só chegou depois das 8, por causa de problemas informáticos na presidência do Conselho de Ministros. E, afinal, não passava de uma cópia das 163 páginas do programa eleitoral dos socialistas.Hora e meia de atraso por causa de um copy-paste....Que melhor forma de inaugurar o choque tecnológico que com um ligeiro curto-circuito. Isto promete!"
Martim Silva, in "Mau Tempo no Canil"
Ele aí está, triunfante e imparável...Ontem, o Governo do PS marcou para as 6 e meia da tarde a entrega do Programa de Governo no Parlamento. O documento só chegou depois das 8, por causa de problemas informáticos na presidência do Conselho de Ministros. E, afinal, não passava de uma cópia das 163 páginas do programa eleitoral dos socialistas.Hora e meia de atraso por causa de um copy-paste....Que melhor forma de inaugurar o choque tecnológico que com um ligeiro curto-circuito. Isto promete!"
Martim Silva, in "Mau Tempo no Canil"
A estrada da Sofia
A Sofia dos Estados da Nação tem uma estrada: o pensamento único, condicionado pela já habitual generalização de factos e pessoas.
1. A Sofia gosta, p.e., de acusar o Independente, por via do Luís Rosa, de fazer intriga. A Sofia, pois claro, não lê o Independente e menos ainda o Luís Rosa.
Generaliza, lá está, e concentra a crítica no que mais lhe interessa, deturpando uma crítica que sentiu na pele. É uma estrada, mas não é a nossa.
2. Ainda a Sofia, compara Barroso e Sócrates num processo de intenção. É a mesma estrada: Barroso não cumpriu (é um facto) em dois anos - e não em quatro, que são da legislatura. Culpa sua, certo. Mas isto também é um facto.
Já Sócrates ainda não começou e a Sofia já diz que cumpre o que prometeu. É uma crença, uma fé, uma estrada. É a da Sofia, não a minha.
Posso até concordar - concordo - que um programa seja copiado do manifesto eleitoral. Acho bem, mesmo que nenhum deles seja concreto. Acho prudente, sim senhor. Mas isso não me garante que as promessas sejam cumpridas. sobre isso, falamos mais tarde. É que a minha estrada é outra.
1. A Sofia gosta, p.e., de acusar o Independente, por via do Luís Rosa, de fazer intriga. A Sofia, pois claro, não lê o Independente e menos ainda o Luís Rosa.
Generaliza, lá está, e concentra a crítica no que mais lhe interessa, deturpando uma crítica que sentiu na pele. É uma estrada, mas não é a nossa.
2. Ainda a Sofia, compara Barroso e Sócrates num processo de intenção. É a mesma estrada: Barroso não cumpriu (é um facto) em dois anos - e não em quatro, que são da legislatura. Culpa sua, certo. Mas isto também é um facto.
Já Sócrates ainda não começou e a Sofia já diz que cumpre o que prometeu. É uma crença, uma fé, uma estrada. É a da Sofia, não a minha.
Posso até concordar - concordo - que um programa seja copiado do manifesto eleitoral. Acho bem, mesmo que nenhum deles seja concreto. Acho prudente, sim senhor. Mas isso não me garante que as promessas sejam cumpridas. sobre isso, falamos mais tarde. É que a minha estrada é outra.
17 março 2005
Bem prega Frei Tomás...
O Paulo Gorjão é um leitor atento de jornais e um crítico contundente do jornalismo político que se pratica em Portugal. Defende convictamente que os jornalistas devem usar o "off" em situações excepcionais. Muito bem.
O problema é que entra em contradição facilmente. Apoiante de Manuel Maria Carrilho, candidato do PS à Câmara de Lisboa, Gorjão resolveu citar uma notícia d' "A Capital" feita sem um único "on" - e com base numa única fonte próxima de Ferro, fonte essa perfeitamente conhecida de todos os jornalistas - que relata um hipotético afastamento do ex-secretário-geral da corrida eleitoral.
Gorjão deu credibilidade a uma notícia que refere que Ferro só avançará se houver consenso em redor do seu nome "tal como aconteceu, por exemplo, com a candidatura de Mário Soares à presidência da República". Qualquer jornalista minimamente preparado sabe que em 1986 se houve coisa que não houve à esquerda foi consenso. As razões: Francisco Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo.
"By the way", porque razão Ferro Rodrigues não avança como Soares em 86? Receio ou calculismo? LR
O problema é que entra em contradição facilmente. Apoiante de Manuel Maria Carrilho, candidato do PS à Câmara de Lisboa, Gorjão resolveu citar uma notícia d' "A Capital" feita sem um único "on" - e com base numa única fonte próxima de Ferro, fonte essa perfeitamente conhecida de todos os jornalistas - que relata um hipotético afastamento do ex-secretário-geral da corrida eleitoral.
