Por alguma razão o PS tentou referendar a IVG já em Junho. Meteu-se numa confusão tal que já não há Junho para ninguém. Criou expectativas para nada e reverteu, pelo meio, as prioridades indicadas pelo próprio chefe de Governo.
Agora, ficará lá para 2006 - se mais surpresas não aparecerem. Foi uma precipitação que indicia um mau sinal: vai ser difícil, mais do que se esperava, a relação PS/Governo/Parlamento. Imaginem se for eleito um PR à direita.
Outro referendo provável é do europeu. Lá vai mais uma polémica, com a fileira anti-constituição a mostrar algumas surpresas. A consulta pode calhar em simultâneo com as autárquicas, o que só ajuda à tese que não se vai discutir nada. E a falta de esclarecimento é o maior incentivador do "não", como se prova pela Europa.
Falando em Europa, um último caso referendário: em França, o não está cada vez mais próximo de ser uma realidade. Chirac, nem se vê. Raffarin, é melhor nem se ver. As consequências para a Europa serão enormes - para não falar no próprio Governo francês. É mais um problema.
Já não bastava a Europa não estar preparada para reformas, agora tem que levar com a deriva referendária. Assim, a Agenda de Lisboa está cada vez próxima de uma Agenda de Marte. Só quando o Homem chegar lá é que os objectivos são cumpridos.
31 março 2005
30 março 2005
A idade da reforma
O Governo quer aumentar a idade da reforma, porque defende que esta deve acompanhar a evolução da esperança média de vida. Todos sabemos que a sustentabilidade do nosso sistema de Segurança Social está em causa e que cada vez serão menos os trabalhadores no activo a contribuir para pagar a pensão de cada reformado. Pergunto-me é com que idade é que os portugueses, em média, se reformam? A lei estipula os 65 anos, mas com a prática generalizada das pré-reformas, que alastrou aos mais variados sectores de actividade, os portugueses estão efectivamente a deixar de trabalhar muito antes. Porque não começar por aplicar o que está na lei? Não tem nenhum sentido que se continue a estimular o final antecipado da vida laboral, nem sempre desejado pelos trabalhadores e prejudicial à própria sociedade. Porque não começar por fazer coincidir a idade média de reforma com a idade legal. Antes de apelar à necessidade de termos de continuar a trabalhar até aos 67 ou 70 anos, o primeiro passo do novo Governo devia ser o de conseguir que os portugueses se reformassem aos 65 e não antes. E então estimular aqueles que desejam continuar a trabalhar de forma voluntária.
29 março 2005
Será que ninguém pára o Alberto Costa mais a sua inquisitória base de dados
Apesar de todas as garantias de independência na gestão e custódia da anunciada base de dados genética dos portugueses, encontramo-nos à beira da maior afronta à liberdade individual e à vida privada de que há memória em Portugal.
Permitam-me que deixe no ar a ideia de que se tal tipo de informação tivesse sido apanhada por um qualquer ditador ou "click autoritária" os genocídios e assassinatos selectivos de segmentos "não prioritários" da população teriam sido altamente facilitados.
Recordo que por força da preservação dos dados individuais, património inalienável de qualquer um de nós, os Ingleses não têm bilhete de identidade; consideram que o facto de deixar a impressão digital, altura, e outros dados fisicos num fucheiro central é uma afronta à identidade e individualidade de cada um dos cidadãos, não podendo ninguém ter conhecimento, se o próprio não entender, desses dados. Nos Estados Unidos da América passa-se a mesma coisa.
Aqui, aparentemente, ninguém se movimenta contra esta afronta. Porque razão é que Eu, Antonio Mira, numa era em que a investigação científica já nos conduziu a processos de terapia genética, deverei deixar, à mercê de qualquer um , a informação sobre as qualificações e qualidades dos meus genes????????
Será que ninguém vê onde isto nos pode conduzir?
Permitam-me que deixe no ar a ideia de que se tal tipo de informação tivesse sido apanhada por um qualquer ditador ou "click autoritária" os genocídios e assassinatos selectivos de segmentos "não prioritários" da população teriam sido altamente facilitados.
Recordo que por força da preservação dos dados individuais, património inalienável de qualquer um de nós, os Ingleses não têm bilhete de identidade; consideram que o facto de deixar a impressão digital, altura, e outros dados fisicos num fucheiro central é uma afronta à identidade e individualidade de cada um dos cidadãos, não podendo ninguém ter conhecimento, se o próprio não entender, desses dados. Nos Estados Unidos da América passa-se a mesma coisa.
Aqui, aparentemente, ninguém se movimenta contra esta afronta. Porque razão é que Eu, Antonio Mira, numa era em que a investigação científica já nos conduziu a processos de terapia genética, deverei deixar, à mercê de qualquer um , a informação sobre as qualificações e qualidades dos meus genes????????
Será que ninguém vê onde isto nos pode conduzir?
24 março 2005
Só para vos dizer...
