Jorge Coelho disse ontem, aos gritos, que se não fosse o PS já estavam portagens na Via do Infante. Mais alto ainda, berrou que a culpa do défice de 7% (diz ele) é do PSD e que os portugueses não se podem esquecer disso.
Esquecendo por momentos que Coelho está a fazer o que o PS e o Governo disseram que não fariam, aconselho ao dr.Coelho a leitura dos artigos de Manuela Ferreira Leite e Vasco Pulido Valente, no Expresso e no Público de hoje, respectivamente.
A primeira dir-lhe-á o que conseguiu fazer (e o PS criticou), o que não pode porque não a deixaram(e o PS criticou) e o que se seguiu (que o PS também criticou, apesar de ser igualzinho ao que sempre defendeu). Tudo isto, o dr. Coelho ainda está em tempo de aprender, para usar oportunamente no seu próximo jantar em S. Bento.
O segundo explicar-lhe-á porque, faça-se o que se fizer, este país é incorrigível. É melhor ler, não vá durante o jantar o eng. Sócrates dizer que não faz e não fará nada do que o país precisa, porque as promessas são mais importantes que o ministro das Finanças.
Boas leituras,
com a consideração do
21 maio 2005
20 maio 2005
A frase do dia
"O défice não é uma questão económica e financeira, corrigível com medidas a retalho e os 'sacrifícios' do costume. É um sintoma de ingovernabilidade do país. Quem não percebe isto não percebe nada".
V.P.V., in Público
V.P.V., in Público
18 maio 2005
Onde pára a oposição?
Sinto-me inquieta. Numa semana em que o governador do Banco de Portugal revela que a situação do país é pior do que esperava, que o valor do défice orçamental deste ano andará em torno – mais coisa menos coisa – dos sete por cento do PIB, que a possibilidade de virmos a ter de pagar mais impostos é cada maior, que não há garantias – apesar das tentativas do ministro Mário Lino – que as auto-estradas sem portagem assim continuem, ninguém, de nenhum partido à esquerda ou à direita do PS, tem nada a dizer? Onde pára a oposição deste país? Porque é que há semanas que não ouvimos sequer o dr. Louçã?
Passámos os últimos dias com o caso Portucale e nem o Bloco de Esquerda tem nada a dizer? Para onde foram os dirigentes do PP e PSD? Onde se meteu Jerónimo de Sousa?
Terão desaparecido todos os líderes da oposição? Assustados pelas declarações de Vítor Constâncio e pelo "monstro"? Será preciso chamar a polícia?
Alguém me avise se o PS passar a ser partido único.
Passámos os últimos dias com o caso Portucale e nem o Bloco de Esquerda tem nada a dizer? Para onde foram os dirigentes do PP e PSD? Onde se meteu Jerónimo de Sousa?
Terão desaparecido todos os líderes da oposição? Assustados pelas declarações de Vítor Constâncio e pelo "monstro"? Será preciso chamar a polícia?
Alguém me avise se o PS passar a ser partido único.
O futebol não é só sorte
Hoje, o Sporting perdeu, provando que Mourinho só há um.
No futebol português trabalha-se menos do que é preciso,
pensa-se menos do que é preciso,
ousa-se menos do que é preciso.
O futebol também é uma ciência, não é só sorte. Ganhar dá muito trabalho.
Que se aprenda enquanto é tempo.
P.S. Não entro em Alvalade enquanto estes senhores lá estiverem. Não é por nada, mas farto de humalhações estou eu.
Ah! E não me venham com o "estivémos na final"! Nisto, como em tudo, só o primeiro é que fica na história.
No futebol português trabalha-se menos do que é preciso,
pensa-se menos do que é preciso,
ousa-se menos do que é preciso.
O futebol também é uma ciência, não é só sorte. Ganhar dá muito trabalho.
Que se aprenda enquanto é tempo.
P.S. Não entro em Alvalade enquanto estes senhores lá estiverem. Não é por nada, mas farto de humalhações estou eu.
Ah! E não me venham com o "estivémos na final"! Nisto, como em tudo, só o primeiro é que fica na história.
Olhem quem fala
Acabei de ouvir na TSF o ministro das Obras Públicas a dizer que as portagens nas Scut são inevitáveis e, mais ainda, um sinal do desenvolvimento do país.
O ministro chama-se Mário Lino. Para quem não saiba, o mesmo que ontem fez um comunicado a dizer que essa mesma notícia (do Jornal de Negócios) era falsa. O mesmo que, nessa notícia, não comentava.
É só uma questão de tempo: este Governo é igualzinho ao de Santana Lopes. Só falta ver o primeiro-ministro. Não demora.
O ministro chama-se Mário Lino. Para quem não saiba, o mesmo que ontem fez um comunicado a dizer que essa mesma notícia (do Jornal de Negócios) era falsa. O mesmo que, nessa notícia, não comentava.
É só uma questão de tempo: este Governo é igualzinho ao de Santana Lopes. Só falta ver o primeiro-ministro. Não demora.
17 maio 2005
A hora da verdade
Hoje, meus amigos, é dia de Sporting.
Garanto-vos que se o Peseiro ganhar, sou rapaz para esquecer a vergonha lamentavel do último sábado. Até vos digo mais: o homem ganha e eu nunca mais digo mal de treinador nenhum da treta que o Dias da Cunha nos obigue a aturar. Palavra de sportinguista.
Agora, juntem as mãos e rezem, sim?
Garanto-vos que se o Peseiro ganhar, sou rapaz para esquecer a vergonha lamentavel do último sábado. Até vos digo mais: o homem ganha e eu nunca mais digo mal de treinador nenhum da treta que o Dias da Cunha nos obigue a aturar. Palavra de sportinguista.
Agora, juntem as mãos e rezem, sim?
A vida para cá do défice
O meu caro Martim, lá pelo seu Bom Tempo, já vai avisando o Governo que não tem paciência para o défice.
Para o aliviar, resolvi explorar as cenas dos próximos capítulos. Rezam assim:
1. O dr. Constâncio comunica ao Governo que o défice é de 7,3%. Mais ou menos por aí.
2. O eng. Sócrates diz-se chocado. O Governo vê-se obrigado a aumentar um imposto. Desta vez, só para variar, é o ISP. É porreiro para o ambiente, porque o povo tem que deixar o carro à porta de casa (argumento imbatível para um ex-ministro da pasta).
3. O dr. Mendes diz que parece impossível. “Então, ó Zézito?! Não tinhas dito que não aumentavas impostos?! Tás maluquinho?”
4. O eng. Sócrates, aproveitando o debate mensal de dia 25, responde ao dr. Mendes: “É preciso ter lata! Então os senhores deixam-nos em pelota e ainda gritam óh ladrão? Essa é boa!”
5. Vai daí, o dr. Mendes diz ao eng. Sócrates: “Olha lá, ó Zé! Então dizias que isto não era para atirar lama ao pessoal e agora vens com essa?”
6. Sócrates: “Tu não podes ‘tar bom, rapazola. Então vens para aqui falar de impostos e não queres que te diga isto? É que eu sabia que a situação era grave, mas assim já é demais. Não ouviste o Vítor? Ele é que sabe. Ele e o Jorge, lá em Belém, que já me avisou que não há vida para além do défice!”
E pronto. Terminado o diálogo, o eng e o dr recolhem as armas e continuam assim, felizes para sempre. Depois disso, caro Martim, podemos voltar às nossas vidas, ao nosso futebol, às medidas estruturais e ultra importantes que resolverão as nossas vidas, até que apareça o próximo Governo.
Nessa altura, é só voltar ao arquivo e recuperar estes posts, tá bem?
Fica descansado, com um abraço do D.D.
Para o aliviar, resolvi explorar as cenas dos próximos capítulos. Rezam assim:
1. O dr. Constâncio comunica ao Governo que o défice é de 7,3%. Mais ou menos por aí.
2. O eng. Sócrates diz-se chocado. O Governo vê-se obrigado a aumentar um imposto. Desta vez, só para variar, é o ISP. É porreiro para o ambiente, porque o povo tem que deixar o carro à porta de casa (argumento imbatível para um ex-ministro da pasta).
3. O dr. Mendes diz que parece impossível. “Então, ó Zézito?! Não tinhas dito que não aumentavas impostos?! Tás maluquinho?”
4. O eng. Sócrates, aproveitando o debate mensal de dia 25, responde ao dr. Mendes: “É preciso ter lata! Então os senhores deixam-nos em pelota e ainda gritam óh ladrão? Essa é boa!”
5. Vai daí, o dr. Mendes diz ao eng. Sócrates: “Olha lá, ó Zé! Então dizias que isto não era para atirar lama ao pessoal e agora vens com essa?”
6. Sócrates: “Tu não podes ‘tar bom, rapazola. Então vens para aqui falar de impostos e não queres que te diga isto? É que eu sabia que a situação era grave, mas assim já é demais. Não ouviste o Vítor? Ele é que sabe. Ele e o Jorge, lá em Belém, que já me avisou que não há vida para além do défice!”
E pronto. Terminado o diálogo, o eng e o dr recolhem as armas e continuam assim, felizes para sempre. Depois disso, caro Martim, podemos voltar às nossas vidas, ao nosso futebol, às medidas estruturais e ultra importantes que resolverão as nossas vidas, até que apareça o próximo Governo.
Nessa altura, é só voltar ao arquivo e recuperar estes posts, tá bem?
Fica descansado, com um abraço do D.D.
Back to the basics
A vida é isto mesmo. É crescer renovando. É permanecer mudando.
O Insubmisso foi desde o início um espaço de "descarga da bílis", uma ágora de "soltar a franga", um fórum de "libertar a moeca".
É isso que foi e é isso que continuará a ser.
Pessoalmente tenho muita pena que alguns amigos, aqui não possam connosco permanecer (por exclusiva vontade dos próprios). Continuam amigos e muito os continuarei a respeitar.
Dentro de dias encerrarei o meu conflito com os providenciadores de serviço "cabo" e aderirei a "qualquer coisa que me liga à net" com " uma velocidade estonteante" , o que permitirá que o meu diálogo com as máquinas seja retomado.
Voltarei a ter a minha forma tradicional de resolver as minhas insónias...escrevendo.
E tenho tanto para escrever...tanto para dizer sobre esta "cautelosa-gestão-do-ciclo- político-até-às-autárquicas-feita-pelo-Sô-Sócrates-para-ver-se-ganha-umas camarazitas-aos-toscos-do-PSD".
Tudo de bom
O Insubmisso foi desde o início um espaço de "descarga da bílis", uma ágora de "soltar a franga", um fórum de "libertar a moeca".
É isso que foi e é isso que continuará a ser.
Pessoalmente tenho muita pena que alguns amigos, aqui não possam connosco permanecer (por exclusiva vontade dos próprios). Continuam amigos e muito os continuarei a respeitar.
Dentro de dias encerrarei o meu conflito com os providenciadores de serviço "cabo" e aderirei a "qualquer coisa que me liga à net" com " uma velocidade estonteante" , o que permitirá que o meu diálogo com as máquinas seja retomado.
Voltarei a ter a minha forma tradicional de resolver as minhas insónias...escrevendo.
E tenho tanto para escrever...tanto para dizer sobre esta "cautelosa-gestão-do-ciclo- político-até-às-autárquicas-feita-pelo-Sô-Sócrates-para-ver-se-ganha-umas camarazitas-aos-toscos-do-PSD".
Tudo de bom
O dilema da promessa
Dois meses depois da posse, e eis senão quando a verdade entra pela porta sem bater.
O Governo, liderado por José Sócrates, passou a campanha a falar em crescimento, a prometer que não aumentaria impostos, a dizer que as Scut ficariam como estão - leia-se, pagas por todos e não por quem lá passa. Prometeram mais, os senhores que nos governam: não há cá reduções da Administração Pública, nem cortes cegos, amblíopes ou afins; não há também contas por pagar, serviços a fechar, pedintes sem receber.
Pois ontem, no fim-de-semana, e antes disso, Vítor Constâncio, o ministro das Finanças (que não fez campanha) e até o Presidente da República (lembram-se, no dia 25 de Abril) vieram lembrar que o défice existe. Mais, ontem até Constâncio relembrou que o défice é prioritário, antes mesmo do crescimento. É chato, mas é verdade.
Hojem fala-se em 7% de défice. E não são 7% porque caíram do céu. Sim, pouco ou nada se fez durante três anos para resolver o problema - dependendo o pouco ou nada dos governos de que falamos. Mas se são 7% é também porque o Governo o quer (não foi assim que o disseram em 2001?) Exemplo claro: as scuts vão ficar como estão? Sim senhor, como queiram. Mas lá que aumenta o défice, isso aumenta.
O Governo, este Governo, terá em mãos o primeiro problema sério da legislatura. Nesta altura, queira ou não, terá que deitar mãos à obra.
Entre as promessas, o discurso e a realidade, vão quilómetros de distância. Deus queira que, a caminho, não tenham que pagar portagens.
O Governo, liderado por José Sócrates, passou a campanha a falar em crescimento, a prometer que não aumentaria impostos, a dizer que as Scut ficariam como estão - leia-se, pagas por todos e não por quem lá passa. Prometeram mais, os senhores que nos governam: não há cá reduções da Administração Pública, nem cortes cegos, amblíopes ou afins; não há também contas por pagar, serviços a fechar, pedintes sem receber.
Pois ontem, no fim-de-semana, e antes disso, Vítor Constâncio, o ministro das Finanças (que não fez campanha) e até o Presidente da República (lembram-se, no dia 25 de Abril) vieram lembrar que o défice existe. Mais, ontem até Constâncio relembrou que o défice é prioritário, antes mesmo do crescimento. É chato, mas é verdade.
Hojem fala-se em 7% de défice. E não são 7% porque caíram do céu. Sim, pouco ou nada se fez durante três anos para resolver o problema - dependendo o pouco ou nada dos governos de que falamos. Mas se são 7% é também porque o Governo o quer (não foi assim que o disseram em 2001?) Exemplo claro: as scuts vão ficar como estão? Sim senhor, como queiram. Mas lá que aumenta o défice, isso aumenta.
O Governo, este Governo, terá em mãos o primeiro problema sério da legislatura. Nesta altura, queira ou não, terá que deitar mãos à obra.
Entre as promessas, o discurso e a realidade, vão quilómetros de distância. Deus queira que, a caminho, não tenham que pagar portagens.
1. Começando pelo que interessa
Já passou tempo suficiente para não se virem queixar do costume: ai, os amigos e tal...
Não há cá amigos para nada, até porque nada devo a ninguém, com a graça de Deus, à excepção dos meus pais, avós, mulher, canários e afins.
O que vos tenho a dizer é que o que aconteceu no Público nos últimos dias é lamentável.
Agora, o lado bom: O Público, o meu jornal de sempre, ganhou um Senhor Jornalista no Local.
De ora em diante, já não começo no Calvin. Promessa de David: é no Local, sim senhor. E sigo logo para o Internacional.
2. O JPH é um tipo extraordinário, um dos melhores entre os melhores. Não há igual, não haverá igual.
A E. L. é uma senhora jornalista.
A A.S.L. é uma sénior, daquelas que já não se fazem.
E essa era parte integrante e irrevogável do meu Público. Vão continuar por aí, para bem do que é o verdadeiro público: aquele que gosta de bom jornalismo.
3. Assim ou assado, o Público foi, é e será sempre o meu jornal de referência. Afinal é como o Sporting: as instituições sobrevivem sempre aos disparates.
Não há cá amigos para nada, até porque nada devo a ninguém, com a graça de Deus, à excepção dos meus pais, avós, mulher, canários e afins.
O que vos tenho a dizer é que o que aconteceu no Público nos últimos dias é lamentável.
Agora, o lado bom: O Público, o meu jornal de sempre, ganhou um Senhor Jornalista no Local.
De ora em diante, já não começo no Calvin. Promessa de David: é no Local, sim senhor. E sigo logo para o Internacional.
2. O JPH é um tipo extraordinário, um dos melhores entre os melhores. Não há igual, não haverá igual.
A E. L. é uma senhora jornalista.
A A.S.L. é uma sénior, daquelas que já não se fazem.
E essa era parte integrante e irrevogável do meu Público. Vão continuar por aí, para bem do que é o verdadeiro público: aquele que gosta de bom jornalismo.
3. Assim ou assado, o Público foi, é e será sempre o meu jornal de referência. Afinal é como o Sporting: as instituições sobrevivem sempre aos disparates.
Este Blog Vai Mudar
Não sei se este vai ser o seu aspecto definitivo,
não sei se vai ter mais ou menos membros,
não sei se a novidade é suficiente para, também nós, voltarmos a ter prazer num espaço que se mostra bem mais difícil do que parece.
Certo, certo, é que O Insubmisso está aqui para ficar.
De agora em diante, só posso garantir uma coisa: já passou tempo demais para perder tempo com tretas.
Beijos e abraços,
Até já
não sei se vai ter mais ou menos membros,
não sei se a novidade é suficiente para, também nós, voltarmos a ter prazer num espaço que se mostra bem mais difícil do que parece.
Certo, certo, é que O Insubmisso está aqui para ficar.
De agora em diante, só posso garantir uma coisa: já passou tempo demais para perder tempo com tretas.
Beijos e abraços,
Até já
12 maio 2005
Um Blog Tem Mais Encanto na Hora da Despedida!
Eis que chega ao fim a carreira do Anarcatólico no Insubmisso. Foi um prazer participar neste blog e quero deixar os meus agradecimentos ao David Dinis pela forma extraordinária como por ele fui recebido, de braços abertos e com um sorriso. É também assim que parto desta aventura, da mesma forma que entrei nela, com um grande sorriso marcado nos lábios e agradecendo o calor dos que me receberam bem!
Agora é tempo para outros voos…
Agora é tempo para outros voos…
Obrigado e adeus. Vemo-nos por ai e nunca esquecerei o nome daquilo a que pertenci, sempre fui e sempre serei, um Insubmisso!
11 maio 2005
Vamos Todos Fumar Ganzas Para o Dubai!
Bem minha gente, parece que atingimos o nirvana, enquanto nação, povo, civilização lusitana, chamem-lhe o que quiserem! Mas para mim estamos no topo. Tornamos possível o sonho de qualquer hippie do bloco de esquerda ou mesmo de qualquer pessoa, até de bom senso, que apenas goste de fumar ganzas; já podemos ir fumá-las para o Dubai!!! É só ter a pachorra de se for preciso esperar mais ou menos um mês na prisa de lá, mas de resto tudo bem.
Imaginem só, um gajo vai para o Dubai, grande cenário e tal. Eu levaria umas três das minhas câmaras Super 8mm e sem duvida a digital também (pode-se fazer planos sequência muito mais longos). Para começar, instalava-me no Hotel Burj Al Arab, num dos andares cimeiros, para ter vista, e começava por sacar uns planos em Super 8 do mar e da cidade. No hotel fumava logo a primeira. Como provavelmente eles têm câmaras de vigilância ocultas e sensores de fumo hi-tech que permitem analisar o tipo de fumo e determinar se se trata de haxixe, punha a câmara digital a postos e ficava à espera de alguma acção. Deveriam entrar pela suite a dentro a qualquer segundo. Se tivesse sorte e o primeiro charro passasse despercebido, aproveitava e ia dar umas voltas pela cidade, sempre com a câmara ligada e uma ganzas já feitas no bolso, claro.
Ao fim do dia, muito certamente os serviços de inteligência do Dubai já teriam encontrado no computador central a minha origem, identificação e emitido um mandato de captura. Após três ou quatro cassetes de turismo, aproximar-se-ia decerto a hora em que uma futura cassete milionária seria gravada para a posteridade: a minha captura e detenção por fumar ganzas no Dubai (qualquer cineasta aproveitaria a ocasião para filmar tudo isto e ganhar uns prémios nuns festivais de cinema hippie, para não falar do chorudo negócio que podia também ser feito com os canais de televisão)!
