16 fevereiro 2006

Pacheco e o Queijo

Sou novo na blogosfera, mas como já disse estou viciado. Agora, por exemplo, estou numa loja PT, no Rossio, a dar uma volta nos blogs. Tirei o dia para mim, ou seja estou de folga, e como andava a passear pela baixa lisboeta dei aqui um salto.
A Grande Loja anda há muito tempo às turras com o Abrupto. Sou obrigado a confessar, como se já não bastasse o que escrevi sobre o blog do Pacheco e o senhor propriamente dito, que me faz confusão vê-lo armado em polícia.
Tanto quanto sei, estes são dois dos blogs informativos com mais audiência e estes arrufos ainda os ajudam a crescer mais. É uma das leis do debate que Pacheco ainda não escreveu. Ficamos à espera.
Do que já aprendi sobre a blogosfera, muito pouco é claro, já deu para perceber que a ANARQUIA encontrou o seu espaço para triunfar. Nem pode ser de outra maneira. Anónimos ou assumidos, neste espaço infinito todos podem dizer o que querem. É claro que isto faz com que exista muita irresponsabilidade, muito aldrabice e muitos interesses escondidos. Mas também dá para aumentar o debate e o saber, para acrescentar humor à análise política, para tantas outras coisas boas.
O que quer afinal Pacheco Pereira? Alguém lhe pediu para ser o polícia e lhe entregou uma farda? Pensará Pacheco que todos os que circulam pela blogosfera, excepto ele é claro, são estúpidos e, por isso, não sabem avaliar cada um dos posts que lhes é dado a ler?
Pacheco utlizou esta táctica quando esteve a tempo inteiro na política e acabou por sair de lá para se dedicar a tempo inteiro à escrita, ao comentário e à blogosfera. Começo a acreditar que ele deixou de ser dirigente partidário porque os seus companheiros de partido, e dos restantes, deixaram de ter pachorra para ele. Isso é que Pacheco não aguenta. Ele quer que o ouçam e que o sigam.
Se a política partidária já não conta com Pacheco porque ele se cansou dos que não o ouvem, faltarão muitos anos para ele se cansar de ser o polícia cá do sitio? Para já, ele acumula esse estatuto com o poder de fazer leis (do Abrupto, é claro) para os debates na blogosfera. Espero não ter quebrado nenhum mandamento.
Avé, César!

Desembucha Pacheco

O profeta há vários dias que promete apresentar-nos os dez mandamentos (chama-lhe leis) para os debates na blogosfera. Mas há vários dias que não passa do sexto mandamento. Dá assim tanto trabalho inventar as outras quatro? Têm mesmo de ser dez?

Jornalismo II

O Pedro Tadeu considera que a redacção é um local sagrado. Eu não acho, nem consigo olhar para o Tadeu como o senhor Padre. Mas que a tentativa do Ministério Público de atirar tudo para cima do tablóide dá que pensar, lá isso dá...

Jornalismo I

Lembram-se das manchetes sobre as suspeitas do Ministério Público de que Isabel Damasceno estava envolvida no Apito Dourado. Há hoje uma pequena notícia nos jornais a dizer que o processo foi arquivado porque não há o mínimo indício para a acusação. As suspeitas valem manchetes, a inocência uma pequena notícia sem chamada à capa.
Assim vamos nós jornalistas.

24 Horas promove desodorizante*


*Há um cartoonista em cada um de nós.

Parabéns


O Baldaia faz anos.

15 fevereiro 2006

Muitas 24 Horas pela frente

Para quem acha que o que se passou hoje no 24 Horas, com a PêJota a entrar de rompante a obrigar todos os jornalistas a sentirem-se como criminosos, não foi nada, pensem só no seguinte:
Não perceberam que a caça às fontes dos jornalistas vai fazer das fontes uma espécie em vias de extinção?
O jornalismo e os jornalistas estão a precisar de se organizar. Também podemos continuar assim, com dois ou três patrões a porem e disporem dos periodistas, com jornalistas a escreverem tudo o que lhes apetece e a condenarem com isso toda a classe ao descrédito. Etc, etc, etc...

Tenham medo, tenham muito medo!

Tem razão a drª BB. O nosso primeiro está a ser licencioso.
Mas a mim parece-me que a coisa é um pouquito mais confrangedora. O senhor está com 'cagufes' e quer que todos nós nos borremos de medo.
Temos soldados lá longe, no Islão. Precisamos de ser responsáveis com as caricaturas para não irritar os senhores do Islão, não vão eles bater nos nossos valorosos soldados ou queimar os novos equipamentos de Scolari.
E se eles se lembram de vir para cá pôr bombas? Isso então é que era uma chatice.
Quietos, caladinhos no nosso canto é que nós estamos bem. Eles julgam que isto faz parte de Espanha e em Espanha eles gostam de pôr bombas é em Madrid. Não se metam com eles. Tenham medo, tenham muito medo!

Licenciosidade

José Sócrates falou finalmente sobre o caso dos cartoons. Para defender a posição tomada pelo MNE e lembrar que existem portugueses em missões de paz nos países islâmicos.
É isto que um primeiro-ministro tem para dizer?

Parece-me que o primeiro-ministro está a ser um bocadinho licencioso.

Entretanto, o PCP veio elogiar as declarações de Freitas do Amaral, dizendo que "são bem vindas declarações, atitudes e iniciativas que visem travar a escalada de confronto em que forças racistas, obscurantistas e de extrema-direita estão apostadas". Pois são. Mas não é isso que está em causa. Ou os jornalistas dinamarqueses são forças racistas, obscurantistas e de extrema-direita?

Parece-me que o PCP está a ser um bocadinho licencioso.

[re-edit]

Dúvida muito mais importante que o envelope 9

Dizem-me aqui que o Governo vai impedir a importação de penas não tratadas para serem incluídas nos edredons. Mas, assim sendo, a malta aquece como?

Só uma perguntinha

Mas é assim tão mau a PJ ir a um jornal? Cá por mim, se quiserem, podem vir aqui buscar os computadores. Mas levem todos, tá bem? Que não sobre nenhum para eu poder ir ler uns livros para a esplanada.

Um Estado policial

A última. Fresquinha.
Um repórter fotográfico do DN também subiu ao quinto andar para registar o momento, a polícia não esteve pelos ajustes. Notificou o jornalista. Devem pensar que a publicação destas fotos impede o normal desenrolar das investigações. Só querem intimidar. Mais nada!

Querem meter-nos na ordem!

A cena, ao que me contam, parecia um filme de acção. Filme tipo B. Uns polícias chegam ao edificio do DN, onde o 24 Horas está instalado, e correm tudo a proibições. Ninguém fala ao telefone, ninguém mexe no computador, ninguém respira.O tom intimidatório foi de tal ordem que no jornal todos acreditam estar sob escuta. Os leitores telefonam e, só pode ser a gozar a PJ, identicam-se com número de BI e tudo. O ministro queria urgência na investigação, o Ministério Público e a PJ respondem, mais de um mês depois da manchete, com uma busca, é melhor chamar-lhe um raide intimidatório, a uma redacção. Eu subi e vi: os jornalistas do 24 Horas todos arrumados a um cantinho por ordem da polícia. É preciso que nos metam na ordem, mas já agora convinha que fosse uma Ordem que nos defenda.

Os jornalistas precisam de uma Ordem

Parece-me que voltou a ser tempo de discutir a existência de uma Ordem dos Jornalistas.Seja porque o sindicato há muito que não representa os interesses da classe, seja porque a cada dia que passa mais se percebe que tem de haver regras claras no exercicio do jornalismo e alguém que garanta que elas são cumpridas. Deixar tudo como está é, na minha opinião, deixar que os jornalistas sejam controlados pelo lado de fora.Voltarei ao assunto na expectativa de conseguir lançar o debate nos blogs, pelo menos entre os blogs que são maioritariamente feitos por jornalistas. Os outros também são bem vindos ao debate.

O Costa é que sabe

Apertou com eles e, olha, já estão a mostrar serviço.

