15 abril 2006
SIC 0 - Galp 1
Tenho mau ouvido mas não hesito: este é muito, mas mesmo muito, melhor que o "na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-na-na" de este. Mesmo tendo um p....lá pelo meio. Who cares?
14 abril 2006
Grito de alma contra a demagogia
À volta do triste caso das faltas dos deputados, o país faz demagogia acerca da classe política. Se não sabem o que é o dia-a-dia de um deputado, perguntem ao Vasco Pulido Valente que ele explica. É tão mau que ele desistiu. Foi e não voltou.
1. O deputado serve para se sentar e ficar bem quietinho, porque quem vota é a direcção parlamentar.
2. O deputado serve para bater palmas ao colega que está a falar (quanto mais barulhentas, melhor ele é).
3. O deputado não serve para mais nada, porque as comissões parlamentares (que deviam ser o centro do Parlamento) mal existem e estão entregues a poucos; também não serve mais nada porque o deputado nem sequer representa os seus eleitores, mas sim o partido; e serve ainda de menos porque o lugar é um dos mais mal pagos da Europa, pelo que cada um, se quer viver decentemente e tem competência, tem que ter outro trabalho para fazer pela vida.
4. O que se reclama, no caso de ontem, é que não estivessem por lá mais quatro alminhas com o rabo bem sentado na cadeira, para que o quórum estivesse assegurado. Fossem esses quatro lá, nem notícia havia.
5. O mais triste do caso é que hoje está todo o país a reclamar. O mesmo país que foi na quarta-feira à noite para a santa terrinha, que logo no início do ano anda a ver o calendário à lupa à procura dos dias para fazer pontes, para faltar, para ganhar uns dias de folga. É, aliás, a única altura do ano em que os portugueses são especialistas em matemática. Alguém quer lembrar qual é a taxa de absentismo do país?
6. Dizem que o exemplo deve vir de cima? Eu respondo que o exemplo deve vir de dentro (de dentro de cada um de nós). A classe política é uma merda? Talvez seja a imagem de quem representa. Muito simplesmente, neste país as responsabilidades são sempre dos outros, os direitos são sempre de todos nós. Devíamos, ao invés, dizer como Kennedy: "Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, mas o que tu podes fazer pelo teu país".
Por este andar, com o que diz dos políticos, qualquer dia não há uma alminha disponível para nos representar na Assembleia. Foi assim que chegámos aqui. Depois queixem-se que os deputados são maus e que os bons preferem ir ganhar dinheiro.
1. O deputado serve para se sentar e ficar bem quietinho, porque quem vota é a direcção parlamentar.
2. O deputado serve para bater palmas ao colega que está a falar (quanto mais barulhentas, melhor ele é).
3. O deputado não serve para mais nada, porque as comissões parlamentares (que deviam ser o centro do Parlamento) mal existem e estão entregues a poucos; também não serve mais nada porque o deputado nem sequer representa os seus eleitores, mas sim o partido; e serve ainda de menos porque o lugar é um dos mais mal pagos da Europa, pelo que cada um, se quer viver decentemente e tem competência, tem que ter outro trabalho para fazer pela vida.
4. O que se reclama, no caso de ontem, é que não estivessem por lá mais quatro alminhas com o rabo bem sentado na cadeira, para que o quórum estivesse assegurado. Fossem esses quatro lá, nem notícia havia.
5. O mais triste do caso é que hoje está todo o país a reclamar. O mesmo país que foi na quarta-feira à noite para a santa terrinha, que logo no início do ano anda a ver o calendário à lupa à procura dos dias para fazer pontes, para faltar, para ganhar uns dias de folga. É, aliás, a única altura do ano em que os portugueses são especialistas em matemática. Alguém quer lembrar qual é a taxa de absentismo do país?
