Mas há um problema!
É que o debate e as soluções subjacentes ao presente referendo não permitem que qualquer pessoa decida em consciência.
Mas porquê ó Mira? (já ouço a Bárbara a gritar!!)
Porque apenas dão como alternativa legislativa uma das hipóteses....a mulher abortar, e dão os meios para que essa solução possa ser considerada (SNS ao serviço dessa opção).
Ora nessas circunstâncias o debate interno (a cada um) fica enviesado porque legislativamente não há uma situação isenta e independente... o Estado apoia uma hipótese, não apoia outras, e por essa razão o Estado e suas instituições não cumprem os seus papéis institucionais.
As pessoas poderiam decidir em consciência se a legislação providenciasse igual tratamento às várias formas de solucionar "esse problema" que é uma gravidez. As mulheres que, por diversas razões, colocam a hipótese de não prosseguir a gravidez deveriam ter instrumentos legais para decidir exclusivamente em consciência sobre a continuação da vida que está a desenvolver-se:
- por um lado deveriam poder fazer a dita interrupção
- por outro deveriam poder optar pela vida e receber idêntico apoio financeiro e institucional do Estado (vejam-se os casos Alemão e dos países nórdicos)
Mas como o Estado Português não tem esta posição, vão acontecer sempre desculpas sócio-económicas e políticas para apoiar a interrupção dos processos de desenvolvimento de vidas humanas.
Enquanto o Estado Português não apresentar este quadro legislativo que promova a decisão em consciência, eu não posso votar sim
De facto esta deveria ser uma consciência, mas não deixam que ela seja.