Eis que finalmente me apanhavam e eu ia dentro. Chegava a hora de fazer o tão esperado telefonema para Portugal, mais concretamente para o meu querido e amigo presidente, o Jó
Imaginem só, um gajo vai para o Dubai, grande cenário e tal. Eu levaria umas três das minhas câmaras Super 8mm e sem duvida a digital também (pode-se fazer planos sequência muito mais longos). Para começar, instalava-me no Hotel Burj Al Arab, num dos andares cimeiros, para ter vista, e começava por sacar uns planos em Super 8 do mar e da cidade. No hotel fumava logo a primeira. Como provavelmente eles têm câmaras de vigilância ocultas e sensores de fumo hi-tech que permitem analisar o tipo de fumo e determinar se se trata de haxixe, punha a câmara digital a postos e ficava à espera de alguma acção. Deveriam entrar pela suite a dentro a qualquer segundo. Se tivesse sorte e o primeiro charro passasse despercebido, aproveitava e ia dar umas voltas pela cidade, sempre com a câmara ligada e uma ganzas já feitas no bolso, claro.
Ao fim do dia, muito certamente os serviços de inteligência do Dubai já teriam encontrado no computador central a minha origem, identificação e emitido um mandato de captura. Após três ou quatro cassetes de turismo, aproximar-se-ia decerto a hora em que uma futura cassete milionária seria gravada para a posteridade: a minha captura e detenção por fumar ganzas no Dubai (qualquer cineasta aproveitaria a ocasião para filmar tudo isto e ganhar uns prémios nuns festivais de cinema hippie, para não falar do chorudo negócio que podia também ser feito com os canais de televisão)!
Eis que finalmente me apanhavam e eu ia dentro. Chegava a hora de fazer o tão esperado telefonema para Portugal, mais concretamente para o meu querido e amigo presidente, o Jó
Eu
Tou Jó?
Jó
Oooolha quem ele é! Atão rapaz, tá tudo bem? Por onde é que tu andas pá? Passa aqui para a gente fumar uma!
Eu
Éhhh pá…. Ganda Jó! Pá, sabes o que é, o problema é que eu neste momento não me dá muito jeito ir ai fumar essa…
Jó
Não sejas parvo pá. Eu mando ai um carro para te apanhar, sabes que isso não é problema nenhum!
Eu
Ya man, mas o problema é que eu não estou em Lisboa… Nem sequer estou em Portugal!
Jó
Ah ganda maluco! Então e onde é que tu andas pá?
Eu
É pá… No Dubai! Fui de cana tás a ver?
Jó
Ganda maluco… Tchhhhh. Esses gajos são mesmo fodidos! Mas tinhas o quê?
Eu
É pá, nada man. Nada de especial, era só daquela ganzinha que a gente… Olha por acaso era mesmo daquela que a gente até comprou juntos, aos gajos do bloco lembras-te?
Jó
Ah, ya… Os gajos do bloco dominam a cena da ganza. Era muito boa!
Eu
Olha, só te digo que os gajos aqui são muita fanados do sistema man! Digo-te já! Queimaram a cena memo à minha frente, tas a ver? Pá, mas é que nem palha man, nem sobrou a cinza daquela merda!
Jó
Ena man… Imagino! Mas e tens filmado coisas por ai ou não?
Eu
Ya, ya, tá tudo filmadinho!
Jó
Vê lá, que eu depois quero ver isso tudo. Bom, mas primeiro deixa-me só tratar ai de umas cenas. Tenho ai uns gajos que me estão a lixar a vida com umas merdas lá do governo ou que é.
Eu
Ya, ya, na boa bro.
Jó
Pronto, mas então a cena é que tu queres bazar dai certo?
Eu
Pá, não há grande pressa, que isto aqui até não é assim tão mau. Mas se pudesse bazar rápido era muita bacano!
Jó
Tá, tá. Tudo bem. Eu agora esta semana começo a tratar disso e prai daqui a uns quinze dias já estamos ai a fumar a nossa e a ver as filmagens, ok?
Eu
Ah ganda Jó man! Obrigadão pá! Olha, um granda abraço pa ti mano, e beijinhos ai à tua Maria, ya?
Jó
Tá, tá. Ela também manda pa ti. Olha por acaso ela até me está a chamar ali da sala, porque está cá o meu irmão e eles estão ali a fumar uma. Vá tenho de ir. Abraço.
Eu
Abraço mano. Fica bem!
Jó
Vá, tchau ganda maluco! E não te preocupes, eu tiro-te dai ya?
Eu
Ya!
Tou Jó?
Jó
Oooolha quem ele é! Atão rapaz, tá tudo bem? Por onde é que tu andas pá? Passa aqui para a gente fumar uma!
Eu
Éhhh pá…. Ganda Jó! Pá, sabes o que é, o problema é que eu neste momento não me dá muito jeito ir ai fumar essa…
Jó
Não sejas parvo pá. Eu mando ai um carro para te apanhar, sabes que isso não é problema nenhum!
Eu
Ya man, mas o problema é que eu não estou em Lisboa… Nem sequer estou em Portugal!
Jó
Ah ganda maluco! Então e onde é que tu andas pá?
Eu
É pá… No Dubai! Fui de cana tás a ver?
Jó
Ganda maluco… Tchhhhh. Esses gajos são mesmo fodidos! Mas tinhas o quê?
Eu
É pá, nada man. Nada de especial, era só daquela ganzinha que a gente… Olha por acaso era mesmo daquela que a gente até comprou juntos, aos gajos do bloco lembras-te?
Jó
Ah, ya… Os gajos do bloco dominam a cena da ganza. Era muito boa!
Eu
Olha, só te digo que os gajos aqui são muita fanados do sistema man! Digo-te já! Queimaram a cena memo à minha frente, tas a ver? Pá, mas é que nem palha man, nem sobrou a cinza daquela merda!
Jó
Ena man… Imagino! Mas e tens filmado coisas por ai ou não?
Eu
Ya, ya, tá tudo filmadinho!
Jó
Vê lá, que eu depois quero ver isso tudo. Bom, mas primeiro deixa-me só tratar ai de umas cenas. Tenho ai uns gajos que me estão a lixar a vida com umas merdas lá do governo ou que é.
Eu
Ya, ya, na boa bro.
Jó
Pronto, mas então a cena é que tu queres bazar dai certo?
Eu
Pá, não há grande pressa, que isto aqui até não é assim tão mau. Mas se pudesse bazar rápido era muita bacano!
Jó
Tá, tá. Tudo bem. Eu agora esta semana começo a tratar disso e prai daqui a uns quinze dias já estamos ai a fumar a nossa e a ver as filmagens, ok?
Eu
Ah ganda Jó man! Obrigadão pá! Olha, um granda abraço pa ti mano, e beijinhos ai à tua Maria, ya?
Jó
Tá, tá. Ela também manda pa ti. Olha por acaso ela até me está a chamar ali da sala, porque está cá o meu irmão e eles estão ali a fumar uma. Vá tenho de ir. Abraço.
Eu
Abraço mano. Fica bem!
Jó
Vá, tchau ganda maluco! E não te preocupes, eu tiro-te dai ya?
Eu
Ya!
06 maio 2005
Celebration!
Hoje devia ser feriado.
Depois da alegria de ontem, quem tem forças para trabalhar.
Aposto que, nesta, até os benfiquistas que se recusam a aceitar a vitória do Sporting apoiam.
Vivas ao Sporting!
Depois da alegria de ontem, quem tem forças para trabalhar.
Aposto que, nesta, até os benfiquistas que se recusam a aceitar a vitória do Sporting apoiam.
Vivas ao Sporting!
03 maio 2005
Chegou-me esta carta às mãos
LIGA PORTUGUESA DE FUTEBOL PROFISSIONAL
Ao SLB
Estádio da Luz
Lisboa
Tendo V Exas de se deslocar ao terreno de um adversário dentro de 2
semanas, agradecemos o preenchimento do formulário em anexo, a fim de
que possamos tomar as necessárias providências :
1. Em que Estádio desejam V.Exas jogar ?
No estádio do adversário __
Num estádio a mais de 100 Kms da terra do adversário __
Num estádio a mais de 500 Kms da terra do adversário --__
Num estádio de basebol nos Estados Unidos __
No estádio da Luz __
__
2. A partir de que minuto do primeiro tempo desejam V.Exas o primeiro cartão vermelho para um jogador adversário ?
Primeiro minuto __
Vigésimo quarto minuto __
5 minutos antes do intervalo __
Depende de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local
__
3. Pretendem V.Exas marcar o primeiro golo através :
De um livre causado por uma falta marcada ao contrário __
De um fora de jogo do senhor Mantorras __
De um livre marcado por uma falta inexistente __
De um penalty fantasma __
Depende de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local
__
4. A fim de não dar muito nas vistas, sugerimos que o senhor Petit
ou o senhor Simão sejam punidos com um cartão amarelo. Agradecemos que
nos digam em que momento :
Quando o senhor Petit fizer a octogésima terceira falta dura __
Quando senhor Petit fizer a décima quarta tentativa de homicídio __
Quando o Senhor Simão simular a sexagésima quinta falta __
Quando o Senhor Simão empurrar o árbitro pela nonagésima segunda vez __
Nunca, era o que faltava, mostrarem cartões aos nossos jogadores __
__
5. A fim de não cometermos erros agradecemos nos indiquem a
composição da equipa de arbitragem que pretendem para o jogo em questão:
__
Com os nossos cumprimentos ao Campeão Nacional 2004/2005
Liga Portuguesa de Futebol Profissional
Ao SLB
Estádio da Luz
Lisboa
Tendo V Exas de se deslocar ao terreno de um adversário dentro de 2
semanas, agradecemos o preenchimento do formulário em anexo, a fim de
que possamos tomar as necessárias providências :
1. Em que Estádio desejam V.Exas jogar ?
No estádio do adversário __
Num estádio a mais de 100 Kms da terra do adversário __
Num estádio a mais de 500 Kms da terra do adversário --__
Num estádio de basebol nos Estados Unidos __
No estádio da Luz __
__
2. A partir de que minuto do primeiro tempo desejam V.Exas o primeiro cartão vermelho para um jogador adversário ?
Primeiro minuto __
Vigésimo quarto minuto __
5 minutos antes do intervalo __
Depende de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local
__
3. Pretendem V.Exas marcar o primeiro golo através :
De um livre causado por uma falta marcada ao contrário __
De um fora de jogo do senhor Mantorras __
De um livre marcado por uma falta inexistente __
De um penalty fantasma __
Depende de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local
__
4. A fim de não dar muito nas vistas, sugerimos que o senhor Petit
ou o senhor Simão sejam punidos com um cartão amarelo. Agradecemos que
nos digam em que momento :
Quando o senhor Petit fizer a octogésima terceira falta dura __
Quando senhor Petit fizer a décima quarta tentativa de homicídio __
Quando o Senhor Simão simular a sexagésima quinta falta __
Quando o Senhor Simão empurrar o árbitro pela nonagésima segunda vez __
Nunca, era o que faltava, mostrarem cartões aos nossos jogadores __
__
5. A fim de não cometermos erros agradecemos nos indiquem a
composição da equipa de arbitragem que pretendem para o jogo em questão:
__
Com os nossos cumprimentos ao Campeão Nacional 2004/2005
Liga Portuguesa de Futebol Profissional
Viva a repartição de Finanças!
Uma curta nota para um raro elogio à administração pública em Portugal - imagine-se só a ousadia, dirão vocês.
Ontem foi a data limite de entrega do IRS. Regressado do Brasil, tornou-se tarefa prioritária, embora com notáveis dificuldades de espírito. Na quinta-feira descobri que a repartição de Finanças estava - espanto! - aberta até mais tarde. Melhor ainda, que abriria na manhã de sábado, para evitar filas e afins.
Assim sendo, lá fui cumrprir as obrigações fiscais no sábado. Cheguei lá e... ninguém. Só os funcionários públicos, à espera de alguém. Tenho dúvidas se alguém sabia de tanta disponibilidade, mas lá que parecia um país de primeiro mundo, parecia. Faltou-me saber apenas quem tinha inventado tamanha facilidade e quando - o senhor da repartição não sabia dizer. Mas o elogio aqui fica. Que se volte a repetir.
Ontem foi a data limite de entrega do IRS. Regressado do Brasil, tornou-se tarefa prioritária, embora com notáveis dificuldades de espírito. Na quinta-feira descobri que a repartição de Finanças estava - espanto! - aberta até mais tarde. Melhor ainda, que abriria na manhã de sábado, para evitar filas e afins.
Assim sendo, lá fui cumrprir as obrigações fiscais no sábado. Cheguei lá e... ninguém. Só os funcionários públicos, à espera de alguém. Tenho dúvidas se alguém sabia de tanta disponibilidade, mas lá que parecia um país de primeiro mundo, parecia. Faltou-me saber apenas quem tinha inventado tamanha facilidade e quando - o senhor da repartição não sabia dizer. Mas o elogio aqui fica. Que se volte a repetir.
A Propósito do Aborto...
Caso venha a ser feito um referendo sobre o aborto, penso que só devia ser votado pelas mulheres. Não me parece razoável que um homem possa tomar uma decisão sobre algo que na prática, o máximo que poderá vir a representar será um incómodo para a sua carteira ou para a sua consciência mas nunca para o seu corpo.
Acho fantástico, o descaramento com que se transforma um assunto desta natureza num crachá político tornando-o a lenha favorita da gulosa fornalha que aquece o mundo, neste frio Inverno mental, que são os media. Acho mais fantástico ainda observar a forma entusiástica como as massas, incapazes de formar uma opinião própria, seguem hipnotizadas os brilhantes discursos que são feitos sobre a matéria e no fim ainda se sentem alegremente impelidos a tomar o partido de uma qualquer das partes. Como se este assunto pudesse ser dividido em partes.
Mas, inevitavelmente, tratando-se de um tema de choque e comoção, de acesso óbvio (enquanto tema, não enquanto realidade), de opinião fácil, altamente popular e abrangente, é inevitável a sua rentabilização a todo o custo. Seja em que área for.
Acho que já era altura de todos e cada um de nós procurarmos a única opinião minimamente válida, dentro da sua própria subjectividade, que é a verdadeira opinião que existe no nosso interior. Sem medo de ferir o vizinho, os ideais do partido ou os fantasmas da religião. Esquecer tudo e pensar apenas nos objectos metálicos de cariz quase medieval que penetram uma vagina e dilaceram, no útero, os tecidos necessários a causar a morte. E no que isso nos faz sentir.
Como tal não é possível, porque a estupidez, a ambição, o oportunismo ou as três coisas juntas, tratarão de ocupar a mente de uma boa maioria dos potenciais votantes em tal matéria, seria mais justo, a meu ver, que a responsabilidade das decisões passasse apenas por aquelas que no meio deste jogo ridículo e infantil, de vez em quando se magoam e sangram a sério. As mulheres.
ANARCATÓLICO
PS – Um grande beijo para todas as mulheres do mundo. Sem vocês isto não valia a pena! *
Acho fantástico, o descaramento com que se transforma um assunto desta natureza num crachá político tornando-o a lenha favorita da gulosa fornalha que aquece o mundo, neste frio Inverno mental, que são os media. Acho mais fantástico ainda observar a forma entusiástica como as massas, incapazes de formar uma opinião própria, seguem hipnotizadas os brilhantes discursos que são feitos sobre a matéria e no fim ainda se sentem alegremente impelidos a tomar o partido de uma qualquer das partes. Como se este assunto pudesse ser dividido em partes.
Mas, inevitavelmente, tratando-se de um tema de choque e comoção, de acesso óbvio (enquanto tema, não enquanto realidade), de opinião fácil, altamente popular e abrangente, é inevitável a sua rentabilização a todo o custo. Seja em que área for.
Acho que já era altura de todos e cada um de nós procurarmos a única opinião minimamente válida, dentro da sua própria subjectividade, que é a verdadeira opinião que existe no nosso interior. Sem medo de ferir o vizinho, os ideais do partido ou os fantasmas da religião. Esquecer tudo e pensar apenas nos objectos metálicos de cariz quase medieval que penetram uma vagina e dilaceram, no útero, os tecidos necessários a causar a morte. E no que isso nos faz sentir.
Como tal não é possível, porque a estupidez, a ambição, o oportunismo ou as três coisas juntas, tratarão de ocupar a mente de uma boa maioria dos potenciais votantes em tal matéria, seria mais justo, a meu ver, que a responsabilidade das decisões passasse apenas por aquelas que no meio deste jogo ridículo e infantil, de vez em quando se magoam e sangram a sério. As mulheres.
ANARCATÓLICO
PS – Um grande beijo para todas as mulheres do mundo. Sem vocês isto não valia a pena! *
02 maio 2005
Aborto: a consumação do erro
Jorge Sampaio acabou de chumbar o referendo ao aborto, alegando que não há condições para uma consulta com real participação popular. O Presidente tem razão e a decisão de hoje deve deixar a esquerda feliz.
A razão é única e simples: se o referendo fosse convocado, o não voltaria a ser potencialmente vencedor, o que atirava qualquer alteração à lei para daqui a oito anos - se os partidos em Portugal fossem razoavelmente sérios. Assim, ficará adiado para o final de 2006, início de 2007, quanto muito. E só será tão tarde por teimosia - sim, teimosia e tonteria - da bancada parlamentar socialista.
É que a lei do referendo diz, explicitamente, que não pode ser proposto novo referendo na mesma legislatura em que um foi chumbado em Belém. E esta legislatura só acaba em Setembro de 2006. Não tivessem os socialistas corrido atrás da esquerda e seria mais fácil convocá-lo para o final deste ano, início do próximo. Assim, a derrota é dupla.
Quanto ao PSD, Marques Mendes consegue a sua primeira vitória. Indiscutível e inalienável. Quer se goste ou não. É, aliás, a segunda vez que Marques Mendes vence o PS na questão do aborto.
A razão é única e simples: se o referendo fosse convocado, o não voltaria a ser potencialmente vencedor, o que atirava qualquer alteração à lei para daqui a oito anos - se os partidos em Portugal fossem razoavelmente sérios. Assim, ficará adiado para o final de 2006, início de 2007, quanto muito. E só será tão tarde por teimosia - sim, teimosia e tonteria - da bancada parlamentar socialista.
É que a lei do referendo diz, explicitamente, que não pode ser proposto novo referendo na mesma legislatura em que um foi chumbado em Belém. E esta legislatura só acaba em Setembro de 2006. Não tivessem os socialistas corrido atrás da esquerda e seria mais fácil convocá-lo para o final deste ano, início do próximo. Assim, a derrota é dupla.
Quanto ao PSD, Marques Mendes consegue a sua primeira vitória. Indiscutível e inalienável. Quer se goste ou não. É, aliás, a segunda vez que Marques Mendes vence o PS na questão do aborto.
29 abril 2005
Regresso...
... de férias retemperadoras.
Dez dias depois, Portugal parece-me na mesma. Acho que não se moveu um só milímetro.
Uma rápida passagem pelos jornais confirmam isso mesmo. O que me deixa na dúvida: 'Habemos' Governo?
Beijos e abraços. Voltarei com comentários em breve sobre o Brasil de hoje, um ou dois livros que recomendo e o que encontrei por cá.
Dez dias depois, Portugal parece-me na mesma. Acho que não se moveu um só milímetro.
Uma rápida passagem pelos jornais confirmam isso mesmo. O que me deixa na dúvida: 'Habemos' Governo?
Beijos e abraços. Voltarei com comentários em breve sobre o Brasil de hoje, um ou dois livros que recomendo e o que encontrei por cá.
26 abril 2005
Man....toooooooraaa
é o grito do momento.
mantorras, olé olé.
slb olé olé
este breve post é só para chatear o david diniz que deve estar agora com uma grande cachola...a chamada cacholona académica....ah ah!!!
mantorras, olé olé.
slb olé olé
este breve post é só para chatear o david diniz que deve estar agora com uma grande cachola...a chamada cacholona académica....ah ah!!!
15 abril 2005
Verde e branco
O meu Sporting está nas meias-finais da Taça UEFA.
Eu, que devia estar caladinho, tanto mal disse do treinador, não consigo resistir à felicidade. É isto que é ser humano: a razão só conta quando conta. Hoje é dia de coração. Verde e branco.
Eu, que devia estar caladinho, tanto mal disse do treinador, não consigo resistir à felicidade. É isto que é ser humano: a razão só conta quando conta. Hoje é dia de coração. Verde e branco.