6. Dizem que o exemplo deve vir de cima? Eu respondo que o exemplo deve vir de dentro (de dentro de cada um de nós). A classe política é uma merda? Talvez seja a imagem de quem representa. Muito simplesmente, neste país as responsabilidades são sempre dos outros, os direitos são sempre de todos nós. Devíamos, ao invés, dizer como Kennedy: "Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, mas o que tu podes fazer pelo teu país".
Por este andar, com o que diz dos políticos, qualquer dia não há uma alminha disponível para nos representar na Assembleia. Foi assim que chegámos aqui. Depois queixem-se que os deputados são maus e que os bons preferem ir ganhar dinheiro.
Nada é filho do acaso
Deputados faltosos, classe política desprestigiada, má gestão de dinheiros públicos, laxismo no cumprimento de funções de Estado? Acrescentemos o mal-estar presidencial. Chegamos à soma dos temas que dominaram os últimos dias. A bissectriz é tirada por José Sócrates: aprovou o fim das viagens em primeira classe para os titulares de cargos públicos e, sempre que possível, a substituição do transporte aéreo pela vídeo-conferência. Faz lembrar o Marquês de Pombal que ao ver Lisboa reduzida a escombros disse estar perante “uma oportunidade”. Acrescentamos: para brilhar.
2005 face a 2004*
Combate ao crime violento: aumento de 120 % no número de detidos.
Combate ao banditismo: aumento de 22 % no número de detidos.
Homicídios: taxa de resolução de 94 %.
Corrupção, Peculato, abuso de poder: mais 24 % de processos no MP.
Fogo Posto: aumento de 100 % no número de detidos.
Tráfico de droga: aumento de 100 % no número de detidos. Apreendidas 16 toneladas de cocaína.
*Dados referentes ao trabalho da Polícia Judiciária publicados aqui (contrariam o que tem sido dito pelo Ministro da Justiça).
Combate ao banditismo: aumento de 22 % no número de detidos.
Homicídios: taxa de resolução de 94 %.
Corrupção, Peculato, abuso de poder: mais 24 % de processos no MP.
Fogo Posto: aumento de 100 % no número de detidos.
Tráfico de droga: aumento de 100 % no número de detidos. Apreendidas 16 toneladas de cocaína.
*Dados referentes ao trabalho da Polícia Judiciária publicados aqui (contrariam o que tem sido dito pelo Ministro da Justiça).
13 abril 2006
ah, uhm... pois
Ia eu desejar boa Páscoa e, olhando para baixo, arrependo-me. É por estas e por outras que a internet entra directamente na lista dos novos pecados, certo?
Sabem que vos digo? Divirtam-se!
Palavra de católico e praticante (em regime de acumulação).
Sabem que vos digo? Divirtam-se!
Palavra de católico e praticante (em regime de acumulação).
Afinal, ainda há pessoas boas
Cicciolina, a conhecida actriz de cinema pornográfico está disposta a oferecer-se a Bin Laden se ele deixar de se dedicar ao terrorismo. «Já é altura de alguém lidar com o líder da al-Qaeda e eu estou pronta para isso», disse a actriz, de 55 anos.
«Estou disposta a fazer um acordo. Ele fica comigo e em troca pára com a tirania. O meu peito ainda só serviu para ajudar pessoas, enquanto que Bin Laden matou milhares de vítimas inocentes».
(in Portugal Diário)
Não posso trabalhar, por motivos profissionais
Ia escrever um post comprido sobre a falta de quorum no Parlamento, mas acho que o Francisco já disse tudo. Eu continuo na minha: não me venham os senhores deputados depois falar do descrédito da política e do cargo, quando dão mostras de se estarem nas tintas para o seu trabalho e, por inerência, para o país. É por estas e por outras que a abstenção nas eleições bate recordes.
