A malta da Função Pública portuguesa adora, adora mesmo, arranjar um bom pretexto para arranhar os governos. Normalmente, pelas duas razões do costume: por tudo e por nada. Desta vez são os professores, que resolveram marcar greve para os dias dos exames do 9º ano. Pura coincidência, claro está.
O método não é novo. Lembro-me de repente da greve do SEF, em pleno Euro 2004. Uma coincidência, uma vez mais.
Acho sinceramente que os governos deviam mudar de método na reacção a greves que prejudicam o interesse público. Os senhores querem fazer greve, muito bem. Agora, se não arranjam um dia que não seja chave para o interesse público, era apontar-lhes a porta da rua. Sem mas, nem meio mas. Nisto, como dizia o Paulo Baldaia no DN há tempos, ou há moralidade ou comem todos. Nem mais.
20 junho 2005
Pássaro de rapina
Há por aí por Pássaro que rejubila com a crise europeia. Foi-se a Constituição? Boa! Foram-se os fundos comunitários? Vive l'Europe! Francamente, é triste ver como um milhafre se torna uma ave de rapina. É caso para lembrar, meu caro, que não há acções sem consequências. E que há atrasos que nos podem custar muito caro. Por bonito que possa parecer aos nacionalismos serôdios.
19 junho 2005
Os socialistas e o Benfica
O eng. Sócrates, sr. primeiro-ministro, e o seu ajudante para o campo socialista , o dr. Jorge Coelho, passaram os últimos dois dias a avisar o PS que as críticas ao Governo não são aceitáveis neste contexto.
Percebe-se a preocupação. O primeiro-ministro começa agora a perceber que o seu PS não é muito diferente do PS francês: é essencialmente do contra, pelo modelo social europeu (seja lá o que isso for), pouco solidário para com as lideranças que elegeu e pelas lideranças escolhidas pelo país. Este PS, como o francês, tem humores, amuos, e mau feitio. Este PS é assim como o Benfica: nem quando tem a oportunidade de ganhar um campeonato consegue pensar mais no objcetivo do que nos meios.
Assim sendo, o que resta ao eng. Sócrates? Primeiro, acreditar que o seu Álvaro Magalhães (o dr. Coelho)consegue por ordem no balneário; segundo, seguir em frente de cabeça erguida. Que não tenha medo do tempo, porque não há nada que os ponteiros do relógio não resolvam.
Percebe-se a preocupação. O primeiro-ministro começa agora a perceber que o seu PS não é muito diferente do PS francês: é essencialmente do contra, pelo modelo social europeu (seja lá o que isso for), pouco solidário para com as lideranças que elegeu e pelas lideranças escolhidas pelo país. Este PS, como o francês, tem humores, amuos, e mau feitio. Este PS é assim como o Benfica: nem quando tem a oportunidade de ganhar um campeonato consegue pensar mais no objcetivo do que nos meios.
Assim sendo, o que resta ao eng. Sócrates? Primeiro, acreditar que o seu Álvaro Magalhães (o dr. Coelho)consegue por ordem no balneário; segundo, seguir em frente de cabeça erguida. Que não tenha medo do tempo, porque não há nada que os ponteiros do relógio não resolvam.
Intervalo na História
O Conselho Europeu acabou como se esperava: nem Constituição, nem orçamentos. Nada de nada. De repente, é como se estivéssemos num intervalo da História.
Ou muito me engano ou vamos ter que esperar longo tempo por uma concretização do caminho europeu. Por cá, todos dizem que foi mau, mas não é assim tão dramático. Ai é mesmo. Não tarda temos o eng. Sócrates a lembrar-se que não havendo fundos, também não há plano tecnológico nenhum. Não tarda, aliás, o eng. Sócrates começará a culpar a Europa por não haver crescimento económico em Portugal. É aí que as coisas pioram.
Ou muito me engano ou isto vai mesmo correr mal.
Ou muito me engano ou vamos ter que esperar longo tempo por uma concretização do caminho europeu. Por cá, todos dizem que foi mau, mas não é assim tão dramático. Ai é mesmo. Não tarda temos o eng. Sócrates a lembrar-se que não havendo fundos, também não há plano tecnológico nenhum. Não tarda, aliás, o eng. Sócrates começará a culpar a Europa por não haver crescimento económico em Portugal. É aí que as coisas pioram.
Ou muito me engano ou isto vai mesmo correr mal.
17 junho 2005
O homem morreu, meninos
O João Pedro e o Luís andam aos tiros por causa de Álvaro Cunhal
Fazem mal. Primeiro porque os dois têm razão: Cunhal foi relevante na oposição a Salazar, foi pior que mau depois disso.
Segundo porque nenhum dos dois tem razão: Cunhal cometeu erros e não fundamental em nada (ler VPV de hoje no Público) e a direita também teve os seus nomes para a história do país, versão século XX.
Por isso, meus amigos, tanta discussão não vale a pena. O homem morreu, lembram-se?
Conclusão de uma amiga minha, em plural magestático e ironia plena: temos pena...
Fazem mal. Primeiro porque os dois têm razão: Cunhal foi relevante na oposição a Salazar, foi pior que mau depois disso.
Segundo porque nenhum dos dois tem razão: Cunhal cometeu erros e não fundamental em nada (ler VPV de hoje no Público) e a direita também teve os seus nomes para a história do país, versão século XX.
Por isso, meus amigos, tanta discussão não vale a pena. O homem morreu, lembram-se?
Conclusão de uma amiga minha, em plural magestático e ironia plena: temos pena...
16 junho 2005
Pode ser que traduzam
Leiam o ensaio do Rui Ramos sobre a Europa, hoje, no suplemento do DE sobre futuro da União Europeia. A tese é que os estados não devem perguntar-se o que a Europa deve fazer por eles, mas o que eles mesmo podem fazer por eles. Pena que Chirac e Schoeder não saibam ler português. Pode ser que traduzam.
13 junho 2005
Cunhal II
Há uma coisa que me irrita solenemente: que a morte de alguém o torne um Santo, aos olhos e às vozes de quem o lembra. Se bem me lembro, quando Spínola morreu, Cunhal foi o único a dizer que a sua memória não lhe trazia nada de positivo.
Em memória de Cunhal - um homem inteligente, culto, genial, até - sigo o seu pensamento
Não partilho a saudade do país, mesmo sabendo o seu contributo para a história de Portugal. Acho que o papel positivo de Cunhal para o nosso país se ficou no dia 25 de Abril de 1974. Só. Por isso, especialmente pelo pós-revolução, Cunhal não me deixa a marca que deixará em muitos, de uma geração anterior à minha.
Já agora, e só para concluir: as pessoas respeitam-se em vida. Não depois da sua morte. Quem cumpre a primeira parte, poderá, em consciência, cumprir mais facilmente a segunda.
Por isso, pelo que foi, pelo que representou, pelo que deixa e pela história que construiu - acima do que me deixa a mim ou ao país - paz à sua alma.
Em memória de Cunhal - um homem inteligente, culto, genial, até - sigo o seu pensamento
Não partilho a saudade do país, mesmo sabendo o seu contributo para a história de Portugal. Acho que o papel positivo de Cunhal para o nosso país se ficou no dia 25 de Abril de 1974. Só. Por isso, especialmente pelo pós-revolução, Cunhal não me deixa a marca que deixará em muitos, de uma geração anterior à minha.
Já agora, e só para concluir: as pessoas respeitam-se em vida. Não depois da sua morte. Quem cumpre a primeira parte, poderá, em consciência, cumprir mais facilmente a segunda.
Por isso, pelo que foi, pelo que representou, pelo que deixa e pela história que construiu - acima do que me deixa a mim ou ao país - paz à sua alma.
Cunhal
A morte de Álvaro Cunhal lembra-me uma frase de João Paulo II, que rezava mais ou menos assim: "Se ele acreditasse em Deus era mais fácil".
O facto é que não é só a esperança que nos mantém vivos. É a história que construímos. E isso também faz a vida mais fácil.
Que Álvaro Cunhal descanse em paz.
O facto é que não é só a esperança que nos mantém vivos. É a história que construímos. E isso também faz a vida mais fácil.
Que Álvaro Cunhal descanse em paz.
12 junho 2005
Para onde vais, Europa?
É a pergunta da semana.
Nas últimas semanas, todas as peguntas foram possíveis:
A Constituição está, ou não, morta? O euro sobrevivirá? O modelo social europeu está em causa? Blair é, ou não, o vencedor da nova UE?
A mera existência de tantas questões prova-nos que, afinal, o 'não' serviu para alguma coisa. Aguarda-se só uma última questão: A UE sobrevivirá a esta democracia?
Nas últimas semanas, todas as peguntas foram possíveis:
A Constituição está, ou não, morta? O euro sobrevivirá? O modelo social europeu está em causa? Blair é, ou não, o vencedor da nova UE?
A mera existência de tantas questões prova-nos que, afinal, o 'não' serviu para alguma coisa. Aguarda-se só uma última questão: A UE sobrevivirá a esta democracia?
08 junho 2005
Coisas verdadeiramente importantes
"Não me revejo nem me identifico com as pessoas que neste
momento gerem o futebol do Sporting, quer em termos directivos, quer
técnicos", referiu Pedro Barbosa, em declarações publicadas no sítio oficial
dos "leões".
Da Lusa de hoje.
Abraços aos amigos.
momento gerem o futebol do Sporting, quer em termos directivos, quer
técnicos", referiu Pedro Barbosa, em declarações publicadas no sítio oficial
dos "leões".
Da Lusa de hoje.
Abraços aos amigos.
30 maio 2005
Post do dia
«"O homem nasceu para viver, não para se preparar para a vida", escreveu Boris Pasternak no Dr. Jivago. Os franceses acham que NÃO. »
Obrigado, Francisco.
Obrigado, Francisco.
The question, one answer
Uma amiga minha perguntou-me hoje, com muito propósito: "És capaz de me explicar porque é que os referendos na Europa vão continuar, se a França já rejeitou?".
Anda um tipo às voltas com a treta do referendo, a fingir que é jornalista, analista, interessado, e fica feito parvo a perceber que falta olhar para o mais importante.
Então, porquê? Na verdade, porque na Europa ninguém previa nada disto. "Um veto na Irlanda, na Holanda até, dá sempre para voltar a votar", pensaram os homens da Europa. Mas em França? Um 'non'? Ninguém acreditou, essa é a verdade.
Fiquei a pensar uns minutos no assunto e voltei a uma outra pergunta, que me vai perseguindo há alguns meses: porque é que não se referendou o tratado constitucional em todos os países da UE ao mesmo tempo? Não era melhor, mais democrático, mais integrador, mais verdadeiro? Nem sequer seria um passo muito grande. Era só seguir o que já se faz nas eleições para o Parlamento Europeu.
Como os homens da Europa não se atrevem ou nem sequer pensam no assunto, agora têm dois problemas em mãos:
1. O 'não' francês (e o holandês,já na quarta-feira) podem ter efeito dominó noutros países;
2. A Europa fica guardada no congelador, em temas como o próximo QCA, a Turquia, a directiva Bolkstein, enquanto não se arranja uma solução para a Constituição.
Como se as eleições antecipadas na Alemanha não fossem já preocupação suficiente...
Anda um tipo às voltas com a treta do referendo, a fingir que é jornalista, analista, interessado, e fica feito parvo a perceber que falta olhar para o mais importante.
Então, porquê? Na verdade, porque na Europa ninguém previa nada disto. "Um veto na Irlanda, na Holanda até, dá sempre para voltar a votar", pensaram os homens da Europa. Mas em França? Um 'non'? Ninguém acreditou, essa é a verdade.
Fiquei a pensar uns minutos no assunto e voltei a uma outra pergunta, que me vai perseguindo há alguns meses: porque é que não se referendou o tratado constitucional em todos os países da UE ao mesmo tempo? Não era melhor, mais democrático, mais integrador, mais verdadeiro? Nem sequer seria um passo muito grande. Era só seguir o que já se faz nas eleições para o Parlamento Europeu.
Como os homens da Europa não se atrevem ou nem sequer pensam no assunto, agora têm dois problemas em mãos:
1. O 'não' francês (e o holandês,já na quarta-feira) podem ter efeito dominó noutros países;
2. A Europa fica guardada no congelador, em temas como o próximo QCA, a Turquia, a directiva Bolkstein, enquanto não se arranja uma solução para a Constituição.
Como se as eleições antecipadas na Alemanha não fossem já preocupação suficiente...
Perdemos nós
O ‘não’ em França foi rotundo, sonoro, destruidor. A sua primeira consequência é uma travagem a fundo na União Europeia. Alguém acredita que os chefes de Governo dos 25 consigam, daqui a duas semanas, um acordo sobre as perspectivas financeiras? A poucos meses das eleições alemãs e com Chirac muito fragilizado? Ninguém, pois claro.
Outra pergunta: a renegociação da PAC? Como fica? Depois do ‘non’, alguém crê que Chirac possa abdicar dos extravagantes benefícios franceses depois desta derrota?
E vai mais uma: a directiva Bolkestein. Depois de um chumbo associado ao anti-liberalismo, resta alguma hipótese de se avançar – mesmo que devagarinho – com a liberalização dos serviços na Europa? Zero. Nenhuma.
Ontem, ouvi Chirac dizer que a França agirá na UE em defesa dos valores representados pelo ‘non’. Temam o pior. Depois disto, se houver uma renegociação de alguma coisa na Europa, acreditem que será tudo menos bom para os pequenos. Portugal incluído.
Basta olhar para os últimos três anos para perceber porquê. Portugal violou o Pacto de Estabilidade? Avança um processo. França e Alemanha violaram o Pacto? Não tem mal, deixa para lá.
Agora digam lá sinceramente: acham que vai sobrar para quem?
Outra pergunta: a renegociação da PAC? Como fica? Depois do ‘non’, alguém crê que Chirac possa abdicar dos extravagantes benefícios franceses depois desta derrota?
E vai mais uma: a directiva Bolkestein. Depois de um chumbo associado ao anti-liberalismo, resta alguma hipótese de se avançar – mesmo que devagarinho – com a liberalização dos serviços na Europa? Zero. Nenhuma.
Ontem, ouvi Chirac dizer que a França agirá na UE em defesa dos valores representados pelo ‘non’. Temam o pior. Depois disto, se houver uma renegociação de alguma coisa na Europa, acreditem que será tudo menos bom para os pequenos. Portugal incluído.
Basta olhar para os últimos três anos para perceber porquê. Portugal violou o Pacto de Estabilidade? Avança um processo. França e Alemanha violaram o Pacto? Não tem mal, deixa para lá.
Agora digam lá sinceramente: acham que vai sobrar para quem?
29 maio 2005
A minha tentação do 'não'
Hoje há referendo europeu em França. Hoje, muito provavelmente, os franceses vão dizer 'não' à Constituição Europeia.
Tenho para mim que é melhor que seja por lá do que por cá. Por surpreendente que possa parecer, aquele texto também não me diz muito. Sei que é um caminho correcto, no essencial, mas é tão lento, tão lento, que dá vontade de obrigar a parar para pensar.
O pior é que este 'não' vai no sentido contrário ao desejável. Será lido como o 'não' do Estado social contra o liberalismo. O que é inconcebível. E pode muito bem criar fortes problemas ao futuro de um projecto que é essencial para todos nós.
A verdade, porém, é que o 'não' seria um justo 'prémio' para Chirac. Nos últimos anos, ele e Schroeder foram os maiores responsáveis pelos grandes atrasos da construção europeia. São líderes fracos,pouco responsáveis, temerosos do fim do poder. A Europa, diga-se, não precisa deles e viveria bem melhor sem eles.
Mais, os dois, juntos, conseguiram transformar o eixo Franco-Alemão, essencial desde sempre à construção europeia, num verdadeiro eixo do mal. A velha Europa, no seu pior. Schroeder, como eleições em Setembro, dificilmente reistirá (até porque desta vez nem pode usar o Iraque como última arma da demagogia). Já Chirac, se tiver hoje um 'não', bem pode preparar-se para a ascensão rápida de Sarkozy.
Cá para nós, que ninguém nos ouve, o 'não' de hoje é uma enorme tentação. Mas algo me diz que nem assim merece o risco.
Tenho para mim que é melhor que seja por lá do que por cá. Por surpreendente que possa parecer, aquele texto também não me diz muito. Sei que é um caminho correcto, no essencial, mas é tão lento, tão lento, que dá vontade de obrigar a parar para pensar.
O pior é que este 'não' vai no sentido contrário ao desejável. Será lido como o 'não' do Estado social contra o liberalismo. O que é inconcebível. E pode muito bem criar fortes problemas ao futuro de um projecto que é essencial para todos nós.
A verdade, porém, é que o 'não' seria um justo 'prémio' para Chirac. Nos últimos anos, ele e Schroeder foram os maiores responsáveis pelos grandes atrasos da construção europeia. São líderes fracos,pouco responsáveis, temerosos do fim do poder. A Europa, diga-se, não precisa deles e viveria bem melhor sem eles.
Mais, os dois, juntos, conseguiram transformar o eixo Franco-Alemão, essencial desde sempre à construção europeia, num verdadeiro eixo do mal. A velha Europa, no seu pior. Schroeder, como eleições em Setembro, dificilmente reistirá (até porque desta vez nem pode usar o Iraque como última arma da demagogia). Já Chirac, se tiver hoje um 'não', bem pode preparar-se para a ascensão rápida de Sarkozy.
Cá para nós, que ninguém nos ouve, o 'não' de hoje é uma enorme tentação. Mas algo me diz que nem assim merece o risco.
27 maio 2005
A natureza dos blogs
Nesta deriva de leituras várias, andei a fazer uma sondagem pela blogosfera. Percebi que a grande maioria dos blogs políticos andam de cabeça perdida com as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro. Ocorrem-me duas ou três perguntinhas, se não se importam:
1. Os blogs de direita viraram à esquerda?
2. Os blogs de esquerda viraram à direita?
3. E porque será que os blogs de jornalistas estão contra o Governo e os jornais onde trabalham estão a favor?
Raios mais este país. Será que quando um Governo acorda toda a gente adormece? A sorte é que vem lá mais uma vitória do Benfica, não é?
1. Os blogs de direita viraram à esquerda?
2. Os blogs de esquerda viraram à direita?
3. E porque será que os blogs de jornalistas estão contra o Governo e os jornais onde trabalham estão a favor?
Raios mais este país. Será que quando um Governo acorda toda a gente adormece? A sorte é que vem lá mais uma vitória do Benfica, não é?
A natureza dos blogs
Quando andamos por aqui à deriva encontramos coisas muito boas.
"Mas este tipo tá parvinho?", perguntam vocês.
Não. Gosto de ler coisas bem escritas e há muito tempo não passava pelo Aviz. Aquele abraço ao Francisco.
"Mas este tipo tá parvinho?", perguntam vocês.
Não. Gosto de ler coisas bem escritas e há muito tempo não passava pelo Aviz. Aquele abraço ao Francisco.
UMA NAÇÃO DE BUFOS II
Para que não haja dúvidas, a citação de Campos e Cunha por mim utilizada é extraída de "SIC" e de "Agência Financeira"
Mundo Benfiquista
Chegou-me por e-mail...tal como tanta coisa me chega.
São 3 razões para sermos todos e não só os 7, 2 milhões que já o são, bons benfiquistas:
A RAZÃO NATURAL
A mulher dá à Luz, não dá às Antas, nem a Alvalade;
A RAZÃO BÍBLICA
Há uma passagem na bíblia que diz: “dominarei os leões e os dragões e voarei para o céu sobre as asas de uma Águia”;
A RAZÃO TEOLOGICA
Jesus Cristo encarnou, não azulou, nem esverdeou
São 3 razões para sermos todos e não só os 7, 2 milhões que já o são, bons benfiquistas:
A RAZÃO NATURAL
A mulher dá à Luz, não dá às Antas, nem a Alvalade;
A RAZÃO BÍBLICA
Há uma passagem na bíblia que diz: “dominarei os leões e os dragões e voarei para o céu sobre as asas de uma Águia”;
A RAZÃO TEOLOGICA
Jesus Cristo encarnou, não azulou, nem esverdeou
UMA NAÇÃO DE BUFOS
"O ministro do Estado e das Finanças, Luís Campos e Cunha, confirmou em entrevista à «SIC», ontem, que as declarações de IRS de todos os contribuintes vão, a seu tempo, estar disponíveis na internet, .
