Há muita coisa mal explicada nesta saída de Fontão de Carvalho. Vamos por pontos.
1. Ou Fontão escondeu a informação de que era arguído de Carmona, o que seria muito grave, ou Carmona é cúmplice directo do mesmo crime político. No primeiro caso, Fontão tinha de ser sumariamente despedido; no segundo, tinham de ser despedidos os dois.
2. Fontão disse que ficava e que Carmona concordava; na manhã seguinte, Carmona dizia que a direcção do PSD tinha sido consultada e que aceitava a decisão; na tarde seguinte, o PSD volta atrás e retira a confiança a Fontão. Tudo isto tem muita lógica, sim senhor. O que falta é explicar tudo.
3. No meio de toda esta embrulhada, já agora, porque é que o PS não provoca a queda de Carmona? Será por défice... de cavalheiros?
17 fevereiro 2007
16 fevereiro 2007
O refugado que reina Lisboa

O espaço de manobra de Carmona Rodrigues varia entre o escasso e o inexistente. Apenas 16 meses depois de ter sido eleito, não só não afasta sucessivas suspeitas quanto ao trabalho da sua equipa como tarda em provar que tem um plano, um projecto para a maior cidade do país. A Carmona já não basta esclarecer as suspeitas que ontem surgiram contra o seu vice, acusado de peculato.
15 fevereiro 2007
Bipolar?
Em Belém, Cavaco deixa alertas sobre a regulamentação do aborto. Nos corredores do poder, há quem pense que temos um Presidente bipolar. Será?
(cenas dos próximos capítulos nos próximos dias)
(cenas dos próximos capítulos nos próximos dias)
14 fevereiro 2007
Do caraças
é este "home video" que o Pedro Adão e Silva nos arranjou. Qual Marcelo, qual Gato Fedorento, o You Tube foi feito para isto. Saiam lá daqui e vão lá ver.
11 fevereiro 2007
Vencido
Cá por mim, dou como perdedor do fim-de-semana o Fernando Santos. O homem perde na Póvoa e no referendo. Há coisas que não mudam.
Responsabilidade
A vitória do "Sim" coloca enormes responsabilidades nos ombros de José Sócrates. Para uma lei justa não basta o voto do povo. É preciso que o Estado não se demita de fazer uma regulamentação rigorosa e em condições. Como é raro que aconteça, é sempre bom avisar.
P.S. Votei "sim", mas não sem dúvidas - como, aliás, em 1998. As palavras que me marcam são de Maria de Belém Roseira: "Vocês conhecem-me e sabem que sou responsável". Sim, dra. Acredito que sim.
P.S. Votei "sim", mas não sem dúvidas - como, aliás, em 1998. As palavras que me marcam são de Maria de Belém Roseira: "Vocês conhecem-me e sabem que sou responsável". Sim, dra. Acredito que sim.
08 fevereiro 2007
Pela Vida II
É claro que eu tinha que responder-te, ó Mira.
É claro que eu também sou pela vida.
É claro que os apoiantes do ‘não’ estão a enviesar a questão ao dizer que o Estado não fomenta políticas de apoio ao nascimento. Estão a ser hipócritas ao apelar a um voto no ‘não’ moderado, em que depois se muda a lei na Assembleia para não penalizar as mulheres, quando é exactamente isso que está em causa neste referendo – nesta pergunta – e nada mais.
É claro que não passa de pura demagogia introduzir na campanha a imagem de bebés, como se fosse tudo a mesma coisa.
É claro que as mulheres tanto deviam poder fazer a dita interrupção como receber – as que precisam – apoio do Estado. Mas é claro que nesta questão não estamos a falar apenas de mulheres desfavorecidas. Estamos a falar da penalização pelo sistema jurídico de mulheres que abortam. E dentro das mulheres que abortam, há muitas que o fazem num qualquer vão de escada, porque não têm dinheiro para ir à Clínica dos Arcos em Espanha, ou para ir a Londres, aproveitando para fazer umas compras em Oxford Street.
É claro que há meios contraceptivos que o Estado deve promover, mas é claro que também há preservativos que rompem.
É claro que é sempre preferível que uma gravidez tenha seguimento. Consegues imaginar a violência que é para uma mulher fazer um aborto? Só a própria palavra assusta, não? É claro que o aborto não vai tornar-se nunca num método contraceptivo, como muito boas bocas andam para aí a dizer.
É claro que isto é tudo uma grande tanga. A lei já devia ter sido alterada na Assembleia, porque é também para isso que o povo vota em deputados: para legislar. E é claro que esta minha posição contra o referendo também é discutível. Como tudo.
É claro que ter um filho é a melhor coisa do mundo. Mas nem sempre o mundo nos diz que a melhor coisa é ter um filho.
É claro que eu também sou pela vida.
É claro que os apoiantes do ‘não’ estão a enviesar a questão ao dizer que o Estado não fomenta políticas de apoio ao nascimento. Estão a ser hipócritas ao apelar a um voto no ‘não’ moderado, em que depois se muda a lei na Assembleia para não penalizar as mulheres, quando é exactamente isso que está em causa neste referendo – nesta pergunta – e nada mais.
É claro que não passa de pura demagogia introduzir na campanha a imagem de bebés, como se fosse tudo a mesma coisa.
É claro que as mulheres tanto deviam poder fazer a dita interrupção como receber – as que precisam – apoio do Estado. Mas é claro que nesta questão não estamos a falar apenas de mulheres desfavorecidas. Estamos a falar da penalização pelo sistema jurídico de mulheres que abortam. E dentro das mulheres que abortam, há muitas que o fazem num qualquer vão de escada, porque não têm dinheiro para ir à Clínica dos Arcos em Espanha, ou para ir a Londres, aproveitando para fazer umas compras em Oxford Street.
É claro que há meios contraceptivos que o Estado deve promover, mas é claro que também há preservativos que rompem.
É claro que é sempre preferível que uma gravidez tenha seguimento. Consegues imaginar a violência que é para uma mulher fazer um aborto? Só a própria palavra assusta, não? É claro que o aborto não vai tornar-se nunca num método contraceptivo, como muito boas bocas andam para aí a dizer.
É claro que isto é tudo uma grande tanga. A lei já devia ter sido alterada na Assembleia, porque é também para isso que o povo vota em deputados: para legislar. E é claro que esta minha posição contra o referendo também é discutível. Como tudo.
É claro que ter um filho é a melhor coisa do mundo. Mas nem sempre o mundo nos diz que a melhor coisa é ter um filho.
07 fevereiro 2007
Pela Vida
Esta pequena incursão tinha um objectivo: pedir que em consciência todas as pessoas votem no próximo Domingo.
Mas há um problema!
É que o debate e as soluções subjacentes ao presente referendo não permitem que qualquer pessoa decida em consciência.
Mas porquê ó Mira? (já ouço a Bárbara a gritar!!)
Porque apenas dão como alternativa legislativa uma das hipóteses....a mulher abortar, e dão os meios para que essa solução possa ser considerada (SNS ao serviço dessa opção).
Ora nessas circunstâncias o debate interno (a cada um) fica enviesado porque legislativamente não há uma situação isenta e independente... o Estado apoia uma hipótese, não apoia outras, e por essa razão o Estado e suas instituições não cumprem os seus papéis institucionais.
As pessoas poderiam decidir em consciência se a legislação providenciasse igual tratamento às várias formas de solucionar "esse problema" que é uma gravidez. As mulheres que, por diversas razões, colocam a hipótese de não prosseguir a gravidez deveriam ter instrumentos legais para decidir exclusivamente em consciência sobre a continuação da vida que está a desenvolver-se:
Mas como o Estado Português não tem esta posição, vão acontecer sempre desculpas sócio-económicas e políticas para apoiar a interrupção dos processos de desenvolvimento de vidas humanas.
Enquanto o Estado Português não apresentar este quadro legislativo que promova a decisão em consciência, eu não posso votar sim
De facto esta deveria ser uma consciência, mas não deixam que ela seja.
Mas há um problema!
É que o debate e as soluções subjacentes ao presente referendo não permitem que qualquer pessoa decida em consciência.
Mas porquê ó Mira? (já ouço a Bárbara a gritar!!)
Porque apenas dão como alternativa legislativa uma das hipóteses....a mulher abortar, e dão os meios para que essa solução possa ser considerada (SNS ao serviço dessa opção).
Ora nessas circunstâncias o debate interno (a cada um) fica enviesado porque legislativamente não há uma situação isenta e independente... o Estado apoia uma hipótese, não apoia outras, e por essa razão o Estado e suas instituições não cumprem os seus papéis institucionais.
As pessoas poderiam decidir em consciência se a legislação providenciasse igual tratamento às várias formas de solucionar "esse problema" que é uma gravidez. As mulheres que, por diversas razões, colocam a hipótese de não prosseguir a gravidez deveriam ter instrumentos legais para decidir exclusivamente em consciência sobre a continuação da vida que está a desenvolver-se:
- por um lado deveriam poder fazer a dita interrupção
- por outro deveriam poder optar pela vida e receber idêntico apoio financeiro e institucional do Estado (vejam-se os casos Alemão e dos países nórdicos)
Mas como o Estado Português não tem esta posição, vão acontecer sempre desculpas sócio-económicas e políticas para apoiar a interrupção dos processos de desenvolvimento de vidas humanas.
Enquanto o Estado Português não apresentar este quadro legislativo que promova a decisão em consciência, eu não posso votar sim
De facto esta deveria ser uma consciência, mas não deixam que ela seja.
06 fevereiro 2007
Life is what you make of it
Somos muito estranhos.
Acendemos fogueiras onde não queremos pôr carvão e mesmo assim queimamo-nos.
Acendemos fogueiras onde não queremos pôr carvão e mesmo assim queimamo-nos.
Pecados íntimos
Viver ao lado de uma sauna gay tem destas coisas. A minha janela transforma-se numa tela de cinema. Estacionou o Polo preto apressadamente em cima do passeio. É novo, pouco mais de 30 anos. Bom ar, estilo cosmopolita. Fechou o carro com o comando à distância e entrou no seu pecado íntimo. No banco de trás do carro que ainda está lá em baixo estacionado há uma cadeira de bebé.
"You can´t change the past, but the future can be a different story.
You've got to start somewhere".
in Little Children (Pecados Íntimos)
"You can´t change the past, but the future can be a different story.
You've got to start somewhere".
in Little Children (Pecados Íntimos)
29 janeiro 2007
Números
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, há
45 milhões de aborto por ano, dos quais
42% (19 milhões) são abortos não seguros (inclui clandestinos), dos quais
13% são causa de morte durante a gravidez.
45 milhões de aborto por ano, dos quais
42% (19 milhões) são abortos não seguros (inclui clandestinos), dos quais
13% são causa de morte durante a gravidez.
'Sim', pela vida
O DN publica o argumentário essencial para o meu voto 'sim'.
Ficam os links.
...Por conhecer tão bem a pobreza, indigna-se quando ouve os movimentos pelo "não" assumirem-se "pela vida". Como se quem aborta fosse "pela morte"...
...A utilização cada vez maior do Cytotec como método abortivo fez com que diminuíssem os abortos de vão de escada. Mas ainda há muitos, nas cidades e nos meios rurais. O medicamento vende-se na farmácia e está indicado para o estômago, mas pode provocar o aborto. As mulheres que querem interromper a gravidez recorrem cada vez mais ao misoprostol (princípio activo do Cytotec) mas não sem correrem riscos...
Ficam os links.
...Por conhecer tão bem a pobreza, indigna-se quando ouve os movimentos pelo "não" assumirem-se "pela vida". Como se quem aborta fosse "pela morte"...
...A utilização cada vez maior do Cytotec como método abortivo fez com que diminuíssem os abortos de vão de escada. Mas ainda há muitos, nas cidades e nos meios rurais. O medicamento vende-se na farmácia e está indicado para o estômago, mas pode provocar o aborto. As mulheres que querem interromper a gravidez recorrem cada vez mais ao misoprostol (princípio activo do Cytotec) mas não sem correrem riscos...
