19 abril 2007

Opá

Tem piada o que o Belmiro anda a dizer agora sobre o Sócrates.

Ensino superior de qualidade certificada

Até agora, o caso da licenciatura de Sócrates provou essencialmente uma coisa: há universidades abertas que deviam estar fechadas.
Onde pára a Inspecção Geral do Ensino Superior? O que é que esses senhores andam a fazer?

18 abril 2007

sufixos e prefixos

licenciatura e legislatura...quantas piadas e brilharetes "a la Portas" ou "a la Louçã" podem ser feitos com estas palavras....é tudo uma questão de prefixos.

algumas perguntas ingénuo-inconvenientes

Será que os nossos embaixadores nos países da UE andam a fazer horas extraordinárias a explicar a embaraçosa situação vivida com o nosso PM? E quem lhes preparou o fact-sheet e o QA para as argumentações? Terão sido os mesmos assessores da Presidência do CM? ou terá sido o gabinete de Amado?

Como é que os nossos quadros e executivos no estrangeiros, bem como os nossos estudantes, devem justificar agora a credibilidade do nosso sistema de ensino e das suas habilitações e qualificações?

17 abril 2007

ite iz everisingue ó raite!

Socrates, avança o "SOL", foi aprovado a inglês técnico na UnI em condições, como diria Mota Amaral, curiosas. Cada país tem os políticos que merece. Nós merecemos isto. Só tenho pena que, por causa desta estória tão mal explicada, Portugal venha a sofrer em termos reputacionais...e a presidência da UE tão perto...

12 abril 2007

A minha aldeia

Tenho o carro entalado por outros três. Vou à mercearia perguntar se sabem quem são os donos das viaturas.
- Olhe, esse aí é da loja das tatuagens, o outro é da sexshop e o outro é da loja dos sprays para grafitti.
Adoro a minha aldeia.

15 segundos de ruidoso silêncio

- ora viva, sônginheiro.
- como vai, sôtor?
- cá se vai andando. e o sônginheiro?
- menos mal, menos mal, sôtor.
- pois é. é a vida, sônginheiro.
- é verdade, sôtor.
- tá frescote, sônginheiro.
- é... este tempo anda estranho, sôtor.
- pois é, pois é...
- é a vida...

Engenheiro da maioria

Falo de Fernando Santos. Veremos se passa no exame...

11 abril 2007

A nota

À partida, diria que Sócrates passou no exame na primeira chamada. Acontece que, ao ritmo que a polémica anda, nada garante que não seja chamado a nova época. O combate não acabou hoje.

Na espuma dos dias

Cada vez acho mais ridículo este país de doutores e engenheiros.
Estou à espera de uma portaria do Governo que proiba o uso dos títulos em Portugal. Como fez Ludgero Marques - e bem - na AEP.

Os dias que correm

Nunca disse com tanto orgulho que sou licenciado em comunicação social na Católica. Palavra de honra.

Sob pressão

Corre por aí que José Sócrates vai fazer uma remodelação no Governo. A ideia é tirar os ministros... independentes.

09 abril 2007

Fechou

Mariano Gago acabou de decretar o encerramento compulsivo da Independente. Face ao cenário montado, era a única opção nas suas mãos. Mesmo que a universidade cumprisse todos os requisitos, só assim a idoneidade do Estado ficaria imune a críticas. Agora, a bola está nas mãos do primeiro-ministro.

Espermatozóides espanhóis engravidam portuguesas


Gosto muito da manchete de hoje do JN. Demonstra bem como os espanhóis estão a tomar conta de nós. A mim, iberista convicta, me gusta mucho.

Venha de lá esse esperma.


04 abril 2007

Sorte de Marquês de Pombal


Em política e na política a ocasião faz o estadista. Basta recordar o lado bom do terramoto de 1755 para Marquês de Pombal. Permitiu-lhe recompor o país e a sua capital. Permitiu-lhe brilhar.

Blair surpreendeu quando chegou a Downing Street. O mais jovem primeiro-ministro britânico de sempre deparou-se com a morte da Princesa Diana e com o azedume da família real. Conciliou a coroa com a pátria e apelidou Diana de "Princesa do Povo". Trocou por palavras um sentimento generalizado e obrigou a Rainha a torcer o braço.

Passados dez anos, antes de abandonar o poder, consegue conciliar os ingleses com o lado mais negro da história recente do país: a colagem aos EUA e o ataque concertado contra o eixo-do-mal. Libertados os 15 militares britânicos, hoje Blair fechou uma última página: "The disagreements we have with your government we wish to resolve peacefully through dialogue. I hope - as I've always hoped - that in the future we are able to do so."

As oportunidades são escassas. Blair consumou a sua última em crédito incontestado.

29 março 2007

cds-pp

houve um tempo em que os partidos não andavam partidos. hoje em dia, a consistência entre a verbalização e a substância, entre a forma e o conteúdo, permite-nos piadas cretinas como esta.

nogueira pinto saíu do cds, júdice do psd, louçã desapareceu depois de criar um partido (malditas regras democráticas internas que obrigam a tão pouca iniciativa!)... é impressão minha ou abeiramo-nos de uma nova república, à la française ?

O que pensa Sócrates sobre as propostas de Seguro?

A dúvida assolou-me depois de ver as propostas de António José Seguro para a reforma do Parlamento. Sérias, assertivas e muito objectivas: mais poder para a oposição, mais fiscalização ao Governo ( os ministros são obrigados a cada dois meses a um frente-a-frente com os deputados) e coloca-se um ponto final no brilharete permanente ( e injusto) dos primeiros-ministros nos debates mensais. O PSD, agora na oposição, não teria feito melhor. E Sócrates que, caso a proposta seja aprovada, contará com regras menos favoráveis, o que pensa da proposta de Seguro?

26 março 2007

The greatest portuguese is a dictator

Dizem-me que a escolha de Salazar é fruto de uma revolta com as promessas não cumpridas do 25 de Abril. Se é assim, devíamos era dar graças a Deus! O que eu acho é que estamos num país de gente mal agradecida. Isso sim.

21 março 2007

Diga 3,3

Este Governo marca na história uma redução do défice como há muito não se via. Mas, sem ilusões, marca para 0,6 pontos percentuais a baixa prevista para o próximo ano. Acho bem. Não só põe as expectativas em baixo, como mostra saber que o mais difícil está por fazer. Até aqui, os impostos ajudaram muito. A partir deste ano, ou vai mesmo à administração pública ou não vai a lado nenhum.

19 março 2007

Pum

Ribeiro e Castro e Paulo Portas assinaram a certidão de óbito de um partido. A bem dizer, ninguém lamentará o facto. Os bons que restam no CDS fazem mais falta no PSD, um partido com ambições de poder, do que naquela espécie de partido político que só existe para embalar crianças.