...que, no texto em baixo, está a estreia absoluta da Marta Moitinho Oliveira.
Poupo os elogios, por razões óbvias para muitos. Mas registo com muitíssimo apreço a entrada da minha fonte de inspiração.
Abraços,
Poupo os elogios, por razões óbvias para muitos. Mas registo com muitíssimo apreço a entrada da minha fonte de inspiração.
Abraços,
Estágio para sexta-feira Santa
Quinta-feira de manhã, véspera de sexta-feira Santa.
Ligo para um consultório médico privado.
Eu – Bom dia, eu posso falar com a secretária do sr. doutor?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Ela não está.
Eu – Mas o sr. doutor não dá consulta às quintas-feiras?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Dá.
Eu – Mas então a secretária não está?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Não está cá ninguém, porque amanhã é feriado.
Eu – Ah, obrigada e boa tarde.
Ou seja,
em Portugal as pessoas não trabalham nas vésperas dos feriados para os preparar. Uma espécie de estágio. Porque de facto é preciso muita preparação para tirar o máximo partido dos feriados. Ou será que é precisa muita preparação para tirar o menor partido dos dias de trabalho?
Não me irritou não ter conseguido resolver o meu problema que era pessoal. Até porque segunda-feira é outro dia. Não me irrita não ter este tipo de regalias, porque acho que quem encara assim o trabalho, onde passamos uma grande parte do nosso tempo de vida, só pode ser duas coisas: infeliz ou preguiçoso.
Ou claro, pode ter tanto dinheiro que se possa dar ao luxo de fazer estas coisas. Isso já me irrita um bocadinho mais.
MMO
Ligo para um consultório médico privado.
Eu – Bom dia, eu posso falar com a secretária do sr. doutor?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Ela não está.
Eu – Mas o sr. doutor não dá consulta às quintas-feiras?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Dá.
Eu – Mas então a secretária não está?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Não está cá ninguém, porque amanhã é feriado.
Eu – Ah, obrigada e boa tarde.
Ou seja,
em Portugal as pessoas não trabalham nas vésperas dos feriados para os preparar. Uma espécie de estágio. Porque de facto é preciso muita preparação para tirar o máximo partido dos feriados. Ou será que é precisa muita preparação para tirar o menor partido dos dias de trabalho?
Não me irritou não ter conseguido resolver o meu problema que era pessoal. Até porque segunda-feira é outro dia. Não me irrita não ter este tipo de regalias, porque acho que quem encara assim o trabalho, onde passamos uma grande parte do nosso tempo de vida, só pode ser duas coisas: infeliz ou preguiçoso.
Ou claro, pode ter tanto dinheiro que se possa dar ao luxo de fazer estas coisas. Isso já me irrita um bocadinho mais.
MMO
23 março 2005
A ilusão de S. Bento
José Sócrates saiu ontem do Parlamento com um brilho nos olhos, como quem chegou, viu e venceu. Percebe-se porquê: até à data, o novo primeiro-ministro era apenas acusado pelo seu silêncio. Por isso, preparou meticulosamente as suas intervenções: apontou para o futuro, apelou ao patriotismo – ao recusar dirigir ataques aos governos anteriores –, apresentou prioridades e até calendarizou várias delas.
A satisfação de Sócrates pode, assim, ser compreensível. Mas cedo perceberá que o que encontrou nestes dias em S. Bento não foi mais do que uma ilusão de facilidades, um oásis sem um deserto à volta para atravessar.
Pois à frente desta maioria está, vamos ser honestos, esse enorme deserto de dificuldades. É verdade que tem uma maioria na AR, é verdade que tem o partido a seus pés, é verdade que até em Belém habita (até ver), um Presidente à sua medida. É verdade, também, que lhe caiu no colo uma reforma do PEC que parece feita de acordo com o seu Plano Teconológico.
Mas, para esta caminhada, não basta dizer chega a corporações poderosas, não basta apresentar planos de investimento, nem tão pouco falar de transparência e patriotismo. Tudo isso é bom e bonito, mas a situação do país – já o diziam António Vitorino e Jorge Coelho, que se ficaram pela bancada – exige muito mais do actual Governo: exige, por exemplo, medidas estruturais que reduzam a despesa. Exige, nesse caminho, que a má imagem criada por Ferreira Leite, enquanto responsável pelas Finanças, se multiplique por cinco. É que uma coisa é o que o país quer ouvir, outra, bem diferente, é o que o país precisa de ver feito.
Desta vez, não há ilusões. José Sócrates já disse que se dá bem com maratonas, mas ainda só o vimos fazer a meia-maratona de Lisboa. Vamos ver, agora, como resiste aos Jogos Olímpicos.
DE, 23.03.05
A satisfação de Sócrates pode, assim, ser compreensível. Mas cedo perceberá que o que encontrou nestes dias em S. Bento não foi mais do que uma ilusão de facilidades, um oásis sem um deserto à volta para atravessar.