28 janeiro 2007
Só neste país
Este facto é extraordinário: o presidente de um governo regional diz que vai cumprir uma lei e isso... é notícia!!!
Funchal, 27 Jan (Lusa) - O Governo Regional vai cumprir a lei que for adoptada no continente mesmo que o "Não" ao aborto vença na Madeira, disse hoje Alberto João Jardim, numa acção de campanha, no Funchal, contra a Interrupção Voluntária da Gravidez.
Funchal, 27 Jan (Lusa) - O Governo Regional vai cumprir a lei que for adoptada no continente mesmo que o "Não" ao aborto vença na Madeira, disse hoje Alberto João Jardim, numa acção de campanha, no Funchal, contra a Interrupção Voluntária da Gravidez.
26 janeiro 2007
Vens comigo?
A Susana Moreira Marques tem hoje no Mil Folhas um texto bonito sobre Brick Lane (não é possível linkar).
Acabei quase de chegar de lá e já tenho vontade de voltar para lá. Caril em Bangla Town, lassi a acalmar a guerra com o picante, posters em Whitechapel, fechada para remodelação, what a pitty, e Shoreditch, onde eu tenho a certeza que te vou encontrar um dia, Louie.
Saímos por Middlesex, parámos na feira, vocês levaram as t-shirts todas que só custavam cinco pounds, isto é dado, e dançámos a tarde inteira do primeiro dia do ano no Big Chill, "the best bar in London", Dray Walk, 91 Brick Lane. Tenho saudades.

foto: Filipe Gil
Cada macaco no seu galho
Cavaco foi à Índia e patrocinou a assinatura de um acordo de extradição.
Putin foi à Índia e assinou um acordo para a construção de quatro reactores nucleares.
Putin foi à Índia e assinou um acordo para a construção de quatro reactores nucleares.
25 janeiro 2007
Há câmara na corrupção
Acho delicioso. Quando há coisas destas, acontecem notícias destas:
O vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fontão de Carvalho, vai ser, muito em breve, constituído arguido no âmbito do processo Bragaparques, garantiu hoje à Lusa fonte policial. (Lusa)
A concelhia de Braga do Bloco de Esquerda anunciou hoje que está a preparar um requerimento para pedir ao Procurador Geral da República que investigue os negócios entre a autarquia local e a Bragaparques. (Lusa)
Será mais uma vez o poder político a usar o judicial?
Não há aí maneira de citar a Constituiçãozinha, faxabor, j'ágora?
O vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fontão de Carvalho, vai ser, muito em breve, constituído arguido no âmbito do processo Bragaparques, garantiu hoje à Lusa fonte policial. (Lusa)
A concelhia de Braga do Bloco de Esquerda anunciou hoje que está a preparar um requerimento para pedir ao Procurador Geral da República que investigue os negócios entre a autarquia local e a Bragaparques. (Lusa)
Será mais uma vez o poder político a usar o judicial?
Não há aí maneira de citar a Constituiçãozinha, faxabor, j'ágora?
Defender o quê?
Acabei de perceber que a Comissão Parlamentar de Assuntos Económicos, Inovação e Desenvolvimento Regional, na sua Subcomissão de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas conta com o grupo de trabalho “Defender o Montado, Valorizar a Fileira da Cortiça”.
Que bom.
Que bom.
24 janeiro 2007
Babel
Deixei de ligar às estrelinhas dadas aos filmes pelos críticos de cinema. Olho por curiosidade, mas não me guio por aí.Babel é um filme extraordinário. T em um argumento interessante, está bem filmado, conta com boas interpretações e é inteligente ao ponto de nos fazer esquecer que estamos a ver um filme, para passarmos a viver o drama.
Babel é bom para quem gosta de viajar e desfrutar dos pontos de vista que nos distinguem das outras culturas. É um filme sobre a intolerância, o instinto de sobrevivência e o abuso da autoridade, também. E acaba por ser um elogio ao mundo.
Que sei eu se não sair daqui?
23 janeiro 2007
If I had a photograph of you
A esta hora, custa acreditar que estou aqui quando só estou dentro dos meus sonhos. A esta hora, abraço-te sem te poder tocar, sem saber onde estás, sem ter maneira de te chegar, sem memória da tua imagem. Paro o mundo e procuro-te nos rostos da multidão. Just wishing.
Derreto-me na fúria de não te poder beijar.
Derreto-me na fúria de não te poder beijar.
Colectânea de disparates
Acho que vou começar a fazer uma colectânea de disparates. Aqui vai o primeiro:
O cardeal-patriarca de Lisboa considerou hoje que abortar é uma atitude egoísta de quem não quer enfrentar as dificuldades de criar um filho e que uma lei que facilite o aborto é "uma tentação acrescida" para a mulher.
Lusa
O cardeal-patriarca de Lisboa considerou hoje que abortar é uma atitude egoísta de quem não quer enfrentar as dificuldades de criar um filho e que uma lei que facilite o aborto é "uma tentação acrescida" para a mulher.
Lusa
22 janeiro 2007
De lamber os beiços
No regresso da viagem à Índia, o Presidente confirmou, himself, aquilo que já desconfiávamos. Ao explicar que o seu estômago não tolerava os picantes daquelas zonas, chamou-se a si próprio um Presidente 'non-spicy'. Gosto deste sentido de humor.
É verdade que a Índia nos dá mesmo a volta à cabeça...
I am a soul, a microstar of conscient energy, the ruler of all my sense organs. I detach myself from my throne between the brows to travel to my soft golden red light incorporeal home. I visualise in front of me, a microstar just like me, the World Almighty Authority. I am being charged by the rays of all powers from this Supreme Source. I know there is nothing impossible in life and I realise within that I am stronger than any habit. I believe in myself and my ability to quit any addiction right here, right now. Waves from the Ocean of Purity break on the shore of my mind and revitalise, rejuvenate and cleanse me. Now, I dislike impure addictive substances. Even if I have to bear some discomfort, I will completely conquer these habits and regain the purity of the soul. This union gives me a unique sense of fulfilment. Now there is no need to depend on any external substance for pleasure.
A "missa" presidencial
A sondagem de hoje do Correio da Manhã diz coisas interessantes: Teixeira dos Santos é o ministro mais popular (sim, em tempos de reformas e perdas de privilégios o senhor ministro mantém a popularidade em alta, ao contrário, por exemplo, do seu colega dos Negócios Estrangeiros). A Aximage conta ainda que 67,2 % dos entrevistados que se dizem socialistas avaliam de forma posivita o desempenho de Cavaco Silva. Aliás, são os socialistas os que mais aprovam Cavaco. Ainda assim, 60,5 % dos eleitores do Bloco de Esquerda (sim, o número é o correcto!) consideram que Cavaco tem sido um Bom Presidente, o mesmo acontece com 40 % de comunistas. O mandato vai no adro, mas a "missa" presidencial já surte efeito...
21 janeiro 2007
Ano um
A efeméride deve ser assinalada: há um ano foi eleito o primeiro Presidente de direita. Entre os socialistas, garante-se que Cavaco inaugurou a primeira fase de real colaboração entre São Bento e Belém. Pergunto-me se, feitas as contas, os socialistas terão algo a apontar a Jorge Sampaio...
16 janeiro 2007
O maná
Como qualquer primeiro-ministro que se preze, José Sócrates disse hoje que os próximos fundos comunitários serão aplicados com rigor e onde mais falta fazem. Como qualquer líder partidário que se preze, o mesmo Sócrates disse que no passado nada disso foi feito. Só me pergunto o que pensará do assunto o seu antecessor, Cavaco Silva, ou até o outro, António Guterres. Aliás, só é pena que, desta vez, tenhamos mesmo que acreditar: é que o maná não volta depois de 2013.
Apanhados da televisão portuguesa - 7/8 (RTP)
| Conjunto de apanhados em entrevistas da televisão portuguesa (estes são da RTP). | |
"Sarkozy escreveu carta a Sócrates para o sensibilizar para protestos contra encerramento de consulados"
Confundir uma candidatura presidencial com a função de ministro de um Estado democrático faz a diferença. Sarkozy derrapou. Escreveu a Sócrates para o sensibilizar para os protestos contra o alegado encerramento de consulados. No fundo, quer apenas "piscar" o olho ao eleitorado luso-francês. Já que se preocupa tanto com uma alegada decisão de Lisboa deveria conhecer a máxima portuguesa: "o povo não é estúpido".
15 janeiro 2007
A vida no JN
... é dura, mas animada. Bem sei que não tem dado tempo para dar sinais de vida, mas tudo se encaminha. Até já.
09 janeiro 2007
O monstro

Fala pouco, trabalha muito (aparenta resultados, dirão os mais cépticos). É elogiado à esquerda e à direita. No poder e pela oposição. Consensual. Mas o que faz Paulo Macedo nos impostos? Tem tudo para ser político, dos bem sucedidos, coisa rara na classe contemporânea. PS e PSD que se cuidem: se o homem aposta na conquista do eleitorado, "Contra os fugitivos do fisco", não sei não...Bem, talvez aí, só aí, concluam: criámos um monstro!
03 janeiro 2007
Isto agora é a doer
Back from London, só hoje estive a ler nos jornais ecos da mensagem de Ano Novo do Presidente da República.
President´s new year resolution: "Em 2007, não podemos falhar as metas que queremos atingir".
Cavaco já deu a entender que o estilo vai mudar ligeiramente. Mais exigente, pedindo mais contas e responsabilidade a Sócrates. É bom que a propaganda do primeiro-ministro comece a mostrar resultados práticos, senão vai haver puxões de orelhas na praça pública.
President´s new year resolution: "Em 2007, não podemos falhar as metas que queremos atingir".
Cavaco já deu a entender que o estilo vai mudar ligeiramente. Mais exigente, pedindo mais contas e responsabilidade a Sócrates. É bom que a propaganda do primeiro-ministro comece a mostrar resultados práticos, senão vai haver puxões de orelhas na praça pública.
Ano novo, vida nova
27 dezembro 2006
Oposição aproveita silly season para fazer oposição
Oposição critica mensagem de Natal optimista de Sócrates
25 dezembro 2006
Diz que é uma espécie de serviço público
A RTP acabou de prestar um péssimo serviço público. Aquilo a que chamou um Especial Férias do Gato Fedorento resumiu-se a 15 minutos, se tanto, de repetições de rábulas. After all, there wasn't another.
Porque calar é difícil
Não, eu não deveria contar nem ouvir nada, porque nunca estará na minha mão que não se repita e se afeie contra mim, para me perder, ou ainda pior, que não se repita e se afeie contra aqueles a quem eu bem quero, para os condenar.
Javier Marías
O teu rosto amanhã
Javier Marías
O teu rosto amanhã
23 dezembro 2006
21 dezembro 2006
O debate mensal
1. Sócrates apostou bem na reforma do ensino superior português, que bem precisa de ser reformado. É, aliás, a última grande reforma no horizonte do Executivo socialista. Os próximos debates mensais, a partir de 2007, tenderão a ser bem mais difíceis. Depois dos anúncios, vem o tempo da prestação de contas. Um tempo longo, que exigirá mais do que palavras, mais do que intenções.
2. Ainda sobre o Ensino Superior, as linhas gerais da reforma, se bem que tardias, vão no sentido certo. Poderiam ser mais ambiciosas - é certo - mas são um bom primeiro passo. Marques Mendes, por seu lado, fez exactamente o que se exigia: pediu mais determinação na ligação das universidades à sociedade. Faz sentido, marca uma diferença e não perde tempo com demagogias. Bem melhor do que tem estado, Mendes marcou pontos numa altura em que é desafiado dentro do partido. Segue para Natal descansado e bem pode seguir o conselho de José Miguel Júdice: ir passear para a praia, de mão dada com a sua mulher.