Lido

"Cavaco não tem o dom da palavra, não é uma figura que eu presuma que o sexo oposto entenda que é extremamente sedutor, mas é um homem sério".

Rui Machete, ao Diário Económico.

O mundo anda virado ao contrário



Mais imagens de Abu Ghraib. Aqui

A sina de Mendes


É um político experiente, resistente e as recentes vitórias eleitorais ajudam. Mas não tem a vida facilitada. Marques Mendes, um verdadeiro social-democrata, lidera a oposição a um governo maioritário do Partido Socialista. José Sócrates, o adversário que vem da ala mais à direita do PS, tem tido um desempenho seguro como primeiro-ministro (basta ler os mais recentes estudos de opinião). Na Presidência vai estar Cavaco que protegerá o Governo sempre que este mantiver o rumo - o que, traços gerais, tem acontecido.
Há ainda o PSD, um partido catch-all, que não perdoa a falta de uma via verde de acesso ao poder. Enquanto isso, santanistas estão (como sempre...) por aí, menezistas enchem o peito como podem e barrosistas não morrem de amores pelo líder. A terceira via estacionou na garagem do Palácio de Belém até que um novo "raid" se justifique. A bancada parlamentar prova, dossier atrás de dossier, que não se fazem omoletas sem ovos. Chegará Mendes a S. Bento com tanto obstáculo no caminho?
Durão Barroso disse a Guterres, à época ainda em alta nas sondagens, que um dia seria primeiro-ministro: só não sabia era quando. E acrescentou que, apesar de Guterres ter sido um melhor líder da oposição, ele daria um melhor primeiro-ministro. "Como? Só não sabe é quando?!", clamaram jornais e opinion makers. Para Durão foi só uma questão de tempo. E para Mendes? Depende do seu desempenho, coragem de enfrentar um governo em alta e capacidade de controlo de um partido partido. Longe vão os tempos em que uma leitura das estrelas dava acesso ao poder. O país agradece.

14 fevereiro 2006

D.Pedro, o Correia

Tenho andado a ler o http://corta-fitas.blogspot.com/. O Pedro escreve posts curtos, mas com muita piada. São pequenas setas de veneno que só fazem bem a quem apanha com elas. A análise fina já tem lugar cativo na blogosfera. Vale a pena passar por lá.

O aliado de Freitas

Basta ler.

"O embaixador do Irão em Lisboa considerou esta terça-feira que a imprensa portuguesa «teve uma atitude positiva» em relação à polémica em torno das caricaturas de Maomé.
Em entrevista à Antena 1, Mohammed Taheri considera que «o ministro Freitas do Amaral teve uma posição que deve ser destacada. Disse coisas muito positivas e muito lógicas».
O representante do Irão disse ainda que é normal que o presidente do seu país queira organizar um seminário sobre o tema do Holocausto: «A liberdade afinal termina quando se fala de Holocausto?».
O embaixador diz que «há muito por contar» e que ele próprio esteve em Auchwitz e fez «as contas». «Para incinerar seis milhões de pessoas seriam precisos 15 anos, por isso há muito que explicar e contar»."

Chega?

Há por aí mais um desempregado?

Estive quase quatro horas sem escrever aqui no blog. Sabem o que aconteceu entretanto? Não sabem, eu digo:
Houve 60 pessoas que se foram inscrever nos Centros de Emprego. Durante o dia de hoje foram 381. No mês passado foram quase 12 mil. Estamos rés-vés Campo de Ourique para chegar ao meio milhão. Quinhentos mil coitados que não sabem como ganhar a vida.
A memória é curta e o tempo foge. Quando Sócrates conseguir cumprir a promessa de criar 150 mil novos empregos, eles já não chegarão para pôr a taxa de desemprego como ele a encontrou.

P.S. Lá estou a militar na oposição. A ser do contra. Raios partam o vício.

País singlefóbico


No Dia dos Namorados, constato que vivo num país não só homofóbico como também singlefóbico (acabei de inventar o termo e parece-me bem).
Pois não é que, em pleno Chiado, ofereciam girassóis (de plástico, é certo, mas sempre eram girassóis) única e exclusivamente… aos casais. Ou seja, uma gaja solteira e boa rapariga não tem direito a uma flor.

Uma gaja até ia bem disposta, porque estava sol e calor e o sol e o calor enchem-se a alma e dão-me alegria, e acontece aquilo… Não me dão uma flor, porque não tenho “namorado”. Tá mal.

Percebo agora o terror que é para muitas gajas aparecerem sozinhas num casamento. Eu prefiro aparecer com um S2000 emprestado e dizer que não me caso nem tenho filhos, porque senão não há dinheiro para alimentar o carro. E depois olham para mim com ar aparvalhado e acreditam. Dá-me gozo. É a vidinha…

(just for the record: hoje é também o Dia Europeu da Disfunção Eréctil)

Quem paga é pensionista!

Atirem-me areia para os olhos que eu gosto. Se o meu salário subir com menos retenção do IRS, isto só quer dizer que o cheque que recebo em Setembro vai ser mais magrinho. Ou seja, menos uma maneira de poupar uns trocos. Ponto.

A única coisa que me ocorreu hoje de manhã quando ouvi a notícia na rádio é que o Governo não estava com vontade nenhuma que durante o dia se andasse a falar dos aumentos das rendas.

Mas essa é outra grande tanga, já que 75% das rendas que vão ser alteradas são potencialmente “ganhadoras” de um subsídio do Estado, como diz hoje o secretário de Estado ao Diário Económico.

A notícia do DN, aparentemente, baseia-se na leitura dos quadros da Ernst&Young. Algumas retenções na fonte são alteradas, daí que a notícia (não a querendo desvalorizar, porque não é essa a minha intenção) seja, apenas e tão só, essa.

Para além do mais, os pensionistas vêem ser-lhes aumentado o imposto a pagar em 2007. A manchete não devia ser essa?

Conclusão: nesta história toda, os verdadeiros prejudicados são os pensionistas: o maior alvo da reforma do arrendamento (dos cerca de 400 mil contratos de arrendamento que vão ser aumentados, à volta de 300 mil correspondem a inquilinos com mais de 65 anos e menos de 5 salários mínimos) e os mais prejudicados nas alterações à retenção na fonte em IRS.

A biblia de Pacheco


Passei de um estado de blogofobia para um estado de blogodependência. É como se a minha fobia a agulhas se tivesse transformado na necessidade de andar a espetar, a toda a hora, agulhas no corpo.
Prova desta minha nova dependência é a forma como vampirizei O Insubmisso, blog para o qual pedi um convite ao 'director' David Dinis.
Estou sempre a postar, o que na minha definição de blogosfera é exactamente mandar umas 'postas de pescada' sobre tudo o que mexe.
A malta opina, logo existe.
Esta é, claramente, a grande vantagem dos blogs. É navegando nos pensamentos de uns e de outros que encontramos novas perguntas e procuramos novas respostas. Concordando ou discordando do que lemos.
Vem isto a propósito da Bibliosfera que Pacheco Pereira começou a elaborar no Abrupto . Nesta matéria, eu sou um 'cristão novo' e só posso orientar-me pelas certezas do profeta. Duvidando, sempre duvidando, porque esta religião que agora professo tem como primeiro mandamento não acreditar na existência de profetas.

Comunicado das Necessidades

O sr. ministro dos Negócios Estrangeiros foi informado que Saddam Hussein está em greve de fome. Em consequência, o exmo sr ministro apela veementemente à comunidade internacional para que restitua o poder ao ex-líder iraquiano, o mais brevemente possível, de forma a não permitir a sua morte e a restituir-lhe o que o temível povo ocidental lhe tirou.