Pois à frente desta maioria está, vamos ser honestos, esse enorme deserto de dificuldades. É verdade que tem uma maioria na AR, é verdade que tem o partido a seus pés, é verdade que até em Belém habita (até ver), um Presidente à sua medida. É verdade, também, que lhe caiu no colo uma reforma do PEC que parece feita de acordo com o seu Plano Teconológico.
Mas, para esta caminhada, não basta dizer chega a corporações poderosas, não basta apresentar planos de investimento, nem tão pouco falar de transparência e patriotismo. Tudo isso é bom e bonito, mas a situação do país – já o diziam António Vitorino e Jorge Coelho, que se ficaram pela bancada – exige muito mais do actual Governo: exige, por exemplo, medidas estruturais que reduzam a despesa. Exige, nesse caminho, que a má imagem criada por Ferreira Leite, enquanto responsável pelas Finanças, se multiplique por cinco. É que uma coisa é o que o país quer ouvir, outra, bem diferente, é o que o país precisa de ver feito.
Desta vez, não há ilusões. José Sócrates já disse que se dá bem com maratonas, mas ainda só o vimos fazer a meia-maratona de Lisboa. Vamos ver, agora, como resiste aos Jogos Olímpicos.
DE, 23.03.05
22 março 2005
A resposta tarda, mas surgirá
O trabalho ainda não me deixou responder ao novo post de Paulo Gorjão. Mas até amanhã conseguirei uns minutos de tempo livre para continuar a discussão sobre o jornalismo político que se pratica em Portugal. LR
20 março 2005
A lealdade orgânica já tem blogue
O Zé resolveu criar um blogue. Chama-se "O Estado das Coisas" e ainda está a ser afinado, o que não impediu o camarada de dar a conhecer esta autêntica pérola. Seja bem-vindo e que venham as polémicas! LR
19 março 2005
Recomendação de leitura
O Pedro Caeiro do Mar Salgado escreveu uma bela posta que deve ser lida por todos os que se interessam pelo tema da refundação ou, segundo Vasco Pulido Valente, da fundação da direita portuguesa. LR
Bem prega Frei Tomás - parte 2
Caro Paulo Gorjão
Começo por dizer que aprecio as suas críticas ao jornalismo que se pratica em Portugal. De uma forma geral, os seus posts sobre a prática jornalística são equilibrados. Por isso mesmo, aceito continuar discutir consigo.
1 – Não sou nada corporativo, muito menos no direito à crítica. Muito mau é o jornalista que não sabe lidar com as apreciações dos seus leitores. A blogosfera, aliás, desempenha um papel fundamental na crítica e na detecção de erros no trabalho dos jornalistas. Os profissionais só têm a ganhar com a análise crítica dos blogger’s.
2 – Desde sempre que o Paulo crítica a utilização generalizada do “off” no jornalismo político. Chegou mesmo a escrever que “as fontes não identificadas são um obstáculo à transparência”. A sua contradição, meu caro, é óbvia: se defende o principio de que o “off” deveria ser uma excepção, então não pode dar relevância a notícias feitas sem declarações oficiais ou assumidas.
3 – Mas a discussão é muito interessante. Já li no seu blog que o “off” deveria ser circunscrito a “casos de denúncia de situações de ilegalidade e pouco mais”.
Não concordo consigo. A função original do “off” passa pela contextualização ou o enquadramento da notícia em causa. Em vez de utilizar as suas palavras, o jornalista cita palavras ou descreve ideias de pessoas com quem falou.
Em segundo lugar, o “off” pode ser o veículo ideal, para as fontes e para os jornalistas, para dar um exclusivo. Se a fonte que dá o “off” for oficial, a informação tem outra credibilidade. Se a fonte não for oficial, o jornalista tem que cruzar a informação com outras fontes. Não é pelo simples facto de a informação ser dada em “off” que a mesma não tem, à partida, crebilidade. Depende dos casos e da avaliação do jornalista.
Se não fosse o “off”, o Paulo Gorjão e outros leitores não poderiam saber o que se passa nas reuniões partidárias – ou noutros encontros similares que tenham igualmente interesse público – que têm o sigilo ou a reserva como característica principal.
O “off” permite ainda chegar ao conhecimento de informações que, de outra forma, o jornalista não conseguiria. Através do “off” podemos chegar à documentação necessária para escrevemos a notícia ou a pistas verificáveis.
O principal problema do “off” tem haver com a manipulação de que o jornalista pode ser vítima por parte das fontes. É um risco que se corre. Mas só quem escreve notícias é que pode decidir se vale a pena, ou não.
Mas, como em tudo na vida, o bom senso pode evitar erros primários, como aquele de Mário Soares ter protagonizado uma candidatura presidencial consensual em 1986...
As regras do bom jornalismo são simples. Os jornalistas é que complicam. Nenhum jornalista – a começar por mim – pode dizer que não cometeu erros.
