14 julho 2005

Já agora: Isto é o ministro ou o Freitas?

Leiam, que merece a pena:

"
Freitas do Amaral defende mudança dos estatutos do BCE e do PEC

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, defendeu hoje que só uma mudança dos estatutos do Banco Central Europeu e das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento pode pôr fim à crise sócio-económica na União Europeia. Freitas do Amaral falava aos jornalistas após um encontro em Washington com a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que quis ouvir a sua opinião sobre a actual crise europeia.
Segundo o ministro, a crise, que sublinhou ser de natureza sócio-económica e não política, deve-se à redução dos instrumentos políticos à disposição dos governos nacionais para fazer face à recessão, uma vez que estão limitados à política orçamental. "Os governos perderam vários instrumentos de combate às crises, nomeadamente a política monetária, cambial e das taxas de juro", afirmou.
Para Freitas do Amaral, é fundamental alterar os estatutos do Banco Central Europeu (BCE) para que, à semelhança do que acontece com a Reserva Federal Norte-americana, possa acrescentar-se ao objectivo de estabilização dos preços o da promoção do desenvolvimento sustentável.
Depois disso, "pode-se criar novas políticas de curto prazo que permitam o crescimento e a criação de emprego", disse. Questionado sobre se vai ser este o teor da exposição que vai fazer sexta-feira no Conselho de Estado, Freitas do Amaral respondeu: "Isto é só um aperitivo. Vou também dizer outras coisas que não lhe
posso dizer ainda".
"

Nota de rodapé: se esses instrumentos estivessem ainda nos estados imaginem só o estado da Europa hoje.

Previsão futebolística

Saiu o calendário da nova época de futebol.

O Sporting começa assim: perde com o Belensenses (em casa), perde fora com o Marítimo, de novo em casa com o Benfica e, finalmente, fora com o Nacional.
À quarta derrota, Peseiro será despedido e a direcção demitida. E à quinta o Sporting vence o Nacional da Madeira, em casa. A partir daí, ninguém nos agarra.

Viagem com retorno


Numa maré de estreias na zona livre de blogs lusitanos, também a BB se relança num projecto, desta vez a quatro mãos. No Insubmisso espera-se que esta 'viagem' tenha retorno. Porque ela nos faz falta no mundo real.

Uma boleia às direitas


Há por aí uma benfiquista perigosa que resolveu entrar na zona livre de blogs. Como é absolutamente fanática, resolveu chamar-se Táxi - como o tipo dos bigodes que escreve umas coisas para a Bola. Mas, cá para nós, esta miúda vai longe. No táxi...ou não.

Que te divirtas por aqui, RT.

Há dois séculos no mesmo sítio


França regressa hoje à Bastilha, comemorando uma das páginas mais dramáticas da história mundial;
Ontem mesmo, Chirac resolveu fechar fronteiras, em reacção aos atentados de Londres;
Ainda ontem, Sarkozi acusou Inglaterra de ter libertado, em 2004, alguns dos suspeitos do 7/07;
Já hoje, a Focus alemã cita uma fonte dos serviços secretos franceses acusando Blair de ter recebido - e desvalorizado - uma ameaça de Ben Laden a Londres apenas há dois meses.

Mais de dois séculos depois, a França está como estava. A Bastilha continua.

13 julho 2005

Whole new world




Ok. Não faço ideia nenhuma de que foto é esta. Estou só a testar, ok? It's a whole new world outhere!

Até já

12 julho 2005

Brasil em directo

O Xico está "em cima" do acontecimento da semana: o caso mensalão, com supostas ligações ao BES, em Portugal. Merece a atenção e o elogio.

Crescimento zero

Vítor Constâncio anunciou a revisão em baixa do crescimento económico. 0,5% é a nova previsão para este ano. Pouco mais que nada. Quanto a 2006, o mesmo, pouco melhor.

É aqui que está o maior/único problema da estratégia de José Sócrates. Como Durão, o actual primeiro-ministro acredita que ao final de quatro anos as coisas vão andar melhor. Mas não vão. Significa isso que os socialistas, quando o perceberem, vão entrar num faz-tudo para ganhar eleições. Risco: deitar fora em meses o que se tenta fazer, a custo, durante uns anitos. A ser assim, seria mais uma legislatura perdida -esta com a enorme diferença de uma maioria absoluta.

Conselhos? Deixem lá as eleições e apontem para as páginas dos livros de história. É, não é? Pois...

11 julho 2005

Biblioteca I

Ando a tentar recuperar algum tempo perdido na minha (curta) biblioteca, de onde tirei uma curiosidade muito contemporânea:

"The end of faith - on religion, terror and the future of reason", de Sam Harris, é uma leitura interessante, para quem se interesse sobre os problemas da fé nos dias que correm, mais ainda após os dramáticos acontecimentos em Londres, na última semana.

Devo dizer-vos que não sou fã da tese racionalista, para a qual qualquer acto de fé é um atentado à civilização e um perigo para a humanidade. Mas a tese de Harris - que passa muito por aí - não deve deixar de ser lida e pensada. Quanto mais não seja para racionalizarmos um pouco sobre o destino trágico de algum racionalismo utilitário.

10 julho 2005

Deu sim: dois a dois

O Luxemburgo votou sim à Constituição Europeia, apesar de tudo, apesar de uma pausa decretada nas consultas populares. E o Milhafre? Perdeu o pio?

O local

Só para dar um belo exemplo daquilo que eu dizia ontem:
O Público tem hoje um trabalho muito bem feito sobre a poluição na região de Lisboa e Vale do Tejo. Está muito completo, com vários indicadores, soluções possíveis (com custos e efeitos) as opiniões dos candidatos, tudo. Ah! Um pormenor: está no Local e não teve direito a uma única chamada de primeira página.

Já na Política, temos duas páginas a propósito do ano que passou sobre da morte de Maria de Lurdes Pintassilgo. Essa sim, com chamada de primeira.

Desculpem lá ser desagradável, mas há qualquer coisa aqui que não faz sentido, certo?

09 julho 2005

Guerra psicológica

O centro da cidade de Birbingham está a ser evacuado neste momento, segundo a BBC. O maior perigo do terrorismo não está nas explosões, mas na nossa cabeça - e é esse o grande trunfo dos que odeiam as sociedades abertas. Hoje como ontem.

A guerra, esta guerra, ainda mal começou.

Coisas óbvias

A blogosfera tem destas coisas: basta olharmos para o vazio do Barnabé para percebermos que as palavras escritas são bem mais difíceis de digerir do que as ditas - essas, o vento leva-as rapidamente. Coisas dessas já aconteceram por aqui, já tinham acontecido por outros spots, entre amigos ou desconhecidos.

Acontece que ontem o Francisco escreveu umas linhas sobre o Público destes dias. Nada que não seja dito por todo o lado, nada que não seja partilhado por muitos jornalistas que ontem, antes de ontem e desde há anos admiram o Público, compram o Público, devoram o Público. O Francisco disse o que eu próprio já disse por aqui. Logo, logo, o Nuno reagiu. A quente, estou seguro, defendendo a sua dama - coisas que acontecem. Pois o Francisco contra-reagiu, explicando ponto a ponto porque tem pena que o Público, o nosso jornal, não lhe encha as medidas - como acontece comigo.

Tudo isto para dizer que o Francisco tem razão. Podia mesmo ter passado a tarde a explicar porquê, recolhendo alguns dados dos últimos meses. Ao caso, nem merece a pena.Quem gosta do Público, como nós, sabe bem do que falamos. Quem compra o Público, como nós, desde que ele nasceu, não precisa de uma recolha de dados. Só que o Público, o próprio Público, perceba isto: que precisamos do nosso jornal de volta. Por favor, sim?

07 julho 2005

Terrorismo

Atentados em Londres. Blair chocado. A Europa volta ao estado de alerta máximo. Tinha várias coisas para escrever, atrasadas. Não vale a pena. Hoje, que estreia em Portugal a Guerra dos Mundos, o Ocidente volta a estar em luto. É guerra, queiram ou não. E pior, muito pior, do que a do filme.

29 junho 2005

O referendo ao aborto é...

...uma manobra de diversão.
...uma maneira de nos obrigar a ir às urnas três vezes em cinco meses.
...uma tentativa de aprovar uma lei sem haver tempo de discussão de um assunto importante.

Dito isto, eu não vou votar. E, já agora, votaria sim.

28 junho 2005

O Iraque, tanto tempo depois

Faz 365 dias que o Iraque recebeu o seu primeiro governo democrático em meio século. José Lamego, socialista e ex-representante português na Administração Provisória, faz um balanço interessante, no DE. Diz que foi um ano sem progressos assinaláveis, situação atribuível ao clima de insegurança que persiste naquele território - uma espécide de PREC iraquiano, na escala devida, que não impede (como não impediu por cá) que se fale numa era de democracia. Instável, sim, perigosa, claro, mas democracia.

Depois, Lamego fala da intervenção que depôs Saddam. "Uma guerra é sempre um facto terrível e a história não pode ser avaliada de um ponto de vista normativo. De qualquer modo, no Iraque não houve progressos substanciais, mas há uma progressão em toda a região, nomeadamente na Síria, no Líbano, o regresso da Líbia à comunidade internacional, que tem a ver também com o facto de ter sido exercida uma ameaça militar credível sobre um país que se comportava como um agressor sistemático relativamente a vizinhos mais fracos". Por outras palavras, Lamego diz que o Médio Oriente está mais seguro. O que, há dois anos e meio, ninguém ousaria, sequer, pensar.

27 junho 2005

Comédia semântica

O Ministro das Finanças diz que o Rectificativo não tem um erro, mas apenas uma incorrecção. Essa incorrecção, entre outras coisas, implica que - afinal - a despesa do Estado não fica acima dos 50% e que os números podem bater certo com o Programa de Estabilidade, entregue há duas semanas em Bruxelas.

Acho que encontrei uma solução para esta pequena polémica. Mudem o OR para inglês e usem uma palavra sem sinónimos: incompetence. Assim arrumam o assunto de uma vez.

Resposta simples

ao Milhafre: não, dr., não acho bem que os jornalistas batam palmas ao Juncker ou a qualquer outro político. Apesar da independência não se medir pelo silêncio, mas pelo trabalho. Está bem assim?

Repetição por motivos nada técnicos

"É muito triste nascer entre estúpidos, viver entre estúpidos, morrer entre estúpidos."

