06 fevereiro 2006

UPA! UPA! OPA

O sr. engenheiro Azevedo, conhecido como o Belmiro mais rico de Portugal, anunciou uma OPA à maior empresa portuguesa, onde os mais fortes são os espanhóis da Telefónica. Patriotas, todos nós gritamos UPA! UPA! OPA. A PT vai ser portuguesa. Só que o sr. Belmiro, conhecido como o Azevedo mais rico de Portugal, escolheu os espanhóis do Santander para financiar a operação e tem como principal aliada a muito francesa France Telecom. Dá-se também o caso do sr. Belmiro de Azevedo, conhecido como o engenheiro mais rico de Portugal, precisar que o sr. José Sócrates, conhecido por ser o engenheiro mais primeiro-ministro de Portugal, liberte a golden share que faz da PT a empresa mais portuguesa de Portugal.
Vamos continuar a pagar caro a telefonia sem fios, com fios, com cabos e sem cabos.
Ou me engano muito ou a espanhola Telefónica vai lançar uma contra-OPA não tarda nada!

Abriu a época de caça

Aqui na redacção está tudo doido com a OPA da Sonae sobre a PT. Os títulos deverão andar à volta disto.

Eu, aqui no blog, avanço com outra manchete: ESPANHÓIS FICAM COM TUDO.

Será que o Sócrates vai actuar à espanhola e bloquear a operação? Esperemos pelos próximos dias.

Estão a abusar



Vejam como os lampiões andam a retratar o PAPA da nação portista:

Querem guerra. Vão ter guerra. Amanhã (o mais tardar depois de amanhã) milhões de crentes sairão à rua para queimar bandeiras do Benfica, destruir sedes dos lampiões e andar com os camiões para trás e para a frente para fazer subir o preço do gasóleo.

Estou indignado! Muito indignado!

O QUE É QUE É ISTO? Blasfémia das grandes. Utilizaram uma criança a fazer uma malandrice para gozar com o santo nome do fêquêpê. Estão lixados. Vou queimar bandeiras do Benfica, destruir sedes dos lampiões e ameaçar com uma subida no preço do gasóleo.

Vão roubar para a estrada!


Assim não dá. Estou revoltado. Não vi, mas confio no portista que me disse que o penalti que permitiu ao Braga empatar aos 88 minutos foi precedido de um fora de jogo. Fiquei indignado. Com a minha religião não se brinca. Podem fazer cartoons, mas não roubem. Roubar é pecado. Vou queimar bandeiras do Benfica, destruir sedes dos lampiões, ameaçá-los com uma subida no preço do gasóleo.

Os deuses devem estar loucos

Não vejo garrafas de coca-cola a cair do céu, mas revejo-me no que o Francisco escreveu. Está tudo maluco. Dizem-nos da América que o mundo ficou plano, que a net nivelou as oportunidades, que um indiano ou um chinês já podem enriquecer sem emigrar. Vemos a mesma América a insistir em comandar o planeta e os donos do ouro negro a fazerem frente ao Tio Sam. Sabemos que a retoma não retoma porque está dependente do preço desse ouro. O Irão e a Venezuela ameaçam com a subida do preço do barril e avisam que vão continuar a armar-se. Não se trata de se armar aos cucos que isso eles fazem muito bem, é mesmo comprar armas ou fabricá-las no caso do Irão. Para que o mundo perceba como a coisa é séria, o melhor mesmo é discutir cartoons e impedir que os Stones tragam o sexo para o futebol americano. Algum dia vai chover coca-cola. Os deuses que fiquem com as garrafas.

A censura dos Stones no Super Bowl


Dadas as "referências sexuais explícitas" de algumas canções dos Rolling Stones a Liga Nacional de Futebol Americano decidiu fazer o que quarenta e tal anos de palco não conseguiram: decretou alterações em alguns temas. Por exemplo: o "Star me up" ficou sem uma palavra que refere a inclinação sexual de uma mulher por um homem morto; o "Rough Justice" foi interpretado sem a palavra que denomina o orgão genital masculino e, por incrível que pareça, na actuação que durou 20 minutos, só o "Satisfaction" foi cantado sem qualquer censura(os senhores da Liga não toparam que a satisfação vai muito para lá do estômago...).
Olho para o oriente em chamas e faltam-me referências. A ocidente idem, idem, chavéz, chávez. A norte, o inverno não chega para arrefecer os ânimos. Resta-me o sul. Se me adaptar ao frio polar...