3. Central no debate de hoje foi a questão da ERSE. O Governo foi acusado de tirar a palavra ao seu ex-presidente e até de interferir na reguladora. Sobre isto, Sócrates mostrou o que tem de melhor e o que tem de pior. Primeiro, defendeu com unhas e dentes a limitação (pelo Governo) dos aumentos de preço da electricidade. Acredita nisso piamente e desafiou quem o critica a dizer se faria diferente. Como ninguém o disse, saiu bem do problema...
4. ...Ou não. É que, no meio de tanto ataque, Sócrates não resistiu a acusar Marques Mendes de querer interferir na nomeação dos presidentes das entidades reguladoras antes de ser Governo. Para Sócrates, assim, o cargo de regulador é um cargo de nomeação governamental como qualquer outro. Não faz questão de manter, sequer, as aparências de isenção e independência. É pena. Já sabíamos que o Governo não lida bem com entidades independentes (nenhum lida). Agora, ficamos a saber que, por vontade de Sócrates, nenhuma o será. Em circunstâncias normais, seria uma má notícia para a oposição. Em maioria absoluta, é uma péssima notícia para o país.
2. Ainda sobre o Ensino Superior, as linhas gerais da reforma, se bem que tardias, vão no sentido certo. Poderiam ser mais ambiciosas - é certo - mas são um bom primeiro passo. Marques Mendes, por seu lado, fez exactamente o que se exigia: pediu mais determinação na ligação das universidades à sociedade. Faz sentido, marca uma diferença e não perde tempo com demagogias. Bem melhor do que tem estado, Mendes marcou pontos numa altura em que é desafiado dentro do partido. Segue para Natal descansado e bem pode seguir o conselho de José Miguel Júdice: ir passear para a praia, de mão dada com a sua mulher.
3. Central no debate de hoje foi a questão da ERSE. O Governo foi acusado de tirar a palavra ao seu ex-presidente e até de interferir na reguladora. Sobre isto, Sócrates mostrou o que tem de melhor e o que tem de pior. Primeiro, defendeu com unhas e dentes a limitação (pelo Governo) dos aumentos de preço da electricidade. Acredita nisso piamente e desafiou quem o critica a dizer se faria diferente. Como ninguém o disse, saiu bem do problema...
4. ...Ou não. É que, no meio de tanto ataque, Sócrates não resistiu a acusar Marques Mendes de querer interferir na nomeação dos presidentes das entidades reguladoras antes de ser Governo. Para Sócrates, assim, o cargo de regulador é um cargo de nomeação governamental como qualquer outro. Não faz questão de manter, sequer, as aparências de isenção e independência. É pena. Já sabíamos que o Governo não lida bem com entidades independentes (nenhum lida). Agora, ficamos a saber que, por vontade de Sócrates, nenhuma o será. Em circunstâncias normais, seria uma má notícia para a oposição. Em maioria absoluta, é uma péssima notícia para o país.
20 dezembro 2006
A guerra constitucional
Em vez de tanto protestar por causa de uma carta do primeiro-ministro e dos cinco pareceres enviados, a oposição devia era seguir os mesmos passos e reforçar a sua argumentação. Um primeiro-ministro, por o ser, não pode ter menos direitos que qualquer outro político. Ou pode?
15 dezembro 2006
Time to move on

Fecha-se a porta - encosta-se, para dizer a verdade - e nunca se deixa nada para trás. Hoje é o meu último dia no Diário Económico, sete anos depois de ter entrado pela mão do Sérgio Figueiredo. Um jornal que me deu tudo e ao qual dei o mesmo que recebi.
Por aqui, por enquanto, ficam algumas pessoas que trabalharam comigo, que deram tudo, cresceram muito, mostraram-se a todos. Boa gente a quem devo muito. A eles (na esmagadora maioria, a elas) quero deixar a mensagem, adaptada, que aqui fixei no dia em que a minha saída foi concretizada.
"Conseguimos muito, algo, pouco, nada? Pouco importa. O que importa, creio, é ter ficado o sentimento de acreditarmos. Em nós. Nos outros. No país. No destino."
Beijos e abraços. Bom trabalho e até já.
14 dezembro 2006
A última crónica no DE
ANALOGIA DO PODER. Há 16 anos, no final da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva, o então director do Expresso, José António Saraiva, analisava de maneira curiosa o estilo do cavaquismo. Dizia assim: “A verdade é que este Governo não caiu por si. Não apodreceu. Não se desagregou. Mais, geriu com notável mestria os seus quatro anos de poder.”
O analista, porém, não se ficava pelo elogio. “Durante os primeiros dois, fez as reformas que queria fazer, afrontando todas as classes: médicos, advogados, professores, militares, funcionários públicos... No ano e meio seguinte consolidou as reformas feitas e emendou aquilo que não podia deixar de emendar. Finalmente, guardou os últimos meses para mostrar trabalho feito”.
JOGOS DE SORTE. 16 anos depois, o mínimo que se pode dizer é que José Sócrates segue à letra a cartilha do cavaquismo, com o bónus de ter em Belém precisamente o autor da estratégia, e não um Mário Soares ávido de ganhar o seu quinhão de poder. Sócrates, assim, pode considerar-se um homem de sorte. E esta história só pode acabar com o apoio socialista a Cavaco nas presidenciais de 2011.
JOGOS DE AZAR. Mas se Sócrates pode agradecer aos deuses a sorte que lhe calhou, o que dizer de Marques Mendes? O líder do PSD, que há 16 anos era o porta-voz do cavaquismo, hoje é refém da estratégia que ajudou a montar. Mendes não só sabe o que Sócrates está a fazer, como sabe que o está a fazer bem feito. Mais ainda, Mendes conhece Cavaco e sabe que de Belém não sairá uma só palavra que coloque em causa o primeiro-ministro – porque Cavaco não fará a Sócrates o que Soares lhe fez a ele.
ALVO FÁCIL. Entre a espada e a parede, Mendes sabe também que é um alvo fácil dentro do próprio PSD. Tão fácil, aliás, que Morais Sarmento só teve que esperar a primeira entrevista de Cavaco para disparar o primeiro tiro: “Não o associo a nenhuma causa”, afirmou numa entrevista ao DN. Para admitir, logo a seguir, que ainda “é cedo para avaliar Sócrates” – a quem reconheceu, de resto, virtudes de reformismo.
CONSELHO DISCRETO. Quem se lembre da nossa história recente, sabe que durante a primeira maioria absoluta de Cavaco o PS deixou cair Almeida Santos e Vítor Constâncio. Sabe, também, que o próprio Jorge Sampaio só resistiu mais dois anos. Como estes – cuja carreira, como se sabe, esteve longe de terminar no Largo do Rato –, Mendes sabe que terá muitos obstáculos e adversários pela frente, se quiser ter a sua oportunidade. Mas, sobretudo, terá nas mãos um grande desafio: ter paciência com os seus, e a seriedade de reconhecer o bom que seja feito pelos outros. Acima de tudo, Marques Mendes deve seguir um conselho sábio e discreto que lhe chegou de Belém: exigir mais e melhor de Sócrates. Sem baixar os braços e sem as demagogias que a história e os livros nunca perdoam.
O analista, porém, não se ficava pelo elogio. “Durante os primeiros dois, fez as reformas que queria fazer, afrontando todas as classes: médicos, advogados, professores, militares, funcionários públicos... No ano e meio seguinte consolidou as reformas feitas e emendou aquilo que não podia deixar de emendar. Finalmente, guardou os últimos meses para mostrar trabalho feito”.
JOGOS DE SORTE. 16 anos depois, o mínimo que se pode dizer é que José Sócrates segue à letra a cartilha do cavaquismo, com o bónus de ter em Belém precisamente o autor da estratégia, e não um Mário Soares ávido de ganhar o seu quinhão de poder. Sócrates, assim, pode considerar-se um homem de sorte. E esta história só pode acabar com o apoio socialista a Cavaco nas presidenciais de 2011.
JOGOS DE AZAR. Mas se Sócrates pode agradecer aos deuses a sorte que lhe calhou, o que dizer de Marques Mendes? O líder do PSD, que há 16 anos era o porta-voz do cavaquismo, hoje é refém da estratégia que ajudou a montar. Mendes não só sabe o que Sócrates está a fazer, como sabe que o está a fazer bem feito. Mais ainda, Mendes conhece Cavaco e sabe que de Belém não sairá uma só palavra que coloque em causa o primeiro-ministro – porque Cavaco não fará a Sócrates o que Soares lhe fez a ele.
ALVO FÁCIL. Entre a espada e a parede, Mendes sabe também que é um alvo fácil dentro do próprio PSD. Tão fácil, aliás, que Morais Sarmento só teve que esperar a primeira entrevista de Cavaco para disparar o primeiro tiro: “Não o associo a nenhuma causa”, afirmou numa entrevista ao DN. Para admitir, logo a seguir, que ainda “é cedo para avaliar Sócrates” – a quem reconheceu, de resto, virtudes de reformismo.
CONSELHO DISCRETO. Quem se lembre da nossa história recente, sabe que durante a primeira maioria absoluta de Cavaco o PS deixou cair Almeida Santos e Vítor Constâncio. Sabe, também, que o próprio Jorge Sampaio só resistiu mais dois anos. Como estes – cuja carreira, como se sabe, esteve longe de terminar no Largo do Rato –, Mendes sabe que terá muitos obstáculos e adversários pela frente, se quiser ter a sua oportunidade. Mas, sobretudo, terá nas mãos um grande desafio: ter paciência com os seus, e a seriedade de reconhecer o bom que seja feito pelos outros. Acima de tudo, Marques Mendes deve seguir um conselho sábio e discreto que lhe chegou de Belém: exigir mais e melhor de Sócrates. Sem baixar os braços e sem as demagogias que a história e os livros nunca perdoam.
13 dezembro 2006
Mudanças
Aos poucos, fui voltando aqui. A partir da próxima semana, com a minha saída do Diário Económico, a reentrada será para valer. Este blog, a minha (a nossa) casa, voltará a ser a minha coluna preferencial de desabafos.
Com tamanhas mudanças para o ano que entra, o mínimo que se poderia fazer era isto: lavar a cara do Insubmisso e voltar à carga. Até amanhã, os links serão também revistos. Assim sendo, até já.
Com tamanhas mudanças para o ano que entra, o mínimo que se poderia fazer era isto: lavar a cara do Insubmisso e voltar à carga. Até amanhã, os links serão também revistos. Assim sendo, até já.
Calamity Campos?
A meio da primeira maioria absoluta cavaquista, Paulo Portas escrevia um artigo no Independente criticando a fúria reformadora da então ministra da Saúde, Leonor Beleza. O ataque à indústria farmacêutica, aos médicos, a centralização da gestão hospitalar, tudo junto, levavam Portas a apontar o dedo a "Calamity Leonor". Hoje, Correia de Campos segue, na prática, o mesmo caminho de Leonor Beleza - com o mesmo grau de impopularidade pública que aquela. Mas década e meia depois, nem Portas, nem a Ordem, nem quase ninguém se atreve a criticar o ministro. Das duas uma: ou o país já percebeu que Beleza estava certa, ou os lobbies já se renderam a "Calamity Campos".
12 dezembro 2006
Os novos do Restelo
O Governador do Banco de Portugal disse hoje que discorda do comissário europeu Almunia sobre os riscos de consolidação orçamental em Portugal, garantindo que Portugal está no bom caminho. Sem razão para discordar de um ou de outro, sempre vou notando em Vítor Constâncio uma defesa do Governo de intensidade curiosa. Talvez por isso o Governo, neste caso, não tenha tido dúvidas em reconduzir o único regulador que ainda não lhe mereceu críticas.
11 dezembro 2006
Coisas da social-democracia
Caladinho há ano e meio, Morais Sarmento saiu da toca para criticar Marques Mendes duas semanas depois de Cavaco Silva ter dito tudo numa entrevista à SIC. O timing não é coincidência: no PSD, até para se atacar a liderança é preciso a sombra protectora do Presidente. Amén.