26 junho 2005

O que nos resta

Acaba o dia, depois de um jogo de ténis, um almoço à beira rio - no local do costume - uma corrida pelos blogs, os jornais de fim-de-semana, e sobra pouco ou nada. Olha-se para as televisões: a RTP dá um concurso qualquer com rapazes e raparigas sem espelhos em casa que querem ser modelos; a SIC insiste no Herman, que já enjoa; a TVI é melhor não falar. Ok. O melhor é esquecer o zapping. O pior é que me falta o livro certo. Vou procurar qualquer coisinha - sempre é melhor que a Cabo.

Rectifica o quê?

Diz o Público de hoje que o Orçamento Rectificativo (o primeiro do eng. Sócrates) aumenta o peso do Estado para níveis nunca antes atingidos. É caso para perguntar ao sr.primeiro-ministro para que servem os sacrifícios que anda a pedir. E o que raio quer ele rectificar. Resposta nos próximos dias.

Ronda pelos jornais

Depois de ler os jornais do fim-de-semana de fio a pavio, cheguei à triste conclusão que nos resta o Vasco Pulido Valente. Em homenagem, aqui fica mais uma citação (que hoje é moda por aqui):

"É muito triste nascer entre estúpidos, viver entre estúpidos, morrer entre estúpidos." O Vasco atribui a frase a Joaquim António Aguiar que, como me lembrava um amigo meu, é o tipo mais martirizado dos últimos três anos: é na rua com o seu nome, em Lisboa, que andam as obras intermináveis do Túnel do Marquês, uma malfadada ideia do dr. Santana Lopes. Ironias.

Bea

"Bea diz que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada vez mais escassos."

"Numa ocasião ouvi um cliente habitual comentar na livraria do meu pai que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, e eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo - não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descobramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos -, vamos regressar. Para mim, aquelas páginas enfeitiçadas serão sempre as que encontrei entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos."

"O homem mais sábio que alguma vez conheci tinha-me explicado numa ocasião que não existia na vida experiência comparável com a da primeira vez que se despe uma mulher. Sábio como era, não me tinha mentido, mas tão-pouco me contara toda a verdade. Nada me tinha dito daquele estranho tremelique das mãos que convertia cada botão, cada fecho-éclair,em tarefa de titãs. Nada me tinha dito daquele feitiço de pele pálida e trémula, daquele primeiro roçagar de lábios nem daquela miragem que parecia arder em cada poro da pele. Nada me contara de tudo aquilo porque sabia que o milagre só sucedia uma vez e que, ao suceder, falava uma língua de segredos que, mal se desvendavam, fugiam para sempre. Mil vezes quis recuperar aquela primeira tarde no casarão da Avenida del Tibidabo com Bea em que o rumor da chuva arrebatou o mundo. Mil vezes quis regressar e perder-me numa recordação da qual apenas consigo recuperar uma imagem roubada ao calor das chamas. (...) Tinha desassete anos e a vida nos labios".


A Sombra do Vento, (X),
Carlos Ruiz Zafón

23 junho 2005

Contestação

O grau de contestação nas ruas é um medidor excelente do grau de coragem de um Governo. Acabo de ouvir João Proença avisar José Sócrates que essa contestação vai aumentar e, de repente, lembrei-me que será a primeira vez desde o célebre Governo Soares/FMI que a esquerda tem os sindicatos nas ruas. Bom sinal, sim senhor. Um tipo so só preocupa quando ouve Santana Lopes a elogiar a "coragem" do Governo. Aí dá para desconfiar...

Leitura (quase) obrigatória

A segunda leitura. Recomendada, para não ofender o bloco pró-francês.
Um excerto da declaração de Blair, hoje no PE.


"Out of the carnage of the Second World War, political leaders had the vision to realise those days were gone. Today's world does not diminish that vision. It demonstrates its prescience. The USA is the world's only super power. But China and India in a few decades will be the world's largest economies, each of them with populations three times that of the whole of the EU. The idea of Europe, united and working together, is essential for our nations to be strong enough to keep our place in this world.

Now, almost 50 years on, we have to renew. There is no shame in that. All institutions must do it. And we can. But only if we remarry the European ideals we believe in with the modern world we live in.

If Europe defaulted to Euro scepticism, or if European nations faced with this immense challenge, decide to huddle together, hoping we can avoid globalisation, shrink away from confronting the changes around us, take refuge in the present policies of Europe as if by constantly repeating them, we would by the very act of repetition make them more relevant, then we risk failure. Failure on a grand, strategic, scale. This is not a time to accuse those who want Europe to change of betraying Europe. It is a time to recognise that only by change will Europe recover its strength, its relevance, its idealism and therefore its support amongst the people.

The issue is not about the idea of the European Union. It is about modernisation. It is about policy. It is not a debate about how to abandon Europe but how to make it do what it was set up to do: improve the lives of people. And right now, they aren't convinced. Consider this. "

Leitura obrigatória

A crítica do dia a Jorge Sampaio. Aqui.

20 junho 2005

Da democracia na Europa (II)

O Milhafre volta à carga. Defende, e com razão, que a Europa deve escolher, de uma vez por todas, para onde vai. Pelos vistos estamos os dois de acordo com Mr. Blair, coisa rara, muito rara, nesta - é verdade - já longa discussão sobre a Europa.

Mas mais, o Milhafre argumenta que o "directório" (sem o qual a UE não seria nada) não deixaria Portugal sair sem uma compensação pelo dinheiro que nos dispensou. Dois pontos sobre o assunto:

1. Será que o Milhafre já se lembrou do que a Alemanha ou a França já ganharam com a entrada (e permanência) de Portugal entre os estados-membros? Ou o Luís acha que o eixo do mal fez caridade quando aceitou a nossa adesão?

2. Será que o Milhafre sabe que o Tratado Constitucional que tanto o repugna tem incluída uma cláusula de saída da UE? Não é isso a democracia que tanto reclama, dr?

Abçs

Da democracia na Europa

[A resposta peca por tardia, mas reconheço ao Luís que tinha faltado. Aqui fica]


Se o dr. Milhafre lesse o Insubmisso, teria já compreendido que eu defendo um referendo a nível europeu (todos ao mesmo tempo) há muito.

Mas acrescento um ponto à reflexão: a aprovação da constituição deveria ser feita às regras da democracia: mais de 50% dos votos dos europeus significariam a aprovação formal da Constituição, para os 25.
Depois, quem não quer, não come. Ou seja, o país que votar 'não', quando submetido à regra da maioria do 'sim', escolherá (por referendo, se quiser) se fica ou sai da União Europeia.


Isso sim, seria democracia. Que tal, dr?

O caso dos professores

A malta da Função Pública portuguesa adora, adora mesmo, arranjar um bom pretexto para arranhar os governos. Normalmente, pelas duas razões do costume: por tudo e por nada. Desta vez são os professores, que resolveram marcar greve para os dias dos exames do 9º ano. Pura coincidência, claro está.

O método não é novo. Lembro-me de repente da greve do SEF, em pleno Euro 2004. Uma coincidência, uma vez mais.

Acho sinceramente que os governos deviam mudar de método na reacção a greves que prejudicam o interesse público. Os senhores querem fazer greve, muito bem. Agora, se não arranjam um dia que não seja chave para o interesse público, era apontar-lhes a porta da rua. Sem mas, nem meio mas. Nisto, como dizia o Paulo Baldaia no DN há tempos, ou há moralidade ou comem todos. Nem mais.

Pássaro de rapina

Há por aí por Pássaro que rejubila com a crise europeia. Foi-se a Constituição? Boa! Foram-se os fundos comunitários? Vive l'Europe! Francamente, é triste ver como um milhafre se torna uma ave de rapina. É caso para lembrar, meu caro, que não há acções sem consequências. E que há atrasos que nos podem custar muito caro. Por bonito que possa parecer aos nacionalismos serôdios.

19 junho 2005

Os socialistas e o Benfica

O eng. Sócrates, sr. primeiro-ministro, e o seu ajudante para o campo socialista , o dr. Jorge Coelho, passaram os últimos dois dias a avisar o PS que as críticas ao Governo não são aceitáveis neste contexto.

Percebe-se a preocupação. O primeiro-ministro começa agora a perceber que o seu PS não é muito diferente do PS francês: é essencialmente do contra, pelo modelo social europeu (seja lá o que isso for), pouco solidário para com as lideranças que elegeu e pelas lideranças escolhidas pelo país. Este PS, como o francês, tem humores, amuos, e mau feitio. Este PS é assim como o Benfica: nem quando tem a oportunidade de ganhar um campeonato consegue pensar mais no objcetivo do que nos meios.

Assim sendo, o que resta ao eng. Sócrates? Primeiro, acreditar que o seu Álvaro Magalhães (o dr. Coelho)consegue por ordem no balneário; segundo, seguir em frente de cabeça erguida. Que não tenha medo do tempo, porque não há nada que os ponteiros do relógio não resolvam.

Intervalo na História

O Conselho Europeu acabou como se esperava: nem Constituição, nem orçamentos. Nada de nada. De repente, é como se estivéssemos num intervalo da História.

Ou muito me engano ou vamos ter que esperar longo tempo por uma concretização do caminho europeu. Por cá, todos dizem que foi mau, mas não é assim tão dramático. Ai é mesmo. Não tarda temos o eng. Sócrates a lembrar-se que não havendo fundos, também não há plano tecnológico nenhum. Não tarda, aliás, o eng. Sócrates começará a culpar a Europa por não haver crescimento económico em Portugal. É aí que as coisas pioram.

Ou muito me engano ou isto vai mesmo correr mal.

17 junho 2005

O homem morreu, meninos

O João Pedro e o Luís andam aos tiros por causa de Álvaro Cunhal
Fazem mal. Primeiro porque os dois têm razão: Cunhal foi relevante na oposição a Salazar, foi pior que mau depois disso.
Segundo porque nenhum dos dois tem razão: Cunhal cometeu erros e não fundamental em nada (ler VPV de hoje no Público) e a direita também teve os seus nomes para a história do país, versão século XX.

Por isso, meus amigos, tanta discussão não vale a pena. O homem morreu, lembram-se?
Conclusão de uma amiga minha, em plural magestático e ironia plena: temos pena...