18 março 2007

E depois?

Escrevi que foi a melhor semana de Mendes desde a tomada de posse de Cavaco. Não retiro uma vírgula, mas acrescento que a instabilidade está a dar à costa da São Caetano à Lapa. Senão vejamos:
1. Santana que andava por aí, na estratosfera da quarta linha da bancada parlamentar, é o rosto mais preocupado com o regresso de Portas. Disse-o agora mesmo na Sic Notícias: se olhar para o lado e não vir ninguém, salta para a frente. Vale o que vale, mas tem a bancada parlamentar do seu lado o que faria de Mendes um Ribeiro e Castro-dois ( com a atenuante de ser deputado), líder com bancada hostil.
2. Terceira via, o que lhe tem dado? Dores de cabeça: Rio disse que Sócrates deve ser eleito em 2009 e Ferreira Leite arrasou o choque fiscal proposto pelo líder do PSD.
3. Barrosistas? Estão na sombra, enquanto o sol não regressa de Bruxelas. Menos mal.
4. E os resultados? Mal. Esses tem sido maus: o Governo continua em alta ( uma alta tão frágil quanto o desejo do primeiro-ministro de descansar quando abandonar o poder porque, segundo disse, só se descansa na oposição). Mendes pensa o contrário: quer o poder para avançar descansado com as ideias que defende para o país.

A semana foi boa, é verdade. Mediática, de marcação da agenda, a obrigar o adversário a retorquir. Mas se for sol de pouca dura terá um efeito boomerang. E aí, como sempre, não há bem que sempre dure nem (novo) mal que nunca acabe...por surgir!!

Pela boca morre o...

Fez estrondo o anúncio de José Sócrates, no Parlamento, durante o debate mensal sobre a Segurança Social. O PSD, então no Governo, tinha escondido um estudo que encomendou sobre a sustentabilidade do actual sistema. Pago com o dinheiro dos portugueses, o actual primeiro-ministro denunciava a "vergonha" de um estudo que ficou fechado a sete chaves, apenas, porque não corroborava as pretensões do Executivo PSD-CDS/PP. Como diz a rua, pela boca morre o peixe. Um dia depois do actual Governo dizer que desconhece o estudo da NAV (pago com o dinheiro dos portugueses) que coloca sérias dúvidas sobre o novo aeroporto da OTA, sabe-se que o relatório da Navegação Aérea Portuguesa foi enviado para as calendas...Ou que é, apenas, um dos muitos estudos realizados sobre o investimento que o Estado fará ( 3 mil milhões de euros) para construir um novo aeoroporto. Não há dúvidas: foi a melhor semana de Mendes desde a vitória de Cavaco Silva, em Janeiro de 2006.

17 março 2007

?Ota?

Há muita coisa mal explicada sobre a Ota. Por exemplo, porque raio não estava o relatório da Naer no site dos estudos? Como é que o ministro não o conhecia (!)? Já agora, como é que o PSD já sabia da existência do estudo? Segredos a mais, seriedade a menos. Penso eu de que.

16 março 2007

Lição de vida

Good news come in unexpected days.

15 março 2007

Zapatero quer recordar a foto das Lajes


Recordo-lhe esta. Um assassino que rejubila com a morte e o sofrimento. Está em casa a comer papinhas...

A promessa, parte dois

José Sócrates acusou hoje Marques Mendes de irresponsabilidade, dizendo que não é possível baixar impostos enquanto as contas públicas portuguesas não estiverem saneadas. É bom registar a promessa de seriedade. Não vá o diabo tecê-las e obrigar a uma segunda quebra de palavra lá para 2008 ou 2009. "Read my lips", remember José?

Era difícil pior


Com ferro matas, com ferro morres. Não fosse o tema o terrorismo e encaixava como uma luva na política zapaterista. Venceu as eleições, em 2004, com o populismo na ponta da língua: retirou as tropas espanholas do Iraque e encetou negociações com a ETA. Não só a retirada do Iraque não obteve resultados positivos (ainda esta semana a Al Qaeda ameaçou Zapatero com um atentado caso não retire as tropas do Afeganistão) como a ETA voltou às bombas (em Dezembro). A cereja deste pão-de-ló chama-se De Juana: Um serial killer que assassinou 25 pessoas e, enquanto estava detido, fechou-se numa greve de fome (de livre e espontanea vontade). Pelo meio, este idiota, habituou-nos com pedidos de champanhe porque gosta de "celebrar o sofrimento dos familiares das vítimas" da ETA. O ZP ( sigla criada por uma empresa publicitária de Barcelona em 2001 juntamente com a slogan "socialistas ahora") baixou os "pantalones" e lá colocou o assassino em prisão domiciliária. Há quem diga que a rendição da ETA está para breve (22 de Março). Zapatero ontem veio dizer que o "Caso De Juana no tiene nada que ver con el proceso de paz". Não fosse trágico, seria triste. É preocupante.

A montanha russa inglesa


Custa ver a Terceira Via a rapar o tacho. Para quem acreditou no rasgo, custa. A Blair não bastava o fracasso no Iraque, a disputa acesa pela sucessão, os casos de corrupção em que está envolvido. Ontem, foram os trabalhistas que lhe tiraram o tapete na aquisição de submarinos com misseis. Valeram-lhe os conservadores.

14 março 2007

Lobo Antunes

... ganhou hoje o prémio Camões. Foi a única boa notícia do dia. A propósito dele, lembro-me sempre de títulos que fazem toda uma vida, mais do que um simples estado d'alma. Ficou-me um na memória: Não entres tão depresa nessa noite escura. Pode ser, António?

13 março 2007

Conversa cacofónica

1. O CDS já não se parece com nada. Pensavamos nós que ia partir para uma nova fase quando deparamos com uma conversa parva - não tem outro nome - sobre congresso ou directas. Que se lixem os meninos. Quando quiserem conversar sobre coisas sérias, voltamos a falar.

2. O PSD já não se parece com nada. Pensávamos nós que ia partir para uma nova fase quando deparamos com uma conversa parva - lá está, não tem outro nome - sobre descida ou não dos impostos. Que se lixem também. Quando quiserem conversar a sério sobre estas coisas avisem. Voltamos a falar depois.

12 março 2007

My compliments

Andei a ler o DN destes últimos dias com atenção redobrada, por mérito exclusivo do próprio jornal. Até esta tarde, pensei que podia ser coincidência. Claro que não é. Andam a trabalhar muito, isso sim. E a sorte, essa, dá muito trabalho. Keep up the good work.