A golpada

Está em curso a maior golpada da década.
O DN traz a boa nova e explica a verdade dos factos, mas não se coíbe de fazer a seguinte abertura de texto: Milhões de contribuintes por conta de outrem terão acréscimos salariais já no final deste mês.
No parágrafo segundo lá vem a má nova: Prejudicados estão os pensionistas, bem como os titulares de rendimentos acima dos dez mil euros mensais.
E lá vamos andando até percebermos que, afinal, o Estado acabará por reter mais do que retém hoje e, nos casos onde vai reter menos, a coisa traduz-se numas dezenas de euros para os contribuintes.
A verdade é que esses mesmos contribuintes que no Verão recebiam uns cheques surpresa com o que descontaram a mais, vão deixar de ter um Verão azul.
A verdade é que ninguém vai pagar um cêntimo a menos em impostos. Nem um cêntimo a menos. Quem são então os milhões por conta de outrem que vão ter acréscimos salariais no final do mês?
É muito confuso para a minha cabeça. O Tico e o Teco (os meus neurónios mais activos) estão pegados desde de que, pela manhã, ouviram a noticia na TV. Vou ter de pôr os dois de castigo. Há noticias que o Tico e o Teco nunca vão ser capazes de decifrar.
Ah! Já me esquecia. O meu obrigado, muito obrigado ao Governo. Acréscimo salarial no mês de aniversário, é uma prenda, não é?

Namoro



Não há um que sempre dure, nem algum que nunca acabe.

Concurso a publicar em DR

A ideia surgiu-me depois da Casa da Caricatura do Irão ter aberto um concurso de caricaturas sobre o Holocausto.

"Portugal oferece Professor Doutor, sócio honorário da «Real Academia de Ciencias Morales y Politicas», ex-presidente da Cedersp (Comissão de Estudo e Debate da Reforma do Sistema Prisional), ex-júri de 23 mestrados, arguente em 9 doutoramentos e em 6 provas públicas de agregação, ex-membro do Conselho Científico da Escola de Direito da Universidade do Minho - que ajudou a criar -, candidato à Presidência da República em 1986, tendo perdido a eleição obtendo, contudo, 48,8% da votação total, agraciado pelos Presidentes da República, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio e, entre outros distintos serviços prestados à humanidade, primeiro director do CEDIS (Centro de Investigação sobre Direito e Sociedade). Despesas de envio e taxas alfandegárias serão assumidas pela entidade promotora do concurso".

[Por uma questão comercial, eles não precisam de saber que falamos de Diogo Pinto Freitas do Amaral]

O mar e a pesca

Um bom pescador não se engana. Não troca um pargo legítimo por um carapau. Distingue um linguado de uma sarda. A PJ achou que tinha um tubarão nas mãos e "pousou" para a fotografia com os holandeses detidos, um deles "suspeito de ligações ao terrorismo islâmico". Um verdadeiro troféu!
Mas não é bem assim. O senhores são mais do que delinquentes mas não chegam aos calcanhares de um terrorista: parece que assassinaram seis pessoas. Ufa!
Atlânticos, com um passado ímpar de descobertas além mar mas...com mau pescado! Assim, vai a vida do burgo. E assim, continue...

13 fevereiro 2006

Abrem-se Portas, fecham-se janelas

Não está ausente, é prudente. Assim mesmo veio Portas dizer ao mundo que estava de volta. Vai fazer de Marcelo para a SIC e, já se sabe, vai marcar em cima os dirigentes do centro-direita. Daqui não virá nada de novo, porque em Portugal os comentadores valem mais quanto mais aparecem.
Bem ao contrário vive a política, em que os dirigentes atingem os melhores níveis de popularidade quanto mais se escondem. O fantasma de Sócrates não diz o que pensa sobre coisa nenhuma, mas chega para tornar invisível o pensamento de Mendes. O líder do CDS não existe, o do Bloco hibernou e do PC vai ficar à espera de uma nova campanha.
O que Portugal não dispensa são os comentários de Vasco Pulido Valente, Marcelo Rebelo de Sousa ou Miguel Sousa Tavares. Brevemente entra um novo artista em palco. Portas também será consagrado.

Temos equipamento, falta Quaresma

foto retirada do Público online

Aqui estão os novos fatinhos com que a selecção de Scolari vai à Alemanha representar Portugal. Eles até podem jogar de saias, mas convém que não se esqueçam de levar o cigano. Sim, sim. O Quaresma tem lugar na equipa de Portugal, mas como quem manda é o gajo que já sonha com a selcção inglesa, é bem provável que o cigano não seja convocado. Vale pouco ser, ao lado de Cristiano, um dos dois melhores jogadores portugueses da actualidade.

A igreja não se indigna?

A chamada Santa Sé (com direito a letra maiúscula e tudo) não se indigna com esta blasfémia. Eu, antigo católico praticante, cristão assumido e ateu, que até me chamo Jesus (de verdade), preferia ver o Cristo com uma bomba na cabeça do que ser comparado a Berlusconi. O Silvio anda a pedi-las.

O Berlusconi anda nos copos

Berlusconi jantou no passado sábado com apoiantes, na cidade de Ancona e no meio do jantar, julga-se que muito bebido, disse o seguinte: «Sou o Jesus Cristo da política, sou uma vítima paciente, que aguenta tudo e se sacrifica por todos». No dia anterior tinha-se comparado a Napoleão Bonaparte. O vinho italiano é bom, muito bom!

Descarregada


Bush: "Ufa!!"

Sondagem

1. A malta que por aqui passa está doidinha para lançar uma OPA, com apoio do BBVA. Chegam aos 50%, segundo a nossa última sondagem. Só depois, com 30%, se considera que o Belmiro pode ganhar à primeira. Ele que se cuide.

2. Nova sondagem aqui do burgo. A personagem? O nosso chefe de Estado para o Exterior. É um personagem, este ministro. Votem lá, sim?

3. Boa semana para todos.

Eu gostava de o ouvir




Se fosse vivo, Agostinho da Silva faria hoje 100 anos. Que falta faz o seu espírito livre. Este era o homem que efectivamente vivia como cidadão do mundo.

Freitas do Amaral

Propõe trocar as pedradas nas embaixadas e os cartoons infames pelo pontapé na bola. Boçal demais para um chefe da diplomacia. Faz lembrar o outro que garantia que os incêndios se devem a granadas.
Senhor ministro, quando não tem nada de interessante para dizer mais vale estar calado.

12 fevereiro 2006

Freitas e as suas boas ideias

O futebol é conhecido por gerar ondas pacíficas. Estamos habituados a ver a equipa perdedora a cumprimentar e congratular a vencedora. Palmadinhas nas costas. Apertos de mão calorosos. Abraços sentidos. A ideia do MNE, por isso, é boa. Já estou a imaginar o campeonato de futebol euro-árabe. Dum lado very lights disparados e cadeiras a voar e porrada contra a polícia e porrada contra o árbitro e porrada contra todos. Do outro lado, porrada contra todos e pedras a voar e cadeiras disparadas e, quiçá, porque não?, um homem-bomba ou outro, colocados estrategicamente nas bancadas... A ideia do Freitas é boa, é...

Um cartoon pra mim, um cartoon pra ti...

Por uma vez, concordo com a Igreja. O Cardeal Patriarca de Lisboa condenou os actos de violência em resposta aos cartoons, mas sublinhou que não pode ser posta em causa a liberdade de expressão, que tem, referiu, um risco: magoar. O Cardeal disse que, ele próprio, também se sente magoado com caricaturas de Deus ou de Cristo, mas revolta-se de outras formas. Eu não me sinto magoada com caricaturas de Deus ou de Cristo, mas acho que o Cardeal tem razão. Para além disso, D. José Policarpo também disse que, neste caso, há mais estratégias políticas que questões religiosas. Também concordo. A questão é que eu acho que, apesar de tudo, o mundo seria melhor sem religiões e, aí, eu e o Cardeal não estaremos de acordo.





Ainda a propósito da Igreja, o santuário de Fátima vai mudar de estatuto. As alterações ainda vão a debate. Não me interessa muito saber o que vai mudar em Fátima, porque o que eu gostava que mudasse vai continuar na mesma: o fundamentalismo católico de quem se arrasta de joelhos, o masoquismo estéril a que se assiste no santuário, o negócio chorudo à volta de santinhos e medalhinhas e pulseirinhas e crucifixozinhos de gosto duvidoso (esta é a minha liberdade de expressão).



