21 janeiro 2007

Ano um

A efeméride deve ser assinalada: há um ano foi eleito o primeiro Presidente de direita. Entre os socialistas, garante-se que Cavaco inaugurou a primeira fase de real colaboração entre São Bento e Belém. Pergunto-me se, feitas as contas, os socialistas terão algo a apontar a Jorge Sampaio...

16 janeiro 2007

O maná

Como qualquer primeiro-ministro que se preze, José Sócrates disse hoje que os próximos fundos comunitários serão aplicados com rigor e onde mais falta fazem. Como qualquer líder partidário que se preze, o mesmo Sócrates disse que no passado nada disso foi feito. Só me pergunto o que pensará do assunto o seu antecessor, Cavaco Silva, ou até o outro, António Guterres. Aliás, só é pena que, desta vez, tenhamos mesmo que acreditar: é que o maná não volta depois de 2013.

Apanhados da televisão portuguesa - 7/8 (RTP)

Conjunto de apanhados em entrevistas da televisão portuguesa (estes são da RTP).

"Sarkozy escreveu carta a Sócrates para o sensibilizar para protestos contra encerramento de consulados"

Confundir uma candidatura presidencial com a função de ministro de um Estado democrático faz a diferença. Sarkozy derrapou. Escreveu a Sócrates para o sensibilizar para os protestos contra o alegado encerramento de consulados. No fundo, quer apenas "piscar" o olho ao eleitorado luso-francês. Já que se preocupa tanto com uma alegada decisão de Lisboa deveria conhecer a máxima portuguesa: "o povo não é estúpido".

15 janeiro 2007

A vida no JN

... é dura, mas animada. Bem sei que não tem dado tempo para dar sinais de vida, mas tudo se encaminha. Até já.

09 janeiro 2007

O monstro


Fala pouco, trabalha muito (aparenta resultados, dirão os mais cépticos). É elogiado à esquerda e à direita. No poder e pela oposição. Consensual. Mas o que faz Paulo Macedo nos impostos? Tem tudo para ser político, dos bem sucedidos, coisa rara na classe contemporânea. PS e PSD que se cuidem: se o homem aposta na conquista do eleitorado, "Contra os fugitivos do fisco", não sei não...Bem, talvez aí, só aí, concluam: criámos um monstro!

03 janeiro 2007

Isto agora é a doer

Back from London, só hoje estive a ler nos jornais ecos da mensagem de Ano Novo do Presidente da República.
President´s new year resolution: "Em 2007, não podemos falhar as metas que queremos atingir".
Cavaco já deu a entender que o estilo vai mudar ligeiramente. Mais exigente, pedindo mais contas e responsabilidade a Sócrates. É bom que a propaganda do primeiro-ministro comece a mostrar resultados práticos, senão vai haver puxões de orelhas na praça pública.

Ano novo, vida nova


O slogan parece ridículo, de tão usado que é, mas ao caso aplica-se na perfeição. A partir de dia 9, próxima terça-feira, encontram-me no Jornal de Notícias. Para já, e enquanto não começa o desafio, desejo-vos um ano de 2007 feliz. Até já.

27 dezembro 2006

Oposição aproveita silly season para fazer oposição

Oposição critica mensagem de Natal optimista de Sócrates

25 dezembro 2006

Gosto sempre que o Natal do Tim Burton entre no meu Natal



Everybody has a chance, Charlie.

Diz que é uma espécie de serviço público

A RTP acabou de prestar um péssimo serviço público. Aquilo a que chamou um Especial Férias do Gato Fedorento resumiu-se a 15 minutos, se tanto, de repetições de rábulas. After all, there wasn't another.

Porque calar é difícil

Não, eu não deveria contar nem ouvir nada, porque nunca estará na minha mão que não se repita e se afeie contra mim, para me perder, ou ainda pior, que não se repita e se afeie contra aqueles a quem eu bem quero, para os condenar.

Javier Marías
O teu rosto amanhã

23 dezembro 2006

Santo Natal

... para todos. Descansem muito e sejam felizes. Até logo.