04 dezembro 2006
Homenagem
"Conseguiu muito, algo, pouco, nada? Pouco importa. O que importa, creio, é ter ficado o sentimento de acreditar. Em si. Nos outros. No país. No destino."
Cito Francisco Sá Carneiro, filho, num discurso sobre o seu pai, num momento especialmente oportuno. Quando tiverem dúvidas, hesitações, medo, lembrem-se disto.
(versão corrigida)
Cito Francisco Sá Carneiro, filho, num discurso sobre o seu pai, num momento especialmente oportuno. Quando tiverem dúvidas, hesitações, medo, lembrem-se disto.
(versão corrigida)
30 novembro 2006
Cavaco e o referendo
O Presidente marcou ontem o referendo ao aborto, com uma pequena frase muito significativa: esta é "uma matéria que possui profundas implicações no plano ético". O tema do aborto tem destas coisas: para a esquerda, é uma questão de modernidade; para a direita, é um problema de ética. Se dúvidas restam, deixo esta pergunta: alguém imagina Jorge Sampaio dizer o mesmo?
28 novembro 2006
Crónica das maiorias
ORÇAMENTO MONOCOLOR. Depois da entrevista à SIC do Presidente da República, muitos se têm perguntado sobre as razões de tanto apoio de Cavaco ao Governo de Sócrates. A resposta está aí já na quinta-feira, quando o PS aprovar sozinho o Orçamento de Estado para 2007, sem que um único deputado da oposição deixe uma palavra de apoio, de hesitação ou sequer de benefício da dúvida ao documento.
A VERDADE é só uma: nos documentos centrais da governação, Sócrates conta apenas com um apoio, o do seu próprio partido. Não houvesse maioria absoluta e o país caía - uma vez mais - no pior do guterrismo. E desta feita nem um Campelo existiria para salvar a bancada do Governo e a estabilidade governativa.
SUSPIROS. Na entrevista de Maria João Avillez a Cavaco Silva, faltou apenas uma pergunta clarificadora: aprova o Presidente o Orçamento de Estado? Vistas bem as coisas, a resposta está lá - apoiando o reformismo, defendendo um esforço nacional de contenção, sugerindo que se expliquem as medidas, Cavaco deixou claro que nada o opõe ao Orçamento - o mesmo que merecerá de toda a oposição um voto contra. Defendendo a estabilidade, aliás, Cavaco só pode ter nesse dia a mesma reacção que Sócrates não evitará: um suspiro de alívio pela existência de uma maioria absoluta no Parlamento.
CAMINHO CERTO. É por isto que, aprovado o Orçamento, amaioria parlamentar deviameter na sua lista de prioridades a reforma da lei eleitoral da Assembleia da República. Não para criar círculos uninominais, nem tão-pouco para reduzir deputados. O que PS e PSD têm a obrigação de fazer é mexer na lei para aumentar a estabilidade do regime. Havendo coragem política, os dois partidos só teriam um caminho: deixar-se de conversa fiada e caminhar no sentido de um Parlamento bipolar, onde a alternância do poder estável seria a regra e onde o papel da oposição seria o de controlar a acção do Executivo. Só assim se reforçaria o papel do Parlamento e só assim nos deixaríamos de discussões fúteis que a nada levame que só atrasam o país.
E OS PEQUENOS partidos - perguntariam os mais contemporizadores? Basta olhar para eles para encontrarmos a resposta: alguém precisa de um CDS que só aparece nos momentos das guerrilhas internas? E de um PCP que teima em não entrar no arco de governabilidade, antes procurando um lugar na contestação de rua? Em qualquer dos dois casos, se é verdade que há bons elementos nestes partidos, também o é que esses teriam voz reforçada se assumissem papel de relevo no chamado Bloco Central. Mais, poderiam até ganhar espaço e assumir uma posição de liderança que hoje, por exemplo no PS, a ala esquerda teima em não conseguir.
HOUVESSE CORAGEM, portanto, e a lei mudava. Porque se prova que Portugal só anda para a frente em anos de maioria absoluta; e porque talvez assim a oposição tivesse espaço para maior responsabilidade.
A VERDADE é só uma: nos documentos centrais da governação, Sócrates conta apenas com um apoio, o do seu próprio partido. Não houvesse maioria absoluta e o país caía - uma vez mais - no pior do guterrismo. E desta feita nem um Campelo existiria para salvar a bancada do Governo e a estabilidade governativa.
SUSPIROS. Na entrevista de Maria João Avillez a Cavaco Silva, faltou apenas uma pergunta clarificadora: aprova o Presidente o Orçamento de Estado? Vistas bem as coisas, a resposta está lá - apoiando o reformismo, defendendo um esforço nacional de contenção, sugerindo que se expliquem as medidas, Cavaco deixou claro que nada o opõe ao Orçamento - o mesmo que merecerá de toda a oposição um voto contra. Defendendo a estabilidade, aliás, Cavaco só pode ter nesse dia a mesma reacção que Sócrates não evitará: um suspiro de alívio pela existência de uma maioria absoluta no Parlamento.
CAMINHO CERTO. É por isto que, aprovado o Orçamento, amaioria parlamentar deviameter na sua lista de prioridades a reforma da lei eleitoral da Assembleia da República. Não para criar círculos uninominais, nem tão-pouco para reduzir deputados. O que PS e PSD têm a obrigação de fazer é mexer na lei para aumentar a estabilidade do regime. Havendo coragem política, os dois partidos só teriam um caminho: deixar-se de conversa fiada e caminhar no sentido de um Parlamento bipolar, onde a alternância do poder estável seria a regra e onde o papel da oposição seria o de controlar a acção do Executivo. Só assim se reforçaria o papel do Parlamento e só assim nos deixaríamos de discussões fúteis que a nada levame que só atrasam o país.
E OS PEQUENOS partidos - perguntariam os mais contemporizadores? Basta olhar para eles para encontrarmos a resposta: alguém precisa de um CDS que só aparece nos momentos das guerrilhas internas? E de um PCP que teima em não entrar no arco de governabilidade, antes procurando um lugar na contestação de rua? Em qualquer dos dois casos, se é verdade que há bons elementos nestes partidos, também o é que esses teriam voz reforçada se assumissem papel de relevo no chamado Bloco Central. Mais, poderiam até ganhar espaço e assumir uma posição de liderança que hoje, por exemplo no PS, a ala esquerda teima em não conseguir.
HOUVESSE CORAGEM, portanto, e a lei mudava. Porque se prova que Portugal só anda para a frente em anos de maioria absoluta; e porque talvez assim a oposição tivesse espaço para maior responsabilidade.
Pedintes, pés-descalços e invejosos
Diz o major Loureiro, com autoridade perdida e abafada por sucessivos casos de polícia, que as críticas do Tribunal de Contas à utilização de cartões de crédito por parte de 2 administradores da Metro do Porto surgem, apenas, por que somos um país de "pedintes, pés-descalços e invejosos". Uma dúvida, uma confirmação. É ou não verdade que este major na reserva passou a sua vida a viver à custa do erário público pago por aqueles que segundo diz são "pedintes, pés-descalços e invejosos"? A confirmação: A lei de incompatibilidades no poder local e regional só peca por tardia....
24 novembro 2006
Meia confiança
A retirada de meia confiança política a uma deputada comunista é um facto inovador na política. Se a moda pega, Marques Mendes reduz o seu slogan a "crescer 1,5%". Era bem mais realista, não?
P.S. (sem desprimor): Ao caso, tenho que dar razão a Jerónimo de Sousa. Se a deputada aceitou integrar as listas do partido, sabia as regras com que lidava. No fundo, Luísa Mesquita parece o Gil Vicente: se não gosta das regras da Liga, bem pode jogar nos amadores de Barcelos.
P.S. (sem desprimor): Ao caso, tenho que dar razão a Jerónimo de Sousa. Se a deputada aceitou integrar as listas do partido, sabia as regras com que lidava. No fundo, Luísa Mesquita parece o Gil Vicente: se não gosta das regras da Liga, bem pode jogar nos amadores de Barcelos.
Spin?
O Paulo Gorjão e o JMF acham que o Presidente da República deu um golpe de spin com a notícia de 5ª-feira do DE. Às vezes, o spin engana os próprios detectores.
23 novembro 2006
Jornalismo à portuguesa
Mais de mil jornalistas assinaram, em menos de cinco dias, o Manifesto em defesa da sua Caixa de Previdência, o que revela o profundo desagrado com que foi recebida a intenção do Governo em encerrar a instituição. O Manifesto, lançado pelo Sindicato dos Jornalistas
Este email que acabei de receber mostra à evidência que o jornalismo em Portugal é de esquerda - e não da alegadamente moderna do eng Sócrates. É o que temos.
Já agora: Comigo não contem, ok?
Este email que acabei de receber mostra à evidência que o jornalismo em Portugal é de esquerda - e não da alegadamente moderna do eng Sócrates. É o que temos.
Já agora: Comigo não contem, ok?
14 novembro 2006
A mulher de César

A rusga foi anunciada com pompa e circunstância. O BES voltava a estar na berlinda envolvido numa Operação Furacão à espanhola, sendo suspeito de "lavar" dinheiro com origem duvidosa. A fotografia nos jornais e telejornais era a da sede do BES, em Madrid, com polícias desfocados com pastas nas mãos. Em causa, supostamente, 1,8 mil milhões de euros que o Juiz Garzon decidiu congelar até apurar a sua validade. Na calha das autoridades espanholas estaria também o off shore da Madeira – chegou a fazer manchete em Portugal. Conclusão? Afinal, 99,6 % do dinheiro congelado pelos espanhóis...pertence a bancos espanhóis! Não tenho conta no BES, não conheço os Espírito Santo. Gosto de Espanha, gosto dos espanhóis, aprecio o perfil do Juiz Garzon. Mas tudo na vida tem limites. E não basta ser sério…
O congresso e os críticos
A união faz a força. Quem diz que um congresso de um partido no poder não serve para nada, seguramente nunca esteve num congresso. Este fim-de-semana, Sócrates entrou na reunião dos socialistas com uma mão-cheia de desafios. Era como se, em meia surdina, até a empregada protestasse com as ordens do patrão. De lá, o mesmo Sócrates saiu incontestável, aplaudido, elogiado por todos. Naquela casa, com o líder presente, não há quem levante a voz. Isso chega para Sócrates: com o aplauso do PS, fica pronto para os gritos nas ruas. A maioria fará o resto.
Alegre cavaqueira. Exemplo prático disso foi o discurso de Manuel Alegre. Lamentavelmente, o deputado que um dia antes tinha escrito duas páginas a arrasar o Orçamento de Sócrates, acabou a fazer uma intervenção que mais não foi que uma alegre cavaqueira. Lá fez o favor de se mostrar incomodado com algumas políticas, mas meteu as divergências num bolso - o mesmo de onde saiu uma folhinha, que entregou ao líder justificando a sua recusa de integrar os órgãos nacionais. Daqui para a frente, uma crítica de Alegre será lida no seu exacto valor: nenhum. Sobra Helena Roseta, que levou até ao fim a sua crítica.
Aborto até ao fim. Incompreensível foi o desafio da ala esquerda sobre o referendo ao aborto: se não for vinculativo, que se legisle na Assembleia. Ficamos a saber que, para eles, os votos só valem se forem muitos. Não tivesse cortado a polémica pela raiz, Sócrates caía no risco do passado: com tanta confusão, nem ida às urnas, nem “sim” que lhes valesse.
Reformas, pois claro. Saído de Santarém, o caminho do primeiro-ministro é óbvio: continuar as reformas. Cansados de apontar defeito às medidas, os críticos viram-se agora para os riscos de o Governo atacar todos os sectores, virando o país contra ele. Dizendo isto, não percebem que fazem a Sócrates um enorme favor: ao dizer que ataca todos, aceitam que o Governo tem feito por ser reformista - que é simplesmente o maior trunfo de um governante no Portugal imobilista de sempre.