De qualquer forma, gostei de ler no Correio da Manhã, "um alto representante da Igreja":

Quanto à colocação de um representante da Santa Sé na gestão do Santuário, para “maior vigilância teológica” – hipótese levantada após a realização de uma conferência ecuménica, da visita de um grupo de hindus e do Dalai Lama –, um alto representante da Igreja Católica portuguesa foi taxativo. “Não haverá cá ninguém. Era o que faltava.”

Uma opinião partilhada por D. Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas. “O Santuário não precisa de nenhum polícia teológico enviado pela Santa Sé. Nunca houve ali nenhum dislate, nenhuma inconformidade. Seria uma situação absurda e inaceitável. Se houvesse vigilância, seria dar razão aos radicais. Onde estava o espírito do diálogo inter-religioso iniciado por João Paulo II e continuado por Bento XVI. Onde estava a Igreja Católica de braços abertos?”

Presidente desautoriza MNE

Sampaio veio dizer que a liberdade de expressão não pode ser posta em causa e acrescentou que nada justifica a violência nos países muçulmanos. Freitas terá ouvido, alguma vez, tão grande desautorização? O que vale é que Sampaio está de saída, senão a vida do Freitas ainda ia ficar mais difícil do que já é.
Sócrates, pois claro, vai continuar caladinho para ver se ninguém dá por ele.

Uma bela foto. E não é do Maomé!


A foto foi retirada do http://esplanar.blogspot.com/ que não conseguiu descobrir quem é o autor. O João Pedro George não se deve incomodar muito (digo eu) com este roubo, uma vez que se aproveita a oportunidade para fazer pub ao blog dele.

Oh Freitas, bate a bola baixinho

Estou convencido que o homem não bate bem da bola. Não estou a inventar, ninguém me contou, eu ouvi Freitas dizer: "A melhor maneira de aproximar as duas civilizações é organizar um campeonato de futebol euro-árabe".
O homem tem uma inteligência que não pára de surpreender. Acabadinha a CAN (Taça das Nações Africanas), ganha pelos árabes do Egipto, com o mundial à porta, onde voltarão a estar os árabes, o melhor mesmo é preparar para o final do ano mais um campeonatozito. Brilhante! é preciso é ocupar os árabes com uns pontapés na bola. Quem tem um MNE assim sabe que o futuro é risonho.

Campeonato das civilizações


Lamentamos informar que o campeonato das civilizações, em que se têm destacado os jogos entre ocidentais e árabes, prossegue a um ritmo alucinante. Os católicos cederam o lugar aos protestantes ingleses e estes marcaram pontos que voltam a colocar a civilização mais avançada como favorita para vencer o campeonato da loucura. Uma dúzia de soldados fortemente armados contra quatro adolescentes, que cinco minutos antes atiravam pedras, é a prova provada que há civilizações com as quais não se brinca.
Já foi aberto um inquérito. No Oriente nem sequer fazem inquéritos e por cá, geralmente, não levam a lado nenhum.
Com o que se pode ver no vídeo é que os governos árabes se deviam revoltar. Não são apenas as imagens, são também os comentários do anormal inglês que está a filmar a cena toda. Vão lá ver e ouvir e tirem as vossas conclusões:
Vídeo no sítio do News of the World

11 fevereiro 2006

Ox Alá

A noite traz conversas que me fazem regressar à estúpida discussão religiosa. Quem quer que diga mal dos fundamentalistas islâmicos é imediatamente obrigado a esclarecer que só está a dizer mal do fundamentalismo, não dos islâmicos. Pois que a mim me chateia toda essa porcaria, fundamentalistas e islâmicos, juntos ou separados.
Na verdade, chateia-me a porcaria religiosa como sendo algo muito sério que todos deviamos respeitar. Fazem-me lembrar os ceguinhos do metro, com a sua lenga-lenga, pedinchice, os que sussurram que "com a fé não se brinca". Não gosto que me imponham a fé religiosa como uma coisa séria. Não gosto dos católicos, dos protestantes, dos judeus, dos hindus, dos muçulmanos, etc que se julgam melhores que os outros porque acreditam num deus. Fazem-me lembrar os gajos que fumam haxixe e julgam que os que não fumam são caretas.
Vão dar banho ao cão.
Mas também é preciso dizer que as sociedades que ainda andam à volta do islamismo são muito atrasadas. Em muitos, muitos aspectos. E não me refiro às questões de desenvolvimento económico ou político. Refiro-me apenas ao modo como se tratam uns aos outros, enquanto seres humanos. As mulheres para eles são apenas virgens que se oferecem a quem matar em nome de Alá. Na terra, os direitos delas muitas vezes não existem.
Também não há o mínimo de pachorra para os negócios da santa sé. Fátima rende quase 20 milhões de euros e o Vaticano já quer tomar conta da barraca. E aproveita para dizer que aquilo é só para católicos. Isto deve ser aquilo a que se chama dar a mão ao próximo.

Um século

Faz cem anos na próxima segunda-feira
O filósofo e pedagogo Agostinho da Silva nasceu no Porto a 13 de Fevereiro de 1906 e viveu como um espírito livre, em sintonia com o que preconizava para todos os Homens.
O menino que aprendeu a ler aos quatro anos - e viria a falar 15 línguas e dois dialectos - cresceu para se tornar um "cidadão do mundo", alguém que considerava desnecessário o bilhete de identidade e outros documentos que vinculam as pessoas a um único território.

Quando morreu, em Lisboa, a 03 de Abril de 1994, Agostinho da Silva deixou uma obra vastíssima que inclui textos pedagógicos, ensaios filosóficos, novelas, artigos, poemas, estudos sobre História e cultura e as suas reflexões sobre a religião.

Uma vida preenchida, talvez previsível para alguém que manteve a liberdade como valor cimeiro, afirmando sem problemas numa entrevista que não lia jornais... e que só comprava o Público para ver a banda desenhada do Calvin & Hobbes .

parte de um texto escrito por HSF da Agência Lusa.

_World Press Photo 5

O Médio Oriente dá-nos fotos como esta quase todos os dias. Neste dia a bomba rebentou em Beirute e Mohamed Azakir fez "clic". A humanidade poderá sobreviver a tanta loucura?

World Press Photo 4

Os milhares de pontinhos são morcegos da fruta num parque natural na Zâmbia. A foto é uma beleza captada por Kieram Dodds

World Press Photo 3

A vida é um constante rodopio. Em Portugal usa-se muito o "há mar e mar, há ir e voltar". Na América já se deve dizer "Há guerra até fartar, é só ir lá para apanhar". A foto é de Todd Heisler.

World Press Photo 2

Na Nigéria há muito petróleo e muito quem queira controlar as reservas. A foto podia ser de um filme tipo Mad Max, mas é o quotidiano fotografo por Pieter Hugo

World Press Photo 1

Estamos em África é fácil de ver. O pai, por uma qualquer estúpida razão, perdeu as mãos. É o filho quem o ajuda a abotoar a camisa. O autor da foto é o grego Iannis Kontos.

Direita lança uma OPA ao referendo!

Morais Sarmento, Bagão Félix, João Jardim e muitos dos que militam no movimento pró-Vida andam a recolher assinaturas para obrigar o Parlamento a convocar um referendo que condicione a reprodução artificial.
As perguntas que os senhores já desenharam mostram bem o que eles não querem:
1 - Não querem que se guardem embriões excedentários.
2 - Não querem que as lésbicas tenham acesso às técnicas de Procriação Medicamente Assistida.
3 - Não querem barrigas de aluguer.

Estão no seu direito, mas deviam compreender que antes disto tudo ainda é preciso realizar um novo referendo ao borto. Ou então que se façam todos ao mesmo tempo e se inclua lá também uma pergunta sobre os casamentos entre homosexuais.