Gorjão deu credibilidade a uma notícia que refere que Ferro só avançará se houver consenso em redor do seu nome "tal como aconteceu, por exemplo, com a candidatura de Mário Soares à presidência da República". Qualquer jornalista minimamente preparado sabe que em 1986 se houve coisa que não houve à esquerda foi consenso. As razões: Francisco Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo.
"By the way", porque razão Ferro Rodrigues não avança como Soares em 86? Receio ou calculismo? LR
Dos Estados da Nação
Os humores dos Estados da Nação andam por baixo.
Parece que só o novo Governo os alegra.
É pouco, meus amigos. Mas fico feliz por vós também.
P.S. Já viram as últimas sobre o Programa de Governo? Parece que é "tão concreto" como o programa eleitoral. Ou seja, que é igual ao dito.
Não é curioso como as legislaturas mudam mas os processos são os mesmos? Curioso mundo, este.
Parece que só o novo Governo os alegra.
É pouco, meus amigos. Mas fico feliz por vós também.
P.S. Já viram as últimas sobre o Programa de Governo? Parece que é "tão concreto" como o programa eleitoral. Ou seja, que é igual ao dito.
Não é curioso como as legislaturas mudam mas os processos são os mesmos? Curioso mundo, este.
Spring time
O país que me desculpe, mas esta vaga de calor é uma maravilha.
Bem sei que a seca afecta todos, que anda muita gente preocupada, mas digam lá com sinceridade: não é linda a Primavera?
Desejos de bom dia,
Bem sei que a seca afecta todos, que anda muita gente preocupada, mas digam lá com sinceridade: não é linda a Primavera?
Desejos de bom dia,
16 março 2005
A Política da Terra Queimada ou a Birra do Pedro
Pedro Santana Lopes (PSL) parece o Exército Vermelho na IIª Guerra Mundial.... antes de sair das povoações queima tudo à sua volta de forma a que o invasor não tenha mantimentos para se abastecer. PSL deu cabo, a nível nacional, da direita voltar ao poder nos próximos 8 anos. PSL vai dar cabo da possibilidade de a direita voltar à presidência da CML nos próximos 8 anos. PSL parece um miúdo: "não é meu não é de mais ninguém"
Acho que poderíamos chamar Lopes de "O Verdadeiro Maçarico" ou simplesmente "o Fósforo Quinas"...há incendiários a cumprir pena em Vale de Judeus que não queimaram tanto como ele.
Acho que poderíamos chamar Lopes de "O Verdadeiro Maçarico" ou simplesmente "o Fósforo Quinas"...há incendiários a cumprir pena em Vale de Judeus que não queimaram tanto como ele.
Bom e mau tempo no Canil
1. O M.S., do Mau Tempo, pensa bem. Diz, por exemplo, que Santana Lopes fez bem em voltar à Câmara e que, por isso, não percebe a histeria em torno do seu regresso.
Não só é verdade, como acrescento a reacção geral, não voltasse o ex-PM à Câmara. Qualquer coisa assim: "Lá está ele! Nunca termina o que começou".
Embora isso não explique o tempo e a forma como o fez.
2. O mesmo M.S. analisa bem um mau sinal do Governo: a insistência silenciosa sobre o suposto aumento de impostos. Não só é errado, diz o M.S., como mostra uma insistência particular em não alterar o que tem que ser alterado dentro do próprio estado. Seria de louvar o aumento de impostos, fosse a receita o problema. Não é. É a despesa.
3. O que o M.S. interpreta menos bem, julgo eu, são as palavras de Vítor Constâncio. Caro Mau Tempo: o que o governador fez foi um aviso sério aos senhores que nos governam: não inventem, porque não há dinheiro. Ou seja, ponham lá as portagens, s.f.f.
E isso é bem diferente e muito mais responsável.
Abraços do Insubmisso,
Não só é verdade, como acrescento a reacção geral, não voltasse o ex-PM à Câmara. Qualquer coisa assim: "Lá está ele! Nunca termina o que começou".
Embora isso não explique o tempo e a forma como o fez.
2. O mesmo M.S. analisa bem um mau sinal do Governo: a insistência silenciosa sobre o suposto aumento de impostos. Não só é errado, diz o M.S., como mostra uma insistência particular em não alterar o que tem que ser alterado dentro do próprio estado. Seria de louvar o aumento de impostos, fosse a receita o problema. Não é. É a despesa.
3. O que o M.S. interpreta menos bem, julgo eu, são as palavras de Vítor Constâncio. Caro Mau Tempo: o que o governador fez foi um aviso sério aos senhores que nos governam: não inventem, porque não há dinheiro. Ou seja, ponham lá as portagens, s.f.f.
E isso é bem diferente e muito mais responsável.
Abraços do Insubmisso,
O Clan Avillez quer refundar a Direita
Há muito tempo tempo que não recortava nada dos jornais e da televisão.