A Tradição ainda é o que era :)
(…) Era o Carvalhosa – que fora seu contemporâneo em Coimbra onde era conhecido pela sua porcaria e ilustre pelos seus vícios. Passava dias inteiros na cama e o cheiro do seu quarto estonteava. Agora era deputado, e os jornais celebravam a sua eloquência e citavam os seus trechos. (…)
(…) – Tenho muita honra, disse Reinaldo cumprimentado: tive o prazer de o ouvir na Câmara – eu vou muito à Câmara; ainda ontem lá estive.
– Interessa-se pela política? – começou Carvalhosa, brincando com os berloques do relógio.
– Não. É que fui acompanhar uma rapariga espanhola que estava com muita curiosidade. Há-de conhecer. É da – e falou-lhe ao ouvido. – A Lola, disse alto, a magrita.
– Ah, sim sim, disse Carvalhosa e afastaram-se, muito unidos, cochichando. (…)
EÇA DE QUEIROZ in “A Tragédia da Rua das Flores”
04 abril 2005
Loja dos 300
O Francisco resolveu dar azo à sua veia jacobina, atirando à Aura Miguel. Diz ele que a jornalista portuguesa que mais sabe sobre a Igreja Católica não é jornalista mas evangelizadora. Meu caro, seguindo o argumento, podia dizer-se que tu mesmo és socialista e não jornalista. Certo? É que uma coisa é o que ela opina, outra o que ela relata.
Quanto aos elogios a António Marujo, subscrevo integralmente. É um prazer ler as suas peças.
Quanto aos elogios a António Marujo, subscrevo integralmente. É um prazer ler as suas peças.
O Homem de Branco e o de Avental
Por muitos que custe aos jacobinos, este homem que mudou de nome aos 58 anos e que nessa altura nos passou a servir como Papa, marcou a diferença e demonstrou pela praxis o que é ser Homem.
Não há ninguém nos últimos 25-27 anos que se lhe compare.
Deve ser difícil aceitar, para alguns, que a Humanidade num único abraço chore o homem de branco e não um qualquer francês ou escocês de avental.
Não há ninguém nos últimos 25-27 anos que se lhe compare.
Deve ser difícil aceitar, para alguns, que a Humanidade num único abraço chore o homem de branco e não um qualquer francês ou escocês de avental.
In memoriam K.W.
Não é tanto o texto que interessa, antes, como em qualquer poema, as emoções que provoca ou que reproduz. É de W.H.Auden. Os mais atentos recordar-se-ão de um funeral...desta vez sem casamentos.
"Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good"
"Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good"
03 abril 2005
Adeus meu Papa!
É com enorme pesar e simultânea alegria que vejo partir deste mundo o mais poderoso símbolo, carnalmente existente, da minha igreja. Quase toda a minha vida foi ele o rosto da instituição que tantas vezes ponho em causa mas à qual pertenço. Finalmente liberto do sofrimento da carne e das atrocidades dos homens, certamente estará agora num lugar melhor.
Foi com nojo e desprezo que constatei o uso do seu nome e da sua pessoa, como arma de arremesso nos discursos politizados e racionalistas de uns quantos monos com pernas nos últimos tempos da sua vida. Usado como símbolo do “contra” ou do “a favor” segundo as cores partidárias ou ideologias políticas, por pessoas que mais não vieram fazer ao mundo senão ocupar espaço, consumir recursos e quem sabe procriar (pelas quais nutro o maior desprezo).
Se existem porventura pessoas, como aliás se constata que sim, que vivem bem ausentes da dimensão poética da existência, relegando para o plano do desinteresse absoluto valores como a fé, a beleza, o imaginário ou mesmo a ficção, dou-lhes os meus parabéns. Parabéns porque existir dependendo apenas do factual, do concreto e de valores materiais e discursivos (sentindo assim grande prazer num uso excessivamente monótono do seu intelecto), é para mim uma imagem de pesadelo. Uma espécie de maldição em vida, almas penadas dentro de corpos em movimento. Dou os parabéns a todos os que têm uma existência tão cinzenta e desinteressante (assim como desinteressada de tudo o que directamente não lhes diga respeito), pois acho admirável que ainda não tenham dado um tiro nos cornos e acabado com as suas medonhas existências!
Eu sei que de alguma forma o meu Papa continua a existir, algures, numa outra forma de existência que por agora não compreendo, mas à qual um dia vou também pertencer.
Foi com nojo e desprezo que constatei o uso do seu nome e da sua pessoa, como arma de arremesso nos discursos politizados e racionalistas de uns quantos monos com pernas nos últimos tempos da sua vida. Usado como símbolo do “contra” ou do “a favor” segundo as cores partidárias ou ideologias políticas, por pessoas que mais não vieram fazer ao mundo senão ocupar espaço, consumir recursos e quem sabe procriar (pelas quais nutro o maior desprezo).
Se existem porventura pessoas, como aliás se constata que sim, que vivem bem ausentes da dimensão poética da existência, relegando para o plano do desinteresse absoluto valores como a fé, a beleza, o imaginário ou mesmo a ficção, dou-lhes os meus parabéns. Parabéns porque existir dependendo apenas do factual, do concreto e de valores materiais e discursivos (sentindo assim grande prazer num uso excessivamente monótono do seu intelecto), é para mim uma imagem de pesadelo. Uma espécie de maldição em vida, almas penadas dentro de corpos em movimento. Dou os parabéns a todos os que têm uma existência tão cinzenta e desinteressante (assim como desinteressada de tudo o que directamente não lhes diga respeito), pois acho admirável que ainda não tenham dado um tiro nos cornos e acabado com as suas medonhas existências!
Eu sei que de alguma forma o meu Papa continua a existir, algures, numa outra forma de existência que por agora não compreendo, mas à qual um dia vou também pertencer.
O nosso Papa
Sua Santidade o Papa acabou o seu caminho entre nós.
"Não fiques triste na morte,como um pagão sem esperança", disse João Paulo II.
Que Deus o receba na mesma felicidade que teve em vida. E sem o sofrimento que nos fez sofrer na sua vida.
João Paulo II estará sempre entre nós.
"Não fiques triste na morte,como um pagão sem esperança", disse João Paulo II.
Que Deus o receba na mesma felicidade que teve em vida. E sem o sofrimento que nos fez sofrer na sua vida.
João Paulo II estará sempre entre nós.
01 abril 2005
Sua Santidade o Papa
Ouço, quase prostrado frente a uma televisão, tudo o que posso sobre o Papa, João Paulo II. É, para mim, das poucas homenagens que me resta fazer a Sua Santidade.
João Paulo II é um homem de paz, um homem de enorme fé, um homem de bem e de coragem. É o Papa de todos os católicos, de todos os continentes e até mesmo de muitos não católicos que depositaram nele, no homem e não tanto no Papa, uma enorme esperança de um mundo e de uma vida melhor.
O Pontificado de João Paulo II ficará, para mim - que praticamente só conheci este Papa - marcado como um grande exemplo. Aprendi o que era a fé com ele, aprendi o que era o mundo com ele, aprendi o que são os princípios da Igreja Católica através dele.
Por várias vezes estive perto da sua presença. Estive a caminho do Restelo, só para o ver, mas o destino tirou-me o autocarro do caminho; estive para ir a Roma, mas o destino voltou a não o permitir. Mesmo assim, a sua presença pelo mundo, transmitida na televisão, era, é e será suficiente. Sua Santidade o Papa João Paulo II acompanhou-me toda a vida pela televisão. Por isso, só por isso, estou-lhe grato. Por isso, só por isso, vou olhar para o outro lado sempre que o respeito que ele merece não for cumprido.
Que Deus proteja Sua Santidade, como ele merece.
João Paulo II é um homem de paz, um homem de enorme fé, um homem de bem e de coragem. É o Papa de todos os católicos, de todos os continentes e até mesmo de muitos não católicos que depositaram nele, no homem e não tanto no Papa, uma enorme esperança de um mundo e de uma vida melhor.
O Pontificado de João Paulo II ficará, para mim - que praticamente só conheci este Papa - marcado como um grande exemplo. Aprendi o que era a fé com ele, aprendi o que era o mundo com ele, aprendi o que são os princípios da Igreja Católica através dele.
Por várias vezes estive perto da sua presença. Estive a caminho do Restelo, só para o ver, mas o destino tirou-me o autocarro do caminho; estive para ir a Roma, mas o destino voltou a não o permitir. Mesmo assim, a sua presença pelo mundo, transmitida na televisão, era, é e será suficiente. Sua Santidade o Papa João Paulo II acompanhou-me toda a vida pela televisão. Por isso, só por isso, estou-lhe grato. Por isso, só por isso, vou olhar para o outro lado sempre que o respeito que ele merece não for cumprido.
Que Deus proteja Sua Santidade, como ele merece.
O ponto do PEC
António Borges numa entrevista publicada hoje volta tudo do avesso e defende o velho Pacto de Estabilidade. Diz que a sua revisão é péssima para Portugal e a Europa, permitindo desleixo dos governos; acrescenta que o PEC não era estúpido, como é moda dizer, porque permitia flexibilidade suficiente, nomeadamente através de receitas extraordinárias que incentivavam a redução do património do Estado - libertando iniciativa para o sector privado.
São afirmações corajosas, as de António Borges, contra a maré de facilitismo tão protegida por quem manda na UE. Não é que importe muito, mas era este o ponto do PEC que os 25 destruíram na última cimeira. Passo a passo, a Europa continua o seu caminho dos últimos anos. É por isto que os bons líderes são fundamentais - para alertar, conduzir, rumar contra as marés. Sem eles, a Europa será apenas parte da história.
São afirmações corajosas, as de António Borges, contra a maré de facilitismo tão protegida por quem manda na UE. Não é que importe muito, mas era este o ponto do PEC que os 25 destruíram na última cimeira. Passo a passo, a Europa continua o seu caminho dos últimos anos. É por isto que os bons líderes são fundamentais - para alertar, conduzir, rumar contra as marés. Sem eles, a Europa será apenas parte da história.
31 março 2005
Os referendos só dão problemas
Por alguma razão o PS tentou referendar a IVG já em Junho. Meteu-se numa confusão tal que já não há Junho para ninguém. Criou expectativas para nada e reverteu, pelo meio, as prioridades indicadas pelo próprio chefe de Governo.
Agora, ficará lá para 2006 - se mais surpresas não aparecerem. Foi uma precipitação que indicia um mau sinal: vai ser difícil, mais do que se esperava, a relação PS/Governo/Parlamento. Imaginem se for eleito um PR à direita.
Outro referendo provável é do europeu. Lá vai mais uma polémica, com a fileira anti-constituição a mostrar algumas surpresas. A consulta pode calhar em simultâneo com as autárquicas, o que só ajuda à tese que não se vai discutir nada. E a falta de esclarecimento é o maior incentivador do "não", como se prova pela Europa.
Falando em Europa, um último caso referendário: em França, o não está cada vez mais próximo de ser uma realidade. Chirac, nem se vê. Raffarin, é melhor nem se ver. As consequências para a Europa serão enormes - para não falar no próprio Governo francês. É mais um problema.
Já não bastava a Europa não estar preparada para reformas, agora tem que levar com a deriva referendária. Assim, a Agenda de Lisboa está cada vez próxima de uma Agenda de Marte. Só quando o Homem chegar lá é que os objectivos são cumpridos.
Agora, ficará lá para 2006 - se mais surpresas não aparecerem. Foi uma precipitação que indicia um mau sinal: vai ser difícil, mais do que se esperava, a relação PS/Governo/Parlamento. Imaginem se for eleito um PR à direita.
Outro referendo provável é do europeu. Lá vai mais uma polémica, com a fileira anti-constituição a mostrar algumas surpresas. A consulta pode calhar em simultâneo com as autárquicas, o que só ajuda à tese que não se vai discutir nada. E a falta de esclarecimento é o maior incentivador do "não", como se prova pela Europa.
Falando em Europa, um último caso referendário: em França, o não está cada vez mais próximo de ser uma realidade. Chirac, nem se vê. Raffarin, é melhor nem se ver. As consequências para a Europa serão enormes - para não falar no próprio Governo francês. É mais um problema.
Já não bastava a Europa não estar preparada para reformas, agora tem que levar com a deriva referendária. Assim, a Agenda de Lisboa está cada vez próxima de uma Agenda de Marte. Só quando o Homem chegar lá é que os objectivos são cumpridos.
30 março 2005
A idade da reforma
O Governo quer aumentar a idade da reforma, porque defende que esta deve acompanhar a evolução da esperança média de vida. Todos sabemos que a sustentabilidade do nosso sistema de Segurança Social está em causa e que cada vez serão menos os trabalhadores no activo a contribuir para pagar a pensão de cada reformado. Pergunto-me é com que idade é que os portugueses, em média, se reformam? A lei estipula os 65 anos, mas com a prática generalizada das pré-reformas, que alastrou aos mais variados sectores de actividade, os portugueses estão efectivamente a deixar de trabalhar muito antes. Porque não começar por aplicar o que está na lei? Não tem nenhum sentido que se continue a estimular o final antecipado da vida laboral, nem sempre desejado pelos trabalhadores e prejudicial à própria sociedade. Porque não começar por fazer coincidir a idade média de reforma com a idade legal. Antes de apelar à necessidade de termos de continuar a trabalhar até aos 67 ou 70 anos, o primeiro passo do novo Governo devia ser o de conseguir que os portugueses se reformassem aos 65 e não antes. E então estimular aqueles que desejam continuar a trabalhar de forma voluntária.
29 março 2005
Será que ninguém pára o Alberto Costa mais a sua inquisitória base de dados
Apesar de todas as garantias de independência na gestão e custódia da anunciada base de dados genética dos portugueses, encontramo-nos à beira da maior afronta à liberdade individual e à vida privada de que há memória em Portugal.
Permitam-me que deixe no ar a ideia de que se tal tipo de informação tivesse sido apanhada por um qualquer ditador ou "click autoritária" os genocídios e assassinatos selectivos de segmentos "não prioritários" da população teriam sido altamente facilitados.
Recordo que por força da preservação dos dados individuais, património inalienável de qualquer um de nós, os Ingleses não têm bilhete de identidade; consideram que o facto de deixar a impressão digital, altura, e outros dados fisicos num fucheiro central é uma afronta à identidade e individualidade de cada um dos cidadãos, não podendo ninguém ter conhecimento, se o próprio não entender, desses dados. Nos Estados Unidos da América passa-se a mesma coisa.
Aqui, aparentemente, ninguém se movimenta contra esta afronta. Porque razão é que Eu, Antonio Mira, numa era em que a investigação científica já nos conduziu a processos de terapia genética, deverei deixar, à mercê de qualquer um , a informação sobre as qualificações e qualidades dos meus genes????????
Será que ninguém vê onde isto nos pode conduzir?
Permitam-me que deixe no ar a ideia de que se tal tipo de informação tivesse sido apanhada por um qualquer ditador ou "click autoritária" os genocídios e assassinatos selectivos de segmentos "não prioritários" da população teriam sido altamente facilitados.
Recordo que por força da preservação dos dados individuais, património inalienável de qualquer um de nós, os Ingleses não têm bilhete de identidade; consideram que o facto de deixar a impressão digital, altura, e outros dados fisicos num fucheiro central é uma afronta à identidade e individualidade de cada um dos cidadãos, não podendo ninguém ter conhecimento, se o próprio não entender, desses dados. Nos Estados Unidos da América passa-se a mesma coisa.
Aqui, aparentemente, ninguém se movimenta contra esta afronta. Porque razão é que Eu, Antonio Mira, numa era em que a investigação científica já nos conduziu a processos de terapia genética, deverei deixar, à mercê de qualquer um , a informação sobre as qualificações e qualidades dos meus genes????????
Será que ninguém vê onde isto nos pode conduzir?
24 março 2005
Só para vos dizer...
...que, no texto em baixo, está a estreia absoluta da Marta Moitinho Oliveira.
Poupo os elogios, por razões óbvias para muitos. Mas registo com muitíssimo apreço a entrada da minha fonte de inspiração.
Abraços,
Poupo os elogios, por razões óbvias para muitos. Mas registo com muitíssimo apreço a entrada da minha fonte de inspiração.
Abraços,
Estágio para sexta-feira Santa
Quinta-feira de manhã, véspera de sexta-feira Santa.
Ligo para um consultório médico privado.
Eu – Bom dia, eu posso falar com a secretária do sr. doutor?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Ela não está.
Eu – Mas o sr. doutor não dá consulta às quintas-feiras?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Dá.
Eu – Mas então a secretária não está?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Não está cá ninguém, porque amanhã é feriado.
Eu – Ah, obrigada e boa tarde.
Ou seja,
em Portugal as pessoas não trabalham nas vésperas dos feriados para os preparar. Uma espécie de estágio. Porque de facto é preciso muita preparação para tirar o máximo partido dos feriados. Ou será que é precisa muita preparação para tirar o menor partido dos dias de trabalho?
Não me irritou não ter conseguido resolver o meu problema que era pessoal. Até porque segunda-feira é outro dia. Não me irrita não ter este tipo de regalias, porque acho que quem encara assim o trabalho, onde passamos uma grande parte do nosso tempo de vida, só pode ser duas coisas: infeliz ou preguiçoso.
Ou claro, pode ter tanto dinheiro que se possa dar ao luxo de fazer estas coisas. Isso já me irrita um bocadinho mais.
MMO
Ligo para um consultório médico privado.
Eu – Bom dia, eu posso falar com a secretária do sr. doutor?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Ela não está.
Eu – Mas o sr. doutor não dá consulta às quintas-feiras?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Dá.
Eu – Mas então a secretária não está?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Não está cá ninguém, porque amanhã é feriado.
Eu – Ah, obrigada e boa tarde.
Ou seja,
em Portugal as pessoas não trabalham nas vésperas dos feriados para os preparar. Uma espécie de estágio. Porque de facto é preciso muita preparação para tirar o máximo partido dos feriados. Ou será que é precisa muita preparação para tirar o menor partido dos dias de trabalho?
Não me irritou não ter conseguido resolver o meu problema que era pessoal. Até porque segunda-feira é outro dia. Não me irrita não ter este tipo de regalias, porque acho que quem encara assim o trabalho, onde passamos uma grande parte do nosso tempo de vida, só pode ser duas coisas: infeliz ou preguiçoso.
Ou claro, pode ter tanto dinheiro que se possa dar ao luxo de fazer estas coisas. Isso já me irrita um bocadinho mais.
MMO
23 março 2005
A ilusão de S. Bento
José Sócrates saiu ontem do Parlamento com um brilho nos olhos, como quem chegou, viu e venceu. Percebe-se porquê: até à data, o novo primeiro-ministro era apenas acusado pelo seu silêncio. Por isso, preparou meticulosamente as suas intervenções: apontou para o futuro, apelou ao patriotismo – ao recusar dirigir ataques aos governos anteriores –, apresentou prioridades e até calendarizou várias delas.
A satisfação de Sócrates pode, assim, ser compreensível. Mas cedo perceberá que o que encontrou nestes dias em S. Bento não foi mais do que uma ilusão de facilidades, um oásis sem um deserto à volta para atravessar.
Pois à frente desta maioria está, vamos ser honestos, esse enorme deserto de dificuldades. É verdade que tem uma maioria na AR, é verdade que tem o partido a seus pés, é verdade que até em Belém habita (até ver), um Presidente à sua medida. É verdade, também, que lhe caiu no colo uma reforma do PEC que parece feita de acordo com o seu Plano Teconológico.
Mas, para esta caminhada, não basta dizer chega a corporações poderosas, não basta apresentar planos de investimento, nem tão pouco falar de transparência e patriotismo. Tudo isso é bom e bonito, mas a situação do país – já o diziam António Vitorino e Jorge Coelho, que se ficaram pela bancada – exige muito mais do actual Governo: exige, por exemplo, medidas estruturais que reduzam a despesa. Exige, nesse caminho, que a má imagem criada por Ferreira Leite, enquanto responsável pelas Finanças, se multiplique por cinco. É que uma coisa é o que o país quer ouvir, outra, bem diferente, é o que o país precisa de ver feito.
Desta vez, não há ilusões. José Sócrates já disse que se dá bem com maratonas, mas ainda só o vimos fazer a meia-maratona de Lisboa. Vamos ver, agora, como resiste aos Jogos Olímpicos.