O que faz falta, no Portugal de hoje, não é animar a malta. O que faz falta, sim, é quem perceba a urgência de cortar os bloqueios. Com o primeiro-ministro reforçado do congresso socialista, a única via possível de uma oposição responsável (à direita, claro está) é pedir mais a Sócrates. É que Portugal não tem tempo a perder. E o Governo ainda nem entrou na pior fase do mandato: a da execução. O futuro de Sócrates continua nas mãos de dois factores: a economia, que ao contrário do que o próprio imagina, nunca conseguirá controlar; e as reformas, que ou têm resultados efectivos ou acabam a matar o seu autor. Hoje, à luz do congresso, Sócrates parece um vencedor. Mas o caminho não é só longo: é estreito e ainda sem luz ao fundo do túnel.
(Publicado hoje no DE)
Alegre cavaqueira. Exemplo prático disso foi o discurso de Manuel Alegre. Lamentavelmente, o deputado que um dia antes tinha escrito duas páginas a arrasar o Orçamento de Sócrates, acabou a fazer uma intervenção que mais não foi que uma alegre cavaqueira. Lá fez o favor de se mostrar incomodado com algumas políticas, mas meteu as divergências num bolso - o mesmo de onde saiu uma folhinha, que entregou ao líder justificando a sua recusa de integrar os órgãos nacionais. Daqui para a frente, uma crítica de Alegre será lida no seu exacto valor: nenhum. Sobra Helena Roseta, que levou até ao fim a sua crítica.
Aborto até ao fim. Incompreensível foi o desafio da ala esquerda sobre o referendo ao aborto: se não for vinculativo, que se legisle na Assembleia. Ficamos a saber que, para eles, os votos só valem se forem muitos. Não tivesse cortado a polémica pela raiz, Sócrates caía no risco do passado: com tanta confusão, nem ida às urnas, nem “sim” que lhes valesse.
Reformas, pois claro. Saído de Santarém, o caminho do primeiro-ministro é óbvio: continuar as reformas. Cansados de apontar defeito às medidas, os críticos viram-se agora para os riscos de o Governo atacar todos os sectores, virando o país contra ele. Dizendo isto, não percebem que fazem a Sócrates um enorme favor: ao dizer que ataca todos, aceitam que o Governo tem feito por ser reformista - que é simplesmente o maior trunfo de um governante no Portugal imobilista de sempre.
O que faz falta, no Portugal de hoje, não é animar a malta. O que faz falta, sim, é quem perceba a urgência de cortar os bloqueios. Com o primeiro-ministro reforçado do congresso socialista, a única via possível de uma oposição responsável (à direita, claro está) é pedir mais a Sócrates. É que Portugal não tem tempo a perder. E o Governo ainda nem entrou na pior fase do mandato: a da execução. O futuro de Sócrates continua nas mãos de dois factores: a economia, que ao contrário do que o próprio imagina, nunca conseguirá controlar; e as reformas, que ou têm resultados efectivos ou acabam a matar o seu autor. Hoje, à luz do congresso, Sócrates parece um vencedor. Mas o caminho não é só longo: é estreito e ainda sem luz ao fundo do túnel.
(Publicado hoje no DE)
12 novembro 2006
XV Congresso do PS

Entrou em Santarém como secretário-geral do PS com um discurso virado para dentro, explicativo e justificativo, mas saiu da cidade a falar como primeiro-ministro com uma novidade relevante para o país [aumento do salário mínimo]. O discurso final foi esclarecedor: empolgante e carismático na comunicação, ambicioso no conteúdo e arrematador quanto ao poder que detém no PS e no país. Esperemos que venha a ter a taxa de execução anunciada, sem recuos nas reformas em curso.
10 novembro 2006
Para que servem os congressos?
Para disputar ou reforçar lideranças e estratégias.
O congresso socialista poderia ser um grande bocejo. Sócrates é um líder incontestado, recentemente reeleito por 97% dos militantes e não existe laivo de oposição capaz de lhe fazer frente.
Resta a segunda hipótese: reforçar lideranças e estratégias. E, aqui, é o país que reforça o enfoque no CNEMA. Greves, contestações, reformas em curso por concretizar, um Orçamento de Estado de aperto para muitos e esperança para poucos antevêem dificuldades na transmissão da mensagem. Não entre o líder e as tropas mas entre o descampado de Santarém e Portugal, do Minho ao Algarve, da Madeira ao Corvo
31 outubro 2006
27 outubro 2006
Contas à vida III (final)
Estava na cara. O barómetro do DN diz que Sócrates cai 16% no barómetro. Em apenas um mês. Contas feitas à vida, já há tantos a gostar de Sócrates como os que não gostam. Aceito que não é mau - não há popularidade que resista a tanto sacrifício. Mas bom não é seguramente.
P.S. Acabo de ler o editorial do próprio DN. E, sinceramente, não fazia ideia que o meu caro João Morgado Fernandes fosse do Sporting. É que não vejo outra maneira de perceber o que ele escreve. Ó João, então a sondagem é "animadora" para o PS?! Parece as nossas vitórias morais em Alvalade!
P.S. Acabo de ler o editorial do próprio DN. E, sinceramente, não fazia ideia que o meu caro João Morgado Fernandes fosse do Sporting. É que não vejo outra maneira de perceber o que ele escreve. Ó João, então a sondagem é "animadora" para o PS?! Parece as nossas vitórias morais em Alvalade!
25 outubro 2006
Contas à vida II
Quem leia os jornais, quem tenha por obrigação falar com o Governo todos os dias percebe facilmente o óbvio: o estado de graça de Sócrates, se não acabou ainda, está no limbo. É só ler e ouvir. O teste decisivo chegou mais cedo do que se previa.
19 outubro 2006
Contas à vida
(Pediram-me no DE que escrevesse umas linhas. Saíram hoje. Como estou em dívida para com esta casa, ficam aqui também. Abraços a todos).
CONTAS À VIDA. Aqui ao lado, na sua crónica semanal, o experiente Jorge Coelho prevê mais um ano difícil para muitas famílias e atira para 2008 o início do novo ciclo. Sábias palavras. Os socialistas, pouco devotos à fé divina, querem muito acreditar em Pinho, mas não podem fugir à realidade de Teixeira dos Santos – encarregue das negociações com os sindicatos e do travão à máquina do Estado. O Orçamento volta a ser de contenção e Manuel Pinho, como Sócrates, terá que voltar ao silêncio dos prudentes. A palavra “retoma” fica para mais tarde. Se Deus quiser.
IMAGEM, MENSAGEM. Noite fora, terça-feira. Vejo finalmente “Alice”, um filme português sobre a procura desesperada de uma filha que desapareceu sem deixar rasto. Depois, passo os olhos pelas manchetes do dia seguinte e fico a ver um programa diário da RTP-N, dedicado aos negócios e finanças.
Logo a abrir, vejo dois minutos e meio, bem contados, com uma reportagem de rua com o ministro das Finanças. Notável momento. Teixeira dos Santos em casa, Teixeira dos Santos a andar pelas ruas de Lisboa, Teixeira dos Santos no carro, Teixeira dos Santos no gabinete. A jornalista diz que o ministro demorou 45 minutos até ao ministério, o que o próprio, descontraído, justifica : “ É bom, para fazer exercício”.
No final, deixa a sua palavra de optimismo face ao Orçamento que entregou no dia anterior e acentua (bem) o esforço de racionalização que exige. Percebe-se que o ministro esteja de consciência tranquila pelo trabalho feito. Percebe-se até a tentação de aparecer nas televisões, com sorriso estampado no rosto. O que já não se percebe é isto: como é que um ministro das Finanças, que volta a pedir a todos um apertar do cinto, está tão satisfeito com os sacrifícios que pede ao país?
ABORTO, SACRIFÍCIOS. O Parlamento vota hoje o referendo ao aborto, depois de José Sócrates ter lançado a campanha do “sim”. Percebe-se a pressa do primeiro-ministro - este referendo é um duplo risco para a sua liderança no PS.
O primeiro risco é fácil de perceber: Sócrates não pode perder outra vez. Já foi mau nas autárquicas, foi pior nas presidenciais. À terceira, para mais numa batalha tão cara à esquerda, a derrota seria catastrófica. E deitar fora todo um trabalho de Governo, ano e meio de sucesso, por causa do aborto, não é só um cenário. É um pesadelo.
O segundo risco é de natureza diferente: Portugal fez dois referendos nacionais nos últimos dez anos e, em qualquer dos casos, a abstenção foi elevadíssima. Neste caso, já não é Sócrates quem arrisca, mas o País: se a abstenção voltar aos níveis do passado é bom que alguém os enterre. Porque mortos ficam logo. E há ainda um, prometido para breve, sobre a Europa.
Daí que o primeiro-ministro se envolva, que exija moderação, que peça a todos no Governo uma palavra. É que está mais em jogo do que o aborto.
CONTAS À VIDA. Aqui ao lado, na sua crónica semanal, o experiente Jorge Coelho prevê mais um ano difícil para muitas famílias e atira para 2008 o início do novo ciclo. Sábias palavras. Os socialistas, pouco devotos à fé divina, querem muito acreditar em Pinho, mas não podem fugir à realidade de Teixeira dos Santos – encarregue das negociações com os sindicatos e do travão à máquina do Estado. O Orçamento volta a ser de contenção e Manuel Pinho, como Sócrates, terá que voltar ao silêncio dos prudentes. A palavra “retoma” fica para mais tarde. Se Deus quiser.
IMAGEM, MENSAGEM. Noite fora, terça-feira. Vejo finalmente “Alice”, um filme português sobre a procura desesperada de uma filha que desapareceu sem deixar rasto. Depois, passo os olhos pelas manchetes do dia seguinte e fico a ver um programa diário da RTP-N, dedicado aos negócios e finanças.
Logo a abrir, vejo dois minutos e meio, bem contados, com uma reportagem de rua com o ministro das Finanças. Notável momento. Teixeira dos Santos em casa, Teixeira dos Santos a andar pelas ruas de Lisboa, Teixeira dos Santos no carro, Teixeira dos Santos no gabinete. A jornalista diz que o ministro demorou 45 minutos até ao ministério, o que o próprio, descontraído, justifica : “ É bom, para fazer exercício”.
No final, deixa a sua palavra de optimismo face ao Orçamento que entregou no dia anterior e acentua (bem) o esforço de racionalização que exige. Percebe-se que o ministro esteja de consciência tranquila pelo trabalho feito. Percebe-se até a tentação de aparecer nas televisões, com sorriso estampado no rosto. O que já não se percebe é isto: como é que um ministro das Finanças, que volta a pedir a todos um apertar do cinto, está tão satisfeito com os sacrifícios que pede ao país?
ABORTO, SACRIFÍCIOS. O Parlamento vota hoje o referendo ao aborto, depois de José Sócrates ter lançado a campanha do “sim”. Percebe-se a pressa do primeiro-ministro - este referendo é um duplo risco para a sua liderança no PS.
O primeiro risco é fácil de perceber: Sócrates não pode perder outra vez. Já foi mau nas autárquicas, foi pior nas presidenciais. À terceira, para mais numa batalha tão cara à esquerda, a derrota seria catastrófica. E deitar fora todo um trabalho de Governo, ano e meio de sucesso, por causa do aborto, não é só um cenário. É um pesadelo.
O segundo risco é de natureza diferente: Portugal fez dois referendos nacionais nos últimos dez anos e, em qualquer dos casos, a abstenção foi elevadíssima. Neste caso, já não é Sócrates quem arrisca, mas o País: se a abstenção voltar aos níveis do passado é bom que alguém os enterre. Porque mortos ficam logo. E há ainda um, prometido para breve, sobre a Europa.
Daí que o primeiro-ministro se envolva, que exija moderação, que peça a todos no Governo uma palavra. É que está mais em jogo do que o aborto.