A montanha foi a Maomé?


Estive noutro mundo de quarta a domingo. Em Marraqueche ninguém sabe quem é o Sócrates, o Mendes, o Cavaco. o Sampaio. Nem querem saber do Bill Gates.
São adeptos do Maomé Futebol Clube como eu sou do Futebol Clube do Porto, mas como andam preocupados com o turismo não se meteram nessas confusões de atirar pedras e pegar fogo por causa de cartoons.
Aqui repruzem-se dois desenhos. O primeiro, a cores, foi desenhado por muçulmanos. O segundo, a preto e branco, foi desenhado por quem não gosta de muçulmanos. São muito parecidos, só que o primeiro não tem rastilho.

P.S. Por que razão o Insubmisso ainda não tinha mostrado aos seus leitores o cartoon da discórdia? Se fizerem um cartoon do Pinto da Costa a atirar pedras ao Adriansen (será que é assim que se escreve?) eu serei o primeiro a publicá-lo. e olhem que o pintinho é mais que o meu papa!

As caricaturas de Maomé

Um adepto do Benfica decide festejar um golo no meio da bancada sul do estádio de Alvalade e leva um monumental enxerto de porrada. Livre exercício de um direito constitucional ou desrespeito pela crença alheia?
Digo eu: os festejos eram evitáveis e o espancamento é tão criticável como inevitável. Gás mais chama é igual a fogo.

03 fevereiro 2006

Importa-se de repetir?

O FCP cortou relações com os Super Dragões por causa dos incidentes com Adriaanse.
"Alguém dentro do FCP está a tentar denegrir a nossa imagem", responde o presidente dos Super Dragões.
Desculpe? "Alguém está a tentar denegrir a nossa imagem"? Importa-se de repetir?

A rota da confiança

Novo modelo na Autoeuropa, a fábrica do Ikea, a nova refinaria de Sines, a vinda de Bill Gates a Portugal. O que é que estes projectos têm em comum? Fizeram parte da campanha mediática do Governo que decorreu nas últimas semanas. O primeiro-ministro, José Sócrates, e o ministro da Economia, Manuel Pinho, – que entretanto se safou da remodelação – quase conseguiram convencer os mais distraídos de que Portugal voltou a estar na moda em termos de fluxos de investimento directo estrangeiro.

Os últimos dados do INE, referentes aos níveis de confiança dos empresários e consumidores, permitiram fazer um ponto de ordem à mesa. Apesar de todo o espectáculo dos anúncios, a verdade é que a confiança dos agentes económicos continua a degradar-se, batendo todos os meses novos recordes negativos. E sem confiança não há retoma, sobretudo, ao nível do investimento privado, essencial para que o produto nacional volte a crescer a níveis que permitam a redução do desemprego.

Qual a lição a tirar por Sócrates? Os empresários e as famílias não são burros, nem distraídos. Como explica a teoria económica, são agentes racionais que sabem analisar a informação disponível de forma a perceberem como podem maximizar o seu bem-estar. Ou seja, toda a gente percebeu que estes investimentos – a confirmarem-se – só terão efeitos lá para 2008 ou 2009. Até lá, a crise mantém-se. E não está excluída a hipótese de 2005 ter fechado com mais uma recessão técnica. A ver vamos...

Qual a rota para a confiança? Simples, fácil e barato. Uma política macroeconómica clara e estável, que terá de passar por melhorar a situação orçamental de forma a que, no futuro próximo, Teixeira dos Santos possa anunciar uma baixa dos impostos sobre as empresas e famílias. Esta estratégia foi testada em outros países com sucesso garantido. Não vale a pena inventar, nem dar 'show off'



Por motivos pessoais, falhei a minha promessa de ano novo: escrever um post diário. A tormenta ainda não passou completamente, mas a vida continua. Fica aqui um pedido de desculpas aos companheiros do Insubmisso.