09 março 2007

O primeiro milho

É quase um lugar comum dizer que Cavaco Silva tem sido um colaborador agradável para o Governo. Permito-me discordar. Cavaco, um ano depois, é um Presidente pressionante, embora discreto. Sem ele, o Governo dominaria todo o panorama político de tal maneira que tudo lhe seria permitido. Assim, não é.

Sócrates nunca o admitirá para si próprio, mas é precisamente por isto que Cavaco é o seu maior aliado. É que o obriga a ser sempre melhor. E é essa a maior virtude deste primeiro ano em Belém.

06 março 2007

dúvida existencial?

a minha contabilista anda de carrinha A4 allroad e eu guio uma simples 307...sou eu que giro mal os meus destinos ou ela que gere bem?

impensável

Nunca pensei ouvir tal coisa mas ontem ouvi! Uma esquerdófila basista disse-me que Sócrates era salazarento...

02 março 2007

Derrotado político da OPA




20: 30 Ainda aguarda pelo directo.

01 março 2007

O que é que todo o meu bom povo político quer saber sobre a declaração de Portas?

-Fez ou não fez novo branqueamento dentário?
-Foi ou não foi ao solário ontem ou hoje?
-Fez ou não madeixas propositadamente para a declaração?
-Usa ou não usa fato?
-Corte italiano ou britânico?
-Que corte de colarinho apresentará?
-Usa ou não usa gravata?
-Que tipo de nó vai dar na eventual gravata?
-Usa ou não lenço no bolso do casaco?
-De que côr é esse lenço?

Estas são as questões determinantes. A primeira observação da conjugação dos factores acima enunciados, indicará, imediatamente, qual o posicionamento político que Paulo Portas vai, desta vez, apresentar.

Aceitam-se apostas sobre a referida conjugação.

28 fevereiro 2007

Ora aí está como se tem uma discussão séria sobre lobbying em Portugal

Uma rádio portuguesa juntou Cunha Vaz e Paixão Martins para discutir o lobbying. Não avisou nenhuma das partes que a outra ia. Resultado: palhaçada no éter. A história sai amanhã...lol é só rir.

26 fevereiro 2007

Rosetta faz aproximação a Marte e tira fotos do planeta*

*título da edição de hoje do Público


E eu que pensei que a Arquitecta tinha finalmente deixado a órbita de Alegre e estava a voltar à Terra!

22 fevereiro 2007

Estamos a crescer

Pela primeira vez na história da adolescente democracia portuguesa um presidente de um governo regional demitiu-se a meio do mandato com críticas ferozes ao Governo da República. Passaram 3 dias, cerca de 72 horas, e tanto o primeiro-ministro como o Presidente da República nada disseram sobre a interrupção do mandato, tratando-a como um acto normal em democracia. A dúvida impõe-se: como seria com Jorge Sampaio e Santana Lopes? Diferente, certamente, diferente.

Episódios

Prodi ficou tanto tempo como primeiro-ministro como Pedro Santana Lopes. Irónico, não é?

20 fevereiro 2007

Alberto João

A grande qualidade de Alberto João Jardim é não se levar demasiado a sério. Nem a ele, nem a nós, nem ao poder. Cortam-lhe dinheiro? Bora lá para eleições! Tá a chover na Madeira? Bora lá chatear os gajos! Bom tipo, este Jardim.

17 fevereiro 2007

Lisbon story

Há muita coisa mal explicada nesta saída de Fontão de Carvalho. Vamos por pontos.

1. Ou Fontão escondeu a informação de que era arguído de Carmona, o que seria muito grave, ou Carmona é cúmplice directo do mesmo crime político. No primeiro caso, Fontão tinha de ser sumariamente despedido; no segundo, tinham de ser despedidos os dois.

2. Fontão disse que ficava e que Carmona concordava; na manhã seguinte, Carmona dizia que a direcção do PSD tinha sido consultada e que aceitava a decisão; na tarde seguinte, o PSD volta atrás e retira a confiança a Fontão. Tudo isto tem muita lógica, sim senhor. O que falta é explicar tudo.

3. No meio de toda esta embrulhada, já agora, porque é que o PS não provoca a queda de Carmona? Será por défice... de cavalheiros?

16 fevereiro 2007

O refugado que reina Lisboa


O espaço de manobra de Carmona Rodrigues varia entre o escasso e o inexistente. Apenas 16 meses depois de ter sido eleito, não só não afasta sucessivas suspeitas quanto ao trabalho da sua equipa como tarda em provar que tem um plano, um projecto para a maior cidade do país. A Carmona já não basta esclarecer as suspeitas que ontem surgiram contra o seu vice, acusado de peculato.

15 fevereiro 2007

Bipolar?

Em Belém, Cavaco deixa alertas sobre a regulamentação do aborto. Nos corredores do poder, há quem pense que temos um Presidente bipolar. Será?
(cenas dos próximos capítulos nos próximos dias)

14 fevereiro 2007

Do caraças

é este "home video" que o Pedro Adão e Silva nos arranjou. Qual Marcelo, qual Gato Fedorento, o You Tube foi feito para isto. Saiam lá daqui e vão lá ver.

11 fevereiro 2007

Sim

Como dizia esta noite a Assunção Esteves, "estou muito, muito, muito contente".

Vencido

Cá por mim, dou como perdedor do fim-de-semana o Fernando Santos. O homem perde na Póvoa e no referendo. Há coisas que não mudam.

Responsabilidade

A vitória do "Sim" coloca enormes responsabilidades nos ombros de José Sócrates. Para uma lei justa não basta o voto do povo. É preciso que o Estado não se demita de fazer uma regulamentação rigorosa e em condições. Como é raro que aconteça, é sempre bom avisar.

P.S. Votei "sim", mas não sem dúvidas - como, aliás, em 1998. As palavras que me marcam são de Maria de Belém Roseira: "Vocês conhecem-me e sabem que sou responsável". Sim, dra. Acredito que sim.