DE, 23.03.05
A satisfação de Sócrates pode, assim, ser compreensível. Mas cedo perceberá que o que encontrou nestes dias em S. Bento não foi mais do que uma ilusão de facilidades, um oásis sem um deserto à volta para atravessar.
Pois à frente desta maioria está, vamos ser honestos, esse enorme deserto de dificuldades. É verdade que tem uma maioria na AR, é verdade que tem o partido a seus pés, é verdade que até em Belém habita (até ver), um Presidente à sua medida. É verdade, também, que lhe caiu no colo uma reforma do PEC que parece feita de acordo com o seu Plano Teconológico.
Mas, para esta caminhada, não basta dizer chega a corporações poderosas, não basta apresentar planos de investimento, nem tão pouco falar de transparência e patriotismo. Tudo isso é bom e bonito, mas a situação do país – já o diziam António Vitorino e Jorge Coelho, que se ficaram pela bancada – exige muito mais do actual Governo: exige, por exemplo, medidas estruturais que reduzam a despesa. Exige, nesse caminho, que a má imagem criada por Ferreira Leite, enquanto responsável pelas Finanças, se multiplique por cinco. É que uma coisa é o que o país quer ouvir, outra, bem diferente, é o que o país precisa de ver feito.
Desta vez, não há ilusões. José Sócrates já disse que se dá bem com maratonas, mas ainda só o vimos fazer a meia-maratona de Lisboa. Vamos ver, agora, como resiste aos Jogos Olímpicos.
DE, 23.03.05
22 março 2005
A resposta tarda, mas surgirá
O trabalho ainda não me deixou responder ao novo post de Paulo Gorjão. Mas até amanhã conseguirei uns minutos de tempo livre para continuar a discussão sobre o jornalismo político que se pratica em Portugal. LR
20 março 2005
A lealdade orgânica já tem blogue
O Zé resolveu criar um blogue. Chama-se "O Estado das Coisas" e ainda está a ser afinado, o que não impediu o camarada de dar a conhecer esta autêntica pérola. Seja bem-vindo e que venham as polémicas! LR
19 março 2005
Recomendação de leitura
O Pedro Caeiro do Mar Salgado escreveu uma bela posta que deve ser lida por todos os que se interessam pelo tema da refundação ou, segundo Vasco Pulido Valente, da fundação da direita portuguesa. LR
Bem prega Frei Tomás - parte 2
Caro Paulo Gorjão
Começo por dizer que aprecio as suas críticas ao jornalismo que se pratica em Portugal. De uma forma geral, os seus posts sobre a prática jornalística são equilibrados. Por isso mesmo, aceito continuar discutir consigo.
1 – Não sou nada corporativo, muito menos no direito à crítica. Muito mau é o jornalista que não sabe lidar com as apreciações dos seus leitores. A blogosfera, aliás, desempenha um papel fundamental na crítica e na detecção de erros no trabalho dos jornalistas. Os profissionais só têm a ganhar com a análise crítica dos blogger’s.
2 – Desde sempre que o Paulo crítica a utilização generalizada do “off” no jornalismo político. Chegou mesmo a escrever que “as fontes não identificadas são um obstáculo à transparência”. A sua contradição, meu caro, é óbvia: se defende o principio de que o “off” deveria ser uma excepção, então não pode dar relevância a notícias feitas sem declarações oficiais ou assumidas.
3 – Mas a discussão é muito interessante. Já li no seu blog que o “off” deveria ser circunscrito a “casos de denúncia de situações de ilegalidade e pouco mais”.
Não concordo consigo. A função original do “off” passa pela contextualização ou o enquadramento da notícia em causa. Em vez de utilizar as suas palavras, o jornalista cita palavras ou descreve ideias de pessoas com quem falou.
Em segundo lugar, o “off” pode ser o veículo ideal, para as fontes e para os jornalistas, para dar um exclusivo. Se a fonte que dá o “off” for oficial, a informação tem outra credibilidade. Se a fonte não for oficial, o jornalista tem que cruzar a informação com outras fontes. Não é pelo simples facto de a informação ser dada em “off” que a mesma não tem, à partida, crebilidade. Depende dos casos e da avaliação do jornalista.
Se não fosse o “off”, o Paulo Gorjão e outros leitores não poderiam saber o que se passa nas reuniões partidárias – ou noutros encontros similares que tenham igualmente interesse público – que têm o sigilo ou a reserva como característica principal.
O “off” permite ainda chegar ao conhecimento de informações que, de outra forma, o jornalista não conseguiria. Através do “off” podemos chegar à documentação necessária para escrevemos a notícia ou a pistas verificáveis.
O principal problema do “off” tem haver com a manipulação de que o jornalista pode ser vítima por parte das fontes. É um risco que se corre. Mas só quem escreve notícias é que pode decidir se vale a pena, ou não.
Mas, como em tudo na vida, o bom senso pode evitar erros primários, como aquele de Mário Soares ter protagonizado uma candidatura presidencial consensual em 1986...
As regras do bom jornalismo são simples. Os jornalistas é que complicam. Nenhum jornalista – a começar por mim – pode dizer que não cometeu erros.
4 – Para concluir, deixo a Paulo Gorjão uma sugestão para uma nova... ou melhor, uma sugestão para uma discussão clássica sobre o jornalismo português. Porque razão os jornais portugueses não assumem nos seus estatutos editoriais o seu posicionamento ideológico ou não assumem editorialmente a defesa ou oposição a temas fundamentais para a vida da comunidade? Porque razão em Portugal a capa da falsa e inexistente objectividade jornalística serve para praticar um aguerrido e dependente jornalismo ideológico? Porque razão jornais com linhas editoriais de esquerda como, por exemplo, o “Público”, não assumem a sua tendência ideológica dominante, “vendendo” ao leitor uma objectividade que, manifestamente, não existe nalgumas notícias publicadas? E, finalmente, porque razão os 4 anos do primeiro Governo de António Guterres tiveram um escrutínio completamente diferente daquele a que os Governos de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes foram sujeitos?
Tenho respostas para estas perguntas, mas, porque o post já vai longo, gostava de saber primeiro o que pensa Paulo Gorjão. LR
Começo por dizer que aprecio as suas críticas ao jornalismo que se pratica em Portugal. De uma forma geral, os seus posts sobre a prática jornalística são equilibrados. Por isso mesmo, aceito continuar discutir consigo.
1 – Não sou nada corporativo, muito menos no direito à crítica. Muito mau é o jornalista que não sabe lidar com as apreciações dos seus leitores. A blogosfera, aliás, desempenha um papel fundamental na crítica e na detecção de erros no trabalho dos jornalistas. Os profissionais só têm a ganhar com a análise crítica dos blogger’s.
2 – Desde sempre que o Paulo crítica a utilização generalizada do “off” no jornalismo político. Chegou mesmo a escrever que “as fontes não identificadas são um obstáculo à transparência”. A sua contradição, meu caro, é óbvia: se defende o principio de que o “off” deveria ser uma excepção, então não pode dar relevância a notícias feitas sem declarações oficiais ou assumidas.
3 – Mas a discussão é muito interessante. Já li no seu blog que o “off” deveria ser circunscrito a “casos de denúncia de situações de ilegalidade e pouco mais”.
Não concordo consigo. A função original do “off” passa pela contextualização ou o enquadramento da notícia em causa. Em vez de utilizar as suas palavras, o jornalista cita palavras ou descreve ideias de pessoas com quem falou.
Em segundo lugar, o “off” pode ser o veículo ideal, para as fontes e para os jornalistas, para dar um exclusivo. Se a fonte que dá o “off” for oficial, a informação tem outra credibilidade. Se a fonte não for oficial, o jornalista tem que cruzar a informação com outras fontes. Não é pelo simples facto de a informação ser dada em “off” que a mesma não tem, à partida, crebilidade. Depende dos casos e da avaliação do jornalista.
Se não fosse o “off”, o Paulo Gorjão e outros leitores não poderiam saber o que se passa nas reuniões partidárias – ou noutros encontros similares que tenham igualmente interesse público – que têm o sigilo ou a reserva como característica principal.
O “off” permite ainda chegar ao conhecimento de informações que, de outra forma, o jornalista não conseguiria. Através do “off” podemos chegar à documentação necessária para escrevemos a notícia ou a pistas verificáveis.
O principal problema do “off” tem haver com a manipulação de que o jornalista pode ser vítima por parte das fontes. É um risco que se corre. Mas só quem escreve notícias é que pode decidir se vale a pena, ou não.
Mas, como em tudo na vida, o bom senso pode evitar erros primários, como aquele de Mário Soares ter protagonizado uma candidatura presidencial consensual em 1986...
As regras do bom jornalismo são simples. Os jornalistas é que complicam. Nenhum jornalista – a começar por mim – pode dizer que não cometeu erros.
4 – Para concluir, deixo a Paulo Gorjão uma sugestão para uma nova... ou melhor, uma sugestão para uma discussão clássica sobre o jornalismo português. Porque razão os jornais portugueses não assumem nos seus estatutos editoriais o seu posicionamento ideológico ou não assumem editorialmente a defesa ou oposição a temas fundamentais para a vida da comunidade? Porque razão em Portugal a capa da falsa e inexistente objectividade jornalística serve para praticar um aguerrido e dependente jornalismo ideológico? Porque razão jornais com linhas editoriais de esquerda como, por exemplo, o “Público”, não assumem a sua tendência ideológica dominante, “vendendo” ao leitor uma objectividade que, manifestamente, não existe nalgumas notícias publicadas? E, finalmente, porque razão os 4 anos do primeiro Governo de António Guterres tiveram um escrutínio completamente diferente daquele a que os Governos de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes foram sujeitos?
Tenho respostas para estas perguntas, mas, porque o post já vai longo, gostava de saber primeiro o que pensa Paulo Gorjão. LR
18 março 2005
Tiro de precisão
"O Choque Tecnológico
Ele aí está, triunfante e imparável...Ontem, o Governo do PS marcou para as 6 e meia da tarde a entrega do Programa de Governo no Parlamento. O documento só chegou depois das 8, por causa de problemas informáticos na presidência do Conselho de Ministros. E, afinal, não passava de uma cópia das 163 páginas do programa eleitoral dos socialistas.Hora e meia de atraso por causa de um copy-paste....Que melhor forma de inaugurar o choque tecnológico que com um ligeiro curto-circuito. Isto promete!"
Martim Silva, in "Mau Tempo no Canil"
Ele aí está, triunfante e imparável...Ontem, o Governo do PS marcou para as 6 e meia da tarde a entrega do Programa de Governo no Parlamento. O documento só chegou depois das 8, por causa de problemas informáticos na presidência do Conselho de Ministros. E, afinal, não passava de uma cópia das 163 páginas do programa eleitoral dos socialistas.Hora e meia de atraso por causa de um copy-paste....Que melhor forma de inaugurar o choque tecnológico que com um ligeiro curto-circuito. Isto promete!"
Martim Silva, in "Mau Tempo no Canil"
A estrada da Sofia
A Sofia dos Estados da Nação tem uma estrada: o pensamento único, condicionado pela já habitual generalização de factos e pessoas.
1. A Sofia gosta, p.e., de acusar o Independente, por via do Luís Rosa, de fazer intriga. A Sofia, pois claro, não lê o Independente e menos ainda o Luís Rosa.
Generaliza, lá está, e concentra a crítica no que mais lhe interessa, deturpando uma crítica que sentiu na pele. É uma estrada, mas não é a nossa.
2. Ainda a Sofia, compara Barroso e Sócrates num processo de intenção. É a mesma estrada: Barroso não cumpriu (é um facto) em dois anos - e não em quatro, que são da legislatura. Culpa sua, certo. Mas isto também é um facto.
Já Sócrates ainda não começou e a Sofia já diz que cumpre o que prometeu. É uma crença, uma fé, uma estrada. É a da Sofia, não a minha.
Posso até concordar - concordo - que um programa seja copiado do manifesto eleitoral. Acho bem, mesmo que nenhum deles seja concreto. Acho prudente, sim senhor. Mas isso não me garante que as promessas sejam cumpridas. sobre isso, falamos mais tarde. É que a minha estrada é outra.
1. A Sofia gosta, p.e., de acusar o Independente, por via do Luís Rosa, de fazer intriga. A Sofia, pois claro, não lê o Independente e menos ainda o Luís Rosa.
Generaliza, lá está, e concentra a crítica no que mais lhe interessa, deturpando uma crítica que sentiu na pele. É uma estrada, mas não é a nossa.
2. Ainda a Sofia, compara Barroso e Sócrates num processo de intenção. É a mesma estrada: Barroso não cumpriu (é um facto) em dois anos - e não em quatro, que são da legislatura. Culpa sua, certo. Mas isto também é um facto.
Já Sócrates ainda não começou e a Sofia já diz que cumpre o que prometeu. É uma crença, uma fé, uma estrada. É a da Sofia, não a minha.
Posso até concordar - concordo - que um programa seja copiado do manifesto eleitoral. Acho bem, mesmo que nenhum deles seja concreto. Acho prudente, sim senhor. Mas isso não me garante que as promessas sejam cumpridas. sobre isso, falamos mais tarde. É que a minha estrada é outra.
17 março 2005
Bem prega Frei Tomás...
O Paulo Gorjão é um leitor atento de jornais e um crítico contundente do jornalismo político que se pratica em Portugal. Defende convictamente que os jornalistas devem usar o "off" em situações excepcionais. Muito bem.
O problema é que entra em contradição facilmente. Apoiante de Manuel Maria Carrilho, candidato do PS à Câmara de Lisboa, Gorjão resolveu citar uma notícia d' "A Capital" feita sem um único "on" - e com base numa única fonte próxima de Ferro, fonte essa perfeitamente conhecida de todos os jornalistas - que relata um hipotético afastamento do ex-secretário-geral da corrida eleitoral.
Gorjão deu credibilidade a uma notícia que refere que Ferro só avançará se houver consenso em redor do seu nome "tal como aconteceu, por exemplo, com a candidatura de Mário Soares à presidência da República". Qualquer jornalista minimamente preparado sabe que em 1986 se houve coisa que não houve à esquerda foi consenso. As razões: Francisco Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo.
"By the way", porque razão Ferro Rodrigues não avança como Soares em 86? Receio ou calculismo? LR
O problema é que entra em contradição facilmente. Apoiante de Manuel Maria Carrilho, candidato do PS à Câmara de Lisboa, Gorjão resolveu citar uma notícia d' "A Capital" feita sem um único "on" - e com base numa única fonte próxima de Ferro, fonte essa perfeitamente conhecida de todos os jornalistas - que relata um hipotético afastamento do ex-secretário-geral da corrida eleitoral.
Gorjão deu credibilidade a uma notícia que refere que Ferro só avançará se houver consenso em redor do seu nome "tal como aconteceu, por exemplo, com a candidatura de Mário Soares à presidência da República". Qualquer jornalista minimamente preparado sabe que em 1986 se houve coisa que não houve à esquerda foi consenso. As razões: Francisco Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo.
"By the way", porque razão Ferro Rodrigues não avança como Soares em 86? Receio ou calculismo? LR
Dos Estados da Nação
Os humores dos Estados da Nação andam por baixo.
Parece que só o novo Governo os alegra.
É pouco, meus amigos. Mas fico feliz por vós também.
P.S. Já viram as últimas sobre o Programa de Governo? Parece que é "tão concreto" como o programa eleitoral. Ou seja, que é igual ao dito.
Não é curioso como as legislaturas mudam mas os processos são os mesmos? Curioso mundo, este.
Parece que só o novo Governo os alegra.
É pouco, meus amigos. Mas fico feliz por vós também.
P.S. Já viram as últimas sobre o Programa de Governo? Parece que é "tão concreto" como o programa eleitoral. Ou seja, que é igual ao dito.
Não é curioso como as legislaturas mudam mas os processos são os mesmos? Curioso mundo, este.
Spring time
O país que me desculpe, mas esta vaga de calor é uma maravilha.
Bem sei que a seca afecta todos, que anda muita gente preocupada, mas digam lá com sinceridade: não é linda a Primavera?
Desejos de bom dia,
Bem sei que a seca afecta todos, que anda muita gente preocupada, mas digam lá com sinceridade: não é linda a Primavera?
Desejos de bom dia,
16 março 2005
A Política da Terra Queimada ou a Birra do Pedro
Pedro Santana Lopes (PSL) parece o Exército Vermelho na IIª Guerra Mundial.... antes de sair das povoações queima tudo à sua volta de forma a que o invasor não tenha mantimentos para se abastecer. PSL deu cabo, a nível nacional, da direita voltar ao poder nos próximos 8 anos. PSL vai dar cabo da possibilidade de a direita voltar à presidência da CML nos próximos 8 anos. PSL parece um miúdo: "não é meu não é de mais ninguém"
Acho que poderíamos chamar Lopes de "O Verdadeiro Maçarico" ou simplesmente "o Fósforo Quinas"...há incendiários a cumprir pena em Vale de Judeus que não queimaram tanto como ele.
Acho que poderíamos chamar Lopes de "O Verdadeiro Maçarico" ou simplesmente "o Fósforo Quinas"...há incendiários a cumprir pena em Vale de Judeus que não queimaram tanto como ele.
Bom e mau tempo no Canil
1. O M.S., do Mau Tempo, pensa bem. Diz, por exemplo, que Santana Lopes fez bem em voltar à Câmara e que, por isso, não percebe a histeria em torno do seu regresso.
Não só é verdade, como acrescento a reacção geral, não voltasse o ex-PM à Câmara. Qualquer coisa assim: "Lá está ele! Nunca termina o que começou".
Embora isso não explique o tempo e a forma como o fez.
2. O mesmo M.S. analisa bem um mau sinal do Governo: a insistência silenciosa sobre o suposto aumento de impostos. Não só é errado, diz o M.S., como mostra uma insistência particular em não alterar o que tem que ser alterado dentro do próprio estado. Seria de louvar o aumento de impostos, fosse a receita o problema. Não é. É a despesa.
3. O que o M.S. interpreta menos bem, julgo eu, são as palavras de Vítor Constâncio. Caro Mau Tempo: o que o governador fez foi um aviso sério aos senhores que nos governam: não inventem, porque não há dinheiro. Ou seja, ponham lá as portagens, s.f.f.
E isso é bem diferente e muito mais responsável.
Abraços do Insubmisso,
Não só é verdade, como acrescento a reacção geral, não voltasse o ex-PM à Câmara. Qualquer coisa assim: "Lá está ele! Nunca termina o que começou".
Embora isso não explique o tempo e a forma como o fez.
2. O mesmo M.S. analisa bem um mau sinal do Governo: a insistência silenciosa sobre o suposto aumento de impostos. Não só é errado, diz o M.S., como mostra uma insistência particular em não alterar o que tem que ser alterado dentro do próprio estado. Seria de louvar o aumento de impostos, fosse a receita o problema. Não é. É a despesa.
3. O que o M.S. interpreta menos bem, julgo eu, são as palavras de Vítor Constâncio. Caro Mau Tempo: o que o governador fez foi um aviso sério aos senhores que nos governam: não inventem, porque não há dinheiro. Ou seja, ponham lá as portagens, s.f.f.
E isso é bem diferente e muito mais responsável.
Abraços do Insubmisso,
O Clan Avillez quer refundar a Direita
Há muito tempo tempo que não recortava nada dos jornais e da televisão.
Recortei 1 artigo de Jaime Nogueira Pinto no Expresso (com continuação prometida para o próximo fim-de-semana); a entrevista de Maria José Nogueira Pinto ao Público/Renascença (com perguntas do lado Renascença muito bem pensadas) com transcrição no Público de 2ªfeira; a entrevista de Rogeiro dada a Maria João Avillez (desta vez sobre a Direita...embora, confesse, estivesse à espera de uma incursão sobre os contornos autofágicos da atitude predatória do bacilo de Koch, tema que, como sabeis, é um, dos muitos, que Rogeiro domina).
Todos estes apontamentos têm 1 coisa em comum: uma deliberada intenção do clan Avillez de refundar a Direita Portuguesa.
Meritória vontade. Pobre resultado, para já. A salientar de positivo algumas ideias de Maria José Nogueira Pinto. Desilusão quanto ao texto de Jaime Nogueira Pinto. Rogeiro encarreirou também pela mediania, embora extremamente inteligente. Rogeiro sofre dos males da retórica pós-moderna...é espasmódico. Pena.