4 – Para concluir, deixo a Paulo Gorjão uma sugestão para uma nova... ou melhor, uma sugestão para uma discussão clássica sobre o jornalismo português. Porque razão os jornais portugueses não assumem nos seus estatutos editoriais o seu posicionamento ideológico ou não assumem editorialmente a defesa ou oposição a temas fundamentais para a vida da comunidade? Porque razão em Portugal a capa da falsa e inexistente objectividade jornalística serve para praticar um aguerrido e dependente jornalismo ideológico? Porque razão jornais com linhas editoriais de esquerda como, por exemplo, o “Público”, não assumem a sua tendência ideológica dominante, “vendendo” ao leitor uma objectividade que, manifestamente, não existe nalgumas notícias publicadas? E, finalmente, porque razão os 4 anos do primeiro Governo de António Guterres tiveram um escrutínio completamente diferente daquele a que os Governos de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes foram sujeitos?
Tenho respostas para estas perguntas, mas, porque o post já vai longo, gostava de saber primeiro o que pensa Paulo Gorjão. LR
Começo por dizer que aprecio as suas críticas ao jornalismo que se pratica em Portugal. De uma forma geral, os seus posts sobre a prática jornalística são equilibrados. Por isso mesmo, aceito continuar discutir consigo.
1 – Não sou nada corporativo, muito menos no direito à crítica. Muito mau é o jornalista que não sabe lidar com as apreciações dos seus leitores. A blogosfera, aliás, desempenha um papel fundamental na crítica e na detecção de erros no trabalho dos jornalistas. Os profissionais só têm a ganhar com a análise crítica dos blogger’s.
2 – Desde sempre que o Paulo crítica a utilização generalizada do “off” no jornalismo político. Chegou mesmo a escrever que “as fontes não identificadas são um obstáculo à transparência”. A sua contradição, meu caro, é óbvia: se defende o principio de que o “off” deveria ser uma excepção, então não pode dar relevância a notícias feitas sem declarações oficiais ou assumidas.
3 – Mas a discussão é muito interessante. Já li no seu blog que o “off” deveria ser circunscrito a “casos de denúncia de situações de ilegalidade e pouco mais”.
Não concordo consigo. A função original do “off” passa pela contextualização ou o enquadramento da notícia em causa. Em vez de utilizar as suas palavras, o jornalista cita palavras ou descreve ideias de pessoas com quem falou.
Em segundo lugar, o “off” pode ser o veículo ideal, para as fontes e para os jornalistas, para dar um exclusivo. Se a fonte que dá o “off” for oficial, a informação tem outra credibilidade. Se a fonte não for oficial, o jornalista tem que cruzar a informação com outras fontes. Não é pelo simples facto de a informação ser dada em “off” que a mesma não tem, à partida, crebilidade. Depende dos casos e da avaliação do jornalista.
Se não fosse o “off”, o Paulo Gorjão e outros leitores não poderiam saber o que se passa nas reuniões partidárias – ou noutros encontros similares que tenham igualmente interesse público – que têm o sigilo ou a reserva como característica principal.
O “off” permite ainda chegar ao conhecimento de informações que, de outra forma, o jornalista não conseguiria. Através do “off” podemos chegar à documentação necessária para escrevemos a notícia ou a pistas verificáveis.
O principal problema do “off” tem haver com a manipulação de que o jornalista pode ser vítima por parte das fontes. É um risco que se corre. Mas só quem escreve notícias é que pode decidir se vale a pena, ou não.
Mas, como em tudo na vida, o bom senso pode evitar erros primários, como aquele de Mário Soares ter protagonizado uma candidatura presidencial consensual em 1986...
As regras do bom jornalismo são simples. Os jornalistas é que complicam. Nenhum jornalista – a começar por mim – pode dizer que não cometeu erros.
4 – Para concluir, deixo a Paulo Gorjão uma sugestão para uma nova... ou melhor, uma sugestão para uma discussão clássica sobre o jornalismo português. Porque razão os jornais portugueses não assumem nos seus estatutos editoriais o seu posicionamento ideológico ou não assumem editorialmente a defesa ou oposição a temas fundamentais para a vida da comunidade? Porque razão em Portugal a capa da falsa e inexistente objectividade jornalística serve para praticar um aguerrido e dependente jornalismo ideológico? Porque razão jornais com linhas editoriais de esquerda como, por exemplo, o “Público”, não assumem a sua tendência ideológica dominante, “vendendo” ao leitor uma objectividade que, manifestamente, não existe nalgumas notícias publicadas? E, finalmente, porque razão os 4 anos do primeiro Governo de António Guterres tiveram um escrutínio completamente diferente daquele a que os Governos de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes foram sujeitos?