08 fevereiro 2007

Pela Vida II

É claro que eu tinha que responder-te, ó Mira.
É claro que eu também sou pela vida.
É claro que os apoiantes do ‘não’ estão a enviesar a questão ao dizer que o Estado não fomenta políticas de apoio ao nascimento. Estão a ser hipócritas ao apelar a um voto no ‘não’ moderado, em que depois se muda a lei na Assembleia para não penalizar as mulheres, quando é exactamente isso que está em causa neste referendo – nesta pergunta – e nada mais.
É claro que não passa de pura demagogia introduzir na campanha a imagem de bebés, como se fosse tudo a mesma coisa.
É claro que as mulheres tanto deviam poder fazer a dita interrupção como receber – as que precisam – apoio do Estado. Mas é claro que nesta questão não estamos a falar apenas de mulheres desfavorecidas. Estamos a falar da penalização pelo sistema jurídico de mulheres que abortam. E dentro das mulheres que abortam, há muitas que o fazem num qualquer vão de escada, porque não têm dinheiro para ir à Clínica dos Arcos em Espanha, ou para ir a Londres, aproveitando para fazer umas compras em Oxford Street.
É claro que há meios contraceptivos que o Estado deve promover, mas é claro que também há preservativos que rompem.
É claro que é sempre preferível que uma gravidez tenha seguimento. Consegues imaginar a violência que é para uma mulher fazer um aborto? Só a própria palavra assusta, não? É claro que o aborto não vai tornar-se nunca num método contraceptivo, como muito boas bocas andam para aí a dizer.
É claro que isto é tudo uma grande tanga. A lei já devia ter sido alterada na Assembleia, porque é também para isso que o povo vota em deputados: para legislar. E é claro que esta minha posição contra o referendo também é discutível. Como tudo.
É claro que ter um filho é a melhor coisa do mundo. Mas nem sempre o mundo nos diz que a melhor coisa é ter um filho.

07 fevereiro 2007

Pela Vida

Esta pequena incursão tinha um objectivo: pedir que em consciência todas as pessoas votem no próximo Domingo.

Mas há um problema!

É que o debate e as soluções subjacentes ao presente referendo não permitem que qualquer pessoa decida em consciência.

Mas porquê ó Mira? (já ouço a Bárbara a gritar!!)

Porque apenas dão como alternativa legislativa uma das hipóteses....a mulher abortar, e dão os meios para que essa solução possa ser considerada (SNS ao serviço dessa opção).

Ora nessas circunstâncias o debate interno (a cada um) fica enviesado porque legislativamente não há uma situação isenta e independente... o Estado apoia uma hipótese, não apoia outras, e por essa razão o Estado e suas instituições não cumprem os seus papéis institucionais.

As pessoas poderiam decidir em consciência se a legislação providenciasse igual tratamento às várias formas de solucionar "esse problema" que é uma gravidez. As mulheres que, por diversas razões, colocam a hipótese de não prosseguir a gravidez deveriam ter instrumentos legais para decidir exclusivamente em consciência sobre a continuação da vida que está a desenvolver-se:
  • por um lado deveriam poder fazer a dita interrupção
  • por outro deveriam poder optar pela vida e receber idêntico apoio financeiro e institucional do Estado (vejam-se os casos Alemão e dos países nórdicos)
Se isto estivesse contemplado nas políticas públicas de saúde e família do Estado Português, então as pessoas poderiam optar de forma isenta, autónoma, independente e livre pela solução que do ponto de vista ético mais adequada lhe parecesse.

Mas como o Estado Português não tem esta posição, vão acontecer sempre desculpas sócio-económicas e políticas para apoiar a interrupção dos processos de desenvolvimento de vidas humanas.

Enquanto o Estado Português não apresentar este quadro legislativo que promova a decisão em consciência, eu não posso votar sim

De facto esta deveria ser uma consciência, mas não deixam que ela seja.

06 fevereiro 2007

Life is what you make of it

Somos muito estranhos.
Acendemos fogueiras onde não queremos pôr carvão e mesmo assim queimamo-nos.

Pecados íntimos

Viver ao lado de uma sauna gay tem destas coisas. A minha janela transforma-se numa tela de cinema. Estacionou o Polo preto apressadamente em cima do passeio. É novo, pouco mais de 30 anos. Bom ar, estilo cosmopolita. Fechou o carro com o comando à distância e entrou no seu pecado íntimo. No banco de trás do carro que ainda está lá em baixo estacionado há uma cadeira de bebé.

"You can´t change the past, but the future can be a different story.
You've got to start somewhere".
in Little Children (Pecados Íntimos)

28 janeiro 2007

Só neste país

Este facto é extraordinário: o presidente de um governo regional diz que vai cumprir uma lei e isso... é notícia!!!


Funchal, 27 Jan (Lusa) - O Governo Regional vai cumprir a lei que for adoptada no continente mesmo que o "Não" ao aborto vença na Madeira, disse hoje Alberto João Jardim, numa acção de campanha, no Funchal, contra a Interrupção Voluntária da Gravidez.

26 janeiro 2007

Vens comigo?

A Susana Moreira Marques tem hoje no Mil Folhas um texto bonito sobre Brick Lane (não é possível linkar).

Acabei quase de chegar de lá e já tenho vontade de voltar para lá. Caril em Bangla Town, lassi a acalmar a guerra com o picante, posters em Whitechapel, fechada para remodelação, what a pitty, e Shoreditch, onde eu tenho a certeza que te vou encontrar um dia, Louie.
Saímos por Middlesex, parámos na feira, vocês levaram as t-shirts todas que só custavam cinco pounds, isto é dado, e dançámos a tarde inteira do primeiro dia do ano no Big Chill, "the best bar in London", Dray Walk, 91 Brick Lane. Tenho saudades.

foto: Filipe Gil

Cada macaco no seu galho

Cavaco foi à Índia e patrocinou a assinatura de um acordo de extradição.
Putin foi à Índia e assinou um acordo para a construção de quatro reactores nucleares.

25 janeiro 2007

Há câmara na corrupção

Acho delicioso. Quando há coisas destas, acontecem notícias destas:

O vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fontão de Carvalho, vai ser, muito em breve, constituído arguido no âmbito do processo Bragaparques, garantiu hoje à Lusa fonte policial. (Lusa)

A concelhia de Braga do Bloco de Esquerda anunciou hoje que está a preparar um requerimento para pedir ao Procurador Geral da República que investigue os negócios entre a autarquia local e a Bragaparques. (Lusa)

Será mais uma vez o poder político a usar o judicial?
Não há aí maneira de citar a Constituiçãozinha, faxabor, j'ágora?

Defender o quê?

Acabei de perceber que a Comissão Parlamentar de Assuntos Económicos, Inovação e Desenvolvimento Regional, na sua Subcomissão de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas conta com o grupo de trabalho “Defender o Montado, Valorizar a Fileira da Cortiça”.
Que bom.

24 janeiro 2007

E por que não aproveitar a desculpa de que fui ver o Babel para postar aqui a foto deste homem maravilhoso que por acaso entra no filme?

Gael Garcia Bernal

Babel

Deixei de ligar às estrelinhas dadas aos filmes pelos críticos de cinema. Olho por curiosidade, mas não me guio por aí.
Babel é um filme extraordinário. T em um argumento interessante, está bem filmado, conta com boas interpretações e é inteligente ao ponto de nos fazer esquecer que estamos a ver um filme, para passarmos a viver o drama.
Babel é bom para quem gosta de viajar e desfrutar dos pontos de vista que nos distinguem das outras culturas. É um filme sobre a intolerância, o instinto de sobrevivência e o abuso da autoridade, também. E acaba por ser um elogio ao mundo.
Que sei eu se não sair daqui?