16 junho 2005

Pode ser que traduzam

Leiam o ensaio do Rui Ramos sobre a Europa, hoje, no suplemento do DE sobre futuro da União Europeia. A tese é que os estados não devem perguntar-se o que a Europa deve fazer por eles, mas o que eles mesmo podem fazer por eles. Pena que Chirac e Schoeder não saibam ler português. Pode ser que traduzam.

13 junho 2005

Cunhal II

Há uma coisa que me irrita solenemente: que a morte de alguém o torne um Santo, aos olhos e às vozes de quem o lembra. Se bem me lembro, quando Spínola morreu, Cunhal foi o único a dizer que a sua memória não lhe trazia nada de positivo.

Em memória de Cunhal - um homem inteligente, culto, genial, até - sigo o seu pensamento
Não partilho a saudade do país, mesmo sabendo o seu contributo para a história de Portugal. Acho que o papel positivo de Cunhal para o nosso país se ficou no dia 25 de Abril de 1974. Só. Por isso, especialmente pelo pós-revolução, Cunhal não me deixa a marca que deixará em muitos, de uma geração anterior à minha.

Já agora, e só para concluir: as pessoas respeitam-se em vida. Não depois da sua morte. Quem cumpre a primeira parte, poderá, em consciência, cumprir mais facilmente a segunda.

Por isso, pelo que foi, pelo que representou, pelo que deixa e pela história que construiu - acima do que me deixa a mim ou ao país - paz à sua alma.

Cunhal

A morte de Álvaro Cunhal lembra-me uma frase de João Paulo II, que rezava mais ou menos assim: "Se ele acreditasse em Deus era mais fácil".

O facto é que não é só a esperança que nos mantém vivos. É a história que construímos. E isso também faz a vida mais fácil.

Que Álvaro Cunhal descanse em paz.

12 junho 2005

Para onde vais, Europa?

É a pergunta da semana.
Nas últimas semanas, todas as peguntas foram possíveis:
A Constituição está, ou não, morta? O euro sobrevivirá? O modelo social europeu está em causa? Blair é, ou não, o vencedor da nova UE?

A mera existência de tantas questões prova-nos que, afinal, o 'não' serviu para alguma coisa. Aguarda-se só uma última questão: A UE sobrevivirá a esta democracia?

08 junho 2005

Coisas verdadeiramente importantes

"Não me revejo nem me identifico com as pessoas que neste
momento gerem o futebol do Sporting, quer em termos directivos, quer
técnicos", referiu Pedro Barbosa, em declarações publicadas no sítio oficial
dos "leões".

Da Lusa de hoje.

Abraços aos amigos.

30 maio 2005

Post do dia

«"O homem nasceu para viver, não para se preparar para a vida", escreveu Boris Pasternak no Dr. Jivago. Os franceses acham que NÃO. »

Obrigado, Francisco.

The question, one answer

Uma amiga minha perguntou-me hoje, com muito propósito: "És capaz de me explicar porque é que os referendos na Europa vão continuar, se a França já rejeitou?".

Anda um tipo às voltas com a treta do referendo, a fingir que é jornalista, analista, interessado, e fica feito parvo a perceber que falta olhar para o mais importante.

Então, porquê? Na verdade, porque na Europa ninguém previa nada disto. "Um veto na Irlanda, na Holanda até, dá sempre para voltar a votar", pensaram os homens da Europa. Mas em França? Um 'non'? Ninguém acreditou, essa é a verdade.

Fiquei a pensar uns minutos no assunto e voltei a uma outra pergunta, que me vai perseguindo há alguns meses: porque é que não se referendou o tratado constitucional em todos os países da UE ao mesmo tempo? Não era melhor, mais democrático, mais integrador, mais verdadeiro? Nem sequer seria um passo muito grande. Era só seguir o que já se faz nas eleições para o Parlamento Europeu.

Como os homens da Europa não se atrevem ou nem sequer pensam no assunto, agora têm dois problemas em mãos:

1. O 'não' francês (e o holandês,já na quarta-feira) podem ter efeito dominó noutros países;
2. A Europa fica guardada no congelador, em temas como o próximo QCA, a Turquia, a directiva Bolkstein, enquanto não se arranja uma solução para a Constituição.

Como se as eleições antecipadas na Alemanha não fossem já preocupação suficiente...

Perdemos nós

O ‘não’ em França foi rotundo, sonoro, destruidor. A sua primeira consequência é uma travagem a fundo na União Europeia. Alguém acredita que os chefes de Governo dos 25 consigam, daqui a duas semanas, um acordo sobre as perspectivas financeiras? A poucos meses das eleições alemãs e com Chirac muito fragilizado? Ninguém, pois claro.

Outra pergunta: a renegociação da PAC? Como fica? Depois do ‘non’, alguém crê que Chirac possa abdicar dos extravagantes benefícios franceses depois desta derrota?

E vai mais uma: a directiva Bolkestein. Depois de um chumbo associado ao anti-liberalismo, resta alguma hipótese de se avançar – mesmo que devagarinho – com a liberalização dos serviços na Europa? Zero. Nenhuma.

Ontem, ouvi Chirac dizer que a França agirá na UE em defesa dos valores representados pelo ‘non’. Temam o pior. Depois disto, se houver uma renegociação de alguma coisa na Europa, acreditem que será tudo menos bom para os pequenos. Portugal incluído.

Basta olhar para os últimos três anos para perceber porquê. Portugal violou o Pacto de Estabilidade? Avança um processo. França e Alemanha violaram o Pacto? Não tem mal, deixa para lá.

Agora digam lá sinceramente: acham que vai sobrar para quem?

Dia 'não'

Tinha escrito uma coisa, mas apaguei.
Por hoje, basta o título.

29 maio 2005

A minha tentação do 'não'

Hoje há referendo europeu em França. Hoje, muito provavelmente, os franceses vão dizer 'não' à Constituição Europeia.

Tenho para mim que é melhor que seja por lá do que por cá. Por surpreendente que possa parecer, aquele texto também não me diz muito. Sei que é um caminho correcto, no essencial, mas é tão lento, tão lento, que dá vontade de obrigar a parar para pensar.

O pior é que este 'não' vai no sentido contrário ao desejável. Será lido como o 'não' do Estado social contra o liberalismo. O que é inconcebível. E pode muito bem criar fortes problemas ao futuro de um projecto que é essencial para todos nós.

A verdade, porém, é que o 'não' seria um justo 'prémio' para Chirac. Nos últimos anos, ele e Schroeder foram os maiores responsáveis pelos grandes atrasos da construção europeia. São líderes fracos,pouco responsáveis, temerosos do fim do poder. A Europa, diga-se, não precisa deles e viveria bem melhor sem eles.

Mais, os dois, juntos, conseguiram transformar o eixo Franco-Alemão, essencial desde sempre à construção europeia, num verdadeiro eixo do mal. A velha Europa, no seu pior. Schroeder, como eleições em Setembro, dificilmente reistirá (até porque desta vez nem pode usar o Iraque como última arma da demagogia). Já Chirac, se tiver hoje um 'não', bem pode preparar-se para a ascensão rápida de Sarkozy.

Cá para nós, que ninguém nos ouve, o 'não' de hoje é uma enorme tentação. Mas algo me diz que nem assim merece o risco.

27 maio 2005

A natureza dos blogs

Nesta deriva de leituras várias, andei a fazer uma sondagem pela blogosfera. Percebi que a grande maioria dos blogs políticos andam de cabeça perdida com as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro. Ocorrem-me duas ou três perguntinhas, se não se importam:

1. Os blogs de direita viraram à esquerda?
2. Os blogs de esquerda viraram à direita?
3. E porque será que os blogs de jornalistas estão contra o Governo e os jornais onde trabalham estão a favor?


Raios mais este país. Será que quando um Governo acorda toda a gente adormece? A sorte é que vem lá mais uma vitória do Benfica, não é?

A natureza dos blogs

Quando andamos por aqui à deriva encontramos coisas muito boas.
"Mas este tipo tá parvinho?", perguntam vocês.
Não. Gosto de ler coisas bem escritas e há muito tempo não passava pelo Aviz. Aquele abraço ao Francisco.

UMA NAÇÃO DE BUFOS II

Para que não haja dúvidas, a citação de Campos e Cunha por mim utilizada é extraída de "SIC" e de "Agência Financeira"

Mundo Benfiquista

Chegou-me por e-mail...tal como tanta coisa me chega.

São 3 razões para sermos todos e não só os 7, 2 milhões que já o são, bons benfiquistas:

A RAZÃO NATURAL

A mulher dá à Luz, não dá às Antas, nem a Alvalade;


A RAZÃO BÍBLICA

Há uma passagem na bíblia que diz: “dominarei os leões e os dragões e voarei para o céu sobre as asas de uma Águia”;


A RAZÃO TEOLOGICA
Jesus Cristo encarnou, não azulou, nem esverdeou

UMA NAÇÃO DE BUFOS

"O ministro do Estado e das Finanças, Luís Campos e Cunha, confirmou em entrevista à «SIC», ontem, que as declarações de IRS de todos os contribuintes vão, a seu tempo, estar disponíveis na internet, .
"Assim, qualquer cidadão vai ficar a saber quanto é que o seu vizinho ou colega de trabalho ganha por ano, basta para isso consultar a internet e verificar se os seus rendimentos dão para pagar o carro de luxo e a casa de campo."



Uma nação de bufos.

Ao menos que nos ofereçam um prémiozito pelas denúncias...tipo...sei lá...um chupa-chups por cada facto irregular encontrado na nossa vizinhança.

O próximo passo bem pode ser a criação de milicias populares.

Estou a ver Campos e Cunha "Camaradas!! juntai-vos e entregai-me esses malandros"...e as hordas...extasiadas agrupam-se em ansiedade.

Já estou a ver ... à entrada da Quinta Patiño, uma barricada montada pelas gentes de S. Domingos de Rana. Ou mesmo, momento épico, o Bom Povo de Chelas a subir Lisboa a partir do rio, caminhando sobre a Lapa, onde das casas retirarão os bens sonegados ao colectivo , ao Estado e os entregarão ao fisco, para que a justiça social avance.

Vejo já, ao longe, os "fugos" e as "fugas" (nome pelo qual, a partir desse momento orwelliano, serão conhecidos os prevaricadores) a serem arrastados para que a justiça deles tome conta


Bem vindos à nação socialista, crescei e multiplicai-vos.

