09 fevereiro 2006

Um país meio coberto de vergonha

Moralmente superiores, jornalistas, bloguistas e políticos, temos passado os últimos dias a discutir os atrasos civilizacionais daquelas gentes muçulmanas que obrigam as mulheres a usar burka e, com grande lata, se atrevem a atacar os interesses da civilização europeia.
Por um minuto sejamos capazes de esquecer a burka deles e olhemos para a nossa meia-burka que deixa o sexo de fora para que o país possa regredir à selva. Uma selva em que uma história é apenas uma história e nem sequer faz pensar.
A notícia surgiu hoje no Jornal de Noticias e no Correio da Manhã. Os outros, os jornais de referência, não se podem dar ao luxo de reflectir a vida real. Mesmo o JN e o CM limitam-se a dar a história, sem reflectir muito no que ela significa. Passo a contar:
Um empresário, de 38 anos, com uma situação financeira folgada, é suspeito de abusar sexualmente de uma cunhada com apenas 12 anos. A criança confirma, mas diz que gosta muito do cunhado e não quer que ele vá preso. A criança é de uma família pobre e é irmã da mulher do empresário com quem casou aos 15 anos por estar grávida. O empresário ia buscar a criança à escola todos os dias. Não vale a pena mais pormenores. Toda a gente que girava à volta desta família poderia perceber o que se passava, mas ninguém fez nada.
Esta é também a história de um país que se julga moderno porque tem OPA's, MNE's e discute cartoons. Esta é também a história de uma sociedade que faz de conta que tem vergonha na cara e que, por isso, a tapa, deixando tudo o resto ao deus dará.

9 comentários:

Anónimo disse...

Cá esses senhores vão presos. Graças a Deus.

paulo baldaia disse...

É suposto ele ir preso. Vamos ver como decorre o julgamento. Mas para chegarmos a este ponto, duas crianças foram abusadas por um homem adulto, com todos os outros a assobiarem para o lado

FT disse...

Falta-nos decoro. A nós, ocidente.

Anónimo disse...

Patética a mistura de assuntos e a confusão. Como se fosse possível controlar toda a gente ou ter todos programados por computador.

lucklucky

paulo baldaia disse...

O lucklucky acha que é preciso controlar todos e garante que eu faço uma grande confusão. Pois bastava pensar que o dito senhor, com 38 anos, já tinha engravidado uma rapariga aos 15 e andava todos os dias a ir buscar a irmão de 12 à escola. Há coisas que são de facto uma grande confusão para quem não quer ver ou somar dois mais dois.

FT disse...

São sempre quatro

JF disse...

O que é que tem a ver o facto de acontecer num sítio qualquer do nosso país, uma história de abuso de menores - ainda que muitos tenham feito vista grossa - , com o maior ou menor desenvolvimento de Portugal?
Nos países mais desenvolvidos económica e socialmente, não há casos tão miseráveis quanto este?

paulo baldaia disse...

Nos países mais desenvolvidos há casos tão miseráveis como este. Razão mais do que suficiente, pensa JF, para que ninguém tenha de se preocupar.
Também é interessante a tese de que isto não contribuiu para avaliar o nosso grau de desenvolvimento. Pois! Eu ganho muito bem, logo sou muito desenvolvido. que interessa que não pense, que coloque os meus interesses à frente dos interesses gerais, que não respeite os outros?

Anónimo disse...

O problema foi como apresentaste o caso.
A não ser que demonstres que isso é comum em Portugal.

Lucklucky