Ninguém come noticias

Chegamos a sábado e os jornais não trazem nada de surpreendente. Hoje até tenho de trabalhar. Sou jornalista e os jornalistas são viciados em noticias. Vim para o Jornal de Noticias buscar a minha dose. Cá estou eu. Vou ter de trabalhar todo o dia de hoje, mais o dia de amanhã e os dias que se seguem. Este jornal, que tem sede no Porto, vende nos santos domingos cerca de 150 mil exemplares e é lido por mais de um milhão de pessoas. É dose! Os leitores que compram jornais também devem ser viciados em noticias. Vai ser preciso trabalhar muito para lhes dar o que eles querem, mas a esta hora o melhor mesmo é ir almoçar.

10 fevereiro 2006

Pai, Filho e Espírito Santo

Contaram-me agora uma piada gira:

Na terça-feira, houve a conferência de imprensa do Pai, do Filho e o Espírito Santo não foi porque estava em Marrocos.

Não se pode transformar o padre num girino?

Aqui está o padre Serras Perreira nos seus tempos áureos: Ouve-se e não se acredita:

Usar contraceptivos é matar
Padre diz que homossexualidade é doença e que aborto é pior que pedofilia

Há cerca de um ano, o padre Nuno Serras Pereira chamou a atenção com a publicação de um anúncio explicando que se recusava a dar a comunhão a quem utilizasse métodos contraceptivos. Também defendeu que o aborto é pior que a pedofilia. Esta sexta-feira, em entrevista ao semanário Independente o religioso vai ainda mais longe.
A primeira tentativa de casamento homossexual em Portugal é o tema de arranque da entrevista ao Independente e que leva o pároco a dizer que «não é possível haver casamento entre duas pessoas do mesmo sexo», uma vez que «o matrimónio exige capacidade reprodutiva». E acrescenta que «a homossexualidade é uma doença», «uma neurose», que pode ser tratada com terapia.
Diz ainda Nuno Serras Pereira que os homossexuais vivem menos tempo e são mais propensos à pedofilia. Aos sexólogos que não partilham da sua visão do assunto, diz que estão «mal informados».

http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=645279&div_id=291

Uma coisa de cada vez!

Não consigo perceber esta lógica muito portuguesa de que há uns problemas mais importantes que outros e que, por isso, têm que ser resolvidos primeiro. O Executivo do Engº José Sócrates tem 17 ministros (incluindo o próprio) e 36 secretários de Estado. Chega?

Vejo responsáveis políticos, da direita à esquerda, a dizerem que a questão do aborto ou do casamento homossexual, só para dar dois exemplos, não é prioritária, porque neste momento há questões muito importantes para resolver no país, como o controlo do défice, o impulso ao crescimento económico ou o plano tecnológico e outras coisas tais.

Depois oiço o PS dizer que primeiro é preciso resolver a questão do aborto e só depois é que se preocupam com os casamentos gay. Vamos com calma! Uma coisa de cada vez, que a malta não aguenta! Produtividade legislativa, mas nem tanto!

Eu sei que é preciso marcar a agenda política e dar um rebuçadinho de cada vez à imprensa, mas, a meu ver, num Governo que se diz reformista, para um primeiro-ministro que quer ficar na história como proto-revolucionário, isto cai um bocado mal. Digo eu…

Mas se calhar é por eu ser mulher e toda a gente sabe que as mulheres, de acordo com o Presidente da República que chegará a Belém em Março, têm que fazer muitas coisas ao mesmo tempo: trabalhar, tratar dos filhos, manter a casa em ordem, fazer compras, ser boa profissional, ser boa mãe, ser boa esposa…Assim vai o nosso país(inho). Machista, hipócrita e cínico. Como sempre.

A ONU está a saque

O doutor Freitas do Amaral veio ontem comunicar que Portugal apoia a candidatura de Ramos Horta a secretário-geral da ONU. Apoia se houver consenso, esclarece o douto mne. Quando esse consenso chegar (veja lá outra irritação drª Bárbara) é certo e sabido que todos serão unânimes (uma expressão muito usada por jornalistas de televisão e rádio - imaginem só o que aconteceria à unanimidade se houvesse alguém que não estava lá).
Adiante...
O tal Ramos Horta, que também é mne (calhou ser de Timor porque ele aceitava ser mne de qualquer ilhota, da Madeira por exemplo), é o mesmo com quem Portugal se chateou, durante os governos de Guterres, porque o senhor usava e abusava dos dinheiros portuguese para fazer diplomacia. A diplomacia do senhor, dizia-se, incluia viajar em 1ª classe sempre acompanhado para ficar nos melhores hóteis.
O tal Ramos Horta é também o senhor que, quando os indonésios quiseram construir um carro chamado Timor, aconselhou a malta a pegar fogo aos carros que aparecessem.
Podia ficar aqui até ao fim da vida a escrever estórias do Ramos Horta, mas prefiro ir almoçar. É só para dizer que estou convencido que o mundo vai continuar a ser governado por loucos. Ramos Horta secretário-eral da ONU? Mais vale fecharem aquilo para obras.

World Press Photo 05 - Finbarr O´Reilly


Tem tudo: "beleza, horror e desespero"

Coisas que me irritam

Alguém me explica porque é que há pessoas que usam a expressão "derivado ao facto de" quando querem dizer "devido a" ou, eventualmente, um tão simples "porque".
Outra expressão que me faz impressão é "causa-me espécie". Causa-me espécie???
Também não percebo porque é que algumas pessoas dizem "o comer estava bom", quando querem referir-se à comida...

Há coisas que me irritam às sextas-feiras de manhã...

09 fevereiro 2006

A cor do dinheiro

Eu sei que esta cor é muito tablóide, mas este comentário é muito transparente, confiante, honesto. É sobre o BES e a forma como hoje veio deixar claro que afinal não avança com uma OPA concorrente à da Sonae. Mas pode financiar quem avance. A especulação continua e os preços podem continuar a subir. Ainda bem que não tenho acções, nem da PT nem de outras quaisquer. Posso dormir descansado. Eles andam a brincar com o dinheiro, mas o dinheiro não é meu. Haverá muito quem fique a berrar com esta brincadeira toda e o BES é que não será. Com toda a certeza. Vai uma OPA?

Madrid à frente

Será constitucional?

O contra-OPA*


*Operação Pública de ataque

Um país meio coberto de vergonha

Moralmente superiores, jornalistas, bloguistas e políticos, temos passado os últimos dias a discutir os atrasos civilizacionais daquelas gentes muçulmanas que obrigam as mulheres a usar burka e, com grande lata, se atrevem a atacar os interesses da civilização europeia.
Por um minuto sejamos capazes de esquecer a burka deles e olhemos para a nossa meia-burka que deixa o sexo de fora para que o país possa regredir à selva. Uma selva em que uma história é apenas uma história e nem sequer faz pensar.
A notícia surgiu hoje no Jornal de Noticias e no Correio da Manhã. Os outros, os jornais de referência, não se podem dar ao luxo de reflectir a vida real. Mesmo o JN e o CM limitam-se a dar a história, sem reflectir muito no que ela significa. Passo a contar:
Um empresário, de 38 anos, com uma situação financeira folgada, é suspeito de abusar sexualmente de uma cunhada com apenas 12 anos. A criança confirma, mas diz que gosta muito do cunhado e não quer que ele vá preso. A criança é de uma família pobre e é irmã da mulher do empresário com quem casou aos 15 anos por estar grávida. O empresário ia buscar a criança à escola todos os dias. Não vale a pena mais pormenores. Toda a gente que girava à volta desta família poderia perceber o que se passava, mas ninguém fez nada.
Esta é também a história de um país que se julga moderno porque tem OPA's, MNE's e discute cartoons. Esta é também a história de uma sociedade que faz de conta que tem vergonha na cara e que, por isso, a tapa, deixando tudo o resto ao deus dará.