"Assim, qualquer cidadão vai ficar a saber quanto é que o seu vizinho ou colega de trabalho ganha por ano, basta para isso consultar a internet e verificar se os seus rendimentos dão para pagar o carro de luxo e a casa de campo."
Uma nação de bufos.
Ao menos que nos ofereçam um prémiozito pelas denúncias...tipo...sei lá...um chupa-chups por cada facto irregular encontrado na nossa vizinhança.
O próximo passo bem pode ser a criação de milicias populares.
Estou a ver Campos e Cunha "Camaradas!! juntai-vos e entregai-me esses malandros"...e as hordas...extasiadas agrupam-se em ansiedade.
Já estou a ver ... à entrada da Quinta Patiño, uma barricada montada pelas gentes de S. Domingos de Rana. Ou mesmo, momento épico, o Bom Povo de Chelas a subir Lisboa a partir do rio, caminhando sobre a Lapa, onde das casas retirarão os bens sonegados ao colectivo , ao Estado e os entregarão ao fisco, para que a justiça social avance.
Vejo já, ao longe, os "fugos" e as "fugas" (nome pelo qual, a partir desse momento orwelliano, serão conhecidos os prevaricadores) a serem arrastados para que a justiça deles tome conta
Bem vindos à nação socialista, crescei e multiplicai-vos.
"Assim, qualquer cidadão vai ficar a saber quanto é que o seu vizinho ou colega de trabalho ganha por ano, basta para isso consultar a internet e verificar se os seus rendimentos dão para pagar o carro de luxo e a casa de campo."
Uma nação de bufos.
Ao menos que nos ofereçam um prémiozito pelas denúncias...tipo...sei lá...um chupa-chups por cada facto irregular encontrado na nossa vizinhança.
O próximo passo bem pode ser a criação de milicias populares.
Estou a ver Campos e Cunha "Camaradas!! juntai-vos e entregai-me esses malandros"...e as hordas...extasiadas agrupam-se em ansiedade.
Já estou a ver ... à entrada da Quinta Patiño, uma barricada montada pelas gentes de S. Domingos de Rana. Ou mesmo, momento épico, o Bom Povo de Chelas a subir Lisboa a partir do rio, caminhando sobre a Lapa, onde das casas retirarão os bens sonegados ao colectivo , ao Estado e os entregarão ao fisco, para que a justiça social avance.
Vejo já, ao longe, os "fugos" e as "fugas" (nome pelo qual, a partir desse momento orwelliano, serão conhecidos os prevaricadores) a serem arrastados para que a justiça deles tome conta
Bem vindos à nação socialista, crescei e multiplicai-vos.
Resposta ao Mau Tempo em 11 pontos
O Mau Tempo deu-me o argumento perfeito para explicar porque José Sócrates (leia-se, Campos e Cunha) cumpriu o seu papel com distinção na última quarta-feira. Vou tentar explicar porquê, contrariando o meu caro M.S.
Assim sendo, lá vai:
1. As medidas não são, "no essencial, positivas". São fundamentais para a subsistência do país.
2. Se não são corajosas, explica-me lá porque é que toda a gente sabia que tinha que ser assim e há anos que não se fazia. É que cumprir o dever é coisa que não se vê muito por aí - embora este ponto tenha mais a dizer - já lá vou.
3. Violar uma promessa não é bonito. Mas se leres o relatório do Banco de Portugal percebes que há no OE 2005 muita coisa perfeitamente inexplicável e imprevisível. Aqui, o PM tem razão.
4. Agora, tens razão no argumento de que podia ter estado caladinho e não ter prometido não aumentar impostos. Com um senão: com o Santana a dizer que os ia descer (era lindo, era), como é que ficava o Sócrates? Melhor - e sou pragmático: não o tivesse feito e lá ia a maioria absoluta. Sem a maioria absoluta, lá se iam as medidas absulutamente necessárias.
5. Irresponsável seria não ter feito isto.
6. Acrescentas, depois, que não há redução do Estado. Meu amigo, não estamos a falar de milagres, só de coragem. Sócrates é de esquerda, não de direita. E para um homem de esquerda, para te ser franco, parece mesmo de direita: olha, p.e., para as medidas na Segurança Social para perceberes porquê.
7.A Função Pública: tanto quanto percebi, Campos e Cunha não deixará o problema como está. Podes vir a ter razão, mas é melhor esperar para ver. Isso não é feito de um dia para o outro. Só passaram dois meses.
8. Ainda a Função Pública: a idade de reforma aumenta seis meses por ano, a partir de 2006. Podes até ter razão nas contas (não sei, não sou especialista), mas esta medida é muito, muito mais importante do que a outra. É que para reduzir a função pública só há uma maneira - ter as regras de qualquer empresa privada. Achas normal que não se possa despedir um incompetente na A.P.? Eu não acho.
Até lá, vamos ter que esperar. O que te digo é que isto, para início de conversa, já não é mau.
9. Voltando atrás: como se percebeu pelas reacções na AR, sem maioria isto teria sido impossível. A nossa democracia é, ainda, muito imperfeita. Imagina agora o que seria um tipo de direita anunciar tudo aquilo sem essa maioria.
10. José Sócrates, de qualquer forma, esteve muito bem ao que se tem chamado "encenação": sendo (teoricamente) de esquerda, pode dizer o que não seria permitido a mais ninguém - que sem estas medidas, o sector público tinha prazo de validade marcado.
Ou seja, ele diz que está a defender o Estado social com estas medidas. De certa forma, tem razão - mesmo que isso signifique a inevitabilidade do modelo liberal. E isso é bom que ele não ouça.
11. Para melhorar, juntou umas medidas politicamente correctas, só para ajudar à festa. Não concordo com algumas (as que afectam os políticos são más, a prazo, dada a qualidade de políticos que temos), mas ainda assim fez bem. Está a proteger-se como pode de uma coisa que, ele sabe, pode muito bem significar um enorme desgaste político. Eu quero acreditar que não.
P.S. Tou a escrever demais, bem sei. Mas este momento político dava um tratado.
Assim sendo, lá vai:
1. As medidas não são, "no essencial, positivas". São fundamentais para a subsistência do país.
2. Se não são corajosas, explica-me lá porque é que toda a gente sabia que tinha que ser assim e há anos que não se fazia. É que cumprir o dever é coisa que não se vê muito por aí - embora este ponto tenha mais a dizer - já lá vou.
3. Violar uma promessa não é bonito. Mas se leres o relatório do Banco de Portugal percebes que há no OE 2005 muita coisa perfeitamente inexplicável e imprevisível. Aqui, o PM tem razão.
4. Agora, tens razão no argumento de que podia ter estado caladinho e não ter prometido não aumentar impostos. Com um senão: com o Santana a dizer que os ia descer (era lindo, era), como é que ficava o Sócrates? Melhor - e sou pragmático: não o tivesse feito e lá ia a maioria absoluta. Sem a maioria absoluta, lá se iam as medidas absulutamente necessárias.
5. Irresponsável seria não ter feito isto.
6. Acrescentas, depois, que não há redução do Estado. Meu amigo, não estamos a falar de milagres, só de coragem. Sócrates é de esquerda, não de direita. E para um homem de esquerda, para te ser franco, parece mesmo de direita: olha, p.e., para as medidas na Segurança Social para perceberes porquê.
7.A Função Pública: tanto quanto percebi, Campos e Cunha não deixará o problema como está. Podes vir a ter razão, mas é melhor esperar para ver. Isso não é feito de um dia para o outro. Só passaram dois meses.
8. Ainda a Função Pública: a idade de reforma aumenta seis meses por ano, a partir de 2006. Podes até ter razão nas contas (não sei, não sou especialista), mas esta medida é muito, muito mais importante do que a outra. É que para reduzir a função pública só há uma maneira - ter as regras de qualquer empresa privada. Achas normal que não se possa despedir um incompetente na A.P.? Eu não acho.
Até lá, vamos ter que esperar. O que te digo é que isto, para início de conversa, já não é mau.
9. Voltando atrás: como se percebeu pelas reacções na AR, sem maioria isto teria sido impossível. A nossa democracia é, ainda, muito imperfeita. Imagina agora o que seria um tipo de direita anunciar tudo aquilo sem essa maioria.
10. José Sócrates, de qualquer forma, esteve muito bem ao que se tem chamado "encenação": sendo (teoricamente) de esquerda, pode dizer o que não seria permitido a mais ninguém - que sem estas medidas, o sector público tinha prazo de validade marcado.
Ou seja, ele diz que está a defender o Estado social com estas medidas. De certa forma, tem razão - mesmo que isso signifique a inevitabilidade do modelo liberal. E isso é bom que ele não ouça.
11. Para melhorar, juntou umas medidas politicamente correctas, só para ajudar à festa. Não concordo com algumas (as que afectam os políticos são más, a prazo, dada a qualidade de políticos que temos), mas ainda assim fez bem. Está a proteger-se como pode de uma coisa que, ele sabe, pode muito bem significar um enorme desgaste político. Eu quero acreditar que não.
P.S. Tou a escrever demais, bem sei. Mas este momento político dava um tratado.
25 maio 2005
A primeira palavra
Não podemos dizer que há coisas que têm que ser feitas e, logo depois, criticar. O primeiro-ministro esteve à altura. Mais logo digo porquê.
Até já
Até já
Economia Teológica
Lembrei-me de vos contar esta, bem fresquinha:
Face ao que foi descoberto pelo dr. Constâncio sobre o Orçamento de 2005, o dr. Bagão Félix já está a preparar um livro de teoria económica, exlicativo das suas opções.
Vai chamar-se "Economia Teológica".
A regra, primeira e única: "Seja o que Deus quiser".
Face ao que foi descoberto pelo dr. Constâncio sobre o Orçamento de 2005, o dr. Bagão Félix já está a preparar um livro de teoria económica, exlicativo das suas opções.
Vai chamar-se "Economia Teológica".
A regra, primeira e única: "Seja o que Deus quiser".
Pagar para ver
José Sócrates anunciou ao PS que vai aumentar os impostos.
Disse também que vai colocar o défice abaixo dos 3%, sem receitas extraordinárias, até 2008. É caso para dizer que pagamos para ver.
P.S. Já que as medidas seguem amanhã, ficam para então as análises respectivas. Noite descansada para todos
Disse também que vai colocar o défice abaixo dos 3%, sem receitas extraordinárias, até 2008. É caso para dizer que pagamos para ver.
P.S. Já que as medidas seguem amanhã, ficam para então as análises respectivas. Noite descansada para todos
24 maio 2005
"Wild guess"
Disputa presidencial marcada para daqui a cinco anos:
Guterres vs. Barroso.
Temas de campanha:
Quem tem responsabilidades no défice? Quem saiu e não devia? Quem tem mais crédito internacional?
Aceitam-se apostas.
Guterres vs. Barroso.
Temas de campanha:
Quem tem responsabilidades no défice? Quem saiu e não devia? Quem tem mais crédito internacional?
Aceitam-se apostas.
Festa grossa
Diz a SIC-Notícias que António Guterres foi escolhido para Alto Comissário dos Refugiados da ONU.
Sempre quero ver o que diz agora a dra. Ana Gomes, et all. Será que fugiu, dra?
E agora? Quem faz a festa?
Sempre quero ver o que diz agora a dra. Ana Gomes, et all. Será que fugiu, dra?
E agora? Quem faz a festa?
A gravata bordeaux
Dá-se um almoço grátis a quem conseguir calcular uma média de vezes que o primeiro-ministro usa aquela gravata bordeaux por mês. MMO
P.S.Dá-se um jantar a quem o convencer a usá-la apenas uma vez por mês.
P.S.Dá-se um jantar a quem o convencer a usá-la apenas uma vez por mês.
Constâncio forever
Acabei de ler a introdução do Relatório Constâncio, que tem apenas 13 páginas. Aconselho vivamente, sem ironias.
Ao ler a dita introdução, que está bem escrita, bem justificada, bem estruturada, qualquer leitor minimamente atento perceberá que o dr. Vítor Constâncio é dos poucos homens realmente sérios deste país. Nem mais: o governador apoia quem tem de apoiar, aponta os caminhos que julga correctos e indispensáveis, deixa os recados a quem tem que deixar. Não teria nada que saber, não fosse ele o único que o faz coerentemente.
O que é interessante no relatório é que tudo é feito (para além do rigor) com contas feitas por baixo. Um exemplo: as contas das autarquias e regiões autónomas não são incluídas, por falta de informação disponível. Agora, alguém acredita que em ano de autárquicas estas despesas não subam?
Depois, olhando a cada rúbrica, encontramos as coisas mais extraordinárias.Lembram-se dos aumentos prometidos aos funcionários públicos? Pois bem, não estavam orçamentados. Situação idêntica se encontra nas pensões da CGA.
Outro caso curioso é uma receita extraordinaria com o nome pomposo "venda de concessões". Parece que o Banco de Portugal procurou, perguntou, questionou, e ninguém sabe o que é. Resultado: menos 500 milhões nas contas, mais coisa menos coisa.
Tendo dito isto (e muito mais poderia dizer), tenho que concordar numa coisa: o PS tinha razão ao pedir o relatório. E o ministro das Finanças tinha razão ao dizer que a coisa anda negra. Agora, tenham a coragem de fazer o que é preciso fazer. Usem a maioria que o povo vos deu, que é para isso que ela serve - para não haver desculpas.
P.S. Já agora, aconselha-se o dr. Marques Mendes a ler o relatório antes de pôr a dra. Dulce Franco a dizer disparates como "a culpa é do eng. Guterres", tá bem? Há coisas que, mesmo sendo parcialmente verdade, não se podem nem devem dizer. Não agora.
Ao ler a dita introdução, que está bem escrita, bem justificada, bem estruturada, qualquer leitor minimamente atento perceberá que o dr. Vítor Constâncio é dos poucos homens realmente sérios deste país. Nem mais: o governador apoia quem tem de apoiar, aponta os caminhos que julga correctos e indispensáveis, deixa os recados a quem tem que deixar. Não teria nada que saber, não fosse ele o único que o faz coerentemente.
O que é interessante no relatório é que tudo é feito (para além do rigor) com contas feitas por baixo. Um exemplo: as contas das autarquias e regiões autónomas não são incluídas, por falta de informação disponível. Agora, alguém acredita que em ano de autárquicas estas despesas não subam?
Depois, olhando a cada rúbrica, encontramos as coisas mais extraordinárias.Lembram-se dos aumentos prometidos aos funcionários públicos? Pois bem, não estavam orçamentados. Situação idêntica se encontra nas pensões da CGA.
Outro caso curioso é uma receita extraordinaria com o nome pomposo "venda de concessões". Parece que o Banco de Portugal procurou, perguntou, questionou, e ninguém sabe o que é. Resultado: menos 500 milhões nas contas, mais coisa menos coisa.
Tendo dito isto (e muito mais poderia dizer), tenho que concordar numa coisa: o PS tinha razão ao pedir o relatório. E o ministro das Finanças tinha razão ao dizer que a coisa anda negra. Agora, tenham a coragem de fazer o que é preciso fazer. Usem a maioria que o povo vos deu, que é para isso que ela serve - para não haver desculpas.
P.S. Já agora, aconselha-se o dr. Marques Mendes a ler o relatório antes de pôr a dra. Dulce Franco a dizer disparates como "a culpa é do eng. Guterres", tá bem? Há coisas que, mesmo sendo parcialmente verdade, não se podem nem devem dizer. Não agora.
23 maio 2005
Os pássaros
Nasceu por aí um blog que tem que merecer a vossa atenção. Metade do bando 'nasceu' aqui e resolveu emigrar para outro posto. A vida é assim, os filhos pródigos um dia têm mesmo de sair de casa.
Ao Paulo deixo um abraço enorme, esperando ler tudo lá fora com o mesmo prazer que lia cá por dentro.
Já ao Luís, só lhe posso dizer que teria escolhido outro nome, tipo Pelicano (sim, esta é só para ele perceber). De resto, que as polémicas continuem por aí fora. E que o tempo por lá seja tão bom como foi aqui. Boas prosas aos Pássaros, direitinhos da vossa casa de sempre.
Ao Paulo deixo um abraço enorme, esperando ler tudo lá fora com o mesmo prazer que lia cá por dentro.
Já ao Luís, só lhe posso dizer que teria escolhido outro nome, tipo Pelicano (sim, esta é só para ele perceber). De resto, que as polémicas continuem por aí fora. E que o tempo por lá seja tão bom como foi aqui. Boas prosas aos Pássaros, direitinhos da vossa casa de sempre.
Seis vírgula quê?
Mas quem raio consegue decorar um número assim?
Seis vírgula oitenta e três?!
Tanto tempo para arranjar um número e não conseguiram fazer melhor? E porque não 6,9? Um apoio era certinho: o do dr. Mota Amaral: "Curioso número, não?"
Seis vírgula oitenta e três?!
Tanto tempo para arranjar um número e não conseguiram fazer melhor? E porque não 6,9? Um apoio era certinho: o do dr. Mota Amaral: "Curioso número, não?"
O seu a seu dono
1. Que fique para registo: o Benfica é um justo vencedor do campeonato. Tinha a pior equipa dos grandes, o melhor treinador, o espírito vencedor ausente nos restantes. Não digo isto nem mais uma vez - já chega de "fair-play".
2. Dito isto, os próprios benfiquistas merecem este título. São insuportáveis, é verdade. Muitos não sabem ganhar, o que é pena. Mas onze anos é muito tempo e aquele ambiente da Luz, no jogo decisivo contra o Sporting, era merecedor de um título. Tenho pena que tenha sido assim, mas o seu a seu dono.
3. No meio da festa, ainda tive coragem de dar um abraço a um ou outro amigo vermelho, mais calmo, que me consegue ouvir. Não consegui, por manifesta falta de coragem, dar os parabéns a quem mais os merece. Como é o mínimo, ficam aqui. Pode ser que leia.
2. Dito isto, os próprios benfiquistas merecem este título. São insuportáveis, é verdade. Muitos não sabem ganhar, o que é pena. Mas onze anos é muito tempo e aquele ambiente da Luz, no jogo decisivo contra o Sporting, era merecedor de um título. Tenho pena que tenha sido assim, mas o seu a seu dono.
3. No meio da festa, ainda tive coragem de dar um abraço a um ou outro amigo vermelho, mais calmo, que me consegue ouvir. Não consegui, por manifesta falta de coragem, dar os parabéns a quem mais os merece. Como é o mínimo, ficam aqui. Pode ser que leia.
21 maio 2005
Read my lips
1. O que há de mais grave para um sistema democrático é a ausência prolongada de gente séria e consequente no papel de líder da oposição e de chefe do Executivo. Hoje, uma vez mais, vivemos um momento de tudo ou nada – momentos que se têm repetido a uma velocidade incrível nos últimos anos, o que também não ajuda nem um pouco.
2. Vejamos, por instantes, o caso de José Sócrates. Teve poucos meses na oposição, mas ainda com tempo de surpreender ao manifestar-se contra a descida do IRS no último orçamento. Tinha razão nessa altura, mas Jorge Sampaio pregou-lhe uma partida, convocando eleições. Logo, logo, Sócrates apareceu a garantir que era pela estabilidade fiscal, pelo que os portugueses não tinham de se preocupar com aumentos de impostos.
Como uma campanha pela maioria é ainda mais difícil, lá teve que dizer isto preto no branco: não aumento e pronto. Só faltava fazer como Bush pai e dizer “read my lips”. Aliás, fez quase isso: repetiu-o, já a despropósito, um mês depois da posse, julgo que num acto de teimosia, contra as especulações levantadas por uma declaração séria do seu ministro das Finanças.
Agora... e agora? Estamos a dias de tirar a prova dos nove. O que Sócrates podia fazer de mal feito, atrevo-me a dizer, já o fez. Hoje, ao menos, que pense no país e faça o que tem de ser feito.
3. Mas hoje, ainda há pouco, ouvi outro responsável político dar um outro passo em falso. Marques Mendes, algures na apresentação de um candidato autárquico, pediu a Sócrates que “resista à tentação” de subir os impostos. Acho graça! E acho graça porque o problema de Marques Mendes é exactamente igual ao de José Sócrates.
Quem se lembra de o ver, no congresso contra Santana Lopes, a dizer-lhe que não teria escolhido o caminho da redução do IRS? Lembram-se? Então lembrem-se também de o ver a votar esse mesmo orçamento favoravelmente na AR, quando já se preparava a sucessão do trágico Santana Lopes.