04 outubro 2006
Inimigo Público
Escreve o Público que o Público foi considerado o segundo jornal com melhor design gráfico da Península Ibérica, logo a seguir ao espanhol ABC. Lá para o fim do ano, o próprio Público promete mudar o dito grafismo. Parece o Inimigo...Público.
Souto
Ouvi Laborinho Lúcio apresentar o ainda Procurador-Geral da República como um homem "honesto". Mais: vi um ilustre socialista, Guilherme d'Oliveira Martins, na primeira fila da apresentação desse livro, batendo palmas e cumprimentando Souto Moura. "Parece que não acabei sozinho", conclui Souto Moura. Conclui bem.
01 outubro 2006
O espanto de Sampaio
(Jorge Sampaio está "espantado". Um mimo....)
Durante dez anos nos seus indecifráveis discursos o ex-Presidente da República precisou de uns tantos anos no cargo e outras tantas batatas quentes nas mãos para soltar uma posição de força - "Há vida para lá do défice", 2002.
Agora, solto que nem uma ave de rapina, 9 meses depois da despedida de Belém diz que está "espantado" com o desfecho do caso envelope 9 e que "ESTRANHA" que Cavaco Silva não o tenha ouvido sobre o caso.
Das duas uma: Ou Sampaio desconhece a capacidade interventiva do PR (hipótese que excluo, naturalmente), ou Sampaio entende que por ter manifestado uma posição pública sobre um caso de polícia, deve estar acima da lei, e ser ouvido antes do seu desfecho.
Caro senhor ex-Presidente da República, espantado estou eu, por ter votado em si. E não é pouco…
25 setembro 2006
Longe, tão perto
Lisboa, à distância de Madrid, faz-me lembrar um diálogo de um filme português que por aí anda.
"Para onde vamos?
Para longe.
Onde é?
Perto"
Parece um disparate, mas faz mais sentido a esta distância. Por cá, por esplêndida que seja Madrid, Lisboa parece-me isso mesmo: Longe, tão perto. Ou serão, talvez, as saudades a falar mais alto.
"Para onde vamos?
Para longe.
Onde é?
Perto"
Parece um disparate, mas faz mais sentido a esta distância. Por cá, por esplêndida que seja Madrid, Lisboa parece-me isso mesmo: Longe, tão perto. Ou serão, talvez, as saudades a falar mais alto.
23 setembro 2006
22 setembro 2006
Um elogio merecido
O Pedro Adão e Silva, ali no Canhoto, deixou um vídeo notável de Chan Marshall, Cat Power, num daqueles momentos de brilhantismo que só quem a viu ao vivo pode reconhecer. O Pedrõ, aliás, não é só um (ainda) político de nova geração com um notável gosto musical. É também um político sério, que diz o que pensa e que continua a fazer um esforço por pensar antes de dizer. Cá fica um abraço.
P.S. Eu e a Marta tivémos a extraordinária sorte de ver Cat Power em Londres, num dos concertos mais bonitos que vimos nas nossas vidas. Quem não conhece, aconselho muito a compra do CD. Não é tudo (como o vídeo bem mostra), mas é do melhor.
P.S. Eu e a Marta tivémos a extraordinária sorte de ver Cat Power em Londres, num dos concertos mais bonitos que vimos nas nossas vidas. Quem não conhece, aconselho muito a compra do CD. Não é tudo (como o vídeo bem mostra), mas é do melhor.
19 setembro 2006
Paraíso, reduzido
Entramos no King e deparamos com uma curta fila. À nossa frente, uma voz familiar dizia: "Um bilhete para o 'Paraíso, Agora', sff".
Olhámos um para o outro e acertámos o pensamento, sem precisar de dizer palavra. "É o Raúl Solnado." Acenámos positivamente.
À nossa frente, ele olhava para o vidro e reformulava: "Um para o 'Paraíso', reduzido". Aceitou o bilhete e passou por nós, sem olhar, com andar meio trémulo e meio discreto. Seguimos e olhámos para o vidro. "Bilhete normal, 5 euros. Bilhete reduzido, (menores, idosos, estudantes) 4 euros". Olhámos um para o outro. "Está óptimo, o Solnado".
Entrámos na sala e começa o filme. Quando percebemos o cenário (terras palestianas sob ameaça permanente, terras israelitas na suspeita do próximo homem-bomba) pensei que Raúl Solnado tinha voltado a bater à porta da guerra. "A guerra não está", lembrei-me. Mas o mundo já não é mesmo. Ou se calhar é. E a guerra está lá, só que não abre a porta.
Mais tarde, o filme confirma. A suspeição, o temor, o ressentimento, a indefinição. A guerra está lá, pois claro, e para durar.
Para alívio meu - as memórias da infância são as mais difíceis de perder - o Solnado também. Valeu isso. E um filme notável, que nos deixa uma ínfima marca do que aquela gente (de um lado e do outro) sente no dia-a-dia.
Olhámos um para o outro e acertámos o pensamento, sem precisar de dizer palavra. "É o Raúl Solnado." Acenámos positivamente.
À nossa frente, ele olhava para o vidro e reformulava: "Um para o 'Paraíso', reduzido". Aceitou o bilhete e passou por nós, sem olhar, com andar meio trémulo e meio discreto. Seguimos e olhámos para o vidro. "Bilhete normal, 5 euros. Bilhete reduzido, (menores, idosos, estudantes) 4 euros". Olhámos um para o outro. "Está óptimo, o Solnado".
Entrámos na sala e começa o filme. Quando percebemos o cenário (terras palestianas sob ameaça permanente, terras israelitas na suspeita do próximo homem-bomba) pensei que Raúl Solnado tinha voltado a bater à porta da guerra. "A guerra não está", lembrei-me. Mas o mundo já não é mesmo. Ou se calhar é. E a guerra está lá, só que não abre a porta.
Mais tarde, o filme confirma. A suspeição, o temor, o ressentimento, a indefinição. A guerra está lá, pois claro, e para durar.
Para alívio meu - as memórias da infância são as mais difíceis de perder - o Solnado também. Valeu isso. E um filme notável, que nos deixa uma ínfima marca do que aquela gente (de um lado e do outro) sente no dia-a-dia.
17 setembro 2006
Burro velho...
Tenho visto vários jornais, uns de referência, outros nem tanto, tratarem o Apito Dourado. Escutas e mais escutas, tráfico de influências, "amiguismos", troca de favores e resultados combinados. Não sei quem são os árbitros. Sei que Valentim Loureiro, José Veiga, Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira estão metidos ao "barulho".
Ontem, fiquei irritado. Não gosto de ser roubado. Não gosto, é uma coisa que me chateia. Ser roubado é uma coisa que, realmente, me chateia. Mas, só hoje, percebi que o árbitro do SCP-Paços de Ferreira também foi apanhado no Apito Dourado. Nunca como hoje me interessei tanto pelo caso. Não falo do caso de justiça. Sim do de incompetência em que permanece a arbitragem em Portugal. Como é possível que aquele senhor não tenha visto uma mão na bola e um pé no pé do Liedson. Se não viu, como dita a versão optimista, é incompetente. Se viu, e não quis ver, como dita a versão negativista, então alguém que o prenda. Pode ser que aprenda...
Ontem, fiquei irritado. Não gosto de ser roubado. Não gosto, é uma coisa que me chateia. Ser roubado é uma coisa que, realmente, me chateia. Mas, só hoje, percebi que o árbitro do SCP-Paços de Ferreira também foi apanhado no Apito Dourado. Nunca como hoje me interessei tanto pelo caso. Não falo do caso de justiça. Sim do de incompetência em que permanece a arbitragem em Portugal. Como é possível que aquele senhor não tenha visto uma mão na bola e um pé no pé do Liedson. Se não viu, como dita a versão optimista, é incompetente. Se viu, e não quis ver, como dita a versão negativista, então alguém que o prenda. Pode ser que aprenda...
14 setembro 2006
Curious
1. O Apito Dourado emperra. No entretanto, a Justiça Desportiva (que não admite a civil) nada faz quanto aos dirigentes e árbitros envolvidos. A vida continua e o apito também.
2. O Sol aparece sábado, com o Expresso a aumentar tiragens. A guerra pelas notícias aumenta, face a uma maioria absoluta com pactos que seca a agenda.
3. A economia cresce acima do esperado. Ninguém sabe muito bem como.
4. O primeiro-ministro benze-se à entrada de uma escola. E os crucifixos ainda lá andam.
2. O Sol aparece sábado, com o Expresso a aumentar tiragens. A guerra pelas notícias aumenta, face a uma maioria absoluta com pactos que seca a agenda.
3. A economia cresce acima do esperado. Ninguém sabe muito bem como.
4. O primeiro-ministro benze-se à entrada de uma escola. E os crucifixos ainda lá andam.
11 setembro 2006
10 setembro 2006
Teleponto
Sócrates utilizou-o na campanha eleitoral mas trouxe mais ruído que benefício na transmissão da mensagem política. Vários se insurgiram contra a falta de capacidade oratória do candidato socialista e colocaram dúvidas quanto à cultura política (alguém se lembra da entrevista à Única com tantas citações quanto ideias?) de um líder que recorre ao artifício-barra-moleta como é conhecido o teleponto.
Agora tudo mudou. Sócrates solidificou uma imagem de decisor político com um discurso claro, bem dirigido e sustentado. Um ano de Governo com reformas e, até, um pacto fazem toda a diferença. O aparelho e o político são os mesmos. Mudou tudo o resto…
Agora tudo mudou. Sócrates solidificou uma imagem de decisor político com um discurso claro, bem dirigido e sustentado. Um ano de Governo com reformas e, até, um pacto fazem toda a diferença. O aparelho e o político são os mesmos. Mudou tudo o resto…
08 setembro 2006
O Pacto
Governo e PSD fecham, a esta hora, um acordo de regime para a reforma da Justiça. Pela primeira vez neste blog, dou-me ao luxo de fazer um elogio sem reservas a dois políticos: independentemente de estratégias políticas, o que foi conseguido é a prova de que o "sentido de Estado" não é uma expressão esquecida no nosso dicionário. O momento é histórico e quer José Sócrates, quer Marques Mendes, estiveram à altura da história. Mais: neste ponto - e perdoem-me a ingenuidade - recuso-me a especular sobre quem ganha mais com este acordo. Por uma vez que seja, acho que ganham todos eles e ganhamos todos nós.
Será?
Marques Mendes conquistou o PSD prometendo trabalhar para um pacto de regime na Justiça: escutas, reforma dos tribunais, violação do segredo de justiça...
O pacto de regime acabou de ser assinado depois de secretas negociações durante cinco meses. O líder do PSD tem uma bancada com laivos de hostilidade, um governo maioritário pela frente, um primeiro-ministro em alta mas acaba de provar que "sabe do que fala" em matéria de TPC´s. Pese embora exista sempre uma margem que não controla. Será que chega para entrar em São Bento em 2009?
O pacto de regime acabou de ser assinado depois de secretas negociações durante cinco meses. O líder do PSD tem uma bancada com laivos de hostilidade, um governo maioritário pela frente, um primeiro-ministro em alta mas acaba de provar que "sabe do que fala" em matéria de TPC´s. Pese embora exista sempre uma margem que não controla. Será que chega para entrar em São Bento em 2009?
07 setembro 2006
CIA
Os eurodeputados Ana Gomes (PS) e Carlos Coelho (PSD) querem cavalgar a onda dos voos-CIA em Portugal. PS, PSD e CDS/PP não. Os dois "patinhos feios" têm estado nas bocas do Mundo. Pela boca morre o peixe?...
04 setembro 2006
Olá
Só para vos dizer que as férias foram óptimas. E, lá está, que estou de volta.
Abraços para todos.
Abraços para todos.
24 agosto 2006
Coincidência?
Há uma semana e pouco Luís Filipe Vieira "soltou-se" e acusou Hermínio Loureiro de ser o homem certo para manter o Apito Dourado em banho-maria. Hoje o 24 horas diz que Vieira vai ser constituído arguido e será mesmo ouvido, em breve, pela Polícia Judiciária no caso Mantorras.