Recortei 1 artigo de Jaime Nogueira Pinto no Expresso (com continuação prometida para o próximo fim-de-semana); a entrevista de Maria José Nogueira Pinto ao Público/Renascença (com perguntas do lado Renascença muito bem pensadas) com transcrição no Público de 2ªfeira; a entrevista de Rogeiro dada a Maria João Avillez (desta vez sobre a Direita...embora, confesse, estivesse à espera de uma incursão sobre os contornos autofágicos da atitude predatória do bacilo de Koch, tema que, como sabeis, é um, dos muitos, que Rogeiro domina).
Todos estes apontamentos têm 1 coisa em comum: uma deliberada intenção do clan Avillez de refundar a Direita Portuguesa.
Meritória vontade. Pobre resultado, para já. A salientar de positivo algumas ideias de Maria José Nogueira Pinto. Desilusão quanto ao texto de Jaime Nogueira Pinto. Rogeiro encarreirou também pela mediania, embora extremamente inteligente. Rogeiro sofre dos males da retórica pós-moderna...é espasmódico. Pena.
Este tempo todo que me invade e que me permite recortar estas coisas e ler outras, permite-me efectuar estes "remarkes" e pensar que o percurso que tem de ser efectuado pela direita portuguesa nos próximos anos foi aquele que foi efectuado pela direita francesa nos anos 70. Com uma pequena diferença. É que em França eles tinham Raymond Aron e Revel e outros que tais e nós cá temos... o que temos.
A propósito, do baú tirei "Mémoires" do Raymond Aron e "Le rejet de l'etat" de J.-F. Revel. Prazeres e delícias que me fazem sonhar. Outra "coisa" que retirei do baú foi "Uma solução para Portugal" de Diogo Freitas do Amaral...na altura (198...) este homem era de direita.
Recortei 1 artigo de Jaime Nogueira Pinto no Expresso (com continuação prometida para o próximo fim-de-semana); a entrevista de Maria José Nogueira Pinto ao Público/Renascença (com perguntas do lado Renascença muito bem pensadas) com transcrição no Público de 2ªfeira; a entrevista de Rogeiro dada a Maria João Avillez (desta vez sobre a Direita...embora, confesse, estivesse à espera de uma incursão sobre os contornos autofágicos da atitude predatória do bacilo de Koch, tema que, como sabeis, é um, dos muitos, que Rogeiro domina).
Todos estes apontamentos têm 1 coisa em comum: uma deliberada intenção do clan Avillez de refundar a Direita Portuguesa.
Meritória vontade. Pobre resultado, para já. A salientar de positivo algumas ideias de Maria José Nogueira Pinto. Desilusão quanto ao texto de Jaime Nogueira Pinto. Rogeiro encarreirou também pela mediania, embora extremamente inteligente. Rogeiro sofre dos males da retórica pós-moderna...é espasmódico. Pena.
Este tempo todo que me invade e que me permite recortar estas coisas e ler outras, permite-me efectuar estes "remarkes" e pensar que o percurso que tem de ser efectuado pela direita portuguesa nos próximos anos foi aquele que foi efectuado pela direita francesa nos anos 70. Com uma pequena diferença. É que em França eles tinham Raymond Aron e Revel e outros que tais e nós cá temos... o que temos.
A propósito, do baú tirei "Mémoires" do Raymond Aron e "Le rejet de l'etat" de J.-F. Revel. Prazeres e delícias que me fazem sonhar. Outra "coisa" que retirei do baú foi "Uma solução para Portugal" de Diogo Freitas do Amaral...na altura (198...) este homem era de direita.
15 março 2005
Água para que te quero!
Ontem foi noticiado que cerca de metade da água consumida em Portugal (quer no âmbito doméstico e industrial, quer no agrícola) é desperdiçada ou perdida no seu percurso até ao consumidor! Falhas ou fracturas no complexo e irracional sistema de condutas assim como bocas-de-incêndio mal vedadas ou simplesmente destruídas foram dadas como as principais razões no que diz respeito ao desperdício de água no circuito doméstico e industrial. Sistemas obsoletos ou rudimentares e pouco eficazes no caso do consumo agrícola.
Cumprindo a velha e incontornável tradição lusitana, obviamente que se aguardou por um ano de seca, quando já é tarde demais, para se fazer o estudo que conduziu às conclusões acima mencionadas. Acho que numa era em que a ecologia, a racionalização e a luta contra o desperdício (em especial da água) estão em voga, mais uma vez conseguimos surpreender o mundo, descontraidamente, com estas noticias brilhantes, contrariando calmamente o esforço que os nossos vizinhos europeus fazem para obter resultados positivos nestas áreas.
Mais giro ainda é a forma como se nota que naturalmente um pais rico em todos os sentidos, como o nosso, ignore esta noticia, como se a ninguém dissesse respeito. Provavelmente não terá qualquer espécie de impacto politico e como não mete ao barulho qualquer figura publica de relevo, é óbvio que a coisa das farmácias ou as eleições de um partido em crise terão sem dúvida muito mais interesse tanto para o jornalismo como para a sociedade em geral. Em termos políticos nem sequer estou à espera que este venha a ser um tema relevante.