Cartoons e o relativismo moral

1. O relativismo moral irrita-me. É um caso de demência, inconsciência e irresponsabilidade. Por isso, aviso: não me venham com teses como "não podemos criticá-los, porque eles são uma cultura diferente". Podemos criticá-los porque sim. E, em casos particulares, podemos mesmo dizer que são atrasados – porque não há outra palavra para dizer a mesma coisa.

2. Há uma referência dos direitos humanos que é subscrita, imaginem, por alguns países islâmicos – para além de todo o Ocidente. Essa carta inclui o direito à vida e até o direito à propriedade. No segundo caso, foi flagrantemente violado por manifestantes pelo Médio Oriente, com nítida complacência dos Estados.

3. Uma coisa é dizer-se que os cartoons com a figura de Maomé ofendem os crentes no Islão. Outra é comparar isso a cartoons sobre o holocausto. No primeiro caso, a representação pode ofender; no segundo caso, presta memória à morte de milhões de pessoas, por um critério racial. No primeiro caso é mau gosto, até ofensa (em casos limite, não em todos); no segundo devia dar pena de prisão - ou extradição para países árabes.

P.S. Eu não queria mesmo falar disto, mas a discussão em Portugal já começa a chatear. Já agora, o ministro Freitas do Amaral devia convencer-se que já não anda em manifs. É, sim, representante de um Estado. Como tal, senhor ministro, não há coisas implícitas. A condenação da violência é, tem que ser, explícita e bem vincada.

O que a televisão não mostrou

Esta manhã em Nelas, muito perto de Canas de Senhorim, estavam milhares de espantalhos colocados estrategicamente em volta da sede do concelho para assustar os "canenses" que queriam fazer mal a sua excelência o senhor Presidente da República, doutor Jorge Sampaio.
Como todos nós sabemos, Canas é o que existe de mais parecido com Bagdade em Portugal. Por isso, foi preciso manter secreto o programa da visita e chegou-se até a recorrer as GNR's verdadeiros para afastar os malfeitores que conseguissem passar as barreiras.
Correu tudo bem e o senhor doutor Jorge Sampaio conseguiu sair vivo desta perigosa aventura. Já está noutra. Que descanse em paz.

Direito à ponte


Na verdade, não sei o que custou o direito à greve. Desde que nasci, em 79, que é um recurso acessível a qualquer trabalhador. Mas custa-me, é uma coisa que me chateia, não gosto, não gosto mesmo nada, quando um princípio elementar do estado de direito é tão mal aproveitado.
Não questiono, por várias razões, o que leva a Fenprof a agendar uma greve de cinco dias, entre 20 e 24 deste mês. Mas volto ao mesmo. Custa-me, é uma coisa que me chateia, não gosto, não gosto mesmo nada de juntar dois mais dois: greve de segunda à sexta na semana que antecede a terça feira de carnaval? E chego à conclusão que o que me chateia mesmo é fazer contas e ver que qualquer professor que cumpra os cinco dias de greve arrisca-se a ficar 11(onze!) em casa. Já agora, a que se deve a greve?

08 fevereiro 2006

Estamos todos a ficar malucos

Esta coisa de passar a exigir um atestado de sanidade mental devia ser alargada à malta que escreve nos blogs. Telefonem à(ao) namorada(o) e vão jantar fora. Vamos ao cinema sem levar o computador. Vamos ler um livro. Andar de bicicleta. Sei lá, qualquer coisa. Agora só escrevo amanhã. Na esperança de que continue a haver cartoons, malucos da Madeira, MNE´s malucos e OPA's, muitas OPA's.

Malkovich leva-o para hollywood

O argumento

Anda tudo a bater no morto!

A malta dá aí uma volta pelos blogs e repara que está toda a gente a desancar no Freitas, o tal gajo que é MNE de Portugal, por causa do comunicado que diz que a culpa da violência dos radicais muçulmanos é dos cartoons. O morto acordou e aos vivos apetece-lhes matá-lo. Valha-nos Maomé, Jesus e outras cruzes que tal. Deixem lá o morto morrer em paz!

A difícil missão de ser jornalista

Pois a coisa é tão séria como parecia. A famosa OPA é negócio para muitos mil milhões e o jornalismo económico vai-se ver à nora para fazer a coisa como deve ser. Há muitos interesses em jogo! Não quero fazer juízos de intenção sobre nenhuma publicação, nem nenhum jornalista, mas o dia de hoje já deu para perceber que a verdade, nesta matéria como em todas as outras, é uma coisa muito relativa.
O BES avança com uma contra-OPA ou não? Era bem possível que o fizesse, diz-me um passarinho, se o Santander lhe emprestasse dinheiro.
As especulações sobre uma ontra-OPA fazem aumentar o valor das acções, a conferência de imprensa da PT faz aumentar o valor das acções. A coisa começa a parecer demasiado cara para o empresário Belmiro. É preciso paciência.



O jornalismo eonómico está na corda bamba. Eu julgo que não seria capaz de resistir a publicar informação que me chegasse de boas fontes, mesmo que soubesse que ia fazer mexer o mercado e pudesse, no final, não se concretizar.

Mas nesta coisa de fazer jornalismo, belo exemplo nos dá hoje a primeira página do Público. O jornal é do Belmiro, mas não se coíbe de dizer que a coisa está mais preta do que pode transparecer do optimismo do patrão.

Efeitos da OPA

O meu barbeiro baixou o preço do corte de cabelo de 17,5 para 16 Euros. Se o trabalho é o mesmo, deve-se a uma alteração dos restantes factores de produção. Será da OPA?

Horta e Costa, cabisbaixo, rodopia uma bic

OPA vermelha: ataque hostil! OPA preta: ataque viril! OPA vermelha: ataque desigual!OPA preta: ataque mortal! OPA vermelha:...

Nem os acamados se safam


[Imagem roubada ao RPS do fado falado]

07 fevereiro 2006

OPAs mundo fora

Japão
Finlândia
Canada
Holanda
Brasil

Há vida em OPA

OPA, terra do nunca que agora também existe em Portugal, é um lugar de muitas dúvidas. É em OPA que se pode avaliar se um país tem ou não uma economia em recuperação. É também em OPA que se confirma, ou não, a existência de um Governo responsável e competente. É igualmente em OPA que o jornalismo económico pode descolar do jornalismo desportivo. Passo a explicar esta última OPA:

1- O jornalismo desportivo, muito ligado às seitas religiosas, nunca poderá ser sujeito a uma OPA, porque, como Obélix, está dOPAdo à nascença. Segue as seitas e não há volta a dar.
2- O jornalismo económico, mais ligado à religião do capital, está permanente sujeito às Opas e contra-Opas do clero capitalista. Resiste como pode e faz cedências mantendo sempre, ou quase sempre, a responsabilidade. Tem evoluído muito nos últimos anos, mas é agora que pode, e deve, mostrar a sua independência. No maior negócio dos últimos 500 anos (maior só mesmo a Caravelas S.A.) as pressões dos players já começam a fazer-se sentir.
Não tarda muito e saberemos quem está alinhado com o Belmiro, quem joga oa lado do BES e quem gosta de estar nas mãos do Governo.
Em OPA o mundo também não acaba hoje. Ganha esta batalha pela credibilidade do jornalismo quem souber manter o equilibrio. Quer queiram, quer não, com esta OPA, o jornalismo económico está na corda bamba!

Há vida para além...

Vou citar uma colega aqui do jornal. Uma grande jornalista por sinal:

Há vida para além da OPA.

Valha-me deus!

