28 fevereiro 2006

Jornalistas postos na ordem!

A propósito do "envelope 9" e dos episódios seguintes do filme de série B dirigido por Souto Moura, um juiz do TIC de Lisboa considerou que "o acesso ao sistema informático dos repórteres do 24 Horas, com eventual devassa do sigilo profissional, é inferior ao crime que está em discussão".
E qual é o crime que está em discussão? Há dúvidas,
a matéria não estava em segredo de justiça.
O que se pretende? Sem dúvida,
condicionar a liberdade de informação.

11ª lei da blogosfera

As leis do Abrupto, sendo uma análise do autor, não reflectem necessariamente todas as regras e constações que se podem fazer à volta do debate na blogosfera. Têm, antes de tudo, a virtude de nos pôr a pensar sobre o assunto. Julgo ter descoberto mais uma. Fui verificar nos blogs que têm contador de visitas e descobri, após análise de dois fins de semana e uma ponte de carnaval, que os posts nos blogs e as visitas são feitos preferencialmente em horário de trabalho.
11ª lei - os patrões deste país são os grandes financiadores da blogosfera. Os empregados contribuem com as ideias.
Aos fins de semana a generalidade dos blogs tem uma produção diminuta e um terço ou metade das visitas que tem ao longo da semana de trabalho.

27 fevereiro 2006

Lá vamos fazendo "jornalismo"


Não é notícia porque os jornalistas não noticiam as suas próprias fragilidades, mas é verdade. A informação sobre as actividades do Governo está altamente controlada pelo grupo de assessores e ministros.
.................................................... e o telefone não toca!...

As coisas saem, apenas, no tempo oportuno. Notícias sobre professores quando os professores contestam. Queixas dos juizes quando os juizes protestam. Histórias de médicos quando os médicos se queixam.

E os jornalistas nem sequer estão parados. Fazem perguntas. Esperam, desesperam, queixam-se pela falta de respostas. E, depois, cansam-se. E perguntam menos. Agradecem as “caixas” que o Governo envia pelo telefone. Quase sempre para os jornais que o Governo entende que se portam melhor e para os jornalistas que se portam melhor.

O Governo leva a melhor e a malta segue cantando e rindo.

Agora são os patrões da comunicação social que, para evitar pagar mais taxas, andam a defender a liberdade de informação. Os jornalistas até a oportunidade de liderarem a contestação a medidas gravosas que lhes dizem respeito conseguem perder. Não vá a acontecer o mesmo que acontece aos professores, juizes e médicos.

Adenda: Eu bem sei que, dizendo isto, junto mais uns ódios de estimação. E posso receber a critica, justa, que também eu pactuo com este sistema. Nunca escrevi sobre os jornalistas colocando-me do lado de fora.

Adenda 2: As "caixas" pelo telefone são uma impossibilidade, pelo que se trata de uma piada de difícl entendimento. A ideia era não chamar cachas a umas informações em primeira mão fornecidas por especial favor ou interesse.

Adenda 3: Este post surgiu na sequência de uma conversa com um amigo jornalista, que exerce funções de editor num jornal de referência, e que se queixava exactamente desta situação. É um dos que nos dão esperança, porque ele não quer baixar os braços.

Adenda 4: (tarde de quarta-feira) Ligou-me o José Pedro Pinto a dizer que no ministério em que trabalha (Trabalho e Solidariedade) existe o hábito de responder a todas as perguntas dos jornalistas. Como é bem possível que seja verdade (pelo menos no que me diz respeito) aqui fica registada uma das excepções que confirmam a regra.
Acrescento que está naquele ministério o melhor ministro deste Governo.