O facto é meus amigos, que sem aguinha a malta não vive, não toma banho nem cozinha. Mas o que é lá isso comparado com todas as coisas bem mais importantes que se vão passando neste país e que tanto deslumbram as inteligências polidas e brilhantes daqueles que se dedicam a causas maiores como a política dentro da política e outras que em termos humanos (no sentido de máquina biológica) pouco ou nada contribuem para o nosso verdadeiro bem-estar e qualidade de vida! Talvez apenas uns quantos brejeiros como eu tenham sido tocados pela notícia da água. Mas de água preciso eu para viver, do resto logo se vê!
Lembrem-se só disto: Da próxima vez que encherem um copo de água numa torneira ou tomarem um duche, uma quantidade equivalente do precioso líquido terá sido completamente desperdiçada formando uma nova poça ou buraco algures pelo país. Dá que pensar.
Anarcatólico
Cumprindo a velha e incontornável tradição lusitana, obviamente que se aguardou por um ano de seca, quando já é tarde demais, para se fazer o estudo que conduziu às conclusões acima mencionadas. Acho que numa era em que a ecologia, a racionalização e a luta contra o desperdício (em especial da água) estão em voga, mais uma vez conseguimos surpreender o mundo, descontraidamente, com estas noticias brilhantes, contrariando calmamente o esforço que os nossos vizinhos europeus fazem para obter resultados positivos nestas áreas.
Mais giro ainda é a forma como se nota que naturalmente um pais rico em todos os sentidos, como o nosso, ignore esta noticia, como se a ninguém dissesse respeito. Provavelmente não terá qualquer espécie de impacto politico e como não mete ao barulho qualquer figura publica de relevo, é óbvio que a coisa das farmácias ou as eleições de um partido em crise terão sem dúvida muito mais interesse tanto para o jornalismo como para a sociedade em geral. Em termos políticos nem sequer estou à espera que este venha a ser um tema relevante.
O facto é meus amigos, que sem aguinha a malta não vive, não toma banho nem cozinha. Mas o que é lá isso comparado com todas as coisas bem mais importantes que se vão passando neste país e que tanto deslumbram as inteligências polidas e brilhantes daqueles que se dedicam a causas maiores como a política dentro da política e outras que em termos humanos (no sentido de máquina biológica) pouco ou nada contribuem para o nosso verdadeiro bem-estar e qualidade de vida! Talvez apenas uns quantos brejeiros como eu tenham sido tocados pela notícia da água. Mas de água preciso eu para viver, do resto logo se vê!
Lembrem-se só disto: Da próxima vez que encherem um copo de água numa torneira ou tomarem um duche, uma quantidade equivalente do precioso líquido terá sido completamente desperdiçada formando uma nova poça ou buraco algures pelo país. Dá que pensar.
Anarcatólico
14 março 2005
A culpa morre solteira?
A venda dos medicamentos que dispensam receita médica em qualquer estabelecimento e não apenas nas farmácias parece-me, à primeira vista, uma decisão acertada. Mas confesso que não compreendi porque é que José Sócrates escolheu este sector como exemplo do que pretende mudar nem porque o fez no discurso da tomada de posse, no meio de referências à necessidade de finanças públicas sãs, de compromisso no combate à pobreza ou da prioridade que é a aposta na educação.
Disse o PM que entre os objectivos imediatos do Governo está a resolução “de estrangulamentos que impedem que o interesse geral se imponha aos interesses particulares e corporativos que não servem a maioria dos portugueses”. Por isso mesmo, muitos outros exemplos podiam ter sido apontados por Sócrates. Em matéria de concorrência, sectores como as telecomunicações, a energia ou os notários são paradigmáticos. Não que as farmácias estejam excluídas na lista, mas não se entende porque é que só elas mereceram referência na tomada de posse quando, nas telecomunicações por exemplo, não faltam queixas sobre práticas de dumping, os preços chegam a ser 40 por cento acima dos praticados noutros países e a PT é proprietária da rede fixa e do cabo, algo que não existe em nenhum Estado europeu. Terá Sócrates encontrado os bodes expiatórios?
Disse o PM que entre os objectivos imediatos do Governo está a resolução “de estrangulamentos que impedem que o interesse geral se imponha aos interesses particulares e corporativos que não servem a maioria dos portugueses”. Por isso mesmo, muitos outros exemplos podiam ter sido apontados por Sócrates. Em matéria de concorrência, sectores como as telecomunicações, a energia ou os notários são paradigmáticos. Não que as farmácias estejam excluídas na lista, mas não se entende porque é que só elas mereceram referência na tomada de posse quando, nas telecomunicações por exemplo, não faltam queixas sobre práticas de dumping, os preços chegam a ser 40 por cento acima dos praticados noutros países e a PT é proprietária da rede fixa e do cabo, algo que não existe em nenhum Estado europeu. Terá Sócrates encontrado os bodes expiatórios?