Pois agora, é o mesmo Marques Mendes que pede a Sócrates que não aumente impostos. E poderia mesmo dizer, com os olhos postos na câmara: “read my lips”. Então e se o país precisar, dr. Marques Mendes?
4. Um amigo dizia-me, há poucos dias, que as coisas tendem naturalmente para o equilíbrio a médio prazo. Pois hoje, no Público, V.P.V. teimava no contrário, explicando que muitas pessoas em Portugal conhecem e têm dado a fórmula certa para fazer disto um país a sério. Dizia também que se um político aplicasse essa fórmula, seria o fim do mundo, a contestação total, o enterro do político, até a desgraça do regime. O meu amigo que me desculpe, mas eu acho mesmo que o Vasco tem razão. Read his lips.
2. Vejamos, por instantes, o caso de José Sócrates. Teve poucos meses na oposição, mas ainda com tempo de surpreender ao manifestar-se contra a descida do IRS no último orçamento. Tinha razão nessa altura, mas Jorge Sampaio pregou-lhe uma partida, convocando eleições. Logo, logo, Sócrates apareceu a garantir que era pela estabilidade fiscal, pelo que os portugueses não tinham de se preocupar com aumentos de impostos.
Como uma campanha pela maioria é ainda mais difícil, lá teve que dizer isto preto no branco: não aumento e pronto. Só faltava fazer como Bush pai e dizer “read my lips”. Aliás, fez quase isso: repetiu-o, já a despropósito, um mês depois da posse, julgo que num acto de teimosia, contra as especulações levantadas por uma declaração séria do seu ministro das Finanças.
Agora... e agora? Estamos a dias de tirar a prova dos nove. O que Sócrates podia fazer de mal feito, atrevo-me a dizer, já o fez. Hoje, ao menos, que pense no país e faça o que tem de ser feito.
3. Mas hoje, ainda há pouco, ouvi outro responsável político dar um outro passo em falso. Marques Mendes, algures na apresentação de um candidato autárquico, pediu a Sócrates que “resista à tentação” de subir os impostos. Acho graça! E acho graça porque o problema de Marques Mendes é exactamente igual ao de José Sócrates.
Quem se lembra de o ver, no congresso contra Santana Lopes, a dizer-lhe que não teria escolhido o caminho da redução do IRS? Lembram-se? Então lembrem-se também de o ver a votar esse mesmo orçamento favoravelmente na AR, quando já se preparava a sucessão do trágico Santana Lopes.
Pois agora, é o mesmo Marques Mendes que pede a Sócrates que não aumente impostos. E poderia mesmo dizer, com os olhos postos na câmara: “read my lips”. Então e se o país precisar, dr. Marques Mendes?
4. Um amigo dizia-me, há poucos dias, que as coisas tendem naturalmente para o equilíbrio a médio prazo. Pois hoje, no Público, V.P.V. teimava no contrário, explicando que muitas pessoas em Portugal conhecem e têm dado a fórmula certa para fazer disto um país a sério. Dizia também que se um político aplicasse essa fórmula, seria o fim do mundo, a contestação total, o enterro do político, até a desgraça do regime. O meu amigo que me desculpe, mas eu acho mesmo que o Vasco tem razão. Read his lips.
E para acabar, que tal um cinema?
Merece a pena ver o último de Sydney Pollack, só para percebermos a ONU de hoje. Grande, burocrática, nada eficaz e até perdida nos seus fins.
Esqueçam Kidman (se possível), esqueçam Sean Penn (idem), e procurem encontrar por lá, no argumento, um sinal de esperança. À excepção da cidade, não vi nada.
Talvez mais tarde retomemos A Intérprete. Talvez quando a reforma da ONU começar a ser discutida. Talvez não, não é?
Esqueçam Kidman (se possível), esqueçam Sean Penn (idem), e procurem encontrar por lá, no argumento, um sinal de esperança. À excepção da cidade, não vi nada.
Talvez mais tarde retomemos A Intérprete. Talvez quando a reforma da ONU começar a ser discutida. Talvez não, não é?
Sugestões de leitura para passar a tormenta
Como há dias em que não apetece mais nada, aqui ficam duas ou três ideias para passar um processo de tormenta. Seja um défice a sete por cento, duas derrotas consecutivas em dois jogos consecutivos, ou simplesmente um problema do destino ou da falta dele. Aqui ficam, para quem quiser.
1. Começo com Eça de Queiroz, até porque, por alguma estranha razão, tenho tido várias conversas que o chamam à memória. Seja como for, resolvi reler "Os Maias" na minha última viagem ao Brasil. Se não for por mais nada, que seja só pelo Ega, ou só pelo Gouvarinho. Este último podia bem dar-nos umas lições de como suportar este país, isso sim.
2. Ainda pelo Brasil (tinha prometido contar isto), resolvi comprar qualquer coisa de verdadeiramente desconhecido. Lá por Ipanema queriam dar-me livros do Caetano e do Chico Buarque. Pois bem, comprei Bernardo Carvalho, um tipo que - vim a descobrir - é mais conhecido por cá do que imaginei. Li, com a devoção de uma descoberta, os "Onze", um caso curioso de derivas e cruzamentos como os que muitas vezes nos fazem parar à procura do destino. O J.P.H., sempre com a expressão certa na altura certa, diria: Só tenho um adjectivo: gostei." Eu também.
3. "Longe de Manaus", de Francisco José Viegas. Confesso que ainda não li o novo Aviz, mas tenho-o na mira para os próximos tempos. Para quem conhece o Francisco, para quem conhece o que ele escreve, este novo companheiro de viagem não pode falhar. Muito menos quando corre pelo mundo, através das letras de quem conhece o mundo.
X. Como ler é das coisas mais bonitas e mais reservadas do mundo, o destino levou-me até um novo livro que nunca me passaria pela cabeça começar a ler. Pois começei, pelos mesmos acasos que o Bernardo Ribeiro descreve com tanto a propósito. Ainda não sei como acaba, se acaba, se não. Esse será o meu livro para passar a tormenta, sem saber para onde me leva. Aconselho-vos que descubram um vosso
Grandes abraços e bom fim-de-semana,
1. Começo com Eça de Queiroz, até porque, por alguma estranha razão, tenho tido várias conversas que o chamam à memória. Seja como for, resolvi reler "Os Maias" na minha última viagem ao Brasil. Se não for por mais nada, que seja só pelo Ega, ou só pelo Gouvarinho. Este último podia bem dar-nos umas lições de como suportar este país, isso sim.
2. Ainda pelo Brasil (tinha prometido contar isto), resolvi comprar qualquer coisa de verdadeiramente desconhecido. Lá por Ipanema queriam dar-me livros do Caetano e do Chico Buarque. Pois bem, comprei Bernardo Carvalho, um tipo que - vim a descobrir - é mais conhecido por cá do que imaginei. Li, com a devoção de uma descoberta, os "Onze", um caso curioso de derivas e cruzamentos como os que muitas vezes nos fazem parar à procura do destino. O J.P.H., sempre com a expressão certa na altura certa, diria: Só tenho um adjectivo: gostei." Eu também.
3. "Longe de Manaus", de Francisco José Viegas. Confesso que ainda não li o novo Aviz, mas tenho-o na mira para os próximos tempos. Para quem conhece o Francisco, para quem conhece o que ele escreve, este novo companheiro de viagem não pode falhar. Muito menos quando corre pelo mundo, através das letras de quem conhece o mundo.
X. Como ler é das coisas mais bonitas e mais reservadas do mundo, o destino levou-me até um novo livro que nunca me passaria pela cabeça começar a ler. Pois começei, pelos mesmos acasos que o Bernardo Ribeiro descreve com tanto a propósito. Ainda não sei como acaba, se acaba, se não. Esse será o meu livro para passar a tormenta, sem saber para onde me leva. Aconselho-vos que descubram um vosso
Grandes abraços e bom fim-de-semana,
Sugestões de leitura a Jorge Coelho
Jorge Coelho disse ontem, aos gritos, que se não fosse o PS já estavam portagens na Via do Infante. Mais alto ainda, berrou que a culpa do défice de 7% (diz ele) é do PSD e que os portugueses não se podem esquecer disso.
Esquecendo por momentos que Coelho está a fazer o que o PS e o Governo disseram que não fariam, aconselho ao dr.Coelho a leitura dos artigos de Manuela Ferreira Leite e Vasco Pulido Valente, no Expresso e no Público de hoje, respectivamente.
A primeira dir-lhe-á o que conseguiu fazer (e o PS criticou), o que não pode porque não a deixaram(e o PS criticou) e o que se seguiu (que o PS também criticou, apesar de ser igualzinho ao que sempre defendeu). Tudo isto, o dr. Coelho ainda está em tempo de aprender, para usar oportunamente no seu próximo jantar em S. Bento.
O segundo explicar-lhe-á porque, faça-se o que se fizer, este país é incorrigível. É melhor ler, não vá durante o jantar o eng. Sócrates dizer que não faz e não fará nada do que o país precisa, porque as promessas são mais importantes que o ministro das Finanças.
Boas leituras,
com a consideração do
Esquecendo por momentos que Coelho está a fazer o que o PS e o Governo disseram que não fariam, aconselho ao dr.Coelho a leitura dos artigos de Manuela Ferreira Leite e Vasco Pulido Valente, no Expresso e no Público de hoje, respectivamente.
A primeira dir-lhe-á o que conseguiu fazer (e o PS criticou), o que não pode porque não a deixaram(e o PS criticou) e o que se seguiu (que o PS também criticou, apesar de ser igualzinho ao que sempre defendeu). Tudo isto, o dr. Coelho ainda está em tempo de aprender, para usar oportunamente no seu próximo jantar em S. Bento.
O segundo explicar-lhe-á porque, faça-se o que se fizer, este país é incorrigível. É melhor ler, não vá durante o jantar o eng. Sócrates dizer que não faz e não fará nada do que o país precisa, porque as promessas são mais importantes que o ministro das Finanças.
Boas leituras,
com a consideração do
20 maio 2005
A frase do dia
"O défice não é uma questão económica e financeira, corrigível com medidas a retalho e os 'sacrifícios' do costume. É um sintoma de ingovernabilidade do país. Quem não percebe isto não percebe nada".
V.P.V., in Público
V.P.V., in Público
18 maio 2005
Onde pára a oposição?
Sinto-me inquieta. Numa semana em que o governador do Banco de Portugal revela que a situação do país é pior do que esperava, que o valor do défice orçamental deste ano andará em torno – mais coisa menos coisa – dos sete por cento do PIB, que a possibilidade de virmos a ter de pagar mais impostos é cada maior, que não há garantias – apesar das tentativas do ministro Mário Lino – que as auto-estradas sem portagem assim continuem, ninguém, de nenhum partido à esquerda ou à direita do PS, tem nada a dizer? Onde pára a oposição deste país? Porque é que há semanas que não ouvimos sequer o dr. Louçã?
Passámos os últimos dias com o caso Portucale e nem o Bloco de Esquerda tem nada a dizer? Para onde foram os dirigentes do PP e PSD? Onde se meteu Jerónimo de Sousa?
Terão desaparecido todos os líderes da oposição? Assustados pelas declarações de Vítor Constâncio e pelo "monstro"? Será preciso chamar a polícia?
Alguém me avise se o PS passar a ser partido único.
Passámos os últimos dias com o caso Portucale e nem o Bloco de Esquerda tem nada a dizer? Para onde foram os dirigentes do PP e PSD? Onde se meteu Jerónimo de Sousa?
Terão desaparecido todos os líderes da oposição? Assustados pelas declarações de Vítor Constâncio e pelo "monstro"? Será preciso chamar a polícia?
Alguém me avise se o PS passar a ser partido único.
O futebol não é só sorte
Hoje, o Sporting perdeu, provando que Mourinho só há um.
No futebol português trabalha-se menos do que é preciso,
pensa-se menos do que é preciso,
ousa-se menos do que é preciso.
O futebol também é uma ciência, não é só sorte. Ganhar dá muito trabalho.
Que se aprenda enquanto é tempo.
P.S. Não entro em Alvalade enquanto estes senhores lá estiverem. Não é por nada, mas farto de humalhações estou eu.
Ah! E não me venham com o "estivémos na final"! Nisto, como em tudo, só o primeiro é que fica na história.
No futebol português trabalha-se menos do que é preciso,
pensa-se menos do que é preciso,
ousa-se menos do que é preciso.
O futebol também é uma ciência, não é só sorte. Ganhar dá muito trabalho.
Que se aprenda enquanto é tempo.
P.S. Não entro em Alvalade enquanto estes senhores lá estiverem. Não é por nada, mas farto de humalhações estou eu.
Ah! E não me venham com o "estivémos na final"! Nisto, como em tudo, só o primeiro é que fica na história.
Olhem quem fala
Acabei de ouvir na TSF o ministro das Obras Públicas a dizer que as portagens nas Scut são inevitáveis e, mais ainda, um sinal do desenvolvimento do país.
O ministro chama-se Mário Lino. Para quem não saiba, o mesmo que ontem fez um comunicado a dizer que essa mesma notícia (do Jornal de Negócios) era falsa. O mesmo que, nessa notícia, não comentava.
É só uma questão de tempo: este Governo é igualzinho ao de Santana Lopes. Só falta ver o primeiro-ministro. Não demora.
O ministro chama-se Mário Lino. Para quem não saiba, o mesmo que ontem fez um comunicado a dizer que essa mesma notícia (do Jornal de Negócios) era falsa. O mesmo que, nessa notícia, não comentava.
É só uma questão de tempo: este Governo é igualzinho ao de Santana Lopes. Só falta ver o primeiro-ministro. Não demora.
17 maio 2005
A hora da verdade
Hoje, meus amigos, é dia de Sporting.
Garanto-vos que se o Peseiro ganhar, sou rapaz para esquecer a vergonha lamentavel do último sábado. Até vos digo mais: o homem ganha e eu nunca mais digo mal de treinador nenhum da treta que o Dias da Cunha nos obigue a aturar. Palavra de sportinguista.
Agora, juntem as mãos e rezem, sim?
Garanto-vos que se o Peseiro ganhar, sou rapaz para esquecer a vergonha lamentavel do último sábado. Até vos digo mais: o homem ganha e eu nunca mais digo mal de treinador nenhum da treta que o Dias da Cunha nos obigue a aturar. Palavra de sportinguista.
Agora, juntem as mãos e rezem, sim?
A vida para cá do défice
O meu caro Martim, lá pelo seu Bom Tempo, já vai avisando o Governo que não tem paciência para o défice.
Para o aliviar, resolvi explorar as cenas dos próximos capítulos. Rezam assim:
1. O dr. Constâncio comunica ao Governo que o défice é de 7,3%. Mais ou menos por aí.
2. O eng. Sócrates diz-se chocado. O Governo vê-se obrigado a aumentar um imposto. Desta vez, só para variar, é o ISP. É porreiro para o ambiente, porque o povo tem que deixar o carro à porta de casa (argumento imbatível para um ex-ministro da pasta).
3. O dr. Mendes diz que parece impossível. “Então, ó Zézito?! Não tinhas dito que não aumentavas impostos?! Tás maluquinho?”
4. O eng. Sócrates, aproveitando o debate mensal de dia 25, responde ao dr. Mendes: “É preciso ter lata! Então os senhores deixam-nos em pelota e ainda gritam óh ladrão? Essa é boa!”
5. Vai daí, o dr. Mendes diz ao eng. Sócrates: “Olha lá, ó Zé! Então dizias que isto não era para atirar lama ao pessoal e agora vens com essa?”
6. Sócrates: “Tu não podes ‘tar bom, rapazola. Então vens para aqui falar de impostos e não queres que te diga isto? É que eu sabia que a situação era grave, mas assim já é demais. Não ouviste o Vítor? Ele é que sabe. Ele e o Jorge, lá em Belém, que já me avisou que não há vida para além do défice!”
E pronto. Terminado o diálogo, o eng e o dr recolhem as armas e continuam assim, felizes para sempre. Depois disso, caro Martim, podemos voltar às nossas vidas, ao nosso futebol, às medidas estruturais e ultra importantes que resolverão as nossas vidas, até que apareça o próximo Governo.
Nessa altura, é só voltar ao arquivo e recuperar estes posts, tá bem?
Fica descansado, com um abraço do D.D.
Para o aliviar, resolvi explorar as cenas dos próximos capítulos. Rezam assim:
1. O dr. Constâncio comunica ao Governo que o défice é de 7,3%. Mais ou menos por aí.
2. O eng. Sócrates diz-se chocado. O Governo vê-se obrigado a aumentar um imposto. Desta vez, só para variar, é o ISP. É porreiro para o ambiente, porque o povo tem que deixar o carro à porta de casa (argumento imbatível para um ex-ministro da pasta).
3. O dr. Mendes diz que parece impossível. “Então, ó Zézito?! Não tinhas dito que não aumentavas impostos?! Tás maluquinho?”
4. O eng. Sócrates, aproveitando o debate mensal de dia 25, responde ao dr. Mendes: “É preciso ter lata! Então os senhores deixam-nos em pelota e ainda gritam óh ladrão? Essa é boa!”
5. Vai daí, o dr. Mendes diz ao eng. Sócrates: “Olha lá, ó Zé! Então dizias que isto não era para atirar lama ao pessoal e agora vens com essa?”
6. Sócrates: “Tu não podes ‘tar bom, rapazola. Então vens para aqui falar de impostos e não queres que te diga isto? É que eu sabia que a situação era grave, mas assim já é demais. Não ouviste o Vítor? Ele é que sabe. Ele e o Jorge, lá em Belém, que já me avisou que não há vida para além do défice!”
E pronto. Terminado o diálogo, o eng e o dr recolhem as armas e continuam assim, felizes para sempre. Depois disso, caro Martim, podemos voltar às nossas vidas, ao nosso futebol, às medidas estruturais e ultra importantes que resolverão as nossas vidas, até que apareça o próximo Governo.
Nessa altura, é só voltar ao arquivo e recuperar estes posts, tá bem?
Fica descansado, com um abraço do D.D.
Back to the basics
A vida é isto mesmo. É crescer renovando. É permanecer mudando.
O Insubmisso foi desde o início um espaço de "descarga da bílis", uma ágora de "soltar a franga", um fórum de "libertar a moeca".
É isso que foi e é isso que continuará a ser.
Pessoalmente tenho muita pena que alguns amigos, aqui não possam connosco permanecer (por exclusiva vontade dos próprios). Continuam amigos e muito os continuarei a respeitar.
Dentro de dias encerrarei o meu conflito com os providenciadores de serviço "cabo" e aderirei a "qualquer coisa que me liga à net" com " uma velocidade estonteante" , o que permitirá que o meu diálogo com as máquinas seja retomado.
Voltarei a ter a minha forma tradicional de resolver as minhas insónias...escrevendo.
E tenho tanto para escrever...tanto para dizer sobre esta "cautelosa-gestão-do-ciclo- político-até-às-autárquicas-feita-pelo-Sô-Sócrates-para-ver-se-ganha-umas camarazitas-aos-toscos-do-PSD".
Tudo de bom
O Insubmisso foi desde o início um espaço de "descarga da bílis", uma ágora de "soltar a franga", um fórum de "libertar a moeca".
É isso que foi e é isso que continuará a ser.
Pessoalmente tenho muita pena que alguns amigos, aqui não possam connosco permanecer (por exclusiva vontade dos próprios). Continuam amigos e muito os continuarei a respeitar.
Dentro de dias encerrarei o meu conflito com os providenciadores de serviço "cabo" e aderirei a "qualquer coisa que me liga à net" com " uma velocidade estonteante" , o que permitirá que o meu diálogo com as máquinas seja retomado.
Voltarei a ter a minha forma tradicional de resolver as minhas insónias...escrevendo.
E tenho tanto para escrever...tanto para dizer sobre esta "cautelosa-gestão-do-ciclo- político-até-às-autárquicas-feita-pelo-Sô-Sócrates-para-ver-se-ganha-umas camarazitas-aos-toscos-do-PSD".
Tudo de bom
O dilema da promessa
Dois meses depois da posse, e eis senão quando a verdade entra pela porta sem bater.
O Governo, liderado por José Sócrates, passou a campanha a falar em crescimento, a prometer que não aumentaria impostos, a dizer que as Scut ficariam como estão - leia-se, pagas por todos e não por quem lá passa. Prometeram mais, os senhores que nos governam: não há cá reduções da Administração Pública, nem cortes cegos, amblíopes ou afins; não há também contas por pagar, serviços a fechar, pedintes sem receber.