Tenho respostas para estas perguntas, mas, porque o post já vai longo, gostava de saber primeiro o que pensa Paulo Gorjão. LR
18 março 2005
Tiro de precisão
"O Choque Tecnológico
Ele aí está, triunfante e imparável...Ontem, o Governo do PS marcou para as 6 e meia da tarde a entrega do Programa de Governo no Parlamento. O documento só chegou depois das 8, por causa de problemas informáticos na presidência do Conselho de Ministros. E, afinal, não passava de uma cópia das 163 páginas do programa eleitoral dos socialistas.Hora e meia de atraso por causa de um copy-paste....Que melhor forma de inaugurar o choque tecnológico que com um ligeiro curto-circuito. Isto promete!"
Martim Silva, in "Mau Tempo no Canil"
Ele aí está, triunfante e imparável...Ontem, o Governo do PS marcou para as 6 e meia da tarde a entrega do Programa de Governo no Parlamento. O documento só chegou depois das 8, por causa de problemas informáticos na presidência do Conselho de Ministros. E, afinal, não passava de uma cópia das 163 páginas do programa eleitoral dos socialistas.Hora e meia de atraso por causa de um copy-paste....Que melhor forma de inaugurar o choque tecnológico que com um ligeiro curto-circuito. Isto promete!"
Martim Silva, in "Mau Tempo no Canil"
A estrada da Sofia
A Sofia dos Estados da Nação tem uma estrada: o pensamento único, condicionado pela já habitual generalização de factos e pessoas.
1. A Sofia gosta, p.e., de acusar o Independente, por via do Luís Rosa, de fazer intriga. A Sofia, pois claro, não lê o Independente e menos ainda o Luís Rosa.
Generaliza, lá está, e concentra a crítica no que mais lhe interessa, deturpando uma crítica que sentiu na pele. É uma estrada, mas não é a nossa.
2. Ainda a Sofia, compara Barroso e Sócrates num processo de intenção. É a mesma estrada: Barroso não cumpriu (é um facto) em dois anos - e não em quatro, que são da legislatura. Culpa sua, certo. Mas isto também é um facto.
Já Sócrates ainda não começou e a Sofia já diz que cumpre o que prometeu. É uma crença, uma fé, uma estrada. É a da Sofia, não a minha.
Posso até concordar - concordo - que um programa seja copiado do manifesto eleitoral. Acho bem, mesmo que nenhum deles seja concreto. Acho prudente, sim senhor. Mas isso não me garante que as promessas sejam cumpridas. sobre isso, falamos mais tarde. É que a minha estrada é outra.
1. A Sofia gosta, p.e., de acusar o Independente, por via do Luís Rosa, de fazer intriga. A Sofia, pois claro, não lê o Independente e menos ainda o Luís Rosa.
Generaliza, lá está, e concentra a crítica no que mais lhe interessa, deturpando uma crítica que sentiu na pele. É uma estrada, mas não é a nossa.
2. Ainda a Sofia, compara Barroso e Sócrates num processo de intenção. É a mesma estrada: Barroso não cumpriu (é um facto) em dois anos - e não em quatro, que são da legislatura. Culpa sua, certo. Mas isto também é um facto.
Já Sócrates ainda não começou e a Sofia já diz que cumpre o que prometeu. É uma crença, uma fé, uma estrada. É a da Sofia, não a minha.
Posso até concordar - concordo - que um programa seja copiado do manifesto eleitoral. Acho bem, mesmo que nenhum deles seja concreto. Acho prudente, sim senhor. Mas isso não me garante que as promessas sejam cumpridas. sobre isso, falamos mais tarde. É que a minha estrada é outra.
17 março 2005
Bem prega Frei Tomás...
O Paulo Gorjão é um leitor atento de jornais e um crítico contundente do jornalismo político que se pratica em Portugal. Defende convictamente que os jornalistas devem usar o "off" em situações excepcionais. Muito bem.
O problema é que entra em contradição facilmente. Apoiante de Manuel Maria Carrilho, candidato do PS à Câmara de Lisboa, Gorjão resolveu citar uma notícia d' "A Capital" feita sem um único "on" - e com base numa única fonte próxima de Ferro, fonte essa perfeitamente conhecida de todos os jornalistas - que relata um hipotético afastamento do ex-secretário-geral da corrida eleitoral.
Gorjão deu credibilidade a uma notícia que refere que Ferro só avançará se houver consenso em redor do seu nome "tal como aconteceu, por exemplo, com a candidatura de Mário Soares à presidência da República". Qualquer jornalista minimamente preparado sabe que em 1986 se houve coisa que não houve à esquerda foi consenso. As razões: Francisco Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo.
"By the way", porque razão Ferro Rodrigues não avança como Soares em 86? Receio ou calculismo? LR
O problema é que entra em contradição facilmente. Apoiante de Manuel Maria Carrilho, candidato do PS à Câmara de Lisboa, Gorjão resolveu citar uma notícia d' "A Capital" feita sem um único "on" - e com base numa única fonte próxima de Ferro, fonte essa perfeitamente conhecida de todos os jornalistas - que relata um hipotético afastamento do ex-secretário-geral da corrida eleitoral.