Resposta ao Mau Tempo em 11 pontos

O Mau Tempo deu-me o argumento perfeito para explicar porque José Sócrates (leia-se, Campos e Cunha) cumpriu o seu papel com distinção na última quarta-feira. Vou tentar explicar porquê, contrariando o meu caro M.S.

Assim sendo, lá vai:


1. As medidas não são, "no essencial, positivas". São fundamentais para a subsistência do país.

2. Se não são corajosas, explica-me lá porque é que toda a gente sabia que tinha que ser assim e há anos que não se fazia. É que cumprir o dever é coisa que não se vê muito por aí - embora este ponto tenha mais a dizer - já lá vou.

3. Violar uma promessa não é bonito. Mas se leres o relatório do Banco de Portugal percebes que há no OE 2005 muita coisa perfeitamente inexplicável e imprevisível. Aqui, o PM tem razão.

4. Agora, tens razão no argumento de que podia ter estado caladinho e não ter prometido não aumentar impostos. Com um senão: com o Santana a dizer que os ia descer (era lindo, era), como é que ficava o Sócrates? Melhor - e sou pragmático: não o tivesse feito e lá ia a maioria absoluta. Sem a maioria absoluta, lá se iam as medidas absulutamente necessárias.

5. Irresponsável seria não ter feito isto.

6. Acrescentas, depois, que não há redução do Estado. Meu amigo, não estamos a falar de milagres, só de coragem. Sócrates é de esquerda, não de direita. E para um homem de esquerda, para te ser franco, parece mesmo de direita: olha, p.e., para as medidas na Segurança Social para perceberes porquê.

7.A Função Pública: tanto quanto percebi, Campos e Cunha não deixará o problema como está. Podes vir a ter razão, mas é melhor esperar para ver. Isso não é feito de um dia para o outro. Só passaram dois meses.

8. Ainda a Função Pública: a idade de reforma aumenta seis meses por ano, a partir de 2006. Podes até ter razão nas contas (não sei, não sou especialista), mas esta medida é muito, muito mais importante do que a outra. É que para reduzir a função pública só há uma maneira - ter as regras de qualquer empresa privada. Achas normal que não se possa despedir um incompetente na A.P.? Eu não acho.
Até lá, vamos ter que esperar. O que te digo é que isto, para início de conversa, já não é mau.

9. Voltando atrás: como se percebeu pelas reacções na AR, sem maioria isto teria sido impossível. A nossa democracia é, ainda, muito imperfeita. Imagina agora o que seria um tipo de direita anunciar tudo aquilo sem essa maioria.

10. José Sócrates, de qualquer forma, esteve muito bem ao que se tem chamado "encenação": sendo (teoricamente) de esquerda, pode dizer o que não seria permitido a mais ninguém - que sem estas medidas, o sector público tinha prazo de validade marcado.
Ou seja, ele diz que está a defender o Estado social com estas medidas. De certa forma, tem razão - mesmo que isso signifique a inevitabilidade do modelo liberal. E isso é bom que ele não ouça.

11. Para melhorar, juntou umas medidas politicamente correctas, só para ajudar à festa. Não concordo com algumas (as que afectam os políticos são más, a prazo, dada a qualidade de políticos que temos), mas ainda assim fez bem. Está a proteger-se como pode de uma coisa que, ele sabe, pode muito bem significar um enorme desgaste político. Eu quero acreditar que não.



P.S. Tou a escrever demais, bem sei. Mas este momento político dava um tratado.

25 maio 2005

A primeira palavra

Não podemos dizer que há coisas que têm que ser feitas e, logo depois, criticar. O primeiro-ministro esteve à altura. Mais logo digo porquê.

Até já

Economia Teológica

Lembrei-me de vos contar esta, bem fresquinha:

Face ao que foi descoberto pelo dr. Constâncio sobre o Orçamento de 2005, o dr. Bagão Félix já está a preparar um livro de teoria económica, exlicativo das suas opções.
Vai chamar-se "Economia Teológica".
A regra, primeira e única: "Seja o que Deus quiser".

Pagar para ver

José Sócrates anunciou ao PS que vai aumentar os impostos.
Disse também que vai colocar o défice abaixo dos 3%, sem receitas extraordinárias, até 2008. É caso para dizer que pagamos para ver.

P.S. Já que as medidas seguem amanhã, ficam para então as análises respectivas. Noite descansada para todos

24 maio 2005

"Wild guess"

Disputa presidencial marcada para daqui a cinco anos:
Guterres vs. Barroso.

Temas de campanha:
Quem tem responsabilidades no défice? Quem saiu e não devia? Quem tem mais crédito internacional?

Aceitam-se apostas.

Festa grossa

Diz a SIC-Notícias que António Guterres foi escolhido para Alto Comissário dos Refugiados da ONU.

Sempre quero ver o que diz agora a dra. Ana Gomes, et all. Será que fugiu, dra?

E agora? Quem faz a festa?

A gravata bordeaux

Dá-se um almoço grátis a quem conseguir calcular uma média de vezes que o primeiro-ministro usa aquela gravata bordeaux por mês. MMO

P.S.Dá-se um jantar a quem o convencer a usá-la apenas uma vez por mês.

Constâncio forever

Acabei de ler a introdução do Relatório Constâncio, que tem apenas 13 páginas. Aconselho vivamente, sem ironias.

Ao ler a dita introdução, que está bem escrita, bem justificada, bem estruturada, qualquer leitor minimamente atento perceberá que o dr. Vítor Constâncio é dos poucos homens realmente sérios deste país. Nem mais: o governador apoia quem tem de apoiar, aponta os caminhos que julga correctos e indispensáveis, deixa os recados a quem tem que deixar. Não teria nada que saber, não fosse ele o único que o faz coerentemente.

O que é interessante no relatório é que tudo é feito (para além do rigor) com contas feitas por baixo. Um exemplo: as contas das autarquias e regiões autónomas não são incluídas, por falta de informação disponível. Agora, alguém acredita que em ano de autárquicas estas despesas não subam?

Depois, olhando a cada rúbrica, encontramos as coisas mais extraordinárias.Lembram-se dos aumentos prometidos aos funcionários públicos? Pois bem, não estavam orçamentados. Situação idêntica se encontra nas pensões da CGA.

Outro caso curioso é uma receita extraordinaria com o nome pomposo "venda de concessões". Parece que o Banco de Portugal procurou, perguntou, questionou, e ninguém sabe o que é. Resultado: menos 500 milhões nas contas, mais coisa menos coisa.

Tendo dito isto (e muito mais poderia dizer), tenho que concordar numa coisa: o PS tinha razão ao pedir o relatório. E o ministro das Finanças tinha razão ao dizer que a coisa anda negra. Agora, tenham a coragem de fazer o que é preciso fazer. Usem a maioria que o povo vos deu, que é para isso que ela serve - para não haver desculpas.


P.S. Já agora, aconselha-se o dr. Marques Mendes a ler o relatório antes de pôr a dra. Dulce Franco a dizer disparates como "a culpa é do eng. Guterres", tá bem? Há coisas que, mesmo sendo parcialmente verdade, não se podem nem devem dizer. Não agora.

23 maio 2005

Os pássaros

Nasceu por aí um blog que tem que merecer a vossa atenção. Metade do bando 'nasceu' aqui e resolveu emigrar para outro posto. A vida é assim, os filhos pródigos um dia têm mesmo de sair de casa.

Ao Paulo deixo um abraço enorme, esperando ler tudo lá fora com o mesmo prazer que lia cá por dentro.

Já ao Luís, só lhe posso dizer que teria escolhido outro nome, tipo Pelicano (sim, esta é só para ele perceber). De resto, que as polémicas continuem por aí fora. E que o tempo por lá seja tão bom como foi aqui. Boas prosas aos Pássaros, direitinhos da vossa casa de sempre.

Seis vírgula quê?

Mas quem raio consegue decorar um número assim?
Seis vírgula oitenta e três?!

Tanto tempo para arranjar um número e não conseguiram fazer melhor? E porque não 6,9? Um apoio era certinho: o do dr. Mota Amaral: "Curioso número, não?"

O seu a seu dono

1. Que fique para registo: o Benfica é um justo vencedor do campeonato. Tinha a pior equipa dos grandes, o melhor treinador, o espírito vencedor ausente nos restantes. Não digo isto nem mais uma vez - já chega de "fair-play".

2. Dito isto, os próprios benfiquistas merecem este título. São insuportáveis, é verdade. Muitos não sabem ganhar, o que é pena. Mas onze anos é muito tempo e aquele ambiente da Luz, no jogo decisivo contra o Sporting, era merecedor de um título. Tenho pena que tenha sido assim, mas o seu a seu dono.

3. No meio da festa, ainda tive coragem de dar um abraço a um ou outro amigo vermelho, mais calmo, que me consegue ouvir. Não consegui, por manifesta falta de coragem, dar os parabéns a quem mais os merece. Como é o mínimo, ficam aqui. Pode ser que leia.

21 maio 2005

Read my lips

1. O que há de mais grave para um sistema democrático é a ausência prolongada de gente séria e consequente no papel de líder da oposição e de chefe do Executivo. Hoje, uma vez mais, vivemos um momento de tudo ou nada – momentos que se têm repetido a uma velocidade incrível nos últimos anos, o que também não ajuda nem um pouco.

2. Vejamos, por instantes, o caso de José Sócrates. Teve poucos meses na oposição, mas ainda com tempo de surpreender ao manifestar-se contra a descida do IRS no último orçamento. Tinha razão nessa altura, mas Jorge Sampaio pregou-lhe uma partida, convocando eleições. Logo, logo, Sócrates apareceu a garantir que era pela estabilidade fiscal, pelo que os portugueses não tinham de se preocupar com aumentos de impostos.
Como uma campanha pela maioria é ainda mais difícil, lá teve que dizer isto preto no branco: não aumento e pronto. Só faltava fazer como Bush pai e dizer “read my lips”. Aliás, fez quase isso: repetiu-o, já a despropósito, um mês depois da posse, julgo que num acto de teimosia, contra as especulações levantadas por uma declaração séria do seu ministro das Finanças.
Agora... e agora? Estamos a dias de tirar a prova dos nove. O que Sócrates podia fazer de mal feito, atrevo-me a dizer, já o fez. Hoje, ao menos, que pense no país e faça o que tem de ser feito.