13 março 2005
Falta de vergonha I
Na mesma peça do "Público" em que as farmácias e os farmacêuticos criticam a intenção de José Sócrates, aparece um especialista em direitos do consumidor e professor universitário - assim é apresentado pelo jornal - chamado Beja Santos, também ele crítico de Sócrates, que faz a seguinte declaração:
"Agora percebo que os hipermercados foram os grandes financiadores da campanha do PS e que já estão a exigir a factura"
Será que isto é uma ameaça da ANF e/ou da OF?
Os próximos tempos podem ser muito interessantes.
"Agora percebo que os hipermercados foram os grandes financiadores da campanha do PS e que já estão a exigir a factura"
Será que isto é uma ameaça da ANF e/ou da OF?
Os próximos tempos podem ser muito interessantes.
Falta de vergonha
As farmácias são dos melhores negócios existentes em Portugal. É certo que o Estado não paga a tempo e horas, mas as margens de lucros dos fármacos excedem em larga medida os prejuízos causados pelos atrasos. A Associação Nacional de Farmácias (ANF), com a ajuda da Ordem dos Farmacêuticos (OF), existe para fazer com que o negócio seja o mais lucrativo possível. Os interesses dos consumidores, ao contrário do que a ANF jura, não fazem parte das preocupações dos farmacêuticos.
As reacções da ANF e da OF à intenção de José Sócrates em acabar com o exclusivo das farmácias na venda de medicamentos que não necessitem de receita médica são reveladoras duma desonestidade intelectual a toda a prova. Eis os argumentos rasteirinhos:
1 - Comunicado da ANF: "Todos os estudos internacionais demonstram que os medicamentos devem ser apenas dispensados em locais que garantam a máxima confiança e sob aconselhamento directo dos farmacêuticos"
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, por exemplo, a venda do tipo de medicamentos em causa está autorizada em hipermercados, supermercados, lojas de coveniência, etc. Nesses locais existem farmacêuticos que aconselham os consumidores. Os tais estudos "internacionais" devem ter sido feito em Portugal.
2 - Comunicado da ANF: "É no mínimo surpreendente a prioridade atribuída à medida" que "nunca foi reclamada pelos portugueses, em particular pelos doentes". A ANF deve viver noutro planeta. Todos os portugueses que, por causa de uma simples gripe, comprem numa farmácia um caixa de benuron, outra de cêgripe, um xarope e uma caixa de pastilhas para a tosse reclamam, e não é pouco, os mais de 20 euros que têm de pagar. É certo que os supermercados baixarão os preços, mas, enfim, já dizia alguém: "é a vida". Ou como diria outro mais recentemente: "habituem-se!".
3 - António Marques da Costa da Ordem dos Farmacêuticos: "Há estudos que evidenciam o desenvolvimento de doenças crónicas, sobretudo, hepáticas por uso excessivo de certos medicamentos". É pena que a unidose, que permitiria reduzir o consumo de medicamentos, não mereça o apoio público e empenhado dos farmacêuticos...
Espero sinceramente que a próxima medida na Saúde seja a aplicação da unidose.
José Sócrates começou bem.
Impressões e expectativas
Concretizada a tomada de posse dos ministros do XVII Governo Constitucional é altura de emitir as primeiras impressões e expectativas sobre o elenco executivo.
1. À primeira vista, salta o corte geracional – sem que isso represente propriamente uma renovação – que José Sócrates decidiu fazer. Homens fortes do guterrismo como Jorge Coelho e António Vitorino, além do caso especial de Jaime Gama, ficam de fora. Só Gama mantém alguma influência. É uma página que se vira no PS.
Este Governo espelha bem a aliança José Sócrates/António Costa. O ex-eurodeputado consegue espalhar vários homens da sua confiança por diferentes Ministérios, com destaque para a Justiça, mas, mais importante do que isso, consegue pastas que lhe dão real e influente poder político: polícias, bombeiros, protecção civil, autarquias, segurança rodoviária, reforma administrativa e descentralização. Existe ainda a possibilidade de Costa de ficar com a tutela da Polícia Judiciária e, por delegação de poderes do primeiro-ministro, com os serviços de informações.
Não sei se a aliança Sócrates/Costa durará quatro anos. Parece-me que não.
2. A qualidade técnica e política do conjunto dos ministros é equilibrado. Atlantistas (Luís Amado), federalistas (Freitas do Amaral), liberalizadores (Correia de Campos) liberais (Campos e Cunha e Manuel Pinho), estatistas e esquerdistas (Vieira da Silva, Mário Lino e Santos Silva) e tecnocratas (Nunes Correia, Jaime Silva, Lurdes Rodrigues, Mariano Gago). A mão-de-ferro com que o animal feroz Sócrates coordenará a sua equipa vai obrigá-los a uma coexistência pacífica. Veremos se todos obedecerão. Só depois de começarem a decidir (ou não) é que se pode fazer juízos de valor.