Gorjão deu credibilidade a uma notícia que refere que Ferro só avançará se houver consenso em redor do seu nome "tal como aconteceu, por exemplo, com a candidatura de Mário Soares à presidência da República". Qualquer jornalista minimamente preparado sabe que em 1986 se houve coisa que não houve à esquerda foi consenso. As razões: Francisco Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo.
"By the way", porque razão Ferro Rodrigues não avança como Soares em 86? Receio ou calculismo? LR
Dos Estados da Nação
Os humores dos Estados da Nação andam por baixo.
Parece que só o novo Governo os alegra.
É pouco, meus amigos. Mas fico feliz por vós também.
P.S. Já viram as últimas sobre o Programa de Governo? Parece que é "tão concreto" como o programa eleitoral. Ou seja, que é igual ao dito.
Não é curioso como as legislaturas mudam mas os processos são os mesmos? Curioso mundo, este.
Parece que só o novo Governo os alegra.
É pouco, meus amigos. Mas fico feliz por vós também.
P.S. Já viram as últimas sobre o Programa de Governo? Parece que é "tão concreto" como o programa eleitoral. Ou seja, que é igual ao dito.
Não é curioso como as legislaturas mudam mas os processos são os mesmos? Curioso mundo, este.
Spring time
O país que me desculpe, mas esta vaga de calor é uma maravilha.
Bem sei que a seca afecta todos, que anda muita gente preocupada, mas digam lá com sinceridade: não é linda a Primavera?
Desejos de bom dia,
Bem sei que a seca afecta todos, que anda muita gente preocupada, mas digam lá com sinceridade: não é linda a Primavera?
Desejos de bom dia,
16 março 2005
A Política da Terra Queimada ou a Birra do Pedro
Pedro Santana Lopes (PSL) parece o Exército Vermelho na IIª Guerra Mundial.... antes de sair das povoações queima tudo à sua volta de forma a que o invasor não tenha mantimentos para se abastecer. PSL deu cabo, a nível nacional, da direita voltar ao poder nos próximos 8 anos. PSL vai dar cabo da possibilidade de a direita voltar à presidência da CML nos próximos 8 anos. PSL parece um miúdo: "não é meu não é de mais ninguém"
Acho que poderíamos chamar Lopes de "O Verdadeiro Maçarico" ou simplesmente "o Fósforo Quinas"...há incendiários a cumprir pena em Vale de Judeus que não queimaram tanto como ele.
Acho que poderíamos chamar Lopes de "O Verdadeiro Maçarico" ou simplesmente "o Fósforo Quinas"...há incendiários a cumprir pena em Vale de Judeus que não queimaram tanto como ele.
Bom e mau tempo no Canil
1. O M.S., do Mau Tempo, pensa bem. Diz, por exemplo, que Santana Lopes fez bem em voltar à Câmara e que, por isso, não percebe a histeria em torno do seu regresso.
Não só é verdade, como acrescento a reacção geral, não voltasse o ex-PM à Câmara. Qualquer coisa assim: "Lá está ele! Nunca termina o que começou".
Embora isso não explique o tempo e a forma como o fez.
2. O mesmo M.S. analisa bem um mau sinal do Governo: a insistência silenciosa sobre o suposto aumento de impostos. Não só é errado, diz o M.S., como mostra uma insistência particular em não alterar o que tem que ser alterado dentro do próprio estado. Seria de louvar o aumento de impostos, fosse a receita o problema. Não é. É a despesa.
3. O que o M.S. interpreta menos bem, julgo eu, são as palavras de Vítor Constâncio. Caro Mau Tempo: o que o governador fez foi um aviso sério aos senhores que nos governam: não inventem, porque não há dinheiro. Ou seja, ponham lá as portagens, s.f.f.
E isso é bem diferente e muito mais responsável.
Abraços do Insubmisso,
Não só é verdade, como acrescento a reacção geral, não voltasse o ex-PM à Câmara. Qualquer coisa assim: "Lá está ele! Nunca termina o que começou".
Embora isso não explique o tempo e a forma como o fez.
2. O mesmo M.S. analisa bem um mau sinal do Governo: a insistência silenciosa sobre o suposto aumento de impostos. Não só é errado, diz o M.S., como mostra uma insistência particular em não alterar o que tem que ser alterado dentro do próprio estado. Seria de louvar o aumento de impostos, fosse a receita o problema. Não é. É a despesa.
3. O que o M.S. interpreta menos bem, julgo eu, são as palavras de Vítor Constâncio. Caro Mau Tempo: o que o governador fez foi um aviso sério aos senhores que nos governam: não inventem, porque não há dinheiro. Ou seja, ponham lá as portagens, s.f.f.
E isso é bem diferente e muito mais responsável.
Abraços do Insubmisso,
O Clan Avillez quer refundar a Direita
Há muito tempo tempo que não recortava nada dos jornais e da televisão.