23 janeiro 2007

If I had a photograph of you

A esta hora, custa acreditar que estou aqui quando só estou dentro dos meus sonhos. A esta hora, abraço-te sem te poder tocar, sem saber onde estás, sem ter maneira de te chegar, sem memória da tua imagem. Paro o mundo e procuro-te nos rostos da multidão. Just wishing.

Derreto-me na fúria de não te poder beijar.

Colectânea de disparates

Acho que vou começar a fazer uma colectânea de disparates. Aqui vai o primeiro:


O cardeal-patriarca de Lisboa considerou hoje que abortar é uma atitude egoísta de quem não quer enfrentar as dificuldades de criar um filho e que uma lei que facilite o aborto é "uma tentação acrescida" para a mulher.
Lusa

22 janeiro 2007

De lamber os beiços

No regresso da viagem à Índia, o Presidente confirmou, himself, aquilo que já desconfiávamos. Ao explicar que o seu estômago não tolerava os picantes daquelas zonas, chamou-se a si próprio um Presidente 'non-spicy'. Gosto deste sentido de humor.

Se passares por aqui...

...este beijo é para ti.

É verdade que a Índia nos dá mesmo a volta à cabeça...

I am a soul, a microstar of conscient energy, the ruler of all my sense organs. I detach myself from my throne between the brows to travel to my soft golden red light incorporeal home. I visualise in front of me, a microstar just like me, the World Almighty Authority. I am being charged by the rays of all powers from this Supreme Source. I know there is nothing impossible in life and I realise within that I am stronger than any habit. I believe in myself and my ability to quit any addiction right here, right now. Waves from the Ocean of Purity break on the shore of my mind and revitalise, rejuvenate and cleanse me. Now, I dislike impure addictive substances. Even if I have to bear some discomfort, I will completely conquer these habits and regain the purity of the soul. This union gives me a unique sense of fulfilment. Now there is no need to depend on any external substance for pleasure.

A "missa" presidencial

A sondagem de hoje do Correio da Manhã diz coisas interessantes: Teixeira dos Santos é o ministro mais popular (sim, em tempos de reformas e perdas de privilégios o senhor ministro mantém a popularidade em alta, ao contrário, por exemplo, do seu colega dos Negócios Estrangeiros). A Aximage conta ainda que 67,2 % dos entrevistados que se dizem socialistas avaliam de forma posivita o desempenho de Cavaco Silva. Aliás, são os socialistas os que mais aprovam Cavaco. Ainda assim, 60,5 % dos eleitores do Bloco de Esquerda (sim, o número é o correcto!) consideram que Cavaco tem sido um Bom Presidente, o mesmo acontece com 40 % de comunistas. O mandato vai no adro, mas a "missa" presidencial já surte efeito...

21 janeiro 2007

Ano um

A efeméride deve ser assinalada: há um ano foi eleito o primeiro Presidente de direita. Entre os socialistas, garante-se que Cavaco inaugurou a primeira fase de real colaboração entre São Bento e Belém. Pergunto-me se, feitas as contas, os socialistas terão algo a apontar a Jorge Sampaio...

16 janeiro 2007

O maná

Como qualquer primeiro-ministro que se preze, José Sócrates disse hoje que os próximos fundos comunitários serão aplicados com rigor e onde mais falta fazem. Como qualquer líder partidário que se preze, o mesmo Sócrates disse que no passado nada disso foi feito. Só me pergunto o que pensará do assunto o seu antecessor, Cavaco Silva, ou até o outro, António Guterres. Aliás, só é pena que, desta vez, tenhamos mesmo que acreditar: é que o maná não volta depois de 2013.

Apanhados da televisão portuguesa - 7/8 (RTP)

Conjunto de apanhados em entrevistas da televisão portuguesa (estes são da RTP).

"Sarkozy escreveu carta a Sócrates para o sensibilizar para protestos contra encerramento de consulados"

Confundir uma candidatura presidencial com a função de ministro de um Estado democrático faz a diferença. Sarkozy derrapou. Escreveu a Sócrates para o sensibilizar para os protestos contra o alegado encerramento de consulados. No fundo, quer apenas "piscar" o olho ao eleitorado luso-francês. Já que se preocupa tanto com uma alegada decisão de Lisboa deveria conhecer a máxima portuguesa: "o povo não é estúpido".

15 janeiro 2007

A vida no JN

... é dura, mas animada. Bem sei que não tem dado tempo para dar sinais de vida, mas tudo se encaminha. Até já.

09 janeiro 2007

O monstro


Fala pouco, trabalha muito (aparenta resultados, dirão os mais cépticos). É elogiado à esquerda e à direita. No poder e pela oposição. Consensual. Mas o que faz Paulo Macedo nos impostos? Tem tudo para ser político, dos bem sucedidos, coisa rara na classe contemporânea. PS e PSD que se cuidem: se o homem aposta na conquista do eleitorado, "Contra os fugitivos do fisco", não sei não...Bem, talvez aí, só aí, concluam: criámos um monstro!

03 janeiro 2007

Isto agora é a doer

Back from London, só hoje estive a ler nos jornais ecos da mensagem de Ano Novo do Presidente da República.
President´s new year resolution: "Em 2007, não podemos falhar as metas que queremos atingir".
Cavaco já deu a entender que o estilo vai mudar ligeiramente. Mais exigente, pedindo mais contas e responsabilidade a Sócrates. É bom que a propaganda do primeiro-ministro comece a mostrar resultados práticos, senão vai haver puxões de orelhas na praça pública.

Ano novo, vida nova


O slogan parece ridículo, de tão usado que é, mas ao caso aplica-se na perfeição. A partir de dia 9, próxima terça-feira, encontram-me no Jornal de Notícias. Para já, e enquanto não começa o desafio, desejo-vos um ano de 2007 feliz. Até já.

27 dezembro 2006

Oposição aproveita silly season para fazer oposição

Oposição critica mensagem de Natal optimista de Sócrates

25 dezembro 2006

Gosto sempre que o Natal do Tim Burton entre no meu Natal



Everybody has a chance, Charlie.

Diz que é uma espécie de serviço público

A RTP acabou de prestar um péssimo serviço público. Aquilo a que chamou um Especial Férias do Gato Fedorento resumiu-se a 15 minutos, se tanto, de repetições de rábulas. After all, there wasn't another.