Este tempo todo que me invade e que me permite recortar estas coisas e ler outras, permite-me efectuar estes "remarkes" e pensar que o percurso que tem de ser efectuado pela direita portuguesa nos próximos anos foi aquele que foi efectuado pela direita francesa nos anos 70. Com uma pequena diferença. É que em França eles tinham Raymond Aron e Revel e outros que tais e nós cá temos... o que temos.
A propósito, do baú tirei "Mémoires" do Raymond Aron e "Le rejet de l'etat" de J.-F. Revel. Prazeres e delícias que me fazem sonhar. Outra "coisa" que retirei do baú foi "Uma solução para Portugal" de Diogo Freitas do Amaral...na altura (198...) este homem era de direita.
Recortei 1 artigo de Jaime Nogueira Pinto no Expresso (com continuação prometida para o próximo fim-de-semana); a entrevista de Maria José Nogueira Pinto ao Público/Renascença (com perguntas do lado Renascença muito bem pensadas) com transcrição no Público de 2ªfeira; a entrevista de Rogeiro dada a Maria João Avillez (desta vez sobre a Direita...embora, confesse, estivesse à espera de uma incursão sobre os contornos autofágicos da atitude predatória do bacilo de Koch, tema que, como sabeis, é um, dos muitos, que Rogeiro domina).
Todos estes apontamentos têm 1 coisa em comum: uma deliberada intenção do clan Avillez de refundar a Direita Portuguesa.
Meritória vontade. Pobre resultado, para já. A salientar de positivo algumas ideias de Maria José Nogueira Pinto. Desilusão quanto ao texto de Jaime Nogueira Pinto. Rogeiro encarreirou também pela mediania, embora extremamente inteligente. Rogeiro sofre dos males da retórica pós-moderna...é espasmódico. Pena.
Este tempo todo que me invade e que me permite recortar estas coisas e ler outras, permite-me efectuar estes "remarkes" e pensar que o percurso que tem de ser efectuado pela direita portuguesa nos próximos anos foi aquele que foi efectuado pela direita francesa nos anos 70. Com uma pequena diferença. É que em França eles tinham Raymond Aron e Revel e outros que tais e nós cá temos... o que temos.
A propósito, do baú tirei "Mémoires" do Raymond Aron e "Le rejet de l'etat" de J.-F. Revel. Prazeres e delícias que me fazem sonhar. Outra "coisa" que retirei do baú foi "Uma solução para Portugal" de Diogo Freitas do Amaral...na altura (198...) este homem era de direita.
15 março 2005
Água para que te quero!
Ontem foi noticiado que cerca de metade da água consumida em Portugal (quer no âmbito doméstico e industrial, quer no agrícola) é desperdiçada ou perdida no seu percurso até ao consumidor! Falhas ou fracturas no complexo e irracional sistema de condutas assim como bocas-de-incêndio mal vedadas ou simplesmente destruídas foram dadas como as principais razões no que diz respeito ao desperdício de água no circuito doméstico e industrial. Sistemas obsoletos ou rudimentares e pouco eficazes no caso do consumo agrícola.
Cumprindo a velha e incontornável tradição lusitana, obviamente que se aguardou por um ano de seca, quando já é tarde demais, para se fazer o estudo que conduziu às conclusões acima mencionadas. Acho que numa era em que a ecologia, a racionalização e a luta contra o desperdício (em especial da água) estão em voga, mais uma vez conseguimos surpreender o mundo, descontraidamente, com estas noticias brilhantes, contrariando calmamente o esforço que os nossos vizinhos europeus fazem para obter resultados positivos nestas áreas.
Mais giro ainda é a forma como se nota que naturalmente um pais rico em todos os sentidos, como o nosso, ignore esta noticia, como se a ninguém dissesse respeito. Provavelmente não terá qualquer espécie de impacto politico e como não mete ao barulho qualquer figura publica de relevo, é óbvio que a coisa das farmácias ou as eleições de um partido em crise terão sem dúvida muito mais interesse tanto para o jornalismo como para a sociedade em geral. Em termos políticos nem sequer estou à espera que este venha a ser um tema relevante.
O facto é meus amigos, que sem aguinha a malta não vive, não toma banho nem cozinha. Mas o que é lá isso comparado com todas as coisas bem mais importantes que se vão passando neste país e que tanto deslumbram as inteligências polidas e brilhantes daqueles que se dedicam a causas maiores como a política dentro da política e outras que em termos humanos (no sentido de máquina biológica) pouco ou nada contribuem para o nosso verdadeiro bem-estar e qualidade de vida! Talvez apenas uns quantos brejeiros como eu tenham sido tocados pela notícia da água. Mas de água preciso eu para viver, do resto logo se vê!
Lembrem-se só disto: Da próxima vez que encherem um copo de água numa torneira ou tomarem um duche, uma quantidade equivalente do precioso líquido terá sido completamente desperdiçada formando uma nova poça ou buraco algures pelo país. Dá que pensar.
Anarcatólico
Cumprindo a velha e incontornável tradição lusitana, obviamente que se aguardou por um ano de seca, quando já é tarde demais, para se fazer o estudo que conduziu às conclusões acima mencionadas. Acho que numa era em que a ecologia, a racionalização e a luta contra o desperdício (em especial da água) estão em voga, mais uma vez conseguimos surpreender o mundo, descontraidamente, com estas noticias brilhantes, contrariando calmamente o esforço que os nossos vizinhos europeus fazem para obter resultados positivos nestas áreas.
Mais giro ainda é a forma como se nota que naturalmente um pais rico em todos os sentidos, como o nosso, ignore esta noticia, como se a ninguém dissesse respeito. Provavelmente não terá qualquer espécie de impacto politico e como não mete ao barulho qualquer figura publica de relevo, é óbvio que a coisa das farmácias ou as eleições de um partido em crise terão sem dúvida muito mais interesse tanto para o jornalismo como para a sociedade em geral. Em termos políticos nem sequer estou à espera que este venha a ser um tema relevante.
O facto é meus amigos, que sem aguinha a malta não vive, não toma banho nem cozinha. Mas o que é lá isso comparado com todas as coisas bem mais importantes que se vão passando neste país e que tanto deslumbram as inteligências polidas e brilhantes daqueles que se dedicam a causas maiores como a política dentro da política e outras que em termos humanos (no sentido de máquina biológica) pouco ou nada contribuem para o nosso verdadeiro bem-estar e qualidade de vida! Talvez apenas uns quantos brejeiros como eu tenham sido tocados pela notícia da água. Mas de água preciso eu para viver, do resto logo se vê!
Lembrem-se só disto: Da próxima vez que encherem um copo de água numa torneira ou tomarem um duche, uma quantidade equivalente do precioso líquido terá sido completamente desperdiçada formando uma nova poça ou buraco algures pelo país. Dá que pensar.
Anarcatólico
14 março 2005
A culpa morre solteira?
A venda dos medicamentos que dispensam receita médica em qualquer estabelecimento e não apenas nas farmácias parece-me, à primeira vista, uma decisão acertada. Mas confesso que não compreendi porque é que José Sócrates escolheu este sector como exemplo do que pretende mudar nem porque o fez no discurso da tomada de posse, no meio de referências à necessidade de finanças públicas sãs, de compromisso no combate à pobreza ou da prioridade que é a aposta na educação.
Disse o PM que entre os objectivos imediatos do Governo está a resolução “de estrangulamentos que impedem que o interesse geral se imponha aos interesses particulares e corporativos que não servem a maioria dos portugueses”. Por isso mesmo, muitos outros exemplos podiam ter sido apontados por Sócrates. Em matéria de concorrência, sectores como as telecomunicações, a energia ou os notários são paradigmáticos. Não que as farmácias estejam excluídas na lista, mas não se entende porque é que só elas mereceram referência na tomada de posse quando, nas telecomunicações por exemplo, não faltam queixas sobre práticas de dumping, os preços chegam a ser 40 por cento acima dos praticados noutros países e a PT é proprietária da rede fixa e do cabo, algo que não existe em nenhum Estado europeu. Terá Sócrates encontrado os bodes expiatórios?
Disse o PM que entre os objectivos imediatos do Governo está a resolução “de estrangulamentos que impedem que o interesse geral se imponha aos interesses particulares e corporativos que não servem a maioria dos portugueses”. Por isso mesmo, muitos outros exemplos podiam ter sido apontados por Sócrates. Em matéria de concorrência, sectores como as telecomunicações, a energia ou os notários são paradigmáticos. Não que as farmácias estejam excluídas na lista, mas não se entende porque é que só elas mereceram referência na tomada de posse quando, nas telecomunicações por exemplo, não faltam queixas sobre práticas de dumping, os preços chegam a ser 40 por cento acima dos praticados noutros países e a PT é proprietária da rede fixa e do cabo, algo que não existe em nenhum Estado europeu. Terá Sócrates encontrado os bodes expiatórios?
13 março 2005
Falta de vergonha I
Na mesma peça do "Público" em que as farmácias e os farmacêuticos criticam a intenção de José Sócrates, aparece um especialista em direitos do consumidor e professor universitário - assim é apresentado pelo jornal - chamado Beja Santos, também ele crítico de Sócrates, que faz a seguinte declaração:
"Agora percebo que os hipermercados foram os grandes financiadores da campanha do PS e que já estão a exigir a factura"
Será que isto é uma ameaça da ANF e/ou da OF?
Os próximos tempos podem ser muito interessantes.
"Agora percebo que os hipermercados foram os grandes financiadores da campanha do PS e que já estão a exigir a factura"
Será que isto é uma ameaça da ANF e/ou da OF?
Os próximos tempos podem ser muito interessantes.
Falta de vergonha
As farmácias são dos melhores negócios existentes em Portugal. É certo que o Estado não paga a tempo e horas, mas as margens de lucros dos fármacos excedem em larga medida os prejuízos causados pelos atrasos. A Associação Nacional de Farmácias (ANF), com a ajuda da Ordem dos Farmacêuticos (OF), existe para fazer com que o negócio seja o mais lucrativo possível. Os interesses dos consumidores, ao contrário do que a ANF jura, não fazem parte das preocupações dos farmacêuticos.
As reacções da ANF e da OF à intenção de José Sócrates em acabar com o exclusivo das farmácias na venda de medicamentos que não necessitem de receita médica são reveladoras duma desonestidade intelectual a toda a prova. Eis os argumentos rasteirinhos:
1 - Comunicado da ANF: "Todos os estudos internacionais demonstram que os medicamentos devem ser apenas dispensados em locais que garantam a máxima confiança e sob aconselhamento directo dos farmacêuticos"
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, por exemplo, a venda do tipo de medicamentos em causa está autorizada em hipermercados, supermercados, lojas de coveniência, etc. Nesses locais existem farmacêuticos que aconselham os consumidores. Os tais estudos "internacionais" devem ter sido feito em Portugal.
2 - Comunicado da ANF: "É no mínimo surpreendente a prioridade atribuída à medida" que "nunca foi reclamada pelos portugueses, em particular pelos doentes". A ANF deve viver noutro planeta. Todos os portugueses que, por causa de uma simples gripe, comprem numa farmácia um caixa de benuron, outra de cêgripe, um xarope e uma caixa de pastilhas para a tosse reclamam, e não é pouco, os mais de 20 euros que têm de pagar. É certo que os supermercados baixarão os preços, mas, enfim, já dizia alguém: "é a vida". Ou como diria outro mais recentemente: "habituem-se!".
3 - António Marques da Costa da Ordem dos Farmacêuticos: "Há estudos que evidenciam o desenvolvimento de doenças crónicas, sobretudo, hepáticas por uso excessivo de certos medicamentos". É pena que a unidose, que permitiria reduzir o consumo de medicamentos, não mereça o apoio público e empenhado dos farmacêuticos...
Espero sinceramente que a próxima medida na Saúde seja a aplicação da unidose.
José Sócrates começou bem.
Impressões e expectativas
Concretizada a tomada de posse dos ministros do XVII Governo Constitucional é altura de emitir as primeiras impressões e expectativas sobre o elenco executivo.
1. À primeira vista, salta o corte geracional – sem que isso represente propriamente uma renovação – que José Sócrates decidiu fazer. Homens fortes do guterrismo como Jorge Coelho e António Vitorino, além do caso especial de Jaime Gama, ficam de fora. Só Gama mantém alguma influência. É uma página que se vira no PS.
Este Governo espelha bem a aliança José Sócrates/António Costa. O ex-eurodeputado consegue espalhar vários homens da sua confiança por diferentes Ministérios, com destaque para a Justiça, mas, mais importante do que isso, consegue pastas que lhe dão real e influente poder político: polícias, bombeiros, protecção civil, autarquias, segurança rodoviária, reforma administrativa e descentralização. Existe ainda a possibilidade de Costa de ficar com a tutela da Polícia Judiciária e, por delegação de poderes do primeiro-ministro, com os serviços de informações.
Não sei se a aliança Sócrates/Costa durará quatro anos. Parece-me que não.
2. A qualidade técnica e política do conjunto dos ministros é equilibrado. Atlantistas (Luís Amado), federalistas (Freitas do Amaral), liberalizadores (Correia de Campos) liberais (Campos e Cunha e Manuel Pinho), estatistas e esquerdistas (Vieira da Silva, Mário Lino e Santos Silva) e tecnocratas (Nunes Correia, Jaime Silva, Lurdes Rodrigues, Mariano Gago). A mão-de-ferro com que o animal feroz Sócrates coordenará a sua equipa vai obrigá-los a uma coexistência pacífica. Veremos se todos obedecerão. Só depois de começarem a decidir (ou não) é que se pode fazer juízos de valor.
3. A maior parte dos ministros não tiveram autonomia para formarem as suas equipas de secretários de Estado a seu gosto, logo não podem ser responsabilizados pelos maus resultados. Nalguns casos José Sócrates cedeu a interesses partidários. Noutros colocou homens e mulheres da sua confiança para "controlarem" políticamente o ministro. Manuel Pinho é o caso mais flagrante. Não escolheu um único secretário de Estado dos três que vão trabalhar consigo.
4. A duas primeiras medidas de José Sócrates revelam bom senso e determinação. Com duas eleições nos restantes 9 meses, juntar as autárquicas com o referendo europeu parece-me razoável. Atacar o lobbie da Associação Nacional de Farmácias logo na tomada de posse merece o maior elogio. Permitir a venda de medicamentos que não necessitem de receita médica noutros estabelecimentos que não as farmácias é uma medida que de facto – como o próprio Sócrates disse – defende os interesses dos consumidores. As reacções inacreditáveis – pela desonestidade intelectual revelada – das farmácias e dos farmacêuticos revela que Sócrates está no bom caminho. Esperemos que a determinação continue.
4. Desejo, sinceramente, as melhores felicidades a este Governo. José Sócrates não é propriamente um personagem simpático, mas de gajos porreiros está o país cheio. Não é a sua simpatia que me interessa, mas sim a sua competência para gerir os destinos de Portugal. Sócrates tem todas as condições – políticas e pessoais – para vir a ser um bom primeiro-ministro. Terá quatro anos para provar que mereceu a confiança que os portugueses depositaram em si. Veremos se corresponderá.
1. À primeira vista, salta o corte geracional – sem que isso represente propriamente uma renovação – que José Sócrates decidiu fazer. Homens fortes do guterrismo como Jorge Coelho e António Vitorino, além do caso especial de Jaime Gama, ficam de fora. Só Gama mantém alguma influência. É uma página que se vira no PS.
Este Governo espelha bem a aliança José Sócrates/António Costa. O ex-eurodeputado consegue espalhar vários homens da sua confiança por diferentes Ministérios, com destaque para a Justiça, mas, mais importante do que isso, consegue pastas que lhe dão real e influente poder político: polícias, bombeiros, protecção civil, autarquias, segurança rodoviária, reforma administrativa e descentralização. Existe ainda a possibilidade de Costa de ficar com a tutela da Polícia Judiciária e, por delegação de poderes do primeiro-ministro, com os serviços de informações.
Não sei se a aliança Sócrates/Costa durará quatro anos. Parece-me que não.
2. A qualidade técnica e política do conjunto dos ministros é equilibrado. Atlantistas (Luís Amado), federalistas (Freitas do Amaral), liberalizadores (Correia de Campos) liberais (Campos e Cunha e Manuel Pinho), estatistas e esquerdistas (Vieira da Silva, Mário Lino e Santos Silva) e tecnocratas (Nunes Correia, Jaime Silva, Lurdes Rodrigues, Mariano Gago). A mão-de-ferro com que o animal feroz Sócrates coordenará a sua equipa vai obrigá-los a uma coexistência pacífica. Veremos se todos obedecerão. Só depois de começarem a decidir (ou não) é que se pode fazer juízos de valor.
3. A maior parte dos ministros não tiveram autonomia para formarem as suas equipas de secretários de Estado a seu gosto, logo não podem ser responsabilizados pelos maus resultados. Nalguns casos José Sócrates cedeu a interesses partidários. Noutros colocou homens e mulheres da sua confiança para "controlarem" políticamente o ministro. Manuel Pinho é o caso mais flagrante. Não escolheu um único secretário de Estado dos três que vão trabalhar consigo.
4. A duas primeiras medidas de José Sócrates revelam bom senso e determinação. Com duas eleições nos restantes 9 meses, juntar as autárquicas com o referendo europeu parece-me razoável. Atacar o lobbie da Associação Nacional de Farmácias logo na tomada de posse merece o maior elogio. Permitir a venda de medicamentos que não necessitem de receita médica noutros estabelecimentos que não as farmácias é uma medida que de facto – como o próprio Sócrates disse – defende os interesses dos consumidores. As reacções inacreditáveis – pela desonestidade intelectual revelada – das farmácias e dos farmacêuticos revela que Sócrates está no bom caminho. Esperemos que a determinação continue.
4. Desejo, sinceramente, as melhores felicidades a este Governo. José Sócrates não é propriamente um personagem simpático, mas de gajos porreiros está o país cheio. Não é a sua simpatia que me interessa, mas sim a sua competência para gerir os destinos de Portugal. Sócrates tem todas as condições – políticas e pessoais – para vir a ser um bom primeiro-ministro. Terá quatro anos para provar que mereceu a confiança que os portugueses depositaram em si. Veremos se corresponderá.
12 março 2005
O tamanho também conta
Hoje fui em trabalho ao Palácio Nacional da Ajuda assistir à tomada de posse do XVII Governo Constitucional. Mais uma vez fiquei incrédulo com a forma como os símbolos da República são tratados. No mastro do Palácio estava um pano descolorado, tipo t-shirt tamanho "S" e ligeiramente desfiado. Custa muito escolher uma bandeira de jeito para um dos melhores exemplos do nosso património?
Um repto para o senhores do IPPAR: deixem de ser tacanhos e percam os complexos pós-revolucionários. Sigam o exemplo de Carmona Rodrigues na Câmara de Lisboa e coloquem uma bandeira da qual os portugueses se possam orgulhar. É simples, barato e até ajuda a levantar a moral determinista lusitana. LR
Um repto para o senhores do IPPAR: deixem de ser tacanhos e percam os complexos pós-revolucionários. Sigam o exemplo de Carmona Rodrigues na Câmara de Lisboa e coloquem uma bandeira da qual os portugueses se possam orgulhar. É simples, barato e até ajuda a levantar a moral determinista lusitana. LR
11 março 2005
Coerência bloquista
Ana Drago deu mais uma entrevista cheia de verdades absolutas. Desta vez foi ao "Independente". Defensora intransigente do "direito à autonomia sobre o seu corpo", o metro e cinquenta humano mais irritante da esquerda portuguesa diz que "não se pode impor uma gravidez a uma mulher. É uma violência que não faz sentido". Muito bem. É uma opinião legítima.
Mas quando questionada sobre se faria um aborto caso se visse grávida de um filho que não desejava, responde desta maneira: "Sobre essas coisas nunca podemos falar. São situações que não podemos imaginar". Fantástico!