3. Mas hoje, ainda há pouco, ouvi outro responsável político dar um outro passo em falso. Marques Mendes, algures na apresentação de um candidato autárquico, pediu a Sócrates que “resista à tentação” de subir os impostos. Acho graça! E acho graça porque o problema de Marques Mendes é exactamente igual ao de José Sócrates.
Quem se lembra de o ver, no congresso contra Santana Lopes, a dizer-lhe que não teria escolhido o caminho da redução do IRS? Lembram-se? Então lembrem-se também de o ver a votar esse mesmo orçamento favoravelmente na AR, quando já se preparava a sucessão do trágico Santana Lopes.
Pois agora, é o mesmo Marques Mendes que pede a Sócrates que não aumente impostos. E poderia mesmo dizer, com os olhos postos na câmara: “read my lips”. Então e se o país precisar, dr. Marques Mendes?

4. Um amigo dizia-me, há poucos dias, que as coisas tendem naturalmente para o equilíbrio a médio prazo. Pois hoje, no Público, V.P.V. teimava no contrário, explicando que muitas pessoas em Portugal conhecem e têm dado a fórmula certa para fazer disto um país a sério. Dizia também que se um político aplicasse essa fórmula, seria o fim do mundo, a contestação total, o enterro do político, até a desgraça do regime. O meu amigo que me desculpe, mas eu acho mesmo que o Vasco tem razão. Read his lips.

E para acabar, que tal um cinema?

Merece a pena ver o último de Sydney Pollack, só para percebermos a ONU de hoje. Grande, burocrática, nada eficaz e até perdida nos seus fins.

Esqueçam Kidman (se possível), esqueçam Sean Penn (idem), e procurem encontrar por lá, no argumento, um sinal de esperança. À excepção da cidade, não vi nada.

Talvez mais tarde retomemos A Intérprete. Talvez quando a reforma da ONU começar a ser discutida. Talvez não, não é?

Sugestões de leitura para passar a tormenta

Como há dias em que não apetece mais nada, aqui ficam duas ou três ideias para passar um processo de tormenta. Seja um défice a sete por cento, duas derrotas consecutivas em dois jogos consecutivos, ou simplesmente um problema do destino ou da falta dele. Aqui ficam, para quem quiser.


1. Começo com Eça de Queiroz, até porque, por alguma estranha razão, tenho tido várias conversas que o chamam à memória. Seja como for, resolvi reler "Os Maias" na minha última viagem ao Brasil. Se não for por mais nada, que seja só pelo Ega, ou só pelo Gouvarinho. Este último podia bem dar-nos umas lições de como suportar este país, isso sim.

2. Ainda pelo Brasil (tinha prometido contar isto), resolvi comprar qualquer coisa de verdadeiramente desconhecido. Lá por Ipanema queriam dar-me livros do Caetano e do Chico Buarque. Pois bem, comprei Bernardo Carvalho, um tipo que - vim a descobrir - é mais conhecido por cá do que imaginei. Li, com a devoção de uma descoberta, os "Onze", um caso curioso de derivas e cruzamentos como os que muitas vezes nos fazem parar à procura do destino. O J.P.H., sempre com a expressão certa na altura certa, diria: Só tenho um adjectivo: gostei." Eu também.

3. "Longe de Manaus", de Francisco José Viegas. Confesso que ainda não li o novo Aviz, mas tenho-o na mira para os próximos tempos. Para quem conhece o Francisco, para quem conhece o que ele escreve, este novo companheiro de viagem não pode falhar. Muito menos quando corre pelo mundo, através das letras de quem conhece o mundo.

X. Como ler é das coisas mais bonitas e mais reservadas do mundo, o destino levou-me até um novo livro que nunca me passaria pela cabeça começar a ler. Pois começei, pelos mesmos acasos que o Bernardo Ribeiro descreve com tanto a propósito. Ainda não sei como acaba, se acaba, se não. Esse será o meu livro para passar a tormenta, sem saber para onde me leva. Aconselho-vos que descubram um vosso


Grandes abraços e bom fim-de-semana,

Sugestões de leitura a Jorge Coelho

Jorge Coelho disse ontem, aos gritos, que se não fosse o PS já estavam portagens na Via do Infante. Mais alto ainda, berrou que a culpa do défice de 7% (diz ele) é do PSD e que os portugueses não se podem esquecer disso.

Esquecendo por momentos que Coelho está a fazer o que o PS e o Governo disseram que não fariam, aconselho ao dr.Coelho a leitura dos artigos de Manuela Ferreira Leite e Vasco Pulido Valente, no Expresso e no Público de hoje, respectivamente.

A primeira dir-lhe-á o que conseguiu fazer (e o PS criticou), o que não pode porque não a deixaram(e o PS criticou) e o que se seguiu (que o PS também criticou, apesar de ser igualzinho ao que sempre defendeu). Tudo isto, o dr. Coelho ainda está em tempo de aprender, para usar oportunamente no seu próximo jantar em S. Bento.

O segundo explicar-lhe-á porque, faça-se o que se fizer, este país é incorrigível. É melhor ler, não vá durante o jantar o eng. Sócrates dizer que não faz e não fará nada do que o país precisa, porque as promessas são mais importantes que o ministro das Finanças.

Boas leituras,
com a consideração do

20 maio 2005

A frase do dia

"O défice não é uma questão económica e financeira, corrigível com medidas a retalho e os 'sacrifícios' do costume. É um sintoma de ingovernabilidade do país. Quem não percebe isto não percebe nada".
V.P.V., in Público

18 maio 2005

Onde pára a oposição?

Sinto-me inquieta. Numa semana em que o governador do Banco de Portugal revela que a situação do país é pior do que esperava, que o valor do défice orçamental deste ano andará em torno – mais coisa menos coisa – dos sete por cento do PIB, que a possibilidade de virmos a ter de pagar mais impostos é cada maior, que não há garantias – apesar das tentativas do ministro Mário Lino – que as auto-estradas sem portagem assim continuem, ninguém, de nenhum partido à esquerda ou à direita do PS, tem nada a dizer? Onde pára a oposição deste país? Porque é que há semanas que não ouvimos sequer o dr. Louçã?
Passámos os últimos dias com o caso Portucale e nem o Bloco de Esquerda tem nada a dizer? Para onde foram os dirigentes do PP e PSD? Onde se meteu Jerónimo de Sousa?
Terão desaparecido todos os líderes da oposição? Assustados pelas declarações de Vítor Constâncio e pelo "monstro"? Será preciso chamar a polícia?
Alguém me avise se o PS passar a ser partido único.

O futebol não é só sorte

Hoje, o Sporting perdeu, provando que Mourinho só há um.
No futebol português trabalha-se menos do que é preciso,
pensa-se menos do que é preciso,
ousa-se menos do que é preciso.

O futebol também é uma ciência, não é só sorte. Ganhar dá muito trabalho.
Que se aprenda enquanto é tempo.

P.S. Não entro em Alvalade enquanto estes senhores lá estiverem. Não é por nada, mas farto de humalhações estou eu.
Ah! E não me venham com o "estivémos na final"! Nisto, como em tudo, só o primeiro é que fica na história.

Olhem quem fala

Acabei de ouvir na TSF o ministro das Obras Públicas a dizer que as portagens nas Scut são inevitáveis e, mais ainda, um sinal do desenvolvimento do país.

O ministro chama-se Mário Lino. Para quem não saiba, o mesmo que ontem fez um comunicado a dizer que essa mesma notícia (do Jornal de Negócios) era falsa. O mesmo que, nessa notícia, não comentava.

É só uma questão de tempo: este Governo é igualzinho ao de Santana Lopes. Só falta ver o primeiro-ministro. Não demora.

17 maio 2005

A hora da verdade

Hoje, meus amigos, é dia de Sporting.

Garanto-vos que se o Peseiro ganhar, sou rapaz para esquecer a vergonha lamentavel do último sábado. Até vos digo mais: o homem ganha e eu nunca mais digo mal de treinador nenhum da treta que o Dias da Cunha nos obigue a aturar. Palavra de sportinguista.

Agora, juntem as mãos e rezem, sim?

A vida para cá do défice

O meu caro Martim, lá pelo seu Bom Tempo, já vai avisando o Governo que não tem paciência para o défice.

Para o aliviar, resolvi explorar as cenas dos próximos capítulos. Rezam assim:

1. O dr. Constâncio comunica ao Governo que o défice é de 7,3%. Mais ou menos por aí.

2. O eng. Sócrates diz-se chocado. O Governo vê-se obrigado a aumentar um imposto. Desta vez, só para variar, é o ISP. É porreiro para o ambiente, porque o povo tem que deixar o carro à porta de casa (argumento imbatível para um ex-ministro da pasta).

3. O dr. Mendes diz que parece impossível. “Então, ó Zézito?! Não tinhas dito que não aumentavas impostos?! Tás maluquinho?”

4. O eng. Sócrates, aproveitando o debate mensal de dia 25, responde ao dr. Mendes: “É preciso ter lata! Então os senhores deixam-nos em pelota e ainda gritam óh ladrão? Essa é boa!”

5. Vai daí, o dr. Mendes diz ao eng. Sócrates: “Olha lá, ó Zé! Então dizias que isto não era para atirar lama ao pessoal e agora vens com essa?”

6. Sócrates: “Tu não podes ‘tar bom, rapazola. Então vens para aqui falar de impostos e não queres que te diga isto? É que eu sabia que a situação era grave, mas assim já é demais. Não ouviste o Vítor? Ele é que sabe. Ele e o Jorge, lá em Belém, que já me avisou que não há vida para além do défice!”

E pronto. Terminado o diálogo, o eng e o dr recolhem as armas e continuam assim, felizes para sempre. Depois disso, caro Martim, podemos voltar às nossas vidas, ao nosso futebol, às medidas estruturais e ultra importantes que resolverão as nossas vidas, até que apareça o próximo Governo.

Nessa altura, é só voltar ao arquivo e recuperar estes posts, tá bem?
Fica descansado, com um abraço do D.D.

Back to the basics

A vida é isto mesmo. É crescer renovando. É permanecer mudando.

O Insubmisso foi desde o início um espaço de "descarga da bílis", uma ágora de "soltar a franga", um fórum de "libertar a moeca".

É isso que foi e é isso que continuará a ser.

Pessoalmente tenho muita pena que alguns amigos, aqui não possam connosco permanecer (por exclusiva vontade dos próprios). Continuam amigos e muito os continuarei a respeitar.