Pois ontem, no fim-de-semana, e antes disso, Vítor Constâncio, o ministro das Finanças (que não fez campanha) e até o Presidente da República (lembram-se, no dia 25 de Abril) vieram lembrar que o défice existe. Mais, ontem até Constâncio relembrou que o défice é prioritário, antes mesmo do crescimento. É chato, mas é verdade.
Hojem fala-se em 7% de défice. E não são 7% porque caíram do céu. Sim, pouco ou nada se fez durante três anos para resolver o problema - dependendo o pouco ou nada dos governos de que falamos. Mas se são 7% é também porque o Governo o quer (não foi assim que o disseram em 2001?) Exemplo claro: as scuts vão ficar como estão? Sim senhor, como queiram. Mas lá que aumenta o défice, isso aumenta.
O Governo, este Governo, terá em mãos o primeiro problema sério da legislatura. Nesta altura, queira ou não, terá que deitar mãos à obra.
Entre as promessas, o discurso e a realidade, vão quilómetros de distância. Deus queira que, a caminho, não tenham que pagar portagens.
O Governo, liderado por José Sócrates, passou a campanha a falar em crescimento, a prometer que não aumentaria impostos, a dizer que as Scut ficariam como estão - leia-se, pagas por todos e não por quem lá passa. Prometeram mais, os senhores que nos governam: não há cá reduções da Administração Pública, nem cortes cegos, amblíopes ou afins; não há também contas por pagar, serviços a fechar, pedintes sem receber.
Pois ontem, no fim-de-semana, e antes disso, Vítor Constâncio, o ministro das Finanças (que não fez campanha) e até o Presidente da República (lembram-se, no dia 25 de Abril) vieram lembrar que o défice existe. Mais, ontem até Constâncio relembrou que o défice é prioritário, antes mesmo do crescimento. É chato, mas é verdade.
Hojem fala-se em 7% de défice. E não são 7% porque caíram do céu. Sim, pouco ou nada se fez durante três anos para resolver o problema - dependendo o pouco ou nada dos governos de que falamos. Mas se são 7% é também porque o Governo o quer (não foi assim que o disseram em 2001?) Exemplo claro: as scuts vão ficar como estão? Sim senhor, como queiram. Mas lá que aumenta o défice, isso aumenta.
O Governo, este Governo, terá em mãos o primeiro problema sério da legislatura. Nesta altura, queira ou não, terá que deitar mãos à obra.
Entre as promessas, o discurso e a realidade, vão quilómetros de distância. Deus queira que, a caminho, não tenham que pagar portagens.
1. Começando pelo que interessa
Já passou tempo suficiente para não se virem queixar do costume: ai, os amigos e tal...
Não há cá amigos para nada, até porque nada devo a ninguém, com a graça de Deus, à excepção dos meus pais, avós, mulher, canários e afins.
O que vos tenho a dizer é que o que aconteceu no Público nos últimos dias é lamentável.
Agora, o lado bom: O Público, o meu jornal de sempre, ganhou um Senhor Jornalista no Local.
De ora em diante, já não começo no Calvin. Promessa de David: é no Local, sim senhor. E sigo logo para o Internacional.
2. O JPH é um tipo extraordinário, um dos melhores entre os melhores. Não há igual, não haverá igual.
A E. L. é uma senhora jornalista.
A A.S.L. é uma sénior, daquelas que já não se fazem.
E essa era parte integrante e irrevogável do meu Público. Vão continuar por aí, para bem do que é o verdadeiro público: aquele que gosta de bom jornalismo.
3. Assim ou assado, o Público foi, é e será sempre o meu jornal de referência. Afinal é como o Sporting: as instituições sobrevivem sempre aos disparates.
Não há cá amigos para nada, até porque nada devo a ninguém, com a graça de Deus, à excepção dos meus pais, avós, mulher, canários e afins.
O que vos tenho a dizer é que o que aconteceu no Público nos últimos dias é lamentável.
Agora, o lado bom: O Público, o meu jornal de sempre, ganhou um Senhor Jornalista no Local.
De ora em diante, já não começo no Calvin. Promessa de David: é no Local, sim senhor. E sigo logo para o Internacional.
2. O JPH é um tipo extraordinário, um dos melhores entre os melhores. Não há igual, não haverá igual.
A E. L. é uma senhora jornalista.
A A.S.L. é uma sénior, daquelas que já não se fazem.
E essa era parte integrante e irrevogável do meu Público. Vão continuar por aí, para bem do que é o verdadeiro público: aquele que gosta de bom jornalismo.
3. Assim ou assado, o Público foi, é e será sempre o meu jornal de referência. Afinal é como o Sporting: as instituições sobrevivem sempre aos disparates.
Este Blog Vai Mudar
Não sei se este vai ser o seu aspecto definitivo,
não sei se vai ter mais ou menos membros,
não sei se a novidade é suficiente para, também nós, voltarmos a ter prazer num espaço que se mostra bem mais difícil do que parece.
Certo, certo, é que O Insubmisso está aqui para ficar.
De agora em diante, só posso garantir uma coisa: já passou tempo demais para perder tempo com tretas.
Beijos e abraços,
Até já
não sei se vai ter mais ou menos membros,
não sei se a novidade é suficiente para, também nós, voltarmos a ter prazer num espaço que se mostra bem mais difícil do que parece.
Certo, certo, é que O Insubmisso está aqui para ficar.
De agora em diante, só posso garantir uma coisa: já passou tempo demais para perder tempo com tretas.
Beijos e abraços,
Até já
12 maio 2005
Um Blog Tem Mais Encanto na Hora da Despedida!
Eis que chega ao fim a carreira do Anarcatólico no Insubmisso. Foi um prazer participar neste blog e quero deixar os meus agradecimentos ao David Dinis pela forma extraordinária como por ele fui recebido, de braços abertos e com um sorriso. É também assim que parto desta aventura, da mesma forma que entrei nela, com um grande sorriso marcado nos lábios e agradecendo o calor dos que me receberam bem!
Agora é tempo para outros voos…
Agora é tempo para outros voos…
Obrigado e adeus. Vemo-nos por ai e nunca esquecerei o nome daquilo a que pertenci, sempre fui e sempre serei, um Insubmisso!
11 maio 2005
Vamos Todos Fumar Ganzas Para o Dubai!
Bem minha gente, parece que atingimos o nirvana, enquanto nação, povo, civilização lusitana, chamem-lhe o que quiserem! Mas para mim estamos no topo. Tornamos possível o sonho de qualquer hippie do bloco de esquerda ou mesmo de qualquer pessoa, até de bom senso, que apenas goste de fumar ganzas; já podemos ir fumá-las para o Dubai!!! É só ter a pachorra de se for preciso esperar mais ou menos um mês na prisa de lá, mas de resto tudo bem.
Imaginem só, um gajo vai para o Dubai, grande cenário e tal. Eu levaria umas três das minhas câmaras Super 8mm e sem duvida a digital também (pode-se fazer planos sequência muito mais longos). Para começar, instalava-me no Hotel Burj Al Arab, num dos andares cimeiros, para ter vista, e começava por sacar uns planos em Super 8 do mar e da cidade. No hotel fumava logo a primeira. Como provavelmente eles têm câmaras de vigilância ocultas e sensores de fumo hi-tech que permitem analisar o tipo de fumo e determinar se se trata de haxixe, punha a câmara digital a postos e ficava à espera de alguma acção. Deveriam entrar pela suite a dentro a qualquer segundo. Se tivesse sorte e o primeiro charro passasse despercebido, aproveitava e ia dar umas voltas pela cidade, sempre com a câmara ligada e uma ganzas já feitas no bolso, claro.
Ao fim do dia, muito certamente os serviços de inteligência do Dubai já teriam encontrado no computador central a minha origem, identificação e emitido um mandato de captura. Após três ou quatro cassetes de turismo, aproximar-se-ia decerto a hora em que uma futura cassete milionária seria gravada para a posteridade: a minha captura e detenção por fumar ganzas no Dubai (qualquer cineasta aproveitaria a ocasião para filmar tudo isto e ganhar uns prémios nuns festivais de cinema hippie, para não falar do chorudo negócio que podia também ser feito com os canais de televisão)!
Eis que finalmente me apanhavam e eu ia dentro. Chegava a hora de fazer o tão esperado telefonema para Portugal, mais concretamente para o meu querido e amigo presidente, o Jó
Imaginem só, um gajo vai para o Dubai, grande cenário e tal. Eu levaria umas três das minhas câmaras Super 8mm e sem duvida a digital também (pode-se fazer planos sequência muito mais longos). Para começar, instalava-me no Hotel Burj Al Arab, num dos andares cimeiros, para ter vista, e começava por sacar uns planos em Super 8 do mar e da cidade. No hotel fumava logo a primeira. Como provavelmente eles têm câmaras de vigilância ocultas e sensores de fumo hi-tech que permitem analisar o tipo de fumo e determinar se se trata de haxixe, punha a câmara digital a postos e ficava à espera de alguma acção. Deveriam entrar pela suite a dentro a qualquer segundo. Se tivesse sorte e o primeiro charro passasse despercebido, aproveitava e ia dar umas voltas pela cidade, sempre com a câmara ligada e uma ganzas já feitas no bolso, claro.
Ao fim do dia, muito certamente os serviços de inteligência do Dubai já teriam encontrado no computador central a minha origem, identificação e emitido um mandato de captura. Após três ou quatro cassetes de turismo, aproximar-se-ia decerto a hora em que uma futura cassete milionária seria gravada para a posteridade: a minha captura e detenção por fumar ganzas no Dubai (qualquer cineasta aproveitaria a ocasião para filmar tudo isto e ganhar uns prémios nuns festivais de cinema hippie, para não falar do chorudo negócio que podia também ser feito com os canais de televisão)!
Eis que finalmente me apanhavam e eu ia dentro. Chegava a hora de fazer o tão esperado telefonema para Portugal, mais concretamente para o meu querido e amigo presidente, o Jó
Eu
Tou Jó?
Jó
Oooolha quem ele é! Atão rapaz, tá tudo bem? Por onde é que tu andas pá? Passa aqui para a gente fumar uma!
Eu
Éhhh pá…. Ganda Jó! Pá, sabes o que é, o problema é que eu neste momento não me dá muito jeito ir ai fumar essa…
Jó
Não sejas parvo pá. Eu mando ai um carro para te apanhar, sabes que isso não é problema nenhum!
Eu
Ya man, mas o problema é que eu não estou em Lisboa… Nem sequer estou em Portugal!
Jó
Ah ganda maluco! Então e onde é que tu andas pá?
Eu
É pá… No Dubai! Fui de cana tás a ver?
Jó
Ganda maluco… Tchhhhh. Esses gajos são mesmo fodidos! Mas tinhas o quê?
Eu
É pá, nada man. Nada de especial, era só daquela ganzinha que a gente… Olha por acaso era mesmo daquela que a gente até comprou juntos, aos gajos do bloco lembras-te?
Jó
Ah, ya… Os gajos do bloco dominam a cena da ganza. Era muito boa!
Eu
Olha, só te digo que os gajos aqui são muita fanados do sistema man! Digo-te já! Queimaram a cena memo à minha frente, tas a ver? Pá, mas é que nem palha man, nem sobrou a cinza daquela merda!
Jó
Ena man… Imagino! Mas e tens filmado coisas por ai ou não?
Eu
Ya, ya, tá tudo filmadinho!
Jó
Vê lá, que eu depois quero ver isso tudo. Bom, mas primeiro deixa-me só tratar ai de umas cenas. Tenho ai uns gajos que me estão a lixar a vida com umas merdas lá do governo ou que é.
Eu
Ya, ya, na boa bro.
Jó
Pronto, mas então a cena é que tu queres bazar dai certo?
Eu
Pá, não há grande pressa, que isto aqui até não é assim tão mau. Mas se pudesse bazar rápido era muita bacano!
Jó
Tá, tá. Tudo bem. Eu agora esta semana começo a tratar disso e prai daqui a uns quinze dias já estamos ai a fumar a nossa e a ver as filmagens, ok?
Eu
Ah ganda Jó man! Obrigadão pá! Olha, um granda abraço pa ti mano, e beijinhos ai à tua Maria, ya?
Jó
Tá, tá. Ela também manda pa ti. Olha por acaso ela até me está a chamar ali da sala, porque está cá o meu irmão e eles estão ali a fumar uma. Vá tenho de ir. Abraço.
Eu
Abraço mano. Fica bem!
Jó
Vá, tchau ganda maluco! E não te preocupes, eu tiro-te dai ya?
Eu
Ya!
Tou Jó?
Jó
Oooolha quem ele é! Atão rapaz, tá tudo bem? Por onde é que tu andas pá? Passa aqui para a gente fumar uma!
Eu
Éhhh pá…. Ganda Jó! Pá, sabes o que é, o problema é que eu neste momento não me dá muito jeito ir ai fumar essa…
Jó
Não sejas parvo pá. Eu mando ai um carro para te apanhar, sabes que isso não é problema nenhum!
Eu
Ya man, mas o problema é que eu não estou em Lisboa… Nem sequer estou em Portugal!
Jó
Ah ganda maluco! Então e onde é que tu andas pá?
Eu
É pá… No Dubai! Fui de cana tás a ver?
Jó
Ganda maluco… Tchhhhh. Esses gajos são mesmo fodidos! Mas tinhas o quê?
Eu
É pá, nada man. Nada de especial, era só daquela ganzinha que a gente… Olha por acaso era mesmo daquela que a gente até comprou juntos, aos gajos do bloco lembras-te?
Jó
Ah, ya… Os gajos do bloco dominam a cena da ganza. Era muito boa!
Eu
Olha, só te digo que os gajos aqui são muita fanados do sistema man! Digo-te já! Queimaram a cena memo à minha frente, tas a ver? Pá, mas é que nem palha man, nem sobrou a cinza daquela merda!
Jó
Ena man… Imagino! Mas e tens filmado coisas por ai ou não?
Eu
Ya, ya, tá tudo filmadinho!
Jó
Vê lá, que eu depois quero ver isso tudo. Bom, mas primeiro deixa-me só tratar ai de umas cenas. Tenho ai uns gajos que me estão a lixar a vida com umas merdas lá do governo ou que é.
Eu
Ya, ya, na boa bro.
Jó
Pronto, mas então a cena é que tu queres bazar dai certo?
Eu
Pá, não há grande pressa, que isto aqui até não é assim tão mau. Mas se pudesse bazar rápido era muita bacano!
Jó
Tá, tá. Tudo bem. Eu agora esta semana começo a tratar disso e prai daqui a uns quinze dias já estamos ai a fumar a nossa e a ver as filmagens, ok?
Eu
Ah ganda Jó man! Obrigadão pá! Olha, um granda abraço pa ti mano, e beijinhos ai à tua Maria, ya?
Jó
Tá, tá. Ela também manda pa ti. Olha por acaso ela até me está a chamar ali da sala, porque está cá o meu irmão e eles estão ali a fumar uma. Vá tenho de ir. Abraço.
Eu
Abraço mano. Fica bem!
Jó
Vá, tchau ganda maluco! E não te preocupes, eu tiro-te dai ya?
Eu
Ya!
06 maio 2005
Celebration!
Hoje devia ser feriado.
Depois da alegria de ontem, quem tem forças para trabalhar.
Aposto que, nesta, até os benfiquistas que se recusam a aceitar a vitória do Sporting apoiam.
Vivas ao Sporting!
Depois da alegria de ontem, quem tem forças para trabalhar.
Aposto que, nesta, até os benfiquistas que se recusam a aceitar a vitória do Sporting apoiam.
Vivas ao Sporting!
03 maio 2005
Chegou-me esta carta às mãos
LIGA PORTUGUESA DE FUTEBOL PROFISSIONAL
Ao SLB
Estádio da Luz
Lisboa
Tendo V Exas de se deslocar ao terreno de um adversário dentro de 2
semanas, agradecemos o preenchimento do formulário em anexo, a fim de
que possamos tomar as necessárias providências :
1. Em que Estádio desejam V.Exas jogar ?
No estádio do adversário __
Num estádio a mais de 100 Kms da terra do adversário __
Num estádio a mais de 500 Kms da terra do adversário --__
Num estádio de basebol nos Estados Unidos __
No estádio da Luz __
__
2. A partir de que minuto do primeiro tempo desejam V.Exas o primeiro cartão vermelho para um jogador adversário ?
Primeiro minuto __
Vigésimo quarto minuto __
5 minutos antes do intervalo __
Depende de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local
__
3. Pretendem V.Exas marcar o primeiro golo através :
De um livre causado por uma falta marcada ao contrário __
De um fora de jogo do senhor Mantorras __
De um livre marcado por uma falta inexistente __
De um penalty fantasma __
Depende de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local
__
4. A fim de não dar muito nas vistas, sugerimos que o senhor Petit
ou o senhor Simão sejam punidos com um cartão amarelo. Agradecemos que
nos digam em que momento :
Quando o senhor Petit fizer a octogésima terceira falta dura __
Quando senhor Petit fizer a décima quarta tentativa de homicídio __
Quando o Senhor Simão simular a sexagésima quinta falta __
Quando o Senhor Simão empurrar o árbitro pela nonagésima segunda vez __
Nunca, era o que faltava, mostrarem cartões aos nossos jogadores __
__
5. A fim de não cometermos erros agradecemos nos indiquem a
composição da equipa de arbitragem que pretendem para o jogo em questão:
__
Com os nossos cumprimentos ao Campeão Nacional 2004/2005
Liga Portuguesa de Futebol Profissional
Ao SLB
Estádio da Luz
Lisboa
Tendo V Exas de se deslocar ao terreno de um adversário dentro de 2
semanas, agradecemos o preenchimento do formulário em anexo, a fim de
que possamos tomar as necessárias providências :
1. Em que Estádio desejam V.Exas jogar ?
No estádio do adversário __
Num estádio a mais de 100 Kms da terra do adversário __
Num estádio a mais de 500 Kms da terra do adversário --__
Num estádio de basebol nos Estados Unidos __
No estádio da Luz __
__
2. A partir de que minuto do primeiro tempo desejam V.Exas o primeiro cartão vermelho para um jogador adversário ?
Primeiro minuto __
Vigésimo quarto minuto __
5 minutos antes do intervalo __
Depende de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local
__
3. Pretendem V.Exas marcar o primeiro golo através :
De um livre causado por uma falta marcada ao contrário __
De um fora de jogo do senhor Mantorras __
De um livre marcado por uma falta inexistente __
De um penalty fantasma __
Depende de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local
__
4. A fim de não dar muito nas vistas, sugerimos que o senhor Petit
ou o senhor Simão sejam punidos com um cartão amarelo. Agradecemos que
nos digam em que momento :
Quando o senhor Petit fizer a octogésima terceira falta dura __
Quando senhor Petit fizer a décima quarta tentativa de homicídio __
Quando o Senhor Simão simular a sexagésima quinta falta __
Quando o Senhor Simão empurrar o árbitro pela nonagésima segunda vez __
Nunca, era o que faltava, mostrarem cartões aos nossos jogadores __
__
5. A fim de não cometermos erros agradecemos nos indiquem a
composição da equipa de arbitragem que pretendem para o jogo em questão:
__
Com os nossos cumprimentos ao Campeão Nacional 2004/2005
Liga Portuguesa de Futebol Profissional
Viva a repartição de Finanças!
Uma curta nota para um raro elogio à administração pública em Portugal - imagine-se só a ousadia, dirão vocês.
Ontem foi a data limite de entrega do IRS. Regressado do Brasil, tornou-se tarefa prioritária, embora com notáveis dificuldades de espírito. Na quinta-feira descobri que a repartição de Finanças estava - espanto! - aberta até mais tarde. Melhor ainda, que abriria na manhã de sábado, para evitar filas e afins.
Assim sendo, lá fui cumrprir as obrigações fiscais no sábado. Cheguei lá e... ninguém. Só os funcionários públicos, à espera de alguém. Tenho dúvidas se alguém sabia de tanta disponibilidade, mas lá que parecia um país de primeiro mundo, parecia. Faltou-me saber apenas quem tinha inventado tamanha facilidade e quando - o senhor da repartição não sabia dizer. Mas o elogio aqui fica. Que se volte a repetir.
Ontem foi a data limite de entrega do IRS. Regressado do Brasil, tornou-se tarefa prioritária, embora com notáveis dificuldades de espírito. Na quinta-feira descobri que a repartição de Finanças estava - espanto! - aberta até mais tarde. Melhor ainda, que abriria na manhã de sábado, para evitar filas e afins.