A porta-voz do Bloco de Esquerda para a questão do aborto não sabe o que faria, mas leva uma entrevista inteira a aconselhar as restantes mulheres a praticar a interrupção voluntária da gravidez caso não desejem estar grávidas. Será que o Chico Patanisca vai chegar à conclusão que Ana Drago, como Paulo Portas, não deve falar sobre aborto?
Cheira-me que não vamos saber. As divergências bloquistas são como as lutas internas do partido comunista soviético: não são noticiáveis.
O que será que o barnabé Daniel Oliveira pensa sobre a incoerência de Ana Drago? LR
Mas quando questionada sobre se faria um aborto caso se visse grávida de um filho que não desejava, responde desta maneira: "Sobre essas coisas nunca podemos falar. São situações que não podemos imaginar". Fantástico!
A porta-voz do Bloco de Esquerda para a questão do aborto não sabe o que faria, mas leva uma entrevista inteira a aconselhar as restantes mulheres a praticar a interrupção voluntária da gravidez caso não desejem estar grávidas. Será que o Chico Patanisca vai chegar à conclusão que Ana Drago, como Paulo Portas, não deve falar sobre aborto?
Cheira-me que não vamos saber. As divergências bloquistas são como as lutas internas do partido comunista soviético: não são noticiáveis.
O que será que o barnabé Daniel Oliveira pensa sobre a incoerência de Ana Drago? LR
Preocupações díspensáveis
É sempre bonito quando a esquerda se preocupa com a direita. É mesmo lindo...
O que é o Cinema Português? – Preâmbulo: Breve introdução à história do cinema – Parte I.
Para que melhor compreendam a minha motivação na busca de uma resposta para a questão de fundo que serve de título a este post (e a outros que se lhe seguirão), acho importante fundamentar o meu ponto de vista, começando por debitar alguns aspectos que me parecem essenciais da história do cinema. Esta primeira parte será sem duvida a menos interessante, mas não posso contorná-la pois resume a origem da coisa em si.
A primeira exibição pública daquilo a que hoje vulgarmente chamamos cinema, aconteceu no dia 28 de Dezembro de 1895, no Salon Indien situado na cave do Grand Café, na Boulevard des Capucines em Paris. Os autores dos pequenos filmes projectados nesse dia eram os irmãos Auguste e Louis Lumiére. Foram também os inventores do Cinematógrafo, a máquina que lhes permitia captar, revelar e projectar as imagens dos seus filmes. Eram curtas-metragens, com cerca de dois minutos cada. As mais célebres deste período inicial são: “A saída dos Operários da Fábrica Lumiére” e “A Chegada de um Comboio na Estação de Ciolat”. Pouco tempo depois, Louis Lumiére, defendia que este fenómeno não era mais do que uma moda passageira e afirmou: “O Cinema é uma invenção sem futuro”. Louis só não profetizou uma verdade absoluta com estas palavras porque mais tarde havia de aparecer um tal D. W. Griffith. Mas ainda é cedo para falar dele.
Do outro lado do Atlântico, nos States, a “concorrência” era formada por Thomas Edison e o seu assistente William Kennedy Laurie Dickson. No fundo foi Dickson quem realmente desenvolveu todo o projecto, mas Edison é que levou os louros. A dupla Edison/Dickson concebeu duas máquinas. A primeira permitia apenas a captação das imagens, o Cinetógrafo que foi apresentado em 1889. Esta câmara já filmava em película de 35mm perfurada idêntica à que se utiliza hoje em dia. Em 1893 inauguraram comercialmente (ou não estivéssemos a falar dos States) o Cinetoscópio, a segunda máquina. Esta possibilitava a projecção das imagens, visíveis apenas de forma individual (e não colectiva, como as projecções na parede dos Lumiére). Isto porque o Cinetoscópio funcionava como uma espécie de peep show, em que se espreitava por um visor. Inserindo uma moeda na ranhura do Cinetoscópio, obtiam-se em troca 17 metros (cerca de um minuto) de filme. Dai que se considere que o cinema, como hoje o conhecemos, tenha nascido pelas mãos dos Lumiére e não pelas de Edison e Dickson.
Uma curiosidade: Os temas dos Lumiére eram genericamente de carácter documental. Cenas do quotidiano passadas em décors reais, normalmente exteriores. Em contra-ponto, Dickson filmava exclusivamente fechado no seu laboratório, o primeiro estúdio da história do cinema. Chamava-se Black Maria e era um barracão de madeira com o interior forrado a alcatrão. A Black Maria tinha uma particularidade notável. Para dar o máximo aproveitamento à grande clarabóia inclinada, que servia para iluminar o interior, rodava de modo a acompanhar o movimento do sol, maximizando o número de horas de luz necessária para filmar. Assim é curioso constatar como desde o seu nascimento o cinema trazia, acidentalmente ou não, marcada a sina do seu desenvolvimento conceptual. Uma Europa de décors reais e a América dos estúdios (sem que algum dos casos seja absoluto).
Anarcatólico
A primeira exibição pública daquilo a que hoje vulgarmente chamamos cinema, aconteceu no dia 28 de Dezembro de 1895, no Salon Indien situado na cave do Grand Café, na Boulevard des Capucines em Paris. Os autores dos pequenos filmes projectados nesse dia eram os irmãos Auguste e Louis Lumiére. Foram também os inventores do Cinematógrafo, a máquina que lhes permitia captar, revelar e projectar as imagens dos seus filmes. Eram curtas-metragens, com cerca de dois minutos cada. As mais célebres deste período inicial são: “A saída dos Operários da Fábrica Lumiére” e “A Chegada de um Comboio na Estação de Ciolat”. Pouco tempo depois, Louis Lumiére, defendia que este fenómeno não era mais do que uma moda passageira e afirmou: “O Cinema é uma invenção sem futuro”. Louis só não profetizou uma verdade absoluta com estas palavras porque mais tarde havia de aparecer um tal D. W. Griffith. Mas ainda é cedo para falar dele.
Do outro lado do Atlântico, nos States, a “concorrência” era formada por Thomas Edison e o seu assistente William Kennedy Laurie Dickson. No fundo foi Dickson quem realmente desenvolveu todo o projecto, mas Edison é que levou os louros. A dupla Edison/Dickson concebeu duas máquinas. A primeira permitia apenas a captação das imagens, o Cinetógrafo que foi apresentado em 1889. Esta câmara já filmava em película de 35mm perfurada idêntica à que se utiliza hoje em dia. Em 1893 inauguraram comercialmente (ou não estivéssemos a falar dos States) o Cinetoscópio, a segunda máquina. Esta possibilitava a projecção das imagens, visíveis apenas de forma individual (e não colectiva, como as projecções na parede dos Lumiére). Isto porque o Cinetoscópio funcionava como uma espécie de peep show, em que se espreitava por um visor. Inserindo uma moeda na ranhura do Cinetoscópio, obtiam-se em troca 17 metros (cerca de um minuto) de filme. Dai que se considere que o cinema, como hoje o conhecemos, tenha nascido pelas mãos dos Lumiére e não pelas de Edison e Dickson.
Uma curiosidade: Os temas dos Lumiére eram genericamente de carácter documental. Cenas do quotidiano passadas em décors reais, normalmente exteriores. Em contra-ponto, Dickson filmava exclusivamente fechado no seu laboratório, o primeiro estúdio da história do cinema. Chamava-se Black Maria e era um barracão de madeira com o interior forrado a alcatrão. A Black Maria tinha uma particularidade notável. Para dar o máximo aproveitamento à grande clarabóia inclinada, que servia para iluminar o interior, rodava de modo a acompanhar o movimento do sol, maximizando o número de horas de luz necessária para filmar. Assim é curioso constatar como desde o seu nascimento o cinema trazia, acidentalmente ou não, marcada a sina do seu desenvolvimento conceptual. Uma Europa de décors reais e a América dos estúdios (sem que algum dos casos seja absoluto).
Anarcatólico
10 março 2005
As Farpas I
Será que alguém dá a ler a José Sócrates este pequeno texto da autoria de Eça de Queiroz e de Ramalho Ortigão?
“(...) Ninguém se aproximava deles; causavam imensa impressão nos moços de fretes. Por fim, pouco a pouco, alguns jornalistas mais curiosos foram-se chegando e começaram a tocar-lhes com o dedo, a ver se eram de pau. Percebeu-se mesmo que falavam. Enfim os mais audaciosos fizeram-lhes perguntas.
- Senhores, disseram-lhes, espalhou-se por aí que vinham restaurar o país. Ora devem saber que um partido possui uma missão de reconstituição - deve ter um sistema, uma ideia, um princípio que domine toda a vida social, estado, moral, educação, trabalho, factos jurídicos, factos económicos, literatura, etc. Assim, por exemplo a questão religiosa é complicada, qual é o seu princípio para nesta questão?
- Economias! Disse com voz pessada o partido reformista.
Espanto geral.
- Bem! e em moral?
- Economias! bradou
- Viva! e em educação
- Economias! roncou.
- Safa! E nas questões de trabalho?
- Economias! mugiu
- Apre! E em questões de jusrisprudência?
- Economias! rugiu
- Santo Deus! E em questões de literatura, de arte?
- Economias! uivou
Estavam todos aterrados. Aquilo não dizia mais nada. Fizeram-se novas expectactivas. Perguntaram-lhe:
- Que horas são?
- Economias! roquejou
Todo o mundo tinha os cabelos em pé. Fez-se nova tentativa.
- De quem gosta mais, do papá ou da mamã?
- Economias! bravejou
Um suor frio humedecia todas as camisas. Examinaram-no de frente, de perfil, de três quartos. Perguntaram-lhe a tabuada, o catecismo:
-Economias! Respondia
Uma coisa tão inexplicável só podia ser um partido político. Era com efeito. Não tinha ideias, tinha aprendido aquela palavra, repetia-a sempre, a todo o propósito, maquinalmente. Era o papagaio do constitucionalismo.
Papagaio... quando está na oposição: então repete a sua palavra – economias! Sempre grulhando, gritando, casquejando, espanejando-se ao sol. Mas mal chega ao governo, emudece: faz-se sorumbático, grave, pesado, calado, mono, inútil: é a arara dos poderes públicos!”.
“(...) Ninguém se aproximava deles; causavam imensa impressão nos moços de fretes. Por fim, pouco a pouco, alguns jornalistas mais curiosos foram-se chegando e começaram a tocar-lhes com o dedo, a ver se eram de pau. Percebeu-se mesmo que falavam. Enfim os mais audaciosos fizeram-lhes perguntas.
- Senhores, disseram-lhes, espalhou-se por aí que vinham restaurar o país. Ora devem saber que um partido possui uma missão de reconstituição - deve ter um sistema, uma ideia, um princípio que domine toda a vida social, estado, moral, educação, trabalho, factos jurídicos, factos económicos, literatura, etc. Assim, por exemplo a questão religiosa é complicada, qual é o seu princípio para nesta questão?
- Economias! Disse com voz pessada o partido reformista.
Espanto geral.
- Bem! e em moral?
- Economias! bradou
- Viva! e em educação
- Economias! roncou.
- Safa! E nas questões de trabalho?
- Economias! mugiu
- Apre! E em questões de jusrisprudência?
- Economias! rugiu
- Santo Deus! E em questões de literatura, de arte?
- Economias! uivou
Estavam todos aterrados. Aquilo não dizia mais nada. Fizeram-se novas expectactivas. Perguntaram-lhe:
- Que horas são?
- Economias! roquejou
Todo o mundo tinha os cabelos em pé. Fez-se nova tentativa.
- De quem gosta mais, do papá ou da mamã?
- Economias! bravejou
Um suor frio humedecia todas as camisas. Examinaram-no de frente, de perfil, de três quartos. Perguntaram-lhe a tabuada, o catecismo:
-Economias! Respondia
Uma coisa tão inexplicável só podia ser um partido político. Era com efeito. Não tinha ideias, tinha aprendido aquela palavra, repetia-a sempre, a todo o propósito, maquinalmente. Era o papagaio do constitucionalismo.
Papagaio... quando está na oposição: então repete a sua palavra – economias! Sempre grulhando, gritando, casquejando, espanejando-se ao sol. Mas mal chega ao governo, emudece: faz-se sorumbático, grave, pesado, calado, mono, inútil: é a arara dos poderes públicos!”.
09 março 2005
08 março 2005
As Farpas
(Para demonstrar que Portugal não mudou assim tanto depois de três revoluções e passados pouco menos de 134 anos, nada como ler ou reler "As Farpas" de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão)
"Quando a opinião, tão geral, diz que um país está perdido dentro de um sistema, coloca-se por essa mesma confissão fora do sistema e deseja, por uma propaganda nova, uma restauração social.
Sejamos lógicos. As Farpas não são o legitimismo, nem a República, nem o constitucionalismo, nem o sebastianismo. Desejam simplesmente ser a lógica e ser o bom senso"
Assim veremos nos próximos dias. LR
"Quando a opinião, tão geral, diz que um país está perdido dentro de um sistema, coloca-se por essa mesma confissão fora do sistema e deseja, por uma propaganda nova, uma restauração social.
Sejamos lógicos. As Farpas não são o legitimismo, nem a República, nem o constitucionalismo, nem o sebastianismo. Desejam simplesmente ser a lógica e ser o bom senso"
Assim veremos nos próximos dias. LR
Marretas, uma ova!
Porque hoje é Dia da Mulher
Detesto o dia da mulher. Mas adoraria saber quem o decretou. Não compreendo porque é que “nós” temos direito a um dia no ano, quando os homens têm os restantes 364. Para me lembrarem disso, desde manhã que estou a receber mails desejando-me um dia feliz. Porquê? O que é que esperam que responda? Não passa de hipocrisia. Apesar de terem ganho peso e responsabilidade nos últimos anos, as mulheres continuam afastadas de lugares de chefia. Há algumas na política, poucas à frente de grandes empresas, raras na esfera do poder, em instituições como o Tribunal Constitucional, o Supremo ou até o Conselho de Estado. O dia 8 de Março serve apenas para a condecoração de umas quantas e para o anúncio de medidas que, dizem, promovem a igualdade e a não discriminação. Amanhã já ninguém se lembra.
O Insubmisso continua a crescer
Depois da contratação de Anarcatólico, segue-se mais um reforço de peso: Maria João Babo. Mulher de armas e de esquerda, tripeira e portista, a MJB vai fazer sucesso com a sua insubmissão delicada, mas nem por isso menos afirmativa. Em nome da pluralidade, esperam-se muitas polémicas. Especialmente com os outros insubmissos.
Seja bem-vinda! LR
Seja bem-vinda! LR
As condecorações
Eleito o Governo, apresentados os ministros, o Presidente da República resolveu condecorar uma série de mulheres.
Alguns exemplos:
. Judite de Sousa
. Luísa Mesquita
. Teresa Alegre Portugal
. Isabel Mota
Não desfazendo as senhoras e o senhor Presidente, gostava de perceber o critério das condecorações em causa. E, já agora, perceber porque se esqueceram da dra. Fátima Felgueiras.
Esperam-se agora as condecorações para os dias do Homem.
Uma previsão: Cruz Silva, Santana Lopes, Guilherme Silva, Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso. Que tal?
Alguns exemplos:
. Judite de Sousa
. Luísa Mesquita
. Teresa Alegre Portugal
. Isabel Mota
Não desfazendo as senhoras e o senhor Presidente, gostava de perceber o critério das condecorações em causa. E, já agora, perceber porque se esqueceram da dra. Fátima Felgueiras.
Esperam-se agora as condecorações para os dias do Homem.
Uma previsão: Cruz Silva, Santana Lopes, Guilherme Silva, Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso. Que tal?
Breves notas sobre o Governo da Nação
1. É cedo para fazer uma avaliação do Governo. É preciso deixar os novos ministros lerem as pastas, tomar as primeiras decisões e revelarem prioridades de actuação antes de se poder emitir uma opinião ajuizada.
2. Ainda assim, o novo ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, parece ter furado esta lógica de bom senso. Este economista, com um currículo académico assinalável, começou a emitir opiniões públicas sobre aquilo que pensa fazer ainda antes de tomar posse e de conhecer o estado real das finanças públicas.
Afinal, uma das primeiras medidas anunciadas pelos socialistas – e prevista no programa eleitoral – passa precisamente por pedir a Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, que lidere nova comissão de peritos para auditar as contas públicas e apurar o verdadeiro desequilíbrio orçamental. Esperar pelo apuramento da dimensão real do problema antes de revelar uma possível estratégia para o resolver seria uma prova de bom senso político.
3. Pior. Conseguiu desde logo negar o cumprimento de uma das promessas eleitorais do novo primeiro-ministro – não aumentar os impostos. Deixo duas questões. Será que Luís Campos e Cunha terá a arte política suficiente para aguentar quatro anos à frente das problemáticas finanças públicas nacionais? E será que terá a força política suficiente para dizer "não" aos seus colegas de Governo e fortes figuras do aparelho socialista quando estes pedirem mais dinheiro para brilharem nas suas áreas? Deus queira que sim, a bem das contas do Estado.
2. Ainda assim, o novo ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, parece ter furado esta lógica de bom senso. Este economista, com um currículo académico assinalável, começou a emitir opiniões públicas sobre aquilo que pensa fazer ainda antes de tomar posse e de conhecer o estado real das finanças públicas.
Afinal, uma das primeiras medidas anunciadas pelos socialistas – e prevista no programa eleitoral – passa precisamente por pedir a Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, que lidere nova comissão de peritos para auditar as contas públicas e apurar o verdadeiro desequilíbrio orçamental. Esperar pelo apuramento da dimensão real do problema antes de revelar uma possível estratégia para o resolver seria uma prova de bom senso político.
3. Pior. Conseguiu desde logo negar o cumprimento de uma das promessas eleitorais do novo primeiro-ministro – não aumentar os impostos. Deixo duas questões. Será que Luís Campos e Cunha terá a arte política suficiente para aguentar quatro anos à frente das problemáticas finanças públicas nacionais? E será que terá a força política suficiente para dizer "não" aos seus colegas de Governo e fortes figuras do aparelho socialista quando estes pedirem mais dinheiro para brilharem nas suas áreas? Deus queira que sim, a bem das contas do Estado.
07 março 2005
E os jornalistas?
Vi o link no "Insurgente". Lembrei-me duma enorme discussão que tive com o Bruno na semana passada a propósito do escrutinio dos jornalistas. Quem escrutina os jornalistas? Uma das respostas possíveis é esta. LR
05 março 2005
Introdução ao Governo I
1. José Sócrates apresentou o seu Governo rapidamente e após segredo total. Pode ser bom.
2. José Sócrates apresentou um Governo menos ambicioso do que a maioria absoluta lhe permitiria. Pode ser mau, pode ser bom.
3. José Sócrates já começou a ser criticado pelo BE e PCP. Pode ser bom.
4. José Sócrates foi buscar Freitas do Amaral. É mau para o próprio. Poderia ser bom para o PM, não fosse o caso de o senhor ter à sua frente quatro anos de relações institucionais com o Governo "ditatorial" (palavras do próprio) dos EUA. Assim sendo, é mau.
5. José Sócrates apresentou um Governo entre o centro e a esquerda. Fez equilíbrios que podem ser importantes para manter a paz na ala esquerda do PS, bem representada na AR. Pode ser bom, pode ser mau.
6. Logo se vê. Seja de centro, direita, esquerda, cima ou baixo, qualquer português deve hoje dizer pouco mais que isto: que tenha sorte e juízo. E que seja bem sucedido.
2. José Sócrates apresentou um Governo menos ambicioso do que a maioria absoluta lhe permitiria. Pode ser mau, pode ser bom.
3. José Sócrates já começou a ser criticado pelo BE e PCP. Pode ser bom.
4. José Sócrates foi buscar Freitas do Amaral. É mau para o próprio. Poderia ser bom para o PM, não fosse o caso de o senhor ter à sua frente quatro anos de relações institucionais com o Governo "ditatorial" (palavras do próprio) dos EUA. Assim sendo, é mau.
5. José Sócrates apresentou um Governo entre o centro e a esquerda. Fez equilíbrios que podem ser importantes para manter a paz na ala esquerda do PS, bem representada na AR. Pode ser bom, pode ser mau.
6. Logo se vê. Seja de centro, direita, esquerda, cima ou baixo, qualquer português deve hoje dizer pouco mais que isto: que tenha sorte e juízo. E que seja bem sucedido.