Porque calar é difícil

Não, eu não deveria contar nem ouvir nada, porque nunca estará na minha mão que não se repita e se afeie contra mim, para me perder, ou ainda pior, que não se repita e se afeie contra aqueles a quem eu bem quero, para os condenar.

Javier Marías
O teu rosto amanhã

23 dezembro 2006

Santo Natal

... para todos. Descansem muito e sejam felizes. Até logo.

21 dezembro 2006

O debate mensal

1. Sócrates apostou bem na reforma do ensino superior português, que bem precisa de ser reformado. É, aliás, a última grande reforma no horizonte do Executivo socialista. Os próximos debates mensais, a partir de 2007, tenderão a ser bem mais difíceis. Depois dos anúncios, vem o tempo da prestação de contas. Um tempo longo, que exigirá mais do que palavras, mais do que intenções.

2. Ainda sobre o Ensino Superior, as linhas gerais da reforma, se bem que tardias, vão no sentido certo. Poderiam ser mais ambiciosas - é certo - mas são um bom primeiro passo. Marques Mendes, por seu lado, fez exactamente o que se exigia: pediu mais determinação na ligação das universidades à sociedade. Faz sentido, marca uma diferença e não perde tempo com demagogias. Bem melhor do que tem estado, Mendes marcou pontos numa altura em que é desafiado dentro do partido. Segue para Natal descansado e bem pode seguir o conselho de José Miguel Júdice: ir passear para a praia, de mão dada com a sua mulher.

3. Central no debate de hoje foi a questão da ERSE. O Governo foi acusado de tirar a palavra ao seu ex-presidente e até de interferir na reguladora. Sobre isto, Sócrates mostrou o que tem de melhor e o que tem de pior. Primeiro, defendeu com unhas e dentes a limitação (pelo Governo) dos aumentos de preço da electricidade. Acredita nisso piamente e desafiou quem o critica a dizer se faria diferente. Como ninguém o disse, saiu bem do problema...

4. ...Ou não. É que, no meio de tanto ataque, Sócrates não resistiu a acusar Marques Mendes de querer interferir na nomeação dos presidentes das entidades reguladoras antes de ser Governo. Para Sócrates, assim, o cargo de regulador é um cargo de nomeação governamental como qualquer outro. Não faz questão de manter, sequer, as aparências de isenção e independência. É pena. Já sabíamos que o Governo não lida bem com entidades independentes (nenhum lida). Agora, ficamos a saber que, por vontade de Sócrates, nenhuma o será. Em circunstâncias normais, seria uma má notícia para a oposição. Em maioria absoluta, é uma péssima notícia para o país.

20 dezembro 2006

A guerra constitucional

Em vez de tanto protestar por causa de uma carta do primeiro-ministro e dos cinco pareceres enviados, a oposição devia era seguir os mesmos passos e reforçar a sua argumentação. Um primeiro-ministro, por o ser, não pode ter menos direitos que qualquer outro político. Ou pode?

15 dezembro 2006

Time to move on



Fecha-se a porta - encosta-se, para dizer a verdade - e nunca se deixa nada para trás. Hoje é o meu último dia no Diário Económico, sete anos depois de ter entrado pela mão do Sérgio Figueiredo. Um jornal que me deu tudo e ao qual dei o mesmo que recebi.

Por aqui, por enquanto, ficam algumas pessoas que trabalharam comigo, que deram tudo, cresceram muito, mostraram-se a todos. Boa gente a quem devo muito. A eles (na esmagadora maioria, a elas) quero deixar a mensagem, adaptada, que aqui fixei no dia em que a minha saída foi concretizada.

"Conseguimos muito, algo, pouco, nada? Pouco importa. O que importa, creio, é ter ficado o sentimento de acreditarmos. Em nós. Nos outros. No país. No destino."



Beijos e abraços. Bom trabalho e até já.

14 dezembro 2006

A última crónica no DE

ANALOGIA DO PODER. Há 16 anos, no final da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva, o então director do Expresso, José António Saraiva, analisava de maneira curiosa o estilo do cavaquismo. Dizia assim: “A verdade é que este Governo não caiu por si. Não apodreceu. Não se desagregou. Mais, geriu com notável mestria os seus quatro anos de poder.”
O analista, porém, não se ficava pelo elogio. “Durante os primeiros dois, fez as reformas que queria fazer, afrontando todas as classes: médicos, advogados, professores, militares, funcionários públicos... No ano e meio seguinte consolidou as reformas feitas e emendou aquilo que não podia deixar de emendar. Finalmente, guardou os últimos meses para mostrar trabalho feito”.

JOGOS DE SORTE. 16 anos depois, o mínimo que se pode dizer é que José Sócrates segue à letra a cartilha do cavaquismo, com o bónus de ter em Belém precisamente o autor da estratégia, e não um Mário Soares ávido de ganhar o seu quinhão de poder. Sócrates, assim, pode considerar-se um homem de sorte. E esta história só pode acabar com o apoio socialista a Cavaco nas presidenciais de 2011.

JOGOS DE AZAR. Mas se Sócrates pode agradecer aos deuses a sorte que lhe calhou, o que dizer de Marques Mendes? O líder do PSD, que há 16 anos era o porta-voz do cavaquismo, hoje é refém da estratégia que ajudou a montar. Mendes não só sabe o que Sócrates está a fazer, como sabe que o está a fazer bem feito. Mais ainda, Mendes conhece Cavaco e sabe que de Belém não sairá uma só palavra que coloque em causa o primeiro-ministro – porque Cavaco não fará a Sócrates o que Soares lhe fez a ele.

ALVO FÁCIL. Entre a espada e a parede, Mendes sabe também que é um alvo fácil dentro do próprio PSD. Tão fácil, aliás, que Morais Sarmento só teve que esperar a primeira entrevista de Cavaco para disparar o primeiro tiro: “Não o associo a nenhuma causa”, afirmou numa entrevista ao DN. Para admitir, logo a seguir, que ainda “é cedo para avaliar Sócrates” – a quem reconheceu, de resto, virtudes de reformismo.

CONSELHO DISCRETO. Quem se lembre da nossa história recente, sabe que durante a primeira maioria absoluta de Cavaco o PS deixou cair Almeida Santos e Vítor Constâncio. Sabe, também, que o próprio Jorge Sampaio só resistiu mais dois anos. Como estes – cuja carreira, como se sabe, esteve longe de terminar no Largo do Rato –, Mendes sabe que terá muitos obstáculos e adversários pela frente, se quiser ter a sua oportunidade. Mas, sobretudo, terá nas mãos um grande desafio: ter paciência com os seus, e a seriedade de reconhecer o bom que seja feito pelos outros. Acima de tudo, Marques Mendes deve seguir um conselho sábio e discreto que lhe chegou de Belém: exigir mais e melhor de Sócrates. Sem baixar os braços e sem as demagogias que a história e os livros nunca perdoam.