Um recado para o JMF

Tenho sérias dúvidas que José Manuel Fernandes tenha tempo e paciência para passar aqui pelo Insubmisso, mas se algum amigo dele ou um dos seus subordinados por cá passar peço que lhe transmitam este recado:

Tendo também muitas dúvidas sobre a forma como os jornais e os seus jornalistas devem assumir causas informativas. No entanto, julgo ser no mínimo precipitado considerar que quem assina uma petição não pode sobre ela escrever. Mas em relação às causas da F.C. vale a pena espreitar a Glória Fácil para perceber (no post chamado Gis) como é uma vantagem ter alguém que sabe do que fala quando fala sobre as causas que abraçou.

Oh para eles, a fazer de conta que existem

Ribeiro e Castro, em nome da liderança que exerce no CDS/PP, veio hoje declarar-se "frontalmente contra" o processo de co-incineração dos resíduos industriais perigosos. Louva-se a coragem com que assume "frontalmente" as suas opiniões políticas, mas avisa-se que ninguém está interessado em conhecê-las. Pelo menos sobre esta matéria.

Já, por outro lado, há cerca de um milhão e duzentos mil sem-abrigo político que esperam ansiosamente para conhecer a posição "frontal" do seu líder sobre esta matéria.

É assim. Não importa quem quer, o Alegre é que importa.

E agora, Alegre?

Há pouco mais de um ano, o DN noticiou que o PS estava a pensar em abandonar a co-incineração. Em plena campanha, temendo os efeitos de uma contradição, a equipa de Sócrates desmentiu a manchete e garantiu que a co-incineração, embora em versão faz-de-conta, ia mesmo avançar. Agora, cumpre a promessa.

Há pouco mais de um ano estávamos em campanha eleitoral e Alegre, já de braço dado com a nova direcção do PS, recusou alimentar a polémica e chutou para canto. A co-incineração em Souselas não era para o poeta um tema em discussão. Era e volta a ser.

Agora, o poeta, líder dos sem-abrigo político, não pode esperar muito mais tempo para dizer o que pensa sobre a matéria. Mas já vem tarde, porque se recusou a dizer o que pensava do assunto quando andava de braço dado com a direcção de Sócrates. Agora, a sua oposição soará sempre a vingança. Mais uma.

Dia de festa

Há mais de um ano o PS ganhou as eleições. Vai fazer um ano que Sócrates assumiu o poder. Hoje é exactamente o dia em que nasceu o Insurgente. Parabéns a vocês, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida...

Para esquecer a derrota do fêquêpê

O carnaval no Rio. Muitas penas, sem gripe das aves! Nem frangos, nem perús. O Baía não teve culpa no golo.

Não há Co para o Adriaanse

O homem não ganha um jogo importante. Vamos ser campeões, mas só porque tem de ser.

26 fevereiro 2006

Os Super-Dragões vieram a Lisboa...

...e fizeram-se acompanhar de máscaras de protecção contra a gripe das aves. Percebo agora a precaução. Com os perús que o Baía dá, mais vale prevenir que remediar. É chato é terem que andar com as máscaras assim tão pertinho de casa. Lol


. Quaresma verifica se o penteado poderá vir a ser afectado pela
máscara anti-gripe entretanto requisitada à claque do FCP

Um crime que dá que pensar e falar

O Martim Silva alinhou pelo falso moralismo que nos diz ser preferível falar do crime do Porto como sendo a morte de um sem-abrigo. Porque é socialmente mais relevante, diz ele.
Para mim é claro que o crime teve motivações sexuais, mas é preciso ler a Fernanda Câncio para nos lembrarmos da importância dos conceitos. E o Vasco Pulido Valente para pensarmos na força que tem uma "consciência colectiva" na prática de um "crime de ódio".


Propaganda de um Estado novo IV

O nosso querido líder apareceu ontem na televisão ao lado de uns ministros da pátria e de um senhor dos Estados Unidos para anunciar, com pompa e circunstância, que tinha dado o seu acordo para que ficasse provisoriamente acordado que o governo da nação e o M.I.T estavam de acordo quanto à necessidade de, num futuro próximo, ser feito um acordo entre ambas as partes.
Para festejar a vitória de há um ano, o grande líder chegou a acordo com umas dezenas de institutos e multinacionais para anunciar brevemente uma série de acordos sobre a necessidade de assinar acordos.