04 março 2005
Resposta a PAS
Caro Pedro Adão e Silva
As questões que colocas no teu comentário ao post "O Relativismo das Analogias" são muito interessantes.
1 - Para avançarmos na discussão, não está em causa, volto a repetir, a legitimidade das ironias ou dos sarcasmos sobre o Papa ou sobre a Igreja. A liberdade de expressão aplica-se também aos temas religiosos. O que eu critico é a ironia ou o sarcasmo sobre a situação clínica de uma pessoa que está a morrer. Tu concordas com o PM, já que não consegues separar o "Papa" do "Karol Wojtyla". Tu lá sabes. Ponto final parágrafo.
2 - Afirmas existirem "muitas razões para este Papa ser alvo de combate político". Isto vale a pena discutirmos. Desde logo, porque consideras que um líder religioso deva ser alvo de "combate político". É certo que o Vaticano é um Estado soberano - reconhecido enquanto tal, de forma ininterrupta, desde 11 Fevereiro de 1929 depois do Tratado de Latrão assinado entre Mussolini e o Papa Pio XI ter reconhecido a soberania da Santa Sé sobre o Vaticano -, mas com características muito especiais. O chefe de Estado do Vaticano é o líder da Igreja Católica Apostólica Romana, é o líder espiritual de uma Igreja, não é um líder político, não é um representante do povo.
"Combater politicamente" os dogmas da Igreja Católica significa, caro Pedro, regressar aos tempos da I República e do PREC, onde o "ópio religioso" foi alvo de perseguição fanática.
As orientações da Igreja actual são de ordem moral e não de ordem política. A Igreja, por exemplo, defende que a melhor forma de combater a SIDA é praticar a castidade, condenando, ao mesmo tempo, a utilização de métodos contraceptivos. Estes dois dogmas da Igreja Católica são orientações morais e estão interligados a valores como a virgindade até ao casamento, a fidelidade entre marido e mulher e a defesa do valor da vida.
A adesão à Igreja Católica é livre. Ninguém está obrigado a seguir os seus dogmas. Muito menos os que não são católicos.
Responsabilizar a Igreja Católica pela propagação sexual da SIDA, como é a opinião de PAS, é a mesma coisa que dizer que o Estado português é responsável por todos os mortos que se verificaram nas estradas portuguesas. A Igreja não impõe o seu estilo de vida a ninguém. Os católicos seguem as regras da Igreja por sua livre e espontânea vontade.
A polémica com o padre Serras Pereira é disso mesmo exemplo. Este padre tomou uma decisão com base numa determinada leitura do direito canónico. Essa leitura é legítima. O católico que não concordar com ele, como eu, tem uma solução simples: vai comungar a outra paróquia. Quem não é católico tem uma solução ainda mais simples: continua não católico.
3 - Deixas implícito que defender a castidade como melhor forma de combater a transmissão sexual do vírus da SIDA, e não a defesa da utilização do preservativo, é uma forma de violência comparável às "omissões" de Arafat sobre os atentados bombistas de facções da OLP. Lamento, meu caro, mas permitir que terroristas pertençam a uma organização por si liderada, faz com que Arafat tenha sido cúmplice do terrorismo palestiniano. Pôr bombas é diferente de defender valores morais como a castidade. A castidade não mata ninguém.
4 - A Igreja Católica é uma instituição conservadora. Não modifica os seus valores morais ao sabor dos ventos. Pessoalmente, defendo uma actualização de certos valores, como por exemplo a entrada das mulheres para o sacerdósio ou a possibilidade de utilização do preservativo em defesa da própria vida. Mas compreendo que a Igreja Católica, enquanto instituição secular, pense bem antes de actualizar seja o que for.
5 - A questão do aborto é diferente. Em Portugal, o aborto é proibido, com excepções devidamente definidas por lei da República. A sua alteração implica realmente um combate político. Mas entre as forças partidárias e cívicas. A Igreja Católica não é protagonista desse combate, mas sim os cidadãos, que professam ou não a religião católica. LR
As questões que colocas no teu comentário ao post "O Relativismo das Analogias" são muito interessantes.
1 - Para avançarmos na discussão, não está em causa, volto a repetir, a legitimidade das ironias ou dos sarcasmos sobre o Papa ou sobre a Igreja. A liberdade de expressão aplica-se também aos temas religiosos. O que eu critico é a ironia ou o sarcasmo sobre a situação clínica de uma pessoa que está a morrer. Tu concordas com o PM, já que não consegues separar o "Papa" do "Karol Wojtyla". Tu lá sabes. Ponto final parágrafo.
2 - Afirmas existirem "muitas razões para este Papa ser alvo de combate político". Isto vale a pena discutirmos. Desde logo, porque consideras que um líder religioso deva ser alvo de "combate político". É certo que o Vaticano é um Estado soberano - reconhecido enquanto tal, de forma ininterrupta, desde 11 Fevereiro de 1929 depois do Tratado de Latrão assinado entre Mussolini e o Papa Pio XI ter reconhecido a soberania da Santa Sé sobre o Vaticano -, mas com características muito especiais. O chefe de Estado do Vaticano é o líder da Igreja Católica Apostólica Romana, é o líder espiritual de uma Igreja, não é um líder político, não é um representante do povo.
"Combater politicamente" os dogmas da Igreja Católica significa, caro Pedro, regressar aos tempos da I República e do PREC, onde o "ópio religioso" foi alvo de perseguição fanática.
As orientações da Igreja actual são de ordem moral e não de ordem política. A Igreja, por exemplo, defende que a melhor forma de combater a SIDA é praticar a castidade, condenando, ao mesmo tempo, a utilização de métodos contraceptivos. Estes dois dogmas da Igreja Católica são orientações morais e estão interligados a valores como a virgindade até ao casamento, a fidelidade entre marido e mulher e a defesa do valor da vida.
A adesão à Igreja Católica é livre. Ninguém está obrigado a seguir os seus dogmas. Muito menos os que não são católicos.
Responsabilizar a Igreja Católica pela propagação sexual da SIDA, como é a opinião de PAS, é a mesma coisa que dizer que o Estado português é responsável por todos os mortos que se verificaram nas estradas portuguesas. A Igreja não impõe o seu estilo de vida a ninguém. Os católicos seguem as regras da Igreja por sua livre e espontânea vontade.
A polémica com o padre Serras Pereira é disso mesmo exemplo. Este padre tomou uma decisão com base numa determinada leitura do direito canónico. Essa leitura é legítima. O católico que não concordar com ele, como eu, tem uma solução simples: vai comungar a outra paróquia. Quem não é católico tem uma solução ainda mais simples: continua não católico.
3 - Deixas implícito que defender a castidade como melhor forma de combater a transmissão sexual do vírus da SIDA, e não a defesa da utilização do preservativo, é uma forma de violência comparável às "omissões" de Arafat sobre os atentados bombistas de facções da OLP. Lamento, meu caro, mas permitir que terroristas pertençam a uma organização por si liderada, faz com que Arafat tenha sido cúmplice do terrorismo palestiniano. Pôr bombas é diferente de defender valores morais como a castidade. A castidade não mata ninguém.
4 - A Igreja Católica é uma instituição conservadora. Não modifica os seus valores morais ao sabor dos ventos. Pessoalmente, defendo uma actualização de certos valores, como por exemplo a entrada das mulheres para o sacerdósio ou a possibilidade de utilização do preservativo em defesa da própria vida. Mas compreendo que a Igreja Católica, enquanto instituição secular, pense bem antes de actualizar seja o que for.
5 - A questão do aborto é diferente. Em Portugal, o aborto é proibido, com excepções devidamente definidas por lei da República. A sua alteração implica realmente um combate político. Mas entre as forças partidárias e cívicas. A Igreja Católica não é protagonista desse combate, mas sim os cidadãos, que professam ou não a religião católica. LR
Nem escudo, nem moeda boa
Manuela Ferreira Leite anunciou hoje que não será candidata à liderança do PSD.
Já tínhamos perdido o escudo, agora lá se foi a moeda boa.
Acho que a melhor reacção, no primeiro e segundo caso, é esta: moedas passadas não movem moínhos. O país fica entregue, assim, a quem realmente o merece.
Já tínhamos perdido o escudo, agora lá se foi a moeda boa.
Acho que a melhor reacção, no primeiro e segundo caso, é esta: moedas passadas não movem moínhos. O país fica entregue, assim, a quem realmente o merece.
Pensamento profundo da semana
"Nós estamos a escrever 'o Santana Lopes e tal...', mas, lá está, só estamos a pensar em mamas".
José Diogo Quintela.
GQ
José Diogo Quintela.
GQ
03 março 2005
Não sei porquê...
...tenho a ideia que muitos e bons jacobinos acham boa notícia a manchete de hoje do Público. Ou será impressão minha?
02 março 2005
O relativismo das analogias
1 - O Pedro Machado (PM) caíu num equívoco comum a todos os esquerdistas: ser de direita é ser fascista. Ou melhor, criticar o humor esquerdista e jacobino é defender a "polícia" dos bons "costumes".
Trinta anos depois do 25 Abril ainda muitos esquerdistas consideram que ser democrata é...ser...de...esquerda... Coitados. Necessitam de mais 30 anos para apreenderem os conceitos básicos da democracia representativa.
PM diz ainda que apelei à insurreição alheia. Errado, mais uma vez. Limitei-me a perguntar - colocando a interrogação a uma pessoa que conheço e considero no País Relativo - se concordava com o sentido de humor de PM. Constato que até hoje Pedro Adão e Silva permanece em silêncio. Se bem o conheço, deve estar incomodado com o humor jacobino do seu colega de blogue.
PM aconselha-me, porém, a olhar para dentro de casa, remetendo-me para um post do António Mira. Fico contente por PM ter ficado 60 minuto no Insubmisso a pesquisar. Fez bem. Pode ser , embora não acredite muito, que tenha aprendido alguma coisa.
António Mira tem um estilo. Eu tenho outro. São diferentes, graças a Deus. Se fossem iguais, o Insubmisso seria uma grande chatice. Aqui defendemos e promovemos a pluralidade. Lamento, mas não somos a favor a igualdade de pensamento.
Por muito que isso custe a PM, o Papa João Paulo II nunca defendeu a violência, como Yasser Arafat fez. O Papa não defendeu nem praticou a guerra contra os seus adversários. A Igreja não considera o terrorismo como uma solução para os problemas políticos, ao contrário da OLP liderada por Arafat.
Lamento que o ateísmo e o jacobinismo sejam tão cegos. Comparar o Papa a Arafat não lembra ao diabo! Quem defende a violência não pode esperar compaixão dos restantes seres humanos.
2 - PM resolveu gozar, de forma idiota, volto a repetir, com a doença de um homem que está a morrer. Teve a boa companhia do Nuno Sousa e do Rui Tavares do Barnabé. (Já agora, aconselho a PM uma pequena visita aos comentários que os leitores do Barnabé fizeram aos posts do NS e do RT. Constatará que os "polícias dos costumes" invadiram a esquerda)
O homem idoso em questão, por acaso, é Papa. Mas não é isso que está em questão. Sou católico, mas não me choca que crentes e não crentes brinquem e provoquem a Igreja. That´s not the point.
O humanismo mais básico, o respeito pela vida mais elementar, assenta, por exemplo, no respeito que uma pessoa moribunda deve merecer de todos os seres humanos razoáveis. Só os cobardes infringem esta regra da vida em sociedade. PM, tal como Nuno Sousa e Rui Tavares, parece ser um deles. LR
Trinta anos depois do 25 Abril ainda muitos esquerdistas consideram que ser democrata é...ser...de...esquerda... Coitados. Necessitam de mais 30 anos para apreenderem os conceitos básicos da democracia representativa.
PM diz ainda que apelei à insurreição alheia. Errado, mais uma vez. Limitei-me a perguntar - colocando a interrogação a uma pessoa que conheço e considero no País Relativo - se concordava com o sentido de humor de PM. Constato que até hoje Pedro Adão e Silva permanece em silêncio. Se bem o conheço, deve estar incomodado com o humor jacobino do seu colega de blogue.
PM aconselha-me, porém, a olhar para dentro de casa, remetendo-me para um post do António Mira. Fico contente por PM ter ficado 60 minuto no Insubmisso a pesquisar. Fez bem. Pode ser , embora não acredite muito, que tenha aprendido alguma coisa.
António Mira tem um estilo. Eu tenho outro. São diferentes, graças a Deus. Se fossem iguais, o Insubmisso seria uma grande chatice. Aqui defendemos e promovemos a pluralidade. Lamento, mas não somos a favor a igualdade de pensamento.
Por muito que isso custe a PM, o Papa João Paulo II nunca defendeu a violência, como Yasser Arafat fez. O Papa não defendeu nem praticou a guerra contra os seus adversários. A Igreja não considera o terrorismo como uma solução para os problemas políticos, ao contrário da OLP liderada por Arafat.
Lamento que o ateísmo e o jacobinismo sejam tão cegos. Comparar o Papa a Arafat não lembra ao diabo! Quem defende a violência não pode esperar compaixão dos restantes seres humanos.
2 - PM resolveu gozar, de forma idiota, volto a repetir, com a doença de um homem que está a morrer. Teve a boa companhia do Nuno Sousa e do Rui Tavares do Barnabé. (Já agora, aconselho a PM uma pequena visita aos comentários que os leitores do Barnabé fizeram aos posts do NS e do RT. Constatará que os "polícias dos costumes" invadiram a esquerda)
O homem idoso em questão, por acaso, é Papa. Mas não é isso que está em questão. Sou católico, mas não me choca que crentes e não crentes brinquem e provoquem a Igreja. That´s not the point.
O humanismo mais básico, o respeito pela vida mais elementar, assenta, por exemplo, no respeito que uma pessoa moribunda deve merecer de todos os seres humanos razoáveis. Só os cobardes infringem esta regra da vida em sociedade. PM, tal como Nuno Sousa e Rui Tavares, parece ser um deles. LR
“Coçadores de Tomates” (ou “O Lastro que Afunda o Barco”)
Existem por todo o lado. Das micro às macro estruturas eles estão sempre lá. Tomando como exemplo conceptual a ideia do nosso velho amigo de que podíamos ser uma jangada de pedra, seria o lastro que mais cedo ou mais tarde nos levaria ao fundo do mar, arrastando com ele toda a tripulação que se esforça para manter a mesma jangada à tona de água.
Já tive contacto com alguns e ouvi histórias de outros tantos. Sim, falo deles, de vós ó miseráveis coçadores de tomates que povoam as empresas, os governos as câmaras municipais ou qualquer outra estrutura (des)oraginazada em Portugal. São pessoas (estou a ser simpático em não classificá-los meramente como filhos da puta) que algures no tempo asseguraram um lugar ao sol, digo um farto ordenado muito acima da média e que a dada altura das suas vidas resolveram não fazer mais a ponta de um corno.
Assisti recentemente a um caso numa empresa onde trabalhei em que foram despedidos cinco funcionários numa estratégia de contenção de despesas. Cada um desses miseráveis (no entanto honrados, pois faziam render mais do dobro de cada cêntimo que lhe era pago) ganhava pouco mais de quinhentos euros por mês. No entanto três outros elementos foram poupados, sendo que cada um ganha à volta de três mil (!!!) euros por mês, desempenhando funções tecnicamente extintas pela mesma empresa há mais de um ano. No fundo o seu trabalho consistia em roçar o cu numas cadeiras com umas folhas A4 numa mão e uma caneta bic na outra. No fim do dia parece que quanto mais cadeiras tivessem sido aquecidas pelos seus cus e mais folhas A4 fossem passeadas pelos corredores, mais justificavam os brilhantes ordenados.
Exímios na arte da graxa, provavelmente alguns na do broche, têm como grande vantagem inata a fabulosa capacidade de dissimular o seu dolce fare niente, tornando-o facilmente invisível devido à grande incompetência com que são dirigidas as estruturas ou “barcos” que refiro desde o início. É-lhes muito fácil perceber quem são os otários que os rodeiam e manipulá-los directa ou indirectamente a seu favor. São uns queridos para a chefia (embora muita da chefia faça parte do clube, o que facilita as coisas) e normalmente uns cabrões inqualificáveis para aqueles que lhes ficam por baixo. Mais tarde ou mais cedo, adquirem uma postura de arrogantes donos do mundo, que é evidente quer na estrada, onde conduzem ferozmente os seus bólides com combustível financiado pela empresa, quer num restaurante, onde descem pelo lado boçal das atitudes noveau riche ou ainda nas discotecas, onde partem do principio que as mulheres são todas umas putas e conseguem sentir o cheiro das suas gordas contas bancárias.
É a todos eles (e elas, mas torna-se muito complicado classificá-las porque não têm tomates e isso deixa-me louco de raiva porque não sei o que lhes hei-de chamar) que dedico este texto, sendo que para mim, o que se devia fazer era cortar-lhes os tomates em cima de uns palanques na Praça do Comércio e vende-los aos espanhóis ou quaisquer outros grandes exportadores de carne do porco pelo preço que os mesmos custaram ao nosso país.
E atenção, isto sou eu só a aquecer!
Anarcatólico.
Já tive contacto com alguns e ouvi histórias de outros tantos. Sim, falo deles, de vós ó miseráveis coçadores de tomates que povoam as empresas, os governos as câmaras municipais ou qualquer outra estrutura (des)oraginazada em Portugal. São pessoas (estou a ser simpático em não classificá-los meramente como filhos da puta) que algures no tempo asseguraram um lugar ao sol, digo um farto ordenado muito acima da média e que a dada altura das suas vidas resolveram não fazer mais a ponta de um corno.
Assisti recentemente a um caso numa empresa onde trabalhei em que foram despedidos cinco funcionários numa estratégia de contenção de despesas. Cada um desses miseráveis (no entanto honrados, pois faziam render mais do dobro de cada cêntimo que lhe era pago) ganhava pouco mais de quinhentos euros por mês. No entanto três outros elementos foram poupados, sendo que cada um ganha à volta de três mil (!!!) euros por mês, desempenhando funções tecnicamente extintas pela mesma empresa há mais de um ano. No fundo o seu trabalho consistia em roçar o cu numas cadeiras com umas folhas A4 numa mão e uma caneta bic na outra. No fim do dia parece que quanto mais cadeiras tivessem sido aquecidas pelos seus cus e mais folhas A4 fossem passeadas pelos corredores, mais justificavam os brilhantes ordenados.
Exímios na arte da graxa, provavelmente alguns na do broche, têm como grande vantagem inata a fabulosa capacidade de dissimular o seu dolce fare niente, tornando-o facilmente invisível devido à grande incompetência com que são dirigidas as estruturas ou “barcos” que refiro desde o início. É-lhes muito fácil perceber quem são os otários que os rodeiam e manipulá-los directa ou indirectamente a seu favor. São uns queridos para a chefia (embora muita da chefia faça parte do clube, o que facilita as coisas) e normalmente uns cabrões inqualificáveis para aqueles que lhes ficam por baixo. Mais tarde ou mais cedo, adquirem uma postura de arrogantes donos do mundo, que é evidente quer na estrada, onde conduzem ferozmente os seus bólides com combustível financiado pela empresa, quer num restaurante, onde descem pelo lado boçal das atitudes noveau riche ou ainda nas discotecas, onde partem do principio que as mulheres são todas umas putas e conseguem sentir o cheiro das suas gordas contas bancárias.
É a todos eles (e elas, mas torna-se muito complicado classificá-las porque não têm tomates e isso deixa-me louco de raiva porque não sei o que lhes hei-de chamar) que dedico este texto, sendo que para mim, o que se devia fazer era cortar-lhes os tomates em cima de uns palanques na Praça do Comércio e vende-los aos espanhóis ou quaisquer outros grandes exportadores de carne do porco pelo preço que os mesmos custaram ao nosso país.
E atenção, isto sou eu só a aquecer!
Anarcatólico.
Acabou-se a festança?
Diz hoje o Jornal de Negócios que, afinal, a Dona Constança acabou com a festança. Exacto: que António Vitorino não quer ir para o Governo, trocando-o por uma firma de advogados, e até já o decidiu “há muito tempo”.
A ser verdade - repito, a ser verdade - o dr. Vitorino merece desde logo um primeiro trabalho, no seu novo emprego: defender a Dona Constança de um processo público por publicidade enganosa.