Dentro de dias encerrarei o meu conflito com os providenciadores de serviço "cabo" e aderirei a "qualquer coisa que me liga à net" com " uma velocidade estonteante" , o que permitirá que o meu diálogo com as máquinas seja retomado.

Voltarei a ter a minha forma tradicional de resolver as minhas insónias...escrevendo.

E tenho tanto para escrever...tanto para dizer sobre esta "cautelosa-gestão-do-ciclo- político-até-às-autárquicas-feita-pelo-Sô-Sócrates-para-ver-se-ganha-umas camarazitas-aos-toscos-do-PSD".

Tudo de bom

O dilema da promessa

Dois meses depois da posse, e eis senão quando a verdade entra pela porta sem bater.

O Governo, liderado por José Sócrates, passou a campanha a falar em crescimento, a prometer que não aumentaria impostos, a dizer que as Scut ficariam como estão - leia-se, pagas por todos e não por quem lá passa. Prometeram mais, os senhores que nos governam: não há cá reduções da Administração Pública, nem cortes cegos, amblíopes ou afins; não há também contas por pagar, serviços a fechar, pedintes sem receber.

Pois ontem, no fim-de-semana, e antes disso, Vítor Constâncio, o ministro das Finanças (que não fez campanha) e até o Presidente da República (lembram-se, no dia 25 de Abril) vieram lembrar que o défice existe. Mais, ontem até Constâncio relembrou que o défice é prioritário, antes mesmo do crescimento. É chato, mas é verdade.

Hojem fala-se em 7% de défice. E não são 7% porque caíram do céu. Sim, pouco ou nada se fez durante três anos para resolver o problema - dependendo o pouco ou nada dos governos de que falamos. Mas se são 7% é também porque o Governo o quer (não foi assim que o disseram em 2001?) Exemplo claro: as scuts vão ficar como estão? Sim senhor, como queiram. Mas lá que aumenta o défice, isso aumenta.

O Governo, este Governo, terá em mãos o primeiro problema sério da legislatura. Nesta altura, queira ou não, terá que deitar mãos à obra.

Entre as promessas, o discurso e a realidade, vão quilómetros de distância. Deus queira que, a caminho, não tenham que pagar portagens.

1. Começando pelo que interessa

Já passou tempo suficiente para não se virem queixar do costume: ai, os amigos e tal...

Não há cá amigos para nada, até porque nada devo a ninguém, com a graça de Deus, à excepção dos meus pais, avós, mulher, canários e afins.

O que vos tenho a dizer é que o que aconteceu no Público nos últimos dias é lamentável.

Agora, o lado bom: O Público, o meu jornal de sempre, ganhou um Senhor Jornalista no Local.

De ora em diante, já não começo no Calvin. Promessa de David: é no Local, sim senhor. E sigo logo para o Internacional.


2. O JPH é um tipo extraordinário, um dos melhores entre os melhores. Não há igual, não haverá igual.
A E. L. é uma senhora jornalista.
A A.S.L. é uma sénior, daquelas que já não se fazem.

E essa era parte integrante e irrevogável do meu Público. Vão continuar por aí, para bem do que é o verdadeiro público: aquele que gosta de bom jornalismo.


3. Assim ou assado, o Público foi, é e será sempre o meu jornal de referência. Afinal é como o Sporting: as instituições sobrevivem sempre aos disparates.

Este Blog Vai Mudar

Não sei se este vai ser o seu aspecto definitivo,
não sei se vai ter mais ou menos membros,
não sei se a novidade é suficiente para, também nós, voltarmos a ter prazer num espaço que se mostra bem mais difícil do que parece.

Certo, certo, é que O Insubmisso está aqui para ficar.
De agora em diante, só posso garantir uma coisa: já passou tempo demais para perder tempo com tretas.

Beijos e abraços,
Até já

12 maio 2005

Um Blog Tem Mais Encanto na Hora da Despedida!

Eis que chega ao fim a carreira do Anarcatólico no Insubmisso. Foi um prazer participar neste blog e quero deixar os meus agradecimentos ao David Dinis pela forma extraordinária como por ele fui recebido, de braços abertos e com um sorriso. É também assim que parto desta aventura, da mesma forma que entrei nela, com um grande sorriso marcado nos lábios e agradecendo o calor dos que me receberam bem!

Agora é tempo para outros voos…

Obrigado e adeus. Vemo-nos por ai e nunca esquecerei o nome daquilo a que pertenci, sempre fui e sempre serei, um Insubmisso!

11 maio 2005

Vamos Todos Fumar Ganzas Para o Dubai!

Bem minha gente, parece que atingimos o nirvana, enquanto nação, povo, civilização lusitana, chamem-lhe o que quiserem! Mas para mim estamos no topo. Tornamos possível o sonho de qualquer hippie do bloco de esquerda ou mesmo de qualquer pessoa, até de bom senso, que apenas goste de fumar ganzas; já podemos ir fumá-las para o Dubai!!! É só ter a pachorra de se for preciso esperar mais ou menos um mês na prisa de lá, mas de resto tudo bem.

Imaginem só, um gajo vai para o Dubai, grande cenário e tal. Eu levaria umas três das minhas câmaras Super 8mm e sem duvida a digital também (pode-se fazer planos sequência muito mais longos). Para começar, instalava-me no Hotel Burj Al Arab, num dos andares cimeiros, para ter vista, e começava por sacar uns planos em Super 8 do mar e da cidade. No hotel fumava logo a primeira. Como provavelmente eles têm câmaras de vigilância ocultas e sensores de fumo hi-tech que permitem analisar o tipo de fumo e determinar se se trata de haxixe, punha a câmara digital a postos e ficava à espera de alguma acção. Deveriam entrar pela suite a dentro a qualquer segundo. Se tivesse sorte e o primeiro charro passasse despercebido, aproveitava e ia dar umas voltas pela cidade, sempre com a câmara ligada e uma ganzas já feitas no bolso, claro.
Ao fim do dia, muito certamente os serviços de inteligência do Dubai já teriam encontrado no computador central a minha origem, identificação e emitido um mandato de captura. Após três ou quatro cassetes de turismo, aproximar-se-ia decerto a hora em que uma futura cassete milionária seria gravada para a posteridade: a minha captura e detenção por fumar ganzas no Dubai (qualquer cineasta aproveitaria a ocasião para filmar tudo isto e ganhar uns prémios nuns festivais de cinema hippie, para não falar do chorudo negócio que podia também ser feito com os canais de televisão)!

Eis que finalmente me apanhavam e eu ia dentro. Chegava a hora de fazer o tão esperado telefonema para Portugal, mais concretamente para o meu querido e amigo presidente, o Jó

Eu
Tou Jó?


Oooolha quem ele é! Atão rapaz, tá tudo bem? Por onde é que tu andas pá? Passa aqui para a gente fumar uma!

Eu
Éhhh pá…. Ganda Jó! Pá, sabes o que é, o problema é que eu neste momento não me dá muito jeito ir ai fumar essa…


Não sejas parvo pá. Eu mando ai um carro para te apanhar, sabes que isso não é problema nenhum!

Eu
Ya man, mas o problema é que eu não estou em Lisboa… Nem sequer estou em Portugal!


Ah ganda maluco! Então e onde é que tu andas pá?

Eu
É pá… No Dubai! Fui de cana tás a ver?


Ganda maluco… Tchhhhh. Esses gajos são mesmo fodidos! Mas tinhas o quê?

Eu
É pá, nada man. Nada de especial, era só daquela ganzinha que a gente… Olha por acaso era mesmo daquela que a gente até comprou juntos, aos gajos do bloco lembras-te?


Ah, ya… Os gajos do bloco dominam a cena da ganza. Era muito boa!

Eu
Olha, só te digo que os gajos aqui são muita fanados do sistema man! Digo-te já! Queimaram a cena memo à minha frente, tas a ver? Pá, mas é que nem palha man, nem sobrou a cinza daquela merda!


Ena man… Imagino! Mas e tens filmado coisas por ai ou não?

Eu
Ya, ya, tá tudo filmadinho!


Vê lá, que eu depois quero ver isso tudo. Bom, mas primeiro deixa-me só tratar ai de umas cenas. Tenho ai uns gajos que me estão a lixar a vida com umas merdas lá do governo ou que é.

Eu
Ya, ya, na boa bro.


Pronto, mas então a cena é que tu queres bazar dai certo?

Eu
Pá, não há grande pressa, que isto aqui até não é assim tão mau. Mas se pudesse bazar rápido era muita bacano!


Tá, tá. Tudo bem. Eu agora esta semana começo a tratar disso e prai daqui a uns quinze dias já estamos ai a fumar a nossa e a ver as filmagens, ok?

Eu
Ah ganda Jó man! Obrigadão pá! Olha, um granda abraço pa ti mano, e beijinhos ai à tua Maria, ya?


Tá, tá. Ela também manda pa ti. Olha por acaso ela até me está a chamar ali da sala, porque está cá o meu irmão e eles estão ali a fumar uma. Vá tenho de ir. Abraço.

Eu
Abraço mano. Fica bem!


Vá, tchau ganda maluco! E não te preocupes, eu tiro-te dai ya?

Eu
Ya!

06 maio 2005

Celebration!

Hoje devia ser feriado.
Depois da alegria de ontem, quem tem forças para trabalhar.
Aposto que, nesta, até os benfiquistas que se recusam a aceitar a vitória do Sporting apoiam.

Vivas ao Sporting!