Numa coisa estamos todos de acordo:
Viva o grande líder. Feliz aniversário.

25 fevereiro 2006

Quem ri por último ri melhor

Está a dar a Liga dos Últimos, na RTPN.
Resumo do Tarouquense-Vila Meã, com agressões, expulsões e outros ões.
"Um jogo impróprio para cardíacos, um jogo viril", diz um adepto.
Outro explica que ninguém trata mal o árbitro: "Um gajo às vezes diz filho-da-puta!, ó filho-da-puta!, mas não é para ofender ninguém!".
Este programa é ge-ni-al!

Bom fim-de-semana

24 fevereiro 2006

ABC em Portugal?

Por cortesia da Grande Loja, ficámos a saber o rumor do dia. Depois dos rumores correntes que Berlusconi queria entrar nos media em Portugal, afinal será o espanhol ABC que se prepara para o fazer, através da Cofina. Será?

José Manuel Fernandes ataca DN e Expresso

O Director do Público escreveu um artigo para a revista Atlântico (how interesting) onde ataca directamente o Expresso e o DN. Não. Onde ataca a direcção do Expresso, o director do DN e até a Fernanda Câncio, acusando-os de criar uma agenda política à medida dos seus pensamentos. Sai na segunda-feira, mas o essencial está aqui. Promete polémica. Acesa.

P.S. Acho que o dr. Pacheco Pereira, que tanto se incomoda com as críticas da blogosfera, devia ler o artigo. E, vejam lá, nem foi escrito por aqui – nem por utilizadores do espaço. Foi numa revista. E pelo director do jornal onde escreve. Azar. Lá se foi a lei.

Não gosto

de gente que critica e defende as suas posições ao abrigo do anonimato.

Gosto

de espaços em branco
















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Brokeback

Fui ver. O filme é razoável. As interpretações razoáveis. Estava à espera de uma grande história de amor. Estava à espera. Saí defraudado. Para além de uma série de clichés, para além de uns quantos sublinhados sobre a discriminação (mas quantos outros filmes já o fizeram, sobre esta e outras discriminações, e tão melhor), para além de uma visão sobre a solidão dos sentimentos, o que fica? Uma narrativa mal construída, sem intensidade, sem densidade, sem textura, com personagens mal construídas, e com muita poucas mensagens... quais ? ok! que uma história de amor pode ser vivida por dois seres sejam eles quais forem? que uma história de amor é sempre dramática e vive da impossibilidade e é isso que nos marca para todo o sempre?

como o álvaro de campos dizia..." todas as cartas de amor são rídiculas" e ninguém as entende a não ser que as tenham escrito. Ang Lee nunca escreveu cartas de amor. ponto final. mas vai ganhar óscares e não sei porquê...

Propaganda de um Estado novo III

O grande líder afirmou hoje na Assembleia nacional que Portugal tudo tem feito «para não alimentar o clima de tensão entre Ocidente e Islão».
Visivelmente irritado, o primeiro-ministro acusou um xenófobo da oposição de «uma mentira grosseira» e afirmou que o Governo nunca «pactuou nem com a violência nem com o terrorismo». «Isso é conversa de herói de banda desenhada», acusou o grande líder. E deixou um aviso aos velhos do Restelo: «Há limites para tudo!».
O líder deste Estado novo, promotor "da paz e da via pacífica", não é como outros líderes europeus que se zangam quando os do Islão queimam bandeiras e embaixadas. Nessas alturas, o nosso líder promove a paz.
Neste Estado novo, de novas ambições e optimismos, o nosso líder só se zanga com os jornalistas, comentadores e deputados da oposição. Esses sim da guerra e da via guerreira.

Viva o grande líder. Feliz aniversário. Bom Carnaval.