13 dezembro 2006

Mudanças

Aos poucos, fui voltando aqui. A partir da próxima semana, com a minha saída do Diário Económico, a reentrada será para valer. Este blog, a minha (a nossa) casa, voltará a ser a minha coluna preferencial de desabafos.

Com tamanhas mudanças para o ano que entra, o mínimo que se poderia fazer era isto: lavar a cara do Insubmisso e voltar à carga. Até amanhã, os links serão também revistos. Assim sendo, até já.

Calamity Campos?

A meio da primeira maioria absoluta cavaquista, Paulo Portas escrevia um artigo no Independente criticando a fúria reformadora da então ministra da Saúde, Leonor Beleza. O ataque à indústria farmacêutica, aos médicos, a centralização da gestão hospitalar, tudo junto, levavam Portas a apontar o dedo a "Calamity Leonor". Hoje, Correia de Campos segue, na prática, o mesmo caminho de Leonor Beleza - com o mesmo grau de impopularidade pública que aquela. Mas década e meia depois, nem Portas, nem a Ordem, nem quase ninguém se atreve a criticar o ministro. Das duas uma: ou o país já percebeu que Beleza estava certa, ou os lobbies já se renderam a "Calamity Campos".

12 dezembro 2006

Os novos do Restelo

O Governador do Banco de Portugal disse hoje que discorda do comissário europeu Almunia sobre os riscos de consolidação orçamental em Portugal, garantindo que Portugal está no bom caminho. Sem razão para discordar de um ou de outro, sempre vou notando em Vítor Constâncio uma defesa do Governo de intensidade curiosa. Talvez por isso o Governo, neste caso, não tenha tido dúvidas em reconduzir o único regulador que ainda não lhe mereceu críticas.

11 dezembro 2006

Coisas da social-democracia

Caladinho há ano e meio, Morais Sarmento saiu da toca para criticar Marques Mendes duas semanas depois de Cavaco Silva ter dito tudo numa entrevista à SIC. O timing não é coincidência: no PSD, até para se atacar a liderança é preciso a sombra protectora do Presidente. Amén.

04 dezembro 2006

Homenagem

"Conseguiu muito, algo, pouco, nada? Pouco importa. O que importa, creio, é ter ficado o sentimento de acreditar. Em si. Nos outros. No país. No destino."

Cito Francisco Sá Carneiro, filho, num discurso sobre o seu pai, num momento especialmente oportuno. Quando tiverem dúvidas, hesitações, medo, lembrem-se disto.

(versão corrigida)

30 novembro 2006

Cavaco e o referendo

O Presidente marcou ontem o referendo ao aborto, com uma pequena frase muito significativa: esta é "uma matéria que possui profundas implicações no plano ético". O tema do aborto tem destas coisas: para a esquerda, é uma questão de modernidade; para a direita, é um problema de ética. Se dúvidas restam, deixo esta pergunta: alguém imagina Jorge Sampaio dizer o mesmo?

28 novembro 2006

Crónica das maiorias

ORÇAMENTO MONOCOLOR. Depois da entrevista à SIC do Presidente da República, muitos se têm perguntado sobre as razões de tanto apoio de Cavaco ao Governo de Sócrates. A resposta está aí já na quinta-feira, quando o PS aprovar sozinho o Orçamento de Estado para 2007, sem que um único deputado da oposição deixe uma palavra de apoio, de hesitação ou sequer de benefício da dúvida ao documento.

A VERDADE é só uma: nos documentos centrais da governação, Sócrates conta apenas com um apoio, o do seu próprio partido. Não houvesse maioria absoluta e o país caía - uma vez mais - no pior do guterrismo. E desta feita nem um Campelo existiria para salvar a bancada do Governo e a estabilidade governativa.

SUSPIROS. Na entrevista de Maria João Avillez a Cavaco Silva, faltou apenas uma pergunta clarificadora: aprova o Presidente o Orçamento de Estado? Vistas bem as coisas, a resposta está lá - apoiando o reformismo, defendendo um esforço nacional de contenção, sugerindo que se expliquem as medidas, Cavaco deixou claro que nada o opõe ao Orçamento - o mesmo que merecerá de toda a oposição um voto contra. Defendendo a estabilidade, aliás, Cavaco só pode ter nesse dia a mesma reacção que Sócrates não evitará: um suspiro de alívio pela existência de uma maioria absoluta no Parlamento.

CAMINHO CERTO. É por isto que, aprovado o Orçamento, amaioria parlamentar deviameter na sua lista de prioridades a reforma da lei eleitoral da Assembleia da República. Não para criar círculos uninominais, nem tão-pouco para reduzir deputados. O que PS e PSD têm a obrigação de fazer é mexer na lei para aumentar a estabilidade do regime. Havendo coragem política, os dois partidos só teriam um caminho: deixar-se de conversa fiada e caminhar no sentido de um Parlamento bipolar, onde a alternância do poder estável seria a regra e onde o papel da oposição seria o de controlar a acção do Executivo. Só assim se reforçaria o papel do Parlamento e só assim nos deixaríamos de discussões fúteis que a nada levame que só atrasam o país.

E OS PEQUENOS partidos - perguntariam os mais contemporizadores? Basta olhar para eles para encontrarmos a resposta: alguém precisa de um CDS que só aparece nos momentos das guerrilhas internas? E de um PCP que teima em não entrar no arco de governabilidade, antes procurando um lugar na contestação de rua? Em qualquer dos dois casos, se é verdade que há bons elementos nestes partidos, também o é que esses teriam voz reforçada se assumissem papel de relevo no chamado Bloco Central. Mais, poderiam até ganhar espaço e assumir uma posição de liderança que hoje, por exemplo no PS, a ala esquerda teima em não conseguir.

HOUVESSE CORAGEM, portanto, e a lei mudava. Porque se prova que Portugal só anda para a frente em anos de maioria absoluta; e porque talvez assim a oposição tivesse espaço para maior responsabilidade.

Pedintes, pés-descalços e invejosos

Diz o major Loureiro, com autoridade perdida e abafada por sucessivos casos de polícia, que as críticas do Tribunal de Contas à utilização de cartões de crédito por parte de 2 administradores da Metro do Porto surgem, apenas, por que somos um país de "pedintes, pés-descalços e invejosos". Uma dúvida, uma confirmação. É ou não verdade que este major na reserva passou a sua vida a viver à custa do erário público pago por aqueles que segundo diz são "pedintes, pés-descalços e invejosos"? A confirmação: A lei de incompatibilidades no poder local e regional só peca por tardia....

