23 novembro 2004

Um elogio ao P(aulo) P(ortas)

A personagem Paulo Portas é deveras intrigante. Não é que eu goste particularmente dele – num votei no sujeito e acredito nunca o fazer –, mas a figura tem méritos e qualidades que se situam acima da mediania da distinta classe política nacional.

Vem isto a propósito da entrevista do actual ministro à revista Sábado – um abraço para o Nuno Saraiva, um grande sportinguista, e outro para o Vítor Matos –, em que revelou mais uma vez toda a dimensão da personagem que criou. Paulo Portas não é Paulo Portas, é a criação de uma figura paradoxal. Um homem que se diz monárquico e conservador, com uma indumentária polida e pensada ao pormenor, mas solteiro e bom rapaz.

Ele próprio reconhece esta “dupla personalidade”, quando concorda com a análise do seu amigo Miguel Esteves Cardoso sobre a dissonância entre a figura no privado e a imagem pública da mesma.

Desta forma, não posso fazer uma avaliação do verdadeiro Paulo Portas porque não o conheço. Mas o julgamento do político é possível pelos seus resultados. Afinal é o que interessa e o resto é paisagem.

Portas fundou O Independente que foi uma pedrada no charco do politicamente correcto da altura e que marcou uma geração. Além disto, foi um projecto político de sucesso no combate ao cavaquismo – o notável professor que o diga.

Depois construiu e destruiu um figurante político denominado Manuel Monteiro. De seguida, pegou no CDS e aniquilou-o para fundar o “seu” PP. E o PP é mesmo dele e só existe por ele e para ele e, provavelmente, acabará sem ele. PP não significa Partido Popular, mas sim Paulo Portas.

A personagem já foi dada como morta e enterrada várias vezes –, por exemplo, no âmbito do caso Moderna ou após as últimas autárquicas – e, qual Fénix, renasceu sempre para dar dores de cabeça a muita gente. Afirmou que chegaria ao poder e muitos riram-se. Agora aturam-no na pasta da Defesa.

E a seguir? Não sei porque não tenho os poderes do oráculo. Contudo, há um erro que não cometo: subestimar a personagem política Paulo Portas.

Abraços

P.S. – Num país em que, infelizmente, não há o hábito de fazer biografias políticas, eu gostaria de fazer a do PP, particular e político.

3 comentários:

Anónimo disse...

Cada um é para o que é. Por isso, dr. Bruno talvez seja melhor dedicar-se à escrita futebolística e a biografias da bola.

Anónimo disse...

Eu leria!

Anónimo disse...

Elogios ao Paulo Portas.....? Vejam este: http://laplage.blogs.sapo.pt/arquivo/383318.html