Assim sendo, lá fui cumrprir as obrigações fiscais no sábado. Cheguei lá e... ninguém. Só os funcionários públicos, à espera de alguém. Tenho dúvidas se alguém sabia de tanta disponibilidade, mas lá que parecia um país de primeiro mundo, parecia. Faltou-me saber apenas quem tinha inventado tamanha facilidade e quando - o senhor da repartição não sabia dizer. Mas o elogio aqui fica. Que se volte a repetir.
A Propósito do Aborto...
Caso venha a ser feito um referendo sobre o aborto, penso que só devia ser votado pelas mulheres. Não me parece razoável que um homem possa tomar uma decisão sobre algo que na prática, o máximo que poderá vir a representar será um incómodo para a sua carteira ou para a sua consciência mas nunca para o seu corpo.
Acho fantástico, o descaramento com que se transforma um assunto desta natureza num crachá político tornando-o a lenha favorita da gulosa fornalha que aquece o mundo, neste frio Inverno mental, que são os media. Acho mais fantástico ainda observar a forma entusiástica como as massas, incapazes de formar uma opinião própria, seguem hipnotizadas os brilhantes discursos que são feitos sobre a matéria e no fim ainda se sentem alegremente impelidos a tomar o partido de uma qualquer das partes. Como se este assunto pudesse ser dividido em partes.
Mas, inevitavelmente, tratando-se de um tema de choque e comoção, de acesso óbvio (enquanto tema, não enquanto realidade), de opinião fácil, altamente popular e abrangente, é inevitável a sua rentabilização a todo o custo. Seja em que área for.
Acho que já era altura de todos e cada um de nós procurarmos a única opinião minimamente válida, dentro da sua própria subjectividade, que é a verdadeira opinião que existe no nosso interior. Sem medo de ferir o vizinho, os ideais do partido ou os fantasmas da religião. Esquecer tudo e pensar apenas nos objectos metálicos de cariz quase medieval que penetram uma vagina e dilaceram, no útero, os tecidos necessários a causar a morte. E no que isso nos faz sentir.
Como tal não é possível, porque a estupidez, a ambição, o oportunismo ou as três coisas juntas, tratarão de ocupar a mente de uma boa maioria dos potenciais votantes em tal matéria, seria mais justo, a meu ver, que a responsabilidade das decisões passasse apenas por aquelas que no meio deste jogo ridículo e infantil, de vez em quando se magoam e sangram a sério. As mulheres.
ANARCATÓLICO
PS – Um grande beijo para todas as mulheres do mundo. Sem vocês isto não valia a pena! *
Acho fantástico, o descaramento com que se transforma um assunto desta natureza num crachá político tornando-o a lenha favorita da gulosa fornalha que aquece o mundo, neste frio Inverno mental, que são os media. Acho mais fantástico ainda observar a forma entusiástica como as massas, incapazes de formar uma opinião própria, seguem hipnotizadas os brilhantes discursos que são feitos sobre a matéria e no fim ainda se sentem alegremente impelidos a tomar o partido de uma qualquer das partes. Como se este assunto pudesse ser dividido em partes.
Mas, inevitavelmente, tratando-se de um tema de choque e comoção, de acesso óbvio (enquanto tema, não enquanto realidade), de opinião fácil, altamente popular e abrangente, é inevitável a sua rentabilização a todo o custo. Seja em que área for.
Acho que já era altura de todos e cada um de nós procurarmos a única opinião minimamente válida, dentro da sua própria subjectividade, que é a verdadeira opinião que existe no nosso interior. Sem medo de ferir o vizinho, os ideais do partido ou os fantasmas da religião. Esquecer tudo e pensar apenas nos objectos metálicos de cariz quase medieval que penetram uma vagina e dilaceram, no útero, os tecidos necessários a causar a morte. E no que isso nos faz sentir.
Como tal não é possível, porque a estupidez, a ambição, o oportunismo ou as três coisas juntas, tratarão de ocupar a mente de uma boa maioria dos potenciais votantes em tal matéria, seria mais justo, a meu ver, que a responsabilidade das decisões passasse apenas por aquelas que no meio deste jogo ridículo e infantil, de vez em quando se magoam e sangram a sério. As mulheres.
ANARCATÓLICO
PS – Um grande beijo para todas as mulheres do mundo. Sem vocês isto não valia a pena! *
02 maio 2005
Aborto: a consumação do erro
Jorge Sampaio acabou de chumbar o referendo ao aborto, alegando que não há condições para uma consulta com real participação popular. O Presidente tem razão e a decisão de hoje deve deixar a esquerda feliz.
A razão é única e simples: se o referendo fosse convocado, o não voltaria a ser potencialmente vencedor, o que atirava qualquer alteração à lei para daqui a oito anos - se os partidos em Portugal fossem razoavelmente sérios. Assim, ficará adiado para o final de 2006, início de 2007, quanto muito. E só será tão tarde por teimosia - sim, teimosia e tonteria - da bancada parlamentar socialista.
É que a lei do referendo diz, explicitamente, que não pode ser proposto novo referendo na mesma legislatura em que um foi chumbado em Belém. E esta legislatura só acaba em Setembro de 2006. Não tivessem os socialistas corrido atrás da esquerda e seria mais fácil convocá-lo para o final deste ano, início do próximo. Assim, a derrota é dupla.
Quanto ao PSD, Marques Mendes consegue a sua primeira vitória. Indiscutível e inalienável. Quer se goste ou não. É, aliás, a segunda vez que Marques Mendes vence o PS na questão do aborto.
A razão é única e simples: se o referendo fosse convocado, o não voltaria a ser potencialmente vencedor, o que atirava qualquer alteração à lei para daqui a oito anos - se os partidos em Portugal fossem razoavelmente sérios. Assim, ficará adiado para o final de 2006, início de 2007, quanto muito. E só será tão tarde por teimosia - sim, teimosia e tonteria - da bancada parlamentar socialista.
É que a lei do referendo diz, explicitamente, que não pode ser proposto novo referendo na mesma legislatura em que um foi chumbado em Belém. E esta legislatura só acaba em Setembro de 2006. Não tivessem os socialistas corrido atrás da esquerda e seria mais fácil convocá-lo para o final deste ano, início do próximo. Assim, a derrota é dupla.
Quanto ao PSD, Marques Mendes consegue a sua primeira vitória. Indiscutível e inalienável. Quer se goste ou não. É, aliás, a segunda vez que Marques Mendes vence o PS na questão do aborto.
29 abril 2005
Regresso...
... de férias retemperadoras.
Dez dias depois, Portugal parece-me na mesma. Acho que não se moveu um só milímetro.
Uma rápida passagem pelos jornais confirmam isso mesmo. O que me deixa na dúvida: 'Habemos' Governo?
Beijos e abraços. Voltarei com comentários em breve sobre o Brasil de hoje, um ou dois livros que recomendo e o que encontrei por cá.
Dez dias depois, Portugal parece-me na mesma. Acho que não se moveu um só milímetro.
Uma rápida passagem pelos jornais confirmam isso mesmo. O que me deixa na dúvida: 'Habemos' Governo?
Beijos e abraços. Voltarei com comentários em breve sobre o Brasil de hoje, um ou dois livros que recomendo e o que encontrei por cá.
26 abril 2005
Man....toooooooraaa
é o grito do momento.
mantorras, olé olé.
slb olé olé
este breve post é só para chatear o david diniz que deve estar agora com uma grande cachola...a chamada cacholona académica....ah ah!!!
mantorras, olé olé.
slb olé olé
este breve post é só para chatear o david diniz que deve estar agora com uma grande cachola...a chamada cacholona académica....ah ah!!!
15 abril 2005
Verde e branco
O meu Sporting está nas meias-finais da Taça UEFA.
Eu, que devia estar caladinho, tanto mal disse do treinador, não consigo resistir à felicidade. É isto que é ser humano: a razão só conta quando conta. Hoje é dia de coração. Verde e branco.
Eu, que devia estar caladinho, tanto mal disse do treinador, não consigo resistir à felicidade. É isto que é ser humano: a razão só conta quando conta. Hoje é dia de coração. Verde e branco.
A Tradição ainda é o que era :)
(…) Era o Carvalhosa – que fora seu contemporâneo em Coimbra onde era conhecido pela sua porcaria e ilustre pelos seus vícios. Passava dias inteiros na cama e o cheiro do seu quarto estonteava. Agora era deputado, e os jornais celebravam a sua eloquência e citavam os seus trechos. (…)
(…) – Tenho muita honra, disse Reinaldo cumprimentado: tive o prazer de o ouvir na Câmara – eu vou muito à Câmara; ainda ontem lá estive.
– Interessa-se pela política? – começou Carvalhosa, brincando com os berloques do relógio.
– Não. É que fui acompanhar uma rapariga espanhola que estava com muita curiosidade. Há-de conhecer. É da – e falou-lhe ao ouvido. – A Lola, disse alto, a magrita.
– Ah, sim sim, disse Carvalhosa e afastaram-se, muito unidos, cochichando. (…)
EÇA DE QUEIROZ in “A Tragédia da Rua das Flores”
04 abril 2005
Loja dos 300
O Francisco resolveu dar azo à sua veia jacobina, atirando à Aura Miguel. Diz ele que a jornalista portuguesa que mais sabe sobre a Igreja Católica não é jornalista mas evangelizadora. Meu caro, seguindo o argumento, podia dizer-se que tu mesmo és socialista e não jornalista. Certo? É que uma coisa é o que ela opina, outra o que ela relata.
Quanto aos elogios a António Marujo, subscrevo integralmente. É um prazer ler as suas peças.
Quanto aos elogios a António Marujo, subscrevo integralmente. É um prazer ler as suas peças.
O Homem de Branco e o de Avental
Por muitos que custe aos jacobinos, este homem que mudou de nome aos 58 anos e que nessa altura nos passou a servir como Papa, marcou a diferença e demonstrou pela praxis o que é ser Homem.
Não há ninguém nos últimos 25-27 anos que se lhe compare.
Deve ser difícil aceitar, para alguns, que a Humanidade num único abraço chore o homem de branco e não um qualquer francês ou escocês de avental.
Não há ninguém nos últimos 25-27 anos que se lhe compare.
Deve ser difícil aceitar, para alguns, que a Humanidade num único abraço chore o homem de branco e não um qualquer francês ou escocês de avental.
In memoriam K.W.
Não é tanto o texto que interessa, antes, como em qualquer poema, as emoções que provoca ou que reproduz. É de W.H.Auden. Os mais atentos recordar-se-ão de um funeral...desta vez sem casamentos.
"Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good"
"Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good"
03 abril 2005
Adeus meu Papa!
É com enorme pesar e simultânea alegria que vejo partir deste mundo o mais poderoso símbolo, carnalmente existente, da minha igreja. Quase toda a minha vida foi ele o rosto da instituição que tantas vezes ponho em causa mas à qual pertenço. Finalmente liberto do sofrimento da carne e das atrocidades dos homens, certamente estará agora num lugar melhor.
Foi com nojo e desprezo que constatei o uso do seu nome e da sua pessoa, como arma de arremesso nos discursos politizados e racionalistas de uns quantos monos com pernas nos últimos tempos da sua vida. Usado como símbolo do “contra” ou do “a favor” segundo as cores partidárias ou ideologias políticas, por pessoas que mais não vieram fazer ao mundo senão ocupar espaço, consumir recursos e quem sabe procriar (pelas quais nutro o maior desprezo).
Se existem porventura pessoas, como aliás se constata que sim, que vivem bem ausentes da dimensão poética da existência, relegando para o plano do desinteresse absoluto valores como a fé, a beleza, o imaginário ou mesmo a ficção, dou-lhes os meus parabéns. Parabéns porque existir dependendo apenas do factual, do concreto e de valores materiais e discursivos (sentindo assim grande prazer num uso excessivamente monótono do seu intelecto), é para mim uma imagem de pesadelo. Uma espécie de maldição em vida, almas penadas dentro de corpos em movimento. Dou os parabéns a todos os que têm uma existência tão cinzenta e desinteressante (assim como desinteressada de tudo o que directamente não lhes diga respeito), pois acho admirável que ainda não tenham dado um tiro nos cornos e acabado com as suas medonhas existências!
Eu sei que de alguma forma o meu Papa continua a existir, algures, numa outra forma de existência que por agora não compreendo, mas à qual um dia vou também pertencer.
Foi com nojo e desprezo que constatei o uso do seu nome e da sua pessoa, como arma de arremesso nos discursos politizados e racionalistas de uns quantos monos com pernas nos últimos tempos da sua vida. Usado como símbolo do “contra” ou do “a favor” segundo as cores partidárias ou ideologias políticas, por pessoas que mais não vieram fazer ao mundo senão ocupar espaço, consumir recursos e quem sabe procriar (pelas quais nutro o maior desprezo).
Se existem porventura pessoas, como aliás se constata que sim, que vivem bem ausentes da dimensão poética da existência, relegando para o plano do desinteresse absoluto valores como a fé, a beleza, o imaginário ou mesmo a ficção, dou-lhes os meus parabéns. Parabéns porque existir dependendo apenas do factual, do concreto e de valores materiais e discursivos (sentindo assim grande prazer num uso excessivamente monótono do seu intelecto), é para mim uma imagem de pesadelo. Uma espécie de maldição em vida, almas penadas dentro de corpos em movimento. Dou os parabéns a todos os que têm uma existência tão cinzenta e desinteressante (assim como desinteressada de tudo o que directamente não lhes diga respeito), pois acho admirável que ainda não tenham dado um tiro nos cornos e acabado com as suas medonhas existências!
Eu sei que de alguma forma o meu Papa continua a existir, algures, numa outra forma de existência que por agora não compreendo, mas à qual um dia vou também pertencer.
O nosso Papa
Sua Santidade o Papa acabou o seu caminho entre nós.
"Não fiques triste na morte,como um pagão sem esperança", disse João Paulo II.
Que Deus o receba na mesma felicidade que teve em vida. E sem o sofrimento que nos fez sofrer na sua vida.
João Paulo II estará sempre entre nós.
"Não fiques triste na morte,como um pagão sem esperança", disse João Paulo II.
Que Deus o receba na mesma felicidade que teve em vida. E sem o sofrimento que nos fez sofrer na sua vida.
João Paulo II estará sempre entre nós.
01 abril 2005
Sua Santidade o Papa
Ouço, quase prostrado frente a uma televisão, tudo o que posso sobre o Papa, João Paulo II. É, para mim, das poucas homenagens que me resta fazer a Sua Santidade.
João Paulo II é um homem de paz, um homem de enorme fé, um homem de bem e de coragem. É o Papa de todos os católicos, de todos os continentes e até mesmo de muitos não católicos que depositaram nele, no homem e não tanto no Papa, uma enorme esperança de um mundo e de uma vida melhor.
O Pontificado de João Paulo II ficará, para mim - que praticamente só conheci este Papa - marcado como um grande exemplo. Aprendi o que era a fé com ele, aprendi o que era o mundo com ele, aprendi o que são os princípios da Igreja Católica através dele.
Por várias vezes estive perto da sua presença. Estive a caminho do Restelo, só para o ver, mas o destino tirou-me o autocarro do caminho; estive para ir a Roma, mas o destino voltou a não o permitir. Mesmo assim, a sua presença pelo mundo, transmitida na televisão, era, é e será suficiente. Sua Santidade o Papa João Paulo II acompanhou-me toda a vida pela televisão. Por isso, só por isso, estou-lhe grato. Por isso, só por isso, vou olhar para o outro lado sempre que o respeito que ele merece não for cumprido.
Que Deus proteja Sua Santidade, como ele merece.
João Paulo II é um homem de paz, um homem de enorme fé, um homem de bem e de coragem. É o Papa de todos os católicos, de todos os continentes e até mesmo de muitos não católicos que depositaram nele, no homem e não tanto no Papa, uma enorme esperança de um mundo e de uma vida melhor.
O Pontificado de João Paulo II ficará, para mim - que praticamente só conheci este Papa - marcado como um grande exemplo. Aprendi o que era a fé com ele, aprendi o que era o mundo com ele, aprendi o que são os princípios da Igreja Católica através dele.
Por várias vezes estive perto da sua presença. Estive a caminho do Restelo, só para o ver, mas o destino tirou-me o autocarro do caminho; estive para ir a Roma, mas o destino voltou a não o permitir. Mesmo assim, a sua presença pelo mundo, transmitida na televisão, era, é e será suficiente. Sua Santidade o Papa João Paulo II acompanhou-me toda a vida pela televisão. Por isso, só por isso, estou-lhe grato. Por isso, só por isso, vou olhar para o outro lado sempre que o respeito que ele merece não for cumprido.
Que Deus proteja Sua Santidade, como ele merece.
O ponto do PEC
António Borges numa entrevista publicada hoje volta tudo do avesso e defende o velho Pacto de Estabilidade. Diz que a sua revisão é péssima para Portugal e a Europa, permitindo desleixo dos governos; acrescenta que o PEC não era estúpido, como é moda dizer, porque permitia flexibilidade suficiente, nomeadamente através de receitas extraordinárias que incentivavam a redução do património do Estado - libertando iniciativa para o sector privado.
São afirmações corajosas, as de António Borges, contra a maré de facilitismo tão protegida por quem manda na UE. Não é que importe muito, mas era este o ponto do PEC que os 25 destruíram na última cimeira. Passo a passo, a Europa continua o seu caminho dos últimos anos. É por isto que os bons líderes são fundamentais - para alertar, conduzir, rumar contra as marés. Sem eles, a Europa será apenas parte da história.
São afirmações corajosas, as de António Borges, contra a maré de facilitismo tão protegida por quem manda na UE. Não é que importe muito, mas era este o ponto do PEC que os 25 destruíram na última cimeira. Passo a passo, a Europa continua o seu caminho dos últimos anos. É por isto que os bons líderes são fundamentais - para alertar, conduzir, rumar contra as marés. Sem eles, a Europa será apenas parte da história.
31 março 2005
Os referendos só dão problemas
Por alguma razão o PS tentou referendar a IVG já em Junho. Meteu-se numa confusão tal que já não há Junho para ninguém. Criou expectativas para nada e reverteu, pelo meio, as prioridades indicadas pelo próprio chefe de Governo.
Agora, ficará lá para 2006 - se mais surpresas não aparecerem. Foi uma precipitação que indicia um mau sinal: vai ser difícil, mais do que se esperava, a relação PS/Governo/Parlamento. Imaginem se for eleito um PR à direita.
Outro referendo provável é do europeu. Lá vai mais uma polémica, com a fileira anti-constituição a mostrar algumas surpresas. A consulta pode calhar em simultâneo com as autárquicas, o que só ajuda à tese que não se vai discutir nada. E a falta de esclarecimento é o maior incentivador do "não", como se prova pela Europa.
Falando em Europa, um último caso referendário: em França, o não está cada vez mais próximo de ser uma realidade. Chirac, nem se vê. Raffarin, é melhor nem se ver. As consequências para a Europa serão enormes - para não falar no próprio Governo francês. É mais um problema.
Já não bastava a Europa não estar preparada para reformas, agora tem que levar com a deriva referendária. Assim, a Agenda de Lisboa está cada vez próxima de uma Agenda de Marte. Só quando o Homem chegar lá é que os objectivos são cumpridos.
Agora, ficará lá para 2006 - se mais surpresas não aparecerem. Foi uma precipitação que indicia um mau sinal: vai ser difícil, mais do que se esperava, a relação PS/Governo/Parlamento. Imaginem se for eleito um PR à direita.
Outro referendo provável é do europeu. Lá vai mais uma polémica, com a fileira anti-constituição a mostrar algumas surpresas. A consulta pode calhar em simultâneo com as autárquicas, o que só ajuda à tese que não se vai discutir nada. E a falta de esclarecimento é o maior incentivador do "não", como se prova pela Europa.
Falando em Europa, um último caso referendário: em França, o não está cada vez mais próximo de ser uma realidade. Chirac, nem se vê. Raffarin, é melhor nem se ver. As consequências para a Europa serão enormes - para não falar no próprio Governo francês. É mais um problema.
Já não bastava a Europa não estar preparada para reformas, agora tem que levar com a deriva referendária. Assim, a Agenda de Lisboa está cada vez próxima de uma Agenda de Marte. Só quando o Homem chegar lá é que os objectivos são cumpridos.