02 fevereiro 2006

Ele há coincidências!

O corrector ortográfico do Milenium (o programa informático com que trabalhamos aqui no jornal) manda-me substituir a palavra "Sócrates" por "Secretas". Juro que não estou a brincar!

Bill Gates veio ao Portugal dos pequeninos



foto: DN, Leonardo Negrão

01 fevereiro 2006

Baixa médica

Jorge Sampaio deslocou as omoplatas depois de dias consecutivos a alçar faixas de condecoração sobre pescoços e troncos de destacados cidadãos do Mundo.

Registo

Está um pássaro a cantar na janela do meu quarto. Não lhe distingo a forma, não lhe imagino o bico, não lhe vejo a cor, não lhe adivinho o voo. Mas está um pássaro a cantar na janela do meu quarto.

Do you?

- Do you believe in love at first sight?

- I believe in lust at first sight.

31 janeiro 2006

Jobs against Gates

Eu, que costumo estar do lado das minorias, voto em Steve Jobs, o senhor da Apple.

Eu gosto do Vasco

É que gosto mesmo. O Vasco Pulido Valente não tem fortuna, não tem computadores. Não sei, até, se o Vasco dá dinheiro para África. Sei, isso sim, que o Vasco mal sai de casa, que pouco se deixa fotografar, que é anti-social.

Mas o Vasco, este Vasco, escreve assim – e não tem igual. Por cá, não tem mesmo.
Cá fica, como homenagem e agradecimento:

"
A propósito, também estive no parlamento. Seis meses, com as férias de Natal pelo meio. Não fiz nada. O grande problema era arrumar o carro (não havia ainda uma garagem especial para os senhores deputados) e, a seguir, o almoço, sempre uma aventura naquela parte do mundo. De resto, corria tudo bem. Assinava o "livro", porque a Assembleia da República não confia nos representantes da nação e espera (compreensivelmente) que eles não ponham lá os pés. Só encontrei esta solicitude, aos treze anos, no Liceu Camões. Nessa altura, passava as tardes no cinema, angustiado pela "falta". Em S. Bento, não faltava ou, pelo menos, não faltava muito. Lia os jornais, os que tinha trazido e os do Pacheco Pereira. Nunca levei um livro por causa da televisão, que aparentemente embirra com deputados que lêem livros. Fora isso, conversava e passeava pelos corredores. Passos perdidos, de facto. De quando em quando recebia instruções para votar assim ou assado. Sem um comentário. A direcção da bancada é que sabe e manda. Às quatro e meia da tarde, no mictório nacional, imemorialmente entupido, a urina já chegava à porta (consta que neste capítulo as coisas melhoraram). Às cinco e meia, derreado, voltava para casa. Uma vez por semana, na minha comissão, a Defesa, ouvia um general indescrito repetir o comunicado da USIA sobre a Bósnia. Não se permitiam perguntas. No dia em que me demiti, um bando de jornalistas, de microfone espetado, exigiu explicações.
"

Fê Quê Pê

Este inquérito aqui ao lado, DD, era desnecessário... Obviamente que o FCP vai ser campeão. O Mourinho hoje já disse que ia tentar arranjar o telemóvel do Co Adrianse para lhe telefonar depois a dar os parabéns. O Mourinho é que sabe.

(Nota: factos adulterados a bem de uma boa história)

Terra de provincianos, Governo de província

Basta Bill Gates vir à santa terrinha que é recebido como se fosse o Papa. Que as televisões se pelem por uma imagem do homem, que os jornais aproveitem para explicar o seu império, ainda vá que não vá. Agora, que o Governo em peso, que os chefes da administração pública e restantes senhores do país tirem a tarde para ouvir o homem falar, já dá vontade de chorar. Ao menos, provincianismo por provincianismo, que aprendam com ele a sua maior virtude: ser um homem normal, pese embora a sua fortuna. Ser um homem de bem, também por essa mesma fortuna. Se os senhores deste país aprenderem isso, já aprendem muito. E talvez deixem para trás o fascínio pelo homem e aprendam o fascínio do bem-viver.