O artigo de hoje do ministro das Finanças acentua a minha impressão que a coesão do Governo não é tão forte como aparenta. O que diz Campos e Cunha? Sumariamente, isto:
1. Que fará novos cortes na despesa em 2006.
2. Que os cortes na Saúde e na Segurança Social, já anunciados, são para cumprir.
3. Que o Plano de Investimentos tem que ser muito bem avaliado. Cortado até, se necessário, como fez a Suécia, com bons resultados.
Diz e, na minha opinião, diz bem o sr. ministro das Finanças. O que me deixa é a pensar no destinatário da mensagem. Será para nós, comum dos mortais, irmos de férias a pensar que para o ano serão ainda piores? Ou será, antes, para que os membros do Governo não pensem que a contenção já acabou?
Dá que pensar, este ministro. A nós e a muitos "políticos" que polvilham o Governo.
17 julho 2005
15 julho 2005
Coisas erradas nas greves

A função pública volta a fazer greve, juntando desta vez a CGTP e a UGT. No meio da contestação, algumas coincidências lamentáveis:
1. A greve é a uma sexta-feira. Uma vez e sempre.
2. As greves gerais (esta não é bem, mas está próxima) aconteceram sempre - ler Jornal de Negócios de hoje) no ano anterior a uma recessão económica.
3. Ninguém me convidou para a greve. E está um tempo fantástico para estar na rua.
14 julho 2005
Já agora: Isto é o ministro ou o Freitas?
Leiam, que merece a pena:
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Freitas do Amaral defende mudança dos estatutos do BCE e do PEC
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, defendeu hoje que só uma mudança dos estatutos do Banco Central Europeu e das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento pode pôr fim à crise sócio-económica na União Europeia. Freitas do Amaral falava aos jornalistas após um encontro em Washington com a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que quis ouvir a sua opinião sobre a actual crise europeia.
Segundo o ministro, a crise, que sublinhou ser de natureza sócio-económica e não política, deve-se à redução dos instrumentos políticos à disposição dos governos nacionais para fazer face à recessão, uma vez que estão limitados à política orçamental. "Os governos perderam vários instrumentos de combate às crises, nomeadamente a política monetária, cambial e das taxas de juro", afirmou.
Para Freitas do Amaral, é fundamental alterar os estatutos do Banco Central Europeu (BCE) para que, à semelhança do que acontece com a Reserva Federal Norte-americana, possa acrescentar-se ao objectivo de estabilização dos preços o da promoção do desenvolvimento sustentável.
Depois disso, "pode-se criar novas políticas de curto prazo que permitam o crescimento e a criação de emprego", disse. Questionado sobre se vai ser este o teor da exposição que vai fazer sexta-feira no Conselho de Estado, Freitas do Amaral respondeu: "Isto é só um aperitivo. Vou também dizer outras coisas que não lhe
posso dizer ainda".
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Nota de rodapé: se esses instrumentos estivessem ainda nos estados imaginem só o estado da Europa hoje.
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Freitas do Amaral defende mudança dos estatutos do BCE e do PEC
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, defendeu hoje que só uma mudança dos estatutos do Banco Central Europeu e das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento pode pôr fim à crise sócio-económica na União Europeia. Freitas do Amaral falava aos jornalistas após um encontro em Washington com a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que quis ouvir a sua opinião sobre a actual crise europeia.
Segundo o ministro, a crise, que sublinhou ser de natureza sócio-económica e não política, deve-se à redução dos instrumentos políticos à disposição dos governos nacionais para fazer face à recessão, uma vez que estão limitados à política orçamental. "Os governos perderam vários instrumentos de combate às crises, nomeadamente a política monetária, cambial e das taxas de juro", afirmou.
Para Freitas do Amaral, é fundamental alterar os estatutos do Banco Central Europeu (BCE) para que, à semelhança do que acontece com a Reserva Federal Norte-americana, possa acrescentar-se ao objectivo de estabilização dos preços o da promoção do desenvolvimento sustentável.
Depois disso, "pode-se criar novas políticas de curto prazo que permitam o crescimento e a criação de emprego", disse. Questionado sobre se vai ser este o teor da exposição que vai fazer sexta-feira no Conselho de Estado, Freitas do Amaral respondeu: "Isto é só um aperitivo. Vou também dizer outras coisas que não lhe
posso dizer ainda".
