19 julho 2006

As memórias que se acumulam

O actor brasileiro Raul Cortez morreu hoje, aos 73 anos. As minhas novelas preferidas tinham-no no papel principal. Via-as com a minha mãe, lá em casa. Eram um factor de união da família.

Tem lumes? (versão tripeira)

Ontem descobri (disseram-me) que os veículos novos não vêm equipados com isqueiro. Fiquei muito contente por o meu carro ter 11 anos. Especialmente porque era uma da manhã.

a pior piada do dia [4]



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18 julho 2006

Hoje acordei assim

"Temos que conservar a bola o maior tempo possível em nosso poder"
O locutor da Antena 1 interrompia o discurso e concluia: "Carlos Dinis, treinador da selecção nacional de sub-19, que hoje começa o Europeu de Futebol na Polónia, num jogo contra a Escócia".

Foi a voz do meu pai que me acordou. Desejei-lhe boa sorte e parti para mais um dia, cheio de orgulho.

a pior piada do dia [3]




com bluetooth

17 julho 2006

a pior piada do dia [2]















finalmente a bandeira de Portugal no espaço

a pior piada do dia [1]

todos os cogumelos são comestíveis pelo menos uma vez

O punho ainda é fixe?


José Sócrates entrou na sala acompanhado pelo líder da JS. Os jotas de pé, braços bem no ar, punhos cerrados, gritam “JS”, “JS”.
O secretário-geral socialista pára e beija uma jovem militante. Discursa sem gravata e sem casaco e, no final, enquanto o líder da JS volta a levantar o braço esquerdo, punho cerrado, José Sócrates ergue o direito com o polegar virado, bem para cima! A imagem vale...mil palavras.

16 julho 2006

That´s the way life is

Everything is possible... but not always available.

14 julho 2006

Conversas de rua

Entre os alfarrabistas ambulantes do Príncipe Real:

- ... [incompreensível] do exagero da crítica ao humanismo...
- mas o que é exagero? A crítica ou o humanismo?

13 julho 2006

A nação não se recomenda

É o que de melhor se escreveu nos jornais de hoje sobre o debate de ontem.
Pedro Mexia, no DN. Vale a pena ler de uma ponta à outra.

A sauna da democracia

Há anos que não entrava no Parlamento. Uma vez no liceu e outra na faculdade, tinha sido solenemente guiado pelos soberanos corredores, sede monacal dessa tão benéfica maçadoria democrática. Confesso que não tinha saudades. Digamos que tenho pelo Parlamento o mesmo sentimento que tenho pela minha vesícula: agradeço em abstracto a sua diligente actividade, mas dispenso detalhes.

Há dias, a editora de política deste jornal sugeriu que eu assistisse ao debate do estado da Nação e contasse o que vi, no meu registo do costume. Imaginando que fosse uma homenagem à estação tola, aceitei. Disfarçado de jornalista (mas no meio das galerias comuns, entre Cátias e funcionários públicos), assisti pela terceira vez a uma sessão da Assembleia.

O hemiciclo, em termos arquitectónicos, tem estilo. Infelizmente, em tarde de ananases, a casa da democracia estava transformada em sauna da democracia. Uma caloraça insustentável, que pôs toda a gente a abanar no rosto relatórios do Banco de Portugal (excepto a ministra da Cultura, a qual, sendo da cultura, usava um leque).

Nunca tinha visto ao vivo dois terços dos nossos eminentes deputados. Tomei algumas notas. O monárquico Pignatelli Queiroz estava mais imóvel que um marco de correio, à espera que lhe dessem a palavra para que se pronunciasse sobre a Patuleia. Nuno Melo lembra um entusiasmo de magala que vai às meninas. Miguel Frasquilho cultiva uma pilosidade digna dos Habsburgos. João Soares, tal como me tinham garantido três taxistas, ostenta um índice de massa corporal em tudo semelhante ao meu (infelizmente para ambos). Alberto Martins usa um tom de tribuno eleito por Viseu em 1922 (temi que recorresse ao termo "debalde"). Há uma socialista que parece uma lojista de Carnide. Há um deputado ecologista com rabo- -de-cavalo. Bernardino Soares nunca foi novo. Fernando Rosas é mais credível de suspensórios. Quanto aos ministros, notei especialmente o aspecto distinto do ministro da Agricultura (que parece um membro do Conselho de Nobreza) e o aspecto maquiavélico do ministro dos Assuntos Parlamentares (sempre que pega no telefone e murmura, imagino logo que está a ordenar a liquidação do Doge de Veneza).