21 dezembro 2006

O debate mensal

1. Sócrates apostou bem na reforma do ensino superior português, que bem precisa de ser reformado. É, aliás, a última grande reforma no horizonte do Executivo socialista. Os próximos debates mensais, a partir de 2007, tenderão a ser bem mais difíceis. Depois dos anúncios, vem o tempo da prestação de contas. Um tempo longo, que exigirá mais do que palavras, mais do que intenções.

2. Ainda sobre o Ensino Superior, as linhas gerais da reforma, se bem que tardias, vão no sentido certo. Poderiam ser mais ambiciosas - é certo - mas são um bom primeiro passo. Marques Mendes, por seu lado, fez exactamente o que se exigia: pediu mais determinação na ligação das universidades à sociedade. Faz sentido, marca uma diferença e não perde tempo com demagogias. Bem melhor do que tem estado, Mendes marcou pontos numa altura em que é desafiado dentro do partido. Segue para Natal descansado e bem pode seguir o conselho de José Miguel Júdice: ir passear para a praia, de mão dada com a sua mulher.

3. Central no debate de hoje foi a questão da ERSE. O Governo foi acusado de tirar a palavra ao seu ex-presidente e até de interferir na reguladora. Sobre isto, Sócrates mostrou o que tem de melhor e o que tem de pior. Primeiro, defendeu com unhas e dentes a limitação (pelo Governo) dos aumentos de preço da electricidade. Acredita nisso piamente e desafiou quem o critica a dizer se faria diferente. Como ninguém o disse, saiu bem do problema...

4. ...Ou não. É que, no meio de tanto ataque, Sócrates não resistiu a acusar Marques Mendes de querer interferir na nomeação dos presidentes das entidades reguladoras antes de ser Governo. Para Sócrates, assim, o cargo de regulador é um cargo de nomeação governamental como qualquer outro. Não faz questão de manter, sequer, as aparências de isenção e independência. É pena. Já sabíamos que o Governo não lida bem com entidades independentes (nenhum lida). Agora, ficamos a saber que, por vontade de Sócrates, nenhuma o será. Em circunstâncias normais, seria uma má notícia para a oposição. Em maioria absoluta, é uma péssima notícia para o país.

20 dezembro 2006

A guerra constitucional

Em vez de tanto protestar por causa de uma carta do primeiro-ministro e dos cinco pareceres enviados, a oposição devia era seguir os mesmos passos e reforçar a sua argumentação. Um primeiro-ministro, por o ser, não pode ter menos direitos que qualquer outro político. Ou pode?

15 dezembro 2006

Time to move on



Fecha-se a porta - encosta-se, para dizer a verdade - e nunca se deixa nada para trás. Hoje é o meu último dia no Diário Económico, sete anos depois de ter entrado pela mão do Sérgio Figueiredo. Um jornal que me deu tudo e ao qual dei o mesmo que recebi.

Por aqui, por enquanto, ficam algumas pessoas que trabalharam comigo, que deram tudo, cresceram muito, mostraram-se a todos. Boa gente a quem devo muito. A eles (na esmagadora maioria, a elas) quero deixar a mensagem, adaptada, que aqui fixei no dia em que a minha saída foi concretizada.

"Conseguimos muito, algo, pouco, nada? Pouco importa. O que importa, creio, é ter ficado o sentimento de acreditarmos. Em nós. Nos outros. No país. No destino."



Beijos e abraços. Bom trabalho e até já.

14 dezembro 2006

A última crónica no DE

ANALOGIA DO PODER. Há 16 anos, no final da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva, o então director do Expresso, José António Saraiva, analisava de maneira curiosa o estilo do cavaquismo. Dizia assim: “A verdade é que este Governo não caiu por si. Não apodreceu. Não se desagregou. Mais, geriu com notável mestria os seus quatro anos de poder.”
O analista, porém, não se ficava pelo elogio. “Durante os primeiros dois, fez as reformas que queria fazer, afrontando todas as classes: médicos, advogados, professores, militares, funcionários públicos... No ano e meio seguinte consolidou as reformas feitas e emendou aquilo que não podia deixar de emendar. Finalmente, guardou os últimos meses para mostrar trabalho feito”.