Um copo meio vazio

Os insultos com que nos brindam os leitores (anónimos) nos posts que escrevi sobre a saída de Carlos de Sousa da CM Setúbal não convencem o menos pragmático dos leitores.
Primeiro pela forma: nada a acrescentar, tudo a lamentar, nada a ensinar (quem opina nestes termos, seja menor de idade ou padeça de uma doença do foro psicológico, não deve ser tido em conta).
Mas o mais grave é que não existe um fio de sustento, uma linha de argumentação válida. Criticar a substituição de secretaria que o PCP efectuou em Setúbal não tem que ver com o posicionamento político, mas sim democrático. É como a pena de morte, ou se defende ou não se defende. Quem não vê isto é porque não quer, ou não pode. Em ambos os casos nada há a fazer, tudo a lamentar. Que tal um copinho de água com açucar para acalmar os ânimos? Aconselha-se...
21 agosto 2006
Pergunta para queijo
Os 139 mil 950 eleitores que votaram em Carlos de Sousa e na lista que integrou foram informados dos "camaradas" do comité regional que estavam escondidos no alçapão da avaliação política?
20 agosto 2006
Porquê "crucificar" Carlos Sousa?
O ainda presidente da Câmara de Setúbal confirmou a promessa que sobre ele pairava e fez um bom trabalho em Palmela. De tal forma que foi o às de copas com que o PCP lançou o assalto a Setúbal contra o "mata-cacerismo" que reinava neste antigo bastião comunista. Conquistar Setúbal significou para o pê-cê de Carvalhas mais um passo na recuperação da muralha de aço e um litro de oxigénio contra a secura eleitoral em que estavam os comunistas depois de Cunhal. Carlos Sousa cumpriu, chegou, viu e venceu.
Nos primeiros quatros anos, com a corda na garganta e os anéis hipotecados pelo antecessor, geriu batatas quentes até as arrefecer. Hoje, um ano depois da reeleição, foi denunciado, pelos comparsas que fazem uma "análise negativa do seu trabalho" e o acusam de falta de coordenação política. Bull-shit! Na Soeiro Pereira Gomes já se sabe que o pior está para vir porque os "radares" detectaram, nas margens do Sado, a sombra de uma senhora com olhos vendados e uma balança na mão ...
Nos primeiros quatros anos, com a corda na garganta e os anéis hipotecados pelo antecessor, geriu batatas quentes até as arrefecer. Hoje, um ano depois da reeleição, foi denunciado, pelos comparsas que fazem uma "análise negativa do seu trabalho" e o acusam de falta de coordenação política. Bull-shit! Na Soeiro Pereira Gomes já se sabe que o pior está para vir porque os "radares" detectaram, nas margens do Sado, a sombra de uma senhora com olhos vendados e uma balança na mão ...
16 agosto 2006
Ainda a campanha de prevenção rodoviária
1. Uma mulher, de nacionalidade portuguesa, despistou-se. O carro captou, várias vezes. Morreu numa auto-estrada espanhola. Estava grávida de oito meses e após a rápida intervenção dos médicos a criança nasceu, apenas, com alguns problemas respiratórios.
2. Uma mulher grávida, de nacionalidade norte americana, despistou-se. O carro embateu nos separadores centrais de uma auto-estrada californiana. Partiu uma perna. Estava grávida de nove meses. A criança nasceu ainda antes da mãe ser desencarcerada.
Faz sentido apavorar as criancinhas com o medo dos aviões? Faltam casos dramáticos para sensibilizar os paizinhos quanto ao pé no acelerador?
2. Uma mulher grávida, de nacionalidade norte americana, despistou-se. O carro embateu nos separadores centrais de uma auto-estrada californiana. Partiu uma perna. Estava grávida de nove meses. A criança nasceu ainda antes da mãe ser desencarcerada.
Faz sentido apavorar as criancinhas com o medo dos aviões? Faltam casos dramáticos para sensibilizar os paizinhos quanto ao pé no acelerador?
14 agosto 2006
sobre a pré-época
O Benfica está igual a si próprio. O Porto está igual a si próprio. O Sporting faz sempre grandes pré-épocas e grandes campanhas de marketing para vender as suas "gameboxes", depois é que são elas. Conclusão: o SCP tem melhores gestores de empresas do que as outras equipas, já que conhece a fundo o ciclo de vidas dos seus produtos, e sabe que para vender "gameboxes" ou é agora....ou nunca!
sobre a campanha de prevenção rodoviária que tanta polémica lançou...
Há uns tempos apareceu aí uma campanha publicitária da prevenção rodoviária, na qual uma série de crianças entravam num avião.
Chocante???!!! Sim chocante sob todas as perspectivas...hoje descobri mais uma!!!
A campanha é "picada" (gíria publicitária) de uma outra internacional de prevenção contra a malária.
O link é http://www.worldswimformalaria.com/en/downloads_videos.aspx. Vejam...e depois elogiem a criatividade publicitária portuguesa
Chocante???!!! Sim chocante sob todas as perspectivas...hoje descobri mais uma!!!
A campanha é "picada" (gíria publicitária) de uma outra internacional de prevenção contra a malária.
O link é http://www.worldswimformalaria.com/en/downloads_videos.aspx. Vejam...e depois elogiem a criatividade publicitária portuguesa
11 agosto 2006
Óóóóóoóóóoóóóóóóóó
"Ninguém pára o Benfica, ó-é-ô...Ninguém pára o Benfica ó-é-ô...", ouço este insulto, insistentemente, na telefonia. Apelo a qualquer entidade pública com poder na matéria, que acabe com este spot falso, falível e enganoso. As criancinhas (pelo menos por elas) merecem ser tratadas com alguma seriedade. Será pedir muito?
P.S. Como provas irrefutáveis da minha defesa apresento dvd´s dos jogos recentemente realizados pelo Sport Lisboa e Benfica com o Deportivo da Corunha, Sporting Clube de Portugal e Áustria de Viena.
P.S. Como provas irrefutáveis da minha defesa apresento dvd´s dos jogos recentemente realizados pelo Sport Lisboa e Benfica com o Deportivo da Corunha, Sporting Clube de Portugal e Áustria de Viena.
A ditadura da ficção
(Escrevo a propósito do surpreendente evoluir do nosso opinómetro.)
A ameaça chegou pela imprensa: o democrata governo cubano promete multar todos os cidadãos apanhados a ver televisões estrangeiras por satélite, nomeadamente, os que assistem aos programas de "conteúdo destabilizador, intrometido e subversivo" que apelam a "actividades terroristas". A brincadeira custa aos endinheirados habitantes da ilha o equivalente a sete anos de ordenado.
Ao contrário do que o comum do mortal com uma réstia de bom-senso possa pensar, os programas não são emitidos pela Al Qaeda, o Hezbollah ou pelo governo iraniano. As emissões são feitas a partir de Miami, ex-libris da ditadura, dizem. Qualquer parecença com a realidade é pura ficção. Pior: é a ditadura da ficção.
A ameaça chegou pela imprensa: o democrata governo cubano promete multar todos os cidadãos apanhados a ver televisões estrangeiras por satélite, nomeadamente, os que assistem aos programas de "conteúdo destabilizador, intrometido e subversivo" que apelam a "actividades terroristas". A brincadeira custa aos endinheirados habitantes da ilha o equivalente a sete anos de ordenado.
Ao contrário do que o comum do mortal com uma réstia de bom-senso possa pensar, os programas não são emitidos pela Al Qaeda, o Hezbollah ou pelo governo iraniano. As emissões são feitas a partir de Miami, ex-libris da ditadura, dizem. Qualquer parecença com a realidade é pura ficção. Pior: é a ditadura da ficção.
07 agosto 2006
Que farei quando tudo arde?
Portugal está outra vez a arder. Nada de novo. O Ministério da Administração Interna empenhou-se em acções de campanha de sensibilização. "Em caso de incêndio, ligue 117 ou 112". Recebi um sms com essa recomendação. Julgo que toda a gente o recebeu. Este fim-de-semana, no norte, tentei ligar o 117 para dar conta de um fogo. Não consegui fazer a ligação. Fiz o que o MAI me mandou: liguei o 112. Resposta: "Ah, não pode ser para este número, tem que ligar para os bombeiros que é o 117". Há aqui qualquer coisa que não está a funcionar, diria...
06 agosto 2006
?
Enquanto esteve internado nos cuidados intensivos (2 dias) Fidel assinou dois comunicados. Primeiro a dar conta da passagem de testemunho "provisória" para o irmão, Raúl, depois para dizer que estava "animado". Seguiu-se o ministro da saúde que anunciou uma boa recuperação do presidente cubano e o vice-presidente que agora garante que Fidel regressa "dentro de algumas semanas". Sei que a medicina em Cuba é de ponta. Mas, ou descobriram a poção mágica do druida Panoramix, ou é a receita de sempre, especialidade das ditaduras: falo da propaganda, naturalmente.
05 agosto 2006
Cuba - parte !!
A propósito de um pseudopost meu sobre o que será Cuba quando o camarada Fidel morrer, surgiu um post do David – esse, sim, provocatório – que está a dar azo a um debate que já não é debate nem coisa nenhuma. É um conjunto de ataques sobre quem é mais de esquerda ou quem é mais de direita, sobre os falsos democratas da direita ou os relativistas-ortodoxos da esquerda, uma quantidade de caracteres que já está a resvalar para o tom displicente e quase agressivo.
Isto incomoda-me, desculpem lá. Sobretudo incomoda-me que vocês não aceitem as opiniões uns dos outros.
Incomoda-me que o David não admita que a Carla tenha dúvidas sobre a actual situação no Iraque (uma guerra desencadeada por causa de uns furos de petróleo e de uma indústria bélica que é preciso alimentar e que teve como desculpa deitar abaixo um ditador – valha-nos isso).
Incomoda-me que a Carla julgue a opinião do David para dizer que não recebe dele lições de democracia.
Incomoda-me que o António Mira se atire ao Rapaz Que Passou Por Aí, acusando-o de estar a fazer comentários sobre coisas “que não conhece”.
Incomoda-me que o Jolaze venha aconselhar o António Mira a ouvir e a ler mais um bocado e venha para aqui dizer que eu devo ser da Juventude Popular!!!
Incomoda-me que o António Mira entre numa guerra de orgulho por causa de erros ortográficos e (pior!) diga que já não tem idade para “fumar umas coisas à beira de um canal ali para os lados da Zambujeira”.
Por favor!!!
Vamos por partes.
Primeiro a minha orientação partidária para que fique tudo esclarecido e ninguém tenha dúvidas: sou swing vote! Voto em pessoas e não em partidos. Voto mais à esquerda, mas também voto à direita. Voto muitas vezes em branco.
Agora, Cuba. Só vou dizer o que vi.
Vi um cubano a queixar-se de que não há liberdade de imprensa em Cuba: “Aqui, temos três televisões: Fidel 1, Fidel 2, Fidel 3”.
Vi um cubano a dizer que Fidel era o maior.
Vi pobreza. Vi a casa do Reinaldo, que conheci na rua, com um boné do Che na cabeça, um charuto meio fumado meio por fumar e uma bebericalha qualquer a que ele chamou café, em que eu dei um trago curto de olhos fechados. Tinha uma filha mais nova que eu, linda, vaidosa até dizer chega, e com um verdadeiro cu de cubana. “O dinheiro que eu ganho é para os estudos dela”. A casa era um quarto, sem retrete, sem duche, com um fogão de dois bicos ao lado da cama.
Não vi lá, mas já vi em reportagens e documentários, um dos melhores serviços de saúde do Mundo (pelo menos nalgumas áreas – confesso que não sei em quais, mas julgo que a reabilitação fisioterapêutica é uma delas).
Vi um dos povos mais cultos do Mundo (“Ah! São de Portugal! A montanha mais alta é o Pico! Tem mais de dois mil metros! E o Rosa Coutinho? Já morreu?”).