24 novembro 2006

Às Vezes o Amor - Sérgio Godinho

Para o fim-de-semana, e por falar em PCP. Para quem não ouviu, o novo "Ligação Directa" é uma bela lição de como fazer música em bom português.

Meia confiança

A retirada de meia confiança política a uma deputada comunista é um facto inovador na política. Se a moda pega, Marques Mendes reduz o seu slogan a "crescer 1,5%". Era bem mais realista, não?

P.S. (sem desprimor): Ao caso, tenho que dar razão a Jerónimo de Sousa. Se a deputada aceitou integrar as listas do partido, sabia as regras com que lidava. No fundo, Luísa Mesquita parece o Gil Vicente: se não gosta das regras da Liga, bem pode jogar nos amadores de Barcelos.

Spin?

O Paulo Gorjão e o JMF acham que o Presidente da República deu um golpe de spin com a notícia de 5ª-feira do DE. Às vezes, o spin engana os próprios detectores.

23 novembro 2006

Jornalismo à portuguesa

Mais de mil jornalistas assinaram, em menos de cinco dias, o Manifesto em defesa da sua Caixa de Previdência, o que revela o profundo desagrado com que foi recebida a intenção do Governo em encerrar a instituição. O Manifesto, lançado pelo Sindicato dos Jornalistas

Este email que acabei de receber mostra à evidência que o jornalismo em Portugal é de esquerda - e não da alegadamente moderna do eng Sócrates. É o que temos.

Já agora: Comigo não contem, ok?

14 novembro 2006

A mulher de César


A rusga foi anunciada com pompa e circunstância. O BES voltava a estar na berlinda envolvido numa Operação Furacão à espanhola, sendo suspeito de "lavar" dinheiro com origem duvidosa. A fotografia nos jornais e telejornais era a da sede do BES, em Madrid, com polícias desfocados com pastas nas mãos. Em causa, supostamente, 1,8 mil milhões de euros que o Juiz Garzon decidiu congelar até apurar a sua validade. Na calha das autoridades espanholas estaria também o off shore da Madeira – chegou a fazer manchete em Portugal. Conclusão? Afinal, 99,6 % do dinheiro congelado pelos espanhóis...pertence a bancos espanhóis! Não tenho conta no BES, não conheço os Espírito Santo. Gosto de Espanha, gosto dos espanhóis, aprecio o perfil do Juiz Garzon. Mas tudo na vida tem limites. E não basta ser sério…

O congresso e os críticos

A união faz a força. Quem diz que um congresso de um partido no poder não serve para nada, seguramente nunca esteve num congresso. Este fim-de-semana, Sócrates entrou na reunião dos socialistas com uma mão-cheia de desafios. Era como se, em meia surdina, até a empregada protestasse com as ordens do patrão. De lá, o mesmo Sócrates saiu incontestável, aplaudido, elogiado por todos. Naquela casa, com o líder presente, não há quem levante a voz. Isso chega para Sócrates: com o aplauso do PS, fica pronto para os gritos nas ruas. A maioria fará o resto.

Alegre cavaqueira. Exemplo prático disso foi o discurso de Manuel Alegre. Lamentavelmente, o deputado que um dia antes tinha escrito duas páginas a arrasar o Orçamento de Sócrates, acabou a fazer uma intervenção que mais não foi que uma alegre cavaqueira. Lá fez o favor de se mostrar incomodado com algumas políticas, mas meteu as divergências num bolso - o mesmo de onde saiu uma folhinha, que entregou ao líder justificando a sua recusa de integrar os órgãos nacionais. Daqui para a frente, uma crítica de Alegre será lida no seu exacto valor: nenhum. Sobra Helena Roseta, que levou até ao fim a sua crítica.

Aborto até ao fim. Incompreensível foi o desafio da ala esquerda sobre o referendo ao aborto: se não for vinculativo, que se legisle na Assembleia. Ficamos a saber que, para eles, os votos só valem se forem muitos. Não tivesse cortado a polémica pela raiz, Sócrates caía no risco do passado: com tanta confusão, nem ida às urnas, nem “sim” que lhes valesse.

Reformas, pois claro. Saído de Santarém, o caminho do primeiro-ministro é óbvio: continuar as reformas. Cansados de apontar defeito às medidas, os críticos viram-se agora para os riscos de o Governo atacar todos os sectores, virando o país contra ele. Dizendo isto, não percebem que fazem a Sócrates um enorme favor: ao dizer que ataca todos, aceitam que o Governo tem feito por ser reformista - que é simplesmente o maior trunfo de um governante no Portugal imobilista de sempre.

O que faz falta, no Portugal de hoje, não é animar a malta. O que faz falta, sim, é quem perceba a urgência de cortar os bloqueios. Com o primeiro-ministro reforçado do congresso socialista, a única via possível de uma oposição responsável (à direita, claro está) é pedir mais a Sócrates. É que Portugal não tem tempo a perder. E o Governo ainda nem entrou na pior fase do mandato: a da execução. O futuro de Sócrates continua nas mãos de dois factores: a economia, que ao contrário do que o próprio imagina, nunca conseguirá controlar; e as reformas, que ou têm resultados efectivos ou acabam a matar o seu autor. Hoje, à luz do congresso, Sócrates parece um vencedor. Mas o caminho não é só longo: é estreito e ainda sem luz ao fundo do túnel.

(Publicado hoje no DE)

12 novembro 2006

XV Congresso do PS


Entrou em Santarém como secretário-geral do PS com um discurso virado para dentro, explicativo e justificativo, mas saiu da cidade a falar como primeiro-ministro com uma novidade relevante para o país [aumento do salário mínimo]. O discurso final foi esclarecedor: empolgante e carismático na comunicação, ambicioso no conteúdo e arrematador quanto ao poder que detém no PS e no país. Esperemos que venha a ter a taxa de execução anunciada, sem recuos nas reformas em curso.

10 novembro 2006

Para que servem os congressos?


Para disputar ou reforçar lideranças e estratégias.

O congresso socialista poderia ser um grande bocejo. Sócrates é um líder incontestado, recentemente reeleito por 97% dos militantes e não existe laivo de oposição capaz de lhe fazer frente.
Resta a segunda hipótese: reforçar lideranças e estratégias. E, aqui, é o país que reforça o enfoque no CNEMA. Greves, contestações, reformas em curso por concretizar, um Orçamento de Estado de aperto para muitos e esperança para poucos antevêem dificuldades na transmissão da mensagem. Não entre o líder e as tropas mas entre o descampado de Santarém e Portugal, do Minho ao Algarve, da Madeira ao Corvo