Exmo director do jornal Público:
leio com consternação o título que vexa colocou na primeira página de hoje so seu jornal. Diz ele que "Já ganhámos tudo, mesmo se perdermos". Agora pergunto eu: ganhou o quê? E respondo: nada, meu caro director. Chegou às meias-finais, é certo, venceu a Holanda e a Inglaterra, pois claro, mas isso - para nós - não pode chegar.
É essa a diferença entre um país que se quer competitivo (tese que muitas vezes li nos seus editoriais) e um país remetido à sua história.
Se é na bola que nos podemos mostrar ao mundo, acho melhor do que nada. Se é na bola que a nossa nova cruzada pode começar, acho lindamente. Se é na bola que podemos tirar os melhores sorrisos de uma década triste, eu prefiro esse sorriso a sorriso nenhum. Enfim, eu quero mais. O meu amigo não?
Considerações amigáveis, com a fé inabalável numa vitória,
05 julho 2006
04 julho 2006
É o futebol, estúpido! 2
Hoje liguei para 10 (dez!) empresários portugueses. Em nenhum dos casos passei da secretária. Estimáveis e simpáticas à medida da linha telefónica, todas com a mesma conversa: "O senhor doutor não está. Vai ser complicado falar com ele. O senhor doutor está no estrangeiro". É certo que ouvi a variável: "O senhor engenheiro está fora do país. Mas se o senhor engenheiro ligar, eu dou-lhe o recado". Danke schon!
É o futebol, estúpido!
Eu vi. O Nuno Lopes, o Pedro Lomba e o Pedro Mexia. Estavam os três lá. Junto à barraquinha de gelados. Eu estava com quatro cervejas, o que, para mim, é quase um coma alcoólico. Mas eu juro que os vi. A comemorar a vitória de Portugal contra a Inglaterra, no Marquês de Pombal. Eu vi. Eramos todos bimbos e eramos todos felizes. Meninos, amanhã vemo-nos (vejo-vos) outra vez, ok?
Recadinho
(É só para dizer que não tenho aparecido, mas ando por aí. É que, de vez em quando, canso-me do mundo e quando me canso do mundo, canso-me de tudo. Mas agora ando outra vez a fazer as pazes com a vida. Só não me apetece escrever sobre política. E é só para dizer que é muito bom ser uma gaja no meio destes gajos todos. E é muito bom que os meus disparates sejam sempre maiores que os vossos. E por isso apetece-me escrever sobre o maior disparate de todos: os sentimentos e as relações humanas. A doença ataca a todos. E pronto. Foi um prazer. É sempre um prazer.)
O clube do défice
Já alguém anotou que só sobra a Europa no campeonato do mundo. Mas consta que o nosso ministro das Finanças, todo orgulhoso, anda a espalhar uma acertada análise sobre as meias-finais do mundial: só sobram países em défice excessivo: Alemanha, França, Itália e Portugal.
O facto, por si só, merece dois comentários: primeiro, que a confiança dos consumidores terá evolução favorável na zona euro; segundo, que com o recorde de dois procedimentos por défice excessivo, e com um défice de 4,6% esta ano, Portugal é o mais forte candidato ao título.
Se a previsão se confirmar, farei a devida vénia ao défice.
O facto, por si só, merece dois comentários: primeiro, que a confiança dos consumidores terá evolução favorável na zona euro; segundo, que com o recorde de dois procedimentos por défice excessivo, e com um défice de 4,6% esta ano, Portugal é o mais forte candidato ao título.
Se a previsão se confirmar, farei a devida vénia ao défice.
Os jornalistas e a bola
Dizem-me fontes muitissimo bem informadas que, a esta hora, o aeroporto de Lisboa está cheio de jornalistas económicos, que seguem caminho para Munique para ir ver OS DOIS jogos das meias-finais do mundial. Dizem-me as mesmas fontes, que essa malta (alguns deles, bons amigos meus) vai a convite do BES, essa instituição patriótica. Agora pergunto eu: porque é que eu não faço banca?!
P.S. Este post está a destilar de inveja.
P.S. Este post está a destilar de inveja.
03 julho 2006
será que foi abaixo a seriedade e independência?
lembram-se da tomada de posse do governo sócrates? recordam-se do unanimismo gerado em torno da seriedade que transparecia das opções de sócrates? campos e cunha , bem como freitas do amaral, eram apresentados como os pináculos de um edifício independente feito a pensar em Portugal?
olha!!!....foram-se embora!
olha!!!....foram-se embora!
30 junho 2006
A incógnita chamada Freitas do Amaral
Amanhã, estaremos a um ano do início da presidência portuguesa da UE. Não me restam dúvidas de que vamos continuar a honrar a bandeira nessas circunstâncias. Só se será Freitas do Amaral a conduzir os destinos do país nessa honrosa presidência. Aí sim, tenho muitas dúvidas. Mais ainda pela não reacção socialista a essa dúvida (ver hoje, no DE).
28 junho 2006
Os sofredores
Andamos por cá eufóricos com a vitória sobre a Holanda. Tratamos os jogadores por "heróis", ou "gloriosos da batalha de Nuremberga", falamos deles como se o seu destino naquele jogo fosse, para nós, mais do que uma final, mais do que uma Aljubarrota.