É que a mesma Dona Constança andou pelo país, durante dois meses inteirinhos a dizer que era coordenadora do programa eleitoral do PS, a dizer que a sua entrada no Governo dependia do secretário-geral do partido, a receber, sem sinais de recusa, apelos veementes de Mário Soares para aceitar o desafio, até a encabeçar uma lista do PS, em Setúbal. Para mais, a Dona Constança, avisada e conselheira que é, até explicou que o Governo não seria feito na comunicação social. “Habituem-se”, disse.
Então, dois meses depois de deixar os portugueses na expectativa do seu regresso, a Dona Constança abandona a festança? Aguardemos, então, pelas decisões. É que, até aqui, o silêncio de Sócrates está a revelar-se sábio. Esperemos que não seja por uma má razão.
P.S. Eu, que nada tenho de simpatizante de Santana Lopes, estranho a diferença de tratamento entre o ainda líder do PSD e o próximo primeiro-ministro. Não é que, esta manhã, as rádios ignoraram esta notícia? Até mesmo a Sic-Notícias, que ontem à meia-noite adiantava a notícia em primeira mão? Fosse com Santana Lopes e o arraso seria generalizado. Isso é certo.
A ser verdade - repito, a ser verdade - o dr. Vitorino merece desde logo um primeiro trabalho, no seu novo emprego: defender a Dona Constança de um processo público por publicidade enganosa.
É que a mesma Dona Constança andou pelo país, durante dois meses inteirinhos a dizer que era coordenadora do programa eleitoral do PS, a dizer que a sua entrada no Governo dependia do secretário-geral do partido, a receber, sem sinais de recusa, apelos veementes de Mário Soares para aceitar o desafio, até a encabeçar uma lista do PS, em Setúbal. Para mais, a Dona Constança, avisada e conselheira que é, até explicou que o Governo não seria feito na comunicação social. “Habituem-se”, disse.
Então, dois meses depois de deixar os portugueses na expectativa do seu regresso, a Dona Constança abandona a festança? Aguardemos, então, pelas decisões. É que, até aqui, o silêncio de Sócrates está a revelar-se sábio. Esperemos que não seja por uma má razão.
P.S. Eu, que nada tenho de simpatizante de Santana Lopes, estranho a diferença de tratamento entre o ainda líder do PSD e o próximo primeiro-ministro. Não é que, esta manhã, as rádios ignoraram esta notícia? Até mesmo a Sic-Notícias, que ontem à meia-noite adiantava a notícia em primeira mão? Fosse com Santana Lopes e o arraso seria generalizado. Isso é certo.
01 março 2005
Outro jacobino idiota
Hoje é o dia do jacobinismo. Depois do PM - M é de "Machado" e não de "Martins", como erradamente escrevi - do País Relativo, seguiu-se Nuno Sousa do Barnabé. Esta é a piada: "O Papa já bebe sozinho por uma palhinha. Os médicos estão em crer que, a partir de amanhã, poderá começar a gatinhar sem amparo alheio. Aguardamos ansiosos". Uau!!! Palmas, muitas palmas para o sucessor do Jerry Seinfield! Onde estão os produtores da SIC Radical para descobrirem este novo talento do humor português?
Ao menos, o rapazinho Sousa é intelectualmente mais honesto. Diz ele que não gosta da personagem do Papa. Porquê? Porque "a sua acção não tem sido de molde a facilitar a vida a milhares de miseráveis por esse mundo fora, em países sub-desenvolvidos onde a Sida e outras misérias, desde logo a económica, não se podem combater com doutrinas que rejeitam e condenam o uso do preservativo, por exemplo." Boa!
Sabem que mais? Acho que a Durex e a Control deviam encher África de fábricas de latex. O desenvolvimento económico africano agradece.
Mas o Sousa não deseja mal ao Papa. Pelo contrário. Apesar de ser o principal responsável pela propagação da SIDA, até deseja que o senhor melhore. Ainda bem! Já tem entrada directa no reino do Céu! Os seus pais suspiraram de alivio pela sua alma!
A debilidade física do Papa, conclui o barnabé de serviço, não deve ser explorada. Isso é que repugna o nosso rapazinho...
Para compor o ramalhete, o Tavares respondeu assim aos ínumeros protestos dos leitores do Barnabé: "Calma, pessoal! Não há nada para ver – são só os nossos talibãs. Gostam de apedrejar, como os pagãos a São Barnabé". Viva o Barnabé! Programa de televisão, já! LR
Ao menos, o rapazinho Sousa é intelectualmente mais honesto. Diz ele que não gosta da personagem do Papa. Porquê? Porque "a sua acção não tem sido de molde a facilitar a vida a milhares de miseráveis por esse mundo fora, em países sub-desenvolvidos onde a Sida e outras misérias, desde logo a económica, não se podem combater com doutrinas que rejeitam e condenam o uso do preservativo, por exemplo." Boa!
Sabem que mais? Acho que a Durex e a Control deviam encher África de fábricas de latex. O desenvolvimento económico africano agradece.
Mas o Sousa não deseja mal ao Papa. Pelo contrário. Apesar de ser o principal responsável pela propagação da SIDA, até deseja que o senhor melhore. Ainda bem! Já tem entrada directa no reino do Céu! Os seus pais suspiraram de alivio pela sua alma!
A debilidade física do Papa, conclui o barnabé de serviço, não deve ser explorada. Isso é que repugna o nosso rapazinho...
Para compor o ramalhete, o Tavares respondeu assim aos ínumeros protestos dos leitores do Barnabé: "Calma, pessoal! Não há nada para ver – são só os nossos talibãs. Gostam de apedrejar, como os pagãos a São Barnabé". Viva o Barnabé! Programa de televisão, já! LR
Um jacobino idiota
Um palerma chamado Pedro Martins (PM) resolveu "abrir" a sua inexistente veia humoristica para gozar com a situação clínica do Papa João Paulo II: "Ainda há esperança para a reprodução""O Vaticano já defende a respiração assistida". Gostaria de saber se PM aprovaria alarvidades sobre a doença de algum familiar seu?
Como PM pertence a um blogue habitado por pessoas intelectualmente respeitáveis como Pedro Adão e Silva ou Mark Kirby, interrogo-me sobre o silêncio dos restantes bloguer's do pais relativo. Porque razão a esquerda ética, deontologicamente perfeita e herdeira directa do homem idealizado por Rosseau fica calada? Porquê?
O humanismo não é classificável ideologicamente. É uma obrigação do ser humano, mesmo jacobinos, em determinadas situações. Como esta. LR
Como PM pertence a um blogue habitado por pessoas intelectualmente respeitáveis como Pedro Adão e Silva ou Mark Kirby, interrogo-me sobre o silêncio dos restantes bloguer's do pais relativo. Porque razão a esquerda ética, deontologicamente perfeita e herdeira directa do homem idealizado por Rosseau fica calada? Porquê?
O humanismo não é classificável ideologicamente. É uma obrigação do ser humano, mesmo jacobinos, em determinadas situações. Como esta. LR
28 fevereiro 2005
O prémio da masturbação
Poucos repararam, mas este camarada foi a semana passada citado na revista "Visão". Com todo o mérito, diga-se de passagem. O "Canil" está a transformar-se num bogue de referência. Mas não chato. Optou pela masturbação e está recolher os louros. LR
O Iberista está a dormir II
Bruno, importas-te de (re)escrever o teu último post na tua lingua materna: o castelhano?
Infelizmente, não consigo publicar a foto do iberista ideal. Fica para mais tarde. LR
Infelizmente, não consigo publicar a foto do iberista ideal. Fica para mais tarde. LR
Os iberistas não dormem II
Também eu fiquei contente pela vitória do Mourinho. Aliás, sou um fã do Mourinho desde os tempos do FCP. Mas sou um fã do Mourinho porque ele é um dos melhores do mundo na sua profissão, tal como Capelo ou Luxemburgo, e não por ser português.
Quanto à vitória sobre o treinador espanhol do Liverpool, não lhe dou especial relevância, nem acho que o espírito nacional deva ficar mais "inchado" por isso. Afinal, não foi só Mourinho, Tiago, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira que ganharam ao Liverpool. Foram eles, mais os muitos milhões do russo Abramovic, o francês Makelele, o inglês Lampard, o guarda-redes checo, o Kezman... Ou seja, foi o resto do mundo contra o coitado do Benitez. Que rica vitória para Portugal...
P.S. - Quanto à temática do iberismo, do ponto de vista político, voltarei mais tarde.
Quanto à vitória sobre o treinador espanhol do Liverpool, não lhe dou especial relevância, nem acho que o espírito nacional deva ficar mais "inchado" por isso. Afinal, não foi só Mourinho, Tiago, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira que ganharam ao Liverpool. Foram eles, mais os muitos milhões do russo Abramovic, o francês Makelele, o inglês Lampard, o guarda-redes checo, o Kezman... Ou seja, foi o resto do mundo contra o coitado do Benitez. Que rica vitória para Portugal...
P.S. - Quanto à temática do iberismo, do ponto de vista político, voltarei mais tarde.
Moedas passadas não movem moínhos
Lê-se e não se acredita. Diz Guilherme Silva, na Capital de ontem, para atestar da competência de Santana Lopes à frente do Governo cessante: “Álvaro Barreto várias vezes me disse: «Estou absolutamente espantado, porque ele vai para os conselhos de ministros muito bem preparado»”.
Absolutamente espantado?! Afinal, o que foi Álvaro Barreto fazer para o Governo? Quando aceitou o convite de Santana Lopes, o que esperava dos conselhos de ministros?
O espanto do ainda ministro deixa-nos de boca aberta. A moeda má está aí, para quem não queria acreditar. Bem dizia Pacheco Pereira: quem nasceu para lagartixa, nunca chega a Jacaré.
Resta ao PSD um cenário inteiramente novo. Serão quatro anos na oposição, perante uma maioria absoluta que não poderá travar. Quatro anos são, no fundo, uma oportunidade para uma nova moeda.
Primeiro, dão a tranquilidade necessária para uma mudança total. Parte daí a sua credibilização. Segundo, permite olhar para a governação de Sócrates com a calma de quem não quer governar já amanhã – o que é ponto de partida para a afirmação de um projecto sério. Terceiro, dá tempo à moeda boa para aparecer, não tanto na liderança, mas entre os que a irão seguir.
Se olharmos atentamente para o passado, foi assim que a direita criou os seus projectos mais sólidos das últimas décadas na Europa: em Inglaterra, com Margaret Thatcher; e em Espanha, com José Maria Aznar. É tempo de Portugal seguir os melhores. E de se esquecer a moeda má. É que moedas passadas não movem moínhos.
Absolutamente espantado?! Afinal, o que foi Álvaro Barreto fazer para o Governo? Quando aceitou o convite de Santana Lopes, o que esperava dos conselhos de ministros?
O espanto do ainda ministro deixa-nos de boca aberta. A moeda má está aí, para quem não queria acreditar. Bem dizia Pacheco Pereira: quem nasceu para lagartixa, nunca chega a Jacaré.
Resta ao PSD um cenário inteiramente novo. Serão quatro anos na oposição, perante uma maioria absoluta que não poderá travar. Quatro anos são, no fundo, uma oportunidade para uma nova moeda.
Primeiro, dão a tranquilidade necessária para uma mudança total. Parte daí a sua credibilização. Segundo, permite olhar para a governação de Sócrates com a calma de quem não quer governar já amanhã – o que é ponto de partida para a afirmação de um projecto sério. Terceiro, dá tempo à moeda boa para aparecer, não tanto na liderança, mas entre os que a irão seguir.
Se olharmos atentamente para o passado, foi assim que a direita criou os seus projectos mais sólidos das últimas décadas na Europa: em Inglaterra, com Margaret Thatcher; e em Espanha, com José Maria Aznar. É tempo de Portugal seguir os melhores. E de se esquecer a moeda má. É que moedas passadas não movem moínhos.
O iberista não dorme
O Luís anda em provocações. Vou espantá-lo ao dizer que senti exactamente o mesmo que ele quando Mourinho venceu ontem o seu primeiro título em Inglaterra.
É português, sim senhor. Tenho orgulho, pois claro. Mas não porque Mourinho é um treinador português. Só e apenas porque é português e profissional. Gosto de nos ver ganhar, mas o orgulho só vem quando é merecido. É o caso.
P.S. Giro giro, para o nosso orgulho luso, é ver que o Benfica e o Sporting, nossos clubes, deixaram fugir o melhor do mundo para o Porto e, depois, para Inglaterra. Não há nada, infelizmente, mais português. Que Mourinho sirva de exemplo.
É português, sim senhor. Tenho orgulho, pois claro. Mas não porque Mourinho é um treinador português. Só e apenas porque é português e profissional. Gosto de nos ver ganhar, mas o orgulho só vem quando é merecido. É o caso.
P.S. Giro giro, para o nosso orgulho luso, é ver que o Benfica e o Sporting, nossos clubes, deixaram fugir o melhor do mundo para o Porto e, depois, para Inglaterra. Não há nada, infelizmente, mais português. Que Mourinho sirva de exemplo.
O iberista está a dormir
17 horas após a publicação do post "Inspirations", o Insubmisso castelhano ainda não respondeu. Deve estar a consultar o dicionário português-espanhol. Ou então, como é habitual, já se arrependeu de mais uma precipitação.
Bruno, se te sentires sozinho no Mundo, liga a este teu camarada. LR
Bruno, se te sentires sozinho no Mundo, liga a este teu camarada. LR
27 fevereiro 2005
Inspiration
José Mourinho, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho e Tiago ganharam a Taça da Liga Inglesa a Rafael Benitez, Luís Garcia e Munoz. O Chelsea ganhou ao Liverpool por 3-2. Uma equipa inglesa dirigida por um português ganhou a outra equipa inglesa dirigida por um espanhol. O país do lado não tem o exclusivo do sucesso, ao contrário do que o nosso pessimismo cultural impõe como pensamento dominante.
Em tempos de crise, os bons exemplos, mesmo que desportivos, devem servir de inspiração para a recuperação da auto-estima e para fazer mais e melhor. LR
Em tempos de crise, os bons exemplos, mesmo que desportivos, devem servir de inspiração para a recuperação da auto-estima e para fazer mais e melhor. LR
Um pequeno conselho
No seu programa eleitoral, os socialistas comprometeram-se a triplicar o esforço privado em Investigação & Desenvolvimento empresarial, a triplicar o número de patentes registadas e a criarem uma “via verde” na Administração Pública para este tipo de firmas, ao mesmo tempo que querem agilizar a legislação que regula a criação de empresas. Tudo muito bem.
Deixo um pequeno conselho: começem pelo Instituto de
Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A pedido de um familiar informei-me acerca da documentação necessária para o registo de uma marca. Visitei o site do INPI e constatei um facto curioso. Sabem quanto tempo demora aquele órgão do Estado a responder a um pedido de registo? 1 ANO! Ou seja, para responder se aceita ou recusa determinado pedido de registo, o INPI necessita de 12 MESES! Ao fim de 365 DIAS (?!) o INPI pode constatar que a marca que o requerente quer registar, afinal, já existe. Fantástico!
É certo que alguns departamentos tradicionais da Administração Pública melhoraram muito nos últimos anos – em Lisboa, por exemplo, o Registo Cívil unificado no mesmo edificio na Av. Fontes Pereira de Melo é um excelente exemplo de atendimento rápido e eficaz –, mas a maioria necessita de uma autêntica revolução. De mentalidade, de profissionalismo e de métodos de trabalho. Essa é das maiores ajudas que o Estado pode dar no aumento da competitividade e da produtividade da economia. Essa é que é a reforma das reformas.
Veremos se os socialistas serão capazes de cumprir a promessa de apenas admitir um funcionário por cada dois que se reformem.
Se ao fim de 4 anos, a reforma da Administração Pública ficar apenas pela criação de um cartão único e de alguns balcões em Lisboa e no Porto para empresas – como no tempo de Guterres se ficou só pela criação de uma loja do cidadão em Lisboa e outra no Porto – o PS terá falhado numa área em que é quase tão conservador como o PCP e o Bloco. LR
Deixo um pequeno conselho: começem pelo Instituto de
Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A pedido de um familiar informei-me acerca da documentação necessária para o registo de uma marca. Visitei o site do INPI e constatei um facto curioso. Sabem quanto tempo demora aquele órgão do Estado a responder a um pedido de registo? 1 ANO! Ou seja, para responder se aceita ou recusa determinado pedido de registo, o INPI necessita de 12 MESES! Ao fim de 365 DIAS (?!) o INPI pode constatar que a marca que o requerente quer registar, afinal, já existe. Fantástico!
É certo que alguns departamentos tradicionais da Administração Pública melhoraram muito nos últimos anos – em Lisboa, por exemplo, o Registo Cívil unificado no mesmo edificio na Av. Fontes Pereira de Melo é um excelente exemplo de atendimento rápido e eficaz –, mas a maioria necessita de uma autêntica revolução. De mentalidade, de profissionalismo e de métodos de trabalho. Essa é das maiores ajudas que o Estado pode dar no aumento da competitividade e da produtividade da economia. Essa é que é a reforma das reformas.
Veremos se os socialistas serão capazes de cumprir a promessa de apenas admitir um funcionário por cada dois que se reformem.
Se ao fim de 4 anos, a reforma da Administração Pública ficar apenas pela criação de um cartão único e de alguns balcões em Lisboa e no Porto para empresas – como no tempo de Guterres se ficou só pela criação de uma loja do cidadão em Lisboa e outra no Porto – o PS terá falhado numa área em que é quase tão conservador como o PCP e o Bloco. LR
Reforço de peso
Hoje é dia de estreia de mais um Insubmisso. É um homem da imagem que também domina as letras. Tem como missão profissional demonstrar que a cultura não deve e não pode ter a subsidiodependência como sistema. É uma das melhores cabeças que conheço na minha geração. É um reforço de peso e uma lufada de ar fresco para o nosso grupo excessivamente politizado. Seja bem-vindo. LR
Falam falam, falam falam, falam falam pá, e eu não os vejo a fazer nada!
Tem sido a frase motriz do riso nacional nos últimos tempos. E porquê? Não, não é porque o R.A.P. é muito engraçado e faz aquilo (o sketch) muito bem. Nem é porque o original foi dito pelo igualmente cómico Marco do Big Brother, porque disso ninguém se lembrava até há umas semanas atrás. Nada disso. O grande impacto desta frase junto das massas, reside no facto de se tratar do resumo mais eficaz e conciso do espírito nacional e que nos toca a todos. No nosso subconsciente é como uma descarga, uma espécie de catarse. Cada vez que a dizemos no fundo estamos a dizer é: Também eu falo falo, falo falo, falo falo e não faço um cacete! É o retrato do país em formato de crachá, em estampa de t-shirt. Indo um pouco mais longe será uma reminiscência Gil Vicentina do belo gozar de nós próprios para nos analisarmos melhor, sem medo. Sim, porque qualquer pessoa honesta o suficiente consigo própria sabe que encarar a verdade produz em todos nós um inegável, congelante e monstruoso medo. Não sei se as gerações vivas irão a tempo de beneficiar dos efeitos desta catarse nacional em que conseguimos (pelo menos no nosso inconsciente) assumir aquilo que somos e perceber que assim não vamos a lado nenhum. Mas pode ser que no futuro os nossos descendentes olhem para este princípio de milénio e já não percebam porque é que se achava tanta graça ao marasmo e à inépcia neste país!
Anarcatólico
Anarcatólico
25 fevereiro 2005
Marques Mendes
...deu ontem uma entrevista coerente e bem estruturada.
A bem da verdade, Mendes não anda aos zig-zags e faz tudo de forma expectável.
Isso é bom.
P.S. Gostava sinceramente que quem não gosta de ler estes posts que simplesmente não viesse ao Insubmisso. É que aqui gostamos de ser sinceros, honestos e educados. Obrigado
A bem da verdade, Mendes não anda aos zig-zags e faz tudo de forma expectável.
Isso é bom.
P.S. Gostava sinceramente que quem não gosta de ler estes posts que simplesmente não viesse ao Insubmisso. É que aqui gostamos de ser sinceros, honestos e educados. Obrigado
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