3. A maior parte dos ministros não tiveram autonomia para formarem as suas equipas de secretários de Estado a seu gosto, logo não podem ser responsabilizados pelos maus resultados. Nalguns casos José Sócrates cedeu a interesses partidários. Noutros colocou homens e mulheres da sua confiança para "controlarem" políticamente o ministro. Manuel Pinho é o caso mais flagrante. Não escolheu um único secretário de Estado dos três que vão trabalhar consigo.
4. A duas primeiras medidas de José Sócrates revelam bom senso e determinação. Com duas eleições nos restantes 9 meses, juntar as autárquicas com o referendo europeu parece-me razoável. Atacar o lobbie da Associação Nacional de Farmácias logo na tomada de posse merece o maior elogio. Permitir a venda de medicamentos que não necessitem de receita médica noutros estabelecimentos que não as farmácias é uma medida que de facto – como o próprio Sócrates disse – defende os interesses dos consumidores. As reacções inacreditáveis – pela desonestidade intelectual revelada – das farmácias e dos farmacêuticos revela que Sócrates está no bom caminho. Esperemos que a determinação continue.
4. Desejo, sinceramente, as melhores felicidades a este Governo. José Sócrates não é propriamente um personagem simpático, mas de gajos porreiros está o país cheio. Não é a sua simpatia que me interessa, mas sim a sua competência para gerir os destinos de Portugal. Sócrates tem todas as condições – políticas e pessoais – para vir a ser um bom primeiro-ministro. Terá quatro anos para provar que mereceu a confiança que os portugueses depositaram em si. Veremos se corresponderá.
1. À primeira vista, salta o corte geracional – sem que isso represente propriamente uma renovação – que José Sócrates decidiu fazer. Homens fortes do guterrismo como Jorge Coelho e António Vitorino, além do caso especial de Jaime Gama, ficam de fora. Só Gama mantém alguma influência. É uma página que se vira no PS.
Este Governo espelha bem a aliança José Sócrates/António Costa. O ex-eurodeputado consegue espalhar vários homens da sua confiança por diferentes Ministérios, com destaque para a Justiça, mas, mais importante do que isso, consegue pastas que lhe dão real e influente poder político: polícias, bombeiros, protecção civil, autarquias, segurança rodoviária, reforma administrativa e descentralização. Existe ainda a possibilidade de Costa de ficar com a tutela da Polícia Judiciária e, por delegação de poderes do primeiro-ministro, com os serviços de informações.
Não sei se a aliança Sócrates/Costa durará quatro anos. Parece-me que não.
2. A qualidade técnica e política do conjunto dos ministros é equilibrado. Atlantistas (Luís Amado), federalistas (Freitas do Amaral), liberalizadores (Correia de Campos) liberais (Campos e Cunha e Manuel Pinho), estatistas e esquerdistas (Vieira da Silva, Mário Lino e Santos Silva) e tecnocratas (Nunes Correia, Jaime Silva, Lurdes Rodrigues, Mariano Gago). A mão-de-ferro com que o animal feroz Sócrates coordenará a sua equipa vai obrigá-los a uma coexistência pacífica. Veremos se todos obedecerão. Só depois de começarem a decidir (ou não) é que se pode fazer juízos de valor.
3. A maior parte dos ministros não tiveram autonomia para formarem as suas equipas de secretários de Estado a seu gosto, logo não podem ser responsabilizados pelos maus resultados. Nalguns casos José Sócrates cedeu a interesses partidários. Noutros colocou homens e mulheres da sua confiança para "controlarem" políticamente o ministro. Manuel Pinho é o caso mais flagrante. Não escolheu um único secretário de Estado dos três que vão trabalhar consigo.
4. A duas primeiras medidas de José Sócrates revelam bom senso e determinação. Com duas eleições nos restantes 9 meses, juntar as autárquicas com o referendo europeu parece-me razoável. Atacar o lobbie da Associação Nacional de Farmácias logo na tomada de posse merece o maior elogio. Permitir a venda de medicamentos que não necessitem de receita médica noutros estabelecimentos que não as farmácias é uma medida que de facto – como o próprio Sócrates disse – defende os interesses dos consumidores. As reacções inacreditáveis – pela desonestidade intelectual revelada – das farmácias e dos farmacêuticos revela que Sócrates está no bom caminho. Esperemos que a determinação continue.
4. Desejo, sinceramente, as melhores felicidades a este Governo. José Sócrates não é propriamente um personagem simpático, mas de gajos porreiros está o país cheio. Não é a sua simpatia que me interessa, mas sim a sua competência para gerir os destinos de Portugal. Sócrates tem todas as condições – políticas e pessoais – para vir a ser um bom primeiro-ministro. Terá quatro anos para provar que mereceu a confiança que os portugueses depositaram em si. Veremos se corresponderá.