03 maio 2005

Chegou-me esta carta às mãos

LIGA PORTUGUESA DE FUTEBOL PROFISSIONAL

Ao SLB

Estádio da Luz

Lisboa




Tendo V Exas de se deslocar ao terreno de um adversário dentro de 2

semanas, agradecemos o preenchimento do formulário em anexo, a fim de

que possamos tomar as necessárias providências :



1. Em que Estádio desejam V.Exas jogar ?


No estádio do adversário __

Num estádio a mais de 100 Kms da terra do adversário __

Num estádio a mais de 500 Kms da terra do adversário --__

Num estádio de basebol nos Estados Unidos __

No estádio da Luz __

__



2. A partir de que minuto do primeiro tempo desejam V.Exas o primeiro cartão vermelho para um jogador adversário ?


Primeiro minuto __

Vigésimo quarto minuto __

5 minutos antes do intervalo __

Depende de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local

__



3. Pretendem V.Exas marcar o primeiro golo através :



De um livre causado por uma falta marcada ao contrário __

De um fora de jogo do senhor Mantorras __

De um livre marcado por uma falta inexistente __

De um penalty fantasma __

Depende de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local

__

4. A fim de não dar muito nas vistas, sugerimos que o senhor Petit

ou o senhor Simão sejam punidos com um cartão amarelo. Agradecemos que

nos digam em que momento :


Quando o senhor Petit fizer a octogésima terceira falta dura __

Quando senhor Petit fizer a décima quarta tentativa de homicídio __

Quando o Senhor Simão simular a sexagésima quinta falta __

Quando o Senhor Simão empurrar o árbitro pela nonagésima segunda vez __

Nunca, era o que faltava, mostrarem cartões aos nossos jogadores __

__

5. A fim de não cometermos erros agradecemos nos indiquem a

composição da equipa de arbitragem que pretendem para o jogo em questão:

__



Com os nossos cumprimentos ao Campeão Nacional 2004/2005



Liga Portuguesa de Futebol Profissional

Viva a repartição de Finanças!

Uma curta nota para um raro elogio à administração pública em Portugal - imagine-se só a ousadia, dirão vocês.

Ontem foi a data limite de entrega do IRS. Regressado do Brasil, tornou-se tarefa prioritária, embora com notáveis dificuldades de espírito. Na quinta-feira descobri que a repartição de Finanças estava - espanto! - aberta até mais tarde. Melhor ainda, que abriria na manhã de sábado, para evitar filas e afins.

Assim sendo, lá fui cumrprir as obrigações fiscais no sábado. Cheguei lá e... ninguém. Só os funcionários públicos, à espera de alguém. Tenho dúvidas se alguém sabia de tanta disponibilidade, mas lá que parecia um país de primeiro mundo, parecia. Faltou-me saber apenas quem tinha inventado tamanha facilidade e quando - o senhor da repartição não sabia dizer. Mas o elogio aqui fica. Que se volte a repetir.

A Propósito do Aborto...

Caso venha a ser feito um referendo sobre o aborto, penso que só devia ser votado pelas mulheres. Não me parece razoável que um homem possa tomar uma decisão sobre algo que na prática, o máximo que poderá vir a representar será um incómodo para a sua carteira ou para a sua consciência mas nunca para o seu corpo.

Acho fantástico, o descaramento com que se transforma um assunto desta natureza num crachá político tornando-o a lenha favorita da gulosa fornalha que aquece o mundo, neste frio Inverno mental, que são os media. Acho mais fantástico ainda observar a forma entusiástica como as massas, incapazes de formar uma opinião própria, seguem hipnotizadas os brilhantes discursos que são feitos sobre a matéria e no fim ainda se sentem alegremente impelidos a tomar o partido de uma qualquer das partes. Como se este assunto pudesse ser dividido em partes.

Mas, inevitavelmente, tratando-se de um tema de choque e comoção, de acesso óbvio (enquanto tema, não enquanto realidade), de opinião fácil, altamente popular e abrangente, é inevitável a sua rentabilização a todo o custo. Seja em que área for.

Acho que já era altura de todos e cada um de nós procurarmos a única opinião minimamente válida, dentro da sua própria subjectividade, que é a verdadeira opinião que existe no nosso interior. Sem medo de ferir o vizinho, os ideais do partido ou os fantasmas da religião. Esquecer tudo e pensar apenas nos objectos metálicos de cariz quase medieval que penetram uma vagina e dilaceram, no útero, os tecidos necessários a causar a morte. E no que isso nos faz sentir.

Como tal não é possível, porque a estupidez, a ambição, o oportunismo ou as três coisas juntas, tratarão de ocupar a mente de uma boa maioria dos potenciais votantes em tal matéria, seria mais justo, a meu ver, que a responsabilidade das decisões passasse apenas por aquelas que no meio deste jogo ridículo e infantil, de vez em quando se magoam e sangram a sério. As mulheres.

ANARCATÓLICO



PS – Um grande beijo para todas as mulheres do mundo. Sem vocês isto não valia a pena! *

02 maio 2005

Aborto: a consumação do erro

Jorge Sampaio acabou de chumbar o referendo ao aborto, alegando que não há condições para uma consulta com real participação popular. O Presidente tem razão e a decisão de hoje deve deixar a esquerda feliz.

A razão é única e simples: se o referendo fosse convocado, o não voltaria a ser potencialmente vencedor, o que atirava qualquer alteração à lei para daqui a oito anos - se os partidos em Portugal fossem razoavelmente sérios. Assim, ficará adiado para o final de 2006, início de 2007, quanto muito. E só será tão tarde por teimosia - sim, teimosia e tonteria - da bancada parlamentar socialista.

É que a lei do referendo diz, explicitamente, que não pode ser proposto novo referendo na mesma legislatura em que um foi chumbado em Belém. E esta legislatura só acaba em Setembro de 2006. Não tivessem os socialistas corrido atrás da esquerda e seria mais fácil convocá-lo para o final deste ano, início do próximo. Assim, a derrota é dupla.

Quanto ao PSD, Marques Mendes consegue a sua primeira vitória. Indiscutível e inalienável. Quer se goste ou não. É, aliás, a segunda vez que Marques Mendes vence o PS na questão do aborto.

29 abril 2005

Regresso...

... de férias retemperadoras.

Dez dias depois, Portugal parece-me na mesma. Acho que não se moveu um só milímetro.
Uma rápida passagem pelos jornais confirmam isso mesmo. O que me deixa na dúvida: 'Habemos' Governo?

Beijos e abraços. Voltarei com comentários em breve sobre o Brasil de hoje, um ou dois livros que recomendo e o que encontrei por cá.

26 abril 2005

Man....toooooooraaa

é o grito do momento.
mantorras, olé olé.
slb olé olé

este breve post é só para chatear o david diniz que deve estar agora com uma grande cachola...a chamada cacholona académica....ah ah!!!

15 abril 2005

Verde e branco

O meu Sporting está nas meias-finais da Taça UEFA.
Eu, que devia estar caladinho, tanto mal disse do treinador, não consigo resistir à felicidade. É isto que é ser humano: a razão só conta quando conta. Hoje é dia de coração. Verde e branco.

A Tradição ainda é o que era :)

(…) Era o Carvalhosa – que fora seu contemporâneo em Coimbra onde era conhecido pela sua porcaria e ilustre pelos seus vícios. Passava dias inteiros na cama e o cheiro do seu quarto estonteava. Agora era deputado, e os jornais celebravam a sua eloquência e citavam os seus trechos. (…)


(…) – Tenho muita honra, disse Reinaldo cumprimentado: tive o prazer de o ouvir na Câmara – eu vou muito à Câmara; ainda ontem lá estive.
– Interessa-se pela política? – começou Carvalhosa, brincando com os berloques do relógio.
– Não. É que fui acompanhar uma rapariga espanhola que estava com muita curiosidade. Há-de conhecer. É da – e falou-lhe ao ouvido. – A Lola, disse alto, a magrita.
– Ah, sim sim, disse Carvalhosa e afastaram-se, muito unidos, cochichando. (…)


EÇA DE QUEIROZ in “A Tragédia da Rua das Flores”

04 abril 2005

Loja dos 300

O Francisco resolveu dar azo à sua veia jacobina, atirando à Aura Miguel. Diz ele que a jornalista portuguesa que mais sabe sobre a Igreja Católica não é jornalista mas evangelizadora. Meu caro, seguindo o argumento, podia dizer-se que tu mesmo és socialista e não jornalista. Certo? É que uma coisa é o que ela opina, outra o que ela relata.

Quanto aos elogios a António Marujo, subscrevo integralmente. É um prazer ler as suas peças.

O Homem de Branco e o de Avental

Por muitos que custe aos jacobinos, este homem que mudou de nome aos 58 anos e que nessa altura nos passou a servir como Papa, marcou a diferença e demonstrou pela praxis o que é ser Homem.

Não há ninguém nos últimos 25-27 anos que se lhe compare.

Deve ser difícil aceitar, para alguns, que a Humanidade num único abraço chore o homem de branco e não um qualquer francês ou escocês de avental.

In memoriam K.W.

Não é tanto o texto que interessa, antes, como em qualquer poema, as emoções que provoca ou que reproduz. É de W.H.Auden. Os mais atentos recordar-se-ão de um funeral...desta vez sem casamentos.

"Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good"

03 abril 2005

Adeus meu Papa!

É com enorme pesar e simultânea alegria que vejo partir deste mundo o mais poderoso símbolo, carnalmente existente, da minha igreja. Quase toda a minha vida foi ele o rosto da instituição que tantas vezes ponho em causa mas à qual pertenço. Finalmente liberto do sofrimento da carne e das atrocidades dos homens, certamente estará agora num lugar melhor.

Foi com nojo e desprezo que constatei o uso do seu nome e da sua pessoa, como arma de arremesso nos discursos politizados e racionalistas de uns quantos monos com pernas nos últimos tempos da sua vida. Usado como símbolo do “contra” ou do “a favor” segundo as cores partidárias ou ideologias políticas, por pessoas que mais não vieram fazer ao mundo senão ocupar espaço, consumir recursos e quem sabe procriar (pelas quais nutro o maior desprezo).

Se existem porventura pessoas, como aliás se constata que sim, que vivem bem ausentes da dimensão poética da existência, relegando para o plano do desinteresse absoluto valores como a fé, a beleza, o imaginário ou mesmo a ficção, dou-lhes os meus parabéns. Parabéns porque existir dependendo apenas do factual, do concreto e de valores materiais e discursivos (sentindo assim grande prazer num uso excessivamente monótono do seu intelecto), é para mim uma imagem de pesadelo. Uma espécie de maldição em vida, almas penadas dentro de corpos em movimento. Dou os parabéns a todos os que têm uma existência tão cinzenta e desinteressante (assim como desinteressada de tudo o que directamente não lhes diga respeito), pois acho admirável que ainda não tenham dado um tiro nos cornos e acabado com as suas medonhas existências!

Eu sei que de alguma forma o meu Papa continua a existir, algures, numa outra forma de existência que por agora não compreendo, mas à qual um dia vou também pertencer.

O nosso Papa

Sua Santidade o Papa acabou o seu caminho entre nós.

"Não fiques triste na morte,como um pagão sem esperança", disse João Paulo II.
Que Deus o receba na mesma felicidade que teve em vida. E sem o sofrimento que nos fez sofrer na sua vida.