30 março 2005
A idade da reforma
O Governo quer aumentar a idade da reforma, porque defende que esta deve acompanhar a evolução da esperança média de vida. Todos sabemos que a sustentabilidade do nosso sistema de Segurança Social está em causa e que cada vez serão menos os trabalhadores no activo a contribuir para pagar a pensão de cada reformado. Pergunto-me é com que idade é que os portugueses, em média, se reformam? A lei estipula os 65 anos, mas com a prática generalizada das pré-reformas, que alastrou aos mais variados sectores de actividade, os portugueses estão efectivamente a deixar de trabalhar muito antes. Porque não começar por aplicar o que está na lei? Não tem nenhum sentido que se continue a estimular o final antecipado da vida laboral, nem sempre desejado pelos trabalhadores e prejudicial à própria sociedade. Porque não começar por fazer coincidir a idade média de reforma com a idade legal. Antes de apelar à necessidade de termos de continuar a trabalhar até aos 67 ou 70 anos, o primeiro passo do novo Governo devia ser o de conseguir que os portugueses se reformassem aos 65 e não antes. E então estimular aqueles que desejam continuar a trabalhar de forma voluntária.
29 março 2005
Será que ninguém pára o Alberto Costa mais a sua inquisitória base de dados
Apesar de todas as garantias de independência na gestão e custódia da anunciada base de dados genética dos portugueses, encontramo-nos à beira da maior afronta à liberdade individual e à vida privada de que há memória em Portugal.
Permitam-me que deixe no ar a ideia de que se tal tipo de informação tivesse sido apanhada por um qualquer ditador ou "click autoritária" os genocídios e assassinatos selectivos de segmentos "não prioritários" da população teriam sido altamente facilitados.
Recordo que por força da preservação dos dados individuais, património inalienável de qualquer um de nós, os Ingleses não têm bilhete de identidade; consideram que o facto de deixar a impressão digital, altura, e outros dados fisicos num fucheiro central é uma afronta à identidade e individualidade de cada um dos cidadãos, não podendo ninguém ter conhecimento, se o próprio não entender, desses dados. Nos Estados Unidos da América passa-se a mesma coisa.
Aqui, aparentemente, ninguém se movimenta contra esta afronta. Porque razão é que Eu, Antonio Mira, numa era em que a investigação científica já nos conduziu a processos de terapia genética, deverei deixar, à mercê de qualquer um , a informação sobre as qualificações e qualidades dos meus genes????????
Será que ninguém vê onde isto nos pode conduzir?
Permitam-me que deixe no ar a ideia de que se tal tipo de informação tivesse sido apanhada por um qualquer ditador ou "click autoritária" os genocídios e assassinatos selectivos de segmentos "não prioritários" da população teriam sido altamente facilitados.
Recordo que por força da preservação dos dados individuais, património inalienável de qualquer um de nós, os Ingleses não têm bilhete de identidade; consideram que o facto de deixar a impressão digital, altura, e outros dados fisicos num fucheiro central é uma afronta à identidade e individualidade de cada um dos cidadãos, não podendo ninguém ter conhecimento, se o próprio não entender, desses dados. Nos Estados Unidos da América passa-se a mesma coisa.
Aqui, aparentemente, ninguém se movimenta contra esta afronta. Porque razão é que Eu, Antonio Mira, numa era em que a investigação científica já nos conduziu a processos de terapia genética, deverei deixar, à mercê de qualquer um , a informação sobre as qualificações e qualidades dos meus genes????????
Será que ninguém vê onde isto nos pode conduzir?
24 março 2005
Só para vos dizer...
...que, no texto em baixo, está a estreia absoluta da Marta Moitinho Oliveira.
Poupo os elogios, por razões óbvias para muitos. Mas registo com muitíssimo apreço a entrada da minha fonte de inspiração.
Abraços,
Poupo os elogios, por razões óbvias para muitos. Mas registo com muitíssimo apreço a entrada da minha fonte de inspiração.
Abraços,
Estágio para sexta-feira Santa
Quinta-feira de manhã, véspera de sexta-feira Santa.
Ligo para um consultório médico privado.
Eu – Bom dia, eu posso falar com a secretária do sr. doutor?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Ela não está.
Eu – Mas o sr. doutor não dá consulta às quintas-feiras?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Dá.
Eu – Mas então a secretária não está?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Não está cá ninguém, porque amanhã é feriado.
Eu – Ah, obrigada e boa tarde.
Ou seja,
em Portugal as pessoas não trabalham nas vésperas dos feriados para os preparar. Uma espécie de estágio. Porque de facto é preciso muita preparação para tirar o máximo partido dos feriados. Ou será que é precisa muita preparação para tirar o menor partido dos dias de trabalho?
Não me irritou não ter conseguido resolver o meu problema que era pessoal. Até porque segunda-feira é outro dia. Não me irrita não ter este tipo de regalias, porque acho que quem encara assim o trabalho, onde passamos uma grande parte do nosso tempo de vida, só pode ser duas coisas: infeliz ou preguiçoso.
Ou claro, pode ter tanto dinheiro que se possa dar ao luxo de fazer estas coisas. Isso já me irrita um bocadinho mais.
MMO
Ligo para um consultório médico privado.
Eu – Bom dia, eu posso falar com a secretária do sr. doutor?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Ela não está.
Eu – Mas o sr. doutor não dá consulta às quintas-feiras?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Dá.
Eu – Mas então a secretária não está?
Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Não está cá ninguém, porque amanhã é feriado.
Eu – Ah, obrigada e boa tarde.
Ou seja,
em Portugal as pessoas não trabalham nas vésperas dos feriados para os preparar. Uma espécie de estágio. Porque de facto é preciso muita preparação para tirar o máximo partido dos feriados. Ou será que é precisa muita preparação para tirar o menor partido dos dias de trabalho?
Não me irritou não ter conseguido resolver o meu problema que era pessoal. Até porque segunda-feira é outro dia. Não me irrita não ter este tipo de regalias, porque acho que quem encara assim o trabalho, onde passamos uma grande parte do nosso tempo de vida, só pode ser duas coisas: infeliz ou preguiçoso.
Ou claro, pode ter tanto dinheiro que se possa dar ao luxo de fazer estas coisas. Isso já me irrita um bocadinho mais.
MMO
23 março 2005
A ilusão de S. Bento
José Sócrates saiu ontem do Parlamento com um brilho nos olhos, como quem chegou, viu e venceu. Percebe-se porquê: até à data, o novo primeiro-ministro era apenas acusado pelo seu silêncio. Por isso, preparou meticulosamente as suas intervenções: apontou para o futuro, apelou ao patriotismo – ao recusar dirigir ataques aos governos anteriores –, apresentou prioridades e até calendarizou várias delas.
A satisfação de Sócrates pode, assim, ser compreensível. Mas cedo perceberá que o que encontrou nestes dias em S. Bento não foi mais do que uma ilusão de facilidades, um oásis sem um deserto à volta para atravessar.
Pois à frente desta maioria está, vamos ser honestos, esse enorme deserto de dificuldades. É verdade que tem uma maioria na AR, é verdade que tem o partido a seus pés, é verdade que até em Belém habita (até ver), um Presidente à sua medida. É verdade, também, que lhe caiu no colo uma reforma do PEC que parece feita de acordo com o seu Plano Teconológico.
Mas, para esta caminhada, não basta dizer chega a corporações poderosas, não basta apresentar planos de investimento, nem tão pouco falar de transparência e patriotismo. Tudo isso é bom e bonito, mas a situação do país – já o diziam António Vitorino e Jorge Coelho, que se ficaram pela bancada – exige muito mais do actual Governo: exige, por exemplo, medidas estruturais que reduzam a despesa. Exige, nesse caminho, que a má imagem criada por Ferreira Leite, enquanto responsável pelas Finanças, se multiplique por cinco. É que uma coisa é o que o país quer ouvir, outra, bem diferente, é o que o país precisa de ver feito.
Desta vez, não há ilusões. José Sócrates já disse que se dá bem com maratonas, mas ainda só o vimos fazer a meia-maratona de Lisboa. Vamos ver, agora, como resiste aos Jogos Olímpicos.
DE, 23.03.05
A satisfação de Sócrates pode, assim, ser compreensível. Mas cedo perceberá que o que encontrou nestes dias em S. Bento não foi mais do que uma ilusão de facilidades, um oásis sem um deserto à volta para atravessar.
Pois à frente desta maioria está, vamos ser honestos, esse enorme deserto de dificuldades. É verdade que tem uma maioria na AR, é verdade que tem o partido a seus pés, é verdade que até em Belém habita (até ver), um Presidente à sua medida. É verdade, também, que lhe caiu no colo uma reforma do PEC que parece feita de acordo com o seu Plano Teconológico.
Mas, para esta caminhada, não basta dizer chega a corporações poderosas, não basta apresentar planos de investimento, nem tão pouco falar de transparência e patriotismo. Tudo isso é bom e bonito, mas a situação do país – já o diziam António Vitorino e Jorge Coelho, que se ficaram pela bancada – exige muito mais do actual Governo: exige, por exemplo, medidas estruturais que reduzam a despesa. Exige, nesse caminho, que a má imagem criada por Ferreira Leite, enquanto responsável pelas Finanças, se multiplique por cinco. É que uma coisa é o que o país quer ouvir, outra, bem diferente, é o que o país precisa de ver feito.
Desta vez, não há ilusões. José Sócrates já disse que se dá bem com maratonas, mas ainda só o vimos fazer a meia-maratona de Lisboa. Vamos ver, agora, como resiste aos Jogos Olímpicos.
DE, 23.03.05
22 março 2005
A resposta tarda, mas surgirá
O trabalho ainda não me deixou responder ao novo post de Paulo Gorjão. Mas até amanhã conseguirei uns minutos de tempo livre para continuar a discussão sobre o jornalismo político que se pratica em Portugal. LR
20 março 2005
A lealdade orgânica já tem blogue
O Zé resolveu criar um blogue. Chama-se "O Estado das Coisas" e ainda está a ser afinado, o que não impediu o camarada de dar a conhecer esta autêntica pérola. Seja bem-vindo e que venham as polémicas! LR
19 março 2005
Recomendação de leitura
O Pedro Caeiro do Mar Salgado escreveu uma bela posta que deve ser lida por todos os que se interessam pelo tema da refundação ou, segundo Vasco Pulido Valente, da fundação da direita portuguesa. LR
Bem prega Frei Tomás - parte 2
Caro Paulo Gorjão
Começo por dizer que aprecio as suas críticas ao jornalismo que se pratica em Portugal. De uma forma geral, os seus posts sobre a prática jornalística são equilibrados. Por isso mesmo, aceito continuar discutir consigo.
1 – Não sou nada corporativo, muito menos no direito à crítica. Muito mau é o jornalista que não sabe lidar com as apreciações dos seus leitores. A blogosfera, aliás, desempenha um papel fundamental na crítica e na detecção de erros no trabalho dos jornalistas. Os profissionais só têm a ganhar com a análise crítica dos blogger’s.
2 – Desde sempre que o Paulo crítica a utilização generalizada do “off” no jornalismo político. Chegou mesmo a escrever que “as fontes não identificadas são um obstáculo à transparência”. A sua contradição, meu caro, é óbvia: se defende o principio de que o “off” deveria ser uma excepção, então não pode dar relevância a notícias feitas sem declarações oficiais ou assumidas.
3 – Mas a discussão é muito interessante. Já li no seu blog que o “off” deveria ser circunscrito a “casos de denúncia de situações de ilegalidade e pouco mais”.
Não concordo consigo. A função original do “off” passa pela contextualização ou o enquadramento da notícia em causa. Em vez de utilizar as suas palavras, o jornalista cita palavras ou descreve ideias de pessoas com quem falou.
Em segundo lugar, o “off” pode ser o veículo ideal, para as fontes e para os jornalistas, para dar um exclusivo. Se a fonte que dá o “off” for oficial, a informação tem outra credibilidade. Se a fonte não for oficial, o jornalista tem que cruzar a informação com outras fontes. Não é pelo simples facto de a informação ser dada em “off” que a mesma não tem, à partida, crebilidade. Depende dos casos e da avaliação do jornalista.
Se não fosse o “off”, o Paulo Gorjão e outros leitores não poderiam saber o que se passa nas reuniões partidárias – ou noutros encontros similares que tenham igualmente interesse público – que têm o sigilo ou a reserva como característica principal.
O “off” permite ainda chegar ao conhecimento de informações que, de outra forma, o jornalista não conseguiria. Através do “off” podemos chegar à documentação necessária para escrevemos a notícia ou a pistas verificáveis.
O principal problema do “off” tem haver com a manipulação de que o jornalista pode ser vítima por parte das fontes. É um risco que se corre. Mas só quem escreve notícias é que pode decidir se vale a pena, ou não.
Mas, como em tudo na vida, o bom senso pode evitar erros primários, como aquele de Mário Soares ter protagonizado uma candidatura presidencial consensual em 1986...
As regras do bom jornalismo são simples. Os jornalistas é que complicam. Nenhum jornalista – a começar por mim – pode dizer que não cometeu erros.
4 – Para concluir, deixo a Paulo Gorjão uma sugestão para uma nova... ou melhor, uma sugestão para uma discussão clássica sobre o jornalismo português. Porque razão os jornais portugueses não assumem nos seus estatutos editoriais o seu posicionamento ideológico ou não assumem editorialmente a defesa ou oposição a temas fundamentais para a vida da comunidade? Porque razão em Portugal a capa da falsa e inexistente objectividade jornalística serve para praticar um aguerrido e dependente jornalismo ideológico? Porque razão jornais com linhas editoriais de esquerda como, por exemplo, o “Público”, não assumem a sua tendência ideológica dominante, “vendendo” ao leitor uma objectividade que, manifestamente, não existe nalgumas notícias publicadas? E, finalmente, porque razão os 4 anos do primeiro Governo de António Guterres tiveram um escrutínio completamente diferente daquele a que os Governos de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes foram sujeitos?
Tenho respostas para estas perguntas, mas, porque o post já vai longo, gostava de saber primeiro o que pensa Paulo Gorjão. LR
Começo por dizer que aprecio as suas críticas ao jornalismo que se pratica em Portugal. De uma forma geral, os seus posts sobre a prática jornalística são equilibrados. Por isso mesmo, aceito continuar discutir consigo.
1 – Não sou nada corporativo, muito menos no direito à crítica. Muito mau é o jornalista que não sabe lidar com as apreciações dos seus leitores. A blogosfera, aliás, desempenha um papel fundamental na crítica e na detecção de erros no trabalho dos jornalistas. Os profissionais só têm a ganhar com a análise crítica dos blogger’s.
2 – Desde sempre que o Paulo crítica a utilização generalizada do “off” no jornalismo político. Chegou mesmo a escrever que “as fontes não identificadas são um obstáculo à transparência”. A sua contradição, meu caro, é óbvia: se defende o principio de que o “off” deveria ser uma excepção, então não pode dar relevância a notícias feitas sem declarações oficiais ou assumidas.
3 – Mas a discussão é muito interessante. Já li no seu blog que o “off” deveria ser circunscrito a “casos de denúncia de situações de ilegalidade e pouco mais”.
Não concordo consigo. A função original do “off” passa pela contextualização ou o enquadramento da notícia em causa. Em vez de utilizar as suas palavras, o jornalista cita palavras ou descreve ideias de pessoas com quem falou.
Em segundo lugar, o “off” pode ser o veículo ideal, para as fontes e para os jornalistas, para dar um exclusivo. Se a fonte que dá o “off” for oficial, a informação tem outra credibilidade. Se a fonte não for oficial, o jornalista tem que cruzar a informação com outras fontes. Não é pelo simples facto de a informação ser dada em “off” que a mesma não tem, à partida, crebilidade. Depende dos casos e da avaliação do jornalista.
Se não fosse o “off”, o Paulo Gorjão e outros leitores não poderiam saber o que se passa nas reuniões partidárias – ou noutros encontros similares que tenham igualmente interesse público – que têm o sigilo ou a reserva como característica principal.
O “off” permite ainda chegar ao conhecimento de informações que, de outra forma, o jornalista não conseguiria. Através do “off” podemos chegar à documentação necessária para escrevemos a notícia ou a pistas verificáveis.
O principal problema do “off” tem haver com a manipulação de que o jornalista pode ser vítima por parte das fontes. É um risco que se corre. Mas só quem escreve notícias é que pode decidir se vale a pena, ou não.
Mas, como em tudo na vida, o bom senso pode evitar erros primários, como aquele de Mário Soares ter protagonizado uma candidatura presidencial consensual em 1986...
As regras do bom jornalismo são simples. Os jornalistas é que complicam. Nenhum jornalista – a começar por mim – pode dizer que não cometeu erros.
4 – Para concluir, deixo a Paulo Gorjão uma sugestão para uma nova... ou melhor, uma sugestão para uma discussão clássica sobre o jornalismo português. Porque razão os jornais portugueses não assumem nos seus estatutos editoriais o seu posicionamento ideológico ou não assumem editorialmente a defesa ou oposição a temas fundamentais para a vida da comunidade? Porque razão em Portugal a capa da falsa e inexistente objectividade jornalística serve para praticar um aguerrido e dependente jornalismo ideológico? Porque razão jornais com linhas editoriais de esquerda como, por exemplo, o “Público”, não assumem a sua tendência ideológica dominante, “vendendo” ao leitor uma objectividade que, manifestamente, não existe nalgumas notícias publicadas? E, finalmente, porque razão os 4 anos do primeiro Governo de António Guterres tiveram um escrutínio completamente diferente daquele a que os Governos de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes foram sujeitos?
Tenho respostas para estas perguntas, mas, porque o post já vai longo, gostava de saber primeiro o que pensa Paulo Gorjão. LR
18 março 2005
Tiro de precisão
"O Choque Tecnológico
Ele aí está, triunfante e imparável...Ontem, o Governo do PS marcou para as 6 e meia da tarde a entrega do Programa de Governo no Parlamento. O documento só chegou depois das 8, por causa de problemas informáticos na presidência do Conselho de Ministros. E, afinal, não passava de uma cópia das 163 páginas do programa eleitoral dos socialistas.Hora e meia de atraso por causa de um copy-paste....Que melhor forma de inaugurar o choque tecnológico que com um ligeiro curto-circuito. Isto promete!"
Martim Silva, in "Mau Tempo no Canil"
Ele aí está, triunfante e imparável...Ontem, o Governo do PS marcou para as 6 e meia da tarde a entrega do Programa de Governo no Parlamento. O documento só chegou depois das 8, por causa de problemas informáticos na presidência do Conselho de Ministros. E, afinal, não passava de uma cópia das 163 páginas do programa eleitoral dos socialistas.Hora e meia de atraso por causa de um copy-paste....Que melhor forma de inaugurar o choque tecnológico que com um ligeiro curto-circuito. Isto promete!"
Martim Silva, in "Mau Tempo no Canil"
A estrada da Sofia
A Sofia dos Estados da Nação tem uma estrada: o pensamento único, condicionado pela já habitual generalização de factos e pessoas.
1. A Sofia gosta, p.e., de acusar o Independente, por via do Luís Rosa, de fazer intriga. A Sofia, pois claro, não lê o Independente e menos ainda o Luís Rosa.
Generaliza, lá está, e concentra a crítica no que mais lhe interessa, deturpando uma crítica que sentiu na pele. É uma estrada, mas não é a nossa.
2. Ainda a Sofia, compara Barroso e Sócrates num processo de intenção. É a mesma estrada: Barroso não cumpriu (é um facto) em dois anos - e não em quatro, que são da legislatura. Culpa sua, certo. Mas isto também é um facto.
Já Sócrates ainda não começou e a Sofia já diz que cumpre o que prometeu. É uma crença, uma fé, uma estrada. É a da Sofia, não a minha.
Posso até concordar - concordo - que um programa seja copiado do manifesto eleitoral. Acho bem, mesmo que nenhum deles seja concreto. Acho prudente, sim senhor. Mas isso não me garante que as promessas sejam cumpridas. sobre isso, falamos mais tarde. É que a minha estrada é outra.
1. A Sofia gosta, p.e., de acusar o Independente, por via do Luís Rosa, de fazer intriga. A Sofia, pois claro, não lê o Independente e menos ainda o Luís Rosa.
Generaliza, lá está, e concentra a crítica no que mais lhe interessa, deturpando uma crítica que sentiu na pele. É uma estrada, mas não é a nossa.
2. Ainda a Sofia, compara Barroso e Sócrates num processo de intenção. É a mesma estrada: Barroso não cumpriu (é um facto) em dois anos - e não em quatro, que são da legislatura. Culpa sua, certo. Mas isto também é um facto.