ITP
Marques Guedes, presidente da bancada parlamentar do PSD, atira-se ao PS porque como partido da maioria não "assegurou a aprovação" das iniciativas que ontem foram a votação no plenário da Assembleia da República. Uma vergonha, esta declaração. Por duas razões muito simples e objectivas. A primeira, aprendi-a desde pequeno, dois males não fazem um bem. Com o mal dos outros posso eu bem, e neste caso, MG devia estar calado antes de pensar, sequer, em levantar um cabelo contra o PS. A outra razão é também simples e objectiva. Contas feitas, ontem, 66 por cento da bancada do PSD faltou, contra 40 por cento da socialista. Não há nem menor, nem maior responsabilidades. Há sim uma irresponsabilidade transversal partilhada. E quando assim é, é feio, embora fácil, lançar pedras contra o telhado do vizinho.
Quem nos salva?
Um deputado falta ao trabalho: nada de extraordinário. Um deputado cola uma falta a um fim-de-semana prolongado: nada de extraordinário. Um conjunto de deputados falta a um dia trabalho: nada de extraordinário. Cento e sete deputados (50 do PSD, 49 do PS, 5 do CDS, 2 do PCP e 1 do BE) faltam a um dia de trabalho, enganam o patrão, assinam o livro de ponto e fogem para as praias do Algarve: pouco de extraordinário, muito de ordinário, pelo menos em Portugal. Para os mais desatentos: a geração de Abril fez o Maio de 68, provocou a crise estudantil de Coimbra, desgastou a ditadura, andou nas ruas do Porto com o General Humberto Delgado, berrou "nem mais um para o ultramar!" mas agora está barriguda, tem botões de punho, comando de televisão na mão, língua afiada e cartões de crédito. Fala em quotas e na moralização da política, quer menos abstenção e o fim da corrupção. Dá vontade de rir, não fosse trágica esta comédia. Quotas? Só se for para a competência, a seriedade, o sentido de Estado, o respeito pelo próximo e o fim do umbiguismo.
P.S. Chegou a Belém com uma promessa inequívoca e incontornável: credibilizar o sistema político, acabar com laxismo no uso da coisa pública e com os "tachos". O que andam muitos destes senhores deputados a fazer no Parlamento, senhor Presidente Cavaco Silva?
P.S. Chegou a Belém com uma promessa inequívoca e incontornável: credibilizar o sistema político, acabar com laxismo no uso da coisa pública e com os "tachos". O que andam muitos destes senhores deputados a fazer no Parlamento, senhor Presidente Cavaco Silva?
12 abril 2006
photo-a-trois
O Leonardo Negrão, o José Carlos Carvalho e o Rodrigo Cabrita (três fotojornalistas queridos e amorosos do DN) juntaram-se os três à esquina.
O resultado deu nisto: Photo-a-trois. Só o título já é sugestivo.
Beijinhos-a-trois.
O resultado deu nisto: Photo-a-trois. Só o título já é sugestivo.
Beijinhos-a-trois.
De palmatória
Esta história do Supremo Tribunal de Justiça ter considerado "lícitas" e "aceitáveis" as palmadas que a responsável de um lar de crianças deu em menores com deficiências mentais dá que pensar. As palmadas não se medem aos palmos, é verdade. Mas quando a palmada entra em tribunal está tudo dito. É como o beijo ou a carícia, quando entra a Justiça, sai o bom senso. Parece que neste caso a educadora dava palmadas, estaladas e fechava as crianças em quartos escuros. A ser verdade, os juízes deviam dar a mão à palmatória e assumir o lapso. De palmatória.
11 abril 2006
Dreamkeeper
Dizia o meu pai, no outro dia:
- As audiências do meu blog dispararam! Tinha uma média de um visitante por dia e agora tenho seis!
- As audiências do meu blog dispararam! Tinha uma média de um visitante por dia e agora tenho seis!
10 abril 2006
Porto, Porto, Porto!
Está na hora de voltar a escrever qualquer coisa. Alguém se queixou, na caixa de comentários, do silêncio deste blog acerca do fim-de-semana desportivo.