João Paulo II estará sempre entre nós.

01 abril 2005

Sua Santidade o Papa

Ouço, quase prostrado frente a uma televisão, tudo o que posso sobre o Papa, João Paulo II. É, para mim, das poucas homenagens que me resta fazer a Sua Santidade.

João Paulo II é um homem de paz, um homem de enorme fé, um homem de bem e de coragem. É o Papa de todos os católicos, de todos os continentes e até mesmo de muitos não católicos que depositaram nele, no homem e não tanto no Papa, uma enorme esperança de um mundo e de uma vida melhor.

O Pontificado de João Paulo II ficará, para mim - que praticamente só conheci este Papa - marcado como um grande exemplo. Aprendi o que era a fé com ele, aprendi o que era o mundo com ele, aprendi o que são os princípios da Igreja Católica através dele.

Por várias vezes estive perto da sua presença. Estive a caminho do Restelo, só para o ver, mas o destino tirou-me o autocarro do caminho; estive para ir a Roma, mas o destino voltou a não o permitir. Mesmo assim, a sua presença pelo mundo, transmitida na televisão, era, é e será suficiente. Sua Santidade o Papa João Paulo II acompanhou-me toda a vida pela televisão. Por isso, só por isso, estou-lhe grato. Por isso, só por isso, vou olhar para o outro lado sempre que o respeito que ele merece não for cumprido.

Que Deus proteja Sua Santidade, como ele merece.

O ponto do PEC

António Borges numa entrevista publicada hoje volta tudo do avesso e defende o velho Pacto de Estabilidade. Diz que a sua revisão é péssima para Portugal e a Europa, permitindo desleixo dos governos; acrescenta que o PEC não era estúpido, como é moda dizer, porque permitia flexibilidade suficiente, nomeadamente através de receitas extraordinárias que incentivavam a redução do património do Estado - libertando iniciativa para o sector privado.

São afirmações corajosas, as de António Borges, contra a maré de facilitismo tão protegida por quem manda na UE. Não é que importe muito, mas era este o ponto do PEC que os 25 destruíram na última cimeira. Passo a passo, a Europa continua o seu caminho dos últimos anos. É por isto que os bons líderes são fundamentais - para alertar, conduzir, rumar contra as marés. Sem eles, a Europa será apenas parte da história.

31 março 2005

Os referendos só dão problemas

Por alguma razão o PS tentou referendar a IVG já em Junho. Meteu-se numa confusão tal que já não há Junho para ninguém. Criou expectativas para nada e reverteu, pelo meio, as prioridades indicadas pelo próprio chefe de Governo.
Agora, ficará lá para 2006 - se mais surpresas não aparecerem. Foi uma precipitação que indicia um mau sinal: vai ser difícil, mais do que se esperava, a relação PS/Governo/Parlamento. Imaginem se for eleito um PR à direita.

Outro referendo provável é do europeu. Lá vai mais uma polémica, com a fileira anti-constituição a mostrar algumas surpresas. A consulta pode calhar em simultâneo com as autárquicas, o que só ajuda à tese que não se vai discutir nada. E a falta de esclarecimento é o maior incentivador do "não", como se prova pela Europa.

Falando em Europa, um último caso referendário: em França, o não está cada vez mais próximo de ser uma realidade. Chirac, nem se vê. Raffarin, é melhor nem se ver. As consequências para a Europa serão enormes - para não falar no próprio Governo francês. É mais um problema.

Já não bastava a Europa não estar preparada para reformas, agora tem que levar com a deriva referendária. Assim, a Agenda de Lisboa está cada vez próxima de uma Agenda de Marte. Só quando o Homem chegar lá é que os objectivos são cumpridos.

30 março 2005

A idade da reforma

O Governo quer aumentar a idade da reforma, porque defende que esta deve acompanhar a evolução da esperança média de vida. Todos sabemos que a sustentabilidade do nosso sistema de Segurança Social está em causa e que cada vez serão menos os trabalhadores no activo a contribuir para pagar a pensão de cada reformado. Pergunto-me é com que idade é que os portugueses, em média, se reformam? A lei estipula os 65 anos, mas com a prática generalizada das pré-reformas, que alastrou aos mais variados sectores de actividade, os portugueses estão efectivamente a deixar de trabalhar muito antes. Porque não começar por aplicar o que está na lei? Não tem nenhum sentido que se continue a estimular o final antecipado da vida laboral, nem sempre desejado pelos trabalhadores e prejudicial à própria sociedade. Porque não começar por fazer coincidir a idade média de reforma com a idade legal. Antes de apelar à necessidade de termos de continuar a trabalhar até aos 67 ou 70 anos, o primeiro passo do novo Governo devia ser o de conseguir que os portugueses se reformassem aos 65 e não antes. E então estimular aqueles que desejam continuar a trabalhar de forma voluntária.

29 março 2005

Será que ninguém pára o Alberto Costa mais a sua inquisitória base de dados

Apesar de todas as garantias de independência na gestão e custódia da anunciada base de dados genética dos portugueses, encontramo-nos à beira da maior afronta à liberdade individual e à vida privada de que há memória em Portugal.

Permitam-me que deixe no ar a ideia de que se tal tipo de informação tivesse sido apanhada por um qualquer ditador ou "click autoritária" os genocídios e assassinatos selectivos de segmentos "não prioritários" da população teriam sido altamente facilitados.

Recordo que por força da preservação dos dados individuais, património inalienável de qualquer um de nós, os Ingleses não têm bilhete de identidade; consideram que o facto de deixar a impressão digital, altura, e outros dados fisicos num fucheiro central é uma afronta à identidade e individualidade de cada um dos cidadãos, não podendo ninguém ter conhecimento, se o próprio não entender, desses dados. Nos Estados Unidos da América passa-se a mesma coisa.

Aqui, aparentemente, ninguém se movimenta contra esta afronta. Porque razão é que Eu, Antonio Mira, numa era em que a investigação científica já nos conduziu a processos de terapia genética, deverei deixar, à mercê de qualquer um , a informação sobre as qualificações e qualidades dos meus genes????????

Será que ninguém vê onde isto nos pode conduzir?

24 março 2005

Só para vos dizer...

...que, no texto em baixo, está a estreia absoluta da Marta Moitinho Oliveira.
Poupo os elogios, por razões óbvias para muitos. Mas registo com muitíssimo apreço a entrada da minha fonte de inspiração.

Abraços,

Estágio para sexta-feira Santa

Quinta-feira de manhã, véspera de sexta-feira Santa.
Ligo para um consultório médico privado.

Eu – Bom dia, eu posso falar com a secretária do sr. doutor?

Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Ela não está.

Eu – Mas o sr. doutor não dá consulta às quintas-feiras?

Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Dá.

Eu – Mas então a secretária não está?

Alguém de um laboratório que partilha o espaço com o consultório – Não está cá ninguém, porque amanhã é feriado.

Eu – Ah, obrigada e boa tarde.

Ou seja,
em Portugal as pessoas não trabalham nas vésperas dos feriados para os preparar. Uma espécie de estágio. Porque de facto é preciso muita preparação para tirar o máximo partido dos feriados. Ou será que é precisa muita preparação para tirar o menor partido dos dias de trabalho?

Não me irritou não ter conseguido resolver o meu problema que era pessoal. Até porque segunda-feira é outro dia. Não me irrita não ter este tipo de regalias, porque acho que quem encara assim o trabalho, onde passamos uma grande parte do nosso tempo de vida, só pode ser duas coisas: infeliz ou preguiçoso.

Ou claro, pode ter tanto dinheiro que se possa dar ao luxo de fazer estas coisas. Isso já me irrita um bocadinho mais.

MMO

23 março 2005

A ilusão de S. Bento

José Sócrates saiu ontem do Parlamento com um brilho nos olhos, como quem chegou, viu e venceu. Percebe-se porquê: até à data, o novo primeiro-ministro era apenas acusado pelo seu silêncio. Por isso, preparou meticulosamente as suas intervenções: apontou para o futuro, apelou ao patriotismo – ao recusar dirigir ataques aos governos anteriores –, apresentou prioridades e até calendarizou várias delas.

A satisfação de Sócrates pode, assim, ser compreensível. Mas cedo perceberá que o que encontrou nestes dias em S. Bento não foi mais do que uma ilusão de facilidades, um oásis sem um deserto à volta para atravessar.

Pois à frente desta maioria está, vamos ser honestos, esse enorme deserto de dificuldades. É verdade que tem uma maioria na AR, é verdade que tem o partido a seus pés, é verdade que até em Belém habita (até ver), um Presidente à sua medida. É verdade, também, que lhe caiu no colo uma reforma do PEC que parece feita de acordo com o seu Plano Teconológico.

Mas, para esta caminhada, não basta dizer chega a corporações poderosas, não basta apresentar planos de investimento, nem tão pouco falar de transparência e patriotismo. Tudo isso é bom e bonito, mas a situação do país – já o diziam António Vitorino e Jorge Coelho, que se ficaram pela bancada – exige muito mais do actual Governo: exige, por exemplo, medidas estruturais que reduzam a despesa. Exige, nesse caminho, que a má imagem criada por Ferreira Leite, enquanto responsável pelas Finanças, se multiplique por cinco. É que uma coisa é o que o país quer ouvir, outra, bem diferente, é o que o país precisa de ver feito.

Desta vez, não há ilusões. José Sócrates já disse que se dá bem com maratonas, mas ainda só o vimos fazer a meia-maratona de Lisboa. Vamos ver, agora, como resiste aos Jogos Olímpicos.

DE, 23.03.05

22 março 2005

A resposta tarda, mas surgirá

O trabalho ainda não me deixou responder ao novo post de Paulo Gorjão. Mas até amanhã conseguirei uns minutos de tempo livre para continuar a discussão sobre o jornalismo político que se pratica em Portugal. LR

20 março 2005

A lealdade orgânica já tem blogue

O resolveu criar um blogue. Chama-se "O Estado das Coisas" e ainda está a ser afinado, o que não impediu o camarada de dar a conhecer esta autêntica pérola. Seja bem-vindo e que venham as polémicas! LR

19 março 2005

Recomendação de leitura

O Pedro Caeiro do Mar Salgado escreveu uma bela posta que deve ser lida por todos os que se interessam pelo tema da refundação ou, segundo Vasco Pulido Valente, da fundação da direita portuguesa. LR