Já Sócrates ainda não começou e a Sofia já diz que cumpre o que prometeu. É uma crença, uma fé, uma estrada. É a da Sofia, não a minha.
Posso até concordar - concordo - que um programa seja copiado do manifesto eleitoral. Acho bem, mesmo que nenhum deles seja concreto. Acho prudente, sim senhor. Mas isso não me garante que as promessas sejam cumpridas. sobre isso, falamos mais tarde. É que a minha estrada é outra.
17 março 2005
Bem prega Frei Tomás...
O Paulo Gorjão é um leitor atento de jornais e um crítico contundente do jornalismo político que se pratica em Portugal. Defende convictamente que os jornalistas devem usar o "off" em situações excepcionais. Muito bem.
O problema é que entra em contradição facilmente. Apoiante de Manuel Maria Carrilho, candidato do PS à Câmara de Lisboa, Gorjão resolveu citar uma notícia d' "A Capital" feita sem um único "on" - e com base numa única fonte próxima de Ferro, fonte essa perfeitamente conhecida de todos os jornalistas - que relata um hipotético afastamento do ex-secretário-geral da corrida eleitoral.
Gorjão deu credibilidade a uma notícia que refere que Ferro só avançará se houver consenso em redor do seu nome "tal como aconteceu, por exemplo, com a candidatura de Mário Soares à presidência da República". Qualquer jornalista minimamente preparado sabe que em 1986 se houve coisa que não houve à esquerda foi consenso. As razões: Francisco Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo.
"By the way", porque razão Ferro Rodrigues não avança como Soares em 86? Receio ou calculismo? LR
O problema é que entra em contradição facilmente. Apoiante de Manuel Maria Carrilho, candidato do PS à Câmara de Lisboa, Gorjão resolveu citar uma notícia d' "A Capital" feita sem um único "on" - e com base numa única fonte próxima de Ferro, fonte essa perfeitamente conhecida de todos os jornalistas - que relata um hipotético afastamento do ex-secretário-geral da corrida eleitoral.
Gorjão deu credibilidade a uma notícia que refere que Ferro só avançará se houver consenso em redor do seu nome "tal como aconteceu, por exemplo, com a candidatura de Mário Soares à presidência da República". Qualquer jornalista minimamente preparado sabe que em 1986 se houve coisa que não houve à esquerda foi consenso. As razões: Francisco Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo.
"By the way", porque razão Ferro Rodrigues não avança como Soares em 86? Receio ou calculismo? LR
Dos Estados da Nação
Os humores dos Estados da Nação andam por baixo.
Parece que só o novo Governo os alegra.
É pouco, meus amigos. Mas fico feliz por vós também.
P.S. Já viram as últimas sobre o Programa de Governo? Parece que é "tão concreto" como o programa eleitoral. Ou seja, que é igual ao dito.
Não é curioso como as legislaturas mudam mas os processos são os mesmos? Curioso mundo, este.
Parece que só o novo Governo os alegra.
É pouco, meus amigos. Mas fico feliz por vós também.
P.S. Já viram as últimas sobre o Programa de Governo? Parece que é "tão concreto" como o programa eleitoral. Ou seja, que é igual ao dito.
Não é curioso como as legislaturas mudam mas os processos são os mesmos? Curioso mundo, este.
Spring time
O país que me desculpe, mas esta vaga de calor é uma maravilha.
Bem sei que a seca afecta todos, que anda muita gente preocupada, mas digam lá com sinceridade: não é linda a Primavera?
Desejos de bom dia,
Bem sei que a seca afecta todos, que anda muita gente preocupada, mas digam lá com sinceridade: não é linda a Primavera?
Desejos de bom dia,
16 março 2005
A Política da Terra Queimada ou a Birra do Pedro
Pedro Santana Lopes (PSL) parece o Exército Vermelho na IIª Guerra Mundial.... antes de sair das povoações queima tudo à sua volta de forma a que o invasor não tenha mantimentos para se abastecer. PSL deu cabo, a nível nacional, da direita voltar ao poder nos próximos 8 anos. PSL vai dar cabo da possibilidade de a direita voltar à presidência da CML nos próximos 8 anos. PSL parece um miúdo: "não é meu não é de mais ninguém"
Acho que poderíamos chamar Lopes de "O Verdadeiro Maçarico" ou simplesmente "o Fósforo Quinas"...há incendiários a cumprir pena em Vale de Judeus que não queimaram tanto como ele.
Acho que poderíamos chamar Lopes de "O Verdadeiro Maçarico" ou simplesmente "o Fósforo Quinas"...há incendiários a cumprir pena em Vale de Judeus que não queimaram tanto como ele.
Bom e mau tempo no Canil
1. O M.S., do Mau Tempo, pensa bem. Diz, por exemplo, que Santana Lopes fez bem em voltar à Câmara e que, por isso, não percebe a histeria em torno do seu regresso.
Não só é verdade, como acrescento a reacção geral, não voltasse o ex-PM à Câmara. Qualquer coisa assim: "Lá está ele! Nunca termina o que começou".
Embora isso não explique o tempo e a forma como o fez.
2. O mesmo M.S. analisa bem um mau sinal do Governo: a insistência silenciosa sobre o suposto aumento de impostos. Não só é errado, diz o M.S., como mostra uma insistência particular em não alterar o que tem que ser alterado dentro do próprio estado. Seria de louvar o aumento de impostos, fosse a receita o problema. Não é. É a despesa.
3. O que o M.S. interpreta menos bem, julgo eu, são as palavras de Vítor Constâncio. Caro Mau Tempo: o que o governador fez foi um aviso sério aos senhores que nos governam: não inventem, porque não há dinheiro. Ou seja, ponham lá as portagens, s.f.f.
E isso é bem diferente e muito mais responsável.
Abraços do Insubmisso,
Não só é verdade, como acrescento a reacção geral, não voltasse o ex-PM à Câmara. Qualquer coisa assim: "Lá está ele! Nunca termina o que começou".
Embora isso não explique o tempo e a forma como o fez.
2. O mesmo M.S. analisa bem um mau sinal do Governo: a insistência silenciosa sobre o suposto aumento de impostos. Não só é errado, diz o M.S., como mostra uma insistência particular em não alterar o que tem que ser alterado dentro do próprio estado. Seria de louvar o aumento de impostos, fosse a receita o problema. Não é. É a despesa.
3. O que o M.S. interpreta menos bem, julgo eu, são as palavras de Vítor Constâncio. Caro Mau Tempo: o que o governador fez foi um aviso sério aos senhores que nos governam: não inventem, porque não há dinheiro. Ou seja, ponham lá as portagens, s.f.f.
E isso é bem diferente e muito mais responsável.
Abraços do Insubmisso,
O Clan Avillez quer refundar a Direita
Há muito tempo tempo que não recortava nada dos jornais e da televisão.
Recortei 1 artigo de Jaime Nogueira Pinto no Expresso (com continuação prometida para o próximo fim-de-semana); a entrevista de Maria José Nogueira Pinto ao Público/Renascença (com perguntas do lado Renascença muito bem pensadas) com transcrição no Público de 2ªfeira; a entrevista de Rogeiro dada a Maria João Avillez (desta vez sobre a Direita...embora, confesse, estivesse à espera de uma incursão sobre os contornos autofágicos da atitude predatória do bacilo de Koch, tema que, como sabeis, é um, dos muitos, que Rogeiro domina).
Todos estes apontamentos têm 1 coisa em comum: uma deliberada intenção do clan Avillez de refundar a Direita Portuguesa.
Meritória vontade. Pobre resultado, para já. A salientar de positivo algumas ideias de Maria José Nogueira Pinto. Desilusão quanto ao texto de Jaime Nogueira Pinto. Rogeiro encarreirou também pela mediania, embora extremamente inteligente. Rogeiro sofre dos males da retórica pós-moderna...é espasmódico. Pena.
Este tempo todo que me invade e que me permite recortar estas coisas e ler outras, permite-me efectuar estes "remarkes" e pensar que o percurso que tem de ser efectuado pela direita portuguesa nos próximos anos foi aquele que foi efectuado pela direita francesa nos anos 70. Com uma pequena diferença. É que em França eles tinham Raymond Aron e Revel e outros que tais e nós cá temos... o que temos.
A propósito, do baú tirei "Mémoires" do Raymond Aron e "Le rejet de l'etat" de J.-F. Revel. Prazeres e delícias que me fazem sonhar. Outra "coisa" que retirei do baú foi "Uma solução para Portugal" de Diogo Freitas do Amaral...na altura (198...) este homem era de direita.
Recortei 1 artigo de Jaime Nogueira Pinto no Expresso (com continuação prometida para o próximo fim-de-semana); a entrevista de Maria José Nogueira Pinto ao Público/Renascença (com perguntas do lado Renascença muito bem pensadas) com transcrição no Público de 2ªfeira; a entrevista de Rogeiro dada a Maria João Avillez (desta vez sobre a Direita...embora, confesse, estivesse à espera de uma incursão sobre os contornos autofágicos da atitude predatória do bacilo de Koch, tema que, como sabeis, é um, dos muitos, que Rogeiro domina).
Todos estes apontamentos têm 1 coisa em comum: uma deliberada intenção do clan Avillez de refundar a Direita Portuguesa.
Meritória vontade. Pobre resultado, para já. A salientar de positivo algumas ideias de Maria José Nogueira Pinto. Desilusão quanto ao texto de Jaime Nogueira Pinto. Rogeiro encarreirou também pela mediania, embora extremamente inteligente. Rogeiro sofre dos males da retórica pós-moderna...é espasmódico. Pena.
Este tempo todo que me invade e que me permite recortar estas coisas e ler outras, permite-me efectuar estes "remarkes" e pensar que o percurso que tem de ser efectuado pela direita portuguesa nos próximos anos foi aquele que foi efectuado pela direita francesa nos anos 70. Com uma pequena diferença. É que em França eles tinham Raymond Aron e Revel e outros que tais e nós cá temos... o que temos.
A propósito, do baú tirei "Mémoires" do Raymond Aron e "Le rejet de l'etat" de J.-F. Revel. Prazeres e delícias que me fazem sonhar. Outra "coisa" que retirei do baú foi "Uma solução para Portugal" de Diogo Freitas do Amaral...na altura (198...) este homem era de direita.
15 março 2005
Água para que te quero!
Ontem foi noticiado que cerca de metade da água consumida em Portugal (quer no âmbito doméstico e industrial, quer no agrícola) é desperdiçada ou perdida no seu percurso até ao consumidor! Falhas ou fracturas no complexo e irracional sistema de condutas assim como bocas-de-incêndio mal vedadas ou simplesmente destruídas foram dadas como as principais razões no que diz respeito ao desperdício de água no circuito doméstico e industrial. Sistemas obsoletos ou rudimentares e pouco eficazes no caso do consumo agrícola.
Cumprindo a velha e incontornável tradição lusitana, obviamente que se aguardou por um ano de seca, quando já é tarde demais, para se fazer o estudo que conduziu às conclusões acima mencionadas. Acho que numa era em que a ecologia, a racionalização e a luta contra o desperdício (em especial da água) estão em voga, mais uma vez conseguimos surpreender o mundo, descontraidamente, com estas noticias brilhantes, contrariando calmamente o esforço que os nossos vizinhos europeus fazem para obter resultados positivos nestas áreas.
Mais giro ainda é a forma como se nota que naturalmente um pais rico em todos os sentidos, como o nosso, ignore esta noticia, como se a ninguém dissesse respeito. Provavelmente não terá qualquer espécie de impacto politico e como não mete ao barulho qualquer figura publica de relevo, é óbvio que a coisa das farmácias ou as eleições de um partido em crise terão sem dúvida muito mais interesse tanto para o jornalismo como para a sociedade em geral. Em termos políticos nem sequer estou à espera que este venha a ser um tema relevante.
O facto é meus amigos, que sem aguinha a malta não vive, não toma banho nem cozinha. Mas o que é lá isso comparado com todas as coisas bem mais importantes que se vão passando neste país e que tanto deslumbram as inteligências polidas e brilhantes daqueles que se dedicam a causas maiores como a política dentro da política e outras que em termos humanos (no sentido de máquina biológica) pouco ou nada contribuem para o nosso verdadeiro bem-estar e qualidade de vida! Talvez apenas uns quantos brejeiros como eu tenham sido tocados pela notícia da água. Mas de água preciso eu para viver, do resto logo se vê!
Lembrem-se só disto: Da próxima vez que encherem um copo de água numa torneira ou tomarem um duche, uma quantidade equivalente do precioso líquido terá sido completamente desperdiçada formando uma nova poça ou buraco algures pelo país. Dá que pensar.
Anarcatólico
Cumprindo a velha e incontornável tradição lusitana, obviamente que se aguardou por um ano de seca, quando já é tarde demais, para se fazer o estudo que conduziu às conclusões acima mencionadas. Acho que numa era em que a ecologia, a racionalização e a luta contra o desperdício (em especial da água) estão em voga, mais uma vez conseguimos surpreender o mundo, descontraidamente, com estas noticias brilhantes, contrariando calmamente o esforço que os nossos vizinhos europeus fazem para obter resultados positivos nestas áreas.
Mais giro ainda é a forma como se nota que naturalmente um pais rico em todos os sentidos, como o nosso, ignore esta noticia, como se a ninguém dissesse respeito. Provavelmente não terá qualquer espécie de impacto politico e como não mete ao barulho qualquer figura publica de relevo, é óbvio que a coisa das farmácias ou as eleições de um partido em crise terão sem dúvida muito mais interesse tanto para o jornalismo como para a sociedade em geral. Em termos políticos nem sequer estou à espera que este venha a ser um tema relevante.
O facto é meus amigos, que sem aguinha a malta não vive, não toma banho nem cozinha. Mas o que é lá isso comparado com todas as coisas bem mais importantes que se vão passando neste país e que tanto deslumbram as inteligências polidas e brilhantes daqueles que se dedicam a causas maiores como a política dentro da política e outras que em termos humanos (no sentido de máquina biológica) pouco ou nada contribuem para o nosso verdadeiro bem-estar e qualidade de vida! Talvez apenas uns quantos brejeiros como eu tenham sido tocados pela notícia da água. Mas de água preciso eu para viver, do resto logo se vê!
Lembrem-se só disto: Da próxima vez que encherem um copo de água numa torneira ou tomarem um duche, uma quantidade equivalente do precioso líquido terá sido completamente desperdiçada formando uma nova poça ou buraco algures pelo país. Dá que pensar.
Anarcatólico
14 março 2005
A culpa morre solteira?
A venda dos medicamentos que dispensam receita médica em qualquer estabelecimento e não apenas nas farmácias parece-me, à primeira vista, uma decisão acertada. Mas confesso que não compreendi porque é que José Sócrates escolheu este sector como exemplo do que pretende mudar nem porque o fez no discurso da tomada de posse, no meio de referências à necessidade de finanças públicas sãs, de compromisso no combate à pobreza ou da prioridade que é a aposta na educação.
Disse o PM que entre os objectivos imediatos do Governo está a resolução “de estrangulamentos que impedem que o interesse geral se imponha aos interesses particulares e corporativos que não servem a maioria dos portugueses”. Por isso mesmo, muitos outros exemplos podiam ter sido apontados por Sócrates. Em matéria de concorrência, sectores como as telecomunicações, a energia ou os notários são paradigmáticos. Não que as farmácias estejam excluídas na lista, mas não se entende porque é que só elas mereceram referência na tomada de posse quando, nas telecomunicações por exemplo, não faltam queixas sobre práticas de dumping, os preços chegam a ser 40 por cento acima dos praticados noutros países e a PT é proprietária da rede fixa e do cabo, algo que não existe em nenhum Estado europeu. Terá Sócrates encontrado os bodes expiatórios?
Disse o PM que entre os objectivos imediatos do Governo está a resolução “de estrangulamentos que impedem que o interesse geral se imponha aos interesses particulares e corporativos que não servem a maioria dos portugueses”. Por isso mesmo, muitos outros exemplos podiam ter sido apontados por Sócrates. Em matéria de concorrência, sectores como as telecomunicações, a energia ou os notários são paradigmáticos. Não que as farmácias estejam excluídas na lista, mas não se entende porque é que só elas mereceram referência na tomada de posse quando, nas telecomunicações por exemplo, não faltam queixas sobre práticas de dumping, os preços chegam a ser 40 por cento acima dos praticados noutros países e a PT é proprietária da rede fixa e do cabo, algo que não existe em nenhum Estado europeu. Terá Sócrates encontrado os bodes expiatórios?
13 março 2005
Falta de vergonha I
Na mesma peça do "Público" em que as farmácias e os farmacêuticos criticam a intenção de José Sócrates, aparece um especialista em direitos do consumidor e professor universitário - assim é apresentado pelo jornal - chamado Beja Santos, também ele crítico de Sócrates, que faz a seguinte declaração:
"Agora percebo que os hipermercados foram os grandes financiadores da campanha do PS e que já estão a exigir a factura"
Será que isto é uma ameaça da ANF e/ou da OF?
Os próximos tempos podem ser muito interessantes.
"Agora percebo que os hipermercados foram os grandes financiadores da campanha do PS e que já estão a exigir a factura"
Será que isto é uma ameaça da ANF e/ou da OF?
Os próximos tempos podem ser muito interessantes.
Falta de vergonha
As farmácias são dos melhores negócios existentes em Portugal. É certo que o Estado não paga a tempo e horas, mas as margens de lucros dos fármacos excedem em larga medida os prejuízos causados pelos atrasos. A Associação Nacional de Farmácias (ANF), com a ajuda da Ordem dos Farmacêuticos (OF), existe para fazer com que o negócio seja o mais lucrativo possível. Os interesses dos consumidores, ao contrário do que a ANF jura, não fazem parte das preocupações dos farmacêuticos.
As reacções da ANF e da OF à intenção de José Sócrates em acabar com o exclusivo das farmácias na venda de medicamentos que não necessitem de receita médica são reveladoras duma desonestidade intelectual a toda a prova. Eis os argumentos rasteirinhos:
1 - Comunicado da ANF: "Todos os estudos internacionais demonstram que os medicamentos devem ser apenas dispensados em locais que garantam a máxima confiança e sob aconselhamento directo dos farmacêuticos"
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, por exemplo, a venda do tipo de medicamentos em causa está autorizada em hipermercados, supermercados, lojas de coveniência, etc. Nesses locais existem farmacêuticos que aconselham os consumidores. Os tais estudos "internacionais" devem ter sido feito em Portugal.
2 - Comunicado da ANF: "É no mínimo surpreendente a prioridade atribuída à medida" que "nunca foi reclamada pelos portugueses, em particular pelos doentes". A ANF deve viver noutro planeta. Todos os portugueses que, por causa de uma simples gripe, comprem numa farmácia um caixa de benuron, outra de cêgripe, um xarope e uma caixa de pastilhas para a tosse reclamam, e não é pouco, os mais de 20 euros que têm de pagar. É certo que os supermercados baixarão os preços, mas, enfim, já dizia alguém: "é a vida". Ou como diria outro mais recentemente: "habituem-se!".
3 - António Marques da Costa da Ordem dos Farmacêuticos: "Há estudos que evidenciam o desenvolvimento de doenças crónicas, sobretudo, hepáticas por uso excessivo de certos medicamentos". É pena que a unidose, que permitiria reduzir o consumo de medicamentos, não mereça o apoio público e empenhado dos farmacêuticos...
Espero sinceramente que a próxima medida na Saúde seja a aplicação da unidose.
José Sócrates começou bem.
Impressões e expectativas
Concretizada a tomada de posse dos ministros do XVII Governo Constitucional é altura de emitir as primeiras impressões e expectativas sobre o elenco executivo.
1. À primeira vista, salta o corte geracional – sem que isso represente propriamente uma renovação – que José Sócrates decidiu fazer. Homens fortes do guterrismo como Jorge Coelho e António Vitorino, além do caso especial de Jaime Gama, ficam de fora. Só Gama mantém alguma influência. É uma página que se vira no PS.
Este Governo espelha bem a aliança José Sócrates/António Costa. O ex-eurodeputado consegue espalhar vários homens da sua confiança por diferentes Ministérios, com destaque para a Justiça, mas, mais importante do que isso, consegue pastas que lhe dão real e influente poder político: polícias, bombeiros, protecção civil, autarquias, segurança rodoviária, reforma administrativa e descentralização. Existe ainda a possibilidade de Costa de ficar com a tutela da Polícia Judiciária e, por delegação de poderes do primeiro-ministro, com os serviços de informações.