12 março 2005
O tamanho também conta
Hoje fui em trabalho ao Palácio Nacional da Ajuda assistir à tomada de posse do XVII Governo Constitucional. Mais uma vez fiquei incrédulo com a forma como os símbolos da República são tratados. No mastro do Palácio estava um pano descolorado, tipo t-shirt tamanho "S" e ligeiramente desfiado. Custa muito escolher uma bandeira de jeito para um dos melhores exemplos do nosso património?
Um repto para o senhores do IPPAR: deixem de ser tacanhos e percam os complexos pós-revolucionários. Sigam o exemplo de Carmona Rodrigues na Câmara de Lisboa e coloquem uma bandeira da qual os portugueses se possam orgulhar. É simples, barato e até ajuda a levantar a moral determinista lusitana. LR
Um repto para o senhores do IPPAR: deixem de ser tacanhos e percam os complexos pós-revolucionários. Sigam o exemplo de Carmona Rodrigues na Câmara de Lisboa e coloquem uma bandeira da qual os portugueses se possam orgulhar. É simples, barato e até ajuda a levantar a moral determinista lusitana. LR
11 março 2005
Coerência bloquista
Ana Drago deu mais uma entrevista cheia de verdades absolutas. Desta vez foi ao "Independente". Defensora intransigente do "direito à autonomia sobre o seu corpo", o metro e cinquenta humano mais irritante da esquerda portuguesa diz que "não se pode impor uma gravidez a uma mulher. É uma violência que não faz sentido". Muito bem. É uma opinião legítima.
Mas quando questionada sobre se faria um aborto caso se visse grávida de um filho que não desejava, responde desta maneira: "Sobre essas coisas nunca podemos falar. São situações que não podemos imaginar". Fantástico!
A porta-voz do Bloco de Esquerda para a questão do aborto não sabe o que faria, mas leva uma entrevista inteira a aconselhar as restantes mulheres a praticar a interrupção voluntária da gravidez caso não desejem estar grávidas. Será que o Chico Patanisca vai chegar à conclusão que Ana Drago, como Paulo Portas, não deve falar sobre aborto?
Cheira-me que não vamos saber. As divergências bloquistas são como as lutas internas do partido comunista soviético: não são noticiáveis.
O que será que o barnabé Daniel Oliveira pensa sobre a incoerência de Ana Drago? LR
Mas quando questionada sobre se faria um aborto caso se visse grávida de um filho que não desejava, responde desta maneira: "Sobre essas coisas nunca podemos falar. São situações que não podemos imaginar". Fantástico!
A porta-voz do Bloco de Esquerda para a questão do aborto não sabe o que faria, mas leva uma entrevista inteira a aconselhar as restantes mulheres a praticar a interrupção voluntária da gravidez caso não desejem estar grávidas. Será que o Chico Patanisca vai chegar à conclusão que Ana Drago, como Paulo Portas, não deve falar sobre aborto?
Cheira-me que não vamos saber. As divergências bloquistas são como as lutas internas do partido comunista soviético: não são noticiáveis.
O que será que o barnabé Daniel Oliveira pensa sobre a incoerência de Ana Drago? LR
Preocupações díspensáveis
É sempre bonito quando a esquerda se preocupa com a direita. É mesmo lindo...
O que é o Cinema Português? – Preâmbulo: Breve introdução à história do cinema – Parte I.
Para que melhor compreendam a minha motivação na busca de uma resposta para a questão de fundo que serve de título a este post (e a outros que se lhe seguirão), acho importante fundamentar o meu ponto de vista, começando por debitar alguns aspectos que me parecem essenciais da história do cinema. Esta primeira parte será sem duvida a menos interessante, mas não posso contorná-la pois resume a origem da coisa em si.
A primeira exibição pública daquilo a que hoje vulgarmente chamamos cinema, aconteceu no dia 28 de Dezembro de 1895, no Salon Indien situado na cave do Grand Café, na Boulevard des Capucines em Paris. Os autores dos pequenos filmes projectados nesse dia eram os irmãos Auguste e Louis Lumiére. Foram também os inventores do Cinematógrafo, a máquina que lhes permitia captar, revelar e projectar as imagens dos seus filmes. Eram curtas-metragens, com cerca de dois minutos cada. As mais célebres deste período inicial são: “A saída dos Operários da Fábrica Lumiére” e “A Chegada de um Comboio na Estação de Ciolat”. Pouco tempo depois, Louis Lumiére, defendia que este fenómeno não era mais do que uma moda passageira e afirmou: “O Cinema é uma invenção sem futuro”. Louis só não profetizou uma verdade absoluta com estas palavras porque mais tarde havia de aparecer um tal D. W. Griffith. Mas ainda é cedo para falar dele.
