15 março 2005

Água para que te quero!

Ontem foi noticiado que cerca de metade da água consumida em Portugal (quer no âmbito doméstico e industrial, quer no agrícola) é desperdiçada ou perdida no seu percurso até ao consumidor! Falhas ou fracturas no complexo e irracional sistema de condutas assim como bocas-de-incêndio mal vedadas ou simplesmente destruídas foram dadas como as principais razões no que diz respeito ao desperdício de água no circuito doméstico e industrial. Sistemas obsoletos ou rudimentares e pouco eficazes no caso do consumo agrícola.

Cumprindo a velha e incontornável tradição lusitana, obviamente que se aguardou por um ano de seca, quando já é tarde demais, para se fazer o estudo que conduziu às conclusões acima mencionadas. Acho que numa era em que a ecologia, a racionalização e a luta contra o desperdício (em especial da água) estão em voga, mais uma vez conseguimos surpreender o mundo, descontraidamente, com estas noticias brilhantes, contrariando calmamente o esforço que os nossos vizinhos europeus fazem para obter resultados positivos nestas áreas.

Mais giro ainda é a forma como se nota que naturalmente um pais rico em todos os sentidos, como o nosso, ignore esta noticia, como se a ninguém dissesse respeito. Provavelmente não terá qualquer espécie de impacto politico e como não mete ao barulho qualquer figura publica de relevo, é óbvio que a coisa das farmácias ou as eleições de um partido em crise terão sem dúvida muito mais interesse tanto para o jornalismo como para a sociedade em geral. Em termos políticos nem sequer estou à espera que este venha a ser um tema relevante.

O facto é meus amigos, que sem aguinha a malta não vive, não toma banho nem cozinha. Mas o que é lá isso comparado com todas as coisas bem mais importantes que se vão passando neste país e que tanto deslumbram as inteligências polidas e brilhantes daqueles que se dedicam a causas maiores como a política dentro da política e outras que em termos humanos (no sentido de máquina biológica) pouco ou nada contribuem para o nosso verdadeiro bem-estar e qualidade de vida! Talvez apenas uns quantos brejeiros como eu tenham sido tocados pela notícia da água. Mas de água preciso eu para viver, do resto logo se vê!

Lembrem-se só disto: Da próxima vez que encherem um copo de água numa torneira ou tomarem um duche, uma quantidade equivalente do precioso líquido terá sido completamente desperdiçada formando uma nova poça ou buraco algures pelo país. Dá que pensar.
Anarcatólico

1 comentário:

toix disse...

Por acaso concordo inteiramente consigo. Eu detesto não ter uma pinguinha de água para pôr no whisky. Água lisa claro.