Não sei se a aliança Sócrates/Costa durará quatro anos. Parece-me que não.
2. A qualidade técnica e política do conjunto dos ministros é equilibrado. Atlantistas (Luís Amado), federalistas (Freitas do Amaral), liberalizadores (Correia de Campos) liberais (Campos e Cunha e Manuel Pinho), estatistas e esquerdistas (Vieira da Silva, Mário Lino e Santos Silva) e tecnocratas (Nunes Correia, Jaime Silva, Lurdes Rodrigues, Mariano Gago). A mão-de-ferro com que o animal feroz Sócrates coordenará a sua equipa vai obrigá-los a uma coexistência pacífica. Veremos se todos obedecerão. Só depois de começarem a decidir (ou não) é que se pode fazer juízos de valor.
3. A maior parte dos ministros não tiveram autonomia para formarem as suas equipas de secretários de Estado a seu gosto, logo não podem ser responsabilizados pelos maus resultados. Nalguns casos José Sócrates cedeu a interesses partidários. Noutros colocou homens e mulheres da sua confiança para "controlarem" políticamente o ministro. Manuel Pinho é o caso mais flagrante. Não escolheu um único secretário de Estado dos três que vão trabalhar consigo.
4. A duas primeiras medidas de José Sócrates revelam bom senso e determinação. Com duas eleições nos restantes 9 meses, juntar as autárquicas com o referendo europeu parece-me razoável. Atacar o lobbie da Associação Nacional de Farmácias logo na tomada de posse merece o maior elogio. Permitir a venda de medicamentos que não necessitem de receita médica noutros estabelecimentos que não as farmácias é uma medida que de facto – como o próprio Sócrates disse – defende os interesses dos consumidores. As reacções inacreditáveis – pela desonestidade intelectual revelada – das farmácias e dos farmacêuticos revela que Sócrates está no bom caminho. Esperemos que a determinação continue.
4. Desejo, sinceramente, as melhores felicidades a este Governo. José Sócrates não é propriamente um personagem simpático, mas de gajos porreiros está o país cheio. Não é a sua simpatia que me interessa, mas sim a sua competência para gerir os destinos de Portugal. Sócrates tem todas as condições – políticas e pessoais – para vir a ser um bom primeiro-ministro. Terá quatro anos para provar que mereceu a confiança que os portugueses depositaram em si. Veremos se corresponderá.
1. À primeira vista, salta o corte geracional – sem que isso represente propriamente uma renovação – que José Sócrates decidiu fazer. Homens fortes do guterrismo como Jorge Coelho e António Vitorino, além do caso especial de Jaime Gama, ficam de fora. Só Gama mantém alguma influência. É uma página que se vira no PS.
Este Governo espelha bem a aliança José Sócrates/António Costa. O ex-eurodeputado consegue espalhar vários homens da sua confiança por diferentes Ministérios, com destaque para a Justiça, mas, mais importante do que isso, consegue pastas que lhe dão real e influente poder político: polícias, bombeiros, protecção civil, autarquias, segurança rodoviária, reforma administrativa e descentralização. Existe ainda a possibilidade de Costa de ficar com a tutela da Polícia Judiciária e, por delegação de poderes do primeiro-ministro, com os serviços de informações.
Não sei se a aliança Sócrates/Costa durará quatro anos. Parece-me que não.
2. A qualidade técnica e política do conjunto dos ministros é equilibrado. Atlantistas (Luís Amado), federalistas (Freitas do Amaral), liberalizadores (Correia de Campos) liberais (Campos e Cunha e Manuel Pinho), estatistas e esquerdistas (Vieira da Silva, Mário Lino e Santos Silva) e tecnocratas (Nunes Correia, Jaime Silva, Lurdes Rodrigues, Mariano Gago). A mão-de-ferro com que o animal feroz Sócrates coordenará a sua equipa vai obrigá-los a uma coexistência pacífica. Veremos se todos obedecerão. Só depois de começarem a decidir (ou não) é que se pode fazer juízos de valor.
3. A maior parte dos ministros não tiveram autonomia para formarem as suas equipas de secretários de Estado a seu gosto, logo não podem ser responsabilizados pelos maus resultados. Nalguns casos José Sócrates cedeu a interesses partidários. Noutros colocou homens e mulheres da sua confiança para "controlarem" políticamente o ministro. Manuel Pinho é o caso mais flagrante. Não escolheu um único secretário de Estado dos três que vão trabalhar consigo.
4. A duas primeiras medidas de José Sócrates revelam bom senso e determinação. Com duas eleições nos restantes 9 meses, juntar as autárquicas com o referendo europeu parece-me razoável. Atacar o lobbie da Associação Nacional de Farmácias logo na tomada de posse merece o maior elogio. Permitir a venda de medicamentos que não necessitem de receita médica noutros estabelecimentos que não as farmácias é uma medida que de facto – como o próprio Sócrates disse – defende os interesses dos consumidores. As reacções inacreditáveis – pela desonestidade intelectual revelada – das farmácias e dos farmacêuticos revela que Sócrates está no bom caminho. Esperemos que a determinação continue.
4. Desejo, sinceramente, as melhores felicidades a este Governo. José Sócrates não é propriamente um personagem simpático, mas de gajos porreiros está o país cheio. Não é a sua simpatia que me interessa, mas sim a sua competência para gerir os destinos de Portugal. Sócrates tem todas as condições – políticas e pessoais – para vir a ser um bom primeiro-ministro. Terá quatro anos para provar que mereceu a confiança que os portugueses depositaram em si. Veremos se corresponderá.
12 março 2005
O tamanho também conta
Hoje fui em trabalho ao Palácio Nacional da Ajuda assistir à tomada de posse do XVII Governo Constitucional. Mais uma vez fiquei incrédulo com a forma como os símbolos da República são tratados. No mastro do Palácio estava um pano descolorado, tipo t-shirt tamanho "S" e ligeiramente desfiado. Custa muito escolher uma bandeira de jeito para um dos melhores exemplos do nosso património?
Um repto para o senhores do IPPAR: deixem de ser tacanhos e percam os complexos pós-revolucionários. Sigam o exemplo de Carmona Rodrigues na Câmara de Lisboa e coloquem uma bandeira da qual os portugueses se possam orgulhar. É simples, barato e até ajuda a levantar a moral determinista lusitana. LR
Um repto para o senhores do IPPAR: deixem de ser tacanhos e percam os complexos pós-revolucionários. Sigam o exemplo de Carmona Rodrigues na Câmara de Lisboa e coloquem uma bandeira da qual os portugueses se possam orgulhar. É simples, barato e até ajuda a levantar a moral determinista lusitana. LR
11 março 2005
Coerência bloquista
Ana Drago deu mais uma entrevista cheia de verdades absolutas. Desta vez foi ao "Independente". Defensora intransigente do "direito à autonomia sobre o seu corpo", o metro e cinquenta humano mais irritante da esquerda portuguesa diz que "não se pode impor uma gravidez a uma mulher. É uma violência que não faz sentido". Muito bem. É uma opinião legítima.
Mas quando questionada sobre se faria um aborto caso se visse grávida de um filho que não desejava, responde desta maneira: "Sobre essas coisas nunca podemos falar. São situações que não podemos imaginar". Fantástico!
A porta-voz do Bloco de Esquerda para a questão do aborto não sabe o que faria, mas leva uma entrevista inteira a aconselhar as restantes mulheres a praticar a interrupção voluntária da gravidez caso não desejem estar grávidas. Será que o Chico Patanisca vai chegar à conclusão que Ana Drago, como Paulo Portas, não deve falar sobre aborto?
Cheira-me que não vamos saber. As divergências bloquistas são como as lutas internas do partido comunista soviético: não são noticiáveis.
O que será que o barnabé Daniel Oliveira pensa sobre a incoerência de Ana Drago? LR
Mas quando questionada sobre se faria um aborto caso se visse grávida de um filho que não desejava, responde desta maneira: "Sobre essas coisas nunca podemos falar. São situações que não podemos imaginar". Fantástico!
A porta-voz do Bloco de Esquerda para a questão do aborto não sabe o que faria, mas leva uma entrevista inteira a aconselhar as restantes mulheres a praticar a interrupção voluntária da gravidez caso não desejem estar grávidas. Será que o Chico Patanisca vai chegar à conclusão que Ana Drago, como Paulo Portas, não deve falar sobre aborto?
Cheira-me que não vamos saber. As divergências bloquistas são como as lutas internas do partido comunista soviético: não são noticiáveis.
O que será que o barnabé Daniel Oliveira pensa sobre a incoerência de Ana Drago? LR
Preocupações díspensáveis
É sempre bonito quando a esquerda se preocupa com a direita. É mesmo lindo...
O que é o Cinema Português? – Preâmbulo: Breve introdução à história do cinema – Parte I.
Para que melhor compreendam a minha motivação na busca de uma resposta para a questão de fundo que serve de título a este post (e a outros que se lhe seguirão), acho importante fundamentar o meu ponto de vista, começando por debitar alguns aspectos que me parecem essenciais da história do cinema. Esta primeira parte será sem duvida a menos interessante, mas não posso contorná-la pois resume a origem da coisa em si.
A primeira exibição pública daquilo a que hoje vulgarmente chamamos cinema, aconteceu no dia 28 de Dezembro de 1895, no Salon Indien situado na cave do Grand Café, na Boulevard des Capucines em Paris. Os autores dos pequenos filmes projectados nesse dia eram os irmãos Auguste e Louis Lumiére. Foram também os inventores do Cinematógrafo, a máquina que lhes permitia captar, revelar e projectar as imagens dos seus filmes. Eram curtas-metragens, com cerca de dois minutos cada. As mais célebres deste período inicial são: “A saída dos Operários da Fábrica Lumiére” e “A Chegada de um Comboio na Estação de Ciolat”. Pouco tempo depois, Louis Lumiére, defendia que este fenómeno não era mais do que uma moda passageira e afirmou: “O Cinema é uma invenção sem futuro”. Louis só não profetizou uma verdade absoluta com estas palavras porque mais tarde havia de aparecer um tal D. W. Griffith. Mas ainda é cedo para falar dele.
Do outro lado do Atlântico, nos States, a “concorrência” era formada por Thomas Edison e o seu assistente William Kennedy Laurie Dickson. No fundo foi Dickson quem realmente desenvolveu todo o projecto, mas Edison é que levou os louros. A dupla Edison/Dickson concebeu duas máquinas. A primeira permitia apenas a captação das imagens, o Cinetógrafo que foi apresentado em 1889. Esta câmara já filmava em película de 35mm perfurada idêntica à que se utiliza hoje em dia. Em 1893 inauguraram comercialmente (ou não estivéssemos a falar dos States) o Cinetoscópio, a segunda máquina. Esta possibilitava a projecção das imagens, visíveis apenas de forma individual (e não colectiva, como as projecções na parede dos Lumiére). Isto porque o Cinetoscópio funcionava como uma espécie de peep show, em que se espreitava por um visor. Inserindo uma moeda na ranhura do Cinetoscópio, obtiam-se em troca 17 metros (cerca de um minuto) de filme. Dai que se considere que o cinema, como hoje o conhecemos, tenha nascido pelas mãos dos Lumiére e não pelas de Edison e Dickson.
Uma curiosidade: Os temas dos Lumiére eram genericamente de carácter documental. Cenas do quotidiano passadas em décors reais, normalmente exteriores. Em contra-ponto, Dickson filmava exclusivamente fechado no seu laboratório, o primeiro estúdio da história do cinema. Chamava-se Black Maria e era um barracão de madeira com o interior forrado a alcatrão. A Black Maria tinha uma particularidade notável. Para dar o máximo aproveitamento à grande clarabóia inclinada, que servia para iluminar o interior, rodava de modo a acompanhar o movimento do sol, maximizando o número de horas de luz necessária para filmar. Assim é curioso constatar como desde o seu nascimento o cinema trazia, acidentalmente ou não, marcada a sina do seu desenvolvimento conceptual. Uma Europa de décors reais e a América dos estúdios (sem que algum dos casos seja absoluto).
Anarcatólico
A primeira exibição pública daquilo a que hoje vulgarmente chamamos cinema, aconteceu no dia 28 de Dezembro de 1895, no Salon Indien situado na cave do Grand Café, na Boulevard des Capucines em Paris. Os autores dos pequenos filmes projectados nesse dia eram os irmãos Auguste e Louis Lumiére. Foram também os inventores do Cinematógrafo, a máquina que lhes permitia captar, revelar e projectar as imagens dos seus filmes. Eram curtas-metragens, com cerca de dois minutos cada. As mais célebres deste período inicial são: “A saída dos Operários da Fábrica Lumiére” e “A Chegada de um Comboio na Estação de Ciolat”. Pouco tempo depois, Louis Lumiére, defendia que este fenómeno não era mais do que uma moda passageira e afirmou: “O Cinema é uma invenção sem futuro”. Louis só não profetizou uma verdade absoluta com estas palavras porque mais tarde havia de aparecer um tal D. W. Griffith. Mas ainda é cedo para falar dele.
Do outro lado do Atlântico, nos States, a “concorrência” era formada por Thomas Edison e o seu assistente William Kennedy Laurie Dickson. No fundo foi Dickson quem realmente desenvolveu todo o projecto, mas Edison é que levou os louros. A dupla Edison/Dickson concebeu duas máquinas. A primeira permitia apenas a captação das imagens, o Cinetógrafo que foi apresentado em 1889. Esta câmara já filmava em película de 35mm perfurada idêntica à que se utiliza hoje em dia. Em 1893 inauguraram comercialmente (ou não estivéssemos a falar dos States) o Cinetoscópio, a segunda máquina. Esta possibilitava a projecção das imagens, visíveis apenas de forma individual (e não colectiva, como as projecções na parede dos Lumiére). Isto porque o Cinetoscópio funcionava como uma espécie de peep show, em que se espreitava por um visor. Inserindo uma moeda na ranhura do Cinetoscópio, obtiam-se em troca 17 metros (cerca de um minuto) de filme. Dai que se considere que o cinema, como hoje o conhecemos, tenha nascido pelas mãos dos Lumiére e não pelas de Edison e Dickson.
Uma curiosidade: Os temas dos Lumiére eram genericamente de carácter documental. Cenas do quotidiano passadas em décors reais, normalmente exteriores. Em contra-ponto, Dickson filmava exclusivamente fechado no seu laboratório, o primeiro estúdio da história do cinema. Chamava-se Black Maria e era um barracão de madeira com o interior forrado a alcatrão. A Black Maria tinha uma particularidade notável. Para dar o máximo aproveitamento à grande clarabóia inclinada, que servia para iluminar o interior, rodava de modo a acompanhar o movimento do sol, maximizando o número de horas de luz necessária para filmar. Assim é curioso constatar como desde o seu nascimento o cinema trazia, acidentalmente ou não, marcada a sina do seu desenvolvimento conceptual. Uma Europa de décors reais e a América dos estúdios (sem que algum dos casos seja absoluto).
Anarcatólico
10 março 2005
As Farpas I
Será que alguém dá a ler a José Sócrates este pequeno texto da autoria de Eça de Queiroz e de Ramalho Ortigão?
“(...) Ninguém se aproximava deles; causavam imensa impressão nos moços de fretes. Por fim, pouco a pouco, alguns jornalistas mais curiosos foram-se chegando e começaram a tocar-lhes com o dedo, a ver se eram de pau. Percebeu-se mesmo que falavam. Enfim os mais audaciosos fizeram-lhes perguntas.
- Senhores, disseram-lhes, espalhou-se por aí que vinham restaurar o país. Ora devem saber que um partido possui uma missão de reconstituição - deve ter um sistema, uma ideia, um princípio que domine toda a vida social, estado, moral, educação, trabalho, factos jurídicos, factos económicos, literatura, etc. Assim, por exemplo a questão religiosa é complicada, qual é o seu princípio para nesta questão?
- Economias! Disse com voz pessada o partido reformista.
Espanto geral.
- Bem! e em moral?
- Economias! bradou
- Viva! e em educação
- Economias! roncou.
- Safa! E nas questões de trabalho?
- Economias! mugiu
- Apre! E em questões de jusrisprudência?
- Economias! rugiu
- Santo Deus! E em questões de literatura, de arte?
- Economias! uivou
Estavam todos aterrados. Aquilo não dizia mais nada. Fizeram-se novas expectactivas. Perguntaram-lhe:
- Que horas são?
- Economias! roquejou
Todo o mundo tinha os cabelos em pé. Fez-se nova tentativa.
- De quem gosta mais, do papá ou da mamã?
- Economias! bravejou
Um suor frio humedecia todas as camisas. Examinaram-no de frente, de perfil, de três quartos. Perguntaram-lhe a tabuada, o catecismo:
-Economias! Respondia
Uma coisa tão inexplicável só podia ser um partido político. Era com efeito. Não tinha ideias, tinha aprendido aquela palavra, repetia-a sempre, a todo o propósito, maquinalmente. Era o papagaio do constitucionalismo.
Papagaio... quando está na oposição: então repete a sua palavra – economias! Sempre grulhando, gritando, casquejando, espanejando-se ao sol. Mas mal chega ao governo, emudece: faz-se sorumbático, grave, pesado, calado, mono, inútil: é a arara dos poderes públicos!”.
“(...) Ninguém se aproximava deles; causavam imensa impressão nos moços de fretes. Por fim, pouco a pouco, alguns jornalistas mais curiosos foram-se chegando e começaram a tocar-lhes com o dedo, a ver se eram de pau. Percebeu-se mesmo que falavam. Enfim os mais audaciosos fizeram-lhes perguntas.
- Senhores, disseram-lhes, espalhou-se por aí que vinham restaurar o país. Ora devem saber que um partido possui uma missão de reconstituição - deve ter um sistema, uma ideia, um princípio que domine toda a vida social, estado, moral, educação, trabalho, factos jurídicos, factos económicos, literatura, etc. Assim, por exemplo a questão religiosa é complicada, qual é o seu princípio para nesta questão?
- Economias! Disse com voz pessada o partido reformista.
Espanto geral.
- Bem! e em moral?
- Economias! bradou
- Viva! e em educação
- Economias! roncou.
- Safa! E nas questões de trabalho?
- Economias! mugiu
- Apre! E em questões de jusrisprudência?
- Economias! rugiu
- Santo Deus! E em questões de literatura, de arte?
- Economias! uivou
Estavam todos aterrados. Aquilo não dizia mais nada. Fizeram-se novas expectactivas. Perguntaram-lhe:
- Que horas são?
- Economias! roquejou
Todo o mundo tinha os cabelos em pé. Fez-se nova tentativa.
- De quem gosta mais, do papá ou da mamã?
- Economias! bravejou
Um suor frio humedecia todas as camisas. Examinaram-no de frente, de perfil, de três quartos. Perguntaram-lhe a tabuada, o catecismo:
-Economias! Respondia
Uma coisa tão inexplicável só podia ser um partido político. Era com efeito. Não tinha ideias, tinha aprendido aquela palavra, repetia-a sempre, a todo o propósito, maquinalmente. Era o papagaio do constitucionalismo.
Papagaio... quando está na oposição: então repete a sua palavra – economias! Sempre grulhando, gritando, casquejando, espanejando-se ao sol. Mas mal chega ao governo, emudece: faz-se sorumbático, grave, pesado, calado, mono, inútil: é a arara dos poderes públicos!”.
09 março 2005
08 março 2005
As Farpas
(Para demonstrar que Portugal não mudou assim tanto depois de três revoluções e passados pouco menos de 134 anos, nada como ler ou reler "As Farpas" de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão)
"Quando a opinião, tão geral, diz que um país está perdido dentro de um sistema, coloca-se por essa mesma confissão fora do sistema e deseja, por uma propaganda nova, uma restauração social.
Sejamos lógicos. As Farpas não são o legitimismo, nem a República, nem o constitucionalismo, nem o sebastianismo. Desejam simplesmente ser a lógica e ser o bom senso"
Assim veremos nos próximos dias. LR
"Quando a opinião, tão geral, diz que um país está perdido dentro de um sistema, coloca-se por essa mesma confissão fora do sistema e deseja, por uma propaganda nova, uma restauração social.
Sejamos lógicos. As Farpas não são o legitimismo, nem a República, nem o constitucionalismo, nem o sebastianismo. Desejam simplesmente ser a lógica e ser o bom senso"
Assim veremos nos próximos dias. LR
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