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Nota de rodapé: se esses instrumentos estivessem ainda nos estados imaginem só o estado da Europa hoje.
Previsão futebolística
Saiu o calendário da nova época de futebol.
O Sporting começa assim: perde com o Belensenses (em casa), perde fora com o Marítimo, de novo em casa com o Benfica e, finalmente, fora com o Nacional.
À quarta derrota, Peseiro será despedido e a direcção demitida. E à quinta o Sporting vence o Nacional da Madeira, em casa. A partir daí, ninguém nos agarra.
O Sporting começa assim: perde com o Belensenses (em casa), perde fora com o Marítimo, de novo em casa com o Benfica e, finalmente, fora com o Nacional.
À quarta derrota, Peseiro será despedido e a direcção demitida. E à quinta o Sporting vence o Nacional da Madeira, em casa. A partir daí, ninguém nos agarra.
Viagem com retorno

Numa maré de estreias na zona livre de blogs lusitanos, também a BB se relança num projecto, desta vez a quatro mãos. No Insubmisso espera-se que esta 'viagem' tenha retorno. Porque ela nos faz falta no mundo real.
Uma boleia às direitas

Há por aí uma benfiquista perigosa que resolveu entrar na zona livre de blogs. Como é absolutamente fanática, resolveu chamar-se Táxi - como o tipo dos bigodes que escreve umas coisas para a Bola. Mas, cá para nós, esta miúda vai longe. No táxi...ou não.
Que te divirtas por aqui, RT.
Há dois séculos no mesmo sítio

França regressa hoje à Bastilha, comemorando uma das páginas mais dramáticas da história mundial;
Ontem mesmo, Chirac resolveu fechar fronteiras, em reacção aos atentados de Londres;
Ainda ontem, Sarkozi acusou Inglaterra de ter libertado, em 2004, alguns dos suspeitos do 7/07;
Já hoje, a Focus alemã cita uma fonte dos serviços secretos franceses acusando Blair de ter recebido - e desvalorizado - uma ameaça de Ben Laden a Londres apenas há dois meses.
Mais de dois séculos depois, a França está como estava. A Bastilha continua.
13 julho 2005
Whole new world
12 julho 2005
Brasil em directo
O Xico está "em cima" do acontecimento da semana: o caso mensalão, com supostas ligações ao BES, em Portugal. Merece a atenção e o elogio.
Crescimento zero
Vítor Constâncio anunciou a revisão em baixa do crescimento económico. 0,5% é a nova previsão para este ano. Pouco mais que nada. Quanto a 2006, o mesmo, pouco melhor.
É aqui que está o maior/único problema da estratégia de José Sócrates. Como Durão, o actual primeiro-ministro acredita que ao final de quatro anos as coisas vão andar melhor. Mas não vão. Significa isso que os socialistas, quando o perceberem, vão entrar num faz-tudo para ganhar eleições. Risco: deitar fora em meses o que se tenta fazer, a custo, durante uns anitos. A ser assim, seria mais uma legislatura perdida -esta com a enorme diferença de uma maioria absoluta.
Conselhos? Deixem lá as eleições e apontem para as páginas dos livros de história. É, não é? Pois...
É aqui que está o maior/único problema da estratégia de José Sócrates. Como Durão, o actual primeiro-ministro acredita que ao final de quatro anos as coisas vão andar melhor. Mas não vão. Significa isso que os socialistas, quando o perceberem, vão entrar num faz-tudo para ganhar eleições. Risco: deitar fora em meses o que se tenta fazer, a custo, durante uns anitos. A ser assim, seria mais uma legislatura perdida -esta com a enorme diferença de uma maioria absoluta.
Conselhos? Deixem lá as eleições e apontem para as páginas dos livros de história. É, não é? Pois...
11 julho 2005
Biblioteca I
Ando a tentar recuperar algum tempo perdido na minha (curta) biblioteca, de onde tirei uma curiosidade muito contemporânea:
"The end of faith - on religion, terror and the future of reason", de Sam Harris, é uma leitura interessante, para quem se interesse sobre os problemas da fé nos dias que correm, mais ainda após os dramáticos acontecimentos em Londres, na última semana.
Devo dizer-vos que não sou fã da tese racionalista, para a qual qualquer acto de fé é um atentado à civilização e um perigo para a humanidade. Mas a tese de Harris - que passa muito por aí - não deve deixar de ser lida e pensada. Quanto mais não seja para racionalizarmos um pouco sobre o destino trágico de algum racionalismo utilitário.
