02 março 2005

O relativismo das analogias

1 - O Pedro Machado (PM) caíu num equívoco comum a todos os esquerdistas: ser de direita é ser fascista. Ou melhor, criticar o humor esquerdista e jacobino é defender a "polícia" dos bons "costumes".
Trinta anos depois do 25 Abril ainda muitos esquerdistas consideram que ser democrata é...ser...de...esquerda... Coitados. Necessitam de mais 30 anos para apreenderem os conceitos básicos da democracia representativa.
PM diz ainda que apelei à insurreição alheia. Errado, mais uma vez. Limitei-me a perguntar - colocando a interrogação a uma pessoa que conheço e considero no País Relativo - se concordava com o sentido de humor de PM. Constato que até hoje Pedro Adão e Silva permanece em silêncio. Se bem o conheço, deve estar incomodado com o humor jacobino do seu colega de blogue.
PM aconselha-me, porém, a olhar para dentro de casa, remetendo-me para um post do António Mira. Fico contente por PM ter ficado 60 minuto no Insubmisso a pesquisar. Fez bem. Pode ser , embora não acredite muito, que tenha aprendido alguma coisa.
António Mira tem um estilo. Eu tenho outro. São diferentes, graças a Deus. Se fossem iguais, o Insubmisso seria uma grande chatice. Aqui defendemos e promovemos a pluralidade. Lamento, mas não somos a favor a igualdade de pensamento.
Por muito que isso custe a PM, o Papa João Paulo II nunca defendeu a violência, como Yasser Arafat fez. O Papa não defendeu nem praticou a guerra contra os seus adversários. A Igreja não considera o terrorismo como uma solução para os problemas políticos, ao contrário da OLP liderada por Arafat.
Lamento que o ateísmo e o jacobinismo sejam tão cegos. Comparar o Papa a Arafat não lembra ao diabo! Quem defende a violência não pode esperar compaixão dos restantes seres humanos.

2 - PM resolveu gozar, de forma idiota, volto a repetir, com a doença de um homem que está a morrer. Teve a boa companhia do Nuno Sousa e do Rui Tavares do Barnabé. (Já agora, aconselho a PM uma pequena visita aos comentários que os leitores do Barnabé fizeram aos posts do NS e do RT. Constatará que os "polícias dos costumes" invadiram a esquerda)
O homem idoso em questão, por acaso, é Papa. Mas não é isso que está em questão. Sou católico, mas não me choca que crentes e não crentes brinquem e provoquem a Igreja. That´s not the point.
O humanismo mais básico, o respeito pela vida mais elementar, assenta, por exemplo, no respeito que uma pessoa moribunda deve merecer de todos os seres humanos razoáveis. Só os cobardes infringem esta regra da vida em sociedade. PM, tal como Nuno Sousa e Rui Tavares, parece ser um deles. LR

2 comentários:

fritominotauro disse...

Como já tinha referido num post no meu blog, o Papa é a expressão máxima, nunca antes tão bem representada, da decadência da Igreja Católica. Homens moribundos há muitos, e não têm uma mínima percentagem significativa de atenção, pelo simples facto de não serem um Papa.

pedro adão e silva disse...

caro luís,
confesso que achei boa a metáfora do pedro. o meu silêncio deve-se apenas ao facto de nos últimos dias ter andado meio afastado da blogosfera e de ter dúvidas sobre a necessidade de solidarizar-me ou desolidarizar-me com o que os meus companheiros (e amigos) de blog escrevem. Acho que a forma como a Igreja tem nos últimos tempos tratado o Papa é deprimente. Isto ao mesmo tempo que acho que há muitas formas de advogar a violência. Sobre este Papa basta pensar nas omissões e nas acções em torno, por exemplo, do uso do preservativo e o que isso significa em termos de mortandade. É ou não uma forma de violência, tal como as omissões do arafat sobre os atentados bombistas o eram?
Não vejo por que razão não se pode ironizar com o Papa, do mesmo modo que vejo muitas razões para este Papa ser alvo de combate político. e nada disto, naturalmente, conflui com o meu respeito sobre as convicções espirituais e religiosas de cada um.
abraço
pedro (PAS)