Recortei 1 artigo de Jaime Nogueira Pinto no Expresso (com continuação prometida para o próximo fim-de-semana); a entrevista de Maria José Nogueira Pinto ao Público/Renascença (com perguntas do lado Renascença muito bem pensadas) com transcrição no Público de 2ªfeira; a entrevista de Rogeiro dada a Maria João Avillez (desta vez sobre a Direita...embora, confesse, estivesse à espera de uma incursão sobre os contornos autofágicos da atitude predatória do bacilo de Koch, tema que, como sabeis, é um, dos muitos, que Rogeiro domina).
Todos estes apontamentos têm 1 coisa em comum: uma deliberada intenção do clan Avillez de refundar a Direita Portuguesa.
Meritória vontade. Pobre resultado, para já. A salientar de positivo algumas ideias de Maria José Nogueira Pinto. Desilusão quanto ao texto de Jaime Nogueira Pinto. Rogeiro encarreirou também pela mediania, embora extremamente inteligente. Rogeiro sofre dos males da retórica pós-moderna...é espasmódico. Pena.
Este tempo todo que me invade e que me permite recortar estas coisas e ler outras, permite-me efectuar estes "remarkes" e pensar que o percurso que tem de ser efectuado pela direita portuguesa nos próximos anos foi aquele que foi efectuado pela direita francesa nos anos 70. Com uma pequena diferença. É que em França eles tinham Raymond Aron e Revel e outros que tais e nós cá temos... o que temos.
A propósito, do baú tirei "Mémoires" do Raymond Aron e "Le rejet de l'etat" de J.-F. Revel. Prazeres e delícias que me fazem sonhar. Outra "coisa" que retirei do baú foi "Uma solução para Portugal" de Diogo Freitas do Amaral...na altura (198...) este homem era de direita.
Recortei 1 artigo de Jaime Nogueira Pinto no Expresso (com continuação prometida para o próximo fim-de-semana); a entrevista de Maria José Nogueira Pinto ao Público/Renascença (com perguntas do lado Renascença muito bem pensadas) com transcrição no Público de 2ªfeira; a entrevista de Rogeiro dada a Maria João Avillez (desta vez sobre a Direita...embora, confesse, estivesse à espera de uma incursão sobre os contornos autofágicos da atitude predatória do bacilo de Koch, tema que, como sabeis, é um, dos muitos, que Rogeiro domina).
Todos estes apontamentos têm 1 coisa em comum: uma deliberada intenção do clan Avillez de refundar a Direita Portuguesa.
Meritória vontade. Pobre resultado, para já. A salientar de positivo algumas ideias de Maria José Nogueira Pinto. Desilusão quanto ao texto de Jaime Nogueira Pinto. Rogeiro encarreirou também pela mediania, embora extremamente inteligente. Rogeiro sofre dos males da retórica pós-moderna...é espasmódico. Pena.
Este tempo todo que me invade e que me permite recortar estas coisas e ler outras, permite-me efectuar estes "remarkes" e pensar que o percurso que tem de ser efectuado pela direita portuguesa nos próximos anos foi aquele que foi efectuado pela direita francesa nos anos 70. Com uma pequena diferença. É que em França eles tinham Raymond Aron e Revel e outros que tais e nós cá temos... o que temos.
A propósito, do baú tirei "Mémoires" do Raymond Aron e "Le rejet de l'etat" de J.-F. Revel. Prazeres e delícias que me fazem sonhar. Outra "coisa" que retirei do baú foi "Uma solução para Portugal" de Diogo Freitas do Amaral...na altura (198...) este homem era de direita.
15 março 2005
Água para que te quero!
Ontem foi noticiado que cerca de metade da água consumida em Portugal (quer no âmbito doméstico e industrial, quer no agrícola) é desperdiçada ou perdida no seu percurso até ao consumidor! Falhas ou fracturas no complexo e irracional sistema de condutas assim como bocas-de-incêndio mal vedadas ou simplesmente destruídas foram dadas como as principais razões no que diz respeito ao desperdício de água no circuito doméstico e industrial. Sistemas obsoletos ou rudimentares e pouco eficazes no caso do consumo agrícola.
Cumprindo a velha e incontornável tradição lusitana, obviamente que se aguardou por um ano de seca, quando já é tarde demais, para se fazer o estudo que conduziu às conclusões acima mencionadas. Acho que numa era em que a ecologia, a racionalização e a luta contra o desperdício (em especial da água) estão em voga, mais uma vez conseguimos surpreender o mundo, descontraidamente, com estas noticias brilhantes, contrariando calmamente o esforço que os nossos vizinhos europeus fazem para obter resultados positivos nestas áreas.
Mais giro ainda é a forma como se nota que naturalmente um pais rico em todos os sentidos, como o nosso, ignore esta noticia, como se a ninguém dissesse respeito. Provavelmente não terá qualquer espécie de impacto politico e como não mete ao barulho qualquer figura publica de relevo, é óbvio que a coisa das farmácias ou as eleições de um partido em crise terão sem dúvida muito mais interesse tanto para o jornalismo como para a sociedade em geral. Em termos políticos nem sequer estou à espera que este venha a ser um tema relevante.