Sei que há uma OPA (UPA!UPA!) para nos entreter a todos a fazer de conta que somos um grande país com grandes negócios (este vale cerca de 8% do PIB português).
Sei como é entusiasmante tentar perceber como tudo isto vai acabar (nas mãos de portugueses, espanhóis ou franceses, mas sempre nas mãos de quem tem dinheiro para fazer mais dinheiro).
Sei que o Porto está cinco pontos à frente dos segundos (Sporting, Braga e Benfica - por esta ordem) e que isso é muito animador para lampiões e lagartos.
Não faltam, portanto, coisas com que me preocupar, mas continuo incrédulo com a fé que os religiosos devotam num deus que não conheço.
Não conheço o deus que permite a muitos muçulmanos responderem com extrema violência a tudo o que seja não muçulmano.
Não conheço o deus que permite a judeus armarem-se em país mais militarizado do mundo para oprimirem os árabes cujo destino levou para perto de Israel.
Não conheço o deus que permite aos católicos passearem a sua superioridade moral depois de séculos de genocídios em nome da religião.
Não conheço estes deuses, mas gostava de conhecer. Para me armar em Carlos Andrade e fazer com eles três uma quadratura do circulo com transmissão em directo aqui no Insubmisso

Constatação do óbvio

O Sporting ganhou dez pontos em 48 horas. A PT está a ganhar dois em 12 horas, com o anúncio de uma OPA sobre a PT. São as duas maiores instituições do país.

Quem és tu, José Sócrates?

José Sócrates é um homem do mercado - um novo socialista que, como Soares no seu tempo, mete o dito na gaveta quando o progresso assim o exige. Sócrates é também um aliado dos empresários: fala numa nova confiança, em clima propício ao investimento, num país livre para a livre iniciativa dos empresários.

Fosse a vida assim tão fácil, José Sócrates só teria duas palavras a dizer à OPA de Belmiro sobre a PT: sim, senhor. Mas a vida, caro engenheiro, não é assim tão simples. E a OPA anunciada coloca vários dilemas a quem hoje manda no país. Sem ordem especial, aqui ficam alguns:


a) Se o Governo abdica da 'golden share' na PT, permitindo a Belmiro avançar com a OPA, não abdica dela só para Belmiro, mas para toda a concorrência. E lá virá a Telefonica espanhola, de Madrid às terras lusas, para a caça anunciada.

b) Se Belmiro avançar com a OPA à PT, terá provavelmente que abdicar da Vivo brasileira. E lá irá a Telefonica espanhola até terras do samba, dançando ao som do melhor Carnaval do mundo, com as caravelas portuguesas em retirada.

c) Já se o Governo vetar a OPA, terá que resolver outros tantos problemas. O primeiro é que travar Belmiro não significa, a curto prazo, absolutamente nada. Queira ou não o novo socialismo, a 'golden share' está na mira de Bruxelas e terá os dias contados mais depressa do que se imagina. E perder a hipótese (mesmo que insegura) de passar a PT para mãos privadas nacionais pode ser o canto do cisne de uma estratégia de protecionismo que nunca deu grandes frutos. É que, quando Bruxelas disser 'não' à 'golden share', pode já não haver um Belmiro para apanhar os cacos. E aí, lá está, a Telefonica não terá pejo em voltar à carga.

d) O outro problema de recusar a OPA é interno: como vai José Sócrates explicar aos investidores nacionais (e internacionais) que este país merece investimento, que o Governo é merecedor de confiança, quando esse mesmo Governo, esse mesmo país, se recolhem quando um grande negócio entra na agenda? Lá se vai a confiança, pois claro.



É assim que se explica o dilema de Sócrates, hoje, num tempo que o próprio definiu como "o início de um novo ciclo". E como é nas grandes alturas que se veem os grandes homens, é caso para perguntar, hoje mesmo: quem és tu, José Sócrates?

El hermano Sócrates

O engenheiro Sócrates gosta muito dos espanhóis.
Abriu-lhes a porta da TVI. (para a Prisa)
A janela da EDP (para a Iberdrola)
E agora não deixará de fazer o jeito à Telefónica.
Vai uma aposta?

06 fevereiro 2006

UPA! UPA! OPA

O sr. engenheiro Azevedo, conhecido como o Belmiro mais rico de Portugal, anunciou uma OPA à maior empresa portuguesa, onde os mais fortes são os espanhóis da Telefónica. Patriotas, todos nós gritamos UPA! UPA! OPA. A PT vai ser portuguesa. Só que o sr. Belmiro, conhecido como o Azevedo mais rico de Portugal, escolheu os espanhóis do Santander para financiar a operação e tem como principal aliada a muito francesa France Telecom. Dá-se também o caso do sr. Belmiro de Azevedo, conhecido como o engenheiro mais rico de Portugal, precisar que o sr. José Sócrates, conhecido por ser o engenheiro mais primeiro-ministro de Portugal, liberte a golden share que faz da PT a empresa mais portuguesa de Portugal.
Vamos continuar a pagar caro a telefonia sem fios, com fios, com cabos e sem cabos.
Ou me engano muito ou a espanhola Telefónica vai lançar uma contra-OPA não tarda nada!

Abriu a época de caça

Aqui na redacção está tudo doido com a OPA da Sonae sobre a PT. Os títulos deverão andar à volta disto.

Eu, aqui no blog, avanço com outra manchete: ESPANHÓIS FICAM COM TUDO.

Será que o Sócrates vai actuar à espanhola e bloquear a operação? Esperemos pelos próximos dias.

Estão a abusar



Vejam como os lampiões andam a retratar o PAPA da nação portista:

Querem guerra. Vão ter guerra. Amanhã (o mais tardar depois de amanhã) milhões de crentes sairão à rua para queimar bandeiras do Benfica, destruir sedes dos lampiões e andar com os camiões para trás e para a frente para fazer subir o preço do gasóleo.

Estou indignado! Muito indignado!

O QUE É QUE É ISTO? Blasfémia das grandes. Utilizaram uma criança a fazer uma malandrice para gozar com o santo nome do fêquêpê. Estão lixados. Vou queimar bandeiras do Benfica, destruir sedes dos lampiões e ameaçar com uma subida no preço do gasóleo.

Vão roubar para a estrada!


Assim não dá. Estou revoltado. Não vi, mas confio no portista que me disse que o penalti que permitiu ao Braga empatar aos 88 minutos foi precedido de um fora de jogo. Fiquei indignado. Com a minha religião não se brinca. Podem fazer cartoons, mas não roubem. Roubar é pecado. Vou queimar bandeiras do Benfica, destruir sedes dos lampiões, ameaçá-los com uma subida no preço do gasóleo.

Os deuses devem estar loucos

Não vejo garrafas de coca-cola a cair do céu, mas revejo-me no que o Francisco escreveu. Está tudo maluco. Dizem-nos da América que o mundo ficou plano, que a net nivelou as oportunidades, que um indiano ou um chinês já podem enriquecer sem emigrar. Vemos a mesma América a insistir em comandar o planeta e os donos do ouro negro a fazerem frente ao Tio Sam. Sabemos que a retoma não retoma porque está dependente do preço desse ouro. O Irão e a Venezuela ameaçam com a subida do preço do barril e avisam que vão continuar a armar-se. Não se trata de se armar aos cucos que isso eles fazem muito bem, é mesmo comprar armas ou fabricá-las no caso do Irão. Para que o mundo perceba como a coisa é séria, o melhor mesmo é discutir cartoons e impedir que os Stones tragam o sexo para o futebol americano. Algum dia vai chover coca-cola. Os deuses que fiquem com as garrafas.

A censura dos Stones no Super Bowl


Dadas as "referências sexuais explícitas" de algumas canções dos Rolling Stones a Liga Nacional de Futebol Americano decidiu fazer o que quarenta e tal anos de palco não conseguiram: decretou alterações em alguns temas. Por exemplo: o "Star me up" ficou sem uma palavra que refere a inclinação sexual de uma mulher por um homem morto; o "Rough Justice" foi interpretado sem a palavra que denomina o orgão genital masculino e, por incrível que pareça, na actuação que durou 20 minutos, só o "Satisfaction" foi cantado sem qualquer censura(os senhores da Liga não toparam que a satisfação vai muito para lá do estômago...).
Olho para o oriente em chamas e faltam-me referências. A ocidente idem, idem, chavéz, chávez. A norte, o inverno não chega para arrefecer os ânimos. Resta-me o sul. Se me adaptar ao frio polar...

