11 fevereiro 2005

Louçã e a deslocalização de empresas

Louçã disse que o Estado tem de intervir para impedir a deslocalização de empresas. Falava frente a trabalhadores de uma fábrica de calçado no distrito de Aveiro.

Esclareçam-me lá uma coisa: o Xico Patanisca é Professor de Economia ou não? De uma escola séria chamada ISEG, certo? De um país da UE chamado Portugal, uhn?

Se as respostas são afirmativas então a criatura Patanisca já ouviu falar de uma coisa chamada OMC a que até a reaccionária (pelo menos para os trotskistas) China aderiu, devido ao reconhecimento da inevitabilidade e irreversibilidade de um fenómeno chamado globalização. Se assim é, então a acção de Louçã é de uma hipocrisia brutal...do mesmo calibre daquela que Xico Patanisca atribui aos outros partidos. E lá se vai a pureza moral do albanista.

Mas sigamos outra via de raciocínio! Ao impedir a deslocalização, Xico Patanisca está a prejudicar a formação de capital de português, factor essencial para a criação de mais postos de trabalhos no futuro em sectores mais competitivos. Mas mesmo que assim não fosse, ao impedir a deslocalização para países em vias de desenvolvimento com recursos humanos mais baratos, Louçã estaria a contribuir para que as assimetrias regionais se acentuassem e para o aumento dos niveis de pobreza de populações mais necessitadas do que as nossas (já que não há mecanismos de protecção social desenvolvidos nesses países). Mas desta maneira Xico Patanisca está a entrar em contradição com o próprio programa do bloco de esquerda (coisa que , valha a verdade também não é novidade!!)

Concluindo:
Louçã ou é ignorante ou é hipócrita.

Either way com estas suas tiradas demagógicas em Aveiro cheguei à conclusão que ele é uma fraude intelectual e pensa que os outros não notam.

3 comentários:

mfc disse...

A economia deve estar ao serviço do bem estar das pessoas e não dos números.
Isso transcende-me e enerva-me, irra!

daniel tecelão disse...

E eu que estava prestes a votar no tal patanisca,como você deselegantemente lhe chama,graças a Deus que ainda há gente como você capaz de nos iluminar o caminho.
Fico-lhe eternamente grato!!!

Anónimo disse...

caro daniel,

os méritos da "Patanisca" não se devem a mim, antes ao meu bom amigo Luís Rosa. Mas permita-me afirmar que eu "também perfilho a criança"; e de tal modo eu achei adequada a designação "Patanisca" que de bom grado abandonei o ainda mais deselegante "Batanete" que até há pouco utilizava.

Mas porquê Patanisca perguntará o caro Daniel? Há 2 ordens de razões:
1- Como diria Fernando Alvim (da SIC RADICAL), Patanisca é "fofinho", é patusco, é qerido e amoroso, é cuthci-cutchi. E é isso que Francisco Louçã inspira. Como ninguém o pode levar, a ele e às suas ideias, a sério, ele só pode ser isso...fofo, ternurento, lanzeiro
2- Patanisca é algo que só encontramos em cenários retro como sejam o Papa-Açorda no Bº Alto, algumas tascas da Bica e das Escadinhas do Duque. Patanisca é algo que no Portugal moderno é algo completamente anacrónico, para uns, decadente, para outros. Patanisca é a comida de proletariado de outrora e de intelecual urbano de hoje em dia. Patanisca é algo que não nos surpreenderia ver na boca de Fernando Rosas ou de Ana Drago. Patanisca é algo que calha bem na camisa Façonable do primeiro e dos sapatos Stivali da 2ª. Ora se assim acreditamos só poderíamos apelidar Louçã - o farol de Alexandria da "Nova Esquerda" - de Patanisca. É o símbolo síntese perfeito de uma ideologia.

Tentei justificar a "alcungem", temo todavia que não tenha sido totalmente claro...mas tentei.

Caro Daniel muito obrigado pelo seu comment. E continue a "picar-me". Não há nada como esta interacção. É infinitamentemelhor que um golo do Simão no último minuto do prolongamento da final e taça contra o FCP.

Antonio MIra