O debate é cansativamente previsível. O Governo invoca a pesada herança, excomunga os pessimistas, anuncia a retoma económica e sublinha os ímpetos reformistas (disciplina orçamental, diminuição da despesa, inovação tecnológica, combate à burocracia e mais coisas ainda). A oposição insiste nas promessas incumpridas, nos fiascos fragorosos, na propaganda enganosa. Cada bancada aplaude e apupa estritamente o que lhe compete e apenas isso, lança dichotes e risadas, os clichés são em grande estilo Gato Fedorento (com metáforas futebolísticas e tudo). O nível geral é fraquinho. Embora estejam presentes dois políticos com grande estaleca (o frenético Portas e o gélido Louçã), a média dos discursos ouvidos é tão acutilante como (eis uma metáfora futebolística) Pedro Pauleta.

Ideologicamente, a situação é ainda mais complicada. Eu sou um homem da direita moderada (aquilo que a direita musculada chama "um homem de esquerda"). O Governo é um Governo de centro-esquerda (aquilo a que esquerda ideológica chama "um Governo de direita"). Assim, tenho dificuldade em embirrar com este executivo dito socialista. Chego a pedir interiormente a Sócrates que diga qualquer coisa de esquerda (como no filme de Nanni Moretti), para que eu o critique com convicção. Mas o máximo que Sócrates consegue é um remoque à General Motors. No mais, um reformismo sem ideologia e muita bazófia. Alguns coices à "esquerda conservadora e corporativa". E a ideia totalmente direitista de que se há contestação sindicial, isso é uma "homenagem ao Governo".

Não sei exactamente qual é o estado da Nação. Creio que não se recomenda, porque nunca se recomenda. Sei que teremos mais dois anos e meio, talvez seis e meio, disto. De socialismo sem cafeína, com um tecnocrata colérico mas reservado. De bloquismo bloqueado, entre o desengravatamento e o aburguesamento. De comunismo igual a sempre, barroco na linguagem maniqueísta a descambar para António Aleixo. De uma direita que não esconde algum contentamento por ver a esquerda fazer o seu trabalho sujo, enquanto se mantém aninhada entre o apagamento de Mendes e as Equipas de Nossa Senhora de Ribeiro e Castro. Não sei exactamente qual é o estado da Nação. Mas creio que não se recomenda.


(A responsabilidade dos sublinhados é minha)

Zidane conta a verdade

Zidane foi ontem explicar na televisão francesa a cabeçada no peito que deu a Materazzi no final do Mundial. Segundo o jogador, tratou-se de uma reacção a ofensas verbais que, diz, o afectaram profundamente. Materazzi, relata o médio francês, ter-lhe-à dito que, na próxima época, Zidane iria jogar para o BENFICA.

Não incomodar

...o país está em época de descanso.

Um mais um igual a zero

Facto: a jornalista Maria João Avillez entrevista hoje o primeiro-ministro na SIC.
Facto: ontem, foi notificada para entregar a carteira profissional de jornalista.
Facto: os dois factos anteriores não têm relação directa.

12 julho 2006

Estado da coisa

O primeiro ministro, de forma previsível, garante que o país tem um rumo. A oposição duvida. Pelo nível de repetição de temas, críticas e vãs glórias governamentais, o estado da Nação não pode ser grande coisa.

09 julho 2006

Hélas!

(ih! ih! ih!)

Falem vocês de bola, das aventuras e desventuras do Mundial, das tristezas e das alegrias, das vitórias e das derrotas.

The sun is up, I'm so happy I could scream! And there's nowhere else in the world I'd rather be than here with you, it's perfect, it's all I ever wanted, I almost can't believe that it's for real.

I really don't think it gets any better than this, vanilla smile and a gorgeous strawberry kiss! Birds sing, we swing, clouds drift by and everything is like a dream, it's everything I wished.

The sun is up, I'm so fizzy I could burst! You wet through and me headfirst into this is perfect, it's all I ever wanted, ow! It feels so big it almost hurts!

Say it will always be like this, the two of us together. it will always be like this forever and ever and ever...


(The Cure)

06 julho 2006

Seis anos de alegrias

Saímos do mundial tristes, mas a verdade é que nos vamos lembrar destes seis anos como os melhores de sempre para o futebol português. Desde 2000 que os rapazes da bola só nos dão alegrias: dois europeus, um na final outro nas meias; dois mundiais, com uma meia-final; uma liga dos campeões e outra taça intercontinental; uma taça UEFA a que se junta outra final e mais uma meia-final. Do futebol, não dá para exigir mais nada. Agora é a nossa vez. Todos.

Que ganda galo!

Não vi o Deco a valer dois Zidanes. Não vi o Figo a atinar. Não vi o Ronaldo a marcar. Não vi os franceses a chorar nem os tugas a delirar. Não vi Portugal na final, nem a promessa do mundial.

(Mas, mais uma vez, vi o Nuno Lopes, numa das esquinas do bairro onde os lamentos eram entorpecidos. O Lomba e o Mexia não apareceram por lá.)

05 julho 2006

Estado de espírito


"Hoje, com a França, oscilo entre os dois pólos, desde o mais abjecto pessimismo até ao triunfalismo mais doentio, passando por todos os graus de superstição e de fezada".
Miguel Esteves Cardoso, hoje no Jogo