A montanha foi a Maomé?


Estive noutro mundo de quarta a domingo. Em Marraqueche ninguém sabe quem é o Sócrates, o Mendes, o Cavaco. o Sampaio. Nem querem saber do Bill Gates.
São adeptos do Maomé Futebol Clube como eu sou do Futebol Clube do Porto, mas como andam preocupados com o turismo não se meteram nessas confusões de atirar pedras e pegar fogo por causa de cartoons.
Aqui repruzem-se dois desenhos. O primeiro, a cores, foi desenhado por muçulmanos. O segundo, a preto e branco, foi desenhado por quem não gosta de muçulmanos. São muito parecidos, só que o primeiro não tem rastilho.

P.S. Por que razão o Insubmisso ainda não tinha mostrado aos seus leitores o cartoon da discórdia? Se fizerem um cartoon do Pinto da Costa a atirar pedras ao Adriansen (será que é assim que se escreve?) eu serei o primeiro a publicá-lo. e olhem que o pintinho é mais que o meu papa!

As caricaturas de Maomé

Um adepto do Benfica decide festejar um golo no meio da bancada sul do estádio de Alvalade e leva um monumental enxerto de porrada. Livre exercício de um direito constitucional ou desrespeito pela crença alheia?
Digo eu: os festejos eram evitáveis e o espancamento é tão criticável como inevitável. Gás mais chama é igual a fogo.

03 fevereiro 2006

Importa-se de repetir?

O FCP cortou relações com os Super Dragões por causa dos incidentes com Adriaanse.
"Alguém dentro do FCP está a tentar denegrir a nossa imagem", responde o presidente dos Super Dragões.
Desculpe? "Alguém está a tentar denegrir a nossa imagem"? Importa-se de repetir?

A rota da confiança

Novo modelo na Autoeuropa, a fábrica do Ikea, a nova refinaria de Sines, a vinda de Bill Gates a Portugal. O que é que estes projectos têm em comum? Fizeram parte da campanha mediática do Governo que decorreu nas últimas semanas. O primeiro-ministro, José Sócrates, e o ministro da Economia, Manuel Pinho, – que entretanto se safou da remodelação – quase conseguiram convencer os mais distraídos de que Portugal voltou a estar na moda em termos de fluxos de investimento directo estrangeiro.

Os últimos dados do INE, referentes aos níveis de confiança dos empresários e consumidores, permitiram fazer um ponto de ordem à mesa. Apesar de todo o espectáculo dos anúncios, a verdade é que a confiança dos agentes económicos continua a degradar-se, batendo todos os meses novos recordes negativos. E sem confiança não há retoma, sobretudo, ao nível do investimento privado, essencial para que o produto nacional volte a crescer a níveis que permitam a redução do desemprego.

Qual a lição a tirar por Sócrates? Os empresários e as famílias não são burros, nem distraídos. Como explica a teoria económica, são agentes racionais que sabem analisar a informação disponível de forma a perceberem como podem maximizar o seu bem-estar. Ou seja, toda a gente percebeu que estes investimentos – a confirmarem-se – só terão efeitos lá para 2008 ou 2009. Até lá, a crise mantém-se. E não está excluída a hipótese de 2005 ter fechado com mais uma recessão técnica. A ver vamos...

Qual a rota para a confiança? Simples, fácil e barato. Uma política macroeconómica clara e estável, que terá de passar por melhorar a situação orçamental de forma a que, no futuro próximo, Teixeira dos Santos possa anunciar uma baixa dos impostos sobre as empresas e famílias. Esta estratégia foi testada em outros países com sucesso garantido. Não vale a pena inventar, nem dar 'show off'



Por motivos pessoais, falhei a minha promessa de ano novo: escrever um post diário. A tormenta ainda não passou completamente, mas a vida continua. Fica aqui um pedido de desculpas aos companheiros do Insubmisso.

02 fevereiro 2006

Ele há coincidências!

O corrector ortográfico do Milenium (o programa informático com que trabalhamos aqui no jornal) manda-me substituir a palavra "Sócrates" por "Secretas". Juro que não estou a brincar!

Bill Gates veio ao Portugal dos pequeninos



foto: DN, Leonardo Negrão

01 fevereiro 2006

Baixa médica

Jorge Sampaio deslocou as omoplatas depois de dias consecutivos a alçar faixas de condecoração sobre pescoços e troncos de destacados cidadãos do Mundo.

Registo

Está um pássaro a cantar na janela do meu quarto. Não lhe distingo a forma, não lhe imagino o bico, não lhe vejo a cor, não lhe adivinho o voo. Mas está um pássaro a cantar na janela do meu quarto.

Do you?

- Do you believe in love at first sight?

- I believe in lust at first sight.

31 janeiro 2006

Jobs against Gates

Eu, que costumo estar do lado das minorias, voto em Steve Jobs, o senhor da Apple.

Eu gosto do Vasco

É que gosto mesmo. O Vasco Pulido Valente não tem fortuna, não tem computadores. Não sei, até, se o Vasco dá dinheiro para África. Sei, isso sim, que o Vasco mal sai de casa, que pouco se deixa fotografar, que é anti-social.

Mas o Vasco, este Vasco, escreve assim – e não tem igual. Por cá, não tem mesmo.
Cá fica, como homenagem e agradecimento:

"
A propósito, também estive no parlamento. Seis meses, com as férias de Natal pelo meio. Não fiz nada. O grande problema era arrumar o carro (não havia ainda uma garagem especial para os senhores deputados) e, a seguir, o almoço, sempre uma aventura naquela parte do mundo. De resto, corria tudo bem. Assinava o "livro", porque a Assembleia da República não confia nos representantes da nação e espera (compreensivelmente) que eles não ponham lá os pés. Só encontrei esta solicitude, aos treze anos, no Liceu Camões. Nessa altura, passava as tardes no cinema, angustiado pela "falta". Em S. Bento, não faltava ou, pelo menos, não faltava muito. Lia os jornais, os que tinha trazido e os do Pacheco Pereira. Nunca levei um livro por causa da televisão, que aparentemente embirra com deputados que lêem livros. Fora isso, conversava e passeava pelos corredores. Passos perdidos, de facto. De quando em quando recebia instruções para votar assim ou assado. Sem um comentário. A direcção da bancada é que sabe e manda. Às quatro e meia da tarde, no mictório nacional, imemorialmente entupido, a urina já chegava à porta (consta que neste capítulo as coisas melhoraram). Às cinco e meia, derreado, voltava para casa. Uma vez por semana, na minha comissão, a Defesa, ouvia um general indescrito repetir o comunicado da USIA sobre a Bósnia. Não se permitiam perguntas. No dia em que me demiti, um bando de jornalistas, de microfone espetado, exigiu explicações.
"

Fê Quê Pê

Este inquérito aqui ao lado, DD, era desnecessário... Obviamente que o FCP vai ser campeão. O Mourinho hoje já disse que ia tentar arranjar o telemóvel do Co Adrianse para lhe telefonar depois a dar os parabéns. O Mourinho é que sabe.

(Nota: factos adulterados a bem de uma boa história)

Terra de provincianos, Governo de província

Basta Bill Gates vir à santa terrinha que é recebido como se fosse o Papa. Que as televisões se pelem por uma imagem do homem, que os jornais aproveitem para explicar o seu império, ainda vá que não vá. Agora, que o Governo em peso, que os chefes da administração pública e restantes senhores do país tirem a tarde para ouvir o homem falar, já dá vontade de chorar. Ao menos, provincianismo por provincianismo, que aprendam com ele a sua maior virtude: ser um homem normal, pese embora a sua fortuna. Ser um homem de bem, também por essa mesma fortuna. Se os senhores deste país aprenderem isso, já aprendem muito. E talvez deixem para trás o fascínio pelo homem e aprendam o fascínio do bem-viver.

Nova sondagem

... com clubes escolhidos de forma absolutamente aleatória.
A regra destes inquéritos passa a ser a publicação dos resultados à sexta-feira.