"The end of faith - on religion, terror and the future of reason", de Sam Harris, é uma leitura interessante, para quem se interesse sobre os problemas da fé nos dias que correm, mais ainda após os dramáticos acontecimentos em Londres, na última semana.
Devo dizer-vos que não sou fã da tese racionalista, para a qual qualquer acto de fé é um atentado à civilização e um perigo para a humanidade. Mas a tese de Harris - que passa muito por aí - não deve deixar de ser lida e pensada. Quanto mais não seja para racionalizarmos um pouco sobre o destino trágico de algum racionalismo utilitário.
10 julho 2005
Deu sim: dois a dois
O Luxemburgo votou sim à Constituição Europeia, apesar de tudo, apesar de uma pausa decretada nas consultas populares. E o Milhafre? Perdeu o pio?
O local
Só para dar um belo exemplo daquilo que eu dizia ontem:
O Público tem hoje um trabalho muito bem feito sobre a poluição na região de Lisboa e Vale do Tejo. Está muito completo, com vários indicadores, soluções possíveis (com custos e efeitos) as opiniões dos candidatos, tudo. Ah! Um pormenor: está no Local e não teve direito a uma única chamada de primeira página.
Já na Política, temos duas páginas a propósito do ano que passou sobre da morte de Maria de Lurdes Pintassilgo. Essa sim, com chamada de primeira.
Desculpem lá ser desagradável, mas há qualquer coisa aqui que não faz sentido, certo?
O Público tem hoje um trabalho muito bem feito sobre a poluição na região de Lisboa e Vale do Tejo. Está muito completo, com vários indicadores, soluções possíveis (com custos e efeitos) as opiniões dos candidatos, tudo. Ah! Um pormenor: está no Local e não teve direito a uma única chamada de primeira página.
Já na Política, temos duas páginas a propósito do ano que passou sobre da morte de Maria de Lurdes Pintassilgo. Essa sim, com chamada de primeira.
Desculpem lá ser desagradável, mas há qualquer coisa aqui que não faz sentido, certo?
09 julho 2005
Guerra psicológica
O centro da cidade de Birbingham está a ser evacuado neste momento, segundo a BBC. O maior perigo do terrorismo não está nas explosões, mas na nossa cabeça - e é esse o grande trunfo dos que odeiam as sociedades abertas. Hoje como ontem.
A guerra, esta guerra, ainda mal começou.
A guerra, esta guerra, ainda mal começou.
Coisas óbvias
A blogosfera tem destas coisas: basta olharmos para o vazio do Barnabé para percebermos que as palavras escritas são bem mais difíceis de digerir do que as ditas - essas, o vento leva-as rapidamente. Coisas dessas já aconteceram por aqui, já tinham acontecido por outros spots, entre amigos ou desconhecidos.
Acontece que ontem o Francisco escreveu umas linhas sobre o Público destes dias. Nada que não seja dito por todo o lado, nada que não seja partilhado por muitos jornalistas que ontem, antes de ontem e desde há anos admiram o Público, compram o Público, devoram o Público. O Francisco disse o que eu próprio já disse por aqui. Logo, logo, o Nuno reagiu. A quente, estou seguro, defendendo a sua dama - coisas que acontecem. Pois o Francisco contra-reagiu, explicando ponto a ponto porque tem pena que o Público, o nosso jornal, não lhe encha as medidas - como acontece comigo.
Tudo isto para dizer que o Francisco tem razão. Podia mesmo ter passado a tarde a explicar porquê, recolhendo alguns dados dos últimos meses. Ao caso, nem merece a pena.Quem gosta do Público, como nós, sabe bem do que falamos. Quem compra o Público, como nós, desde que ele nasceu, não precisa de uma recolha de dados. Só que o Público, o próprio Público, perceba isto: que precisamos do nosso jornal de volta. Por favor, sim?
Acontece que ontem o Francisco escreveu umas linhas sobre o Público destes dias. Nada que não seja dito por todo o lado, nada que não seja partilhado por muitos jornalistas que ontem, antes de ontem e desde há anos admiram o Público, compram o Público, devoram o Público. O Francisco disse o que eu próprio já disse por aqui. Logo, logo, o Nuno reagiu. A quente, estou seguro, defendendo a sua dama - coisas que acontecem. Pois o Francisco contra-reagiu, explicando ponto a ponto porque tem pena que o Público, o nosso jornal, não lhe encha as medidas - como acontece comigo.