Já no Euro, o espírito foi o mesmo. Ficámos tristes por perder a final com a Grécia, mas a nossa final, aquela a sério, foi o jogo com a Inglaterra. Aí, o jogo teve mais de duas horas, alguns golos, e emoção até ao fim. Ganhar, para nós - portugueses de gema - não é simplemente ganhar. É ganhar na marra, se possível depois de estar a perder e dar a volta ao resultado. Ou, como domingo, ficar com menos um jogador e ficar a defender a vantagem até ao último minuto.
Ganhar é isto. Ou alguém se lembrava que, no Euro, tínhamos ganho à Holanda na semi-final, num jogo chato, onde a vitória foi fácil e não contestada?
Estes jogos da bola mostram, enfim, o país que somos, o povo que temos nas veias. Hoje, passou-me pela cabeça uma imagem boa para esta malta: lembram-se do 1,2,3 - o concurso? Na segunda edição, havia sempre um casal, metido num gabinete fechado, que sabia onde estava o prémio mais alto, mas só o podia ganhar se os concorrentes que estavam lá no palco, a negociar com Carlos Cruz, acertassem no palpite. A esse casal, o programa chamava "os sofredores". Os sofredores somos nós.
Já no Euro, o espírito foi o mesmo. Ficámos tristes por perder a final com a Grécia, mas a nossa final, aquela a sério, foi o jogo com a Inglaterra. Aí, o jogo teve mais de duas horas, alguns golos, e emoção até ao fim. Ganhar, para nós - portugueses de gema - não é simplemente ganhar. É ganhar na marra, se possível depois de estar a perder e dar a volta ao resultado. Ou, como domingo, ficar com menos um jogador e ficar a defender a vantagem até ao último minuto.
Ganhar é isto. Ou alguém se lembrava que, no Euro, tínhamos ganho à Holanda na semi-final, num jogo chato, onde a vitória foi fácil e não contestada?
Estes jogos da bola mostram, enfim, o país que somos, o povo que temos nas veias. Hoje, passou-me pela cabeça uma imagem boa para esta malta: lembram-se do 1,2,3 - o concurso? Na segunda edição, havia sempre um casal, metido num gabinete fechado, que sabia onde estava o prémio mais alto, mas só o podia ganhar se os concorrentes que estavam lá no palco, a negociar com Carlos Cruz, acertassem no palpite. A esse casal, o programa chamava "os sofredores". Os sofredores somos nós.
26 junho 2006
Back in Town
Eu estive de férias, em Londres. O Francisco casou-se (e viverá feliz para sempre). A Bárbara anda por terras desconhecidas. E este blog ficou ausente, com o mercado a explodir de novidades. Enfim, estamos de volta. Keep you posted.
16 junho 2006
Inimigo Público
A GM demorou meses a compreender o apelo de José Sócrates durante a primeira visita que realizou ao exterior: “España! España! España!”. Depois venham-me falar de produtividade...
Newsmaking II
Estava eu à sombra, quando me passou o seguinte pensamento pela cabeça: "O que eu queria mesmo - mesmo, mesmo - era ser jornalista. Só jornalista". Só não me caiu uma maçã em cima da cabeça. Foi, ainda assim, a minha versão da teoria da relatividade.
14 junho 2006
Newsmaking
Um bom amigo meu, a que podemos chamar "anónimo", deixou-me a frase que melhor define o trabalho de um jornalista: "Há dez anos que me pagam para escrever sobre coisas que não percebo". Esta semana, essa frase acompanhou-me com amizade. Obrigado ao autor.
12 junho 2006
Tributo ao racionalismo brazuca
Para Scolari, no futebol não entra emoção. É por isso que deixa Romário, Quaresma ou Moutinho de fora das selecções que orienta. No Japão, o brazuca ganhou a taça assim - tirou o louco e meteu a equipa a jogar precisamente o que era preciso para ganhar tudo. Na Alemanha, ontem, começou o mesmo caminho para o mesmo objectivo. Jogou pouco? Não houve fantasia? Pois - ganhou, simplesmente. "Faltam seis jogos", disse Scolari. Pois é. Eu não protesto nadinha. Só quero que ele obrigue a história a repetir-se, quatro anos depois, com as cores de Portugal. O resto não conta.
Ao cuidado do SOS Racismo
"Angola estaba perdida, pero se empezó a asentar en el campo gracias a su centrocampista Figueiredo (jugador de raza blanca) que tocaba el balón y organizaba a sus compañeros constantemente. Así, empezaron a llegar los angoleños a la portería de Ricardo", in El País.
11 junho 2006
Bola é assunto sério
Diz-se que o futebol não é um assunto sério. Errado. Não há mais sério, até. Basta pensarmos nos efeitos indutores que um bom resultado tem para a economia. Vejamos, então, os primeiros resultados. A Alemanha ganhou, o que é bom; a Inglaterra também, tal como a Holanda, o que dá três pontos para o PIB europeu. Só a Polónia (derrota) e a Suécia (empate) fizeram tremer o crescimento na europa. Mas ainda há tempo. É torcer pela França e pela Itália. E continuar a rezar por Portugal.
Tudo made in China, claro está!!
O Turismo de Lisboa distribuiu a todos os passageiros que rumaram, esta manhã, até à Alemanha o Kit Adepto. Um saco verde, vermelho e amarelo. Uma fita para a cabeça com pelo verde, vermelho e amarelo. E dois balões cilíndricos, um verde e outro um vermelho. Um pequeno pormenor: nos cilindros lê-se "Forca Portugal . 2006". Valerá mesmo a pena poupar uns euros e meter esta gente toda a torcer por uma forca?!!
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