Pequenas e breves notas, só para picar:
1. O jogo de sábado foi trapalhão e violento. Não gosto de ver futebol assim. De qualquer maneira, o Porto mereceu ganhar e estamos cada vez mais perto de ser campiiiiiões, carago!
2. Quanto ao jogo de domingo, o Benfica não merecia aquele empate ao último chisquinho. Mas o clube da luz anda com a moral tão em baixo, que mais vale assim, senão não há quem os ature.
Outras considerações ficarão para outra altura, porque agora não tenho tempo.
Beijos.
Pequenas e breves notas, só para picar:
1. O jogo de sábado foi trapalhão e violento. Não gosto de ver futebol assim. De qualquer maneira, o Porto mereceu ganhar e estamos cada vez mais perto de ser campiiiiiões, carago!
2. Quanto ao jogo de domingo, o Benfica não merecia aquele empate ao último chisquinho. Mas o clube da luz anda com a moral tão em baixo, que mais vale assim, senão não há quem os ature.
Outras considerações ficarão para outra altura, porque agora não tenho tempo.
Beijos.
futchibóle
Um anónimo, muito curioso, questiona no post aqui em baixo o nosso silêncio sobre o fim de semana desportivo. Parece que o Marítimo perdeu dois pontos, o Pinto da Costa perdeu em casa o que tinha ganho no campo, e o Paulo Bento ganhou no banco o que já tinha perdido em campo: um melão. E daí?
CPE
Em França o poder não está na rua, mas o poder da rua vai mandar para a rua o elo mais fraco do poder: Dominique Villepin.
07 abril 2006
Alvalade, Alvaláxia

A época começou mal, embora não inesperadamente. A Liga dos Campeões ficou para trás, a UEFA também. Nos primeiros jogos do campeonato, era tudo tão mau que eu - sportinguista confesso (o único ismo da minha vida) - deixei de ir aos jogos. O último foi, aliás, o melhor: não porque tivéssemos ganho, mas porque a derrota mandou embora José Peseiro, homem fraco para um clube grande.
Daí em diante, só falhei um jogo na televisão. Ao estádio, salvo erro, fui uma única vez mais. A minha fé tem estado no Alvaláxia, lá por cima na cervejaria, onde os jogos se vêem com o fervor do estádio, estando dentro do estádio. É um bom sítio para ver jogos, esse Alvaláxia: sabemos dos golos segundos antes de os vermos, porque há sempre um bom homem de rádio no ouvido, onde o som chega sempre mais rápido; sentimos o calor da fé e a amizade de desconhcidos que, ao nosso lado, sofrem tanto como nós com cada bola perdida, com cada remate ao lado; os golos, esses, são quase tão bonitos ali como no campo - há saltos de alegria, gritos a dois tempos (lá estava o homem do rádio a avisar), abraços que saltam como os beijos nas igrejas (aqueles que damos ao irmão do lado, que nunca vimos, mas com quem damos graças a Deus). Ali, no Alvaláxia, também damos graças a Deus ao irmão do lado, irmão de fé, irmão de clube. Ali somos todos iguais - já passei um jogo a falar com um tipo meio louco, que gritava por tudo e por nada e só sabia culpar o árbitro; já travei amizade por um dia com o senhor (de S grande), vindo dos Açores para a cervejaria; já estive por lá com um homem, de ar aristocrático, a sentir o Guimarães-Sporting como uma ode à alegria, de Mozart, Bach ou quem quiserem. Ali, quase sempre (muito bem) acompanhado, às vezes sozinho, estou em casa, rodeado dos nossos.
Amanhã, porém, o Alvaláxia não é grande o suficiente. Parece que vou ao estádio propriamente dito, mas com aquele espaço na memória, no coração. Vou estar lá a sofrer como todos os jogos, com a fé de sempre, reforçada pela esperança que os miudos nos têm trazido.
O Sporting, amanhã, será grande. Os miúdos merecem a vitória. Mas aquela gente do Alvaláxia merece-a tanto como eles.
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