Tudo isto para dizer que o Francisco tem razão. Podia mesmo ter passado a tarde a explicar porquê, recolhendo alguns dados dos últimos meses. Ao caso, nem merece a pena.Quem gosta do Público, como nós, sabe bem do que falamos. Quem compra o Público, como nós, desde que ele nasceu, não precisa de uma recolha de dados. Só que o Público, o próprio Público, perceba isto: que precisamos do nosso jornal de volta. Por favor, sim?
07 julho 2005
Terrorismo
Atentados em Londres. Blair chocado. A Europa volta ao estado de alerta máximo. Tinha várias coisas para escrever, atrasadas. Não vale a pena. Hoje, que estreia em Portugal a Guerra dos Mundos, o Ocidente volta a estar em luto. É guerra, queiram ou não. E pior, muito pior, do que a do filme.
29 junho 2005
O referendo ao aborto é...
...uma manobra de diversão.
...uma maneira de nos obrigar a ir às urnas três vezes em cinco meses.
...uma tentativa de aprovar uma lei sem haver tempo de discussão de um assunto importante.
Dito isto, eu não vou votar. E, já agora, votaria sim.
...uma maneira de nos obrigar a ir às urnas três vezes em cinco meses.
...uma tentativa de aprovar uma lei sem haver tempo de discussão de um assunto importante.
Dito isto, eu não vou votar. E, já agora, votaria sim.
28 junho 2005
O Iraque, tanto tempo depois
Faz 365 dias que o Iraque recebeu o seu primeiro governo democrático em meio século. José Lamego, socialista e ex-representante português na Administração Provisória, faz um balanço interessante, no DE. Diz que foi um ano sem progressos assinaláveis, situação atribuível ao clima de insegurança que persiste naquele território - uma espécide de PREC iraquiano, na escala devida, que não impede (como não impediu por cá) que se fale numa era de democracia. Instável, sim, perigosa, claro, mas democracia.
Depois, Lamego fala da intervenção que depôs Saddam. "Uma guerra é sempre um facto terrível e a história não pode ser avaliada de um ponto de vista normativo. De qualquer modo, no Iraque não houve progressos substanciais, mas há uma progressão em toda a região, nomeadamente na Síria, no Líbano, o regresso da Líbia à comunidade internacional, que tem a ver também com o facto de ter sido exercida uma ameaça militar credível sobre um país que se comportava como um agressor sistemático relativamente a vizinhos mais fracos". Por outras palavras, Lamego diz que o Médio Oriente está mais seguro. O que, há dois anos e meio, ninguém ousaria, sequer, pensar.
Depois, Lamego fala da intervenção que depôs Saddam. "Uma guerra é sempre um facto terrível e a história não pode ser avaliada de um ponto de vista normativo. De qualquer modo, no Iraque não houve progressos substanciais, mas há uma progressão em toda a região, nomeadamente na Síria, no Líbano, o regresso da Líbia à comunidade internacional, que tem a ver também com o facto de ter sido exercida uma ameaça militar credível sobre um país que se comportava como um agressor sistemático relativamente a vizinhos mais fracos". Por outras palavras, Lamego diz que o Médio Oriente está mais seguro. O que, há dois anos e meio, ninguém ousaria, sequer, pensar.
27 junho 2005
Comédia semântica
O Ministro das Finanças diz que o Rectificativo não tem um erro, mas apenas uma incorrecção. Essa incorrecção, entre outras coisas, implica que - afinal - a despesa do Estado não fica acima dos 50% e que os números podem bater certo com o Programa de Estabilidade, entregue há duas semanas em Bruxelas.
Acho que encontrei uma solução para esta pequena polémica. Mudem o OR para inglês e usem uma palavra sem sinónimos: incompetence. Assim arrumam o assunto de uma vez.
Acho que encontrei uma solução para esta pequena polémica. Mudem o OR para inglês e usem uma palavra sem sinónimos: incompetence. Assim arrumam o assunto de uma vez.
Resposta simples
ao Milhafre: não, dr., não acho bem que os jornalistas batam palmas ao Juncker ou a qualquer outro político. Apesar da independência não se medir pelo silêncio, mas pelo trabalho. Está bem assim?
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