O facto é meus amigos, que sem aguinha a malta não vive, não toma banho nem cozinha. Mas o que é lá isso comparado com todas as coisas bem mais importantes que se vão passando neste país e que tanto deslumbram as inteligências polidas e brilhantes daqueles que se dedicam a causas maiores como a política dentro da política e outras que em termos humanos (no sentido de máquina biológica) pouco ou nada contribuem para o nosso verdadeiro bem-estar e qualidade de vida! Talvez apenas uns quantos brejeiros como eu tenham sido tocados pela notícia da água. Mas de água preciso eu para viver, do resto logo se vê!
Lembrem-se só disto: Da próxima vez que encherem um copo de água numa torneira ou tomarem um duche, uma quantidade equivalente do precioso líquido terá sido completamente desperdiçada formando uma nova poça ou buraco algures pelo país. Dá que pensar.
Anarcatólico
Cumprindo a velha e incontornável tradição lusitana, obviamente que se aguardou por um ano de seca, quando já é tarde demais, para se fazer o estudo que conduziu às conclusões acima mencionadas. Acho que numa era em que a ecologia, a racionalização e a luta contra o desperdício (em especial da água) estão em voga, mais uma vez conseguimos surpreender o mundo, descontraidamente, com estas noticias brilhantes, contrariando calmamente o esforço que os nossos vizinhos europeus fazem para obter resultados positivos nestas áreas.
Mais giro ainda é a forma como se nota que naturalmente um pais rico em todos os sentidos, como o nosso, ignore esta noticia, como se a ninguém dissesse respeito. Provavelmente não terá qualquer espécie de impacto politico e como não mete ao barulho qualquer figura publica de relevo, é óbvio que a coisa das farmácias ou as eleições de um partido em crise terão sem dúvida muito mais interesse tanto para o jornalismo como para a sociedade em geral. Em termos políticos nem sequer estou à espera que este venha a ser um tema relevante.
O facto é meus amigos, que sem aguinha a malta não vive, não toma banho nem cozinha. Mas o que é lá isso comparado com todas as coisas bem mais importantes que se vão passando neste país e que tanto deslumbram as inteligências polidas e brilhantes daqueles que se dedicam a causas maiores como a política dentro da política e outras que em termos humanos (no sentido de máquina biológica) pouco ou nada contribuem para o nosso verdadeiro bem-estar e qualidade de vida! Talvez apenas uns quantos brejeiros como eu tenham sido tocados pela notícia da água. Mas de água preciso eu para viver, do resto logo se vê!
Lembrem-se só disto: Da próxima vez que encherem um copo de água numa torneira ou tomarem um duche, uma quantidade equivalente do precioso líquido terá sido completamente desperdiçada formando uma nova poça ou buraco algures pelo país. Dá que pensar.
Anarcatólico
14 março 2005
A culpa morre solteira?
A venda dos medicamentos que dispensam receita médica em qualquer estabelecimento e não apenas nas farmácias parece-me, à primeira vista, uma decisão acertada. Mas confesso que não compreendi porque é que José Sócrates escolheu este sector como exemplo do que pretende mudar nem porque o fez no discurso da tomada de posse, no meio de referências à necessidade de finanças públicas sãs, de compromisso no combate à pobreza ou da prioridade que é a aposta na educação.
Disse o PM que entre os objectivos imediatos do Governo está a resolução “de estrangulamentos que impedem que o interesse geral se imponha aos interesses particulares e corporativos que não servem a maioria dos portugueses”. Por isso mesmo, muitos outros exemplos podiam ter sido apontados por Sócrates. Em matéria de concorrência, sectores como as telecomunicações, a energia ou os notários são paradigmáticos. Não que as farmácias estejam excluídas na lista, mas não se entende porque é que só elas mereceram referência na tomada de posse quando, nas telecomunicações por exemplo, não faltam queixas sobre práticas de dumping, os preços chegam a ser 40 por cento acima dos praticados noutros países e a PT é proprietária da rede fixa e do cabo, algo que não existe em nenhum Estado europeu. Terá Sócrates encontrado os bodes expiatórios?
Disse o PM que entre os objectivos imediatos do Governo está a resolução “de estrangulamentos que impedem que o interesse geral se imponha aos interesses particulares e corporativos que não servem a maioria dos portugueses”. Por isso mesmo, muitos outros exemplos podiam ter sido apontados por Sócrates. Em matéria de concorrência, sectores como as telecomunicações, a energia ou os notários são paradigmáticos. Não que as farmácias estejam excluídas na lista, mas não se entende porque é que só elas mereceram referência na tomada de posse quando, nas telecomunicações por exemplo, não faltam queixas sobre práticas de dumping, os preços chegam a ser 40 por cento acima dos praticados noutros países e a PT é proprietária da rede fixa e do cabo, algo que não existe em nenhum Estado europeu. Terá Sócrates encontrado os bodes expiatórios?
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