Vi cubanos a “assaltarem-me” um saco de bonés, camisolas, medicamentos, champôs e sabonetes que eu tinha levado para dar.
Vi um carro da polícia a parar para fazer dispersar os cubanos que me “assaltavam”. Vi-me a mim a dizer à polícia: “Tranquilo, tranquilo”. Vi as coisas que tinha dentro do saco a desaparecerem num ápice.
Vi as comemorações do aniversário da JCP a serem suspensas por causa da morte do Papa.
Vi a Havana turística (impecável) e a outra Havana (decrépita).
Vi beijos e amassos e línguas e mãos e suor e saliva no Malecon.
Vi um cubano a correr atrás de mim para me entregar os óculos de sol de que me tinha esquecido numa banca de artesanato.
Vi uma cubanita com um turista europeu que teria seguramente mais de 50 anos. Aliás, vi várias.
Vi um cubano a dizer que, mal conseguisse, fugia de Cuba.
Vi um cubano a criticar os dissidentes.
Vi todos os cubanos felizes. Não há dinheiro, mas há sorrisos. E isso é inegável. Uma vontade de viver diferente da nossa.
Não há dinheiro, mas há sexo, há rum, há salsa.
Paguei sempre em pesos convertibles. Não sei o que vai ser Cuba pós-Fidel.
Isto incomoda-me, desculpem lá. Sobretudo incomoda-me que vocês não aceitem as opiniões uns dos outros.
Incomoda-me que o David não admita que a Carla tenha dúvidas sobre a actual situação no Iraque (uma guerra desencadeada por causa de uns furos de petróleo e de uma indústria bélica que é preciso alimentar e que teve como desculpa deitar abaixo um ditador – valha-nos isso).
Incomoda-me que a Carla julgue a opinião do David para dizer que não recebe dele lições de democracia.
Incomoda-me que o António Mira se atire ao Rapaz Que Passou Por Aí, acusando-o de estar a fazer comentários sobre coisas “que não conhece”.
Incomoda-me que o Jolaze venha aconselhar o António Mira a ouvir e a ler mais um bocado e venha para aqui dizer que eu devo ser da Juventude Popular!!!
Incomoda-me que o António Mira entre numa guerra de orgulho por causa de erros ortográficos e (pior!) diga que já não tem idade para “fumar umas coisas à beira de um canal ali para os lados da Zambujeira”.
Por favor!!!
Vamos por partes.
Primeiro a minha orientação partidária para que fique tudo esclarecido e ninguém tenha dúvidas: sou swing vote! Voto em pessoas e não em partidos. Voto mais à esquerda, mas também voto à direita. Voto muitas vezes em branco.
Agora, Cuba. Só vou dizer o que vi.
Vi um cubano a queixar-se de que não há liberdade de imprensa em Cuba: “Aqui, temos três televisões: Fidel 1, Fidel 2, Fidel 3”.
Vi um cubano a dizer que Fidel era o maior.
Vi pobreza. Vi a casa do Reinaldo, que conheci na rua, com um boné do Che na cabeça, um charuto meio fumado meio por fumar e uma bebericalha qualquer a que ele chamou café, em que eu dei um trago curto de olhos fechados. Tinha uma filha mais nova que eu, linda, vaidosa até dizer chega, e com um verdadeiro cu de cubana. “O dinheiro que eu ganho é para os estudos dela”. A casa era um quarto, sem retrete, sem duche, com um fogão de dois bicos ao lado da cama.
Não vi lá, mas já vi em reportagens e documentários, um dos melhores serviços de saúde do Mundo (pelo menos nalgumas áreas – confesso que não sei em quais, mas julgo que a reabilitação fisioterapêutica é uma delas).
Vi um dos povos mais cultos do Mundo (“Ah! São de Portugal! A montanha mais alta é o Pico! Tem mais de dois mil metros! E o Rosa Coutinho? Já morreu?”).
Vi cubanos a “assaltarem-me” um saco de bonés, camisolas, medicamentos, champôs e sabonetes que eu tinha levado para dar.
Vi um carro da polícia a parar para fazer dispersar os cubanos que me “assaltavam”. Vi-me a mim a dizer à polícia: “Tranquilo, tranquilo”. Vi as coisas que tinha dentro do saco a desaparecerem num ápice.
Vi as comemorações do aniversário da JCP a serem suspensas por causa da morte do Papa.
Vi a Havana turística (impecável) e a outra Havana (decrépita).
Vi beijos e amassos e línguas e mãos e suor e saliva no Malecon.
Vi um cubano a correr atrás de mim para me entregar os óculos de sol de que me tinha esquecido numa banca de artesanato.
Vi uma cubanita com um turista europeu que teria seguramente mais de 50 anos. Aliás, vi várias.
Vi um cubano a dizer que, mal conseguisse, fugia de Cuba.
Vi um cubano a criticar os dissidentes.
Vi todos os cubanos felizes. Não há dinheiro, mas há sorrisos. E isso é inegável. Uma vontade de viver diferente da nossa.
Não há dinheiro, mas há sexo, há rum, há salsa.
Paguei sempre em pesos convertibles. Não sei o que vai ser Cuba pós-Fidel.
04 agosto 2006
Aos 35
Acabou o blog do Boucherie. Como prometido. Elogiei-o no início. Elogio-o no fim. Às vezes é preciso matar aquilo de que gostamos para que continuem a gostar de nós.
03 agosto 2006
Cuba libre
A propósito da provocação da Bárbara, aqui em baixo, leio um comentário que me deixa perplexo: "E o iraque? Ficou melhor sem o ditador?" É preciso lata. Gostava de perceber porque alguém pode, sequer, considerar, que uma ditadura pode ser melhor do que uma democracia. Pior ainda, dar a cara por tal disparate. Há gente a quem não vale a pena ensinar, diria o Vasco Pulido Valente.
Guerra justa
Vão dizer-me que é um teórico e eu responderei que é o melhor deles. Leiam, sff, o João Cardoso Rosas, aqui, a explicar porque esta guerra no Líbano é justa face às suas causas, embora não o seja sempre face à conduta.
02 agosto 2006
Cuba
O Provedor
Num país que pouco liga a instituições de recurso, o ofício de Nascimento Rodrigues sobre a polémica dos exames do 12º ano é um sinal importante. Contestando os argumentos do Governo, o Provedor não só mostra aos cidadãos que têm a quem recorrer, como lembra ao país que maioria absoluta não é sinónimo de poder absoluto. Para lá dos argumentos - sempre discutíveis, sempre necessários - é importante que o Governo não use a desculpa do costume nestas circunstâncias. É que ó tempo das "forças de bloqueio" já vai longe.
A prisão
A editora de política do Público, no último sábado, resolveu dedicar um editorial a criticar o Governo por nada fazer face à destruição de espaços que recordem os tempos de Salazar - "o fascismo", nas palavras escolhidas. No dia seguinte, Vasco Pulido Valente comentava o comentário assim: "Não vale a pena ensinar São José Almeida". Hoje, no mesmo jornal, o ministro da Justiça anuncia-se disposto a ceder o Aljube para albergar um museu da resistência. O ministro escolheu o Público, pois claro.
Ideólogo procura-se
“O que leva Ribeiro e Castro a pisar mais uma casca de banana?”, tem-me varrido, aqui e ali, o pensamento. Sim, talvez sejam “pérolas para porcos” os laivos de atenção dispendidos no enémiso deslize de Ribeiro e Castro, mas enfim....lá me debruço.
Manuel Monteiro não tem valor eleitoral, fundou um partido-triciclo-sem-rodas, saiu mal do CDS e pior ficou. Ribeiro e Castro procura um ideólogo? Alguém que o leve (?) a pensar política, intervenção assertiva, criação de agenda e conquista eleitoral? “Talvez seja, isso. Só pode mesmo ser isso, porque nem uma amizade bem sustentada justificaria uma aproximação destas..."
Bem, concluamos que sim.
- Caro Ribeiro e Castro escolheu o pior dos politólogos: Manuel Monteiro. Tem mais vícios que vicissitudes, ateia mais fogos que qualquer outro pirómano político da praça e na memória, até dos eleitores mais desatentos, permanecem apenas protestos e contra-protestos sem uma pífia de resultados. Olhe, vá pelo seu dedo. Vá às páginas amarelas...
P.S. É apenas uma ideia, sem querer com ela ser promovido a ideólogo, que penso poderá ajudá-lo. "Partido fundador da democracia portuguesa, de formação católica, com ebulições liberais e guerrilhas autonomizadas, em queda eleitoral e com bandeiras estropiadas, líder impopular, tantas tropas quanto dinheiro, procura ideólogo”. Se forem demasiados caracteres, recorra ao cartão que tem no bolso e que tanto chateia os funcionários do Caldas: o futuro usa visa. Quem o avisa...
Manuel Monteiro não tem valor eleitoral, fundou um partido-triciclo-sem-rodas, saiu mal do CDS e pior ficou. Ribeiro e Castro procura um ideólogo? Alguém que o leve (?) a pensar política, intervenção assertiva, criação de agenda e conquista eleitoral? “Talvez seja, isso. Só pode mesmo ser isso, porque nem uma amizade bem sustentada justificaria uma aproximação destas..."
Bem, concluamos que sim.
- Caro Ribeiro e Castro escolheu o pior dos politólogos: Manuel Monteiro. Tem mais vícios que vicissitudes, ateia mais fogos que qualquer outro pirómano político da praça e na memória, até dos eleitores mais desatentos, permanecem apenas protestos e contra-protestos sem uma pífia de resultados. Olhe, vá pelo seu dedo. Vá às páginas amarelas...
P.S. É apenas uma ideia, sem querer com ela ser promovido a ideólogo, que penso poderá ajudá-lo. "Partido fundador da democracia portuguesa, de formação católica, com ebulições liberais e guerrilhas autonomizadas, em queda eleitoral e com bandeiras estropiadas, líder impopular, tantas tropas quanto dinheiro, procura ideólogo”. Se forem demasiados caracteres, recorra ao cartão que tem no bolso e que tanto chateia os funcionários do Caldas: o futuro usa visa. Quem o avisa...
01 agosto 2006
Talvez
Paulo Portas levou o PP ao poder. Ganhou e perdeu em sete anos de liderança, mas sobre o que não há dúvida é quanto ao embate que travou com Manuel Monteiro. Independentemente das "armas" erguidas no combate político, Portas venceu, Monteiro claudicou. Ponto.
O seu sucessor é puro "pasto" político. Pesado nas ideias, inútil no discurso, frágil na condução política. O que une Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro? O "anti-portismo" conjuntural e de fundo, respectivamente?
É muito pouco para as baboseiras que o líder do PND nos presenteia hoje nas páginas dos jornais: [Paulo Portas] é um empecilho para entendimentos ou plataformas eleitorais à direita que sejam duradouros (...) com ele não se fala porque só pensa em benefício próprio, com Ribeiro e Castro já se pode falar". É de surdos, este diálogo de tão politicamente inútil. Mesmo o mais sagaz adversário do "portismo" tropeça na evidência de que goste-se ou não, Portas, o político, tem crédito à direita. Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro também mas, talvez, junto dos amigos de Olivença. Talvez.
O seu sucessor é puro "pasto" político. Pesado nas ideias, inútil no discurso, frágil na condução política. O que une Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro? O "anti-portismo" conjuntural e de fundo, respectivamente?
É muito pouco para as baboseiras que o líder do PND nos presenteia hoje nas páginas dos jornais: [Paulo Portas] é um empecilho para entendimentos ou plataformas eleitorais à direita que sejam duradouros (...) com ele não se fala porque só pensa em benefício próprio, com Ribeiro e Castro já se pode falar". É de surdos, este diálogo de tão politicamente inútil. Mesmo o mais sagaz adversário do "portismo" tropeça na evidência de que goste-se ou não, Portas, o político, tem crédito à direita. Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro também mas, talvez, junto dos amigos de Olivença. Talvez.
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