Do outro lado do Atlântico, nos States, a “concorrência” era formada por Thomas Edison e o seu assistente William Kennedy Laurie Dickson. No fundo foi Dickson quem realmente desenvolveu todo o projecto, mas Edison é que levou os louros. A dupla Edison/Dickson concebeu duas máquinas. A primeira permitia apenas a captação das imagens, o Cinetógrafo que foi apresentado em 1889. Esta câmara já filmava em película de 35mm perfurada idêntica à que se utiliza hoje em dia. Em 1893 inauguraram comercialmente (ou não estivéssemos a falar dos States) o Cinetoscópio, a segunda máquina. Esta possibilitava a projecção das imagens, visíveis apenas de forma individual (e não colectiva, como as projecções na parede dos Lumiére). Isto porque o Cinetoscópio funcionava como uma espécie de peep show, em que se espreitava por um visor. Inserindo uma moeda na ranhura do Cinetoscópio, obtiam-se em troca 17 metros (cerca de um minuto) de filme. Dai que se considere que o cinema, como hoje o conhecemos, tenha nascido pelas mãos dos Lumiére e não pelas de Edison e Dickson.
Uma curiosidade: Os temas dos Lumiére eram genericamente de carácter documental. Cenas do quotidiano passadas em décors reais, normalmente exteriores. Em contra-ponto, Dickson filmava exclusivamente fechado no seu laboratório, o primeiro estúdio da história do cinema. Chamava-se Black Maria e era um barracão de madeira com o interior forrado a alcatrão. A Black Maria tinha uma particularidade notável. Para dar o máximo aproveitamento à grande clarabóia inclinada, que servia para iluminar o interior, rodava de modo a acompanhar o movimento do sol, maximizando o número de horas de luz necessária para filmar. Assim é curioso constatar como desde o seu nascimento o cinema trazia, acidentalmente ou não, marcada a sina do seu desenvolvimento conceptual. Uma Europa de décors reais e a América dos estúdios (sem que algum dos casos seja absoluto).
Anarcatólico
A primeira exibição pública daquilo a que hoje vulgarmente chamamos cinema, aconteceu no dia 28 de Dezembro de 1895, no Salon Indien situado na cave do Grand Café, na Boulevard des Capucines em Paris. Os autores dos pequenos filmes projectados nesse dia eram os irmãos Auguste e Louis Lumiére. Foram também os inventores do Cinematógrafo, a máquina que lhes permitia captar, revelar e projectar as imagens dos seus filmes. Eram curtas-metragens, com cerca de dois minutos cada. As mais célebres deste período inicial são: “A saída dos Operários da Fábrica Lumiére” e “A Chegada de um Comboio na Estação de Ciolat”. Pouco tempo depois, Louis Lumiére, defendia que este fenómeno não era mais do que uma moda passageira e afirmou: “O Cinema é uma invenção sem futuro”. Louis só não profetizou uma verdade absoluta com estas palavras porque mais tarde havia de aparecer um tal D. W. Griffith. Mas ainda é cedo para falar dele.
Do outro lado do Atlântico, nos States, a “concorrência” era formada por Thomas Edison e o seu assistente William Kennedy Laurie Dickson. No fundo foi Dickson quem realmente desenvolveu todo o projecto, mas Edison é que levou os louros. A dupla Edison/Dickson concebeu duas máquinas. A primeira permitia apenas a captação das imagens, o Cinetógrafo que foi apresentado em 1889. Esta câmara já filmava em película de 35mm perfurada idêntica à que se utiliza hoje em dia. Em 1893 inauguraram comercialmente (ou não estivéssemos a falar dos States) o Cinetoscópio, a segunda máquina. Esta possibilitava a projecção das imagens, visíveis apenas de forma individual (e não colectiva, como as projecções na parede dos Lumiére). Isto porque o Cinetoscópio funcionava como uma espécie de peep show, em que se espreitava por um visor. Inserindo uma moeda na ranhura do Cinetoscópio, obtiam-se em troca 17 metros (cerca de um minuto) de filme. Dai que se considere que o cinema, como hoje o conhecemos, tenha nascido pelas mãos dos Lumiére e não pelas de Edison e Dickson.
Uma curiosidade: Os temas dos Lumiére eram genericamente de carácter documental. Cenas do quotidiano passadas em décors reais, normalmente exteriores. Em contra-ponto, Dickson filmava exclusivamente fechado no seu laboratório, o primeiro estúdio da história do cinema. Chamava-se Black Maria e era um barracão de madeira com o interior forrado a alcatrão. A Black Maria tinha uma particularidade notável. Para dar o máximo aproveitamento à grande clarabóia inclinada, que servia para iluminar o interior, rodava de modo a acompanhar o movimento do sol, maximizando o número de horas de luz necessária para filmar. Assim é curioso constatar como desde o seu nascimento o cinema trazia, acidentalmente ou não, marcada a sina do seu desenvolvimento conceptual. Uma Europa de décors reais e a América dos estúdios (sem que algum dos casos seja absoluto).
Anarcatólico
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