JOGOS DE SORTE. 16 anos depois, o mínimo que se pode dizer é que José Sócrates segue à letra a cartilha do cavaquismo, com o bónus de ter em Belém precisamente o autor da estratégia, e não um Mário Soares ávido de ganhar o seu quinhão de poder. Sócrates, assim, pode considerar-se um homem de sorte. E esta história só pode acabar com o apoio socialista a Cavaco nas presidenciais de 2011.

JOGOS DE AZAR. Mas se Sócrates pode agradecer aos deuses a sorte que lhe calhou, o que dizer de Marques Mendes? O líder do PSD, que há 16 anos era o porta-voz do cavaquismo, hoje é refém da estratégia que ajudou a montar. Mendes não só sabe o que Sócrates está a fazer, como sabe que o está a fazer bem feito. Mais ainda, Mendes conhece Cavaco e sabe que de Belém não sairá uma só palavra que coloque em causa o primeiro-ministro – porque Cavaco não fará a Sócrates o que Soares lhe fez a ele.

ALVO FÁCIL. Entre a espada e a parede, Mendes sabe também que é um alvo fácil dentro do próprio PSD. Tão fácil, aliás, que Morais Sarmento só teve que esperar a primeira entrevista de Cavaco para disparar o primeiro tiro: “Não o associo a nenhuma causa”, afirmou numa entrevista ao DN. Para admitir, logo a seguir, que ainda “é cedo para avaliar Sócrates” – a quem reconheceu, de resto, virtudes de reformismo.

CONSELHO DISCRETO. Quem se lembre da nossa história recente, sabe que durante a primeira maioria absoluta de Cavaco o PS deixou cair Almeida Santos e Vítor Constâncio. Sabe, também, que o próprio Jorge Sampaio só resistiu mais dois anos. Como estes – cuja carreira, como se sabe, esteve longe de terminar no Largo do Rato –, Mendes sabe que terá muitos obstáculos e adversários pela frente, se quiser ter a sua oportunidade. Mas, sobretudo, terá nas mãos um grande desafio: ter paciência com os seus, e a seriedade de reconhecer o bom que seja feito pelos outros. Acima de tudo, Marques Mendes deve seguir um conselho sábio e discreto que lhe chegou de Belém: exigir mais e melhor de Sócrates. Sem baixar os braços e sem as demagogias que a história e os livros nunca perdoam.

13 dezembro 2006

Mudanças

Aos poucos, fui voltando aqui. A partir da próxima semana, com a minha saída do Diário Económico, a reentrada será para valer. Este blog, a minha (a nossa) casa, voltará a ser a minha coluna preferencial de desabafos.

Com tamanhas mudanças para o ano que entra, o mínimo que se poderia fazer era isto: lavar a cara do Insubmisso e voltar à carga. Até amanhã, os links serão também revistos. Assim sendo, até já.

Calamity Campos?

A meio da primeira maioria absoluta cavaquista, Paulo Portas escrevia um artigo no Independente criticando a fúria reformadora da então ministra da Saúde, Leonor Beleza. O ataque à indústria farmacêutica, aos médicos, a centralização da gestão hospitalar, tudo junto, levavam Portas a apontar o dedo a "Calamity Leonor". Hoje, Correia de Campos segue, na prática, o mesmo caminho de Leonor Beleza - com o mesmo grau de impopularidade pública que aquela. Mas década e meia depois, nem Portas, nem a Ordem, nem quase ninguém se atreve a criticar o ministro. Das duas uma: ou o país já percebeu que Beleza estava certa, ou os lobbies já se renderam a "Calamity Campos".

12 dezembro 2006

Os novos do Restelo

O Governador do Banco de Portugal disse hoje que discorda do comissário europeu Almunia sobre os riscos de consolidação orçamental em Portugal, garantindo que Portugal está no bom caminho. Sem razão para discordar de um ou de outro, sempre vou notando em Vítor Constâncio uma defesa do Governo de intensidade curiosa. Talvez por isso o Governo, neste caso, não tenha tido dúvidas em reconduzir o único regulador que ainda não lhe mereceu críticas.